Chocolate ou 'sabor chocolate'? Entenda o que mudou no produto e como identificar as diferenças no rótulo

Morder um pedaço de chocolate esperando matar a vontade de doce e notar um gosto diferente. Ou, depois de anos, voltar a consumir um produto e perceber que o sabor já não é o mesmo. Relatos como esses têm se tornado cada vez mais comuns. Mas, afinal, o chocolate mudou ou foi o nosso paladar?

Às vésperas da Páscoa, o g1 conversou com especialistas em alimentos e na produção de chocolates para entender como é a composição dos produtos vendidos atualmente e de que forma isso influencia diretamente o sabor. 

A nutricionista Flavia Farinazzi Machado, professora de Tecnologia em Alimentos da Fatec de Marília, explica que a receita original do chocolate era bastante simples: levava basicamente massa de cacau, obtida a partir de amêndoas fermentadas, secas, torradas, descascadas e moídas, e açúcar.

 “Estamos falando dos primeiros chocolates produzidos. Depois, houve a adição de sólidos do leite, como leite em pó, soro de leite em pó e gordura de leite, o que contribuiu para deixar o chocolate mais cremoso e com melhor derretimento na boca”, lista.

Segundo a especialista, a mudança na legislação brasileira que ocorreu em 2005 passou a permitir a redução do teor de cacau nos produtos. Com a Resolução RDC nº 264/2005, o percentual mínimo de sólidos totais de cacau caiu de 32% para 25% nos chocolates amargo e ao leite. Já no chocolate branco, o teor mínimo de manteiga de cacau foi reduzido para 20%.

"Essas alterações abriram espaço para a inclusão de outros ingredientes na composição. E esta mesma legislação de 2005 permitiu também a adição de gorduras alternativas, ou seja, substitutas da manteiga de cacau", explica a especialista.

Chocolate, composto ou sabor chocolate: saiba identificar no rótulo — Foto: TV TEM

Chocolate, composto ou sabor chocolate: saiba identificar no rótulo — Foto: TV TEM

 

Flávia explica que as mudanças na composição dos chocolates tiveram como objetivo reduzir o custo de produção, já que as gorduras vegetais são mais baratas do que a manteiga de cacau.

“Por isso, produtos rotulados como ‘sabor chocolate’, também chamados de ‘composto’ ou ‘cobertura’, têm uma porcentagem muito baixa de cacau e não podem ser considerados chocolate de fato”, afirma.

A especialista alerta que a composição não influencia apenas o sabor, mas também pode trazer impactos à saúde do consumidor.

 

“O chocolate pode ser um alimento benéfico à saúde, o que traz esses benefícios é a massa de cacau, rica em compostos antioxidantes, como os polifenóis. Produtos com 60% ou 70% de cacau, por exemplo, oferecem esses efeitos. Já aqueles com baixo teor de cacau e maior quantidade de açúcar e gorduras, além de não terem essas propriedades, podem aumentar riscos metabólicos e se aproximam mais de alimentos ultraprocessados”, explica.

 

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Mas também há boas notícias para os "amantes" de chocolate. Em 17 de março, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que define novas quantidades mínimas de cacau na produção. Agora, a proposta retorna para análise dos senadores.

O texto define, por exemplo, um mínimo de 35% de sólidos totais de cacau nos chocolates intensos. Atualmente, o regulamento da Anvisa exige apenas 25%.

"O chocolate ao leite deverá ter pelo menos 25% de cacau e 14% de leite. Já o chocolate amargo ou meio amargo precisará ter no mínimo 35% de cacau. O chocolate branco deverá conter ao menos 20% de manteiga de cacau e 14% de leite, enquanto o cacau em pó terá mínimo de 32% de cacau. E os fabricantes deverão informar a % de cacau nos rótulos. Algumas marcas já fazem isso", explica Flávia.

 

 

Aumento na saca do cacau

 

A alta no preço do cacau nos últimos dois anos impactou a produção nas fábricas de chocolate e elevou o preço do produto final. Isso levou algumas empresas a adotarem diferentes estratégias para manter os produtos no mercado.

Em uma fábrica de chocolates de Itapetininga (SP), a decisão foi reduzir as margens de lucro para manter a composição original dos produtos. Segundo o diretor da empresa, Felipe Masztaler, mudanças na fórmula podem comprometer a percepção do consumidor e até a identidade da marca.

“Diminuímos as nossas margens, mas garantimos que a qualidade permaneceria a mesma. Caso contrário, você descaracteriza o produto, a marca, descaracteriza tudo. A nossa ideia é vender chocolate de verdade, não ‘sabor chocolate’”, afirma.

Com a alta do cacau, fábrica de chocolates de Itapetininga (SP) opta por reduzir margens para manter a composição dos produtos — Foto: Chocolateria Aspen/Divulgação

Com a alta do cacau, fábrica de chocolates de Itapetininga (SP) opta por reduzir margens para manter a composição dos produtos — Foto: Chocolateria Aspen/Divulgação

 

Para ele, manter a receita com manteiga de cacau também é uma forma de atender a um público cada vez mais atento à qualidade do que consome, e não apenas ao preço.

“Existe uma crescente de pessoas que priorizam produtos de melhor qualidade e estão mais preocupadas com a saúde. Elas estão mais seletivas. Não significa que o produto precise ser caro, mas precisa ser bom. Muitas vezes, esses consumidores preferem comprar menos, mas escolher um produto melhor, em vez de levar maior quantidade de algo que perdeu qualidade”, analisa.

A marca adquire o cacau de produtores parceiros, mas todo o processo de fabricação é realizado na unidade de Itapetininga, desde o preparo até a finalização dos produtos. Felipe aponta que a alta no preço do cacau tem sido um dos grandes desafios do setor.

“O cacau sempre variou entre US$ 2,5 mil e US$ 3 mil a tonelada. Isso dava segurança para programar compras com antecedência e garantir fornecimento."

Esse cenário mudou após problemas climáticos, como o fenômeno El Niño, que afetaram a produção e reduziram a oferta da matéria-prima.

“O preço saiu de cerca de US$ 3 mil para até US$ 12 mil a tonelada e não voltou mais aos níveis anteriores. Atualmente, mesmo com alguma queda, os valores ainda giram em torno de US$ 5,5 mil a US$ 6 mil", aponta Felipe.

 
Cacau plantado na agrofloresta da aldeia Tupinambá do Acuípe de Cima — Foto: Rafael Peixoto / g1

Cacau plantado na agrofloresta da aldeia Tupinambá do Acuípe de Cima — Foto: Rafael Peixoto / g1

Quem também sentiu o impacto da alta no preço do cacau foi a empresária e confeiteira Marta Ferrari, dona de uma loja de doces finos em Itapetininga. Embora não produza o chocolate, a maior parte dos produtos vendidos no local leva o ingrediente como base.

“Cerca de 70% dos doces levam chocolate, seja no ganache, na cobertura ou no recheio. Se me tirarem o chocolate hoje, tiram a maior parte da produção”, afirma.

Com quase 40 anos de experiência, ela conta que avalia com atenção as informações do rótulo antes de escolher o produto que será usado nas receitas.

 

“Quando compro a barra para derreter, analiso principalmente o teor de cacau e o de gordura. Isso é essencial. Quanto mais gordura, menor tende a ser a quantidade de cacau. E, ao substituir a manteiga de cacau por gordura vegetal, o chocolate nobre passa a ser um produto hidrogenado”, explica.

 

 

A confeiteira também aponta o armazenamento e conservação como influenciadores diretos na qualidade do chocolate: “É importante observar se o produto foi mantido em local adequado, com temperatura controlada, e dentro do prazo de validade."

A empresária e confeiteira Marta Ferrari, dona de uma loja de doces finos em Itapetininga (SP), diz que a maior parte da produção é feita com chocolate — Foto: Karamello/Divulgação

A empresária e confeiteira Marta Ferrari, dona de uma loja de doces finos em Itapetininga (SP), diz que a maior parte da produção é feita com chocolate — Foto: Karamello/Divulgação

 

Como identificar a diferença?

 

A nutricionista orienta que o consumidor observe com atenção o rótulo na hora de escolher o chocolate.

“Primeiro, a lista de ingredientes, é a regra de ouro. O ideal é que massa de cacau e manteiga de cacau apareçam no início da lista, o que indica melhor qualidade. Se o açúcar for o primeiro ingrediente, o produto tende a ser inferior. A presença de gordura vegetal também é um sinal de alerta”, explica.

 

 

"O teor de cacau também é um indicativo. Algumas embalagens mostram. Na verdade, quanto menos ingredientes na lista, melhor. Massa de cacau, manteiga de cacau, leite em pó, açúcar. E emulsificantes lecitina e PGPR, mas são utilizados em pequeníssimas quantidades só pra acertar a viscosidade mesmo", continua.

 

A diferença está na quantidade de cacau e no que a legislação permite em cada tipo de produto. No Brasil, essas categorias seguem definições técnicas:

🍫 Chocolate

  • Tem quantidade mínima de cacau definida por lei
  • Usa manteiga de cacau (a gordura natural do cacau)
  • Pode ter açúcar, leite e outros ingredientes, mas com limites

👉 Em geral, é mais caro e tem sabor mais intenso e textura melhor e derrete mais fácil na boca.

🍬 Sabor chocolate

  • Não atingem o mínimo de 25% de sólidos de cacau exigidos pela Anvisa
  • Pode ter aromatizantes que imitam o gosto
  • Usa gorduras vegetais no lugar da manteiga de cacau

👉 Resultado: sabor mais artificial e textura diferente (às vezes mais “encerada”).

🍫➡️🍬 Composto de chocolate

  • Tem uma parte de chocolate de verdade, mas não o suficiente
  • Mistura com gorduras vegetais e outros ingredientes
  • Muito comum em coberturas e produtos mais baratos

👉 É intermediário: não é totalmente artificial, mas também não é chocolate puro.

 

 

 

 

 

Por - G1

Pede desculpas quando não teve culpa? Cuidado, você pode ser vítima de Darvo

Ouvir com frequência que estava errada, sendo dramática ou tendo reações exageradas para, em seguida, pedir desculpas, tornou-se rotina no relacionamento de dois anos da estudante de psicologia Ana Lucia Martini, de 39.

O ex-companheiro, relembra, criticava quase todas as atitudes da então namorada, a ponto de fazê-la buscar terapia. “Ele me questionava, e quando eu apontava algo que me incomodava, dizia não ter feito ou que eu tinha entendido errado.” Mas uma festa de Halloween, ironicamente, foi determinante para Ana Lucia perceber que nunca foi a “bruxa” da história. “O pai dele estava doente, internado na UTI, e ainda assim ele quis ir na tal festa. Chegando lá, não me apresentou aos amigos, fiquei sentada sozinha em um canto. Depois, ainda mexeu com algumas mulheres. Achei um absurdo, senti-me desrespeitada”, conta.

Ao confrontá-lo, mais uma vez, recebeu um ataque como resposta. “Disse-me que estava brincando, e que eu era chata e dramática. No dia seguinte, o pai dele faleceu, e ele inverteu a situação, dizendo que eu não o respeitava. Ainda me senti muito culpada.” Após dois meses do término do namoro, e digerindo tudo o que passou, a estudante encontrou traços narcisistas no ex. “Ele odeia os pais, os irmãos, é extremamente difícil de lidar. Mas é amado por muita gente. Se eu contar essa história para os amigos dele, vão dizer que estou louca. Louca, aliás, era o meu segundo nome.”

A manipulação nos relacionamentos afetivos está longe de ser uma novidade, mas nas redes a técnica ganhou um novo nome: Darvo. A sigla em inglês para deny (negar), attack (atacar), e reverse victim and offender (inverter vítima e ofensor) é uma estratégia usada por abusadores para evitar a responsabilização por seus atos. Ou seja, eles negam o abuso, atacam seu alvo quando se sentem confrontados e, então, invertem os papéis, transformando-se em vítimas.

O termo, criado pela psicóloga de traumas norte-americana Jennifer Freyd na década de 1990, é bem semelhante ao gaslighting; a diferença é que, neste, quem sofre tem a sanidade mental colocada em xeque. “Você se questiona: ‘será que aconteceu isso mesmo?’ No Darvo, além de duvidar de si, a vítima é obrigada a enfrentar acusações. E vai sentir culpa porque é colocada como o vilã da história”, explica o psicólogo clínico Luiz Reis. Quem pratica o Darvo, continua ele, raramente vê algo problemático na situação. “Se for um narcisista, ele é perfeito, nunca erra. Agora, se é alguém com um desvio de caráter ou outro transtorno, também não quer ser pego, nem encarar as próprias atitudes.”

A empresária musical Maria Emilia Pimentel, de 51 anos, enfrentou, por semanas a fio, a insistência do ex-marido para que tivessem relações sexuais todos os dias. Cansada das demandas do trabalho e do serviço doméstico, sentia-se mal ao dizer “não”. “Ele me chamava de frígida. Tudo era um problema.

Se fazia de coitado porque eu não compreendia as necessidades dele”, afirma. A situação ultrapassou os limites do quarto e se espalhou para outras atividades do dia a dia. “Até mesmo se o arroz queimasse na panela a culpa era minha, porque eu não o estava ajudando a olhar.” Já a artista plástica Sandra*, de 48 anos (*nome fictício, a pedido da entrevistada) viveu diversas situações de abuso durante o casamento de mais de duas décadas. “Ele me traiu, eu o via flertar, e o jogo se invertia. Ele dizia que eu estava vendo coisas, sendo ciumenta, sufocando-o. Fui muito desvalorizada, adoeci. Eu sentia que era a errada da relação”, relembra Sandra.

Segundo a psicóloga e professora Tatiana Paranaguá, o perfil mais suscetível a se deixar envolver por quem pratica o Darvo são pessoas sensíveis, com baixa autoestima e dificuldades para finalizar relações. “Observo também quem tem um histórico emocional familiar mais frágil. Na maioria dos casos, quem vive nessa dinâmica é minado, torna-se dependente e fraco. E o próprio predador também cria uma dependência da vítima”, afirma ela. “O algoz não enxerga seus defeitos e utiliza o outro como uma parede de projeção das coisas que ele sente, pensa e faz, mas não tem uma estrutura forte para lidar com essa sombra.”

Para sair dessa, o psicólogo Luiz Reis diz que o primeiro passo é se informar o máximo possível sobre o assunto e, a partir disso, buscar ajuda. “O abusador isola a pessoa fazendo-a se manter em uma realidade distorcida. E isso não para no Darvo. Acontecem outros mecanismos de dependência, como a financeira”, comenta. Por isso, é preciso trabalhar com o terapeuta essa reestruturação cognitiva. “Para que essa vítima volte a ter crenças mais realistas, não ache que o caos é o lugar seguro e tenha relações mais saudáveis”, finaliza Luiz.

 

 

 

 

 

Por - O Globo

 Com 750 fuzis, PCPR amplia armamento em todas as unidades do Paraná

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) iniciou a distribuição de 750 fuzis que serão destinados a todas as unidades da instituição no Estado. A medida integra um investimento voltado à padronização do armamento e ao atendimento das demandas operacionais em todas as regiões.

Até o momento, foram contempladas a 6ª Subdivisão Policial (SDP) de Foz do Iguaçu, a 20ª SDP de Toledo, a 15ª SDP de Cascavel, a 2ª SDP de Laranjeiras do Sul e a 14ª SDP de Guarapuava. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Sílvio Jacob Rockembach, a entrega seguirá de forma gradativa até alcançar todas as subdivisões e unidades da PCPR.

“A distribuição dos fuzis para todas as unidades da PCPR integra um planejamento voltado à padronização do armamento e à ampliação da capacidade operacional. O processo inclui a capacitação dos policiais, que é condição obrigatória para o uso do equipamento”, afirma.

CAPACITAÇÃO - Para o uso do armamento, a PCPR realizou o primeiro treinamento específico por meio da Escola Superior da Polícia Civil (ESPC), com apoio do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (TIGRE). A capacitação foi direcionada a instrutores de tiro credenciados, selecionados conforme a experiência no uso de armamento longo.

O conteúdo programático incluiu histórico da plataforma AR, sistemas de funcionamento, customização do armamento, manutenção de primeiro escalão, noções de balística externa, procedimentos de zeragem dos sistemas de pontaria, balística terminal aplicada ao contexto policial e metodologia de ensino.

Também foram abordados fundamentos do tiro com fuzil, posições de emprego, controle de cano, deslocamentos, giros em ambiente de tiro, solução de panes, recargas emergenciais, transição para pistola e aplicação do conceito Check Drillk, que consiste na verificação sistemática das condições do armamento durante o manuseio. Os participantes passaram por avaliações práticas, teóricas e de docência.

PROJETO – A capacitação integra um projeto desenvolvido pelo TIGRE, a pedido do Departamento da Polícia Civil, estruturado em duas frentes: formação de multiplicadores e habilitação operacional.

Nos meses de janeiro e fevereiro, foram realizadas duas edições do curso voltadas à capacitação de instrutores responsáveis por ministrar o treinamento de fuzil. Em março, teve início a etapa de capacitação dos operadores no interior do Estado. A previsão é de que, em abril, tenham início os cursos destinados aos operadores da capital e da região metropolitana.

MAIOR AQUISIÇÃO - O investimento faz parte de um conjunto de aquisições realizadas pelo Governo do Estado para a Segurança Pública. Em 2025, foram adquiridos 3.711 fuzis, com distribuição às forças de segurança até o início de 2026. A entrega dos 750 equipamentos à PCPR segue planejamento de distribuição gradual para todas as unidades.]

 

 

 

 

 

 

Por - AEN

 Bolsonaro tem 24h para explicar fala de Eduardo sobre acesso a vídeo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 24 horas para o ex-presidente Jair Bolsonaro explicar o suposto acesso a um vídeo durante o cumprimento da prisão domiciliar.

A medida foi tomada após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro afirmar, em publicação nas redes socais, que enviaria ao seu pai a gravação da participação dele em um evento de políticos de direita nos Estados Unidos.  

“Vocês sabem por que eu estou fazendo esse vídeo? Porque eu estou mostrando para o meu pai”, disse o ex-parlamentar.

Na decisão, Moraes explicou que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar e está proibido de utilizar celulares ou qualquer outro de meio comunicação externa direta ou por meio de terceiros.

“Intimem-se os advogados regularmente constituídos pelo custodiado para que prestem esclarecimentos a esta Suprema Corte, sobre a referida postagem, no prazo de 24h”, decidiu Moraes.

Na semana passada, o ministro concedeu prisão domiciliar temporária de 90 dias ao ex-presidente, período no qual Bolsonaro deverá se recuperar de uma broncopneumonia.

Durante o período do benefício, o ex-presidente será monitorado por tornozeleira eletrônica, e agentes da Polícia Militar deverão fazer a segurança da casa para evitar fuga.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão na ação penal da trama golpista.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

 Mercado eleva previsão da inflação para 4,31% este ano

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, passou de 4,17% para 4,31% este ano. 

A estimativa está no Boletim Focus desta segunda-feira (30), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Em meio às tensões em torno da guerra no Oriente Médio, pela terceira semana seguida a previsão para a inflação deste ano foi elevada, mas ainda se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC.

Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%.

Em fevereiro, a alta dos preços em transportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7%, uma aceleração diante do registrado em janeiro, 0,33%. 

No entanto, o acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Para 2027, a projeção da inflação subiu de 3,8% para 3,84%. Para 2028 e 2029, as estimativas são de 3,57% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

Na reunião da semana passada, por unanimidade, o colegiado reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual

Antes da escalada do conflito no Irã, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto.

Em 15% ao ano, a Selic estava no maior nível desde julho de 2006, fixada em 15,25% ao ano.

De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro reuniões seguintes.

Após esse período prolongado de manutenção da taxa, havia indicação de início de um ciclo de redução, entretanto, diante das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio, o BC não descarta rever o ciclo de baixa, caso seja necessário. 

O próximo encontro do Copom para definir a Selic será em abril.

Nesta edição do Focus, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica até o fim de 2026 permaneceu em 12,5% ao ano. 

Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,75% ao ano.

Quando o Copom aumenta a Selic, a finalidade é conter a demanda aquecida, o que causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.

Os bancos ainda consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Quando a Taxa Selic é reduzida a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, diminuindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.

PIB e câmbio

Nesta edição do boletim do Banco Central, a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 1,84% para 1,85%. 

Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. 

Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

Com expansão em todos os setores e destaque para a agropecuária, o resultado representa o quinto ano seguido de crescimento.

No Focus desta semana, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,45.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

 Juros do cartão de crédito pesam mais para famílias em fevereiro

A taxa média de juros cobrada pelos bancos subiu para as famílias em fevereiro, com o cartão de crédito rotativo pesando mais no bolso. De acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito, divulgadas nesta segunda-feira (30) pelo Banco Central (BC), a taxa média das concessões de crédito livre para pessoas físicas teve alta de 1 ponto percentual (p.p.) no mês e de 5,4 p.p. em 12 meses, chegando a 62% ao ano.

O destaque em fevereiro foi o avanço de 11,4 p.p. na taxa do cartão de crédito rotativo, chegando a 435,9% ao ano. A modalidade é uma das mais altas do mercado.

Mesmo com a limitação de cobrança dos juros do rotativo - em vigor desde janeiro de 2024 - os juros seguem variando sem uma queda expressiva ao longo dos meses. Isso porque a medida visa reduzir o endividamento, mas não afeta a taxa de juros pactuada no momento da contratação do crédito.

Nos 12 meses encerrados em fevereiro, os juros do cartão de crédito rotativo tiveram recuo de 16,7 p.p. para as famílias. O crédito rotativo dura 30 dias e é tomado pelo consumidor quando paga menos que o valor integral da fatura do cartão de crédito. Ou seja, contrai um empréstimo e começa a pagar juros sobre o valor que não conseguiu quitar.

Após os 30 dias, as instituições financeiras parcelam a dívida do cartão de crédito. Neste caso do cartão parcelado, os juros subiram 5,3 p.p. no mês e 16,9 p.p. pp em 12 meses, indo para 200,2% ao ano.

No caso das operações com empresas, os juros médios nas novas contratações de crédito livre recuaram 0,1 p.p. no mês e subiram 1,1 p.p. em 12 meses, alcançando 24,9%. Destaca-se, nesse cenário, a redução mensal de 3,1 p.p. e de 1,8 p.p. em 12 meses na taxa média de juros das operações de capital de giro com prazo até 365 dias, que chegou a 22,5% ao ano.

Foi determinante para esse resultado, a redução da taxa média de juros do capital de giro com prazo inferior a 365 dias (-3,1%).

No crédito livre, os bancos têm autonomia para emprestar o dinheiro captado no mercado e definir as taxas de juros cobradas dos clientes. Já o crédito direcionado - com regras definidas pelo governo - é destinado basicamente aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

No caso do crédito direcionado, a taxa para pessoas físicas ficou em 10,8% ao ano em fevereiro, com redução de 0,3 p.p. em relação a janeiro e aumento de 0,3 p.p. em 12 meses. Para empresas, a taxa subiu 0,2 p.p. no mês e 1,1 p.p. em 12 meses, indo para 13,2% ao ano.

 Juros em alta

Com isso, considerando recursos livres e direcionados, para famílias e empresas, a taxa média de juros das concessões em fevereiro aumentou 0,3 p.p. no mês e 2,6 p.p. em 12 meses, atingindo 33% ao ano.

Como esperado, a alta dos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, definida em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A Selic é o principal instrumento usado pelo Banco Central para manter a inflação sob controle.

De setembro de 2024 a junho de 2025, a Selic foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas cinco reuniões seguintes do Copom. Após esse período prolongado de manutenção da taxa em 15% ao ano, havia indicação de início de um ciclo de redução e a Selic foi reduzida em 0,25 p.p. na última reunião, neste mês.

Entretanto, diante das incertezas provocado pelo conflito no Oriente Médio, o BC não descarta rever o ciclo de baixa, caso seja necessário. O próximo encontro do Copom para definir a Selic será em abril.

Ao aumentar a taxa, o BC visa esfriar a demanda e conter a inflação, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, fazendo com que as pessoas consumam menos e os preços caiam.

Assim como os juros, o spread bancário apresentou alta de 0,5 p.p. no mês e 2,8 p.p. em 12 meses. Ele mede a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias cobradas dos clientes. O spread é uma margem que cobre custos operacionais, riscos de inadimplência, impostos e outros gastos e resulta, assim, no lucro dos bancos.

Aumento no saldo

Em fevereiro, as concessões de crédito chegaram a R$ 602,3 bilhões. Nas séries sazonalmente ajustadas, elas recuaram 0,5% no mês, com redução de 1,9% nas operações com pessoas jurídicas e expansão de 0,3% com as famílias.

Em 12 meses, as concessões nominais cresceram 8,2%, com altas de 8,1% nas operações com empresas e de 8,3% com pessoa física.

Com isso, o estoque de todos os empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em R$ 7,145 trilhões, um crescimento de 0,4% em relação a janeiro. Esse resultado decorreu da expansão de 0,6% na carteira de crédito para famílias e estabilidade no crédito às empresas, cujos saldos fecharam o mês em R$ 4,491 trilhões e R$ 2,653 trilhões, na mesma ordem.

O crédito ampliado ao setor não financeiro - que é o crédito disponível para empresas, famílias e governos, independentemente da fonte (bancário, mercado de títulos ou dívida externa) - alcançou R$ 21,043 trilhões, com aumento de 1,1% no mês, refletindo principalmente o acréscimo de 2% nos títulos públicos e privados de dívida.

Em 12 meses, o crédito ampliado cresceu 11,8%, com avanços nos títulos públicos de dívida (17,2%), nos empréstimos do SFN (9,5%) e nos títulos privados de dívida (18,5%).

Endividamento das famílias

Segundo o Banco Central, a inadimplência - atrasos acima de 90 dias – subiu 0,2 p.p. no mês e 1 p.p. em 12 meses, registrando 4,3% em fevereiro, sendo 5,2% nas operações com pessoas físicas e 2,6% com pessoas jurídicas.

O endividamento das famílias - relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses - ficou em 49,7% em janeiro, com estabilidade no mês e aumento de 1,1% em 12 meses. Com a exclusão do financiamento imobiliário, que pega um montante considerável da renda, o endividamento ficou em 31,3% no primeiro mês do ano.

Já o comprometimento da renda - relação entre o valor médio para pagamento das dívidas e a renda média apurada no período - ficou em 29,3% em janeiro, aumento de 0,1% na passagem do mês e 1,6% em 12 meses.

O endividamento e comprometimento de renda são indicadores apresentados com uma defasagem maior de tempo, pois o Banco Central usa dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

 

 

 

 

 

Por -Agência Brasil

 Escolas estaduais iniciam cadastro de estudantes na Carteira de Trabalho Digital

Começou nesta segunda-feira (30), nas escolas da rede estadual de ensino, o processo de cadastro de estudantes na Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) e na plataforma Emprega Brasil. A ação, coordenada pela Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR), segue até 17 de abril e tem como objetivo facilitar a inserção dos jovens no mercado de trabalho formal, além de ampliar o acesso a vagas de emprego, programas de aprendizagem profissional e políticas públicas voltadas à empregabilidade. 

A Conexão Empregabilidade começou com evento no Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba (CEEP). A ação é voltada para estudantes a partir de 14 anos, regularmente matriculados e egressos aptos à empregabilidade, especialmente aqueles vinculados aos cursos técnicos, itinerários formativos e formações profissionalizantes.

A iniciativa integra um termo de cooperação técnica entre a Seed-PR, a Secretaria do Trabalho, Qualificação e Renda do Paraná (SETR) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), fortalecendo a articulação entre educação, qualificação profissional e oportunidades de trabalho, além de contribuir para o monitoramento de indicadores de empregabilidade educacional no Estado.

De acordo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a iniciativa reforça o compromisso do Estado com a preparação dos jovens para o futuro profissional. “Estamos aproximando o ambiente escolar das oportunidades reais de inserção no mercado de trabalho. Esse acesso às plataformas oficiais amplia horizontes, fortalece a autonomia dos estudantes e contribui diretamente para a formação de cidadãos mais preparados e conscientes”, destacou.

O programa atua tanto no engajamento dos empresários, mostrando como os alunos da rede estadual podem qualificar seus quadros de funcionários, quanto dentro das escolas, orientando e encaminhando os alunos para as oportunidades de estágio e programas de aprendizagem. 

A diretora de Planejamento e Gestão Escolar da Seed-PR, Graziele Andriola, destaca que a iniciativa fortalece a conexão entre a formação escolar e as oportunidades profissionais para os jovens. “Estamos fortalecendo a articulação entre a educação e o mercado de trabalho no Paraná para ampliar o acesso dos estudantes da rede pública a vagas de emprego e aprendizagem profissional”, explica.

MAIS OPORTUNIDADES - Durante a abertura das atividades, a coordenadora  do Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba, Patricia Quadros Ferreira Netto, reforçou a importância do programa para ampliar as oportunidades dos alunos e fortalecer a formação profissional dos jovens. “Já desenvolvemos algumas ações na escola, mas uma semana de empregabilidade permite que todos participem ao mesmo tempo e tenham as mesmas oportunidades no futuro”, analisa Patrícia. “Isso é especialmente importante para os alunos do terceiro ano, já que os aproxima do mercado de trabalho e fortalece suas perspectivas”, conclui.  

Para a estudante Alice Romano da Silva, de 16 anos, do 3°ano do curso de biotecnologia, essa ação no Colégio faz toda diferença. “Muitos adolescentes, às vezes, não dão tanta importância a isso e o incentivo da escola é super importante para mostrar para os alunos o quanto esse cadastro pode ajudar no futuro”, reflete ela.

Já o estudante Lucas Verdasca Carvalho, de 16 anos e também do 3°ano, vê essa ação de empregabilidade como uma oportunidade importante para o seu futuro profissional. “Eu penso que facilita muito ter acesso ao aplicativo literalmente na palma da mão. Com isso a gente já pode ter amplas oportunidades no mercado de trabalho desde o início”, diz.

O cadastro da CTPS Digital é documento único, que substitui o modelo físico da carteira de trabalho e é essencial para a participação em processos formais de contratação, registro de vínculos trabalhistas e acesso a programas de aprendizagem profissional. O foco é garantir que o aluno tenha o aplicativo instalado e a conta Gov.br validada, para que por meio da Plataforma Emprega Brasil, o estudante possa ser visualizado pelo Sistema Nacional de Empregos (SINE) e candidatar-se a vagas de emprego e cursos de qualificação gratuitamente.

IMPORTANTE - Para efetivar o cadastro, os estudantes devem possuir CPF, e-mail ativo e conta no portal gov.br. O aplicativo da Carteira de Trabalho Digital deve ser instalado no celular para o recebimento de notificações sobre vagas e cursos, caso não possuam aparelho, o acompanhamento poderá ser feito pelos sites oficiais da CTPS Digital e Emprega Brasil.

As equipes gestoras organizarão cronogramas, orientarão alunos e responsáveis e garantirão estrutura e apoio à orientação profissional. O cadastro não gera vínculo empregatício nem prejuízo acadêmico, devendo ocorrer com acompanhamento pedagógico e respeito às normas legais, especialmente sobre proteção de dados e trabalho de adolescentes.

A iniciativa integra as políticas públicas estaduais voltadas à empregabilidade e não substitui as atividades pedagógicas regulares.

 

 

 

 

 

Por - AEN

 Paraná assume liderança nacional em implantes de correção auditiva pelo SUS

O Paraná se consolidou como a principal referência brasileira em saúde auditiva de alta complexidade.

Nos últimos oito anos, o Estado saltou das últimas posições para o primeiro lugar no ranking nacional de implantes cocleares por milhão de habitantes. Saiu de 2,1 implantes por milhão de habitantes em 2016, quando se mantinha na frente apenas do Ceará (1,36), para 18,0 implantes por milhão de habitantes, ultrapassando o Rio Grande do Norte (15,14) que era o líder naquele ano, com 9,39.

Entre 2019 e 2025 foram 651 implantes na rede pública de saúde paranaense. Os procedimentos, assim como todo o tratamento, são oferecidos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com repasses via Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), de mais de R$ 41,7 milhões apenas nesse período.

“Temos na Sesa em funcionamento a Linha de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência, que atua de forma constante e com o propósito de prevenir agravos e proteger a saúde da pessoa com deficiência. Reabilitar a capacidade funcional é a melhor forma de inclusão e de cuidado”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, que afirmou ainda que os números que colocam o Estado em destaque na escala de quantidade de implantes refletem o comprometimento da Sesa com a saúde da população paranaense.

Conhecido popularmente como "ouvido biônico", o implante coclear é um dispositivo eletrônico de alta tecnologia inserido através de cirurgia. Diferente dos aparelhos auditivos convencionais, que apenas amplificam o som, o implante estimula diretamente o nervo auditivo.

O dispositivo conta com uma parte interna, que é colocada cirurgicamente dentro da cóclea (caracol da audição) e uma parte externa (que fica visível na parte posterior da cabeça) que é formada por um processador que capta o som ambiente. As duas partes são conectadas por um ímã, sendo que a externa deve ser retirada para tomar banho e dormir, e a bateria precisa ser carregada.

O implante é indicado para adultos que apresentam perdas auditivas severas, e para crianças com surdez congênita. O implante não é exclusivamente para pessoas que não ouvem nada, e sim também para quem, fazendo uso do aparelho convencional, não consegue mais ser atendido na sua necessidade.

Embora seja tecnicamente complexa e delicada devido ao espaço reduzido, a cirurgia é considerada de baixo risco clínico. Pode ser feita em bebês a partir dos 6 meses, até idosos acima de 90 anos, desde que haja condições clínicas.

O processo de avaliação para elegibilidade inclui exames clínicos e avaliação fonoaudiológica específica, como o exame BERA (Brainstem Evoked Response Audiometry). Também é importante a avaliação de psicólogos e outros especialistas, caso o paciente tenha alguma doença ou condição pré-existente.

O implante é ativado cerca de 30 dias após o procedimento cirúrgico e é essencial que a pessoa passe pela adaptação e acompanhamento com um médico otorrinolaringologista especializado em implante.

“Nesse primeiro momento o som é estranho e o volume é baixo. Existe todo um processo para ir adaptando e, gradativamente, ir ajustando o volume. E, com tudo isso acontecendo, o acompanhamento com fonoaudiólogo é fundamental, porque é preciso que o cérebro aprenda a interpretar os sinais elétricos enviados pelo implante”, explica o médico otorrinolaringologista Neilor Mendes, que coordena um dos Centros Especializados em Implante Coclear do Paraná, localizado no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, que atende de forma gratuita.

BUSCANDO ATENDIMENTO - A porta de entrada para acessar o tratamento é a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência do paciente. A partir dessa consulta, caso exista a indicação, a pessoa será encaminhada para o setor especializado. “É importante as pessoas saberem como procurar o tratamento. As pessoas sabem, por exemplo, que se o rim delas não funcionar mais, elas podem fazer hemodiálise, mas a grande maioria não sabe que se ficar surda pode fazer um implante coclear”, diz Mendes.

Ainda conforme o médico, estudos apontam que em média apenas 5% das pessoas que poderiam ser beneficiadas com alguma tecnologia auditiva implantável de fato usam. “Realmente as pessoas não têm conhecimento do que é o implante, como funciona, e muito menos que elas podem fazer de graça pelo SUS”, destacou.

Apesar disso, essa realidade vem mudando, tanto que os números comprovam. Há 8 anos, eram feitos cerca de 30 implantes por ano e agora são aproximadamente 30 a cada dois meses. “O serviço está crescendo bastante, a Sesa nos apoia muito e com isso estamos conseguindo cada vez mais levar essa tecnologia, essa opção de saúde para os pacientes de todo o Estado do Paraná” acrescentoo médico.

Na rede particular, o valor do implante coclear parte de R$ 65 mil, podendo chegar a R$ 170 mil.

REAPRENDER A OUVIR - A professora Edilaine Montanhani, de 49 anos, é moradora de Altônia, na região Noroeste, e passou pelo implante coclear bilateral em 2022. Ela nasceu ouvint, até que, aos 20 anos, começou a sentir a perda gradativa da audição.

“Logo quando comecei a perceber que estava perdendo a audição procurei atendimento médico. No começo usava aparelho auditivo, que me ajudava, mas ainda assim tinha dificuldade de entender as palavras, sobretudo em lugares com muito barulho”, contou. “Mas, logo depois, perdi quase que totalmente a audição e precisei deixar a sala de aula”.

A mudança foi tão impactante na vida da professora que ela se isolou. “Eu cheguei em um determinado momento que mesmo com o aparelho auditivo não ouvia nada, me afastei do trabalho, dos amigos, não tinha mais vida”, relembra.

Mas ela não se entregou e buscou atendimento na Unidade Básica de Saúde, onde recebeu auxílio e orientação. “O médico me disse, num primeiro momento, que até para ele era uma situação nova, mas que eu seria encaminhada”.

Edilaine conta que passou por todo o processo de consultas e exames com especialistas. “Os profissionais de saúde não mediram esforços para me ajudar. Quando cheguei no Hospital Universitário Regional de Maringá e o cirurgião pediu os exames e avaliou que eu poderia fazer o implante, minha vida mudou novamente”.

Entre a habilitação para o implante e a efetivação da cirurgia, foram cerca de 6 meses. “É um processo lindo, de reaprender a ouvir. No primeiro ano fiz acompanhamento intenso com fono, o mapeamento do implante e até hoje sigo recebendo esses atendimentos”.

Edilaine fez questão de destacar que, desde os exames, passando pelos implantes e seguindo com a reabilitação, ela não teve nenhum custo. “Se posso dar um conselho para quem está passando pela mesma situação difícil que eu passei é que procure o atendimento através da UBS”.

EMILLY E HEITOR - Moradores de Sarandi, no Noroeste do Paraná, os irmãos Emilly Caroline Guimarães Rodrigues, de 10 anos, e Heitor Donato Guimarães Rodrigues, de 4 anos, são usuários de implante coclear. A mãe deles, Cibele Guimarães, relatou que as duas crianças nasceram com deficiência auditiva bilateral severa. “A Emilly apresentou atraso na fala, e por isso nós buscamos atendimento médico. Os exames confirmaram uma neuropatia auditiva, que é bastante complexa”, contou.

A pequena tinha pouco mais de 2 anos quando veio o diagnóstico e os implantes (bilaterais) ocorreram logo depois, com intervalo de cerca de um mês entre um e outro. “No dia do aniversário de 3 anos dela o implante foi ativado”.

No caso do Heitor, a necessidade do implante foi descoberta ainda mais cedo, aos quatro meses de vida. O diagnóstico foi o mesmo da irmã: neuropatia auditiva. As cirurgias aconteceram pouco depois de ele completar 1 ano.

O tratamento, que é realizado pelo SUS, inclui acompanhamento médico desde antes do implante. Atualmente, os irmãos têm reabilitação com a fonoaudióloga uma vez por semana e mapeamento dos implantes, que acontecem anualmente para Emilly e a cada 6 meses para Heitor. “O mapeamento avalia como está a parte interna do implante, se a externa está funcionando corretamente, se precisa aumentar ou diminuir o volume”, explica a mãe. “E o tempo varia de acordo com a necessidade de cada um. Como ela está mais adaptada, o intervalo é maior”.

A mãe contou que, apesar dos filhos serem muito jovens quando foram tratados, a adaptação foi dentro do esperado. “No começo era uma novidade, então eles tiravam, deixavam em qualquer lugar, era preciso ficar muito atenta, mas, com o tempo eles foram se acostumando”.

Cibele comentou ainda que para ela também foi uma adaptação. “No começo foi muito difícil para mim, nunca imaginei na vida que teria que passar por isso. Nenhuma mãe quer que o filho tenha alguma deficiência ou doença, e ter que tomar uma decisão tão grande por um filho é muito difícil. Ter que entregar um filho em um centro cirúrgico é muito difícil”, relatou.

“Mas a recuperação da cirurgia do implante coclear é tão tranquila que no segundo filho foi tudo mais fácil, e hoje sinto uma gratidão por ter tido esse privilégio, de ter conseguido proporcionar a eles um futuro melhor, e saber que foi a melhor decisão que tomei na vida”, completa ela.

 

 

 

 

 

Por - AEN