Segundo a ciência, a velocidade com que uma pessoa caminha revela muito sobre o funcionamento interno do corpo e da mente

Existem dois tipos de pessoas no mundo: as que caminham devagar e as que caminham rápido.

Esse é um dilema enfrentado diariamente por quem vive nas grandes cidades. Pode parecer um detalhe trivial — e até irritante quando se está com pressa e a pessoa à frente não acompanha o ritmo desejado —, mas a verdade é que a velocidade com que caminhamos de um ponto A a um ponto B pode revelar muito sobre o funcionamento do corpo e da mente.

De acordo com evidências científicas, pessoas que costumam caminhar mais rápido apresentam um envelhecimento menos acentuado do que aquelas que andam devagar. Além disso, pesquisas mostram que quem se desloca lentamente tende a apresentar sinais de envelhecimento cognitivo mais avançado, como pontuações mais baixas em testes de quociente de inteligência (QI), memória, velocidade de processamento, raciocínio e outras funções mentais. Exames também indicaram que essas pessoas tinham cérebros menores e uma menor quantidade de substância branca — tecido do sistema nervoso central responsável por conectar diferentes áreas do cérebro e a medula espinhal.

 

Diversas evidências

Vários estudos apontam que a velocidade da caminhada é um importante indicador da expectativa de vida em idosos. Um exemplo é uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Pittsburgh, que reuniu dados de nove estudos envolvendo mais de 34 mil adultos com 65 anos ou mais, acompanhados por períodos entre seis e 21 anos.

Os resultados mostraram uma forte associação entre a velocidade da caminhada e a longevidade. Homens de 75 anos que caminhavam mais lentamente tinham 19% de chance de viver mais dez anos. Entre aqueles que caminhavam mais rápido, essa probabilidade chegava a 87%.

Um dos estudos mais recentes sobre o tema foi publicado na revista Neurology, com o título "Associação entre função neurocognitiva, função física e velocidade da caminhada na meia-idade". Nele, pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, acompanharam ao longo da vida a função cognitiva de 904 pessoas, avaliadas aos 45 anos de idade.

Além de identificar sinais de envelhecimento acelerado nos pulmões, dentes, coração e sistema imunológico dos participantes que caminhavam mais devagar, os pesquisadores observaram que esse grupo também apresentava envelhecimento cognitivo mais avançado.

Exames de ressonância magnética revelaram alterações visíveis no cérebro dessas pessoas. Os participantes com caminhada mais lenta tinham cérebros menores, o neocórtex — camada mais externa do cérebro, responsável pelo pensamento e pelo processamento de informações complexas — mais fino e menor volume de substância branca.

Os pesquisadores também encontraram indícios de que essas diferenças já estavam presentes desde a infância. Para isso, utilizaram testes de inteligência, linguagem e habilidades motoras realizados pelos participantes quando tinham apenas três anos de idade.

Segundo Line Jee Hartmann Rasmussen, uma das pesquisadoras responsáveis pelo estudo, esse achado sugere que a velocidade da caminhada não é apenas um sinal do envelhecimento, mas também uma janela para compreender a saúde cerebral ao longo de toda a vida.

 

O que acontece no cérebro

Analisando os resultados, a neurologista Lucía Zavala explica que, na neurologia clínica, não se fala apenas do tamanho do cérebro, mas da chamada reserva estrutural e cognitiva.

"Um maior volume cerebral e um córtex preservado representam uma maior densidade de neurônios", afirma. Segundo a especialista, isso permite que o sistema nervoso suporte melhor os danos provocados por doenças neurodegenerativas ou por alterações vasculares.

Ela ressalta ainda que caminhar de forma fluida e em bom ritmo é uma tarefa motora complexa, que exige:

  • ativação coordenada de diversas áreas do cérebro;
  • interação entre o cerebelo e os gânglios da base para controlar equilíbrio, tônus muscular e automatização dos movimentos;
  • aumento do fluxo sanguíneo cerebral, entre outros mecanismos.

"Quando a velocidade da caminhada diminui precocemente, estamos observando uma manifestação inicial de alterações na conectividade cerebral", alerta.

Para Zavala, a principal contribuição desse estudo é mostrar que essa relação surge muito antes do que se imaginava.

"Os resultados sugerem que a velocidade da caminhada na vida adulta reflete, de forma acumulativa, a saúde do neurodesenvolvimento e do processo de envelhecimento ao longo de toda a vida", destaca.

A neurologista defende que a medição da velocidade da caminhada passe a fazer parte dos exames de rotina de pessoas de meia-idade, já que se trata de um biomarcador clínico de baixo custo, não invasivo e com grande capacidade de prever riscos à saúde.

Por fim, ela cita outras atividades físicas que também trazem benefícios importantes para o cérebro. Entre elas estão a dança, que exige processamento do ritmo, coordenação motora e orientação espacial ao mesmo tempo; os esportes com raquete, como tênis e padel, que estimulam o rastreamento visual, o planejamento estratégico e movimentos de alta precisão; e o treinamento de força com pesos, que melhora o metabolismo, reduz a neuroinflamação e ajuda a preservar a integridade do córtex frontal.

 

 

 

Por - O Globo

Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais alerta para prevenção

O Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, celebrado nesta terça (28), é o ponto alto da campanha nacional Julho Amarelo, destinada a promover a conscientização da população sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças. O mês foi instituído no Brasil em 2019, pela Lei nº 13.802/2019.

As hepatites virais causam uma inflamação aguda ou crônica do fígado. Elas são classificadas pelo tipo de vírus: A, B, C, D (Delta) e E. No Brasil, as hepatites mais encontradas são as causadas pelos vírus A, B e C.

A doença, na maioria das vezes, avança sem demonstrar sintomas por longos períodos. Em muitos pacientes, os sintomas são confundidos com problemas comuns do dia a dia, como fadiga, mal-estar geral e perda de apetite.

O doutor em Hepatologia pela Universidade de São Paulo (USP), diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), Adriano Moraes, detalha que, somente em fases mais avançadas, podem surgir sinais como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dor abdominal e coceira.

“O fígado sofre em silêncio. A maioria das hepatites e doenças hepáticas não causa dor nem sintomas no início. O fígado tem uma grande reserva funcional e isso explica porque ele pode sofrer inflamação por muitos anos sem produzir sintomas evidentes”, explicou o hepatologista.

As hepatites virais podem se tornar crônicas e causar complicações graves, como cirrose e câncer de fígado. No caso da hepatite B, o risco de câncer ocorre predominantemente em pacientes com cirrose.

“Esses pacientes tendem a ter maior mortalidade devido à descompensação da doença, além de boa parte desses pacientes vir a necessitar de um transplante de fígado”, detalha Adriano Moraes.

 

27/07/2026 - Dr. Adriano Moraes é hepatologista, doutor em Hepatologia pela Universidade de São Paulo; diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), coordenador do programa de Residência em clínica médica do Hospital Santa Lúcia Sul , de Brasília-DF . O mês de julho marca a campanha “Julho Amarelo”, destinada a promover conscientização da população sobre a prevenção, diagnóstico e tratamento das hepatites virais.A hepatite é uma inflamação que agride o fígado, e pode ser causada principalmente por vírus, pelo uso de alguns medicamentos, álcool em excesso e outras drogas. Foto: Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH)/Divulgação
Adriano Moraes, diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) e da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) Foto: Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH)/Divulgação

Prevenção

O alerta anual do Julho Amarelo é para realização do diagnóstico e do tratamento precoces das hepatites virais, reduzindo a inflamação e os riscos de cirrose e câncer de fígado. Os pacientes não-tratados podem evoluir em 30% a 40% para cronicidade e suas complicações ao longo da vida, de acordo com a Sociedade Brasileira de Hepatologia.

A SBH afirma à Agência Brasil que apoia e incentiva a campanha de conscientização de forma descentralizada em todo o território nacional e estimula seus médicos associados a realizarem ações diretamente em seus municípios. Além disso, a sociedade médica diz que atua como uma fonte de informação e orientação de saúde para o público geral.

As principais recomendações da sociedade científica são prevenção por meio da vacinação; testagem e cuidados comportamentais e de higiene.

A imunização varia de acordo com o tipo do vírus. A vacinação contra hepatite B é recomendada para todas as pessoas, especialmente profissionais de saúde, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, pessoas que convivem com o HIV, renais crônicos e imunodeprimidos, de uma forma geral.

Já a vacina da hepatite A está indicada em crianças, homens que fazem sexo com homens e viajantes para áreas endêmicas.

O médico Adriano Moraes enfatiza que é preciso evitar o compartilhamento de itens pessoais e perfurocortantes e fazer uso contínuo de preservativos, especialmente para proteção sexual contra hepatite B.

“Deve-se orientar uso de preservativos na prevenção da hepatite B e nunca compartilhar agulhas, seringas, alicates de unha, lâminas de barbear e escovas de dentes.”

Outra medida considerada fundamental pela entidade é a testagem para a detecção precoce das infecções virais. “Toda pessoa deve ser testada pelo menos uma vez para as hepatites B e C, especialmente, as pessoas acima dos 40 anos”, explica o especialista.

Além disso, o hepatologista defende a testagem rápida para as hepatites B e C para públicos prioritários. 

“Pessoas que já utilizaram drogas injetáveis ou inaladas, pessoas que convivem com o HIV, homens que fazem sexo com homens, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, pacientes privados de liberdade, gestantes, parceiros sexuais de pessoas com hepatite B ou C, pessoas em hemodiálise, profissionais expostos a sangue, pessoas com tatuagens e piercing e pessoas com alterações persistentes em enzimas hepáticas, por exemplo”, listou.

 

Brasília (DF) 17/10/2025 O Dia D nacional de multivacinação, mobilização voltada à atualização da caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos, no Riacho Fundo II, cidade satéite de Brasília. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Seringa de vacinação - hepatites A e B podem ser prevenidas com imunização. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Gestantes

Como as hepatites B e C podem ser transmitidas da gestante para o filho durante a gravidez ou no momento do parto, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) aponta o diagnóstico precoce, por meio de exames de sangue incluídos na rotina do pré-natal, representa uma das principais estratégias para prevenir complicações.

O presidente da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infectocontagiosas da Febrasgo, o ginecologista Regis Kreitchmann, esclarece que identificar precocemente a presença do vírus permite adotar medidas capazes de proteger tanto a gestante quanto o recém-nascido.

"São exames simples, rápidos e acessíveis. Quanto mais cedo a infecção for identificada, maiores são as possibilidades de proteger a mãe e evitar a transmissão para o bebê", ressalta o médico.

“O grande problema da transmissão vertical é que o bebê contaminado tem uma chance muito maior de desenvolver hepatite crônica, o que pode comprometer sua saúde no futuro. Por isso, prevenir essa transmissão é uma prioridade da assistência pré-natal", afirmou o Dr. Regis Kreitchmann.

Entre as hepatites que podem acometer a gestação, apenas a hepatite B possui vacina.

Principais desafios

A Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH) cita alguns dos principais gargalos no acesso ao tratamento:

  • a baixa cobertura vacinal: mesmo com a vacina contra a hepatite B disponível gratuitamente no SUS, a adesão da população continua abaixo do ideal;
  • a taxa baixa de diagnóstico;
  • o acesso limitado a exames;
  • a demora no encaminhamento de pacientes diagnosticados para um médico especialista;
  • a distância dos centros de referência no tratamento das hepatites virais;
  • as desigualdades regionais entre estados e municípios;
  • o abandono de atendimento, pela dificuldade de manter o acompanhamento contínuo de pacientes já diagnosticados, com destaque para a população privada de liberdade e usuários de drogas ilícitas.

Incidência e óbitos no Brasil

Segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025 do Ministério da Saúde, o Brasil confirmou 826.292 casos entre 2000 e 2024.

Destes, a hepatite C respondeu por 41,5% das notificações nacionais, 342.328 casos; seguida pela hepatite B (36,6%, ou 302.351 casos) e pela hepatite A (21,2%, 174.977 ocorrências).

Os demais registros do boletim são: 4.722 casos (0,6%) de hepatite D e 1.914 (0,1%) causados pelo vírus E.

No período descrito, a Região Nordeste concentrou a maior proporção das infecções pelo vírus A (29,2%). Na Região Sudeste, foram verificadas as maiores proporções dos vírus B e C, com 34,0% e 57,7%, respectivamente; enquanto na Região Sul foram 30,9% e 27,0%. Por sua vez, a Região Norte acumula 72,4% do total de casos de hepatite D (ou Delta).

No período de 2000 a 2024, foram identificados no Brasil, pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), 49.999 óbitos por causas básicas e 45.959 óbitos por causas associadas às hepatites virais dos tipos A, B, C e D.

Desses óbitos, 1,5% foram relacionados à hepatite viral A; 22,0%, à hepatite B; 75,3%, à hepatite C; e 0,9%, à hepatite D.

Sobre as hepatites A, B, C e E

Cada tipo de hepatite tem suas próprias formas de transmissão, sintomas e tratamentos.

As hepatites A e E, geralmente, são transmitidas por meio de alimentos ou água contaminados, via conhecida como fecal/oral, e mais raramente pela via sanguínea. Ressalta-se, entretanto, o aumento do número de casos de hepatites A por meio de práticas sexuais que viabilizam o contato fecal oral.

Por sua vez, as infecções dos tipos B, C e D são transmitidas pelo contato com fluidos corporais infectados, como sangue, incluindo relações sexuais desprotegidas e, também da mãe para o filho, durante a gestação.

Para mais informações, o Ministério da Saúde disponibiliza o Guia para Eliminação das Hepatites Virais, documento com diretrizes e estratégias que visam à erradicação das hepatites virais no Brasil até 2030.

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Remédio injetável que previne HIV pode entrar no SUS até o fim o ano

O Sistema Único de Saúde (SUS) pode começar a oferecer ainda este ano uma nova forma de profilaxia pré-exposição (PreP), aplicada por injeção, para a prevenção do HIV. Trata-se do medicamento cabotegravir, que impede a replicação do vírus de forma prolongada e pode ser tomado a cada dois meses. 

O pedido de inclusão vai ser encaminhado pelo Ministério da Saúde à Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) na semana que vem. A Conitec é um colegiado independente que precisa avaliar aspectos como o custo-benefício da oferta de novos tratamentos pelos serviços públicos, antes que eles sejam incluídos no rol do SUS. 

A comissão pode recomendar ou não a inclusão, mas a decisão final cabe ao Ministério. De acordo com o Ministro da Saúde Alexandre Padilha, o governo ainda está negociando com a farmacêutica GSK, produtora do cabontegravir, o custo final do medicamento e quantas doses serão compradas, mas a empresa fez uma oferta com “preço adequado”. 

“Nós vemos com muita esperança as novas tecnologias de proteção prolongada, mas exigimos que elas sejam oferecidas, sobretudo aos sistemas nacionais de saúde, com os preços adequados, não preços estratosféricos”, declarou o ministro em uma coletiva de imprensa antes da abertura do 26ª Conferência Internacional de Aids, no Rio de Janeiro.  

Lenacapavir

Ainda segundo Padilha, esse custo foi determinante para escolha da PreP injetável que o governo pretende oferecer. Um outro medicamento, chamado lenacapavir, concede proteção ainda mais prolongada, por seis meses, mas foi ofertado por um valor inviável, disse o ministro.  

“Mesmo o Brasil se dispondo a pagar até 10 vezes o valor que foi oferecido a países similares ao nosso, como Indonésia e Tailândia, a indústria ainda disse que não pode oferecer para o sistema nacional público com esse valor. Então nós não pagaremos. Não vamos drenar o recurso dos impostos dos cidadãos brasileiros pelo interesse de lucro de uma empresa”

Apesar de ter sido um dos países onde o medicamento foi testado, o Brasil ficou de fora do acordo de licenciamento voluntário assinado pela farmacêutica Gilead, que autorizou seis empresas a produzirem versões genéricas do lenacapavir para distribuição em 120 países. 

A medida foi criticada por outros participantes da Conferência, incluindo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (Unaids), porque o lenacapavir é considerado peça central para o fim da epidemia de Aids, e as organizações envolvidas com o tema defendem que o acesso ao medicamento seja ampliado em todo o mundo. 

A farmacêutica declarou em nota que compartilha a urgência de ampliar o acesso ao lenacapavir em toda a América Latina e o Caribe, mas que “para os países fora do território de licenciamento voluntário, como o Brasil, continua buscando caminhos sustentáveis de acesso de longo prazo, alinhados às condições do mercado local e às prioridades de saúde pública”

Ainda de acordo com a nota divulgada pela Gilead após as declarações dadas no evento, “o Brasil é uma das prioridades entre os países avaliados como potenciais parceiros de Fabricação”. Por isso a farmacêutica assinou um memorando de entendimento com a Fundação Oswaldo Cruz, “para explorar potenciais oportunidades de transferência de tecnologia que possam apoiar o acesso no Brasil e em toda a região.”

PreP oral

O Sistema Único de Saúde já oferece a PreP, mas em versão oral, sob a forma de comprimidos que precisam ser tomados diariamente. Mais de 350 mil pessoas já tiveram acesso ao medicamento que também tem eficácia comprovada.

A principal vantagem da Prep injetável sobre a versão oral é a adesão ao tratamento, já que os comprimidos precisam ser tomados todos os dias para garantir seu efeito. Estudo da Fiocruz, feito com 1,4 mil pessoas, em seis cidades brasileiras, mostrou que 83% delas preferiram a injeção. 

Além disso, 94% dos participantes compareceram ao serviço de saúde para tomar as injeções no prazo correto, o que garantiu que elas permanecessem protegidas ao longo do tratamento. Nenhum deles foi infectado pelo vírus.

Outro estudo de vida real divulgado pelas farmacêuticas ViiV Healthcare  e GSK, que desenvolveram o medicamento, demonstrou alta eficácia, com taxa anual de infecção pelo HIV de apenas 0,1%.

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Como se comunicar com alguém com demência

Já que a doença de Alzheimer foi tema das últimas colunas, achei importante fechar essa série tratando dos desafios de comunicação com alguém com demência.

Esse é um processo desgastante, ao longo do qual cuidadores e familiares se encontram, muitas vezes, à beira da exaustão. Para quem lida com a situação cotidianamente, escrevi uma coluna cujo link pode ser acessado aqui. No entanto, mesmo quem não convive diariamente com a pessoa tem como aperfeiçoar sua capacidade de aproximação.

É comum que o paciente alterne um estado de apatia e desinteresse com momentos ativos. Que repita perguntas, que esqueça fatos recentes, que confunda a identidade de pessoas próximas. Levei uma tia querida à festa de aniversário de sua prima, que completava 90 anos, e ela perguntou diversas vezes se o bolo era para ela.

Também queria saber de um outro primo, já falecido, e, embora tivesse sido avisada na ocasião sobre sua morte, surpreendeu-se com a notícia. Enganos à parte, divertiu-se bastante, o que mostra que demência não precisa ser sinônimo de isolamento. Aqui estão algumas sugestões para esse exercício de paciência e empatia.

 

  1. Apresente-se: a melhor maneira de começar a falar com alguém com demência é se apresentando. Essa etapa pode não ser necessária se a enfermidade estiver em estágio inicial ou intermediário, mas, se houver qualquer dúvida se a pessoa irá reconhecê-lo, diga seu nome e explique como vocês se conhecem – por exemplo, a relação de parentesco. E não se aborreça se depois seu nome for substituído por outro.
  2. Escolha o momento certo para a visita: pessoas com demência apresentam um quadro de perda de memória, mas ainda se beneficiam da consistência de uma rotina – ter um padrão previsível para o dia pode ser reconfortante. Para não afetar a agenda, verifique com os cuidadores o horário conveniente para uma visita. Além disso, muitos pacientes com Alzheimer enfrentam o que é conhecido como sundowning, ou síndrome do pôr do sol, o que significa que eles podem ficar confusos ou agitados no final da tarde.
  3. Tenha um plano para as crianças: esperar que seus filhos, especialmente os pequenos, fiquem sentados durante a visita pode ser pedir demais. Indivíduos com demência frequentemente perdem o filtro, o que pode gerar situações constrangedoras perto de crianças. Portanto, providencie algo para ocupar o tempo delas.
  4. Fale sobre o passado: revisitar memórias é o modo ideal de iniciar uma conversa com quem está sofrendo um processo de declínio cognitivo. Embora possam ter dificuldade para se recordar de eventos recentes, as pessoas costumam se lembrar do passado de forma bem mais viva. Pode ser algo que vocês compartilharam, ou até usar um fato atual – uma onda de calor, por exemplo – como gancho para iniciar o papo.
  5. Não pressione: as perguntas devem ser formuladas de um jeito que o interlocutor não se sinta desconfortável. “Você se lembra?” talvez angustie o ente querido se ele não conseguir localizar aquela recordação.
  6. Encontre uma atividade compartilhada: uma tática para tornar as conversas mais confortáveis é fazer outra coisa ao mesmo tempo. Dependendo do estágio da doença, seu ente querido pode gostar de montar um quebra-cabeça, jogar cartas ou olhar álbuns de fotos. Se não for possível manter um diálogo, uma opção é assistir a um programa de TV ou ouvir (e até cantarolar) uma música.
  7. Descomplique: não trate seu ente querido como uma criança, mas evite trazer à tona assuntos complicados. Acima de tudo, escute. Pacientes com demência costumam ter algumas histórias que gostam de recontar ou lembrar. Não é preciso preencher o tempo com palavras, nem corrigir erros de informação. Não desperdice essa oportunidade preciosa tentando ter conversas estruturadas. Simplesmente vá com a mente aberta e encontre a pessoa onde quer que ela esteja.

 

 
 
 
 
 
 
por - G1/ Bem Estar
Por que mais jovens estão tendo câncer? Estudo aponta envelhecimento acelerado do organismo como possível explicação

Susanna tinha 28 anos quando foi diagnosticada com câncer colorretal. André foi diagnosticado com câncer de pulmão aos 34. Os dois compartilham suas batalhas contra a doença nas redes sociais.

Os casos de Susanna e André não são isolados. O Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ) relatou um aumento significativo na incidência de câncer colorretal entre pessoas de 20 a 39 anos na Alemanha.

Pesquisadores vêm observando uma tendência semelhante nos Estados Unidos, com taxas de incidência ainda maiores do que na Alemanha. Outros tipos de câncer também estão sendo diagnosticados com mais frequência em pessoas mais jovens, incluindo câncer de medula óssea e do endométrio.

No entanto, o câncer é, na verdade, uma doença da terceira idade. Segundo a entidade Ajuda Alemã contra o Câncer, a idade média de aparecimento da doença em homens e mulheres é de 69 anos. As células cancerígenas se desenvolvem quando determinados segmentos do DNA sofrem alterações que não podem mais ser reparadas. Quanto mais velhos ficamos, menos confiável esse sistema de reparo se torna.

  

Diferença entre a idade cronológica e biológica aumenta

Um estudo recente realizado por pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, nos EUA, identificou uma correlação que pode fornecer uma pista sobre o motivo de pessoas com menos de 50 anos estarem desenvolvendo certos tipos de câncer com mais frequência: em pessoas mais jovens, foi observada uma diferença maior entre a idade cronológica e a idade biológica.

A idade cronológica se refere ao número de anos vividos desde o nascimento. A idade biológica, por outro lado, descreve o quão avançados estão os processos de envelhecimento no corpo. Diferentes órgãos e tecidos podem envelhecer em ritmos diferentes.

Em outras palavras, o fígado, o cérebro e o coração da mesma pessoa podem ter idades biológicas diferentes e, portanto, diferir significativamente da idade real da pessoa.

Com este novo estudo, foi estabelecida, pela primeira vez, uma ligação entre o aumento da diferença entre a idade cronológica e a idade biológica em pessoas mais jovens e o câncer precoce, afirma Ron Jachimowicz, médico e onco-hematologista do Hospital Universitário de Colônia e chefe de um grupo de pesquisa do Instituto Max Planck de Biologia do Envelhecimento.

"O que não se deve esquecer é que este é um estudo correlacional", disse Jachimowicz. O estudo, portanto, fornece apenas indícios, embora sejam plausíveis. Os pesquisadores já sabiam "que existe uma associação entre o envelhecimento biológico e uma maior suscetibilidade ao câncer", pontuou.

 

Como a idade biológica é determinada

 

 — Foto: Freepik

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No entanto, a idade biológica não é fácil de determinar. Vários parâmetros devem ser considerados, e não existe um único teste preciso. Em vez disso, são utilizados testes epigenéticos para medir as alterações químicas no DNA, certos valores sanguíneos são analisados e o comprimento dos telômeros – as estruturas protetoras nas extremidades dos cromossomos – é determinado. Além disso, são utilizados testes fisiológicos que avaliam diversas funções corporais e orgânicas, bem como avaliações cognitivas.

Os autores do estudo em questão também empregaram uma combinação de vários desses métodos de medição. Eles analisaram dados de mais de 150 mil pessoas do UK Biobank, um banco de dados biomédico do Reino Unido.

Pessoas nascidas entre 1965 e 1974 apresentaram uma diferença significativamente maior entre a idade cronológica e a idade biológica do que aquelas nascidas entre 1950 e 1954.

Quanto mais jovens os indivíduos analisados, maior se tornava a diferença: um exame envolvendo dez mil pessoas dos EUA revelou uma diferença ainda maior entre indivíduos nascidos entre 1990 e 1999 e pessoas nascidas entre 1965 e 1969.

"Na Austrália, Canadá, Reino Unido e EUA, pessoas nascidas na década de 1990 têm pelo menos quatro vezes mais risco de desenvolver câncer colorretal em idade precoce em comparação com pessoas nascidas na década de 1960", escreveram os autores.

 

Posso influenciar minha idade biológica?

 

 — Foto: Freepik

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Anteriormente, presumia-se que entre 75% e 90% da idade biológica poderia ser influenciada pelo estilo de vida. Para Ron Jachimowicz, isso não é verdade. "Podemos influenciar 50%; os outros 50% são geneticamente determinados."

O que retarda o processo de envelhecimento "são essas intervenções típicas no estilo de vida", diz Jachimowicz. Exercícios regulares, dieta saudável, sono de qualidade e evitar drogas e álcool. Os contatos sociais também não devem ser subestimados, acrescentou o médico.

A questão de por que as gerações mais jovens envelhecem biologicamente mais rápido do que seus pais e avós é menos fácil de responder. Mas existem hipóteses: "Os jovens tendem a desenvolver obesidade mais cedo e, portanto, por um período mais longo de suas vidas", diz Tanwei Yuan, epidemiologista na Unidade de Epidemiologia Clínica de Rastreamento de Câncer do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer em Heidelberg.

 

Além disso, os jovens são mais sedentários e têm um sono menos reparador devido ao tempo gasto em frente às telas, afirmou Yuan. Ela também disse que o estudo fornece evidências importantes que corroboram as hipóteses dos pesquisadores de câncer.

A cientista enfatiza ainda a importância de um estilo de vida saudável para prevenir o câncer em estágio inicial. "Se você não se sentir bem, procure um médico e peça um exame", aconselha. Ele sabe do que está falando. Depois de se sentir mal por algum tempo, a pesquisadora de 32 anos foi diagnosticada com um pólipo no cólon no ano passado.

Os pólipos no cólon são inicialmente inofensivos, mas podem se tornar cancerígenos se não forem tratados. Portanto, prestar muita atenção aos sinais do corpo e agir em caso de dúvida é fundamental, disse Yuan.

 

Um médico pode determinar a idade biológica?

A resposta para essa pergunta é não, afirma Ron Jachimowicz. Determinar a idade biológica é "objeto de pesquisa científica atual, mas não faz parte da prática clínica diária".

Mas é nessa direção que a pesquisa deverá seguir, diz o médico, especialmente no que diz respeito ao câncer e às possíveis intervenções. Ele acrescenta que é por isso que o estudo atual é tão importante, porque aponta para uma direção que os pesquisadores devem considerar. "Esse é futuro, algo realmente promissor."

 
 
 
 
 
Por - G1/ Bem Estar
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