Um levantamento recente feito pela Sanepar ajuda a mapear a segurança hídrica dos imóveis no Paraná. Os dados mostram que o acesso à caixa d'água é uma realidade nos municípios atendidos pela companhia, mas uma parcela significativa da população (23% nas residências e 30% nos comércios) ainda não tem caixa-d’água ou cisterna.
A posse do reservatório doméstico nas residências varia conforme a região do Estado. Na região do Norte, 87,7% dos entrevistados disseram que possuem caixa-d’água nas suas residências. Já a região Sudoeste apresenta o menor índice: 64,3% dos imóveis residenciais e 54,7% dos comércios possuem reservação. Entre os municípios pesquisados, Telêmaco Borba (56,6%), nos Campos Gerais, e Foz do Iguaçu (59,5%), no Oeste, apresentaram os menores índices de imóveis residenciais com a instalação destes equipamentos.
A norma técnica brasileira indica que todas as residências devem ter uma caixa-d’água, que funciona como reserva de emergência. De acordo com o estudo, 78% dos clientes com reservatório afirmam não ter sentido falta de água no período de um ano.
Para o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley, o reservatório doméstico é uma extensão do sistema de distribuição. “Este cenário revela que quem tem caixa-d’água não é afetado por interferências no abastecimento. Da mesma forma que a Companhia investe nos sistemas de reservação para a estabilidade do sistema, a caixa-d’água dos imóveis residenciais e comerciais permite o acesso à água, mesmo em casos de interrupção temporária”, afirma.
“O perfil das famílias que existem no Paraná é composto, geralmente, por três a quatro pessoas. Para esse perfil, uma caixa-d’água com 500 litros de volume consegue atender o abastecimento de uma residência por um dia, ou seja, por 24 horas. Isso é importante porque eventualmente vão ocorrer manutenções nas redes de distribuição de água e o serviço terá que ser interrompido para que se possa efetuar consertos ou outras intervenções, como interligações de obras desse tipo”, explica o gerente de engenharia da Sanepar, Eduardo Arrosi.
Arrosi também destaca a necessidade de instalação de cisternas para auxiliar no sistema de bombeamento de prédios e edificações com mais de dois pavimentos. Para construções com mais de 600 metros quadrados, é necessária a aprovação do projeto hidrossanitário na Sanepar. Em casos de prédios com dois ou mais pavimentos, é exigida a construção de uma cisterna.
“As normas brasileiras recomendam que a Sanepar, e qualquer outra concessionária de distribuição de água, forneça uma pressão de 10 metros de coluna d'água (m.c.a.) na entrada do hidrômetro. Ou seja, a água teria força suficiente para subir 10 metros. Por isso, nos casos acima de dois pavimentos — nos quais os edifícios chegam muito próximo ou ultrapassam essas alturas — é necessária a cisterna com sistema de bombeamento. Com isso, o cliente não vai sentir falta de água”, diz.
ESTABILIDADE NO ABASTECIMENTO – A infraestrutura interna mitiga o impacto de paradas técnicas. Na região Norte, onde o índice de reservação é alto, a satisfação com a continuidade atinge 85,5%. Este número traduz o impacto positivo e revela a importância da caixa-d’água.
“Eventualmente vão ocorrer manutenções nas redes de distribuição e o serviço terá que ser interrompido para consertos ou outras intervenções. Também é importante ressaltar que para distribuir água nós dependemos da energia elétrica. Então, quando há falta de eletricidade, pode ocorrer a paralisação no sistema de abastecimento de água. Nesses casos, tendo a caixa-d’água, o consumidor não vai sentir a falta, porque vai ter essa reserva em sua residência”, acrescenta Arrosi.
Além disso, diferente da eletricidade, a velocidade de deslocamento da água no sistema é muito menor e a retomada do abastecimento depende de vários fatores que são levados em consideração pelos técnicos da Sanepar. Nesses casos, a caixa-d’água residencial funciona como uma garantia.
O empresário Raimundo Wagner Moreira investe na construção de imóveis para venda e locação em Foz do Iguaçu e faz parte daqueles que reconhecem a importância da reservação doméstica para o negócio e para a tranquilidade dos inquilinos e compradores. “É um item de extrema importância em uma obra. Caso a Sanepar precise fazer alguma manutenção na rede, a gente não fica desabastecido. Sempre coloquei o equipamento, inclusive estou fazendo uma obra nova e já está no projeto também fazer a caixa-d’água", afirma.
PROJETO SOCIAL – O Governo do Paraná e a Sanepar também tem um projeto social que ajuda famílias com a instalação de caixas d'água. O Caixa d'Água Boa disponibiliza uma caixa d'água e um kit de instalação às famílias em situação de vulnerabilidade social que não possuem caixa d'água no domicílio. Estas famílias recebem capacitação para instalação adequada, e o subsídio financeiro de R$ 1 mil para viabilização da instalação. Desde sua criação, em 2017, o programa já recebeu R$ 46 milhões e beneficiou 15 mil famílias.
Para ser elegível ao projeto, a família deve atender cumulativamente aos seguintes critérios: residir em município que possua contrato de concessão ou programa vigente com a Sanepar; residir em domicílio abastecido pela Sanepar e que não possua caixa d'água; estar inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e encontrar-se em situação de vulnerabilidade social conforme o Índice de Vulnerabilidade das Famílias (IVFPR); e possuir renda familiar de até meio salário mínimo nacional por pessoa.
METODOLOGIA – O levantamento contratado pela Sanepar foi realizado pelo Instituto Radar Pesquisas e ouviu no mês de novembro de 2025, 2.900 pessoas, sendo 2.400 de clientes residenciais e 500 clientes de imóveis comerciais em cidades polos de cada região do Paraná.
Por - AEN
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça a importância da vacinação contra a influenza e a Covid-19 como uma medida de proteção que vai muito além das infecções respiratórias. Além de reduzir casos graves e óbitos, a imunização ajuda a evitar complicações como infarto, Acidente Vascular Cerebral (AVC) e a descompensação de doenças crônicas.
A necessidade do alerta se baseia no fato de que essas infecções não atingem apenas o pulmão, podendo funcionar como um “gatilho” para problemas cardiovasculares. Portanto, a atenção deve ser redobrada, especialmente em pessoas que convivem com hipertensão, diabetes, obesidade, doença renal crônica ou histórico de AVC. Nesses grupos, uma infecção aparentemente comum pode causar dependência e piora clínica severa.
Estudos recentes publicados no New England Journal of Medicine, um periódico médico semanal publicado pela Massachusetts Medical Society, e na The Lancet, uma das revistas científicas de medicina mais prestigiadas e influentes do mundo, mostram que o risco de infarto agudo do miocárdio pode aumentar em seis vezes na primeira semana após o diagnóstico de influenza, enquanto o risco de AVC isquêmico pode subir até sete vezes após a Covid-19.
Em contrapartida, a vacinação contra a gripe foi associada a uma redução de 34% nos grandes eventos cardiovasculares e a um menor risco de morte ou trombose de stent em pacientes com doença coronariana.
O secretário de Estado da Saúde, César Neves, ressalta que a vacina é uma ferramenta de proteção sistêmica fundamental para garantir a estabilidade clínica da população, especialmente com a proximidade dos dias mais frios.
“Quanto antes nos vacinarmos, melhor. O corpo demora de duas a três semanas para estar com a imunidade completa. Ao evitarmos a infecção, impedimos uma inflamação intensa que sobrecarrega o coração e o sistema circulatório. Vacinar também é cuidar do coração, do cérebro e da vida, sendo uma das medidas mais eficazes para proteger a saúde individual e coletiva em um cenário de envelhecimento da população”, afirmou o secretário.
CAMPANHA DE VACINAÇÃO – No Paraná, a campanha de vacinação contra a gripe já contabiliza mais de 597 mil doses aplicadas desde 28 de março. A estimativa é vacinar 4.815.445 pessoas até o dia 30 de maio, buscando atingir a meta de 90% de cobertura nos grupos prioritários, especialmente em gestantes, idosos e crianças, grupos que em 2025 registraram coberturas de 74,6%, 59,2% e 58,6%, respectivamente.
COVID-19 – A vacina da Covid-19 está disponível para pessoas vivendo em instituições de longa permanência, indivíduos imunocomprometidos, indígenas, ribeirinhos e quilombolas, as puérperas, trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente e com comorbidades, além de pessoas privadas de liberdade, funcionários do sistema de privação de liberdade, adolescentes em medidas socioeducativas e pessoas em situação de rua.
ABASTECIMENTO – A Sesa mantém o abastecimento regular das mais de 1.850 salas de vacinação nos 399 municípios do Estado para garantir que o Paraná supere os índices de cobertura vacinal preconizada pelo Ministério da Saúde. A orientação é para que a população procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima, verifique se há doses em atraso e aproveite a estratégia de multivacinação para atualizar a caderneta antes da chegada do inverno.
Por - AEN
A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta (PA), é uma doença crônica que acomete crianças, adultos e idosos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. É uma condição multifatorial e um dos principais fatores de risco para complicações das doenças cardiovasculares.
Assim como a obesidade e outras doenças cardiovasculares, a pressão alta pode acometer as pessoas a partir da interação de diferentes comportamentos de risco, como o alto consumo de alimentos ultraprocessados, gorduras, sódio, bebidas alcoólicas e o sedentarismo, entre outros determinantes relacionados ao estilo de vida.
Segundo a Secretaria estadual da Saúde (Sesa), 2.186.861 pessoas convivem com hipertensão arterial no Estado. O levantamento considera dados do início do primeiro trimestre de 2026. De janeiro a fevereiro, os atendimentos individuais na Atenção Primária à Saúde (APS) chegaram a 820.959, enquanto no mesmo período de 2025 foram registrados 804.846 atendimentos.
O secretário da Saúde, César Neves, ressaltou a importância de uma alimentação saudável na rotina a fim de prevenir a alteração da pressão e de outras doenças. “A redução do consumo de alimentos ultraprocessados no cardápio traz grandes benefícios à saúde. O alimento é o pilar da nossa estrutura; tudo o que consumimos se transforma em energia para o corpo, a mente e o desempenho no cotidiano”, disse.
De acordo com o parâmetro atual, atualizado no final de 2025, a pressão arterial de 120/80 mmHg (popularmente conhecida como 12 por 8) deixou de ser considerada ideal e passou a integrar a categoria de pré-hipertensão. Para ser classificada como normal, a pressão deve estar abaixo desses valores.
Entre os principais fatores de risco para a hipertensão estão os hábitos alimentares inadequados (especialmente o consumo excessivo de sal), sobrepeso e obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo de álcool e, em alguns casos, fatores genéticos. Além disso, a hipertensão é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC), doença renal crônica, ocasionando em mortes prematuras.
A nutricionista da Divisão de Promoção da Alimentação Saudável e Atividade Física da Sesa, Viviane Bogasz de Melo, orienta sobre a importância da redução do consumo de sódio e de alimentos ultraprocessados.
“Devemos ter cautela com o consumo diário de sódio, que muitas vezes passa despercebido. A recomendação é não ultrapassar 2 gramas de sódio por dia, o equivalente a cerca de 5 gramas de sal de cozinha. Na prática, isso significa reduzir o uso do sal no preparo dos alimentos e evitar o consumo de produtos ultraprocessados, que frequentemente contêm altas quantidades de sódio”, alertou.
DIA NACIONAL DE PREVENÇÃO E COMBATE – O dia 26 de abril marca a conscientização e o combate à hipertensão arterial. A data tem como objetivo alertar sobre a doença que afeta cerca de 28% da população brasileira, segundo dados da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).
Aferir a pressão regularmente é a maneira de diagnosticar a hipertensão. Pessoas a partir dos 20 anos devem fazê-lo ao menos uma vez por ano. Em casos de histórico familiar, a recomendação é fazer a medição pelo menos duas vezes ao ano.
A pressão alta não tem cura, mas possui tratamento e pode ser controlada. Apenas o médico pode indicar o melhor método para cada paciente. Além do uso de medicamentos, é fundamental ao hipertenso adotar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada, atividade física, sono de qualidade, controle do estresse e evitar o uso de cigarro e álcool.
REDE DE DIAGNÓSTICO E PREVENÇÃO – A Sesa direciona o cuidado em saúde da população por meio da Rede de Atenção à Saúde, que inicia pela proteção, prevenção e tratamento, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), com aferição, controle, orientação e diagnóstico e tratamento.
Além disso, a pasta orienta as equipes da Atenção Primária à Saúde sobre a Estratégia do Risco Cardiovascular, que tem como objetivo qualificar a atenção integral às pessoas com condições consideradas fatores de risco para as Doenças Cardiovasculares (DCV). A iniciativa busca fortalecer ações voltadas à promoção da saúde e ao controle dos níveis pressóricos (PA), incentivar a adesão ao tratamento e estimular mudanças no estilo de vida. Como resultado, espera-se reduzir a ocorrência de complicações, internações e óbitos associados a essas condições.
Como estratégia indutora para a avaliação do risco cardiovascular (RCV), a Sesa incorporou um indicador específico ao Programa de Aperfeiçoamento para Profissionais da Saúde (PROAPS) Paraná, com objetivo de estimular as equipes e realizarem a estratificação do risco cardiovascular na população de 40 a 74 anos. A medida possibilita o rastreamento e o diagnóstico precoce da hipertensão arterial, além de qualificar o manejo clínico dos usuários, contribuindo para prevenção de complicações e a oferta de um cuidado mais oportuno e resolutivo.
ULTRAPROCESSADOS – Os alimentos ultraprocessados são nutricionalmente desbalanceados com baixas quantidades de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos e com elevadas quantidades de aditivos químicos, gorduras, açúcares e sódio e por meio de diferentes fatores afetam negativamente a regulação de fome e saciedade, induzindo ao consumo excessivo. Além disso, o consumo excessivo de ultraprocessados impacta negativamente na microbiota intestinal, reduzindo a diversidade e abundância de bactérias benéficas no intestino e promovendo um desequilíbrio que gera inflamação intestinal e torna-se um terreno fértil para alterar o metabolismo e para o surgimento de obesidade, hipertensão, doenças cardiovasculares, neoplasias, diabetes, entre outras.
A Sesa reforça que o mais importante é adotar medidas de controle para evitar que a pressão arterial se torne um problema mais grave. Manter hábitos saudáveis, cuidar da alimentação, praticar atividades físicas regularmente e evitar o tabagismo são atitudes fundamentais para reduzir riscos e preservar a saúde.
Por - AEn
A volta do feriado de Tiradentes tem em todas as regiões do Paraná. As oportunidades podem ser conferidas nas Agências do Trabalhador e contemplam diferentes áreas de atuação e níveis de escolaridade, com oportunidades para quem busca o primeiro emprego ou recolocação no mercado de trabalho.
Entre as funções com maior número de vagas estão alimentador de linha de produção (6.108 vagas), abatedor (1.485 vagas), operador de caixa (903 vagas) e repositor de mercadorias (834 vagas).
A Grande Curitiba lidera o número de vagas no Estado, com 5.161 oportunidades de emprego, entre elas alimentador de linha de produção (444), operador de telemarketing ativo e receptivo (345) e operador de caixa (324). Só na Agência do Trabalhado de Curitiba são 1.044 vagas, sendo as principais: repositor de mercadoria (133), operador de caixa (111) e fiscal de loja (110).
Na sequência vem a Regional de Cascavel, com 4.936 chances de trabalho. Nessa regional as principais vagas são para alimentador de linha de produção (1.678), abatedor (987) e operador de caixa (205).
A terceira regional com mais oportunidade é a de Campo Mourão, com 2.796 postos de trabalho abertos. Puxam as vagas nesta regional os cargos de alimentador de linha de produção (787), abatedor (280) e magarefe (215).
As demais vagas estão distribuídas pelas regionais de Foz de Iguaçu (2.372), Pato Branco (2.211), Londrina (1.514), Maringá (1.183), Umuarama (933), Guarapuava (571), Paranaguá (545), Ponta Grossa (183) e Jacarezinho (36).
Além das vagas operacionais, há oportunidades que exigem qualificação técnica ou ensino superior, como psicólogo, fonoaudiólogo, professor, farmacêutico, entre outros.
Os interessados podem procurar a Agência do Trabalhador mais próxima ou acessar os canais digitais para consultar as vagas disponíveis e agendar atendimento.
Por -AEN
O reservatório de água da usina de Itaipu, na fronteira do Brasil com o Paraguai, na Região Sul do país, possui cerca de 1,3 mil quilômetros quadrados (km²) de perímetro, com quase 170 km de extensão, desde a barragem até o lado oposto, e uma largura média de 7 km entre as margens direita e esquerda.

Toda a capacidade hidrelétrica contida na área inundada do Rio Paraná, que move turbinas que geram até 14 mil megawatts (MW) de energia elétrica, também pode ser aproveitada para gerar eletricidade a partir de painéis solares instalados justamente sobre o espelho d'água. Esse é o experimento que vem sendo estudado por técnicos brasileiros e paraguaios desde o fim do ano passado.
Ao todo, foram instalados 1.584 painéis fotovoltaicos em uma área de menos de 10 mil metros quadrados (m²) sobre o lago, a apenas 15 metros de um trecho da margem no lado paraguaio, com profundidade de aproximadamente 7 metros.
A planta solar de Itaipu tem capacidade de gerar 1 megawatt-pico (MWp), unidade de medida para a capacidade máxima de geração de energia. Essa energia é equivalente ao consumo de 650 casas e só é utilizada para consumo interno, sem comercialização e sem ligação direta com a rede de geração hidrelétrica.
Na prática, o objetivo atual da "ilha solar" de Itaipu é funcionar como um laboratório de pesquisa para futuras aplicações comerciais. Os engenheiros envolvidos no projeto analisam todos os aspectos, como a interação das placas com o ambiente, incluindo eventuais impactos no comportamento de peixes e algas, na própria temperatura da água, influência dos ventos sobre o desempenho do painéis, a estabilidade da estrutura, dos flutuadores e da ancoragem com o solo.
A ideia, no futuro, é expandir a geração de energia elétrica por esta via, algo que precisará ser atualizado no próprio Tratado de Itaipu, assinado em 1973 entre Brasil e Paraguai e que viabilizou a colossal obra de engenharia compartilhada.
"Se falarmos em um potencial bem teórico, uma área de 10% do reservatório, coberta com placas solares, seria o mesmo que outra usina de Itaipu, em termos de capacidade de geração. Claro que isso não está no planos, pois seria uma área muito grande e depende ainda de muitos estudos, mas mostra o potencial dessa pesquisa", apontou o superintendente de Energias Renováveis da Itaipu Binacional, Rogério Meneghetti.
Estimativas preliminares indicam que seriam necessários pelo menos quatro anos de tempo de instalação para atingir uma geração solar de 3 mil megawatts (algo como 20% da capacidade instalada da hidrelétrica atualmente).
O investimento é de US$ 854,5 mil (cerca de R$ 4,3 milhões na cotação atual). As obras de instalação foram tocadas por um consórcio binacional formado pelas empresas Sunlution (brasileira) e Luxacril (paraguaia), vencedor da licitação.
Uma usina, muita fontes
A diversificação de fontes de energia na Itaipu Binacional não se limita aos estudos em energia solar, mas envolve projetos ousados com hidrogênio verde e baterias.
Essas iniciativas estão em desenvolvimento no Itaipu Parquetec, um ecossistema de inovação e tecnologia, criado em 2003 pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu (PR). Conta com parceria de universidades e empresas públicas e privadas e já formou mais de 550 doutores e mestres em diferentes áreas.
Ali, funciona o Centro Avançado de Tecnologia de Hidrogênio, que desenvolve o hidrogênio verde. O hidrogênio é denominado "verde", ou sustentável, porque ele pode ser obtido sem emissão de gás carbônico (CO₂), causador do efeito estufa e, por consequência, do aquecimento global.
A técnica usada no Itaipu Parquetec é o processo da eletrólise da água, que promove a separação dos elementos químicos a partir de moléculas como a da água (H₂O), por meio do uso de equipamentos em processos químicos automatizados feitos em laboratórios.
O hidrogênio verde é versátil e pode servir como insumo sustentável para a cadeia de produção industrial, incluindo siderúrgica, química, petroquímica, agrícola, alimentícia entre outras, e como combustível para o mercado de energia e transporte. Em Itaipu, uma planta de produção do hidrogênio verde serve como uma plataforma para desenvolvimento de projetos-piloto.
"Nós somos uma plataforma tecnológica, então trabalhamos para atender, por exemplo, projetos de pesquisa [científica] ou projetos para indústria nacional. Existem algumas empresas nacionais que estão fazendo seus desenvolvimentos de carreta [movida] a hidrogênio, de ônibus a hidrogênio, por exemplo. Aqui é o lugar para testar e validar esses projetos", explica Daniel Cantani, gerente do Centro de Tecnologia de Hidrogênio do Itaipu Parquetec.
Uma dessas iniciativas foi apresentada durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, quando um barco movido a hidrogênio, a partir de uma pesquisa no Itaipu Parquetec, foi entregue para atuar na coleta seletiva das comunidades ribeirinhas no entorno da capital paraense.
Outro destaque no Itaipu Parquetec é um centro de gestão energética, que alavanca pesquisas na área de desenvolvimento de células e protótipos para fabricação e reaproveitamento de baterias, para o armazenamento de energia, especialmente em sistemas estacionários, voltados para empresas ou outras estações fixas, que demandam, por exemplo, uma reserva energética.
Biogás e SAF
A Itaipu também vem apostando na geração de biogás a partir de resíduos orgânicos gerados pelos restaurantes espalhados por diferentes alas da usina e de materiais apreendidos pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA-Vigiagro), em fiscalização de fronteira.
Tudo isso, em vez de ser descartado em aterro, transforma-se em biogás e biometano.
A convite da Itaipu Binacional, a Agência Brasil acompanhou, no último dia 13 de abril, a reinauguração da Unidade de Demonstração de Biocombustíveis que fica no complexo da usina. O local é gerido pelo Centro Internacional de Energias Renováveis (CIBiogás), uma empresa fundada por Itaipu voltada a soluções na área de combustível limpo.
Por um processo de biodigestão realizado em grandes tanques, alimentos oriundos de contrabando e outros resíduos orgânicos gerados na região são transformados em combustível limpo, capaz de abastecer carros que circulam dentro de Itaipu, abastecidos por meio de cilindros de gás instalados nos veículos.
Em quase nove anos de operação, segundo a usina, foram processadas mais de 720 toneladas de resíduos orgânicos, volume que resultou na geração de biometano suficiente para percorrer cerca de 480 mil quilômetros, o equivalente a 12 voltas ao redor da Terra.
A planta também desenvolve, de forma experimental, o bio-syncrude, um óleo sintético que pode ser usado na produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação, na sigla em inglês).
"Eu acredito que nos próximos 10 anos, nós vamos ver muito sobre os combustíveis avançados. Vamos ouvir muito sobre o hidrogênio, sobre o SAF, inclusive por conta da lei de combustíveis futuro, que vem aí com mandato. Biometano e SAF são os assuntos do momento", destaca Daiana Gotardo, diretora técnica do CIBiogás.
Por - Agência Brasil
O cuidado com a saúde mental no Paraná tem passado por uma profunda transformação nos últimos anos, consolidando um modelo de atendimento que prioriza a integração, a prevenção e o vínculo com a população.
Por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o Governo do Paraná estruturou uma robusta Rede de Atenção Psicossocial (Raps), que garante desde o acolhimento inicial nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) até tratamentos especializados e internamentos. Somente em 2025 foram investidos mais de R$ 23 milhões diretamente na Linha de Cuidado em Saúde Mental.
No ano passado, foram realizados 2.551.463 atendimentos, o que representa um crescimento de 19% se comparado ao ano anterior – 2.144.086 registros. Os serviços nessa área correspondem à atenção a pessoas com sofrimento ou transtornos mentais, além daquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
Para o secretário estadual da Saúde, César Neves, os números consolidam a política pública de descentralização do atendimento e o foco de levar o atendimento mais próximo do cidadão paranaense, objetivo que é a marca da atual gestão.
"A saúde mental é uma prioridade absoluta para o Governo do Paraná. Estamos trabalhando incansavelmente para descentralizar o atendimento, garantindo que cada cidadão paranaense, independentemente de onde resida, encontre acolhimento e tratamento adequado na rede pública. O nosso objetivo é que o SUS seja um porto seguro para quem enfrenta qualquer tipo de sofrimento psíquico", afirmou o secretário.
A rede de atendimento do Estado conta atualmente com 163 Centros de Atenção Psicossocial (Caps), em diversas modalidades, que funcionam como o eixo do atendimento especializado. Além disso, a estrutura dispõe de sete unidades do Serviço Integrado de Saúde Mental (SIMPR), 41 equipes Multiprofissionais de Atenção Especializada em Saúde Mental (eMAESM), ambulatórios distribuídos por todas as regiões de saúde e Serviços Residenciais Terapêuticos (SRT).
Para casos que exigem internamento, o Estado disponibiliza 1.651 leitos em hospitais especializados em psiquiatria e 73 leitos de saúde mental em hospitais gerais.
CUIDADO TRANSVERSAL – A transversalidade é outro conceito central. O tema foi amplamente debatido durante o evento "Saúde em Movimento 2026", promovido pela Sesa, e que reuniu especialistas para discutir como o cuidado em saúde mental permeia a todas as etapas da assistência ao cidadão, incluindo a saúde da mulher, oncologia e acompanhamento de doenças crônicas.
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa e coordenadora do PlanificaSUS Paraná, Maria Goretti David Lopes, esclarece que a saúde mental não pode ser uma ilha no sistema de saúde e deve fazer parte da prática de todos os profissionais que atuam no cuidado das pessoas.
"A mente e o corpo estão interligados. Precisamos olhar para a pessoa de forma integral, compreendendo que o sofrimento emocional afeta a vida. Nossas equipes estão sendo preparadas para ter essa visão ampla e humanizada em cada atendimento realizado", destacou a diretora.
ONDE BUSCAR ATENDIMENTO – Para aqueles que enfrentam problemas de saúde mental, o Paraná oferece múltiplos pontos de acesso à rede de atendimento. As portas de entrada são as Unidades Básicas de Saúde (UBS). Dependendo da complexidade do caso, a pessoa pode ser encaminhada para os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), clínicas ambulatoriais especializadas ou equipes multiprofissionais de atenção especializada.
"O ponto de entrada no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo problemas de saúde mental, é sempre a unidade básica de saúde. Na unidade de atenção primária à saúde a pessoa é acolhida e atendida pelos profissionais que estão lá", explicou a chefe da Divisão de Atenção à Saúde Mental da Sesa, Suelen Gonçalo.
“Dependendo das necessidades do indivíduo, o tipo de atendimento é determinado pelos recursos disponíveis no município, podendo haver encaminhamento para o Caps ou ambulatórios especializados em casos mais graves”, complementou.
Para situações de emergência ou crise, o cidadão pode procurar as Unidades de Pronto Atendimento (UPA), acionar o Samu pelo número 192 ou procurar diretamente um Caps que funcione 24 horas.
Os agentes comunitários de saúde também desempenham papel fundamental, buscando ativamente as pessoas em seus territórios e facilitando o acesso ao cuidado. Além disso, existem grupos de apoio e atividades coletivas organizadas em cada município, como caminhadas, grupos terapêuticos e ações comunitárias que contribuem para o cuidado integrado e humanizado.
Apesar dos avanços, o estigma ainda é uma barreira significativa para a busca por tratamento. “Há estigma e preconceito em relação aos problemas de saúde mental. As famílias desempenham um papel fundamental nesse processo, devendo estar presentes nos momentos de maior vulnerabilidade e buscar os serviços do SUS caso a pessoa em sofrimento não consiga dar o primeiro passo”, reforçou Suelen Gonçalo.
QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL – Um dos principais pilares dessa transformação no atendimento é a qualificação permanente dos profissionais da saúde, impulsionada pelo projeto PlanificaSUS Paraná - Saúde Mental na APS (Atenção Primária à Saúde). A iniciativa, que conta com a parceria do Hospital Israelita Albert Einstein e do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), já capacitou mais de 18 mil trabalhadores da Atenção Primária à Saúde, apenas em 2025.
O Paraná é destaque nacional por ser o primeiro estado a expandir a metodologia do PlanificaSUS para 100% de seu território. O objetivo é preparar profissionais da saúde que não são especialistas, como médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde para o reconhecimento e manejo de transtornos mentais e uso problemático de álcool e outras drogas.
A capacitação utiliza o Manual de Intervenções mhGAP (MI-mhGAP) da Organização Mundial da Saúde (OMS), que oferece protocolos clínicos para profissionais não especializados.
Por - AEN


























