Alunos da rede estadual de ensino terão inscrição automática no Enem

O período para se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já está correndo desde a última segunda-feira (25) e este ano conta com uma novidade para os estudantes de escolas públicas: aqueles que estiverem concluindo o Ensino Médio terão suas inscrições realizadas de forma automática. Eles deverão acessar o sistema do Enem, pela Página do Participante, para confirmar sua participação. O prazo segue até o dia 5 de junho.

“Essa é uma novidade muito bem-vinda para nossos alunos”, elogia o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda. “Além de facilitar o processo de inscrição, garante a participação no exame que é uma das principais formas de acesso ao Ensino Superior”, avalia o secretário.

A novidade foi possível graças ao cruzamento de dados das redes de ensino. Assim, os estudantes oriundos de escolas públicas não precisam cumprir com a etapa inicial de cadastro. Com a inscrição pré-preenchida, basta acessar o sistema para confirmar a participação no Enem. O candidato também deverá complementar algumas informações, indicando o município onde deseja realizar as provas, sua opção de língua estrangeira e se necessita de recursos de acessibilidade nos dias e locais de aplicação.

É muito importante que os estudantes se atentem ao período de confirmação e acessem o sistema, para não correrem o risco de perder o exame. Por isso, a Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) vai reforçar essa necessidade até o fim do prazo, na próxima semana.

“Estamos desenvolvendo ações de engajamento na rede para que os estudantes acessem a plataforma e confirmem suas inscrições”, explica o diretor de Educação, Anderfábio de Oliveira. “É uma mobilização estratégica para que tenhamos uma participação recorde dos alunos da rede estadual do Paraná”, conclui.

ENEM - O Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho dos estudantes ao fim da educação básica. Desde 2004, os resultados obtidos podem ser utilizados pelo estudante como forma de ingresso no Ensino Superior, como critério único ou complementar dos processos seletivos. A aplicação das provas está marcada para os dias 8 e 15 de novembro.

 

 

 

 

 

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Paraná investe em capacitação de profissionais para reduzir mortalidade materna e infantil

A qualificação contínua das equipes é uma das medidas estratégicas que vêm sendo desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para reduzir a mortalidade materna e infantil.

Nesse sentido, a atuação da Secretaria combina a organização da Rede de Atenção à Saúde, com o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e adoção de metodologias que qualifiquem o cuidado e ampliem o acesso das gestantes aos serviços essenciais. Essas ações integram um esforço para garantir atendimento seguro, humanizado e resolutivo em todas as fases da gestação, pré-natal, parto, puerpério, e nascimento.

Seguindo nessa linha, no Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna e Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher, celebrados neste 28 de maio, a Sesa destaca mais uma importante medida para fortalecer a assistência e a segurança de mães e bebês no Estado. A implantação do curso ALSO®️ (Advanced Life Support in Obstetric) e SAVO®️ (Suporte Avançado de Vida em Obstetrícia), voltado para a capacitação de 800 profissionais que atuam na Linha de Cuidado Materno Infantil paranaense.

A formação tem investimento de R$ 3 milhões, e conta com carga horária de 18 horas. O principal objetivo é o aperfeiçoamento prático e teórico de médicos e enfermeiros no manejo de complicações críticas da gestação, parto e pós-parto, com foco direto na redução dos índices de óbitos.

Certificado pela American Academy of Family Physicians, o curso é uma das metodologias mais respeitadas globalmente para o desenvolvimento de habilidades em emergências obstétricas. O programa prepara as equipes para agir com agilidade e eficiência frente a quadros de alta gravidade, minimizando riscos para a mãe e para o recém-nascido.

A implementação da capacitação atende à Deliberação nº 149/2025 da Comissão Intergestores Bipartite do Paraná (CIB/PR), que aprovou um conjunto de estratégias prioritárias para o enfrentamento da mortalidade materna e infantil no Estado.

"A maioria das mortes maternas pode ser evitada se houver uma identificação rápida e uma conduta precisa. Estamos dando aos nossos profissionais as melhores ferramentas técnicas existentes para salvar vidas nos hospitais e maternidades do Paraná", afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

Os dados recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e de Nascidos Vivos (Sinasc) mostram que a diligência já reflete nos resultados, que apresentam tendência de queda. A taxa de Mortalidade Infantil no Paraná, que fechou em 10,3 por mil nascidos vivos em 2022, registrou uma queda para 9,9 por mil nascidos vivos em 2026.

Já a mortalidade materna registrou 42 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos em 2022, subiu para 48 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos em 2025 e apresentou recuo para 42,6 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos em 2026. Diante disso, o foco da Sesa é acelerar essa propensão de redução para atingir as metas pactuadas no Plano Estadual de Saúde do Paraná 2024–2027, que prevê reduzir a mortalidade infantil para 9,0 por mil nascidos vivos e a mortalidade materna para 37,0 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos.

No Paraná, em 2025, 46% dos óbitos maternos decorreram de causas obstétricas diretas e outros 46% de causas obstétricas indiretas relacionadas à gestação. Entre as causas obstétricas diretas, destacaram-se hemorragias (26,1%), transtornos hipertensivos (26,1%) e embolia de origem obstétrica (8,7%). Já entre as causas obstétricas indiretas, prevalecem as doenças do aparelho circulatório (21,7%), as doenças do aparelho respiratório (8,7%) e outras afecções não especificadas que complicam a gestação, o parto e o puerpério.

Além disso, a análise de dados de Near Miss Materno (mulheres que enfrentaram complicações graves e quase evoluíram para o óbito), revela que 80% dos casos de morbidade materna grave no Estado estão associados às síndromes hipertensivas e às hemorragias.

A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) reforça que o manejo de intercorrências como pré-eclâmpsia, eclâmpsia e hemorragias pós-parto imediatas já é amplamente consolidado pela ciência. Portanto, além de garantir o acesso das mulheres aos serviços de saúde, a eficiência do atendimento depende diretamente de equipes preparadas para aplicar os protocolos corretos no tempo oportuno. “Nós estamos despendendo esforços no sentido de combater os índices de mortalidade materno-infantil. Estamos trabalhando em diferentes frentes para dar apoio e garantias para todas as mães e, essa capacitação reforça a rede de cuidados e de proteção à saúde da mulher, transformando o conhecimento técnico em um escudo essencial para o nascimento seguro em todas as regiões do Estado”, enfatizou a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes.

 

 

 

 

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Quase 70% das cidades do Paraná não tiveram homicídios no 1º quadrimestre de 2026

O Paraná chegou ao fim do primeiro quadrimestre de 2026 sem registro de homicídios em 263 cidades, o equivalente a 66% do Estado. Em outras 71 houve apenas uma ocorrência (18%). Os dados são do Centro de Análise, Pesquisa e Estatística (Cape) da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp). Os dados reforçam números positivos já apontados no primeiro trimestre, que tinha 278 municípios sem nenhum registro desse crime.

E as cidades estão espalhadas em todas as regiões: Missal (Oeste), Colorado (Noroeste), Ortigueira e Teixeira Soares (Campos Gerais), Paraíso do Norte e Jataizinho (Norte), Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba) e Dois Vizinhos e Palmas (Sudoeste).

Além disso, de maneira geral, o primeiro quadrimestre de 2026 manteve uma tendência de queda nos indicadores de homicídios. O número de ocorrências caiu quase 8% em relação ao mesmo período do ano passado, de 464 para 429. Na comparação com 2024, a queda é de 31%, e no comparativo com 2018 chega a 40% de redução no quadrimestre. É o menor da série histórica do relatório.

“Estamos trabalhando de forma inteligente e contínua. Nesta semana, por exemplo, desarticulamos uma grande organização criminosa com uma operação com mais de 30 prisões. Também trabalhamos em locais chaves e contra diversas modalidades criminosas. Mas com novos investimentos, bases na fronteira e novos equipamentos, estamos conseguindo atuar de maneira muito pontual para conter o avanço da criminalidade e do tráfico nas áreas urbana e rural”, afirma o secretário da Segurança Pública, Saulo Sanson.

Os crimes patrimoniais também caíram. O roubo diminuiu 22% na comparação dos primeiros quatro meses de 2026 com o mesmo período de 2025, de 5.270 ocorrências para 4.086. No comparativo dos primeiros quadrimestres entre 2024 e 2026 a queda é de 38%, e comparado com 2018 chega a 80%. Os furtos também seguem a tendência de queda, com redução de 6% na comparação do primeiro quadrimestre de 2026 com o de 2025, de 12% com 2024 e de 23% com relação a 2018.

PARÂMETROS NACIONAIS – Os números mais atuais do Estado reforçam aumento da segurança que o Atlas da Violência, divulgados nesta terça-feira (26), também apontou. O relatório nacional, elaborado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, utiliza informações de 2024. Segundo o estudo, o Paraná registrou redução dos homicídios de 26,4% no recorte ampliado, entre 2014 e 2024, e de 0,9% na passagem de um ano para o outro, entre 2023 e 2024.

Um destaque é a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que ficou em 18,6 no Paraná, menor do que a média nacional, de 20,1. É uma das menores do Brasil e em queda regular desde 2016, quando era de 27,5, pico da série histórica. A atual taxa de homicídios é 31,4% menor em relação a 2014.

 

 

 

 

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Estado lança edital pioneiro para incrementar alimentação escolar para alunos com restrições

O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) publicou o Edital nº 669/2026 para registro de preços, destinado à futura aquisição de refeições e alimentos congelados voltados ao atendimento de escolas da rede estadual de ensino. O pregão eletrônico é um dos primeiros do Brasil com abrangência estadual voltado exclusivamente à alimentação escolar inclusiva para estudantes com restrições alimentares. O investimento máximo inicial previsto é de R$ 8,8 milhões, contemplando itens específicos sem glúten, sem lactose e opções veganas.

O edital tem validade de um ano, podendo ser prorrogado por igual período. Os alimentos serão destinados ao Programa de Alimentação Escolar, aos colégios estaduais agrícolas e florestais e demais instituições vinculadas à rede estadual.

Entre os itens previstos estão refeições individuais congeladas com proteína animal e vegetal, sanduíches, tortas salgadas, bolos simples e pão de queijo vegano, todos desenvolvidos para atender necessidades alimentares específicas de mais de 1,9 mil estudantes da rede estadual que precisam de uma alimentação mais restrita.

O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destaca que a iniciativa reforça o compromisso da rede estadual com a inclusão e a segurança alimentar dos alunos. “Nosso objetivo é garantir que todos os estudantes tenham acesso a uma alimentação de qualidade, respeitando necessidades nutricionais específicas e promovendo inclusão dentro das escolas da rede estadual”, afirma.

A presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), Eliane Teruel Carmona, ressalta que o processo amplia a capacidade de atendimento da alimentação escolar no Paraná. “Esse registro de preços permite que a rede estadual esteja preparada para atender diferentes demandas alimentares com qualidade, segurança e planejamento, assegurando refeições adequadas aos estudantes em todo o Paraná”, diz.

As propostas para participação começaram a ser apresentadas na última sexta-feira (22), por meio do sistema eletrônico de compras do Governo do Paraná. A abertura das propostas está marcada para 11 de junho, às 8h30.

 

 

 

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Paraná bate recorde de investimento em alimentos orgânicos nas escolas estaduais

O Paraná chega à Semana dos Orgânicos, celebrada nacionalmente entre 24 e 29 de maio, com investimento recorde de R$ 54 milhões na compra de alimentos orgânicos para a alimentação escolar da rede estadual em 2025.

O valor, aplicado pelo Governo do Estado, por meio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), é o maior da série histórica da alimentação orgânica escolar no Estado e acompanha a expansão da oferta desses produtos nas instituições de ensino paranaenses.

Os produtos orgânicos passaram a integrar a alimentação escolar da rede estadual em 2011. Desde então, a presença desses itens na merenda cresceu de forma contínua. Naquele ano, apenas 29 municípios recebiam alimentos orgânicos nas escolas estaduais. Em 2026, esse número chegou a 311 cidades, um crescimento de quase 11 vezes em 15 anos.

Atualmente, a rede estadual atende diariamente cerca de 1,2 milhão de estudantes com a oferta de 1,5 milhão de refeições.

De acordo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, o avanço da alimentação orgânica nas escolas estaduais reflete uma política pública consolidada no Paraná. “Além de garantir refeições de mais qualidade para os estudantes, essa política valoriza a agricultura familiar, fortalece a economia local, e amplia a oferta de alimentos saudáveis nas escolas”, afirma.

EXPANSÃO ACELERADA - A série histórica dos últimos oito anos evidencia o avanço acelerado dos orgânicos na alimentação escolar, tanto no volume de investimentos quanto na quantidade de alimentos distribuídos. No período, o aporte saltou de R$ 7,5 milhões, em 2019, para R$ 54 milhões em 2025 (maior patamar da série). Já o volume de alimentos entregues cresceu de 1.510 para 5.500 toneladas, o que representa um aumento de 264%, em sete anos.

Os dados dos cinco primeiros meses de 2026 no Paraná já contabilizam R$ 23,2 milhões investidos e 2.220 toneladas de alimentos orgânicos distribuídos às escolas estaduais, mantendo o ritmo de expansão.

CARDÁPIO ESCOLAR – A expansão de oferta de orgânicos integra a política de alimentação escolar executada pelo Fundepar, responsável pela gestão da merenda na rede estadual. Os cardápios, elaborados por nutricionistas, priorizam frutas, verduras, legumes e alimentos frescos, respeitando hábitos alimentares regionais.

No Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Vicente de Carli, em Francisco Beltrão, no Sudoeste, o merendeiro Evandro dos Santos diz que o aumento da oferta de produtos orgânicos também melhorou a aceitação das refeições pelos estudantes. “As frutas e verduras chegam mais frescas e os alunos acabam consumindo mais. A poncã, a alface e o repolho têm bastante saída”, diz. 

Para a diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, a ampliação dos alimentos orgânicos fortalece a qualidade da alimentação escolar e amplia o acesso dos estudantes a refeições mais variadas e nutritivas. “Isso também contribui para um ambiente mais favorável à aprendizagem nas escolas”. 

PARANÁ LÍDER - Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) colocam o Paraná na liderança nacional em certificações orgânicas, com 4.289 registros ativos — quase 19% de todos os certificados válidos no Brasil. O volume é cerca de 36% superior ao do Rio Grande do Sul, estado segundo colocado, com 3.161 certificações.

Entre os municípios paranaenses com maior número de produtores orgânicos certificados estão Tijucas do Sul, com 239 certificações, Lapa (170) e Rio Branco do Sul (110), na Região Metropolitana de Curitiba.

Aproximadamente 2 mil agricultores certificados fornecem alimentos orgânicos para abastecer as 2.080 escolas da rede estadual de ensino. Banana, laranja, alface e arroz polido orgânico estão entre os alimentos com maior volume de distribuição para as escolas estaduais. A banana lidera a lista, com mais de 1,3 mil toneladas entregues, seguida por laranja (401 toneladas), alface (274), pão caseiro (260) e arroz polido orgânico (250).

Pela legislação brasileira, alimentos processados só podem ser classificados como orgânicos quando pelo menos 95% dos ingredientes utilizados possuem origem orgânica certificada — caso do pão caseiro.

PRODUÇÃO ORGÂNICA - Parte desse avanço é sustentada pelo Programa Paraná Mais Orgânico, iniciativa desenvolvida em parceria entre universidades estaduais, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

Presente em todas as regiões do Estado, o programa oferece assistência técnica gratuita a agricultores familiares durante a transição para o sistema orgânico, processo que varia de 12 a 18 meses conforme a cultura produzida. A alimentação escolar da rede estadual integra essa cadeia ao ampliar a compra de produtos certificados, principalmente da produção vegetal, como alface e banana.

CERTIFICAÇÃO E SEGURANÇA – A presença de alimentos orgânicos na alimentação escolar também acompanha o avanço dos sistemas de certificação e controle da produção sustentável no Paraná. Conforme a legislação brasileira, produtos orgânicos são aqueles cultivados sem o uso de insumos ou práticas que possam causar danos ao meio ambiente e à saúde humana.

Para chegar às escolas com essa classificação, os alimentos devem ter certificação reconhecida pelo Mapa ou ser produzidos por agricultores familiares vinculados a sistemas de controle social cadastrados.

Segundo a responsável técnica pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Fundepar, Andrea Bruginski, o modelo vai além da retirada de agrotóxicos da produção. “A produção orgânica envolve práticas que preservam o solo, a água e a biodiversidade, além de ampliar a oferta de alimentos mais seguros, nutritivos e sustentáveis para os estudantes”, afirma.

 

 

 

 

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Novo relatório nacional reforça protagonismo do Paraná em doação e transplante de órgãos

Em 2025, foram realizados no Paraná, conforme os dados do RBT, 2.255 transplantes em números absolutos, entre órgãos e tecidos, sendo 460 de rim; 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de medula.

Embora os indicadores variem ao longo do ano, o Paraná mantém uma atuação extremamente consistente e segue entre os estados de destaque no cenário nacional. “Esses resultados representam o esforço e investimento do Estado para oportunizar capacitação profissional e ofertar uma estrutura robusta e consolidada de atendimento, que garante qualidade e agilidade no cuidado para doadores e receptores”, comentou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.

"Transplantes de órgãos salvam vidas. Essa é uma informação importante e que merece sempre ser relembrada e destacada. E o Governo do Estado trabalha incansavelmente, investindo em capacitação profissional, estrutura e logística, visando o fortalecimento dos trabalhos para propiciar que, cada vez mais, vidas sejam salvas", complementou.

E a tendência é de manutenção nesse cenário em ótimo nível. Os números do Sistema Estadual de Transplantes (SET/PR) apontam que entre janeiro e abril foram executados 225 transplantes de órgãos sólidos (coração, fígado, rim, pâncreas). Também foram efetuados 328 transplantes de córneas.

A coordenadora do SET/PR, Juliana Ribeiro Giugni, destacou que os índices do Estado são o reflexo do trabalho de toda uma rede integrada que engloba hospitais, Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), equipes transplantadoras, laboratórios e bancos de tecidos, o que permite fortalecer continuamente o SET.

“É um trabalho muito consistente que envolve a dedicação de profissionais, e uma série de medidas, como a capacitação contínua desses trabalhadores e a manutenção de investimentos voltados à melhoria da estrutura e ao fortalecimento dos processos de trabalho”, explicou. “O aumento dos transplantes depende do fortalecimento da cultura de doação na sociedade, do esclarecimento sobre mitos relacionados ao processo, da redução da recusa familiar e da manutenção de um processo de trabalho estruturado e eficiente”.

UM SIM PARA A VIDA DA ISABELA – Com apenas oito meses de vida, a pequena Isabela Antônia Silva de Paula teve o seu destino transformado pela generosidade de uma família que, mesmo no momento da dor mais profunda, escolheu doar. “Eu não consigo mensurar a dor de perder um filho, mas a minha família conhece a alegria de receber a ligação mais esperada. Uma família teve empatia e amor ao próximo, disse 'sim' para a vida da minha filha”, diz a mãe da bebê, Karolyne Antônia Silva de Paula, de 27 anos.

A trajetória de Isabela, primeira filha do casal Karolyne e Jonnathan, foi marcada por desafios antes mesmo do nascimento. Diagnosticada ainda na 24ª semana de gestação com uma massa que comprimia o ventrículo esquerdo do coração, a bebê enfrentou uma rotina intensa de exames e uma cesárea de risco com 34 semanas. O diagnóstico definitivo veio após um exame de genoma no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. O transplante cardíaco era a única opção para salvar sua vida.

Isabela entrou oficialmente na fila de transplantes no dia 16 de janeiro de 2026, com apenas quatro meses de idade. Exatos três meses depois, na noite de 16 de abril, o telefone tocou com a notícia que mudaria tudo, havia um coração compatível. Pouco mais de um mês após a cirurgia, a mudança é visível.

“Ver ela alegre, disposta e brincando não tem preço. Estou muito feliz de ver ela perdendo as roupinhas porque está engordando”, afirma a mãe. “O transplante da Isa mudou nossa vida, mudou a percepção da nossa família em relação a doação de órgãos. Eu agradeço a Deus pela vida da minha filha, e agradeço muito a família que aceitou doar, peço a Deus que os console e os abençoe. Minha filha vai viver e honrar esse coração”.

TRANSPLANTE INFANTIL – Em 2025, conforme os dados do RBT, foram realizados no Brasil 60 transplantes cardíacos pediátricos. Doze deles foram efetuados no Paraná. Em relação aos transplantes hepáticos pediátricos, foram 211 no Brasil no ano de 2025, dos quais 27 ocorreram no Paraná, sendo 15 de doadores vivos e 12 de falecidos.

Os números, tanto totais quanto por milhão de população, colocam o Paraná em destaque. Em São Paulo foram 113 transplantes hepáticos pediátricos (78 de doadores vivos e 35 de falecidos). Isso representa 9,2 transplantes por milhão de população. No Paraná foram 8,2 transplantes por milhão de população.

Entre os transplantes pediátricos no Paraná, a maior parte deles foi efetivado no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. A unidade que é referência, faz transplantes pediátricos de órgãos sólidos, como fígado, coração e rins, além de transplante de medula óssea, válvulas cardíacas e tecidos musculoesqueléticos.

“Estamos falando de procedimentos de alta complexidade, voltados a crianças e adolescentes que, muitas vezes, têm no transplante a principal ou única possibilidade de tratamento. Para o Paraná, o Hospital representa uma estrutura essencial para garantir acesso a esse cuidado especializado. Para o Brasil, reforça o papel do Pequeno Príncipe como uma instituição de referência nacional em saúde pediátrica de alta complexidade”, enfatiza o diretor-técnico do Hospital Pequeno Príncipe, doutor Cassio Fon Ben Sum.

ESTRUTURA E LOGÍSTICA – Eficiência logística é crucial para garantir agilidade. O governo estadual disponibiliza infraestrutura aérea e terrestre para o transporte de órgãos, incluindo veículos próprios da SET e aeronaves para transporte emergencial. Em 2025 foram realizadas pelas aeronaves da Divisão de Transporte Aéreo (DTA) da Casa Militar do Paraná 126 missões aéreas para transplantes de órgãos, o que representou 367 horas de voo. Em 2026 já são 47 missões, com 137 horas de voo.

O transporte aéreo tem papel essencial nos transplantes, especialmente diante da necessidade de deslocamentos rápidos entre diferentes regiões do Paraná e até mesmo entre estados. Essa logística possibilita que os órgãos sejam captados e encaminhados aos receptores dentro do tempo adequado de isquemia fria permitido para cada órgão, contribuindo diretamente para a viabilização e o sucesso dos transplantes.

No Paraná, atualmente, o Sistema Estadual de Transplantes está estruturada com 108 hospitais notificantes (autorizados pelo Ministério da Saúde a identificar, manter e notificar à Central Estadual de Transplantes a existência de potenciais doadores de órgãos e tecidos), 71 comissões instituídas, que são equipes multiprofissionais compostas por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que organizam e gerenciam o processo de doação dentro dos hospitais, 37 equipes transplantadoras de órgãos (pulmão, coração, fígado, pâncreas e rim) e 84 de tecidos (medula, córnea, válvula cardíaca, pele e tecido ósseo), formadas por grupos especializados de profissionais de saúde, autorizados pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), responsáveis por realizar as cirurgias de remoção (captação) de órgãos de um doador e o implante (transplante) no paciente receptor.

Cinco laboratórios de histocompatibilidade e três de sorologia, além de três bancos de tecidos, sendo que um é de multitecidos, também integram a rede, com cerca de 700 profissionais especializados envolvidos.

 

 

 

 

 

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