O câncer exige uma resposta rápida. No Brasil, cerca de 30% dos diagnósticos anuais da doença correspondem ao câncer de mama e quase metade dos tratamentos levam às cirurgias de remoção total ou parcial das mamas.
Desde novembro de 2025, o governo brasileiro assegura a assistência fisioterapêutica no cuidado de pacientes que passaram pela mastectomia, incluindo a reconstrução dos órgãos.
Estudos como o publicado na ACS Applied Bio Materials em dezembro têm revelado avanços para este procedimento. Pesquisadores desenvolveram um protótipo de pastas injetáveis derivada de células da pele humana que pode ajudar a restaurar o volume mamário após a remoção do tumor, com menos cicatrizes e um tempo de recuperação mais curto do que as opções atuais.
Segundo Pham Ngoc Chien, da Universidade Nacional de Seul, ao serem injetáveis, as pastas promovem o crescimento dos vasos sanguíneos e a remodelação dos tecidos. Dessa maneira, o protótipo manteria a inflamação baixa, permitindo uma reconstrução mamária mais segura, menos invasiva e possivelmente mais acessível. "Assim, elas melhoram o conforto a longo prazo e os resultados estéticos para as pacientes”, acrescentou em comunicado.
Um novo tratamento
Durante o tratamento do câncer de mama, as células cancerosas e o tecido danificado são frequentemente removidos, o que pode resultar na remoção total da mama.
Além da integridade da saúde, a preservação do volume mamário também é uma questão estética. Para os pacientes que desejam reconstruir o órgão após a remoção, médicos têm recorrido a técnicas cirúrgicas conservadoras da mama, nas quais o tecido remanescente é reorganizado para preencher o espaço deixado pela remoção do tumor.
Outros procedimentos incluem a doação de pele e gordura de outras partes do corpo como um enxerto de pele. É uma opção mais invasiva, que resulta em uma cicatriz aparente no local onde o tecido foi retirado.
A saída encontrada pelos pesquisadores envolveu a chamada matriz dérmica acelular (ADM). Trata-se de um biomaterial, utilizado para cirurgias reconstrutivas, derivado de pele humana – ou animal – processado para remover células e epiderme, mas ainda com a preservação da matriz extracelular.
A ADM é utilizada em tratamentos de queimaduras, feridas crônicas e até recessões gengivais. Por ser composta principalmente por colágeno, elastina e ácido hialurônico, é um tratamento que promove a cicatrização.
Os pesquisadores desenvolveram uma forma injetável da ADM, mais adequada para cirurgias reconstrutivas de preenchimento de espaço na mama. A amostra de pele utilizada no procedimento foi doada por uma voluntária, o que levou à formação de pequenas partículas de ADM após uma série de etapas, incluindo descelularização, congelamento e pulverização do material.
Em seguida, a equipe adicionou água às partículas para formar uma pasta espessa que, por sua vez, foi injetada em pequenas quantidades em camundongos para testar a sua biocompatibilidade e eficiência com a de dois produtos de ADM comercializados. Após um período de seis meses, os animais tratados não apresentaram efeitos adversos à saúde, mas sim camadas mais finas de tecido, preferíveis em procedimentos de implante mamário, pois têm menor probabilidade de causar complicações como infecções ou hematomas.
Por - Revista Galileu
Um turista russo de 33 anos, Denis Kopanev, foi encontrado morto numa trilha do Horto, na Zona Sul do Rio, em 30 de setembro do ano passado, após quase quatro meses desaparecido.
Na pochete ao lado do corpo, havia GHB, um produto químico para limpeza de aviões que no Rio, assim como em outras metrópoles, caiu no gosto dos adeptos de chemsex — sexo praticado sob o efeito de drogas. O gama-hidroxibutirato, ou GHB, pode causar relaxamento e, combinado ou não a mais psicoativos, levar à morte. Segundo a polícia, Kopanev usou tina (metanfetamina, conhecida como “crack dos ricos”) e cocaína, além do solvente.
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Os efeitos da adrenalina e da noradrenalina também são perseguidos por quem não está entre quatro paredes. Nas boates ou em festas ao ao livre, percebe-se que as novas drogas inspiram artistas em canções nada compatíveis com os discriminados “proibidões” e bem-aceitas em todas as classes sociais. Bad Bunny, ídolo latino, por exemplo, versa: “A coca é branca, sim, sim/ o Tusi, rosinha, melhor evitar”. O popstar com 49,6 milhões de seguidores no Instagram propaga o poder devastador da “cocaína rosa”, pó de cor delicada e teor explosivo: mistura de cetamina e MDMA; ou metanfetamina, cetamina e MDMA, entre outras variações.
Mil reais o grama
Tusi vem de “tusibi”, que vem do inglês “two-cee -bee”, referência à fórmula química 2C-B. Um economista carioca decidiu experimentar, naquele clima de “já pintou verão e calor no coração”:
— Foi num bloco, quando um amigo colombiano trouxe— disse ele sobre o pó também conhecido como “droga de rico”, comum em festas de réveillon e com valor de mais de mil reais o grama.
Os componentes da “cocaína rosa”, encontrados também em outras substâncias psicoativas, estão entre os de maior uso no mercado global de ilícitos. Segundo estimativas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês), no Relatório Global sobre Drogas publicado no ano passado, o consumo das sintéticas segue em expansão e é dominado justamente por eles: os estimulantes do tipo anfetamina (ATS), como metanfetamina. O relatório global ressalta, no Rio, uma condição favorável à proliferação: facções organizadas como empresas verticais.
X, um traficante carioca que vende pela Zona Sul e pela Zona Norte e consome MD, maconha e cigarro, contou ao GLOBO que usava tusi, até que recuou:
— Vicia muito. Todas as minhas eu joguei na privada em certo momento. Não estava dando mais, não.
Aumento de atendimentos
Os atendimentos nas redes de assistência social e de saúde crescem ano a ano. Segundo a Secretaria municipal de Saúde (SMS), em 2023 e 2024, respectivamente, 8.997 e 13.789 pacientes passaram por tratamento no Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas (Capsad), um aumento de mais de 53%. E os casos seguem subindo: Em 2025, ainda sem os números fechados do ano inteiro, 14.956 pacientes foram acompanhados pela equipe.
“Na rede de urgência e emergência, 8.449 pacientes com relato de consumo de álcool e drogas foram atendidos em 2024. Neste ano, até o momento, 9.603 foram atendidos”, diz a SMS.
Dois jovens ouvidos pelo GLOBO admitiram que tiveram curiosidade de provar novas drogas após ouvir amigos e, concomitantemente, verem emergir na internet memes e músicas com referências a elas.
O psiquiatra e professor Paulo Roberto Telles Pires Dias, do Núcleo de Estudos em Uso de Drogas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), explica que fatores culturais e sociais estão diretamente ligados a uma maior propagação do consumo:
— Hoje, o que está se usando numa balada de São Paulo logo estará no Rio.
O patologista clínico e toxicologista Álvaro Pulchinelli, presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), destaca o aumento exponencial de variedades, devido às grandes possibilidades de combinações químicas. Ele cita, entre as principais apreensões registradas nas metrópoles, novidades como canabinoides sintéticos (K2, SPICE), catinonas (“sais de banho”), “cocaína rosa”, opioides sintéticos (como o fentanil) e os chamados “benzodiazepínicos de design”.
Diante do desafio de tanta variedade e altos riscos de intoxicação, há quatro meses foi publicada a Primeira Norma de Toxicologia do Brasil para laboratórios.
— Esta é uma indústria extremamente lucrativa e complexa, com uma criatividade quase inesgotável — analisa Pulchinelli.
A tusi já levou à morte adolescentes na Europa e nos Estados Unidos. Entre os efeitos prejudiciais ao organismo estão: aumento das frequências cardíaca e respiratória e da pressão arterial. A superdosagem pode, inclusive, levar ao infarto.
As apreensões de ATS atingiram um recorde em 2023, segundo as Nações Unidas, e representaram quase metade de todas as apreensões globais de drogas sintéticas, seguidas pelos opioides sintéticos, incluindo o fentanil.
No Brasil, o governo federal lançará um levantamento relacionado a drogas sintéticas no início deste ano. A autoria é da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança, que há poucos meses divulgou uma cartilha de prevenção e alerta a respeito de nitazenos — opioides de alta potência.
Mais forte que fentanil
De acordo com uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nitazenos chegam a ser 20 vezes piores do que o fentanil, que é 50 vezes mais potente do que a heroína.
Bárbara Caballero, gestora de Estatística da Senad, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, conta que em São Paulo a substância foi identificada num comprimido adulterado.
— A pessoa teria comprado um comprimido de MDMA para consumir, mas na verdade foi identificado um nitazeno — diz a especialista.
Por - O Globo
A prevalência autodeclarada de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre indivíduos com 60 anos ou mais é 0,86%, o que corresponde a aproximadamente 306.836 pessoas. A taxa é ligeiramente maior entre os homens (0,94%) em comparação com as mulheres (0,81%).

A análise feita pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com base no Censo Demográfico de 2022.
De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo inteiro vivem com algum grau de TEA, condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação e na interação social.
Embora o TEA seja tipicamente diagnosticado e manifeste seus sinais durante a infância, trata-se de uma condição que permanece ao longo da vida. Em adultos mais velhos o reconhecimento ainda é limitado, tanto no diagnóstico quanto ao acesso a terapias adequadas.
“Do ponto de vista das políticas públicas de saúde, esses dados reforçam a importância de desenvolver estratégias para a identificação e o apoio a adultos mais velhos com TEA. A prevalência tem crescido nos últimos anos, porém a literatura científica nacional e internacional ainda é escassa em relação ao que se sabe sobre o TEA no contexto do envelhecimento”, afirmou a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde na PUCPR, Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro.
Segundo a pesquisadora, pessoas que envelhecem no espectro tendem a apresentar redução na expectativa de vida e alta prevalência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão, além de maior risco de declínio cognitivo e de condições clínicas, incluindo taxas mais elevadas de doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas.
“Dificuldades na comunicação, sobrecarga sensorial e rigidez de comportamento podem dificultar ainda mais o acesso à saúde dessa população. Portanto, o conhecimento em torno da prevalência do TEA em pessoas idosas no Brasil é o primeiro passo para compreender suas necessidades e assim subsidiar políticas públicas direcionadas a este público”, disse.
Diagnóstico tardio
De acordo com a pesquisadora, a identificação do TEA em pessoas idosas é difícil porque algumas manifestações do transtorno como isolamento social, inflexibilidade, comportamento rígido e interesses restritos podem ser confundidos com características de outros transtornos ou sintomas de ansiedade, depressão ou demência.
Além disso, a falta de profissionais capacitados para a identificação e até as modificações nos critérios podem dificultar o diagnóstico.
“O diagnóstico é frequentemente recebido com alívio, porque o idoso sente que oferece uma explicação para dificuldades interpessoais e sensoriais vivenciadas ao longo da vida, promovendo maior autocompreensão e aceitação”, explicou a especialista.
Por - Agência Brasil
A prevalência autodeclarada de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre indivíduos com 60 anos ou mais é 0,86%, o que corresponde a aproximadamente 306.836 pessoas. A taxa é ligeiramente maior entre os homens (0,94%) em comparação com as mulheres (0,81%).

A análise feita pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), com base no Censo Demográfico de 2022.
De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70 milhões de pessoas no mundo inteiro vivem com algum grau de TEA, condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades persistentes na comunicação e na interação social.
Embora o TEA seja tipicamente diagnosticado e manifeste seus sinais durante a infância, trata-se de uma condição que permanece ao longo da vida. Em adultos mais velhos o reconhecimento ainda é limitado, tanto no diagnóstico quanto ao acesso a terapias adequadas.
“Do ponto de vista das políticas públicas de saúde, esses dados reforçam a importância de desenvolver estratégias para a identificação e o apoio a adultos mais velhos com TEA. A prevalência tem crescido nos últimos anos, porém a literatura científica nacional e internacional ainda é escassa em relação ao que se sabe sobre o TEA no contexto do envelhecimento”, afirmou a pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde na PUCPR, Uiara Raiana Vargas de Castro Oliveira Ribeiro.
Segundo a pesquisadora, pessoas que envelhecem no espectro tendem a apresentar redução na expectativa de vida e alta prevalência de comorbidades psiquiátricas, como ansiedade e depressão, além de maior risco de declínio cognitivo e de condições clínicas, incluindo taxas mais elevadas de doenças cardiovasculares e disfunções metabólicas.
“Dificuldades na comunicação, sobrecarga sensorial e rigidez de comportamento podem dificultar ainda mais o acesso à saúde dessa população. Portanto, o conhecimento em torno da prevalência do TEA em pessoas idosas no Brasil é o primeiro passo para compreender suas necessidades e assim subsidiar políticas públicas direcionadas a este público”, disse.
Diagnóstico tardio
De acordo com a pesquisadora, a identificação do TEA em pessoas idosas é difícil porque algumas manifestações do transtorno como isolamento social, inflexibilidade, comportamento rígido e interesses restritos podem ser confundidos com características de outros transtornos ou sintomas de ansiedade, depressão ou demência.
Além disso, a falta de profissionais capacitados para a identificação e até as modificações nos critérios podem dificultar o diagnóstico.
“O diagnóstico é frequentemente recebido com alívio, porque o idoso sente que oferece uma explicação para dificuldades interpessoais e sensoriais vivenciadas ao longo da vida, promovendo maior autocompreensão e aceitação”, explicou a especialista.
A maioria dos "ratos de academia" consegue se lembrar de uma vez em que passou do limite. Talvez tenha sido uma sessão excessiva de musculação ou alguns quilômetros a mais em um treino longo de corrida, resultando em dor no joelho ou na lombar, rigidez nas articulações ou dores musculares.
Faça isso uma vez e você vai sentir por alguns dias. Faça isso com frequência e pode acabar enfrentando um problema de saúde muito mais sério.
Qualquer pessoa que já treinou pesado sabe como é ultrapassar os próprios limites, exagerar, treinar demais. Mas, se você permanecer nessa zona do “excesso” por mais tempo, isso pode levar a uma condição médica chamada síndrome do overtraining, ou OTS (na sigla em inglês).
— Todo treino é pensado para desafiar o corpo a se adaptar e melhorar — diz David S. Gazzaniga, cirurgião ortopedista e chefe da divisão de medicina esportiva do Hoag Orthopedic Institute, no Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Mas sobrecarregar o corpo sem descanso e recuperação suficientes pode virar seu progresso de cabeça para baixo.
Em vez de ganhos, sua força geral e seu desempenho começam a cair, “afetando tanto a saúde mental quanto a física”, afirma o especialista. Vai muito além das panturrilhas reclamando quando você tenta descer a escada na manhã seguinte.
Há inúmeros benefícios comprovados em ser dedicado e se esforçar nos treinos. Mas a OTS não se desenvolve a partir de um único treino intenso. Ela surge da repetição e é cumulativa.
A síndrome pode desregular funções normais do corpo, causando desequilíbrios hormonais, supressão do sistema imunológico, degradação do tecido muscular ou até danos aos rins. A OTS também pode deixá-lo mais suscetível a fraturas por estresse, tendinites crônicas e outras lesões por uso excessivo, todas capazes de afastar você dos treinos por meses.
Outros sintomas podem incluir dores de cabeça, desorientação, irregularidade no funcionamento intestinal e, nas mulheres, ciclos menstruais irregulares, afirma Colin Robertson, cientista do exercício e da nutrição do Reino Unido, que já trabalhou com membros da equipe britânica em quatro Olimpíadas de verão.
— Ir à academia e se destruir por 45 minutos, seis dias por semana, sem descanso, já não promove adaptação alguma. Você só está impondo estresse negativo demais ao seu organismo, é dibilitante — diz Robertson.
Levantar dados sólidos sobre quantas pessoas vivenciam a OTS é um desafio, afirma Jason Lake, cirurgião ortopedista da OrthoArizona, em Gilbert, no Arizona, EUA:
— Não há estudos robustos e em larga escala suficientes para citar uma taxa de prevalência precisa.
Mas médicos dizem que estão vendo mais casos, e muitos acabam não sendo relatados ou são confundidos com outras condições.
— Observamos padrões consistentes mostrando que atletas de endurance e pessoas que treinam em volumes ou intensidades elevados têm maior risco de OTS — diz Jillian Kleiner, fisioterapeuta licenciada da Hinge Health, em Denver, nos EUA.
Como identificar a síndrome
Para Hannah M. Le, de 27 anos, o caminho até a OTS começou com networking. Ela se exercitava duas vezes por dia em outubro de 2024 para maximizar o valor da mensalidade da academia e encontrar formas de divulgar seu negócio de venda de elásticos de cabelo. Le achava que o melhor lugar para conhecer pessoas do seu público-alvo — mulheres que querem um elástrico que aguente treinos pesados — era a academia.
— Eu tinha acabado de me mudar para Nova York e tinha menos de um ano para tornar minha empresa lucrativa e conseguir me sustentar. Eu estava em modo total de sobrevivência — conta.
Em três meses, o plano começou a dar errado. Le passou a sacrificar o sono para ir à academia, eliminou os dias de descanso e reduziu o tempo de recuperação a zero. Ao acompanhar seus indicadores de saúde por seis meses, percebeu que a variabilidade da frequência cardíaca — o tempo entre um batimento e outro — ficava oscilando constantemente. Foi o primeiro sinal de que algo estava errado. Pouco depois, veio o diagnóstico de OTS.
— A pior parte era a dor. Tantos nódulos intensos (no meu corpo) que nem massagistas conseguiam dar conta — fala.
Geralmente, tudo começa com fadiga, diz Kleiner. Você pode se sentir esgotado, sem conseguir se recuperar dos treinos como de costume e até temendo os próximos.
— Outros sinais de alerta da OTS incluem dor muscular persistente, queda de força ou velocidade, sono ruim, alterações de humor, ansiedade, depressão, aumento da inflamação e doenças recorrentes ou enfraquecimento do sistema imunológico — afirma.
A dor muscular pós-treino costuma atingir o pico entre 24 e 72 horas após o exercício e deve desaparecer em cerca de uma semana.
— Se ela durar mais do que isso, mesmo em repouso, pode ser um sinal de alerta para overtraining — diz Kleiner.
Descanso para os exaustos
A recuperação é essencial para um programa de exercícios bem-sucedido, seja para voltar à forma ou manter o nível atual de condicionamento físico.
— É nessa fase de descanso que você obtém os ganhos. E o sono é a estratégia de recuperação mais eficiente que existe — diz Lake.
Mas descanso não significa apenas dormir de sete a oito horas por noite. Tampouco equivale à inatividade total, complementa Kleiner:
— Movimentos leves, como ioga, alongamentos ou caminhadas, podem ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo e a mobilidade sem sobrecarregar o organismo.
Também é inteligente usar esse tipo de recuperação ativa para recarregar a mente antes de voltar a treinos mais estruturados ou rigorosos, afirma.
O primeiro passo para evitar e se recuperar da OTS começa no cérebro, diz Kleiner, ao adotar uma abordagem mais equilibrada em relação à atividade física.
— O objetivo é encontrar o ponto ideal de movimento. O lugar em que você está fazendo a quantidade certa de atividade para o seu corpo. O exercício ou a atividade são desafiadores, mas possíveis —afirma.
Em seguida, diversifique sua rotina, recomenda Gazzaniga. Sim, você pode estar correndo sempre a mesma distância ou nadando aquelas mesmas voltas na piscina a cada dois dias há uma década. Mas variar os estímulos só tende a melhorar seu bem-estar geral.
Le encontrou esse equilíbrio ao voltar a fazer apenas um treino por dia, em vez de dois.
— Também passei a focar em exercícios de força que me permitam praticar outras atividades de que realmente gosto, como esqui, golfe e trilhas — conta.
O treino cruzado é o segredo para prevenir a OTS e lesões por uso excessivo, diz Gazzaniga. Exercícios que envolvem fortalecimento isométrico, como ioga ou tai chi, podem ser especialmente úteis, sobretudo para pessoas mais velhas.
Se o seu objetivo com a atividade física é a longevidade, o essencial é reconhecer quando você está exagerando — e entender que descansar é o caminho certo a seguir.
Por - O Globo
Tradição na virada do ano, a queima de fogos de artifício traz prejuízos a parte da população mais sensível aos ruídos causados pelo estouro dos artefatos. Entre elas, idosos, crianças e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O neuropediatra e professor da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Anderson Nitsche, explica que os efeitos dos fogos nos autistas podem ir além da hora da virada. 

“As crianças e pessoas autistas têm uma sensibilidade maior ao som e isso causa uma perturbação momentânea, mas que pode até durar por mais tempo, gerando sofrimento de insônia durante alguns dias”, afirma o professor.
Diante do barulho intenso, pessoas no espectro autista podem entrar no que é chamado de crise sensorial, em que o estímulo gera alterações de comportamento que vão desde ansiedade e vontade de fugir daquele meio, até agressividade contra si ou demais pessoas que estão ao redor.
A neurologista e diretora clínica do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba), Vanessa Rizelio, explica que as pessoas que têm TEA não conseguem processar que aquele ruído alto, por um período prolongado, é um momento de celebração - uma vez que, para eles, promove uma sensação desagradável que não é bem processada pelo cérebro.
“O cérebro deles entende como uma coisa negativa, algo que está gerando um desconforto e a reação vai ser sair daquela situação. Muitas vezes, isso se vai manifestar como ansiedade, irritabilidade, fora o prejuízo depois no sono que pode impactar até o dia seguinte”, destaca Vanessa.
Fundadora da Associação de Neurologia do Estado do Rio de Janeiro (ANERJ), a neuropediatra Solange Vianna Dultra, aponta outros efeitos que a queima de fogos pode desencadear no organismo dessas pessoas.
“O coração dá uma descarga de adrenalina, acelera, a pressão sobe. Eles não conseguem entender que é uma festa. É como se estivessem no meio de um tiroteio. Algumas pessoas se desregulam até na hora de recreio na escola por causa do barulho”, explicou a especialista.
Alternativas
Algumas cidades brasileiras já começaram a rever a prática da queima de fogos na virada do ano em celebrações públicas e há legislações específicas proibindo artefatos com barulho. A adoção de fogos sem estampido, espetáculos de luzes e apresentações com drones são alternativas para preservar o simbolismo das celebrações, sem impor um custo sensorial a parte da população.
A psicóloga com especializações em neuropsicologia e em saúde mental, Ana Maria Nascimento, acredita que essas alternativas mantêm o caráter coletivo da festa e ampliam o direito à participação. Em um contexto em que já existem soluções ao barulho, ela defende que insistir no uso de fogos ruidosos "parece um gesto de indiferença".
“Celebrar pressupõe convivência. Quando a alegria de uns depende do sofrimento de outros, é legítimo questionar se essa tradição ainda faz sentido”.
A neuropediatra Solange Vianna destaca que o sofrimento causado pelo ruído dos fogos não é só para a criança autista, mas para toda a família. Ela ressalta que, no caso de fogos silenciosos, a luminosidade não é um problema, porque basta a família manter a criança com TEA longe de janelas.
O professor da PUC-PR também ressalta a necessidade de a sociedade olhar para a questão com mais empatia, adaptando tradições para promover a inclusão dessas pessoas nas festividades.
“Acolher, entender e perceber que há pessoas que sofrem com determinadas tradições é tão importante quanto as próprias vivências”, aponta Anderson Nitsche.
De acordo com Nitsche, o autismo tem uma prevalência mundial em torno de 3% da população. Nem todos os autistas têm alterações sensoriais, auditivas. Para o especialista, empatia é a palavra-chave para a questão. “O processo de inclusão passa pela ideia de entender que há pessoas que são diferentes da gente e que, muitas vezes, a minha liberdade fere a liberdade do outro e gera nelas um sofrimento desnecessário”.
Idosos e crianças
Os idosos são outro grupo que sofre o impacto dos ruídos intensos, especialmente aqueles com demência, uma vez que têm dificuldade no processamento das informações. De acordo com Vanessa, o idoso com demência pode entrar em surto de delírios e alucinações diante da queima de fogos, prejudicando também o sono, a memória e o raciocínio para o dia seguinte.
Os bebês também são afetados de maneira negativa, uma vez que têm uma necessidade de dormir por períodos mais longos do que crianças mais velhas e adultos.
“Se o bebê passa a ser despertado por esse ruído ou não consegue adormecer, isso traz prejuízos. Porque os fogos começam a ser soltados muitas horas antes e o ruído vai gradualmente aumentando até chegar ao ápice, à meia-noite", lembra Vanessa.
Nesses casos, o uso no ambiente de outros sons, como ruído branco, ou de abafadores, para crianças maiores, pode minimizar esse impacto.
Vanessa Rizelio critica que, embora em muitas cidades brasileiras esteja proibida a venda de fogos de artifício, não há uma fiscalização de fato.
“Em Curitiba, por exemplo, essa lei já está em vigência há mais de cinco anos e nós continuamos ouvindo muitos fogos de artifício com barulhos intensos sendo soltos em comemorações, principalmente no ano novo”. Ela defende mais rigor para “minimizar o impacto de um comportamento humano que já deveria ter sido mudado há muito tempo”, afirma.
por - Agência Brasil





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