Um homem de 58 anos foi preso em flagrante suspeito de estuprar a própria neta, de 10 anos, em Cascavel, no oeste do Paraná. Segundo a Polícia Civil, o irmão da menina, de 15 anos, sofreu ameaças de familiares após tentar defendê-la e precisou buscar abrigo na casa de vizinhos.
A menina foi encontrada chorando na rua, debaixo de chuva, e acolhida por moradores do bairro Interlagos. Foi nesse momento que ela conseguiu relatar os abusos sexuais que, segundo a investigação, vinha sofrendo do avô.
A identidade do suspeito não foi divulgada.
De acordo com a polícia, o último abuso teria ocorrido na sexta-feira (23), mas a criança só conseguiu contar o que havia acontecido quando se sentiu segura na companhia dos vizinhos. Testemunhas relataram aos investigadores que os abusos teriam ocorrido outras vezes.
Os policiais retiraram os dois irmãos da residência e os encaminharam à delegacia, onde receberam acompanhamento do Conselho Tutelar.
Segundo a Polícia Civil, a menina, o irmão, a mãe e o avô moravam na mesma casa. Após avaliar a situação, o Conselho Tutelar decidiu que as crianças ficariam sob os cuidados da mãe.
A polícia também recebeu relatos de possíveis abusos sexuais contra outras meninas. As denúncias serão investigadas, mas ainda não há confirmação sobre a existência de outras vítimas.
Suspeito teria planejado fugir para o Paraguai
Durante a investigação, a Polícia Civil recebeu informações de que o avô estaria planejando fugir para o Paraguai.
Diante da suspeita de fuga, o delegado responsável pelo caso pediu à Justiça que a prisão em flagrante fosse convertida em preventiva, para que o homem permaneça preso durante a investigação.
A polícia também solicitou medidas protetivas para impedir que o suspeito se aproxime das crianças ou mantenha contato com elas.
O homem foi encaminhado à cadeia pública de Cascavel, onde ficou à disposição da Justiça para a audiência de custódia. O caso será investigado pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), da Polícia Civil.
Por - G1
As Agências do Trabalhador do Paraná e postos avançados iniciam a semana com com carteira assinada disponíveis em todas as regiões do Estado. São contemplados diferentes níveis de escolaridade e qualificação profissional, incluindo oportunidades para trabalhadores da indústria, comércio e serviços, além de opções para profissionais com formação técnica e superior e vagas de estágio.
A função com maior número de oportunidades é a de alimentador de linha de produção, com 7.377 vagas abertas em todo o Paraná. Na sequência estão as 1.500 vagas para abatedor, 1.291 para magarefe (profissional especializado no corte e preparação de carnes), e 825 postos de trabalho disponíveis para operador de caixa.
A Região Metropolitana de Curitiba concentra o maior volume de vagas nesta semana, com 6.867. Em seguida, estão as regiões de Cascavel, com 5.498 vagas, Campo Mourão, com 3.343, Foz do Iguaçu, com 2.750, Londrina, com 2.235, Pato Branco, com 1.793, Maringá, com 1.686, Umuarama, com 1.065, Guarapuava, com 651, Paranaguá, com 500, Ponta Grossa, com 222, e Jacarezinho, com 81 vagas.
Na Região Metropolitana de Curitiba, os destaques são as funções de alimentador de linha de produção, com 792 vagas, auxiliar de logística (570), telemarketing (419) e faxineiro (386).
As principais oportunidades na região de Cascavel são para alimentador de linha de produção (1.712), abatedor (959), magarefe (155) e operador de caixa (149). Em Campo Mourão, há grande demanda por alimentador de linha de produção (1.167), magarefe (821), abatedor (220) e repositor de mercadorias (106).
Além das vagas operacionais, as Agências do Trabalhador também disponibilizam oportunidades para profissionais com formação técnica e superior em áreas como Administração, Contabilidade, Logística, Eletrotécnica, Pedagogia, Psicologia, entre outras. Além disso, há vagas de estágio para estudantes de Administração, Direito, Computação, Marketing, Museologia e Relações Internacionais.
Os interessados devem buscar orientação junto à unidade da Agência do Trabalhador de seu município. Para evitar filas e aglomerações, recomenda-se o agendamento prévio do atendimento no site da Secretaria do Trabalho, Qualificação e Renda.
Por - AEN
O domingo de eleição (25) começou com chuva moderada nas cidades que fazem divisa com São Paulo, garoa no Leste do Paraná e tempo estável nas outras regiões do estado. A trégua nas tempestades chegou depois de um grande volume acumulado de chuva na metade sul do Paraná, no sábado (24). No total, 32 municípios informaram ocorrências com danos no Sistema Informatizado da Defesa Civil (SISDC), com 980 desalojados e 119 desabrigados.
Mais de 20 cidades paranaenses registraram volume de chuva superior a 100 mm ao longo do sábado (24), principalmente na Região Metropolitana de Curitiba, Sudoeste e Centro Sul do estado (confira a lista completa abaixo).
“No sábado uma frente fria chegou no estado do Paraná, mas já tínhamos condições bastante instáveis desde quarta-feira no estado, além de um ar mais quente e úmido vindo da Amazônia. Tudo isso junto propiciou muita chuva, em especial na metade sul do Paraná, próximo à divisa com Santa Catarina”, explica Marco Jusevicius, coordenador de operações do Simepar.
Em Pato Branco (204,4 mm) e em Curitiba (124,4 mm), o volume de chuva deste sábado (24) foi o maior já registrado na estação meteorológica do Simepar em cada uma destas cidades desde que elas foram instaladas, em 1997. Em União da Vitória (121 mm) não chovia tanto em um único dia desde 07/06/2014, quando a estação registrou 126,4 mm. Em Laranjeiras do Sul, os 120 mm deste sábado foram o maior volume para um único dia de chuva desde 07/12/2024, quando a estação registrou 126 mm.
Na Lapa, os 143,4 mm foram o maior volume de chuva registrado em um único dia desde 20/03/2016, quando a estação registrou 344,2 mm. Em Guarapuava, os 107 mm deste sábado foram o maior volume de chuva em um único dia desde 07/12/2024, quando a estação registrou 113 mm. Também atingiu o maior volume de chuva em um único dia a estação de Francisco Beltrão (165,6 mm): não chovia tanto por lá desde 03/05/2024 , quando foram registrados 191 mm.
Durante a madrugada, a chuva foi mais presente no Norte e no Litoral do Paraná. Entre 0h e 9h30 de domingo (25), os volumes de chuva nas estações monitoradas pelo Simepar no Paraná passaram dos 20 mm somente em Cambará (47,4 mm), Jacarezinho (Sanepar) (24,6 mm) e Tomazina (IAT) (21,8 mm).
PREVISÃO - “A frente fria avançou muito rápido e já chegou ao estado de São Paulo. No Paraná permanece muita nebulosidade, chuva fraca no Litoral, mas não há mais condição específica de tempestades para o Paraná neste domingo. Apenas na divisa do Norte do Paraná com São Paulo ainda vamos acompanhar a movimentação da chuva, pois há previsão de pancadas de chuva com trovoadas, mas sem condições para ocorrência de eventos severos”, detalha Marco.
Durante a tarde de domingo (25), também podem ocorrer pancadas de chuva com trovoadas no Leste e Campos Gerais.
A trégua nas tempestades vai durar aproximadamente três dias. O Simepar monitora o retorno das chuvas ao Paraná somente na quinta-feira (29), com pancadas de chuva e trovoadas isoladas espalhadas pelas regiões paranaenses.
BALANÇO DE OCORRÊNCIAS - De acordo com a Defesa Civil Estadual, entre sábado e a manhã de domingo, 32 municípios informaram ocorrências com danos no Sistema Informatizado da Defesa Civil (SISDC). Ao todo 980 pessoas foram desalojadas e outras 119 estão desabrigadas.
A maior parte dos casos está relacionado à tempestades, com chuvas intensas, que contabilizam 10 municípios até o momento: Ampére, Coronel Domingos Soares, Francisco Beltrão, Honório Serpa, Lapa, Nova Tebas, Prudentópolis, Rebouças, Rio Azul, Rio Bonito do Iguaçu e Turvo. Houve atendimentos por alagamentos em Campo Magro, Curitiba, Fazenda Rio Grande, Guarapuava, Ivaiporã, Pinhais, São José dos Pinhais e São Mateus do Sul.
As prefeituras de Araucária, Campo Largo, Mangueirinha e Porto Amazonas informaram pontos de inundação com o transbordamento de rios, enquanto Cruz Machado, Pranchita, Quedas do Iguaçu e Virmond registraram casos de enxurradas. Vendavais provocaram estragos em Assaí, Cornélio Procópio, Santa Mariana e Tibagi e em Ponta Grossa houve um deslizamento.
Desde quarta-feira (21), após a emissão do Boletim de Gestão de Risco, elaborado em conjunto com o Simepar, a Defesa Civil Estadual reforçou o alerta junto aos municípios na preparação para eventos decorrentes do excesso de chuvas. As equipes técnicas de monitoramento e dos 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR) trabalham em regime de plantão para assegurar assistência aos moradores afetados e orientações quanto ao preenchimento dos laudos.
ALERTAS - Entre a madrugada de sábado e o início da manhã de domingo a Defesa Civil Estadual emitiu 22 alertas laranja, de risco alto e 27 alertas vermelho, de risco muito alto, com uso da tecnologia cell broadcast.
O monitoramento da Defesa Civil Estadual é realizado 24 horas por dia com apoio de meteorologistas do Simepar. A estrutura do Centro Estadual de Gerenciamento de Riscos e Desastres acompanha as condições para o envio de alertas em caso de condições mais severas.
Para receber os alertas da Defesa Civil é preciso efetuar um cadastro gratuito. Você deve enviar o seu CEP por SMS para o número 40199 para se habilitar a receber as mensagens. É também possível receber os alertas por WhatsApp. Para isso, é necessário cadastrar o número (61) 2034-2611 e interagir com o número, podendo se cadastrar a partir do CEP, do município ou da localização.
Estações monitoradas pelo Simepar no Paraná que registraram mais de 100 mm de chuva neste sábado (24):
Curitiba: 124,4 mm
Distrito de Entre Rios, em Guarapuava: 154,2 mm
Francisco Beltrão: 165,6 mm
General Carneiro: 117,4 mm
Guarapuava: 107 mm
Lapa: 143,4 mm
Laranjeiras do Sul: 120 mm
Marumbi Base: 130,6 mm
Palmas: 110,4 mm
Pato Branco: 204,4 mm
União da Vitória: 121 mm
São José dos Pinhais (Sanepar) 107,8 mm
Palmeira (Sanepar) 109,6 mm
Araucária (Sanepar) 127,2 mm
Piraquara (Sanepar) 104,6 mm
São José dos Pinhais (IAT): 102,4 mm
Araucária (IAT): 127,6 mm
Bom Sucesso do Sul (IAT): 171 mm
Piraquara (IAT): 106,6 mm
Paulo Frontin (IAT): 134,8 mm
Por - AEN
O calendário de vencimento da taxa do Certificado de Licenciamento Anual de veículos de 2026 começou em agosto e termina em novembro. Ele é organizado pelo número final da placa do veículo: proprietários de veículos com placa final 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 7 já devem ter quitado a emissão do documento ou estão em débito e proprietários de veículos com placa final 8, 9 e 0 ainda estão dentro do prazo.
O licenciamento é um documento obrigatório pela legislação brasileira que comprova que o veículo atende aos critérios de segurança. O pagamento é no valor único de R$ 94,61. Para a quitação, no entanto, é preciso ter pago o IPVA do veículo e eventuais multas e débitos.
O CRLV é um documento de porte obrigatório. Sem ele, o condutor flagrado em uma blitz está sujeito a multa gravíssima, pontuação na CNH e remoção do veículo.
A guia para pagamento pode ser acessada através do site do Detran-PR, no aplicativo Detran Inteligente e nas unidades de atendimento. O pagamento pode ser feito via pix e o certificado fica pronto em até 15 minutos. A emissão do documento pode ser feita em formato físico ou digital, conforme a escolha do proprietário.
Calendário para renovação do licenciamento no exercício de 2026
Placa final 1 – 14 de agosto (vencido)
Placa final 2 – 28 de agosto (vencido)
Placa final 3 – 9 de setembro (vencido)
Placa final 4 – 18 de setembro (vencido)
Placa final 5 – 28 de setembro (vencido)
Placa final 6 – 9 de outubro (vencido)
Placa final 7 – 20 de outubro (vencido)
Placa final 8 – 30 de outubro
Placa final 9 – 13 de novembro
Placa final 0 – 27 de novembro
Por- AEN
As matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a distância da rede estadual do Paraná cresceram 341% entre 2023 e 2025, passando de 6.784 para 29.950, um aumento de 23.166 matrículas no período. Implantada pela Secretaria de Estado da Educação (Sed-PR), a modalidade oferece maior flexibilidade para quem precisa conciliar os estudos com o trabalho, as responsabilidades familiares e as dificuldades de deslocamento.
Em 2026, os dados do primeiro semestre totalizam 12.182 matrículas. A redução em relação a 2025 (29.950) está relacionada à mudança das diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE), que já impactaram o número de estudantes matriculados na modalidade. A partir de 2027, a EJA a distância ficará restrita ao Ensino Médio, enquanto o Ensino Fundamental passará a ser ofertado exclusivamente na modalidade presencial, sem abertura de novas matrículas no formato a distância. Em 2024 houve 25.890 alunos matriculados.
Além disso, os Exames Estaduais de EJA On-line registraram, em 2026, 25.657 aprovações. Essa alternativa permite aos participantes obter a certificação mediante aprovação nas avaliações, sem a necessidade de frequentar as aulas da EJA.
Segundo o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a ampliação da modalidade acompanha as necessidades dos estudantes. “Muitos jovens e adultos querem concluir os estudos, mas enfrentam dificuldades para frequentar a escola diariamente, seja pela jornada de trabalho, pelas responsabilidades familiares ou pelo deslocamento. Estamos ampliando as alternativas de ensino para que mais pessoas tenham a oportunidade de retomar sua formação. A educação precisa acompanhar a realidade dos estudantes”, diz.
De acordo com a coordenadora pedagógica da EJA da Seed-PR, Miriam de Oliveira, a rede estadual vem adequando a oferta às diferentes necessidades dos estudantes. “O ensino a distância e a expansão da oferta dos Exames On-line contribuíram para que muitos estudantes trabalhadores pudessem retornar à escola e obter a certificação do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Com as novas diretrizes nacionais, estamos adequando a oferta para garantir mais oportunidades de acesso e conclusão dos estudos, especialmente para quem precisa conciliar a educação com o trabalho e com a família”, afirma.
Atualmente, a rede estadual oferece Educação de Jovens e Adultos em 142 instituições de ensino, além de 51 Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA), distribuídos pelos 32 Núcleos Regionais de Educação (NRE).
No Ensino Médio a distância, 50% da carga horária é cumprida presencialmente no colégio, em três dias por semana. Os outros 50% são de forma remota, na plataforma digital da Seed-PR. Nos dois dias restantes, os estudantes podem participar de atividades facultativas de tutoria e revisão de conteúdos na escola em que estão matriculados. A modalidade é destinada a pessoas a partir de 18 anos, tem duração prevista de um ano e meio e exige frequência mínima de 75% e nota mínima de 6,0 para aprovação.
UMA NOVA OPORTUNIDADE – A flexibilidade do ensino a distância foi decisiva para a empreendedora Josiane Pereira da Mota, de 48 anos, retomar os estudos após 32 anos afastada da escola. Mãe aos 15 anos e novamente aos 19, ela interrompeu a formação para cuidar dos filhos e voltou a estudar aos 46 anos, quando também começou a empreender.
“Fiquei 32 anos fora da sala de aula porque fui mãe muito jovem e precisei me dedicar aos meus filhos. Escolher a EJA a distância foi a melhor decisão, porque consigo organizar meus horários, participar das aulas e dar conta dos outros compromissos”, conta.
Para conciliar os estudos com o empreendimento, Josiane reserva períodos da semana para acompanhar os conteúdos e fazer as atividades propostas pelos professores. Segundo ela, o principal desafio foi recuperar a rotina escolar depois de mais de três décadas. “O apoio dos professores é fundamental para que a gente não desista. Hoje entendo ainda mais a importância da educação e que não existe idade para voltar a estudar”, afirma.
ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO – O CEEBJA Barigui, em Curitiba, atende 237 estudantes nos períodos da manhã e da noite. Desse total, 169, o equivalente a 71%, estão distribuídos em quatro turmas a distância. A modalidade combina aulas presenciais, conteúdos digitais e tutoria para esclarecimento de dúvidas, revisão de conteúdos e orientação pedagógica.
Segundo o diretor da instituição, professor Natel Ferreira, os estudantes apresentam diferentes trajetórias escolares e buscam concluir a educação básica para ampliar as oportunidades de emprego, ingressar em cursos técnicos ou superiores e realizar projetos pessoais.
“Recebemos estudantes que precisaram interromper os estudos para trabalhar ou cuidar da família e agora buscam novas oportunidades. Eles não estão começando do zero, pois trazem experiências profissionais e conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Nosso papel é valorizar essas trajetórias e oferecer o acompanhamento necessário para que avancem na aprendizagem e concluam sua formação”.
Por - AEN
O monitoramento do estado nutricional e do consumo alimentar da população paranaense pelo Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um avanço expressivo na última década, gerando um balanço inédito para o Estado. Dados consolidados pela Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa-PR) mostram que a taxa de cobertura da avaliação – dados antropométricos de peso e altura – na Atenção Primária à Saúde (APS) saltou quase cinco vezes.
Abrangendo a série histórica de 2012 a 2025, o índice passou de 7,60% para 39,16% da população-alvo. Em números absolutos, o volume desses registros pulou de pouco mais de 804 mil para a marca de 4,13 milhões de pessoas avaliadas em todo o Estado.
Já o rastreio dos marcadores de consumo alimentar, instrumento de avaliação rápida aplicado por profissionais da APS que investiga o consumo de um conjunto de alimentos e comportamentos alimentares praticados no dia anterior, atingiu a cobertura de 4,74% da população em 2025.
O índice objetiva conhecer o padrão de consumo alimentar que se relaciona à alimentação saudável ou não saudável, tanto individual quanto coletivo, e começou a ser monitorado pelo sistema de informação em 2015.
O volume de registros saltou de 16.885 em 2015 para 501.551 em 2025, alcançando uma marca quase 30 vezes maior que a inicial, o que representa um crescimento de 2.870,39%. Essa ampliação estrutural é reflexo direto do fortalecimento das ações de busca ativa nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e da vinculação dos indicadores a programas estaduais de repasse financeiro por desempenho.
Com essa alta capilaridade de avaliações físicas, o Governo do Estado consegue traçar um diagnóstico preciso e descentralizado do estado nutricional dos paranaenses em cada região. Paralelamente, o avanço nos registros de consumo alimentar permite uma amostragem cada vez mais sólida sobre os hábitos de alimentação em âmbito estadual, direcionando o planejamento de políticas mais assertivas.
“Atingir a marca de mais de 4 milhões de pessoas avaliadas não é apenas um número, mas a prova da força e da capilaridade da nossa Atenção Primária. Quando o Governo do Estado passa a conhecer de perto o estado nutricional de cada município, deixamos de atuar no escuro. Esses dados robustos nos permitem desenhar políticas públicas mais precisas, garantindo que o cuidado chegue ao paranaense de forma adequada”, ressalta o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
ALEITAMENTO - A robustez desse rastreio revelou vitórias importantes, especialmente na saúde materno-infantil. O Paraná ultrapassou a meta global de Aleitamento Materno Exclusivo (AME) estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Enquanto o objetivo mundial para 2025 era alcançar 50% de adesão, o Estado atingiu o índice de 57% de bebês exclusivamente amamentados até os seis meses.
O reflexo desse cuidado inicial resultou em outros recuos históricos captados pelo monitoramento: a desnutrição infantil caiu para 3,25% na faixa de 6 a 24 meses (a menor taxa desde o início da série histórica), e a obesidade entre bebês menores de seis meses caiu de um pico de 6,06% (em 2014) para apenas 1,86% em 2025. A desnutrição entre gestantes também apresentou queda expressiva, passando de 17,53% em 2012 para 9,86%.
Para a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, o avanço reflete o fortalecimento da rede materno-infantil. “Ultrapassar a meta mundial da OMS no aleitamento materno é uma conquista enorme para o Paraná. O leite materno é o primeiro escudo protetor da criança. O reflexo desse cuidado intensivo já aparece na queda da desnutrição e da obesidade nos primeiros anos de vida, garantindo um desenvolvimento muito mais saudável e seguro para as nossas crianças”, avalia.
PONTO DE ATENÇÃO – Se a primeira infância concentra os melhores indicadores e a desnutrição geral apresenta patamares baixos na maioria das faixas etárias, os dados históricos acendem um alerta para uma mudança de perfil. O levantamento aponta a consolidação do excesso de peso (sobrepeso somado à obesidade) como um dos principais desafios da saúde pública atual.
O mapeamento evidencia o acúmulo contínuo de gordura corporal ao longo dos ciclos da vida, requerendo atenção redobrada das famílias e das equipes de saúde conforme o avanço da idade. Na fase escolar (5 a 10 anos), após um pico registrado durante o isolamento da pandemia (22,54% em 2021), a obesidade iniciou uma trajetória de queda, fechando 2025 em 17%. No entanto, ao se somar o sobrepeso, o excesso de peso já está presente na rotina de mais de 34% dos alunos.
O cenário exige olhar atento a partir da adolescência, faixa etária que registrou a aceleração proporcional mais rápida no Estado: a taxa de obesidade saltou de 8,12% em 2012 para 17,35% em 2025. Ao atingir a idade adulta, o excesso de peso torna-se a condição predominante, alcançando 72,45% das pessoas acompanhadas pela rede pública, com 38,31% já com indicativo de obesidade. Entre as gestantes, a taxa de obesidade também exige cuidados continuados, tendo dobrado ao longo da década e atingido 30,36%.
As pessoas idosas, por sua vez, apresentam uma dinâmica que necessita de acompanhamento específico. Embora mais de 55% dos idosos avaliados apresentem sobrepeso, a desnutrição nesta faixa etária ultrapassa a barreira dos 10%, caracterizando um quadro de dupla vulnerabilidade nutricional.
ULTRAPROCESSADOS – O cruzamento das informações de peso com o mapeamento estadual do consumo alimentar reforça a necessidade de ações de promoção, proteção e apoio à alimentação adequada e saudável. O lado positivo é a resistência da base cultural brasileira: o feijão continua presente na rotina de 82% a 90% da população em todas as idades, quase sempre acompanhado de um consumo elevado de frutas e hortaliças – acima de 80% entre adultos e idosos.
O fator que gera alerta, no entanto, é o alto consumo de alimentos ultraprocessados em todas as faixas etárias, caracterizando uma introdução precoce nas refeições. Cerca de 80% (quatro em cada cinco) das crianças a partir de dois anos, dos adolescentes e dos adultos consomem alimentos ultraprocessados, como biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, embutidos e macarrão instantâneo.
“Um dos principais alertas que esses dados nos trazem é justamente a elevada prevalência do consumo de alimentos ultraprocessados em todas as faixas etárias, principalmente na introdução da alimentação complementar infantil. Uma introdução inadequada a partir dos seis meses influencia o paladar e a aceitação de alimentos saudáveis, criando hábitos que tendem a se consolidar”, orienta a chefe da Divisão de Promoção da Alimentação Saudável e Atividade Física da Sesa, Cristina Klobukoski.
Ela acrescenta que isso reflete diretamente nessa aceleração do excesso de peso observada nas crianças maiores e a partir da adolescência. “É urgente olharmos para a alimentação complementar com maior atenção, ofertando uma alimentação adequada, variada, baseada em alimentos in natura, sem a introdução de alimentos ultraprocessados para as crianças menores de dois anos", alertou a chefe da Divisão.
O consumo frequente também se mostra nos líquidos: bebidas adoçadas, como refrigerantes e sucos artificiais, já fazem parte da rotina de 63% das crianças pequenas e de quase 70% dos adolescentes. Mais do que apenas o excesso de calorias, a elevada presença de aditivos químicos e o nível de ultraprocessamento desses produtos criam um padrão prejudicial que contribui para a obesidade e para o desenvolvimento de doenças crônicas que tendem a se consolidar na vida adulta.
Para apoiar a alimentação adequada e saudável e evitar que a responsabilidade recaia exclusivamente sobre as famílias, que muitas vezes são impactadas pela desinformação e o marketing agressivo da indústria, a Sesa reforça o papel das equipes de saúde na qualificação contínua dos profissionais da Atenção Primária.
O objetivo é garantir que os municípios estejam preparados para orientar a população com informações seguras e confiáveis, baseadas em evidências, buscando a promoção da saúde por meio da alimentação adequada e saudável, com o desenvolvimento da autonomia das pessoas e respeito às suas culturas e modos de viver, bem como a articulação intersetorial para a segurança alimentar e nutricional.
AÇÕES DO ESTADO – Para enfrentar o avanço do ganho de peso e promover a alimentação adequada, o Governo do Estado tem fortalecido a atuação nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), a principal porta de entrada do SUS. Nesses espaços, as equipes fazem o acompanhamento multiprofissional, que abrange desde ações de promoção da saúde, consultas e orientações nutricionais até o apoio psicológico e a indicação de fisioterapia e atividade física.
A Sesa também atua de forma intersetorial, integrando conselhos e comitês estaduais voltados à segurança alimentar, saúde no ambiente escolar e programas sociais de transferência de renda, visando interferir nos determinantes e condicionantes da saúde. Além disso, trabalha ativamente na qualificação das equipes nos 399 municípios.
De 2020 a outubro de 2026, foram ofertadas mais de 100 capacitações e oficinas para os profissionais da Atenção Primária, abordando desde a obesidade infantil e novas curvas de ganho de peso gestacional até alimentação saudável e atividade física nas doenças crônicas não transmissíveis. Como marco desse cuidado, em 2022, o Estado publicou a “Linha de Cuidado às Pessoas com Sobrepeso e Obesidade”, diretriz oficial para o atendimento integral nessa área.
Além das capacitações, o Estado distribuiu mais de 25 mil exemplares de materiais técnicos, como o Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos, os Protocolos de Uso do Guia Alimentar, Manuais Instrutivos e cadernos de atividades.
Todo esse esforço educacional e estrutural é atrelado a incentivos financeiros: a Sesa monitora indicadores vinculados a repasses de recursos, como o Provigia-Paraná e o Proaps-Paraná, que bonificam os municípios pelo aumento da cobertura de vigilância nutricional e o cuidado contínuo à pessoa com obesidade.
VOLUME ASSISTENCIAL – Os investimentos e capacitações refletem diretamente no volume de assistência prestada aos paranaenses. Entre 2020 e setembro de 2026, a Atenção Primária do Paraná promoveu mais de 96 mil atividades coletivas sobre alimentação saudável, alcançando 2,6 milhões de participantes. Na área de práticas corporais e atividade física, foram mais de 343 mil ações, com 4,8 milhões de participações.
No cuidado clínico individualizado, os postos de saúde de todo o Estado realizaram 538,6 mil atendimentos focados no tratamento da desnutrição e mais de 1,7 milhão de consultas voltadas ao tratamento da obesidade, consolidando a Atenção Primária como principal ponto da atenção nutricional no SUS.
O relatório completo pode ser acessado neste .
Pore - AEN


















