Resolução proíbe uso de PMMA por médicos em procedimentos na pele

Alergia, inchaço, dor intensa, manchas, deformação e perda de partes do corpo, queimaduras, sangramento, queloides, infecções, necrose e até morte. Estas foram algumas das sequelas graves do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) apontadas nesta segunda-feira (1º) pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) para justificar a proibição do uso médico deste material como substância em preenchimentos na pele. 

O uso injetável do produto por médicos será proibido oficialmente a partir desta terça-feira (2), com a publicação da resolução nº 2.461/2026 do CFM no Diário Oficial da União.

O presidente da entidade, José Hiran da Silva Gallo, destacou a importância de coibir o uso deste polímero em procedimentos de preenchimento intradérmico, com finalidade estética ou reparadora. “Essa é uma decisão ética de extrema importância para a segurança da população e, especialmente, do paciente.”

A resolução do CFM regula apenas o ato médico e não impõe regras a outras profissões, como explica a relatora da resolução do CFM, a cirurgiã plástica e conselheira Graziela Bonin. 

“A partir de agora, qualquer uso do PMMA e a publicidade de que está usando o PMMA passa a ser uma infração, independentemente de eventual dano, independentemente de chegar ao conselho a denúncia de que algum paciente foi prejudicado”, diz a média Graziela Bonin.

O que é o PMMA?

O PMMA é um material plástico transparente e somente pode ser comercializado se possuir registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Quando usado na estética, no formato injetável, se apresenta no formato de gel com microesferas e funciona como um preenchedor definitivo facial e corporal.

Riscos

Com base nos posicionamentos das sociedades brasileiras de Cirurgia Plástica e de Dermatologia, a relatora da resolução explicou que o PMMA desencadeia uma reação inflamatória crônica.

"Por estar entremeado nos tecidos onde é injetado, o produto pode levar, ao longo do tempo, a reações inflamatórias crônicas, formação de granulomas (pequenos nódulos), migração do material e hipercalcemia (cálcio) e doença renal crônica", alertou Graziela.

A especialista acrescentou que o risco do uso para preenchimento corporal é diretamente proporcional ao volume injetado no paciente.

A médica detalhou a dificuldade em retirar o produto do corpo do paciente, após as reações. Ao exibir diversos registros de cirurgias que exigiram a remoção de vastas áreas de tecido saudável (como gordura subcutânea e músculos) onde o material se infiltrou, Bonin demonstrou que os procedimentos resultaram na mutilação de grandes áreas dos corpos de pacientes.

"É uma cirurgia muito mutilante. Não tem outra forma de tratar. Às vezes, alguns imunossupressores muito potentes podem ser usados, mas o paciente está fadado a usá-lo ao longo da vida”, afirmou.

Exceções de uso médico

A única exceção para o uso como preenchimento prevista na resolução do CFM é para o tratamento da lipodistrofia – perda ou redistribuição de gordura no corpo – em pacientes com HIV/aids devido aos antirretrovirais. Essa técnica de tratamento foi incorporada pelo Ministério da Saúde em 2004. Neste caso, o CFM autoriza a atuação médica somente em unidades de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em conformidade com os protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas.

Banimento do PMMA

A conselheira destacou que, em janeiro de 2025, o CFM solicitou à Anvisa o banimento total da comercialização do PMMA como preenchedor de corpos e faces. A motivação seriam mortes provocadas pelo uso do PMMA, segundo o CFM, por profissionais não médicos - como biomédicos e odontologistas.

Na ocasião, o CFM também apresentou alternativas ao uso do PMMA como preenchedor. De acordo com a conselheira, a agência reguladora respondeu, por meio de nota técnica, que não via necessidade de intervenção no mercado naquele momento, devolvendo a responsabilidade aos conselhos profissionais.

Nesta segunda-feira (1º), o presidente do CFM informou que pretende se reunir com representantes da Anvisa para solicitar novamente a proibição do uso do PMMA, exceto o tratamento da lipodistrofia assistida na rede pública. “Vamos marcar uma reunião com o presidente da Anvisa [Leandro Safatle] para sensibilizá-lo sobre esse produto, que tem que ser banido das prateleiras do nosso mercado.”

Anvisa

Procurada pela Agência Brasil, a Anvisa alegou que o produto é seguro, quando usado estritamente dentro das regras atuais. “Com base nas evidências disponíveis, concluiu-se que, quando utilizado conforme as indicações aprovadas e sob condições adequadas de uso, os produtos aprovados apresentam perfil de risco-benefício aceitável.”

Com isso, a agência rejeita medidas adicionais de restrição ao PMMA além das já implementadas.

“Desde 2022, a Anvisa reforça que o PMMA serve para correções de defeitos na pele e volumetria por razões de saúde (como sequelas de doenças) e sob indicação médica. Não há indicação para aumento de volume meramente estético”, disse em nota.

A Anvisa declarou também que o produto é de uso exclusivo de profissionais de medicina.

“A indicação e a aplicação do PMMA devem ser restritas a profissionais médicos legalmente habilitados e devidamente treinados no procedimento, considerando os riscos inerentes e a necessidade de domínio anatômico e técnico.”    

Atualmente existem dois preenchedores intradérmicos a base de PMMA registrados no Brasil pela Anvisa: Linnea Safe, da empresa Lebon Produtos Farmacêuticos Ltda; e Biossimetric, da empresa MTC Medical Comercio Industria Importação e Exportação de Produtos Biomedicos Ltda.

Confira aqui as indicações de uso aprovadas no Brasil. 

A Anvisa reforça que qualquer efeito não desejado decorrente do uso do produto ou queixas técnicas relatadas por pacientes e profissionais de saúde e empresas devem ser notificados ao próprio órgão em formulário online do Notivisa.

A notificação auxilia a agência nas tomadas de decisão sobre o produto e procedimentos de uso.  

 

 

 

 

Por- Agência Brasil

Caneta de semaglutida brasileira terá teto de preço igual ao do Ozempic e do Wegovy; EMS quer preço 30% menor

A primeira caneta de semaglutida brasileira, o Ozivy, da EMS, deu o passo decisivo para chegar às farmácias: a Anvisa definiu o preço máximo que pode ser cobrado pelo medicamento. O teto fixado é o mesmo do Ozempic — R$ 803,44 sem o imposto. O valor permite que a EMS pratique preços próximos aos da concorrente estrangeira, mas a empresa afirmou que pretende cobrar 30% a menos.

A caneta foi anunciada nesta semana, após a liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A definição do preço máximo é uma etapa obrigatória para que qualquer medicamento possa ser comercializado no Brasil. É a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão vinculado à Anvisa, quem estabelece esse teto e nenhuma farmácia pode cobrar acima dele.

Na decisão, a CMED enquadrou o Ozivy na chamada "categoria 4", destinada a novas apresentações de medicamentos que já existem no mercado. Ou seja, o produto foi comparado ao Ozempic e ao Wegovy, e, por isso, pode praticar o mesmo preço máximo.

 O preço máximo ao consumidor para as canetas de 1,5 ml — dosagem que a EMS também lançará — é de R$ R$803,44 sem ICMS.

O imposto varia entre os estados, o valor final muda conforme a região: em São Paulo, com alíquota de 18%, o teto chega a R$ 1.314,37; em Alagoas, onde a alíquota é de 19%, o limite sobe para R$ 1.330,60. Para as versões de 3 ml, que a EMS também vai trazer ao mercado, o preço máximo sem imposto é de R$ 1.399,72.

Mas o teto regulatório não determina quanto o medicamento vai custar nas farmácias — isso é uma decisão comercial da empresa.

No anúncio da aprovação do Ozivy, a EMS afirmou que praticará preços 30% menores do que os cobrados pela concorrência. Hoje, as canetas de menor dosagem do Ozempic são encontradas por cerca de R$ 900. Com isso, a expectativa é de uma caneta com preços próximos de R$ 630.

g1 entrou em contato com a EMS que informou que na próxima semana vai apresentar o preço de mercado do medicamento e a data para a chegada às farmácias.

O que os especialistas explicam é que a queda da patente pode aquecer o mercado e tornar os preços menores e mais acessíveis. A Anvisa tinha até o início do ano 17 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida e essa foi a primeira aprovação.

A Novo Nordisk, que era a detentora da patente, já vem sinalizando mudanças na política de preços, oferecendo de entrada gratuitamente na compra de duas unidades, por exemplo.

 

Quais versões do Ozivy serão comercializadas?

A EMS está autorizada a produzir quatro apresentações do medicamento, todas com solução injetável de 1,34 mg/ml:

 
  • Cartucho de 1,5 ml com caneta aplicadora
  • Dois cartuchos de 1,5 ml
  • Cartucho de 3 ml
  • Dois cartuchos de 3 ml

 

 

 

 

Por - G1

Magnésio ou melatonina: qual deles é melhor tomar para uma boa noite de sono

Dez anos atrás, gabar-se de dormir quatro horas era motivo de orgulho. Agora? Oito horas de sono é o verdadeira ostentação. Na era do biohacking, com suas métricas em aplicativos de saúde, mergulhos em água gelada e podcasts sobre longevidade, uma noite completa de sono se tornou o melhor potencializador de desempenho.

Mas saber que você precisa desse repouso é uma coisa. Outra é realmente alcança-lo. Embora manter uma boa higiene do sono à noite seja fundamental para dormir bem de forma consistente, muitas pessoas também recorrem aos suplementos, geralmente melatonina ou magnésio, para ajudar a adormecer. Mas será que um é melhor que o outro - e você deveria mesmo tomar algum deles?

Melatonina para dormir

A melatonina não é apenas um auxiliar comum para dormir; é um hormônio que seu corpo produz naturalmente todas as noites em antecipação ao sono. Ao contrário da crença popular, os suplementos de melatonina não são bem pílulas para dormir. Em vez disso, eles são reguladores que redefinem seu ritmo circadiano (ou seja, seu relógio biológico) mais cedo. Funcionam melhor quando o principal problema é o horário, como quando sua rotina está desregulada devido ao jet lag, trabalho em turnos variados ou síndrome da fase atrasada do sono, afirma William Lu, especialista em medicina do sono e diretor médico da clínica digital Dreem Health.

Ainda assim, de acordo com uma pesquisa da Sleep Foundation de 2022, mais de 27% dos adultos nos EUA tomam melatonina regularmente, apesar de seus efeitos a longo prazo ainda exigirem maior investigação. Segundo uma meta-análise de 19 estudos, o suplemento ajudou os participantes a adormecerem sete minutos mais rápido, a dormirem oito minutos a mais e a melhorarem modestamente a qualidade geral do sono em comparação com um placebo. Portanto, parece ser mão na roda - nem que seja de forma tímida.

No entanto, ele não é a opção certa para todos, principalmente se você sofre de insônia causada por estresse ou dor, diz o Dr. Lu. (Mais sobre isso em breve.) "O horário e a dose são muito importantes, então tomar em excesso ou na hora errada pode, na verdade, piorar o sono em vez de melhorá-lo", acrescenta.

Pesquisas mostram que 5 a 6 miligramas ou menos parecem ser seguros, mas a má notícia é que erros de dosagem são muito comunsUm estudo com 25 produtos de melatonina descobriu que o volume real do hormônio variava de 74% a 347% da quantidade indicada no rótulo (consolidando ainda mais a imagem da indústria de suplementos como um verdadeiro faroeste do bem-estar). Ele também observa que a ressaca da melatonina - caracterizada por sonolência e cansaço no dia seguinte - é um fato a se considerar para muita gente.

Magnésio para dormir

Em comparação com a melatonina, o magnésio é mais indicado para um sono tranquilo e relaxante. "O magnésio favorece o sono ajudando a regular os neurotransmissores envolvidos no relaxamento, principalmente ligando-se aos receptores gabaérgicos no cérebro, que promovem a calma, e ajudando a reduzir a sinalização do estresse e a tensão muscular", afirma o Dr. Lu.

Embora as evidências sobre o uso de magnésio para insônia sejam controversas, ele diz que os efeitos talvez sejam sutis. "A vantagem é que pode ser especialmente útil para quem tem deficiência de magnésio ou sofre de cãibras musculares, inquietação ou problemas de sono relacionados ao estresse", continua.

O magnésio está disponível em diversas formas, e algumas são mais eficazes do que outras para promover uma boa noite de sono. De acordo com Nilong Vyas, pediatra certificado, especialista em sono comportamental e fundador da consultoria Sleepless in NOLA, os melhores tipos de magnésio para dormir incluem o L-treonato de magnésio e o glicinato de magnésio.

“O L-treonato de magnésio atravessa a barreira hematoencefálica e auxilia os neurotransmissores envolvidos na produção de melatonina, além de promover relaxamento e um sono reparador”, afirma o Dr. Vyas. Em um estudo randomizado, com grupo de controle, envolvendo adultos que relataram problemas de sono, aqueles que tomaram suplementos com 1 grama de L-treonato de magnésio por 21 dias apresentaram melhorias significativas nos índices de sono profundo, sono REM e estado de alerta (entre outras métricas) demonstrados em seus anéis Oura, bem como melhorias subjetivas nos níveis de energia, produtividade, humor e estado de alerta mental.

Enquanto isso, o Dr. Vyas afirma que o glicinato de magnésio é bem absorvido e pode ajudar a regular o sono e promover o relaxamento. Pesquisas mostram que ele pode melhorar de forma modesta a gravidade da insônia em adultos com má qualidade do sono. As maiores melhorias surgiram naqueles com menor ingestão basal de magnésio.

Você deve tomar melatonina ou magnésio para dormir melhor?

Não existe uma opção obviamente "melhor” entre os dois. O que mais importa é o que está atrapalhando um sono de qualidade. “A melatonina tende a funcionar melhor quando o problema é o horário, pois ajuda a redefinir seu relógio biológico em vez de sedá-lo”, diz o Dr. Lu. “O magnésio costuma ser mais útil quando os problemas de sono estão ligados ao estresse, tensão física, cãibras musculares ou ansiedade leve, já que auxilia as vias de relaxamento do sistema nervoso.”

Dito isso, se você optar por tomar suplementos, é importante fazê-lo com inteligência. Os Drs. Lu e Vyas recomendam o uso de melatonina a curto prazo apenas para regularizar o ritmo circadiano após problemas relacionados ao tempo - e não como uma solução rápida para dormir todas as noites. Além disso, é importante controlar as expectativas ao tomar magnésio para auxiliar no sono. "É uma ferramenta suave que promove o relaxamento em vez de forçar o sono", diz o Dr. Lu. Ou seja: não espere milagres.

Com qualquer um dos suplementos, o Dr. Vyas recomenda optar por aqueles com o mínimo de ingredientes extras e seguir as instruções de horário e dosagem. Também é aconselhável priorizar aqueles que possuem verificações de terceiros quanto à pureza e potência. E se você estiver tomando algum medicamento, consulte seu médico primeiro para garantir que não haja contraindicações.

Por fim, vale a pena avaliar se você realmente precisa de suplementos. Antes de tomar um comprimido e achar que está tudo resolvido, reflita sobre sua rotina antes de dormir. "Por exemplo, se você fizer uma refeição pesada, beber duas taças de vinho no jantar, tomar 300 miligramas de magnésio, ficar rolando a tela do celular sem parar até meia-noite e tiver que acordar às 6h para trabalhar, esperar uma ótima noite de sono é irrealista", diz o Dr. Vyas. Em muitos casos, a pergunta certa não é qual suplemento funciona melhor. É por que você acha que precisa de algum deles.

 

 

 

 

 

Por - GQ Magazine

Homem com suspeita de ebola está internado no Brasil

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e o Ministério da Saúde investigam um caso suspeito de doença pelo vírus ebola em um paciente de 37 anos, natural da República Democrática do Congo. O homem está internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, na capital paulista, desde sábado (29).

Segundo as autoridades, o paciente viajou recentemente ao país de origem, que enfrenta um surto da doença classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como de importância internacional. Ele apresentou sintomas compatíveis com febres hemorrágicas virais, como febre intensa.

Antes de ser transferido ao Emílio Ribas, o homem foi atendido em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde teve febre alta e exames inconclusivos para malária. Ao chegar ao instituto de referência, encontrava-se em estado grave, com diarreia, desorientação e rápida piora clínica, sendo necessária intubação.

Diante dos critérios clínicos e epidemiológicos, foram adotadas as medidas previstas no Plano de Contingência Nacional, incluindo isolamento do paciente, notificação imediata, investigação laboratorial e monitoramento. O resultado para confirmar ou descartar o diagnóstico ainda não foi divulgado.

A transmissão do ebola ocorre somente após o início dos sintomas, por contato direto com sangue, secreções, fluidos corporais ou tecidos de pessoas infectadas. O período de incubação varia de dois a 21 dias.

A Secretaria Estadual de Saúde avalia o risco de introdução da doença no Brasil e na América do Sul como muito baixo, considerando a ausência histórica de transmissão autóctone no continente, a inexistência de voos diretos entre a região afetada e a América do Sul, e a forma de transmissão do vírus.

Não há vacinas licenciadas nem terapias específicas aprovadas para a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual. Vacinas e tratamentos existentes foram desenvolvidos para a cepa Zaire e não têm eficácia comprovada para essa variante.

 

 

Mortalidade materna: Brasil ainda perde centenas de mulheres por ano

O Brasil ainda perde centenas de mulheres por ano durante a gestação ou em um período de 42 dias após o fim da gravidez. 

A razão de mortalidade materna no país é de 56,4 a cada 100 mil nascidos vivos, segundo os últimos dados disponíveis, de 2024. Isso significa que, apenas neste ano, foram registrados 1.347 óbitos. A meta do país é chegar a 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030. 

Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus), consultados no Observatório da Saúde Pública. A maioria dessas mortes, nove em cada dez, é evitável, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) 

O dia 28 de maio é o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, data que tem como objetivo reforçar a importância de ações sobre a saúde das mulheres em sua integralidade e de reforçar os direitos da gestante e puérpera.  

A chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Maria Isabel Peixoto, reforça que um atendimento de qualidade oferece mais segurança à gestante. 

Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 – A chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade Escola UFRJ, Maria Isabel Peixoto posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro.Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
 A chefe da Unidade da Saúde da Mulher da Maternidade-Escola UFRJ, Maria Isabel Peixoto, destaca importância do pré-natal bem feito - Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

“A gente sabe que com um pré-natal bem feito, de qualidade, de preferência o mais precoce possível para pegar todas as variáveis, conseguimos, na grande maioria das vezes, entregar uma paciente pronta para um parto monitorizado num local com boa assistência e com um desfecho favorável”, diz.  

A unidade é referência no atendimento principalmente de casos de alto risco. “Aqui na maternidade a gente consegue fazer um trabalho de boa qualidade para perpetuar o conhecimento e dar boa assistência aos pacientes”, reforça.

As quatro principais causas de morte materna no Brasil, entre as obstétricas diretas, são as síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto. As causas obstétricas diretas são responsáveis por 66% das mortes maternas no país. 

A técnica de enfermagem Fernanda Lopes de Almeida, 41 anos, é uma das pacientes da maternidade. Grávida de 18 semanas, ela é acompanhada por causa de um quadro de hipertensão e pelo histórico de diabetes gestacional em gravidez anterior. 

Rio de Janeiro (RJ), 26/05/2026 – A grávida que faz tratamento na Maternidade Escola UFRJ, Fernanda Lopes de Almeida posa para foto na instituição, na zona sul do Rio de Janeiro.Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Fernanda Lopes de Almeida é acompanhada na Maternidade-Escola UFRJ - Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Na maternidade, foi orientada a mudar os hábitos de alimentação, fez exames e faz acompanhamento constante. “Sou muito bem atendida, me sinto segura”, diz. “Foi difícil essa adaptação [da alimentação] e até a conscientização. Agora, acho que estou curtindo bem melhor a gestação, uma fase mais tranquila”.

Equipe múltipla

Além dos médicos, uma equipe de diferentes profissionais é importante para garantir o atendimento adequado às mulheres, defende o enfermeiro obstétrico Renné Costa, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). 

“A gente precisa acreditar muito na multidisciplinaridade das profissões. Cada uma no seu quadrado, cada uma fazendo o seu papel, mas todo mundo centrado nos objetivos que, nesse caso , são a mãe e o bebê”.

Renné Costa diz que tem assistido e participado de muitas experiências positivas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). 

Como enfermeiro obstétrico, Renné Costa já fez mais de 5 mil partos desde 2009, a maioria no Hospital Municipal de Viçosa, em Alagoas. Com pouco mais de 26 mil habitantes, Viçosa é referência nessa área para mais nove municípios alagoanos.

Rio de Janeiro (RJ), 27/05/2026 – A mortalidade materna no Brasil está muito diferente do que foi há 20 anos. E a mudança foi para melhor. A análise é do enfermeiro obstétrico Renné Costa, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).Formação de enfermeiros obstétricos contribui para redução da mortandade materna.Foto: Renné Costa/Arquivo pessoal
Para Renné Costa, formação de enfermeiros contribui para redução da mortandade materna - Foto Renné Costa/Arquivo Pessoal

Quando ele chegou ao Hospital Municipal de Viçosa, eram realizados no local entre 80 e 90 partos por ano. “Depois do meu trabalho lá, a gente passou a fazer 600 partos por ano”. O enfermeiro atribui essa expansão à autonomia dada à enfermagem, ao enfermeiro obstétrico, que pode assistir ao parto de baixo risco amparado pela Lei 7.498 de 1986, a lei do exercício profissional da enfermagem.

Ele defendeu que experiências como essa deveriam ser multiplicadas pelo Brasil. Nos mais de 5 mil partos que realizou, Renné Costa não perdeu nenhuma criança e nenhuma mulher.

Acompanhamento após o parto 

Rio de Janeiro (RJ), 27/05/2026 – Dra. Inessa Bonomi, A fase pós-parto, chamada puerpério, é uma parte nevrálgica dentro da questão da mortalidade materna, afirmou à Agência Brasil a ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi.Foto: PlayP/Divulgação
A médica Inessa Bonomi lembra que a fase pós-parto, chamada puerpério, é muito importante na questão da mortalidade materna - Foto PlayP/Divulgação

A ginecologista e obstetra Inessa Beraldo de Andrade Bonomi, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Gestação de Alto Risco da Federação Brasileira das Associaçaões de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), ressalta que o acompanhamento após o parto é também chave para a redução da mortalidade materna. 

“A mulher vai para casa e, muitas vezes, ela acaba sendo menos olhada pelos serviços da rede de saúde e também pela família”, diz. 

O olhar um pouco menos atento para essa mãe pode fazer com que sinais de risco sejam percebidos tardiamente. Essas complicações que surgem no período do puerpério muitas vezes se agravam, se complicam.

A ginecologista e obstetra assegura que os sinais de alerta no pós-parto, no puerpério, não podem ser naturalizados. Entre esses sinais estão sangramento vaginal além do habitual, febre, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça intensa e que não passa com o uso de analgésico, alteração visual (escotomas ou pontinhos de luz que a paciente passa a enxergar), pressão que permanece alta e se mantém com picos hipertensivos.

A recomendação da especialista é que essas pacientes voltem mais precocemente para a consulta puerperal. Nos primeiros sete dias e, no máximo, dez, elas devem retornar ao centro de saúde ou ao consultório do ginecologista e obstetra para que sejam avaliadas e se consiga fazer um acompanhamento das condições clínicas pré-existentes que elas têm.

A Febrasgo ressalta que um ponto que não pode ficar fora do acompanhamento puerperal é a saúde mental. O sofrimento psíquico no pós-parto pode se manifestar de várias formas: com tristeza intensa, ansiedade, insônia, medo de cuidar do bebê, sensação de incapacidade, exaustão extrema e dificuldade de vínculo com o recém-nascido.

Em casos mais graves, podem surgir ideias de autoagressão, risco de violência contra si mesma ou contra o bebê e sintomas psicóticos, situações que exigem atenção imediata. Segundo Inessa Bonomi, olhar para a saúde mental é essencial para prevenir desfechos graves no puerpério.

Rede Alyne 

No âmbito federal, em 2024, o governo federal lançou programa para reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027. Em relação a mulheres pretas, a intenção é reduzir a mortalidade em 50% no mesmo período. Chamado de Rede Alyne, a iniciativa é uma reestruturação da antiga Rede Cegonha, de cuidados a gestantes e bebês na rede pública.

A iniciativa homenageia a jovem negra Alyne Pimentel, que morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, por falta de atendimento adequado na rede pública de saúde do município de Belford Roxo (RJ), em 2002. Alyne também era mãe de uma criança de 5 anos. 

Rio de Janeiro (RJ), 12/09/2024 - Alyne Pimentel morreu aos 28 anos, grávida de 6 meses, por negligência médica. Foto: Reprodução/Centro Brasileiro de Estudos da Saúde
Alyne Pimentel morreu aos 28 anos, grávida de seis meses, por negligência médica - Foto Reprodução/Centro Brasileiro de Estudos da Saúde

A meta da Rede Alyne é beneficiar mulheres com cuidado humanizado e integral, observando as desigualdades étnico-raciais e regionais. 

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil