Brinquedos que conversam com a criança, que são capazes de memorizar o que ela gosta e que até mesmo respondem com palavras de carinho e empatia fazem parte da realidade de boa parte das famílias no Brasil e no mundo e exigem olhar atento por parte de pais e responsáveis.

Diante do avanço da inteligência artificial (IA) e de sua aplicação em produtos lúdicos, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um alerta sobre como escolher e acompanhar os efeitos da aplicação desse tipo de tecnologia junto a crianças e adolescentes.
Em nota, a entidade destacou que o objetivo do alerta é reduzir os riscos de exposição indevida. Segundo o documento, sistemas de IA generativa, por exemplo, reconhecem voz e imagem, recordam informações, adaptam respostas e mantêm conversas que não são inteiramente pré-programadas.
A SBP considera o tema urgente.
“Em setembro de 2026, ganhou repercussão o anúncio do Muse Charm, dispositivo portátil da Meta comparado pela imprensa a um Tamagotchi com IA. Embora não seja um brinquedo para crianças, ele ilustra como agentes de IA passam a ocupar formas físicas, portáteis e personalizadas”, avaliou.
Emoções
O alerta chama a atenção para o fato de que a IA, apesar de usar linguagem afetiva ou empática, não é uma pessoa, e reforça que um brinquedo, uma vez conectado, pode ter microfone, câmera e acesso integral à internet, além de fazer coleta de dados e oferecer mecanismos de personalização e de engajamento.
Segundo a SBP, uma revisão publicada na revista Pediatrics destaca o risco de crianças desenvolverem percepções equivocadas da IA como amiga ou cuidadora a partir do contato com esse tipo de brinquedo.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), por sua vez, alertou para os chamados AI companions [companheiros de IA, na tradução literal]: brinquedos ou produtos que estimulam conversas em relacionamentos ao serem usados por crianças e adolescentes.
“Apesar da aparência inofensiva, são sistemas de IA que podem obter informações e causar prejuízos à saúde e dependência ao produto”, destacou a entidade.
Para a SBP, a pergunta não deve ser apenas o que o brinquedo faz, mas também como funciona, quais informações coleta, para que esses dados são utilizados e se ele incorpora mecanismos adequados de proteção à criança e ao adolescente.
Recomendações
No alerta, a entidade recomenda cautela na oferta de brinquedos com IA, sobretudo os que utilizam IA generativa, mantêm conversas abertas, coletam dados pessoais e simulam amizade, cuidado ou apoio emocional.
“Quando essas funcionalidades não trazem benefício claro, ou quando o funcionamento e os mecanismos de proteção carecem de transparência, a orientação é priorizar produtos e brinquedos sem esses recursos”, alerta.
Outra preocupação dos pediatras é compreender os efeitos à saúde mental e comportamental de longo prazo dessas novas formas de interação, ainda não suficientemente mapeadas.
“A incerteza científica não significa ausência de riscos e reforça a necessidade de proteção adequada à infância e à adolescência”, avalia.
O alerta propõe perguntas-chave para as famílias refletirem antes de comprar um desses produtos:
- 1. O que essa tecnologia acrescenta à brincadeira?
- 2. A criança participa ativamente ou o brinquedo faz quase tudo por ela?
- 3. Como o produto funciona (se usa IA generativa e se possui câmera, microfone ou conexão com a internet)?
- 4. A indicação etária e a supervisão parental estão claras?
- 5. O que acontece com os dados da criança e do adolescente?
- 6. O uso do brinquedo com IA expõe a criança a ações de perfilamento, publicidade, compras ou assinaturas associadas?
- 7. Como a interação é apresentada: o produto simula amizade, afeto, cuidado ou apoio emocional?
- 8. A criança entenderá, conforme a idade, que está interagindo com uma IA e não com uma pessoa?
- 9. Qual lugar essa experiência ocupa na rotina, em relação ao sono, ao movimento, à brincadeira livre, à leitura, ao contato com a natureza e à convivência familiar?
A SBP destaca que informações essenciais devem estar acessíveis, incluindo se o produto possui câmera ou microfone; se precisa de internet; quais dados registra e para quê; onde são armazenados; se são compartilhados com terceiros; se é possível apagá-los; e quais recursos vêm ativados por padrão.
“Se não estiverem acessíveis, a recomendação é não comprar e optar por outro produto ou brinquedo.”
Fabricantes
Outro ponto importante citado no documento é que fornecedores e empresas são obrigados a informar pais, responsáveis, crianças e adolescentes, independentemente da compra ter sido efetuada, sobre riscos e medidas de segurança, incluindo privacidade e proteção de dados.
Diante de coleta de dados não informada, conteúdo inadequado, falhas de segurança ou dificuldade de exercer seus direitos, a SBP orienta que as famílias podem:
- pedir ao fornecedor informações, correção ou eliminação dos dados da criança;
- desistir, em até sete dias do recebimento de compras feitas fora de estabelecimento comercial;
- utilizar canais de notificação do fornecedor;
- reclamar no Procon, no consumidor.gov.br e na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
Por - Agência Brasil
Uma avaliação das unidades de terapia intensiva (UTIs) no Brasil feita por profissionais da área revela distância na percepção sobre a qualidade de serviços públicos e privados. Na maioria das vezes, as notas positivas são duas vezes maiores em unidades privadas do que nas públicas. Já as notas negativas chegam a ser até quatro vezes maiores em unidades públicas do que nas privadas.

Ao todo, 2.338 médicos que atuam na assistência de alta complexidade foram ouvidos dentro do Inquérito Nacional sobre a Força de Trabalho Médica nas UTIs Brasileiras, realizado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), com o apoio do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Os profissionais responderam a um questionário e deram notas de 0 a 5 para itens considerados essenciais ao funcionamento das unidades, como infraestrutura, disponibilidade de leitos e medicamentos, nível de especialização da equipe, fluxos de paciente, protocolos, entre outros.
Em nota, a Amib destacou que, analisadas em bloco, as menções ajudam a visualizar os problemas que afetam o atendimento a partir da ótica de quem é responsável pelo cuidado de pacientes graves.
Para a associação, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas de saúde que tratem a estruturação das UTIs como prioridade em múltiplos aspectos, não apenas como expansão do número de leitos.
A entidade informou que pretende levar o diagnóstico a gestores públicos e privados, bem como a autoridades de áreas de fiscalização e controle, com o intuito de defender o atendimento às recomendações feitas pelo inquérito.
“Eventuais mudanças terão impacto em 43.901 leitos de UTI distribuídos pelo país, sendo 34.927 destinados a adultos e 8.974 à pediatria e neonatologia”, destacou a Amib.
Números
Os dados mostram que apenas 22,7% dos médicos entrevistados consideram que a rede de UTIs do Sistema Único de Saúde (SUS) tem disponibilidade totalmente adequada de medicamentos essenciais ao manejo dos pacientes.
O índice sobe para 57,7% quando analisados serviços particulares ou vinculados a planos de saúde.
Por outro lado, quando analisadas as avaliações negativas, a situação da oferta de medicamentos nos serviços da rede pública, por exemplo, foi considerada como inadequada ou totalmente inadequada por 16,1% dos médicos. No setor privado, o percentual cai para 3,8%.
A tendência se mantém na avaliação sobre a suficiência de leitos, em que 24,1% dos entrevistados atribuíram nota máxima aos serviços públicos de UTI. Já em relação a unidades privadas ou de planos de saúde, a avaliação favorável sobe para 51,4%.
No caso específico de disponibilidade e acesso a protocolos de atendimento e de conduta clínica, a rede SUS recebeu nota máxima de 23,1% dos que participaram do inquérito, enquanto o setor privado recebeu avaliação superior de 40,2% dos profissionais ouvidos.
Notas baixas
Pela perspectiva das notas mais baixas (0, 1 e 2), 32,6% dos médicos avaliaram a disponibilidade de leitos no SUS ruim e 27,4% atribuíram as notas mínimas aos protocolos de atendimento.
Na rede privada, as avaliações mínimas foram dadas por 7,7% e 14,3% dos médicos, respectivamente.
O padrão se repetiu em 12 dos 13 aspectos avaliados por profissionais que atuam em UTIs no Brasil. A única exceção, em que a percepção dos entrevistados foi bastante próxima independentemente do segmento em que prestam serviços (público ou privado), foi em relação às tarefas administrativas e burocráticas.
A pesquisa também identificou disparidade na percepção sobre a presença de equipe multiprofissional especializada: 39,2% dos médicos avaliaram esse item com nota máxima no setor privado, contra 23% no setor público, enquanto as notas mínimas foram atribuídas por 24,8% dos médicos para o setor público e por 13,8% para o privado.
Quanto à percepção sobre presença de enfermeiros com formação específica em terapia intensiva, a proporção positiva foi de 25,1% para o privado e 16,9% para o público.
Já a negativa alcançou 37,2% para os serviços do SUS e 26,4% para os serviços particulares ou de planos.
por - Agência Brasil
O Ministério da Saúde começa a ofertar, a partir desta semana, nove novos medicamentos de alta tecnologia para tratamento de câncer no Sistema Único de Saúde (SUS). A inclusão é a maior já feita para o cuidado com o câncer e atenderá 100% da demanda por esses produtos. 

Os novos nove medicamentos são indicados para 13 diferentes tratamentos de câncer e devem beneficiar mais de 116 mil pessoas.
A disponibilização tem início em 20 centros de tratamento, em todas as regiões do Brasil. A expectativa é expandir para todos os demais centros até o fim do ano.
O impacto anual só na aquisição desses produtos será de R$ 155,4 milhões por ano.
A previsão é chegar a 23 novos fármacos oncológicos até o fim do ano, ampliando em 35% as alternativas na rede pública de saúde.
Segundo o ministério, para viabilizar a oferta dos 23 novos medicamentos, a pasta assumiu a compra e negociação direta de dez fármacos, articulou a realização de uma ata para aquisição com menor preço pelos estados de outros nove e, para os outros quatro, ampliou os repasses para garantir o custeio nos serviços oncológicos do SUS.
O impacto será de R$ 4 bilhões por ano.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse, em cerimônia no Hospital Beneficência Portuguesa, na capital paulista, que a ampliação e qualificação da rede de câncer em todo o país estão sendo feitas com o que há de mais moderno e avançado e representa uma transformação que coloca os pacientes no centro do cuidado, garantindo mais acesso a exames, diagnósticos precisos e tratamentos adequados, no tempo certo.
“Também estamos fortalecendo as condições de trabalho dos profissionais de saúde, com serviços mais estruturados e uma rede pública cada vez mais preparada para atender às necessidades da população”, disse durante cerimônia.
De acordo com o Ministério da Saúde, os nove tratamentos atuam de formas diferentes, de acordo com o tipo de tumor, o estágio da doença e o perfil de cada paciente. Entre os principais benefícios estão o aumento da sobrevida e melhor qualidade de vida.
Há ainda indicações para depois da cirurgia, quando não há mais sinal visível de tumor, com o objetivo de evitar que a doença volte.
As unidades de saúde que participam dessa etapa de implementação estão localizadas em 16 estados: São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Tocantins e Sergipe, e no Distrito Federal.
Saiba quais são os novos medicamentos:
- trastuzumabe - câncer de estômago ou junção esofagogástrica;
- abemaciclibe - câncer de mama precoce (RH+, Her2-, linfonodo +);
- acetato de lanreotida - tumores neuroendócrinos;
- pazopanibe - câncer de rim de células claras metastático;
- rituximabe - leucemia linfocítica crônica (1ª linha), linfoma folicular, linfoma difuso;
- abiraterona - câncer de próstata resistente à hormonioterapia não metastático e metastático e sensível à hormonioterapia e metastático;
- gefitinibe - câncer de pulmão não pequenas células em primeira linha;
- TSH recombinante (alfatirotropina) - câncer diferenciado de tireoide com indicação de iodo radioativo;
- sunitinibe - câncer de rim de células claras metastático e GIST avançado ou metastático após falha ao imatinibe.
Outras inovações
O ministro anunciou que SUS também fará o rastreamento de câncer de intestino, considerado essencial para o diagnóstico precoce da doença. Serão distribuídos 400 mil testes imunoquímicos fecais (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal para todos os estados.
O exame será utilizado para identificar, entre homens e mulheres assintomáticos, com 50 a 75 anos, quem precisará realizar colonoscopia para confirmação do diagnóstico. A precisão é de 92%.
“Nós estamos construindo o maior programa público de rastreamento do câncer de colo retal do mundo. Não existe país do mundo que vai fazer o que nós estamos fazendo”, destacou o ministro Alexandre Padilha.
Também está em implementação no SUS o rastreamento do câncer do colo do útero por meio do teste DNA-HPV. Como complemento, o ministério financiará a citologia reflexa em meio líquido, que utiliza a mesma coleta para avaliar amostras com sinais de alerta. O investimento anual será de R$ 2,7 milhões para mais de 131 mil testes.
O Ministério da Saúde também passa a custear as cirurgias videotorácicas oncológicas, que contemplam principalmente o câncer de pulmão. A técnica utiliza pequenas incisões, câmera e instrumentos específicos e é minimamente invasiva. As melhorias para os pacientes incluem a redução do tempo de internação e as complicações pós-operatórias.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou o compromisso para o próximo triênio do Proadi-SUS, que destinará R$ 4 bilhões em investimentos nos próximos três anos.
O montante equivale a um terço de tudo o que foi investido nos últimos 17 anos do programa (R$ 11 bilhões).
Padilha ressaltou que os hospitais parceiros do Proadi, como o Albert Einstein, Sírio-Libanês, Oswaldo Cruz, Beneficência Portuguesa, Moinhos de Vento, A.C. Camargo e Hcor, desempenham um papel fundamental na saúde pública.
“Tanto na transferência de tecnologia, capacitação profissional e melhoria da gestão do SUS. Muitos desses hospitais filantrópicos, inclusive, operam hoje com mais leitos dedicados ao SUS do que aos seus próprios serviços particulares”, disse.
Padilha anunciou ainda a implantação dos Hospital Inteligente em parceria com o Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI), responsável pela gestão.
O primeiro hospital 100% inteligente do SUS será implementado no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
“O projeto prevê UTIs com equipamentos ultra-conectados e inteligência artificial, que permitem o monitoramento remoto em tempo real, com o profissional podendo acessar o que acontece dentro da UTI de qualquer canto do hospital, da casa dele, ou em outro serviço”, explicou Padilha.
“Além da modernização de laboratórios de anatomia patológica, serão reduzidos o tempo de entrega de laudos de biópsias de uma semana para apenas 48 horas por meio de telediagnóstico”, acrescentou.
Por - Agência Brasil
A hipertensão atinge 28,3% de crianças e adolescentes até 18 anos no Brasil. A pré-hipertensão alcança 11,6% dos indivíduos nessa faixa etária. Os dados são da pesquisa Brasil Coração Saudável da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

A hipertensão é mais frequente nos meninos de 15 a 18 anos (40,7%) e nos de menos de 7 anos (39,1%).
Entre 3 de junho e 7 de outubro de 2026, foram pesquisadas 6.092 crianças e adolescentes de 38 escolas dos seguintes estados:
- Minas Gerais (2.973);
- Rio Grande do Sul (3.059);
- São Paulo (60).
O cardiologista Álvaro Avezum, membro da SBC e coordenador do projeto Coração Saudável, acredita que a redução da prática de atividade física, associada a uma alimentação inadequada e a hábitos de vida que favorecem o aumento do estresse, contribua diretamente para a elevação do risco cardiovascular, incluindo o desenvolvimento de obesidade e hipertensão arterial sistêmica.
“Esses fatores, quando combinados, podem comprometer a saúde cardiovascular e aumentar a incidência de doenças cardiovasculares.”
Segundo a pesquisa, uma em cada três crianças e adolescentes analisados tem excesso de peso: 19,5% sobrepeso e 13,6%, obesidade.
O sobrepeso é maior nas meninas de 11 a 14 anos (24,0%), e a obesidade, nos meninos de 7 a 10 anos (17,1%).
Com obesidade, quase metade tem hipertensão (48,4%). Quanto maior o peso, maior a proporção de hipertensão, chegando a 60,5% nos obesos de 15 a 18 anos.
Telas
Outro dado da pesquisa mostra que 59% ficam mais de três horas por dia em frente de telas e 66% fazem apenas de uma a duas horas de atividade física por semana, sendo que 93% praticam exercício na escola. Celular (86%) e TV (80%) são as telas mais usadas.
Por - Agência Brasil
As consultas por lesões pré-cancerígenas no colo do útero em adolescentes caíram quase 78% após o início da vacinação contra o HPV no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com pesquisa publicada na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, esta é mais uma evidência da eficiência e importância do imunizante.

O papilomavírus humano, ou HPV, é o principal causador do câncer de colo do útero, que se desenvolve a partir de lesões não tratadas, as chamadas neoplasias intraepiteliais cervicais de alto grau. Ao prevenir a infecção pelo vírus, a vacinação contra o HPV também impede o surgimento das lesões que podem evoluir para câncer.
Desde 2014, o SUS oferece a vacina contra o HPV para crianças e adolescentes do sexo feminino. A cobertura foi ampliada também para o sexo masculino em 2017. Atualmente, ela é aplicada na faixa etária dos 9 aos 14 anos. A pesquisa mostra que essa inclusão mudou radicalmente a incidências das lesões.
Em 2011, 474 adolescentes de 15 a 19 anos foram atendidas no SUS por causa da doença, número que subiu para 603 em 2015, logo após o início da vacinação. No entanto, a queda foi vertiginosa nos anos seguintes, passando para 299 consultas em 2019 e para 136 em 2023.
A taxa de consultas a cada 100 mil adolescentes, indicador que equilibra as mudanças no tamanho da população, também caiu drasticamente de 7,1 em 2015 para 1,8 em 2023. Os pesquisadores salientam que esta é a única faixa etária que registrou quedas tão expressivas, o que coincide com o público vacinado em massa pelo SUS.
Os pesquisadores também avaliaram as primeiras consultas por causa de outras infecções sexualmente transmissíveis, e identificaram um movimento contrário. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, a taxa de procura de serviços médicos saltou de 1,7 em 2015 para 10,8 em 2023.
"Esse resultado reforça que a redução dos casos de lesões de alto grau entre as adolescentes provavelmente não é consequência de mudanças seculares na saúde sexual ou na utilização dos serviços de saúde", avaliam.
A pesquisa também traz estimativas de quantas lesões podem ter sido evitadas, considerando a curva de casos antes da vacinação. De 2011 a 2019, foram 2.620 primeiras consultas em adolescentes. Mas esse total poderia ter sido de 7.688, se o SUS não oferecesse a vacina, cerca de 5 mil casos a mais.
Os dados analisados pelos pesquisadores da farmacêutica MSD foram coletados do Sistema de Informações Ambulatoriais de Saúde e se referem a primeiras consultas registradas com códigos de diagnóstico específicos para essas lesões, acompanhadas de pelo menos um procedimento pertinente.
O câncer de colo do útero é o terceiro tipo mais frequente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 19 mil novos casos diagnosticados por ano. Também é um dos tipos mais mortais, com cerca de 7 mil óbitos registrados anualmente.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a doença pode ser erradicada em alguns anos, desde que os países consigam oferecer a vacinação com altas coberturas, exames de rastreamento na faixa etária indicada, para identificar a presença do vírus ou de lesões, e o tratamento adequado das neoplasias, antes que elas evoluam para câncer.
O estudo "representa um indicador promissor do impacto precoce da vacinação contra o HPV", reforçam os pesquisadores, mas "a manutenção desses avanços exigirá a preservação de altas coberturas vacinais", além do resgate dos jovens que não se vacinaram na época correta.
Eles também sugerem que o governo considere ampliar gradualmente a faixa etária coberta. Por enquanto, o Ministério da Saúde tem feito campanhas de resgate para jovens de até 19 anos que ainda não se vacinaram, e também disponibiliza o imunizante para públicos mais vulneráveis como pessoas que já tiveram lesões pré-cancerígenas, vítimas de violência sexual e usuários de profilaxia pré-exposição para prevenir o HIV.
O HPV também é uma causa importante de outros tipos de câncer, como de pênis, ânus, vagina e orofaringe. O vírus é bastante prevalente na população, e estima-se que 80% das pessoas terão contato com ele em algum momento da vida, mas apenas alguns subtipos têm potencial cancerígeno.
A vacinação é a melhor estratégia para prevenir o contágio, mas exames preventivos, como o papanicolau, e a avaliação adequada de verrugas e outros sinais pode evitar que lesões pré-cancerígenas evoluam para câncer.
por - Agência Brasil
No Dia Internacional de Combate ao Câncer de Mama, 19 de outubro, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) destaca a importância do rastreamento da doença com diagnóstico precoce, de hábitos saudáveis e acesso ao tratamento, que são fundamentais para ampliar as possibilidades de recuperação da doença.
O acompanhamento nas unidades de saúde e a realização de exames são essenciais para identificar a doença na fase inicial. Desde 2022, foram feitas mais de 1,4 milhão de mamografias no Estado, segundo dados da Sesa. Trata-se de um dos principais recursos para a detecção precoce do câncer de mama.
Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o rastreamento é recomendado para mulheres de 50 a 74 anos, a cada dois anos. Mulheres entre 40 e 49 anos e acima de 74 anos também podem solicitar o exame de rastreamento, mesmo sem sinais ou sintomas suspeitos, desde que recebam orientação de profissionais de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos. O atendimento inicia em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde a paciente passará por consulta médica e avaliação e será encaminhada, caso necessário, para os exames.
A orientação da Sesa é que as mulheres mantenham o acompanhamento de saúde e procurem uma unidade de atendimento sempre que identificarem alterações nas mamas, independentemente da idade. A descoberta da doença em estágio inicial aumenta significativamente as possibilidades de sucesso do tratamento.
Além dos encaminhamentos através do atendimento em unidades de saúde, o Paraná possui a Carreta Saúde da Mulher, que percorre todo o Estado com profissionais especializados para a realização de consultas e exames, além de orientar sobre o câncer de mama e também o de colo de útero. Neste ano, até outubro, a Carreta superou 35,7 mil procedimentos, beneficiando mais de 10,6 mil mulheres.
“O mais importante é que as mulheres busquem o atendimento nas unidades de saúde em caso de qualquer suspeita e também façam os preventivos, como a mamografia no período identificado”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves. “O câncer de mama pode ser difícil de ser evitado, mas atualmente existe uma gama de possibilidades de tratar com efetividade. Se os exames forem feitos, tenho certeza que vamos conseguir reduzir os casos graves da doença”.
INVESTIMENTOS - O cuidado com o câncer de mama envolve desde a identificação de alterações nas unidades de saúde até o diagnóstico e o tratamento nos serviços especializados. No Paraná, a rede de atendimento oncológico pelo SUS tem sido ampliada com prioridade para a regionalização dos serviços e o fortalecimento dos hospitais de referência em todas as regiões do Estado.
Nos últimos dois anos, foram investidos cerca de R$ 69 milhões em equipamentos, estrutura e infraestrutura para a rede oncológica. Entre as iniciativas está o Plano de Expansão da Radioterapia (Persus II), que contemplou o Hospital do Câncer de Londrina e a Associação Beneficente Menino Deus, em Francisco Beltrão. Já o Programa Nacional de Apoio à Atenção Oncológica (Pronon) contemplou o Hospital do Câncer de Umuarama (Uopecccan).
A estrutura de atendimento também inclui o cuidado às mulheres que precisam passar pela retirada parcial ou total das mamas em decorrência de tumores. O Governo do Estado, por meio da Sesa, garante o tratamento e o apoio às pacientes que necessitam de reconstrução mamária, procedimento que contribui para a recuperação física e psicológica e para a preservação da autoimagem.
Atualmente, o Paraná conta com 16 hospitais públicos, beneficentes ou privados credenciados pelo SUS para fazer reconstruções mamárias ou mamoplastias oncoplásticas. As unidades estão distribuídas pelas quatro macrorregiões do Estado.
“Nosso compromisso é garantir que as mulheres tenham acesso aos exames, ao diagnóstico e ao tratamento no momento certo, independentemente de onde vivem no Paraná”, afirma a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes.
Segundo ela, a Secretaria vem investindo na estrutura dos serviços de saúde e no fortalecimento da rede de atendimento para que mais mulheres possam receber os cuidados necessários. “Quanto mais cedo a doença for identificada, maiores são as chances de sucesso do tratamento. Por isso, nosso trabalho também é evitar que mulheres percam a vida para o câncer de mama”, acrescenta.
PREVENÇÃO - O câncer de mama é uma doença multifatorial, relacionada a diferentes condições, que incluem fatores comportamentais, hormonais, reprodutivos e hereditários. Entre aqueles associados ao risco estão sobrepeso e obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas e histórico familiar de câncer de ovário ou de múltiplos casos de câncer de mama.
Características como a primeira menstruação antes dos 12 anos, a primeira gestação após os 30 anos ou a ausência de filhos também estão associadas ao risco, assim como o uso de pílulas anticoncepcionais e a reposição hormonal após a menopausa. A idade é outro fator importante, e o envelhecimento da população tem influenciado o crescimento dos casos no país.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), a taxa de incidência no Paraná varia de 42,5 a 50,3 casos por 100 mil habitantes. No Brasil, o câncer de mama, com exceção dos tumores de pele não melanoma, é o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres em todas as regiões.
Apesar da multiplicidade de fatores envolvidos, estima-se que cerca de 30% dos casos possam ser evitados com mudanças de hábitos. Não fumar, evitar bebidas alcoólicas, praticar atividades físicas e manter uma alimentação saudável, rica em frutas, legumes, verduras e outros alimentos naturais, são medidas que contribuem para a prevenção. Para as mulheres que são mães, a amamentação também exerce um efeito protetor.
O autoexame pode ajudar a mulher a perceber alterações e buscar avaliação profissional. Entre os sinais de alerta estão caroço endurecido e aparentemente fixo na mama, especialmente quando não provoca dor; saída espontânea de líquido pelo mamilo fora do período de amamentação; aumento contínuo e incomum das mamas; mamilo repuxado para dentro; alterações na pele, como vermelhidão, retração ou aspecto de casca de laranja; e caroços nas axilas ou no pescoço.
A presença desses sinais não significa necessariamente um diagnóstico de câncer, mas exige avaliação em uma unidade de saúde. A investigação clínica e a solicitação de exames de imagem, conforme a queixa e a avaliação profissional, são importantes para esclarecer a causa das alterações e orientar os cuidados necessários.
A Sesa também reforça o papel dos profissionais da Atenção Primária à Saúde na orientação das mulheres, na identificação de possíveis sinais da doença e no encaminhamento para os serviços especializados quando necessário.
por - Agência Brasil














