O Sistema Único de Saúde oferece um método seguro para a prevenção de vários tipos de câncer: a vacina contra o HPV. Mas, para alcançar a sua máxima eficiência, essa precaução precisa ser tomada no final da infância ou início da adolescência, o que não acontece para boa parte do público-alvo. 

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última quarta-feira (25), mostra que apenas 54,9% dos estudantes, com idades entre 13 e 17 anos, tinham certeza de que foram vacinados contra o HPV, sigla para papilomavírus humano.
Esse vírus é responsável por 99% dos casos de câncer de colo do útero e por boa parte dos tumores de ânus, pênis, boca e garganta.
Proteção gratuita
A vacina que previne contra o HPV está disponível em todas as unidades de saúde do Brasil, e deve ser tomada por meninas e meninos, entre 9 e 14 anos.
Essa faixa etária foi definida porque o vírus é transmitido principalmente por via sexual, e a vacina é mais eficaz se for tomada antes da primeira relação.
Apesar disso, 10,4% dos estudantes entrevistados pelo IBGE ainda não estavam vacinados e 34,6% não sabiam se tinham recebido a vacina ou não.
Isso representa quase 1,3 milhão de adolescentes desprotegidos, e outros 4,2 milhões potencialmente vulneráveis à infecção.
A mesma pesquisa identificou que 30,4% dos estudantes de 13 a 17 anos já tinham vida sexual ativa, e que a idade média de iniciação sexual foi de 13,3 anos para os meninos e de 14,3 anos para as meninas.
Os dados foram coletados pelo IBGE em 2024 e mostram ainda que a porcentagem de estudantes que se vacinaram caiu 8 pontos percentuais na comparação com a edição anterior da pesquisa, de 2019.
Apesar de uma proporção maior de meninas ter se vacinado ─ 59,5%, contra 50,3% dos meninos ─ a queda da cobertura vacinal entre elas foi ainda mais expressiva, de 16,6 pontos.
Falta de informação
Considerando apenas os estudantes que não se vacinaram, metade deles alegou não saber que precisava tomar a vacina. Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações Isabela Balallai, isso prova como a falta de informação tem sido preponderante.
"Todo mundo acha que a hesitação vacinal se resume às fake news, mas não é isso. A desinformação é só uma das coisas que causam a hesitação vacinal. As outras são a falta de acesso, a baixa percepção do risco da doença e a falta de informação. E isso é um problema máximo no Brasil. Muitas pessoas não sabem quando têm que se vacinar e quais as vacinas disponíveis".
Outros motivos foram apontados, mas em proporção bem menor:
- 7,3% dos estudantes disseram que o pai, a mãe ou o responsável não quiseram que eles fossem vacinados;
- 7,2% não se vacinaram porque não sabiam qual a função da vacina;
- 7% alegaram dificuldade de chegar ao local de vacinação.
A pesquisa também apontou algumas diferenças entre alunos de rede pública e privada. Entre os primeiros, 11% não se vacinaram, contra 6,9% do segundo grupo.
Por outro lado, a resistência dos pais contra a vacina foi a razão da hesitação de 15,8% dos alunos da rede privada, e de apenas 6,3% entre os da rede pública.
Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, a escola pode cumprir um papel primordial:
"Quando você pega os principais fatores de hesitação vacinal, a escola resolve todos eles. Resolve a desinformação, educando o adolescente. Resolve a falta de informação, quando eles são informados que vai ter a vacinação. Resolve o acesso, porque é muito difícil levar um adolescente ao posto de saúde, mas vacinar na escola é muito mais simples. E resolve a conscientização dos pais".
Bom exemplo
Na casa da jornalista e escritora Joana Darc Souza, a única menina não vacinada é a filha mais nova, que ainda tem 6 anos. As outras duas, com 9 e 12 anos, estão imunizadas.
"Eu nunca tive dúvida em relação à eficácia e sempre defendi que vacina salva vidas. Isso é uma coisa que eu aprendi em casa, quando ainda era criança, e hoje eu replico com as minhas filhas", ela conta.
As três filhas de Joana estudam em escolas da rede municipal do Rio de Janeiro e, de acordo com ela, de vez em quando, os alunos são convocados para se vacinarem.
"Elas acabam não participando, mas só porque aqui em casa a gente sempre está atento às vacinas".
Quem ajuda a família nesse controle é outra profissional essencial para a sucesso das políticas de vacinação: a pediatra. "Ela é bastante cuidadosa e sempre verifica a caderneta das meninas", elogia a mãe.
Resgate vacinal
De acordo com o Ministério da Saúde, dados preliminares das vacinas aplicadas em 2025 mostram uma cobertura maior do que a verificada na pesquisa, de 86% entre meninas e 74,4% entre meninos. Desde 2024, a vacina contra o HPV é aplicada em dose única.
No ano passado, a pasta lançou também uma estratégia de resgate vacinal, para imunizar os adolescentes de 15 a 19 anos que não receberam a vacina na idade recomendada.
Até agora, 217 mil jovens foram imunizados, mas a campanha segue até junho de 2026 e prevê ações de vacinação nas escolas.
Além disso, todas as unidades de saúde também continuam a aplicar o imunizante nesse público. Quem não tiver o comprovante de vacinação, pode verificar se já recebeu a vacina no aplicativo Meu SUS Digital.
Por Agência Brasil
O Ministério da Saúde (MS) incorporou no Sistema Único de Saúde (SUS) o teste rápido para o diagnóstico da dengue.

A inclusão do Teste Rápido de Dengue NS1 na tabela nacional de procedimentos do SUS está publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira (26).
A oferta do exame é feita de forma ampla em ambulatórios de postos de saúde e em hospitais da rede pública de saúde.
A solicitação do teste pode ser feita por médicos, enfermeiros, biomédicos e técnicos de enfermagem para pacientes de todas as idades.
O método pode detectar a presença no sangue da proteína específica liberada pelo vírus da dengue (antígeno NS1) logo no início da infecção, diferentemente dos exames de anticorpos (sorologia), que acusam o diagnóstico positivo para a doença somente após o corpo reagir ao vírus (geralmente após o sexto dia de infecção).
A norma já está em vigor.
Vantagens
A identificação rápida da doença pode ocorrer já nos primeiros dias após o surgimento dos sintomas característicos da infecção viral, como febre alta, dor no corpo e mal-estar.
O teste rápido da dengue não exclui a necessidade de buscar atendimento médico e poderá contribuir para o acompanhamento do profissional de saúde.
Com o resultado, o médico poderá detectar precocemente sinais de alerta, como a queda de plaquetas no sangue e o risco de evolução para a dengue hemorrágica.
O diagnóstico antecipado também garante maior precisão à vigilância epidemiológica sobre a circulação do vírus.
Como funciona
O teste funciona por imunocromatografia. O dispositivo reage à presença do antígeno do vírus e o resultado fica pronto em poucos minutos.
Para a realização do exame, é necessária uma pequena amostra de sangue da pessoa com suspeita de estar com dengue, obtida apenas por um furo na ponta do dedo para a coleta do material.
É importante destacar que o teste de dengue não identifica os sorotipos virais da dengue e, também, não é capaz de informar se a pessoa contraiu o vírus da dengue anteriormente.
Não é necessário jejum ou qualquer outro tipo de preparo para fazer o exame.
O teste será aplicado sem custo à população nas unidades públicas do SUS, mas se comprado nas farmácias privadas, custa em média R$ 40.
Principais sintomas da dengue:
- febre alta (39° a 40°c) e de início súbito;
- dor de cabeça intensa, especialmente atrás dos olhos;
- dores musculares e/ou articulares;
- prostração, caracterizada por cansaço extremo;
- náuseas e vômitos;
- manchas vermelhas na pele;
- dor abdominal.
Por - Agência Brasil
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começa neste sábado (28) nas regiões Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul. A mobilização segue até 30 de maio e prioriza os grupos mais suscetíveis a formas graves da doença: crianças de 6 meses a menores de 6 anos (5 anos, 11 meses e 29 dias), idosos com 60 anos ou mais e gestantes.

O Ministério da Saúde distribuiu 15,7 milhões de doses da vacina contra a gripe, e a orientação da pasta é que estados e municípios intensifiquem as estratégias já no primeiro mês da campanha, com ações de busca ativa para o alcance imediato dos públicos prioritários.
O Dia D nacional será realizado também neste sábado, com vacinação gratuita nas unidades básicas de Saúde (UBS). Algumas unidades da federação já anteciparam o início da campanha, como o Distrito Federal, que começou a vacinar a população nesta quarta-feira (25). Na cidade do Rio de Janeiro, a imunização teve início nessa terça-feira (24).
“Para ampliar o alcance da ação, o Governo do Brasil enviará, até quinta-feira (26), 10 milhões de mensagens institucionais por aplicativos de comunicação. A iniciativa busca reforçar a divulgação de informações oficiais, ampliar a confiança nos canais institucionais e incentivar a vacinação”, explicou o Ministério da Saúde.
Dados preliminares de 2026 apontam aumento na circulação de vírus respiratórios, incluindo os da influenza. Até 14 de março, foram notificados 14,3 mil casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no país, com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza responde por 28,1% das infecções identificadas.
A vacinação é a principal forma de prevenção contra a influenza e contribui para reduzir casos graves, internações e mortes. Na Região Norte do país, a campanha será realizada no segundo semestre, em função da sazonalidade da doença.
Vacina atualizada
A vacina influenza trivalente integra o Calendário Nacional de Vacinação e, neste ano, protege contra as variantes Influenza A/Missouri/11/2025 (H1N1) pdm09, Influenza A/Singapore/GP20238/2024 (H3N2) e Influenza B/Austria/1359417/2021 (B/linhagem Victoria).
A proteção é realizada anualmente para acompanhar as novas cepas do vírus em circulação. Por isso, o Ministério da saúde reforça a importância da imunização periódica para assegurar uma proteção eficaz.
A imunização ainda é ofertada como estratégia especial para outros grupos prioritários, como profissionais de saúde, indígenas, população em privação de liberdade e pessoas com doenças crônicas.
Para crianças de 6 meses a 8 anos, o esquema vacinal varia conforme o histórico: aquelas já vacinadas anteriormente recebem uma dose; as não vacinadas devem receber duas doses, com intervalo mínimo de quatro semanas.
A aplicação pode ser realizada de forma simultânea a outras vacinas do calendário nacional, como a da covid-19.
POr -Agência Brasil
A vacinação contra o HPV (papilomavírus humano) avança na América Latina, mas a região ainda registra mortes por câncer de colo do útero, uma doença considerada altamente prevenível. O alerta consta de estudo publicado em fevereiro na revista científica The Lancet, que analisou dados de 35 países e territórios da América Latina e do Caribe.

O HPV é o vírus responsável pela infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo, afetando pele e mucosas. Apesar da disponibilidade de vacinas, a cobertura ainda é desigual entre os países. Na América Latina, varia de 45% a 97%; no Caribe, de 2% a 82%. Os índices estão abaixo da meta global da Organização Mundial da Saúde, que prevê 90% das meninas vacinadas até os 15 anos.
No Brasil, a cobertura em 2024 chegou a 82,83% entre meninas e 67,26% entre meninos de 9 a 14 anos. Em 2025, o Ministério da Saúde intensificou a vacinação, adotando dose única e ampliando o público para jovens de 15 a 19 anos não vacinados.
Em 26 de março é celebrado o Dia de Conscientização do Câncer de Colo do Útero.
Rastreamento
Segundo a consultora médica da Fundação do Câncer, Flavia Miranda Corrêa, a América Latina apresenta melhores resultados que o Caribe tanto em vacinação quanto em rastreamento. Ainda assim, o principal problema é o modelo adotado na maioria dos países: o rastreamento oportunístico.
Nesse modelo, o exame é feito apenas quando a mulher procura o serviço de saúde por outro motivo ou solicita o procedimento. “A gente sabe que esse modelo de rastreamento oportunístico é muito menos eficiente do que um rastreamento organizado, que tem todos os critérios a serem seguidos e é um rastreamento de base populacional”, explicou a médica em entrevista à Agência Brasil.
Especialistas avaliam que esse formato contribui para diagnósticos tardios e maior mortalidade. Já o rastreamento organizado prevê identificação da população-alvo — mulheres de 25 a 64 anos —, convocação ativa e busca de quem não comparece, além de sistemas integrados para acompanhamento dos casos.
“Não adianta rastrear sem garantir diagnóstico e tratamento”, destacou a médica.
Flavia Corrêa reforçou que a maior deficiência está no modelo de rastreamento que continua oportunístico na maioria desses 35 países e, também porque, não sendo um rastreamento organizado, não há garantias de que todos os procedimentos vão estar disponíveis.
Prevenção
Na América Latina, somente a Venezuela ainda não introduziu a vacinação contra o HPV. No Brasil, o imunizante foi incluído no Calendário Nacional de Vacinação em 2014 e a distribuição é inteiramente gratuita.
“A gente está se aproximando da meta global de 90% de meninas vacinadas até os 15 anos, que é o que a OMS propõe para eliminação do câncer do colo de útero, e acredito que a gente chegará lá”.
Flavia ressaltou a importância de que também os meninos se vacinem, para que eles se protejam dos tipos de câncer causados pelo HPV que incluem os cânceres de ânus, pênis, garganta e pescoço, além de verrugas genitais.
Teste DNA-HPV
Em janeiro, a Fundação do Câncer lançou a atualização do Guia Prático de Prevenção do Câncer do Colo do Útero, orientando a substituição gradual do exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV.
Ainda assim, a citologia permanece como principal método na maioria dos países analisados. O teste molecular foi implementado em nações como Argentina, Brasil, Chile e México, além de alguns países do Caribe.
No Brasil, há avanços na adoção do novo exame e na estrutura de atendimento, com encaminhamento da atenção primária para níveis secundário e terciário.
A mulher vai fazer o rastreamento na atenção primária e, em caso de diagnóstico positivo, será encaminhada para a atenção secundária para fazer a investigação diagnóstica. Uma vez esta sendo concluída, a paciente vai para o nível terciário.
Flávia Miranda Corrêa destaca que, como cada um desses níveis tem sistemas diferentes de informação, eles precisam dialogar, ou interagir, para que a mulher não fique perdida nessa linha de cuidado. “Se a gente não tiver a interoperabilidade desses sistemas, a gente pode perder a navegação da mulher e ela não concluir o tratamento, o que é o maior problema no Brasil”.
Prevenção e sintomas
A especialista explica que lesões precursoras do câncer de colo do útero podem levar de 10 a 20 anos para evoluir, o que amplia a janela de diagnóstico precoce. Quando identificado nessa fase, o tratamento tem alta taxa de sucesso.
Entre os sintomas da doença estão sangramentos fora do período menstrual, após relações sexuais ou na pós-menopausa, além de corrimento persistente. Em estágios mais avançados, podem surgir alterações urinárias ou intestinais.
Estratégia global
O diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, defende a transição para programas organizados de rastreamento, com convite ativo e acompanhamento das pacientes. Esse modelo contribuiu para a redução da doença em países como Austrália, Canadá, Escócia e Dinamarca.
De acordo com o estudo da The Lancet, a integração entre vacinação, rastreamento e tratamento é essencial para atingir a meta global: 90% das meninas vacinadas, 70% das mulheres rastreadas e 90% dos casos tratados.
Com essa cobertura, a Organização Mundial da Saúde projeta que a incidência do câncer de colo do útero pode cair a níveis residuais nas próximas décadas.
Por - Agência Brasil
No Dia Mundial da Tuberculose, lembrado nesta terça-feira (24), a Organização Mundial da Saúde (OMS) cobrou maiores esforços para erradicar a doença e ampliar o acesso a novas tecnologias, incluindo testes diagnósticos que podem ser feitos no próprio local de atendimento e swabs de língua que detectam a bactéria mais rapidamente.

Em nota, a entidade destacou que as novas tecnologias representam mais um passo rumo à detecção precoce e ao tratamento mais rápido de uma das doenças infecciosas mais mortais do mundo.
“Esses testes portáteis e fáceis de usar aproximam o diagnóstico da tuberculose dos locais onde as pessoas normalmente buscam atendimento”.
A OMS informa que esses testes custam menos da metade do preço de exames moleculares já existentes e podem ajudar diversos países a expandir o acesso à testagem: "os testes podem funcionar por meio de bateria e fornecem resultados em menos de uma hora, permitindo que os pacientes iniciem o tratamento mais cedo”, completou a nota.
Em todo o mundo, mais de 3,3 mil pessoas morrem por dia vítimas da doença. Os números da agência mostram ainda que há 29 mil novos casos de tuberculose por dia.
“Os esforços globais para combater a tuberculose salvaram cerca de 83 milhões de vidas desde 2000; no entanto, os cortes no financiamento global da saúde ameaçam reverter esses avanços”.
“A adoção de ferramentas de diagnóstico rápido tem sido um desafio em muitos países, em parte, devido aos altos custos e à dependência do transporte de amostras para viabilizar os testes em laboratórios centralizados”, destacou a entidade.
Para a entidade, esses esforços podem contribuir para alcançar metas globais de acesso aos testes de tuberculose e resistência a medicamentos, além de reduzir atrasos no início do tratamento e conter a transmissão.
Brasil
Dados do Boletim Epidemiológico Tuberculose 2025, do Ministério da Saúde, mostram que 84,3 mil pessoas contraíram a doença no país em 2024 – uma incidência de 39,7 casos para cada 100 mil habitantes. Nesse período, foram contabilizados ainda mais de 6 mil óbitos.
Os maiores coeficientes de incidência foram observados no Amazonas (94,7 por 100 mil), no Rio de Janeiro (75,3 por 100 mil) e em Roraima (64,3 por 100 mil).
Na mortalidade, considerando os dados consolidados de 2023, os destaques foram Amazonas, (5,1 por 100 mil), Pernambuco (4,8 por 100 mil) e Rio de Janeiro (com 4,6 por 100 mil).
Entenda
A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch.
A doença afeta principalmente os pulmões, mas pode atingir outros órgãos e/ou sistemas. A forma extrapulmonar ocorre com mais frequência em pessoas que vivem com HIV.
A transmissão acontece por via respiratória, pela eliminação de partículas muito pequenas produzidas por tosse, fala ou espirro de uma pessoa com tuberculose ativa (pulmonar ou laríngea) sem tratamento.
Quando outras pessoas respirarem essas partículas, há a possibilidade de se infectarem.
De acordo com o Ministério da Saúde, calcula-se que, durante um ano, em uma comunidade, uma pessoa com tuberculose pulmonar e/ou laríngea ativa sem tratamento e que esteja eliminando partículas com bacilos, possa infectar, em média, de 10 a 15 pessoas.
Segundo a pasta, com o início do tratamento, a transmissão tende a diminuir gradativamente e, em geral, após 15 dias, o risco de transmissão da doença cai drasticamente.
“No entanto, o ideal é adotar medidas de controle de infecção até que o resultado da baciloscopia [exame para detectar a bactéria da tuberculose] se torne negativo – tais como cobrir a boca com o braço ou lenço ao tossir e manter o ambiente bem ventilado, com bastante luz natural.”
O bacilo de Koch é sensível à luz do sol e a circulação de ar ajuda a dispersar as partículas infectantes. Por isso, ambientes ventilados e com luz natural direta diminuem o risco de transmissão.
"A ‘etiqueta da tosse’, ou seja, cobrir a boca com o antebraço ou lenço ao tossir, também é uma medida importante”, informa o Ministério da Saúde.
Dentre os sintomas associados à tuberculose estão:
- tosse seca ou produtiva (com catarro) por três semanas ou mais;
- febre à tarde;
- suor noturno;
- emagrecimento.
“Se uma pessoa apresentar sintomas de tuberculose, é fundamental procurar a unidade de saúde mais próxima de sua residência para avaliação e realização de exames. Se o resultado for positivo para tuberculose, deve-se iniciar o tratamento o mais rápido possível e segui-lo até o final”, concluiu o ministério.
Por - Agência Brasil
Dados sobre a Febre do Oropouche divulgados nesta terça-feira (24) indicam que a incidência real da doença é muito superior às ocorrências notificados, com até 200 casos reais para cada episódio conhecido.

Entre 1960 e 2025 a doença já infectou 9,4 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe, das quais ao menos 5,5 milhões no Brasil.
A febre do Oropouche é transmitida aos humanos pela picada de mosquitos do tipo Culicoides paraensis, conhecido na Região Norte como maruim ou mosquito-pólvora.
Os dados foram reunidos por um consórcio de pesquisadores da University of Kentucky, Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas e Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).
“[A doença] tem um ciclo silvestre muito bem esclarecido e, mais recentemente, a gente tem observado ciclos urbanos nas capitais, o que era pouco comum até pouco tempo”, explicou o diretor de Operações do Instituto Todos pela Saúde, Vanderson Sampaio.
Ele acrescentou que, pelo fato de a maior parte da população ainda não ter contato com a doença, é provável que ela possa avançar.
“Não sabemos ainda qual a quantidade de casos graves dessa doença nem condições de saber agora, pois temos um número muito baixo de casos registrados.”
Para investigar a existência de antígenos, como indicativo de que as pessoas tiveram contato com a doença, foram investigados dados sorológicos em amostras sangue coletadas em três momentos distintos (novembro de 2023, junho de 2024 e novembro de 2024).
Com o resultado foi possível afirmar que o alcance do surto de 2023 para 2024 foi semelhante ao do surto anterior no estado, em 1980-1981. Em ambos, o alcance em Manaus foi de cerca de 12,5%, chegando próximo de 15% no estado.
Surtos
O estudo revisou ainda os registros de surtos da doença, encontrando 32 deles desde a identificação da febre, em 1955, no Brasil, Peru, Guiana Francesa e Panamá. Somente no Brasil foram identificados 19 surtos.
“É possível sim a gente desenvolver técnicas de rastreio. Uma delas é a de vigilância de síndromes febris, analisando amostras dos pacientes a partir de análise genética”, destacou o especialista.
Manaus é o principal centro da região amazônica na dispersão da doença. Com sua população na casa de 2 milhões de pessoas e grande conexão, inclusive aérea, com outras cidades, age como um polo de dispersão, determinante para a expansão da doença para outros centros, como Espírito Santo e Rio de Janeiro, bastante impactados em 2024.
Segundo o estudo, a diferença entre casos confirmados e número real de infecções pode ser explicada pelo acesso limitado a serviços de saúde na bacia amazônica e pela provável alta proporção de casos assintomáticos ou leves, que os pesquisadores estimam que possa ser a grande maioria dos casos da doença, uma característica até então sem evidências claras.
Nesta década foram registrados mais de 30 mil casos, com o avanço de uma variante do vírus por toda a América Latina e Caribe, dado que segundo o estudo indica uma subnotificação notável de todos os serviços de saúde da região.
A infecção pode provocar um quadro febril semelhante ao da dengue e outras arboviroses, o que dificulta ainda mais a identificação e tratamento corretos. Os casos graves, geralmente aqueles que são corretamente diagnosticados, podem evoluir para doença neurológica, complicações materno-fetais e morte.
Tratamento
Atualmente, não existem vacinas licenciadas nem antivirais específicos disponíveis, embora haja estudos nesta década sobre a eficácia de acridonas (moléculas isoladas a partir de um tipo de alcatrão) na doença, como o da pesquisadora Clarita Avilla, da Unesp de São José do Rio Preto.
Segundo a pesquisa, anticorpos adquiridos há décadas ainda são capazes de neutralizar a cepa recente do vírus, o que sugere imunidade de longa duração. Ainda assim, os pesquisadores alertam que, sem intervenções específicas, novos surtos continuarão ocorrendo em regiões onde o vetor esteja presente.
O grupo publica também nesta terça-feira (24) um segundo estudo, que identifica a predominância do vírus em áreas rurais e florestais, sendo os casos de transmissão de mosquitos urbanos, como o Aedes aegypti, uma minoria.
Neste trabalho os autores afirmam que as estratégias de controle vetorial focadas em mosquitos urbanos não são suficientes para conter a transmissão da doença, exigindo esforços adicionais de vigilância epidemiológica em áreas de contato com mata degradada.
“Ao identificar quem já foi infectado, conseguimos prever com maior precisão quais populações permanecem em risco para futuros surtos”, afirma o professor Allyson Guimarães Costa, da Universidade Federal do Amazonas e do Hemoam.
Por - Agência Brasil


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