A maioria dos "ratos de academia" consegue se lembrar de uma vez em que passou do limite. Talvez tenha sido uma sessão excessiva de musculação ou alguns quilômetros a mais em um treino longo de corrida, resultando em dor no joelho ou na lombar, rigidez nas articulações ou dores musculares.
Faça isso uma vez e você vai sentir por alguns dias. Faça isso com frequência e pode acabar enfrentando um problema de saúde muito mais sério.
Qualquer pessoa que já treinou pesado sabe como é ultrapassar os próprios limites, exagerar, treinar demais. Mas, se você permanecer nessa zona do “excesso” por mais tempo, isso pode levar a uma condição médica chamada síndrome do overtraining, ou OTS (na sigla em inglês).
— Todo treino é pensado para desafiar o corpo a se adaptar e melhorar — diz David S. Gazzaniga, cirurgião ortopedista e chefe da divisão de medicina esportiva do Hoag Orthopedic Institute, no Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Mas sobrecarregar o corpo sem descanso e recuperação suficientes pode virar seu progresso de cabeça para baixo.
Em vez de ganhos, sua força geral e seu desempenho começam a cair, “afetando tanto a saúde mental quanto a física”, afirma o especialista. Vai muito além das panturrilhas reclamando quando você tenta descer a escada na manhã seguinte.
Há inúmeros benefícios comprovados em ser dedicado e se esforçar nos treinos. Mas a OTS não se desenvolve a partir de um único treino intenso. Ela surge da repetição e é cumulativa.
A síndrome pode desregular funções normais do corpo, causando desequilíbrios hormonais, supressão do sistema imunológico, degradação do tecido muscular ou até danos aos rins. A OTS também pode deixá-lo mais suscetível a fraturas por estresse, tendinites crônicas e outras lesões por uso excessivo, todas capazes de afastar você dos treinos por meses.
Outros sintomas podem incluir dores de cabeça, desorientação, irregularidade no funcionamento intestinal e, nas mulheres, ciclos menstruais irregulares, afirma Colin Robertson, cientista do exercício e da nutrição do Reino Unido, que já trabalhou com membros da equipe britânica em quatro Olimpíadas de verão.
— Ir à academia e se destruir por 45 minutos, seis dias por semana, sem descanso, já não promove adaptação alguma. Você só está impondo estresse negativo demais ao seu organismo, é dibilitante — diz Robertson.
Levantar dados sólidos sobre quantas pessoas vivenciam a OTS é um desafio, afirma Jason Lake, cirurgião ortopedista da OrthoArizona, em Gilbert, no Arizona, EUA:
— Não há estudos robustos e em larga escala suficientes para citar uma taxa de prevalência precisa.
Mas médicos dizem que estão vendo mais casos, e muitos acabam não sendo relatados ou são confundidos com outras condições.
— Observamos padrões consistentes mostrando que atletas de endurance e pessoas que treinam em volumes ou intensidades elevados têm maior risco de OTS — diz Jillian Kleiner, fisioterapeuta licenciada da Hinge Health, em Denver, nos EUA.
Como identificar a síndrome
Para Hannah M. Le, de 27 anos, o caminho até a OTS começou com networking. Ela se exercitava duas vezes por dia em outubro de 2024 para maximizar o valor da mensalidade da academia e encontrar formas de divulgar seu negócio de venda de elásticos de cabelo. Le achava que o melhor lugar para conhecer pessoas do seu público-alvo — mulheres que querem um elástrico que aguente treinos pesados — era a academia.
— Eu tinha acabado de me mudar para Nova York e tinha menos de um ano para tornar minha empresa lucrativa e conseguir me sustentar. Eu estava em modo total de sobrevivência — conta.
Em três meses, o plano começou a dar errado. Le passou a sacrificar o sono para ir à academia, eliminou os dias de descanso e reduziu o tempo de recuperação a zero. Ao acompanhar seus indicadores de saúde por seis meses, percebeu que a variabilidade da frequência cardíaca — o tempo entre um batimento e outro — ficava oscilando constantemente. Foi o primeiro sinal de que algo estava errado. Pouco depois, veio o diagnóstico de OTS.
— A pior parte era a dor. Tantos nódulos intensos (no meu corpo) que nem massagistas conseguiam dar conta — fala.
Geralmente, tudo começa com fadiga, diz Kleiner. Você pode se sentir esgotado, sem conseguir se recuperar dos treinos como de costume e até temendo os próximos.
— Outros sinais de alerta da OTS incluem dor muscular persistente, queda de força ou velocidade, sono ruim, alterações de humor, ansiedade, depressão, aumento da inflamação e doenças recorrentes ou enfraquecimento do sistema imunológico — afirma.
A dor muscular pós-treino costuma atingir o pico entre 24 e 72 horas após o exercício e deve desaparecer em cerca de uma semana.
— Se ela durar mais do que isso, mesmo em repouso, pode ser um sinal de alerta para overtraining — diz Kleiner.
Descanso para os exaustos
A recuperação é essencial para um programa de exercícios bem-sucedido, seja para voltar à forma ou manter o nível atual de condicionamento físico.
— É nessa fase de descanso que você obtém os ganhos. E o sono é a estratégia de recuperação mais eficiente que existe — diz Lake.
Mas descanso não significa apenas dormir de sete a oito horas por noite. Tampouco equivale à inatividade total, complementa Kleiner:
— Movimentos leves, como ioga, alongamentos ou caminhadas, podem ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo e a mobilidade sem sobrecarregar o organismo.
Também é inteligente usar esse tipo de recuperação ativa para recarregar a mente antes de voltar a treinos mais estruturados ou rigorosos, afirma.
O primeiro passo para evitar e se recuperar da OTS começa no cérebro, diz Kleiner, ao adotar uma abordagem mais equilibrada em relação à atividade física.
— O objetivo é encontrar o ponto ideal de movimento. O lugar em que você está fazendo a quantidade certa de atividade para o seu corpo. O exercício ou a atividade são desafiadores, mas possíveis —afirma.
Em seguida, diversifique sua rotina, recomenda Gazzaniga. Sim, você pode estar correndo sempre a mesma distância ou nadando aquelas mesmas voltas na piscina a cada dois dias há uma década. Mas variar os estímulos só tende a melhorar seu bem-estar geral.
Le encontrou esse equilíbrio ao voltar a fazer apenas um treino por dia, em vez de dois.
— Também passei a focar em exercícios de força que me permitam praticar outras atividades de que realmente gosto, como esqui, golfe e trilhas — conta.
O treino cruzado é o segredo para prevenir a OTS e lesões por uso excessivo, diz Gazzaniga. Exercícios que envolvem fortalecimento isométrico, como ioga ou tai chi, podem ser especialmente úteis, sobretudo para pessoas mais velhas.
Se o seu objetivo com a atividade física é a longevidade, o essencial é reconhecer quando você está exagerando — e entender que descansar é o caminho certo a seguir.
Por - O Globo
Tradição na virada do ano, a queima de fogos de artifício traz prejuízos a parte da população mais sensível aos ruídos causados pelo estouro dos artefatos. Entre elas, idosos, crianças e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O neuropediatra e professor da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Anderson Nitsche, explica que os efeitos dos fogos nos autistas podem ir além da hora da virada. 

“As crianças e pessoas autistas têm uma sensibilidade maior ao som e isso causa uma perturbação momentânea, mas que pode até durar por mais tempo, gerando sofrimento de insônia durante alguns dias”, afirma o professor.
Diante do barulho intenso, pessoas no espectro autista podem entrar no que é chamado de crise sensorial, em que o estímulo gera alterações de comportamento que vão desde ansiedade e vontade de fugir daquele meio, até agressividade contra si ou demais pessoas que estão ao redor.
A neurologista e diretora clínica do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba), Vanessa Rizelio, explica que as pessoas que têm TEA não conseguem processar que aquele ruído alto, por um período prolongado, é um momento de celebração - uma vez que, para eles, promove uma sensação desagradável que não é bem processada pelo cérebro.
“O cérebro deles entende como uma coisa negativa, algo que está gerando um desconforto e a reação vai ser sair daquela situação. Muitas vezes, isso se vai manifestar como ansiedade, irritabilidade, fora o prejuízo depois no sono que pode impactar até o dia seguinte”, destaca Vanessa.
Fundadora da Associação de Neurologia do Estado do Rio de Janeiro (ANERJ), a neuropediatra Solange Vianna Dultra, aponta outros efeitos que a queima de fogos pode desencadear no organismo dessas pessoas.
“O coração dá uma descarga de adrenalina, acelera, a pressão sobe. Eles não conseguem entender que é uma festa. É como se estivessem no meio de um tiroteio. Algumas pessoas se desregulam até na hora de recreio na escola por causa do barulho”, explicou a especialista.
Alternativas
Algumas cidades brasileiras já começaram a rever a prática da queima de fogos na virada do ano em celebrações públicas e há legislações específicas proibindo artefatos com barulho. A adoção de fogos sem estampido, espetáculos de luzes e apresentações com drones são alternativas para preservar o simbolismo das celebrações, sem impor um custo sensorial a parte da população.
A psicóloga com especializações em neuropsicologia e em saúde mental, Ana Maria Nascimento, acredita que essas alternativas mantêm o caráter coletivo da festa e ampliam o direito à participação. Em um contexto em que já existem soluções ao barulho, ela defende que insistir no uso de fogos ruidosos "parece um gesto de indiferença".
“Celebrar pressupõe convivência. Quando a alegria de uns depende do sofrimento de outros, é legítimo questionar se essa tradição ainda faz sentido”.
A neuropediatra Solange Vianna destaca que o sofrimento causado pelo ruído dos fogos não é só para a criança autista, mas para toda a família. Ela ressalta que, no caso de fogos silenciosos, a luminosidade não é um problema, porque basta a família manter a criança com TEA longe de janelas.
O professor da PUC-PR também ressalta a necessidade de a sociedade olhar para a questão com mais empatia, adaptando tradições para promover a inclusão dessas pessoas nas festividades.
“Acolher, entender e perceber que há pessoas que sofrem com determinadas tradições é tão importante quanto as próprias vivências”, aponta Anderson Nitsche.
De acordo com Nitsche, o autismo tem uma prevalência mundial em torno de 3% da população. Nem todos os autistas têm alterações sensoriais, auditivas. Para o especialista, empatia é a palavra-chave para a questão. “O processo de inclusão passa pela ideia de entender que há pessoas que são diferentes da gente e que, muitas vezes, a minha liberdade fere a liberdade do outro e gera nelas um sofrimento desnecessário”.
Idosos e crianças
Os idosos são outro grupo que sofre o impacto dos ruídos intensos, especialmente aqueles com demência, uma vez que têm dificuldade no processamento das informações. De acordo com Vanessa, o idoso com demência pode entrar em surto de delírios e alucinações diante da queima de fogos, prejudicando também o sono, a memória e o raciocínio para o dia seguinte.
Os bebês também são afetados de maneira negativa, uma vez que têm uma necessidade de dormir por períodos mais longos do que crianças mais velhas e adultos.
“Se o bebê passa a ser despertado por esse ruído ou não consegue adormecer, isso traz prejuízos. Porque os fogos começam a ser soltados muitas horas antes e o ruído vai gradualmente aumentando até chegar ao ápice, à meia-noite", lembra Vanessa.
Nesses casos, o uso no ambiente de outros sons, como ruído branco, ou de abafadores, para crianças maiores, pode minimizar esse impacto.
Vanessa Rizelio critica que, embora em muitas cidades brasileiras esteja proibida a venda de fogos de artifício, não há uma fiscalização de fato.
“Em Curitiba, por exemplo, essa lei já está em vigência há mais de cinco anos e nós continuamos ouvindo muitos fogos de artifício com barulhos intensos sendo soltos em comemorações, principalmente no ano novo”. Ela defende mais rigor para “minimizar o impacto de um comportamento humano que já deveria ter sido mudado há muito tempo”, afirma.
por - Agência Brasil
As confraternizações de fim de ano, o Natal e o Ano Novo são momentos convidativos para muita gente brindar com álcool. Para tentar fugir da ressaca, diversos remédios prometem efeitos protetores. Mas será que eles funcionam mesmo?
O hepatologista e professor titular de gastro-hepatologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia, Raymundo Paraná, explica que apenas um produto lançado em 2022, no Reino Unido, com o nome de Myrkl atua metabolizando o álcool ainda no intestino e diminuindo sua absorção.
O medicamento transforma o álcool em água e dióxido de carbono, em vez de acetaldeído, substância tóxica associada aos sintomas da ressaca. O Myrkl é feito à base de probióticos, especificamente Bacillus subtilis e B. coagulans.
“A bactéria do intestino passa a se alimentar do álcool e diminui a absorção. Esse produto não está amplamente disponível ainda, mas é a única proposta que existe”, diz Paraná.
O principal estudo sobre este produto, publicado na revista científica Nutrition and Metabolic Insights, mostrou uma redução da absorção de álcool no sangue de aproximadamente 70%, após 1 semana de suplementação, mas não avaliou diretamente os sintomas característicos da ressaca. O estudo teve uma amostra de apenas 24 participantes e avaliou apenas os efeitos de curto prazo, segundo a biomédica e pesquisadora sênior do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA) Marilia dos Reis Antunes.
Outros produtos, como Engov, Epocler e Sal de Fruta, não podem ser usados para “curar” a ressaca, nem aceleram a eliminação do álcool ou interferem em seu metabolismo, segundo especialistas ouvidos pelo g1 (veja abaixo o que esperar desses medicamentos).
Alguns atuam aliviando sintomas isolados, como dor de cabeça, azia, enjoo e indisposição. Ainda assim, esses remédios podem, em alguns casos, trazer complicações. Eles também não mascaram sinais de intoxicação.
A ressaca é multifatorial e envolve o metabolismo do álcool, a resposta inflamatória, alterações hormonais, distúrbios do sono e alterações da glicose. Por isso, um comprimido isolado raramente resolve tudo.
“Não há ‘antídoto’ comprovado que previna ou reverta a ressaca como um todo. Foque em prevenção”, destaca a endocrinologista e professora da pós-graduação em Endocrinologia Clínica da EPM-Unifesp Carolina Castro Porto Silva Janovsky.
Comer antes, beber devagar e se hidratar
A recomendação geral é beber devagar e sempre comer antes da ingestão de álcool. Dessa forma, o indivíduo não absorve o álcool de uma vez só. Além disso, manter a hidratação e dormir bem também ajudam na recuperação do organismo.
“Quando a gente come primeiro a gente evita a hipoglicemia que dá um grande mal-estar e pode ser induzida pelo álcool, porque, o álcool diminui os estoques de glicogênio, que é uma espécie de armário para onde o fígado repõe glicose para o corpo”, explica Paraná.
Engov, Epocler, sal de fruta e afins
ENGOV
O Engov contém ácido acetilsalicílico (AAS), cafeína, antiácido (hidróxido de alumínio) e o anti-histamínico mepiramina.
Como pode ajudar:
- O AAS (150 mg) é analgésico e anti-inflamatório e pode aliviar a dor de cabeça;
- A cafeína (50 mg) é estimulante e pode reduzir a sonolência e a sensação de fadiga;
- O hidróxido de alumínio (150 mg) é antiácido e pode aliviar azia e queimação;
- A mepiramina (15 mg) é um anti-histamínico de primeira geração, com leve efeito antiemético e sedativo.
Esse medicamento não acelera o metabolismo do álcool nem “desintoxica” o fígado. Ele age sobre sintomas relacionados aos efeitos do álcool.
Quais os efeitos indesejados possíveis:
- O uso de AAS com álcool aumenta a irritação da mucosa gástrica e eleva o risco de sangramento gastrointestinal. A própria bula alerta que os efeitos gástricos do AAS podem ser potencializados pelo álcool;
- O hidróxido de alumínio pode interferir na absorção de outros fármacos (como digoxina, quinolonas e tetraciclinas). Por isso, o ideal é espaçar de duas a quatro horas a ingestão do medicamento;
- A mepiramina pode causar sonolência, o que exige cautela para dirigir ou operar máquinas.
Alertas do fabricante:
- A recomendação é tomar de um a quatro comprimidos por dia, respeitando o limite máximo diário de quatro comprimidos. O uso deve seguir rigorosamente as orientações da bula. Em caso de dúvidas, o consumidor deve consultar um farmacêutico.
EPOCLER
O Epocler contém citrato de colina 100 mg/mL, betaína 50 mg/mL e racemetionina 10 mg/mL. Esses elementos são nutrientes envolvidos no metabolismo hepático de gorduras e da bile.
A indicação em bula é de “auxiliar no tratamento de distúrbios do fígado”, mas o produto não tem função de proteção hepática nem de combate aos sintomas da ressaca, segundo Raymundo Paraná.
Para a ressaca, não há evidência clínica robusta de benefício em ensaios controlados. Os estudos sobre “curas de ressaca” em geral são pequenos e de baixa qualidade.
A bula não descreve interações relevantes. Em doses usuais, o produto não é considerado hepatotóxico, mas também não há evidência de que “proteja” o fígado após excessos agudos de álcool.
Alertas do fabricante:
A recomendação é ingerir um flaconete até três vezes ao dia, preferencialmente antes das principais refeições, respeitando o limite máximo diário de três flaconetes.
SAL DE FRUTAS
O sal de frutas, como o ENO, contém bicarbonato de sódio, carbonato de sódio e ácido cítrico.
Como pode ajudar:
- O antiácido efervescente neutraliza rapidamente o ácido do estômago, ajudando a aliviar azia e indigestão no dia seguinte.
Quais os efeitos indesejados possíveis:
- Pode agravar a retenção de líquidos e a pressão alta em pessoas com hipertensão, insuficiência cardíaca ou doença renal. O uso frequente deve ser evitado nesses casos, segundo médicos ouvidos pelo g1. O uso frequente deve ser evitado nesses casos.
Alertas do fabricante:
- A bula informa que o medicamento não deve ser usado por pessoas com pressão alta, problemas no fígado, coração, ou rins, ou se seguir uma dieta restrita em sódio.
- A dose máxima diária recomendada é de dois envelopes ou duas colheres de chá a cada 24 horas.
- O medicamento não deve ser utilizado por mais de 14 dias seguidos, por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista e por menores de 12 anos.
Paracetamol com álcool exige cautela
Janovsky alerta que o paracetamol também costuma ser usado para a ressaca, mas seu uso associado ao álcool pode aumentar a toxicidade hepática. A recomendação é de cautela, especialmente em pessoas que ingerem mais de três drinques no dia ou beberam em excesso na véspera.
“Não associe remédios a resquícios de álcool no sangue. Leia a bula e, em caso de doenças gástricas, renais ou hepáticas, converse com seu médico. No caso de AAS e anti-inflamatórios, o álcool aumenta o risco de sangramento”, alerta Janovsky.
O risco de interação do álcool com medicamentos e energéticos
Nesse período de festas, as pessoas usam mais o álcool, assim como outras substâncias, e o álcool pode ter interações com elas, inclusive com medicamentos.
Paraná alerta que pacientes que têm arritmias cardíacas, por exemplo, podem piorar bastante com o álcool.
Além disso, o álcool com energético é uma péssima combinação, segundo o médico.
‘O energético pode causar ataque arritmia, assim como o álcool. Isso pode levar o paciente a uma hospitalização, inclusive”, reforça o hepatologista.
Diferenças individuais influenciam a ressaca
Mulheres tendem a apresentar maior concentração de álcool no sangue com a mesma dose ingerida, devido a menor quantidade de água corporal e diferenças enzimáticas. Em parte dos estudos, elas relatam mais náusea e cansaço.
Com o envelhecimento, há redução da água corporal e, em média, eliminação mais lenta do álcool, o que eleva o pico alcoólico e aumenta a suscetibilidade a quedas e interações medicamentosas.
O que é a ressaca e como o álcool age no corpo
A ressaca é uma intoxicação causada por um metabólito do álcool - o acetaldeído. O álcool entra no organismo, é metabolizado no estômago pela enzima álcool desidrogenase (ADH) gástrica. Depois, ele vai para o fígado, onde é metabolizado e forma o acetaldeído.
Algumas pessoas fazem isso muito rápido e que outras. E dependendo da quantidade de álcool e da maneira com que o indivíduo metaboliza, o acetaldeído pode se acumular.
O acetaldeído é justamente o que causa o mal-estar, a desidratação celular e a sensação de sede.
O álcool também causa a depressão dos estoques de glicogênio no fígado. Por isso que dá vontade de comer doce após o seu consumo.
O período de desintoxicação demora aproximadamente de seis a 12 horas. “Não há nada que possa ser feito nesse período para encurtar isso. Apenas hidratar e se alimentar”, explica Paraná.
“Não há tratamento e nem cura milagrosa para a ressaca. A melhor alternativa para evitar os prejuízos associados ao consumo abusivo de álcool e à ressaca é a abstenção ou o consumo moderado”, complementa Antunes.
Por - G1
A onda de calor que afeta diversos estados do país neste final de ano, em especial as regiões Sudeste e Centro-Oeste, traz riscos reais à saúde. O calor pode levar à falência térmica do corpo, com sintomas como confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40º C.

O risco de morte é maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão, além de Alzheimer e insuficiência renal. Para evitar que o corpo sofra com o calor, é necessário tomar alguns cuidados.
Confira algumas recomendações:
- Reforce a hidratação. Beba mais água e evite bebidas alcoólicas. Em vez de aliviar o calor, o álcool acelera a desidratação;
- use roupas com tecidos respiráveis. Roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação;
- tenha cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor.
Cuidados em casa:
- Sempre que possível, proteja a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as horas mais quentes e abra de noite para refrescar;
- use ventiladores e aparelhos de ar condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para não causar choque térmico.
Fora de casa:
- Antes de planejar suas atividades, procure saber quão quente e úmido será o dia;
- não saia durante os horários mais quentes;
- quando estiver ao livre, use protetor solar, chapéus e guarda-chuvas;
- evite permanecer em ambientes fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais intenso do que ao ar livre.
- saiba como obter ajuda, anote telefones e informações sobre o serviço de saúde ou de ambulância – para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), ligue 192.
Por - Agência Brasil
O consumo de bebidas alcoólicas tende a aumentar no período de festas de fim de ano, impulsionado por confraternizações e celebrações familiares. Para a psiquiatra Alessandra Diehl, membro do conselho consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abad), esse consumo potencializa os riscos à saúde física e mental e traz prejuízos para as relações sociais.

A especialista destaca que não existe consumo seguro de álcool. Ela lembra que documentos recentes, ratificados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), reforçam que qualquer quantidade ingerida pode trazer prejuízos.
“Entre os principais problemas observados nesse período estão quedas, intoxicações e a redução da supervisão de crianças em ambientes com adultos alcoolizados”, diz.
“É muito comum que nessa época os pronto-atendimentos pediátricos recebam casos de crianças que ingerem bebida alcoólica porque os adultos não supervisionam adequadamente”, complementa.
A psiquiatra destaca ainda o aumento de episódios de agressividade e o risco da mistura com medicamentos.
“A pessoa vai perdendo o juízo crítico e acaba se colocando em situações de risco, como dirigir intoxicado, além do aumento da agressividade e de conflitos familiares”, diz Alessandra.
Para quem já enfrenta problemas com álcool, o fim de ano representa um período especialmente delicado, com maior risco de recaídas.
“É um período em que a bebida é ofertada grandemente, e a nossa cultura faz uma glamourização muito forte do álcool, o que aumenta a vulnerabilidade de quem está em recuperação”, alerta.
“A bebida não pode ser a protagonista das festas. Quando a gente glamouriza o álcool, isso pode ser um gatilho para pessoas emocionalmente vulneráveis”, complementa.
A psiquiatra também chama atenção para os impactos na saúde mental. Segundo ela, muitas pessoas recorrem ao álcool como forma de lidar com tristeza, ansiedade e frustrações comuns nessa época do ano.
“O álcool acaba sendo usado como uma anestesia para lidar com esse mal-estar, mas isso pode piorar sintomas de ansiedade e depressão já existentes”, diz Alessandra.
Álcool e juventude
Outro ponto de preocupação é o aumento do consumo entre adolescentes. Em setembro de 2025, foi divulgado o 3º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), feito em parceria pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Enquanto a proporção de adultos que bebem diminuiu em relação aos dados anteriores, o consumo entre adolescentes cresceu.
Na população adulta, a proporção de pessoas que bebem regularmente caiu de 47,7% em 2012 para 42,5% em 2023. O consumo pesado de álcool (60g ou mais em uma ocasião) aumentou entre os menores de idade, passando de 28,8% em 2012 para 34,4% em 2023.
“Não existe ‘beber com moderação’ para adolescentes. Eles não podem beber, por lei, e têm um cérebro ainda em desenvolvimento, o que pode ser impactado pelo consumo de álcool”, diz Alessandra Diehl.
A psiquiatra critica a postura de famílias que permitem ou incentivam o consumo dentro de casa.
“Dizer que é melhor o adolescente beber sob supervisão é uma fala extremamente permissiva e equivocada. A prevenção passa por uma presença familiar mais ativa e por mensagens claras de que o álcool não deve ocupar o centro das celebrações”, diz Alessandra. “É possível dizer: aqui em casa a bebida não é o principal, e você, como adolescente, não vai beber”.
por - Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu nesta terça-feira (23) o comércio e a propaganda de todos os medicamentos das marcas Bwell e Needs, controladas pelo grupo RD Saúde, mesma controladora das drograrias Raia e Drogasil.

Os produtos não podem ser vendidos nas lojas, nos sites e nem por terceiros.
De acordo com a agência reguladora, a empresa não tem autorização para produzir medicamentos.
A determinação da Anvisa vale apenas para remédios. As marcas produzem outros itens, como de higiene e beleza. Estes continuam sendo comercializados normalmente.
Em nota enviada ao site Poder360, a RD Saúde informou que “não é indústria e não produz medicamentos”, e vai recorrer da decisão.
“Os medicamentos das marcas Bwell e Needs são produzidos por indústrias farmacêuticas devidamente licenciadas e autorizadas pela Anvisa, seguindo rigorosamente as normas regulatórias aplicáveis. Os produtos das duas marcas estão devidamente registrados na agência reguladora. A empresa vai detalhar seus procedimentos em recurso administrativo a ser apresentado à Anvisa”, afirma.
Por - Agência Brasil























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