Fiocruz vai iniciar testes da primeira vacina RNAm contra a covid-19

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) a iniciar os estudos clínicos da vacina de RNA mensageiro (RNAm) contra a covid-19. A vacina é a primeira produzida com esta tecnologia no país. 

O imunizante foi totalmente desenvolvido na plataforma RNAm da Fiocruz. O estudo de Fase 1 tem o objetivo de avaliar a segurança e a imunogenicidade do reforço vacinal com a vacina COVID19 (RNAm) da Biomanguinhos/Fiocruz em participantes adultos sadios. 

A vacina do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos passou pelo estágio pré-clínico, que mostrou eficácia na proteção contra a doença. Também foram realizados estudos toxicológicos e de escalonamento.

Participantes

O recrutamento dos participantes para a Fase 1 do estudo clínico está previsto para começar no primeiro trimestre de 2027. 

Serão incluídos no estudo 90 participantes saudáveis entre 18 e 59 anos. As pessoas serão recrutadas nos centros Unidade de Ensaios Clínicos para Imunobiológicos e Policlínica Lincoln de Freitas Filho, no Rio de Janeiro (RJ). 

O período de inclusão desse grupo no estudo deverá ser de seis meses. Após a inclusão, cada participante será acompanhado por mais seis meses. 

Na primeira fase, são testadas a segurança e a imunogenicidade do reforço da vacina. O estudo clínico vai avaliar o uso do imunizante como dose de reforço, como consta atualmente no calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI). 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Campanha Nacional de Multivacinação termina nesta terça-feira

Mais de 8 milhões de doses de vacinas foram aplicadas em todo o país durante a Campanha Nacional de Multivacinação de 2026, iniciada em 3 de agosto e que se encerra nesta terça-feira (1º).

Realizada pelo Ministério da Saúde, em parceria com estados e municípios, a campanha nacional combate doenças preveníveis por imunização. O público alvo é de crianças e adolescentes menores de 15 anos.

Somente no Dia D da Multivacinação, realizado em 22 de agosto, mais de 1 milhão de doses foram aplicadas.

Os pais e responsáveis ainda podem aproveitar o último dia da mobilização e procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para atualização do Calendário Vacinal das crianças e adolescentes.

Doenças que podem ser prevenidas

Entre as enfermidades que podem ser evitadas pela vacinação ofertada pelo SUS estão:

  • sarampo,
  • dengue,
  • formas graves de tuberculose,
  • hepatites A e B,
  • difteria,
  • tétano,
  • coqueluche,
  • poliomielite,
  • infecções por rotavírus,
  • pneumonias e meningites causadas por pneumococos e meningococos,
  • influenza (gripe),
  • covid-19,
  • febre amarela,
  • caxumba,
  • rubéola,
  • varicela (catapora),
  • infecções pelo papilomavírus humano (HPV).

Pela primeira vez, a vacina pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) foi ofertada em uma Campanha Nacional de Multivacinação, após ter sido incorporada, neste ano, ao Calendário Nacional de Vacinação.

O novo imunizante conjugado protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae que causam doenças como pneumonias e meningites,

Vacinação o ano inteiro

Mesmo com o fim da Campanha Nacional de Multivacinação de 2026, as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação permanecem disponíveis regularmente durante todo o ano no Sistema Único de Saúde (SUS) e nos pontos de vacinação organizados pelos estados e municípios.

A vacinação é feita de acordo com o histórico de cada criança ou adolescente: após a avaliação da caderneta, os profissionais de saúde identificam quais vacinas são necessárias para iniciar, completar ou atualizar o esquema recomendado.

Reforço contra o sarampo

A vacinação contra o sarampo também foi intensificada nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo, em São Paulo.

O reforço contra o sarampo foi adotado depois que a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou a ocorrência de casos da doença.

Somente em 2026, até 27 de agosto, já são 26 ocorrências do tipo. Entre as pessoas infectadas, 19 delas não tinham se vacinado ou tinham esquema vacinal incompleto.

Em 2025, foram registrados 38 casos de sarampo importados ou relacionados à importação no país.

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Pacientes com câncer colorretal têm medicamento aprovado pela Anvisa

Pacientes adultos em tratamento contra o câncer colorretal metastático têm o medicamento Fruzaqla (fruquintinibe) como opção de tratamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da substância nesta segunda-feira (31).

O produto é indicado ao tratamento de pacientes, entre outras situações, que já passaram por quimioterapia à base de fluoropirimidina, oxaliplatina e irinotecano.

O fruquintinibe é um medicamento que bloqueia, de forma específica, alguns receptores. Esses receptores são importantes para a ação do VEGF, substância que estimula a formação de novos vasos sanguíneos. 

O bloqueio dessa via é uma estratégia muito usada no tratamento do câncer, incluindo o tipo colorretal. Ao impedir a ação desses receptores, o novo medicamento reduz a formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor, dificultando seu crescimento. O Fruzaqla “corta o suprimento” de sangue do tumor e assim ajuda a controlar a doença. 

 

 

 

 

por - Agência Brasil

Quando a queda de cabelo deixa de ser normal? Veja os sinais de alerta

Encontrar alguns fios no travesseiro ao acordar, na escova depois de pentear o cabelo ou no ralo do banho faz parte da rotina.

O cabelo está constantemente passando por diferentes fases de crescimento, repouso e queda, e perder fios diariamente é esperado. O que merece atenção é quando esse padrão muda: o volume diminui de maneira perceptível, o couro cabeludo começa a ficar mais aparente ou surgem áreas de falha.

Não é preciso, no entanto, transformar a rotina em uma contagem diária de fios. Segundo a dermatologista e tricologista Tamara Vanzela, a referência de 50 a 100 fios por dia é apenas uma estimativa. Mais importante é observar o que é habitual para cada pessoa.

"Existem pacientes que perdem muito menos do que 50 fios diariamente. Por isso, orientamos observar o padrão individual. Se você estava acostumado a perder determinada quantidade e, de repente, percebe um aumento, essa mudança já deve ser considerada um sinal de alerta", explica.

Algumas alterações podem ser percebidas de maneira bastante simples. O cabelo preso pode parecer menos volumoso, o elástico pode precisar de mais voltas para segurá-lo e as pontas podem ficar mais finas. Também é possível notar maior exposição do couro cabeludo, principalmente quando os fios estão molhados ou sob determinada iluminação.

"Quando a pessoa percebe que o elástico começa a dar mais voltas para prender o cabelo, que as pontas estão mais ralas ou que o couro cabeludo fica mais aparente quando os fios estão molhados ou sob a luz, temos sinais que precisam ser investigados", diz Tamara.

A situação merece ainda mais atenção quando a mudança vem acompanhada de coceira, descamação, dor ou vermelhidão. Uma redução progressiva da densidade também deve ser avaliada, principalmente quando não há uma explicação evidente para o que está acontecendo.

O que pode provocar a queda?

Há diferentes causas para a perda dos fios, e elas nem sempre são fáceis de identificar sem uma avaliação médica. Uma das mais comuns é o eflúvio telógeno, alteração temporária do ciclo capilar que pode aparecer depois de infecções, cirurgias, emagrecimento, mudanças hormonais, deficiências nutricionais ou períodos de estresse.

É justamente por isso que uma queda percebida hoje pode ter relação com algo que aconteceu meses antes. "Quando o paciente apresenta queda, é importante olhar para o que aconteceu cerca de três meses antes. Um período de estresse pode alterar o ciclo capilar e fazer com que essa queda apareça posteriormente", ressalta a dermatologista.

Também estão entre as possibilidades a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície, que tem influência genética, e a alopecia areata, uma doença autoimune que pode provocar áreas bem delimitadas sem cabelo.

Falhas localizadas merecem atenção especial. Áreas arredondadas podem estar relacionadas à alopecia areata, mas outras doenças autoimunes e inflamatórias, além de algumas infecções, também podem provocar perda dos fios em regiões específicas. "Quando existe uma falha em uma região específica, é muito importante fazer uma avaliação, porque pode haver uma condição que necessite de tratamento especializado", alerta Tamara.

Queda de cabelo aumentou? Saiba quando é hora de investigar — Foto: Magnific
Queda de cabelo aumentou? Saiba quando é hora de investigar — Foto: Magnific

E a queda no fim do verão?

Existe a percepção de que os fios caem mais no fim do verão e no início do outono. Embora alguns estudos apontem uma possível variação sazonal no ciclo capilar, esse efeito não é tão definido nos seres humanos. Alimentação, estresse, doenças, infecções e alterações hormonais, entre outros fatores, podem ter uma influência muito maior sobre o que acontece com os fios.

Por isso, uma mudança percebida nessa época do ano não deve ser automaticamente atribuída à estação. O contexto dos meses anteriores também importa.

Quando procurar ajuda?

Diante de uma queda acima do habitual, a tentação de tentar resolver o problema em casa pode ser grande. Shampoos antiqueda, suplementos e polivitamínicos aparecem com frequência como primeiras alternativas, mas não necessariamente atuam sobre a origem do problema.

Além disso, tratar apenas o sintoma pode atrasar a identificação de uma doença. "Quando a pessoa trata por conta própria, pode postergar o diagnóstico e a resolução da queda. Em casos de algumas doenças cicatriciais, por exemplo, podemos perder folículos que não voltarão a produzir cabelo", alerta Tamara.

A investigação, portanto, é importante não apenas para conter a perda, mas para entender por que ela está acontecendo. "O mais importante é identificar a causa, que pode ser genética, inflamatória, nutricional ou uma alteração do próprio ciclo capilar, para então indicar o tratamento correto", conclui.

 

 

 

 

 

 

Por - O Globo

Novas 'canetas para músculos' prometem combater perda de massa e envelhecimento; entenda

O nome do ácido L-β-aminoisobutírico (L-BAIBA) chega a assustar, mas sua ação encanta. Ele é o mais novo integrante da lista de potenciais e inéditos medicamentos para desenvolver músculos, sem os efeitos colaterais de esteroides anabolizantes. Essas drogas têm potencial para promover uma revolução farmacêutica similar à das canetas emagrecedoras.

Esses medicamentos acenam com a promessa de amenizar os efeitos do envelhecimento, o principal fator de perda de massa muscular, e melhorar a qualidade de vida de uma população que vive cada vez mais. Conservar os músculos não apenas evita a fragilidade física, mas melhora a saúde metabólica e reduz a idade biológica.

Além disso, essas novas canetas para músculos ajudarão gente que emagreceu e “derreteu” com as canetas emagrecedoras. E também pessoas que sofrem de sarcopenia (perda de massa e força muscular) por obesidade, sedentarismo, diabetes e câncer, por exemplo.

Felipe Henning Gaia, chefe do Serviço de Endocrinologia Oncológica do Centro de Câncer A.C. Camargo e presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, afirma que a chegada desses medicamentos será bem-vinda.

— Temos uma sociedade que envelhece e precisa ser manter saudável, ativa e independente. Preservar os músculos é essencial. O corpo humano não acompanha o progresso científico que nos fez viver mais. Atividade física seguirá fundamental, mas drogas podem ajudar a evitar a perda de músculos, essenciais para a longevidade saudável — destaca Gaia.

Em um século, um piscar de olhos em escala evolutiva, o ser humano mais que dobrou a expectativa de vida. Em 1925, ela era de apenas 36 anos. Mas graças à melhoria do saneamento, da alimentação e de medicamentos chegou a 82 anos (dado do Brasil) em 2025.

Porém, viver mais tem um custo elevado e boa parte dessa conta é paga em músculos.

— As mulheres sofrem perdas hormonais ligadas à menopausa que reduzem ainda mais a massa muscular. Por isso, drogas assim são importantes — afirma Gaia.

Essas drogas serão úteis para minimizar as perdas associadas à idade, ao emagrecimento acentuado, mas não farão milagres, afirma Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

— Elas trazem a possibilidade evitar perdas grandes. Mas não são para ganho extra de massa muscular. Não serão uma bala de prata — salienta Macedo.

Especialista em fisiologia muscular, Tiago Fernandes, do Laboratório de Bioquímica e Biologia Molecular do Exercício da Universidade de São Paulo (USP), diz que essas drogas poderão ser revolucionárias, se usadas adequadamente.

Quantos medicamentos há em desenvolvimento?

Com base nas principais bases de dados de ensaios clínicos, como ClinicalTrials.gov e PubMed, há no mundo centenas de testes (esse número varia) de pelo menos 40 substâncias candidatas a drogas em diferentes graus pesquisa.

Essas drogas funcionam como a testosterona e outros anabolizantes?

Não. Nenhuma delas é um hormônio esteroide anabolizante, como as formas sintéticas de testosterona usadas como “bomba” para crescer músculos ao custo de pesados efeitos colaterais, sobretudo, para coração e fígado.

E como atuam?

Há várias estratégias. Entre as mais avançadas estão as que atuam bloqueando a miostatina e a activina. A miostatina é uma proteína natural que age como um “freio”, impedindo o crescimento exagerado dos músculos. Quando desregulada, por alterações metabólicas, falta de atividade física e envelhecimento, seu excesso leva à sarcopenia. Candidatas a drogas bloqueiam esse freio ou “enganam” seu receptor nas células pondo em seu lugar uma substância inócua.

Já a activina é uma “prima” da miostatina. Também restringe o crescimento muscular e, quando bloqueada, permite regeneração significativa da massa muscular, o que a torna outro alvo terapêutico em desenvolvimento.

E o que são essas drogas?

Essas drogas são, em sua maioria, anticorpos monoclonais, isto é, com alvos específicos. Os mais avançados em testes com voluntários são Apitegromab (Scholar Rock), Bimagrumab (Eli Lilly) e Trevogrumab (Regeneron).

Clayton Macedo observa que, usadas sozinhas, essas drogas não têm demonstrado um efeito significativo para aumentar massa magra. Porém, quando combinadas com as canetas emagrecedoras (agonistas de GLP-1, GIP e glucagon), conseguem minimizar a perda de músculos. Mas ele adverte que são necessários mais estudos para ter certeza.

Esses medicamentos serão canetas?

Provavelmente, sim. Em testes têm sido administrados por injeções. Mas o formato final para chegar ao mercado deve ser por canetas aplicadoras. A forma oral não é adequada porque esses anticorpos monoclonais são proteínas grandes. Se fossem engolidos, o estômago os destruiria como se fossem uma comida.

Quando essas drogas devem chegar?

Segundo Felipe Gaia, as drogas mais avançadas, se liberadas nos EUA, podem chegar ao Brasil em 2028 ou 2029. As mais adiantadas, em fase 3 de testes com seres humanos, são Apitegromab e Bimagrumab.

A FDA americana deve informar até 30 de setembro se dá o sinal verde para o Apitegrumab. Em caso positivo, poderá ser comercializado nos EUA no fim deste ano ou no início de 2027. A autorização é para tratamento de atrofia muscular espinhal. Porém, o uso “offlabel” é previsível. O laboratório Scholar Rock busca parcerias para realizar teste de fase 3 para preservação e recuperação de massa muscular associada à perda de peso se usado em combinação com a tirzepatida (Mounjaro). Já Bimagrumab passou em fase 2, caso passe no 3, poderia chegar ao mercado em 2029.

E que outras estratégias existem?

O L-BAIBA, por exemplo, pertence a outra classe de substâncias. Ele é uma molécula-chave liberada durante o exercício. Seu papel é regular o mecanismo pelo qual os músculos se remodelam, fortalecem e melhoram sua resistência em resposta ao treinamento. Num estudo publicado em 18 de agosto na Nature Communications, cientistas da Universidade de Leeds (Reino Unido) disseram que pode ser também um tratamento para danos musculares causados pelo diabetes tipo 2. A pesquisa contou ainda com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e de Harvard.

Uma outra estratégia é a terapia gênica com folistatina, uma proteína produzida naturalmente pelo corpo humano que atua bloqueando a miostatina e a activina. No entanto, a folistatina é instável e dura pouco no sangue. A terapia gênica foi a saída encontrada para que o próprio corpo do paciente passe a fabricá-la continuamente. O gene da folistatina é “entregue” diretamente nas células por meio de um vírus inócuo.

Ganhar só volume não adianta?

Não. O educador físico e médico Ricardo Sartorato explica que não adianta ganhar somente massa muscular. O músculo precisa funcionar. E o ganho de função e força é multifatorial. Ele depende tanto de adaptações neurais quanto do tamanho do músculo. A força e a função musculares estão relacionadas à coordenação inter e intramuscular dos neurônios com os músculos e isso não se traduz em tamanho. O ganho de massa funciona como o limite para a força máxima a longo prazo: um músculo maior tem mais capacidade para gerar força. Mas a qualidade da função muscular é fundamental. É por isso que atletas de levantamento de peso olímpico de categorias de leves ou praticantes de calistenia conseguem produzir níveis de força e potência brutais sem apresentarem o volume muscular hipertrofiado de um bodybuilder.

Há exceções?

Para a maioria dos casos, não. No entanto, Ana Carolina Panveloski Salomão, fisioterapeuta doutora em fisiologia humana, diz que para certos pacientes com sarcopenia grave ou imobilizados por doença ou acidentes, um fármaco que preserve a massa muscular, mesmo que não melhore a função, já fará diferença. O remédio poderia ser associado a outros tratamentos, como estimulação elétrica da função. Salomão liderou estudos com uma terapia de RNA para tratar sarcopenia e a caquexia (destruição muscular associada ao câncer) desenvolvida pela empresa Mirscience e apoiada pela Fapesp.

E o uso estético ou de performance?

Felipe Gaia diz não ter dúvida de que isso acontecerá, assim como ocorre com as canetas emagrecedoras. Ele frisa que esse uso não é recomendado porque, como qualquer medicamento, estes foram criados para tratar disfunções e podem ser nocivos quando estas não existem.

Quais são os obstáculos ao desenvolvimento dessas drogas?

Muitas drogas que alcançam aumento visível da massa muscular acabam descontinuadas em fases avançadas de testes devido à falta de ganho de força/função real ou por efeitos colaterais (como alterações vasculares), fazendo com que a lista de candidatos em teste mude constantemente.

Segundo Clayton Macedo, os efeitos adversos das drogas que atuam sobre a miostatina e a activina ainda precisam ser melhor conhecidos. Os mais comuns são espasmos e contração muscular involuntária, além de diarreia, acne, erupções cutâneas. Aparentemente, não houve alteração cardíaca clinicamente significativa.

Embora a inibição da miostatina promova hipertrofia muscular, seus efeitos em longo prazo suscitam preocupações. O crescimento muscular excessivo pode prejudicar a regulação metabólica, reduzir a densidade capilar e aumentar a fibrose, comprometendo potencialmente a função muscular em vez de aprimorá-la.

Além disso, alterações na sinalização da miostatina afetam a estrutura e as propriedades mecânicas dos tendões, aumentando o risco de lesões devido ao desequilíbrio na produção de força muscular. A regulação da miostatina atua como uma espada de dois gumes, na qual tanto sua inibição excessiva quanto sua superexpressão podem causar danos.

Essas drogas poderão substituir a atividade física?

Especialistas são unânimes em responder com um contundente não a essa pergunta. O motivo é simples. É a atividade física que “liga” os músculos e os faz liberarem substâncias essenciais para o organismo. Drogas podem aumentar o volume, mas isto apenas não resolve. Elas precisam do exercício para funcionar.

— O exercício é fundamental para ativar os músculos — salienta a geneticista Mayana Zatz, professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), referência em estudo da longevidade. 

Tiago Fernandes destaca que essas drogas não são “pílulas do exercício”.

— Elas poderão ajudar. Mas o corpo precisa de movimento e somente a atividade física promove mecanismos essenciais. Droga alguma chega perto da complexidade de mecanismos deflagrados pelo exercício — diz Fernandes.

 

 

 

 

 

Por - O Globo

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