O Programa Brigadas Escolares iniciou nesta semana a etapa prática da formação de 4,9 mil novos brigadistas que atuam no dia a dia das instituições de ensino do Paraná. O curso realizado todos os anos prevê 60 horas de aulas teóricas e 16 horas de exercícios práticos ministrados por bombeiros militares. Esta etapa final é realizada simultaneamente até 14 de agosto nos 32 Núcleos Regionais de Educação. No Paraná, participam do programa 2,5 unidades, entre colégios estaduais e escolas especiais conveniadas, como Apaes.
“O programa é uma política de estado no Paraná. Todos os anos repetimos a capacitação. Felizmente, em mais de uma década temos diversos colégios onde praticamente todos os servidores já são brigadistas” comemora o coronel Fernando Schunig, coordenador da Defesa Civil Estadual.
A última fase é dividida em aulas teóricas e práticas, com treinamento do abandono de edificação, noções básicas de segurança, atendimento de primeiros socorros, além da prevenção e combate a princípios de incêndio.
Segundo o subtenente Alvacir Ferreira, coordenador de formação, os servidores são treinados para atuar também de maneira preventiva, eliminando riscos de possíveis acidentes nas edificações, quer seja na estrutura ou parte elétrica. Nos dois dias voltados aos exercícios práticos, a cozinha recebe especial atenção. “Este é um ponto sensível, eles aprendem a identificar os tipos de extintores além de manusear a válvula do botijão de gás e conter pequenos incêndios que possam ocorrer”, detalha.
“A formação assegura a prevenção e a resposta rápida, organizada e eficiente diante de situações que possam colocar em perigo os estudantes e todos os profissionais que atuam nesses locais”, destaca Graziele Andriola, diretora de Planejamento e Gestão Escolar da Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR). Em 14 anos, mais de 94 mil servidores foram treinados e certificados como técnicos brigadistas dos Núcleos Regionais de Educação.
Cuidadosa no ambiente de trabalho, a merendeira Gilmara Keseker é uma das cursistas da formação deste ano. Ao final da formação pretende dividir o conhecimento com o restante da equipe no colégio. “Vou repassar os aprendizados para outros colegas. É importante ter alguém para orientar de maneira correta porque na hora do desespero precisamos saber como agir”.
O programa é uma iniciativa da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil (Cedec), em conjunto com a Seed-PR, com apoio da Secretaria da Segurança Pública (Sesp), por intermédio do Corpo de Bombeiros Militar do Paraná. “Nossa intenção é treinar a comunidade para situações adversas que possam ocorrer dentro e fora dos muros da escola, queremos fortalecer a cultura de prevenção”, completa Juliana Saldanha, representante da Seed no Brigadas Escolares.
MAIS SEGURANÇA NAS ESCOLAS – O programa nasceu com a intenção de proteger a comunidade escolar e mantê-la segura em situações de risco, a partir de capacitações e treinamentos, assim como regularizar as edificações escolares às normativas do Corpo de Bombeiros.
A estrutura necessária para a atuação das brigadas escolares nas unidades da rede estadual é apoiada pelo Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar), que investe em equipamentos, sinalização, adequações físicas e materiais de segurança, garantindo condições adequadas para a prevenção e o enfrentamento de emergências.
Este ano a Defesa Civil Estadual adquiriu kits de equipamentos de proteção individual (EPI) e de atendimento pré-hospitalar (APH) que serão entregues em 2,2 mil escolas estaduais com armários feitos sob medida para guardar os materiais utilizados em casos de emergência.
BOAS PRÁTICAS – Referência nacional em segurança escolar, o programa foi reconhecido em 2021 pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério do Desenvolvimento Regional, como exemplo de boas práticas no eixo temático Defesa Civil na Escola, destacando o Paraná no país em benefício das comunidades escolares.
Por - AEN
O Governo do Estado apresentou na noite desta quinta-feira (11) o anteprojeto de engenharia com as obras necessárias para minimizar os efeitos das cheias do Rio Iguaçu. O investimento estimado é de R$ 1,3 bilhão, contemplando 20 possíveis intervenções, incluindo o aumento da capacidade de escoamento por meio de escavações, retificações e dragagens.
A audiência pública ocorreu no Cineteatro Luz, em União da Vitória, no Sul do Estado, e contou com a presença de cerca de 400 pessoas. Os estudos elaborados pela Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre) foram contratados pelo Paraná Projetos atendendo solicitação do Instituto Água e Terra (IAT), autarquia vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest) – o investimento apenas nesta fase foi de R$ 5 milhões.
“Essa é a primeira vez na história que, de fato, apresentamos uma proposta concreta para conter as cheias causadas pelo Rio Iguaçu. Um projeto robusto, com dimensionamento, valoração e cronograma, o que nos permite buscar os recursos necessários para, paulatinamente, executar as intervenções”, destacou o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza.
“Importante ressaltar que todos os estudos existentes foram considerados para que chegássemos a essa modelagem. Modelagem que passou por simulações que comprovaram a eficiência das ações previstas no projeto”, acrescentou.
A proposta apresentada pela universidade combina uma série de soluções com a escavação do leito do rio; do leito da corredeira de Porto Vitória; alargamentos de curvas; e a construção de canais, túneis (no Morro da Dona Mercedes e em Porto Vitória) e de dique de proteção na área urbana.
De acordo com a Unilivre, a junção dessas intervenções poderia diminuir em até 2,70 metros o nível das cheias no Vale do Iguaçu. O prazo estimado é de 48 meses. A contratação se daria pelo modelo contratação integrada (RDCi), em que a empresa vencedora é responsável por elaborar os projetos (básico e executivo) e por executar a obra física, agilizando o processo. A expectativa é que a licitação possa ocorrer nos próximos meses.
“Esse é um compromisso que assumimos com União da Vitória e toda a região do Vale do Iguaçu. Sabemos dos prejuízos e do sofrimento que as enchentes causam às famílias há décadas. Por isso, trabalhamos junto ao Governo do Estado para viabilizar os estudos necessários e agora seguiremos empenhados na busca dos recursos para transformar esse projeto em realidade. Não vamos medir esforços para encontrar uma solução para esse problema”, afirmou o líder do Governo na Assembleia Legislativa, deputado estadual Hussein Bakri.
Agora, com o anteprojeto finalizado, o Governo do Estado buscará, com base nos apontamentos, os recursos necessários para realização das intervenções, podendo ter como fonte o Tesouro do Estado, em parceria com a Assembleia Legislativa, indenizações ambientais a serem recebidas, ou com a busca de recursos do governo federal, uma vez que se trata de uma divisa entre estados, envolvendo o Paraná e Santa Catarina.
“Um momento histórico para o Paraná. Conseguimos, com muito esforço, apresentar uma proposta concreta que vai beneficiar milhares de paranaenses que sofrem com as enchentes. Temos um estudo pronto, que vai nortear os caminhos para um novo Rio Iguaçu”, disse o diretor de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do IAT. José Luiz Scroccaro, que foi homenageado durante a audiência pelos serviços prestados ao meio ambiente em mais de 50 anos de carreira pública.
HISTÓRICO – Desde meados dos anos 1970 fala-se de iniciativas para acabar ou minimizar os efeitos das cheias do Iguaçu em União da Vitória. São quase 20 estudos que já foram apresentados, mas nenhum foi efetivamente colocado em prática.
Nos últimos 50 anos, foram pelo menos quatro grandes enchentes na cidade, a maior delas ocorrida em 1983, quando o Iguaçu alcançou 10,42 metros de altura, enquanto o nível normal do rio é de 2,5 metros. Eventos semelhantes ocorreram em 1992 e 2014.
Em outubro de 2023 ocorreu a segunda pior cheia, quando o nível do rio chegou a 8,38 metros. Cerca de 40% da área do município foi alagada, danificando cerca de 20 mil residências. Porto União, em Santa Catarina, também teve problemas com a cheia, com moradores desabrigados.
Por - AEN
Desde quarta-feira (10) a chuva voltou a fazer parte do cotidiano da maioria dos paranaenses. O tempo volta a ficar estável na maior parte das regiões na tarde desta sexta-feira (12) e a chuva ainda dá uma trégua no sábado, mas retorna domingo para quase todo o Estado, de acordo com o Simepar.
Na quarta-feira, os maiores volumes de chuva entre as estações meteorológicas do Simepar no Paraná foram em Campo Mourão (57 mm) e Capanema (54 mm). O cavado meteorológico que impactava o tempo no Paraná impulsionou o avanço de uma frente fria e, na quinta-feira (11), a chuva foi mais volumosa em Cianorte (90,4 mm), novamente em Campo Mourão (74,4 mm), e Umuarama (61 mm). Com tanta chuva, Campo Mourão já ultrapassou a média histórica de chuva para junho, que é de 105,1 mm, chegando ao volume acumulado de 144 mm.
A sexta-feira (12) desde a madrugada já registrou volumes ainda maiores de chuva em algumas estações meteorológicas, como por exemplo as de Cândido de Abreu e Ponta Grossa, que já acumularam 76,6 mm e 80 mm, respectivamente, antes das 9h45. A chuva segue principalmente na metade leste do Paraná até o início da tarde.
“A partir da tarde, temos a intensificação de um ciclone extratropical sobre o oceano na altura do Rio Grande do Sul, mas que não chega a influenciar diretamente as condições do tempo no Paraná. Assim, no período da tarde de hoje, o sol já predomina em grande parte do estado, restando somente chuvas de intensidades mais fracas sendo registradas no Leste e nos Campos Gerais”, explica Paulo Barbieri, meteorologista do Simepar.
Já no sábado (13), o amanhecer terá temperaturas um pouco mais baixas nas cidades que ficam na metade sul do Paraná, com valores entre 8°C e 10°C. No Norte e Noroeste, as temperaturas mínimas ficam entre 12°C e 13°C. Os valores são aproximadamente 5°C mais baixos do que os do amanhecer de sexta-feira (12). “O sol predomina neste sábado em grande parte do Estado. Apenas na faixa norte do Estado, em cidades próximas à divisa São Paulo, poderemos ter chuvas isoladas a partir do período da tarde”, ressalta Paulo.
No fim da tarde, início da noite, horário em que muitos paranaenses estarão reunidos para assistir ao primeiro jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, o tempo estará estável nas cidades da metade sul do Estado, bem como nas regiões Oeste, Sudoeste, Centro-Sul, além de Curitiba, Região Metropolitana e o Litoral. As temperaturas, entretanto, estarão em declínio.
O frio segue no amanhecer de domingo (14), com mínimas de aproximadamente 10°C no Centro-Sul, Sul, Região Metropolitana de Curitiba e Campos Gerais. Já nas regiões Oeste, Noroeste e Norte do Paraná, as temperaturas sobem um pouquinho em relação ao sábado, com mínimas entre 14°C e 15°C. “À tarde, o sol predomina em quase todas as regiões. No Norte e Noroeste, as condições seguem favoráveis para chuvas isoladas no período da tarde e à noite de domingo, devido ao fluxo de umidade vindo do Norte do País”, afirma Paulo.
O tempo segue chuvoso na segunda-feira (15). “A semana começa ainda com o tempo instável, com chuvas de fracas e isoladas, principalmente entre as regiões Noroeste e Norte do Estado, região Central, e também na região dos Campos Gerais”, detalha Paulo.
ALERTAS – Para saber com antecedência sobre a aproximação das tempestades, é importante que a população fique atenta aos alertas da Defesa Civil Estadual, que acompanha o monitoramento do tempo 24 horas dos meteorologistas do Simepar.
Em caso de necessidade, as informações são disponibilizadas para a população por meio dos alertas enviados por SMS ou WhatsApp. O cadastro é gratuito. Basta a pessoa enviar o seu CEP por SMS para o número 40199 para se habilitar a receber os alertas. Para que sejam enviados por WhatsApp. é necessário cadastrar o número 61 2034-2611 e interagir com esse contato, podendo se cadastrar a partir do CEP, do município ou da localização.
Para situações mais extremas, são enviados alertas por meio da tecnologia cell broadcast, sem necessidade de cadastro prévio.
Volumes de chuva acima de 20 mm de 0h até as 9h45 desta sexta-feira (12) nas estações do Simepar e de órgãos do governo do Paraná:
Araucária (IAT): 25,4 mm
Araucária (Sanepar - Passaúna): 34 mm
Campina Grande do Sul - Capivari: 27,6 mm
Campina Grande do Sul - Recanto do Maneco: 30,2 mm
Cerro Azul: 20,4 mm
Curitiba: 25 mm
Fazenda Rio Grande: 25,6 mm
Lapa: 24,4 mm
Pinhais: 21,6 mm
Quatro Barras (IAT): 22 mm
Piraquara (Sanepar): 22,6 mm
Cândido de Abreu: 76,6 mm
Distrito de Entre Rios, em Guarapuava: 20 mm
Guarapuava: 20,2 mm
Jaguariaíva: 35,6 mm
Santa Maria do Oeste: 25,4 mm
Ponta Grossa: 80 mm
Telêmaco Borba: 29,6 mm
APPA Antonina: 20,6 mm
Antonina - Vila Nova: 21 mm
Maringá: 28,6 mm
São Miguel do Iguaçu: 22,2 mm
São Jorge D'Oeste: 25,8 mm
Capanema: 26,8 mm
Cruzeiro do Iguaçu: 32 mm
Francisco Beltrão: 28,8 mm
Pato Branco: 23 mm
Irati: 20 mm
General Carneiro - Jangada: 28,2 mm
Porto Vitória: 30,4 mm
Coronel Domingos Soares: 21 mm
Coronel Domingos Soares - Solais Novo: 24 mm
União da Vitória: 43,4 mm
Boa Vista da Aparecida: 22,4 mm
Verê: 23,2 mm
Mauá da Serra: 40,4 mm
Marilândia do Sul: 20,2 mm
Por - AEN
Em função do Dia dos Namorados, celebrado nesta sexta-feira (12), a Polícia Civil do Paraná (PCPR) alerta a população sobre o estelionato sentimental, também conhecido como golpe do amor. O crime é praticado por meio de redes sociais, aplicativos de relacionamento e outras plataformas digitais, usadas pelos criminosos para criar vínculos afetivos com as vítimas para obter dinheiro ou outras vantagens.
Nesse tipo de golpe, os autores utilizam perfis falsos para se aproximar das vítimas, estabelecendo contato frequente e construindo uma relação de confiança ao longo de semanas ou meses. Após conquistar a confiança da pessoa, passam a apresentar situações que envolvem supostas dificuldades financeiras, emergências médicas, problemas em viagens ou outras histórias com o objetivo de solicitar transferências bancárias, pagamentos ou empréstimos.
De acordo com o delegado José Barreto, responsável pelo Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), a vergonha e o receio ainda fazem com que muitas vítimas deixem de procurar ajuda. “A culpa nunca é da vítima, por isso não tenha vergonha de denunciar. Guarde o máximo de informações possíveis: URLs, números de telefone, nomes de perfis, nicknames e e-mails, e confie na Polícia Civil. Nós temos expertise técnica para chegar aos autores, por mais que eles se julguem invisíveis”, afirma.
COMO OS GOLPISTAS AGEM – Os criminosos costumam criar perfis utilizando fotografias de terceiros, imagens retiradas da internet ou conteúdos gerados artificialmente. Após iniciar o contato, demonstram interesse afetivo e mantêm conversas constantes para criar uma sensação de proximidade.
Em seguida, passam a apresentar justificativas para pedir dinheiro. Entre as alegações mais comuns estão despesas médicas, problemas financeiros, acidentes, passagens aéreas, cobranças alfandegárias ou dificuldades para retornar ao país de origem.
Também é comum que evitem encontros presenciais e apresentem desculpas para não realizar chamadas de vídeo ou para justificar informações inconsistentes em seus perfis.
DICAS DE PREVENÇÃO – Para reduzir o risco de se tornar vítima desse tipo de golpe, a PCPR orienta que os usuários mantenham cautela ao iniciar relacionamentos pela internet, especialmente quando a interação ocorre exclusivamente no ambiente virtual. É importante desconfiar de pedidos de dinheiro, independentemente da justificativa apresentada, e evitar fazer transferências ou empréstimos para pessoas conhecidas apenas por redes sociais ou aplicativos de relacionamento.
Também é recomendado não compartilhar documentos, dados bancários ou outras informações pessoais com desconhecidos. Antes de aprofundar qualquer relacionamento virtual, vale verificar a autenticidade do perfil, observando possíveis inconsistências nas informações.
Além disso, manter dispositivos e aplicativos atualizados, utilizar senhas fortes e diferentes para cada conta, revisar as configurações de privacidade das redes sociais e evitar clicar em links enviados por desconhecidos são medidas que ajudam a aumentar a segurança no ambiente digital.
COMO DENUNCIAR – Caso seja vítima ou suspeite de um golpe, a orientação é interromper imediatamente o contato com o criminoso e preservar todas as provas disponíveis, incluindo prints de conversas, links de perfis, endereços eletrônicos, números de telefone, comprovantes de transferências e demais registros relacionados ao caso.
O boletim de ocorrência pode ser registrado em uma delegacia da PCPR ou, nos casos permitidos, por meio da Delegacia Eletrônica da PCPR.
Em Curitiba, o atendimento especializado pode ser realizado pelo Núcleo de Combate aos Cibercrimes (Nuciber), localizado na Rua Pedro Ivo, nº 672, Centro. Mais informações pelo telefone (41) 3304-6800.
“O registro da ocorrência é fundamental para a investigação e para a identificação dos autores dos crimes praticados no ambiente digital”, completa o delegado.
Alguns sinais podem indicar a utilização de perfis falsos:
- Contas criadas recentemente
- Grande quantidade de fotos publicadas em uma única data
- Imagens com baixa resolução ou retiradas de bancos de imagens
- Fotografias com possíveis falhas geradas por inteligência artificial
- Muitos seguidores, mas pouca interação real nas publicações
- Resistência em fazer chamadas de vídeo ou encontros presenciais
Outra medida recomendada é utilizar a busca reversa de imagens em sites de busca para verificar se a fotografia do perfil está associada a outra pessoa ou aparece em diferentes sites da internet.
Por- AEN
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) americana confirmou nesta quinta-feira (11) que as condições do El Niño já estão presentes no Oceano Pacífico equatorial. O fenômeno gradativamente se intensifica e atinge o ápice entre a primavera e o verão 2026/2027 do Hemisfério Sul. Os impactos do fenômeno no Paraná são monitorados 24 horas por dia pelo Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, vinculado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável.
Os dados constatados pela NOAA apontam que a temperatura da superfície do mar já está acima de meio grau desde maio e as previsões apontam que essa temperatura seguirá subindo. Além da superfície, o aquecimento também ocorre nos primeiros 200 metros de profundidade. O oceano influencia a atmosfera, e a atmosfera influencia o oceano: o aquecimento das águas altera os ventos alísios.
“A direção dos ventos na região do Oceano Pacífico equatorial, que era de leste para oeste, começou a mudar para o sentido contrário, trazendo as águas quentes da Oceania em direção ao oeste da América do Sul. Isso pode retroalimentar o aquecimento da água e muda o regime das tempestades em vários locais do planeta”, explica Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar.
Como trata-se de um fenômeno em larga escala que produz impactos climáticos globais, é necessário que o aquecimento oceânico esteja acima de 0,5°C da média por três meses consecutivos para que o El Niño, efetivamente, esteja consolidado. A previsão aponta que isso ocorra em julho.
“Por este motivo, o El Niño não impacta, ainda, diretamente o clima no Paraná, mas já poderá impactar a partir de julho. As previsões dos principais centros de monitoramento climático no mundo convergem para o registro de chuvas acima da média mensal até dezembro no Paraná, sendo muito acima durante a primavera”, ressalta Reinaldo.
Há uma chance de 63% de um El Niño muito forte entre novembro e janeiro. A previsão aponta a possibilidade de que o fenômeno em 2026 seja classificado entre os maiores eventos do El Niño no registro histórico, iniciado em 1950, até o momento.



ORIENTAÇÕES PARA PREFEITURAS – Nesta semana também foi divulgada uma atualização da previsão dos impactos do El Niño pelo sistema europeu Copernicus, que inclui previsões climáticas de centros climáticos da Austrália, Inglaterra, França, Alemanha, Estados Unidos, Japão e Canadá. Assim como a NOAA, este conjunto de previsões converge para a ocorrência de um El Niño forte a muito forte, que favorece com que a previsão de chuvas acima da média no Paraná se mantenha até dezembro.
Já acompanhando o cenário, desde março, a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) intensificou a atuação voltada à preparação e mitigação de desastres naturais por meio dos 10 Núcleos de Atuação Regional (NAR). Sob a coordenação da Cedec já foram realizados dois simulados em áreas de risco em Morretes e Antonina, no Litoral. A Defesa Civil promove encontros com os coordenadores regionais e prefeitos para fortalecer ações de prevenção e mitigação frente aos possíveis impactos do El Niño no Paraná.
Entre as iniciativas prioritárias estão o desassoreamento de rios e córregos, atualização do Plano de Contingência com o mapeamento das áreas de risco, da população vulnerável e do cadastro dos abrigos. A criação de fundos municipais de Defesa Civil para a transferência de repasses em casos de desastre. Em 2025 e 2026, a Defesa Civil destinou R$ 16 milhões de recursos do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) para obras de prevenção de drenagem e reconstrução de pontes nos municípios de Londrina, Guaratuba e Espigão Alto do Iguaçu.
Por- AEN
Oferecer soluções inovadoras para a saúde pública brasileira é uma das missões do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) desde a sua fundação, em 1940. Porém, nos últimos anos, o instituto ampliou sua visão estratégica e modernizou seu modelo de gestão para a abordagem em Saúde Única (One Health), que foca na integração entre a saúde humana, animal e ambiental.
Na prática, a Saúde Única consiste em adotar uma visão ampla dos cuidados com a saúde, reconhecendo a conexão e a interdependência entre essas três áreas. Segundo o conceito, é impossível separar a saúde humana e animal, que são vinculadas à saúde do meio ambiente e dos ecossistemas. Isso significa que situações de risco em alguma destas áreas exigem soluções focadas no cuidado à saúde de forma integrada.
O diretor-presidente do Instituto, Eduardo Marafon, destaca que o Tecpar adotou a abordagem em Saúde Única na gestão de projetos visando fortalecer a saúde pública brasileira de forma global, e reforçando seu papel como laboratório público oficial.
“Com uma trajetória histórica no desenvolvimento de soluções para a saúde humana e animal, o Tecpar tem trabalhado de forma estratégica para a consolidação do conceito de Saúde Única no Paraná e no Brasil. Para isso, investimos em pesquisa, ampliamos a nossa estrutura laboratorial e iniciamos novas parcerias alinhadas ao conceito, dando maior ênfase nas conexões entre saúde humana, animal e o meio ambiente”, diz Marafon.
CONCEITO – O conceito de Saúde Única não é recente, mas começou a se consolidar a partir da conferência internacional "One World, One Health" (Um mundo, uma saúde), realizada em 2004, nos Estados Unidos. O evento gerou um documento conhecido como Princípios de Manhattan, que estruturou as bases da Saúde Única, estabelecendo 12 prioridades no enfrentamento de ameaças à saúde.
A gerente do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde do Tecpar, Meila Bastos de Almeida, conta que uma das ações estratégicas voltadas à Saúde Única foi a criação de duas unidades dedicadas na Diretoria Industrial da Saúde: o Centro de Desenvolvimento Ambiental para Saúde e o Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde. Também foi implantado um programa de bolsas com o objetivo de difundir o conceito de Saúde Única, que já está na fase 4.
“Como laboratório público, o Tecpar sempre abordou a saúde única, mesmo sem perceber, e talvez agora esse seja o nosso maior desafio: difundir esse conceito para praticá-lo com consciência. Para isso, temos projetos com diversas áreas de conhecimento trabalhando juntas para essa multidisciplinaridade, como a medicina veterinária, biologia, biomedicina, farmácia, química, engenharia e agronomia”, destaca.
SAÚDE HUMANA E ANIMAL – O mais conhecido elo de conexão entre a saúde humana e animal é a zoonose, doença infecciosa transmitida entre animais e seres humanos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as zoonoses representam 60% das doenças infecciosas conhecidas e 75% das doenças novas ou emergentes.
A boa notícia é que algumas zoonoses, como a raiva animal, podem ser prevenidas por meio da vacinação. Neste contexto, o Tecpar exerce um papel fundamental no Brasil, sendo o único laboratório público que fornece a vacina antirrábica animal ao Ministério da Saúde, com 28 milhões de doses fornecidas anualmente.
Com o imunizante entregue pelo Tecpar, o Brasil conseguiu controlar os casos de raiva em animais e, por consequência, as taxas de mortalidade por raiva humana.
Outra forma de controlar zoonoses é o diagnóstico precoce, fundamental para interromper a transmissão entre os animais, proteger a saúde humana e tratar a infecção. Para isso, o Tecpar trabalha na implantação do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV) que está sendo construído em Curitiba. A unidade vai abastecer o mercado nacional com insumos para o diagnóstico da brucelose, tuberculose e leucose bovinas.
O Tecpar também é o responsável pelo primeiro banco brasileiro de antígenos e vacinas contra febre aftosa, um estoque estratégico de insumos para a formulação rápida de vacinas em eventuais casos de surto da doença
PESQUISA E DESENVOLVIMENTO – Para fortalecer o cuidado com a saúde animal, o Tecpar coordena três projetos voltados ao desenvolvimento de novos produtos. Um deles visa desenvolver, validar e registrar um teste nacional para diagnóstico de leucose enzoótica bovina (LEB). A intenção é que o Tecpar produza e comercialize o kit do método conhecido como Elisa – Ensaio de Imunoabsorção Enzimática. O estudo é conduzido em parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).
A segunda pesquisa é voltada ao cultivo de cepas da bactéria Brucella Spp., utilizada como insumo para o diagnóstico de brucelose bovina. O estudo contribuirá para aprimorar os métodos de diagnóstico e controle da doença, trazendo avanços à sanidade animal e à produtividade pecuária em todo o País.
Em outra frente, pesquisadores trabalham para criar uma vacina inédita para combater a esporotricose felina, um tipo grave de micose que acomete gatos e pode ser transmitida para humanos. Atualmente não existe vacina (para humanos ou animais) contra a doença.
Em relação à saúde humana, a atuação do Tecpar abrange programas estratégicos junto ao Ministério da Saúde. O instituto será o único laboratório público fornecedor de vacinas contra a raiva humana e varicela para o Sistema Único de Saúde (SUS), dentro do programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP).
SAÚDE AMBIENTAL – A Saúde Única considera que a maneira como lidamos com a biodiversidade impacta diretamente na saúde ambiental, humana e animal. Neste sentido, o Tecpar investe em projetos que estimulam as boas práticas de produção e de manejo, que são essenciais para prevenir e mitigar doenças em plantas e animais.
Um deles é o Solo Vivo Paraná, primeiro rastreamento microbiológico do solo realizado em escala estadual. Inédito no Brasil, o estudo é baseado na tecnologia que analisa o DNA e a composição do solo para mapear a diversidade de microrganismos e nutrientes em determinada área. A iniciativa contribui para a adoção de práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis, e auxiliará na construção de um Mapa Genético dos Solos Paranaenses.
O instituto também coordenou uma pesquisa para testar e validar um produto inovador de controle biológico no Brasil. Trata-se do SteriClean, um complemento agrícola de tecnologia húngara, que ajuda a limpar e proteger as plantas contra fungos e bactérias, além de estimular o crescimento natural em diferentes cultivos.
Para prevenir a escassez de água doce – uma grave ameaça à saúde humana, animal e ambiental – o Tecpar estuda as possibilidades de adoção de uma tecnologia israelense de purificação e dessalinização de água no Brasil. A pesquisa, feita em parceria com a empresa importadora da tecnologia, busca validar um equipamento de filtragem de água que atenda às exigências do Ministério da Saúde para atender situações de emergência e vulnerabilidade hídrica.
PRODUÇÃO CIENTÍFICA – O fortalecimento da Saúde Única também passa pelo incentivo à produção científica. Para estimular a formação de profissionais qualificados para este segmento, o Tecpar convidou pesquisadores brasileiros que trabalham com a temática para publicarem seus estudos na edição especial da revista científica Brazilian Archives of Biology and Technology (BABT). A publicação editada pelo instituto completa 80 anos em 2026 e comemora seu aniversário com a inclusão de uma nova seção intitulada Saúde Única (One Health).
Por -AEN


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