O risco de tempestades no Paraná aumenta nesta quarta (04) e quinta-feira (05). De acordo com o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, há condições favoráveis para a formação de supercélulas (fenômeno severo e organizado de tempestades). As rajadas de vento podem ultrapassar os 80 km/h em algumas cidades, e há previsão de precipitação de granizo com mais de 2 cm de diâmetro.
Está prevista a intensificação de um sistema de baixa pressão entre os países vizinhos e o Sul do Brasil nesta quarta. Esse cenário favorece o transporte intenso de calor e umidade das regiões tropicais em direção à região Sul, o que mantém o tempo instável e favorece um forte aquecimento em todo o Paraná. As temperaturas podem se aproximar dos 35°C em municípios das faixas norte e oeste do Estado. Ao longo do dia, pode ocorrer chuva em todas as regiões, com maior concentração e risco de tempestades intensas na metade sul.
“Entre a noite de quarta e a madrugada de quinta ocorre a formação de um ciclone extratropical na costa da região Sul do Brasil, e uma frente fria avança pelos estados da região. O aumento no contraste entre essas massas de ar, associado ao aumento da intensidade e à mudança da direção dos ventos com a altura, cria um ambiente bastante favorável à formação de tempestades severas, com potencial para o desenvolvimento de supercélulas”, explica Julia Munhoz, meteorologista do Simepar.
Com o deslocamento desse sistema, as áreas de tempestades tendem a avançar da metade sul em direção à metade norte do Paraná. Esses temporais podem provocar chuva intensa em curto espaço de tempo, elevada incidência de raios, rajadas de vento que podem superar os 80 km por hora e queda de granizo, inclusive com pedras acima de 2 cm de diâmetro.
“O risco de tempestades é abrangente e envolve todas as regiões do Paraná, mas a atenção deve ser redobrada nas regiões Sudoeste, Oeste e Noroeste, onde os índices de instabilidade estão mais elevados e as condições são ainda mais favoráveis a ocorrências de fenômenos severos”, ressalta Julia.
ALERTAS - O Boletim de Gestão de Riscos, elaborado pela Defesa Civil Estadual e o Simepar, indica risco muito alto no Oeste, Sudoeste, Centro-Oeste e Centro-Sul, incluindo as regiões de Foz do Iguaçu, Cascavel, Francisco Beltrão, Campo Mourão, Guarapuava e União da Vitória. Já o risco alto aparece em áreas do Norte, Norte Pioneiro, Campos Gerais, Região Metropolitana de Curitiba e Litoral.
A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe as atualizações meteorológicas e os alertas oficiais, principalmente durante os períodos de maior instabilidade. Para receber gratuitamente os alertas da Defesa Civil Estadual por SMS, basta enviar o CEP da residência para o número 40199. O cadastramento também pode ser feito pelo WhatsApp, enviando uma mensagem com a palavra “oi” para (61) 2034-4611.
Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Por - AEN
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) alerta para que todas as pessoas com 60 anos ou mais que ainda não tomaram a vacina contra a gripe procurem a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. A iniciativa busca ampliar a cobertura vacinal e proteger a população idosa contra as formas graves da doença e suas complicações.
De acordo com dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), a pneumonia figura entre as principais causas de hospitalização da população idosa. Em 2025, o Estado registrou 27.858 internações pela doença nessa faixa etária, o que corresponde a 55,2% do total de hospitalizações por pneumonia no Paraná. O percentual chama a atenção, já que esse grupo representa cerca de 18% da população paranaense.
A diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes, diz que a vacina é o meio mais eficaz e seguro para evitar o agravamento de infecções respiratórias. “A vacinação anual é uma medida fundamental de proteção. O vírus da gripe pode evoluir rapidamente para quadros graves de pneumonia ou desestabilizar condições de saúde preexistentes. Vacinar-se é um ato de cuidado que preserva a autonomia e a qualidade de vida dos nossos idosos”, afirma a diretora. “Pedimos o apoio dos familiares e cuidadores para garantir que a dose chegue a quem precisa até o final do ano”.
Além da proteção respiratória contra a infecção direta pelo vírus e infecções bacterianas secundárias, a vacina traz benefícios cardiovasculares. A infecção pela gripe gera uma inflamação generalizada e pode desestabilizar os acúmulos de gordura nas artérias e aumentar o risco de infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Dessa forma, a imunização anual é uma importante aliada na prevenção de complicações cardíacas e neurológicas em adultos.
META E COBERTURA – Em 2026 foram aplicadas 1.135.325 doses da vacina contra a gripe na população idosa paranaense, alcançando uma cobertura de 54,36%. A meta recomendada pelo Ministério da Saúde é de 90%. Para garantir a imunização de quem tem dificuldade de locomoção ou precisa de horários flexíveis, as Unidades Básicas de Saúde oferecem opções como a vacinação domiciliar e a ampliação do atendimento em diversos municípios.
CALENDÁRIO COMPLETO – Além da vacina contra a gripe, as pessoas com 60 anos ou mais devem manter atualizadas as demais doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação do SUS. A imunização contra a Covid-19 deve ser feita a cada seis meses, enquanto a vacina Dupla Adulto (dT), que protege contra difteria e tétano, exige reforço a cada 10 anos. Para quem ainda não concluiu o esquema contra a Hepatite B, são necessárias três doses. Já a imunizante Pneumocócica 20-valente (Pneumo 20) é recomendada em dose única para idosos a partir de 85 anos que nunca foram vacinados contra a doença.
POr - AEN
A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (4), em Cascavel, a nona fase da Operação Prioridade Absoluta, que combate crimes de abuso sexual infantojuvenil praticados pela internet. Durante a ação, foi cumprido um mandado de busca e apreensão no município.
A investigação começou após informações encaminhadas pelo NCMEC (National Center for Missing & Exploited Children), organização norte-americana que monitora crimes de exploração e abuso sexual infantil. O órgão identificou contas em uma plataforma digital utilizadas para armazenar e disponibilizar arquivos com esse tipo de conteúdo.
A partir dos alertas, a Polícia Federal identificou quatro relatórios distintos relacionados ao mesmo usuário investigado. Ao todo, foram encontrados 111 arquivos, entre imagens e vídeos, contendo material de abuso sexual infantil.
Com base nas informações recebidas e nas diligências realizadas, a PF reuniu indícios dos crimes de armazenamento e disponibilização de material de abuso sexual infantojuvenil, previstos nos artigos 241-A e 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A ordem judicial foi expedida pela Justiça Federal de Ponta Grossa, no Paraná. O material apreendido nesta quarta-feira será encaminhado para perícia técnica, enquanto as investigações continuam para aprofundar as circunstâncias do caso e identificar possíveis outros envolvidos.
9ª fase
O nome da operação faz referência ao artigo 227 da Constituição Federal, que estabelece como dever da família, da sociedade e do Estado assegurar, com prioridade absoluta, a proteção de crianças e adolescentes.
A Polícia Federal também reforça a importância do acompanhamento de pais e responsáveis sobre as atividades de crianças e adolescentes na internet, especialmente diante dos riscos de contato com criminosos no ambiente virtual.
POr - Catve
Nesta quarta-feira (4), a Receita Federal e o Gaeco - Núcleo Regional de Londrina e Núcleo Especializado Fiscal deflagraram simultaneamente a 2ª fase da Operação Enxágue e a Operação Catéter. Foram cumpridos 64 mandados de busca e apreensão em 28 municípios dos Estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além de ordens de sequestro e indisponibilidade de bens, direitos e valores que, somadas, alcançam R$ 271.481.696,96, e outras medidas cautelares impostas a nove investigados.
As duas investigações têm por objeto organizações criminosas voltadas à prática de crimes contra a ordem tributária (sonegação de ICMS), falsidade ideológica e lavagem de dinheiro no comércio de subprodutos de origem animal, como sebo e gordura, utilizados como matéria-prima por indústrias de biodiesel e curtumes. Segundo as apurações, os grupos se valiam de empresas de fachada, as chamadas "noteiras", registradas em nome de "laranjas", para emitir notas fiscais sem correspondência com operações reais, gerar créditos tributários fictícios e movimentar recursos ilícitos, transferindo todo o passivo tributário a pessoas jurídicas sem patrimônio e sem existência física.
Embora autônomas, as investigações são conexas. A Operação Catéter nasceu, em parte, do compartilhamento de provas da Operação Enxágue e das Operações Engenho e Las Vegas, também conduzidas pelo Gaeco de Londrina, e ambas identificaram os mesmos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), geridos e administrados pela mesma instituição, como canal para converter títulos sem lastro em dinheiro com aparência lícita.
SEQUESTRO DE MAIS DE R$ 271 MILHÕES
As medidas patrimoniais buscam garantir a reparação do dano causado aos cofres do Estado do Paraná e o futuro perdimento do proveito dos crimes. Os valores correspondem aos créditos tributários de ICMS já constituídos contra as empresas investigadas, sem prejuízo de majoração posterior:
• Operação Enxágue: sequestro e indisponibilidade até o limite global e solidário de R$ 143.390.934,40 (cento e quarenta e três milhões, trezentos e noventa mil, novecentos e trinta e quatro reais e quarenta centavos);
• Operação Catéter: sequestro e indisponibilidade até o limite de R$ 128.090.762,56 (cento e vinte e oito milhões, noventa mil, setecentos e sessenta e dois reais e cinquenta e seis centavos).
As ordens alcançam contas bancárias e de pagamento, veículos, imóveis, quotas societárias e ativos e cotas de FIDCs, com inscrição de hipoteca legal em favor da Fazenda Pública Estadual. Somente na Operação Catéter foram indicados para sequestro mais de 80 imóveis - entre apartamentos e mansões de alto padrão, lotes em condomínios fechados, fazendas e áreas rurais, incluindo um apartamento em São Paulo adquirido por R$ 13,2 milhões -, 103 veículos, uma embarcação (moto aquática), os ativos de dez FIDCs (cerca de R$ 63,8 milhões) e valores de quatro companhias securitizadoras (cerca de R$ 10,9 milhões).
PARTICIPAÇÃO DA RECEITA FEDERAL
As operações contaram com a participação decisiva da Receita Federal do Brasil, cuja atuação foi essencial em todas as etapas das investigações. Auditores-Fiscais e Analistas-Tributários da Receita Federal participaram do cumprimento dos mandados, ao lado de auditores do Ministério Público, trabalhando na identificação e na seleção da documentação contábil, fiscal e financeira de interesse, cuja natureza exige conhecimento técnico especializado.
Na Operação Enxágue, a partir dos dados bancários e fiscais obtidos com autorização judicial, a Receita Federal produziu sete relatórios de investigação financeira e patrimonial, que permitiram desvendar a engenharia financeira do grupo e dimensionar a fraude. Fiscalizações e representações fiscais para fins penais conduzidas pelo órgão desde 2011 já haviam apontado a existência de um "núcleo intelectual" dedicado à criação de pessoas jurídicas sem existência de fato, e a Receita Federal identificou ao menos 35 empresas de fachada ligadas ao esquema.
A Receita Federal também fornecerá informações para identificar os cotistas e os beneficiários finais dos fundos investigados, conforme decisão judicial. O material apreendido na Operação Enxágue será compartilhado com a Receita Federal, a Receita Estadual do Paraná e a Procuradoria-Geral do Estado, para a constituição, a atualização e a cobrança dos créditos tributários.
APOIO DOS GAECOS DE SANTA CATARINA, RIO GRANDE DO SUL E SÃO PAULO
O cumprimento dos mandados fora do Paraná contou com o apoio dos Gaecos dos Ministérios Públicos de Santa Catarina (Joinville), do Rio Grande do Sul (Erechim, Marau e Passo Fundo) e de São Paulo (São Paulo, Campinas, Barretos e Rancharia).
OPERAÇÃO ENXÁGUE - 2ª FASE
A primeira fase da Operação Enxágue foi deflagrada em 20 de novembro de 2020, com buscas em 14 endereços de seis municípios. A investigação teve origem na apuração da exploração do jogo do bicho em Arapongas, na qual se constatou que parte da lavagem de dinheiro da contravenção era feita por meio de notas fiscais falsas de venda de sementes de capim braquiária a empresas de fachada, controladas por um escritório de contabilidade daquele município.
O material apreendido revelou que a lavagem do dinheiro do jogo do bicho era apenas uma engrenagem de um esquema muito maior. Segundo as investigações, um contador e seu sócio mantêm, ao menos desde 2006, uma verdadeira "indústria" de empresas de fachada, registradas em nome de pessoas simples e economicamente vulneráveis - empregados domésticos, pedreiros e serventes, muitos dos quais sequer sabiam escrever -, de identidades falsas e até de pessoas já falecidas. Em um dos casos, um homem morto em 2017 passou a figurar, entre 2017 e 2019, no quadro societário de sete empresas, com extratos bancários impressos após o óbito. Outras doze empresas foram constituídas tendo como responsável técnico um contador já falecido.
Como funcionava o esquema
Os fornecedores reais das mercadorias (frigoríficos, graxarias, cooperativas e curtumes) vendiam o sebo e a gordura animal sem emitir nota fiscal, omitindo a receita, ou com emissão de nota fiscal para as empresas noteiras, sem a real existência do transporte da mercadoria para as empresas de fachada. As "noteiras" emitiam as notas em seu lugar para as indústrias adquirentes, que se apropriavam dos créditos de ICMS nelas destacados - imposto que jamais era recolhido. Todo o passivo recaía sobre empresas insolventes e sem existência física, ocultando os verdadeiros polos das operações.
Os créditos tributários estaduais definitivamente constituídos contra as empresas de fachada objeto desta fase somam R$ 143.390.934,40. Considerada toda a cadeia de empresas envolvidas, inclusive aquelas cujos débitos são apurados em investigação própria, os créditos já constituídos ultrapassam R$ 300 milhões.
A investigação identificou cinco núcleos interligados:
• Comando: responsável pela cooptação de "laranjas", pela criação de empresas de fachada e pela emissão de notas e duplicatas sem lastro;
• Indústrias adquirentes: aproveitavam os créditos de ICMS;
• Intermediação financeira: formado por securitizadoras, empresas de fomento mercantil (factorings) e FIDCs, que antecipavam o valor dos títulos das "noteiras" e davam liquidez ao esquema;
• Empresas satélites: recebiam recursos das "noteiras" e ocultavam o proveito em imóveis, veículos e quotas de holdings (empresas criadas para controlar e administrar outras empresas);
• Fornecedores reais.
Lavagem de dinheiro
A análise financeira, que contou com o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD) do MPPR e examinou as contas de 67 pessoas físicas e jurídicas, apontou que um único FIDC, ligado a um grupo econômico de Maringá, injetou R$ 60.094.280,23 nas empresas de fachada, e que integrantes da família que controla esse grupo receberam R$ 22.799.478,23, valor incompatível com os rendimentos declarados. Uma securitizadora e duas empresas de fomento mercantil de Londrina repassaram mais de R$ 27 milhões a uma única "noteira", já denunciada pela emissão de duplicatas simuladas.
No núcleo de comando, o escritório de contabilidade movimentou R$ 13,4 milhões, e uma empresa sem atividade operacional movimentou R$ 5,1 milhões, com 127 depósitos em espécie, tendo seu capital social elevado de R$ 400 mil para R$ 1 milhão um mês antes da primeira fase da operação. No núcleo de empresas satélites, sediado em Apucarana, o titular declarou rendimentos irrisórios e recebeu R$ 14,3 milhões em créditos.
Reiteração por mais de uma década
Entre 2009 e 2020, o núcleo de comando foi alvo de fiscalizações da Receita Federal, de oito inquéritos da Polícia Federal, de busca e apreensão realizada pela Polícia Civil e de ações penais, sem que a atividade fosse interrompida: as empresas descobertas eram simplesmente substituídas por novas "noteiras".
Medidas judiciais
As medidas foram deferidas pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Arapongas, que autorizou 37 mandados de busca e apreensão, o sequestro de bens até R$ 143.390.934,40, a indisponibilidade dos ativos e das cotas dos investigados em FIDCs, com vedação de resgates, amortizações e distribuição de rendimentos, e requisições de informações à Comissão de Valores Mobiliários, à Receita Federal, ao Banco Central e à administradora dos fundos. Três integrantes do núcleo de comando estão proibidos de manter contato com os demais investigados, com as interpostas pessoas e com testemunhas, e de deixar a comarca sem autorização judicial. Nas indústrias e frigoríficos que mantiveram operações com as empresas de fachada, as buscas foram restritas aos setores de compras e vendas e aos documentos dessas operações.
OPERAÇÃO CATÉTER
A Operação Catéter teve origem em Procedimento Investigatório Criminal instaurado pelo Gaeco de Londrina em 2024 para apurar crime contra a ordem tributária praticado por uma fábrica de subprodutos de origem animal classificada pela Receita Estadual como "noteira", que emitiu mais de R$ 1,1 milhão em notas fiscais sem saída de mercadoria em apenas quatro dias. No curso da apuração, os investigados quitaram aquele débito, o que extinguiu a punibilidade apenas em relação a esse crime tributário - mas não quanto aos crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica, nem quanto ao passivo de outra empresa do mesmo grupo econômico.
Essa segunda empresa, com sede formal em Londrina, acumula débitos de ICMS inscritos em 23 Certidões de Dívida Ativa que somam R$ 128.090.762,56. Parte do débito se refere a imposto declarado pela própria empresa e simplesmente não recolhido entre novembro de 2020 e novembro de 2022, período em que ela mantinha operações de grande vulto.
Controle oculto e empresas de fachada
Segundo as investigações, o real controlador do grupo jamais figurou nos registros societários. Em 2019, a empresa familiar foi formalmente "vendida" a pessoas residentes em Goiás que nunca exerceram a sua gestão, enquanto a operação seguiu no mesmo endereço industrial, posteriormente ocupado por novas empresas registradas em nome de terceiros e familiares. O endereço cadastral informado ao Fisco era uma sala em um centro de comércio popular de Londrina, e as filiais foram registradas em uma sala comercial em Marabá (PA) e em um lote em Várzea Grande (MT) - esta última, cujo endereço sequer pôde ser localizado, movimentou R$ 276,6 milhões.
A análise do LAB-LD/MPPR revelou que a empresa movimentou R$ 1.330.242.476,56 em 63.580 transações bancárias, embora não dispusesse de estrutura para produzir, armazenar ou expedir mercadorias nessa escala. Três indústrias destinaram à empresa mais de R$ 240 milhões, enquanto ela pagou quase R$ 39 milhões a frigoríficos e abatedouros.
Lavagem de dinheiro
Para circular os recursos fora do sistema fiscal, o grupo utilizava a conta bancária de uma empresa de cobrança cedida por investigada já denunciada por lavagem de dinheiro na Operação Engenho, em troca de comissão de 0,5% sobre os valores movimentados. Entre agosto de 2021 e outubro de 2023, a conta movimentou ao menos R$ 26.474.842,76. Para dar aparência de legalidade ao fluxo, o grupo tentou formalizar um contrato de prestação de serviços que, nas palavras da própria investigada, serviria "só pra justificar a movimentação bancária"; mais tarde, passou a emitir notas fiscais de serviço inexistente.
Com recursos dessa conta foram adquiridos dois lotes em condomínio de alto padrão em Cambé (R$ 868 mil), onde foi construída residência de alto padrão, e realizadas aplicações financeiras que superaram R$ 2 milhões. A mesma conta custeou as despesas cartorárias da transferência de um imóvel de investigada para os seus filhos, com o objetivo de evitar a constrição do bem. Logo após a deflagração da Operação Engenho, o apontado líder do grupo excluiu o aplicativo bancário da conta de seus celulares, e mensagens extraídas de aparelho apreendido na Operação Las Vegas mostram que, em dezembro de 2024, o grupo se articulava para reativar o acesso à conta.
As investigações apontam ainda que, entre as contas da empresa e as de um operador financeiro e de seus familiares, transitaram R$ 129.633.172,21. Nove FIDCs, sob a mesma administradora e o mesmo gestor, aportaram R$ 63.706.043,71 na empresa, que devolveu aos fundos mais de R$ 31 milhões em 645 operações - 564 delas a um único fundo -, fluxo incompatível com a antecipação regular de recebíveis e indicativo da recompra de títulos sem lastro.
Medidas judiciais
As medidas foram deferidas pelo Juízo da 3ª Vara Criminal de Londrina, que autorizou 27 mandados de busca e apreensão - inclusive na sede da administradora dos fundos, em São Paulo, e no complexo industrial em que o grupo continuou a operar -, o sequestro e a indisponibilidade de bens e valores até R$ 128.090.762,56, o bloqueio dos ativos de dez FIDCs e de quatro securitizadoras e requisições de informações à Comissão de Valores Mobiliários, à Receita Federal, ao Banco Central e à administradora dos fundos. Seis investigados, entre eles o apontado líder do grupo, estão proibidos de manter contato com os demais investigados e com testemunhas e de deixar a comarca sem autorização judicial.
MUNICÍPIOS
Municípios em que houve cumprimento de mandados de busca e apreensão:
23 em Londrina/PR, 15 em Maringá/PR, 15 em São Paulo/SP, 06 em Arapongas/PR, 04 em Apucarana/PR, 04 em Cambé/PR, 04 em Rolândia/PR, 04 em Paiçandu/PR, 03 em Cianorte/PR, 03 em Jandaia do Sul/PR, 02 em Curitiba/PR, 02 em São José dos Pinhais/PR, 02 em Campinas/SP, 02 em Passo Fundo/RS, 01 em Colorado/PR, 01 em Enéas Marques/PR, 01 em Foz do Iguaçu/PR, 01 em Goioerê/PR, 01 em Loanda/PR, 01 em Mandaguari/PR, 01 em Marialva/PR, 01 em Pitanga/PR, 01 em Toledo/PR, 01 em Barretos/SP, 01 em Rancharia/SP, 01 em Joinville/SC, 01 em Erechim/RS e 01 em Marau/RS.
Por - Catve
Meteorologistas do Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, classificaram terça-feira (03) um fenômeno que atingiu Maringá na madrugada de segunda (2) como um tornado de categoria F2 na escala Fujita, que tem cinco categorias.
O trabalho começou antes do fenômeno, com os avisos meteorológicos emitidos desde a quinta-feira (30). Durante o monitoramento realizado 24 horas pelos meteorologistas do Simepar, os primeiros indícios de que um fenômeno severo atingiu Maringá já foram constatados no radar e em estações meteorológicas por volta das 3h de segunda-feira (2). Uma severa linha de instabilidade ganhou força ao alcançar a cidade, e uma supercélula (tipo de tempestade muito organizada e de grande intensidade, que pode gerar ventos destrutivos) passou sobre Maringá.
Ao longo do dia, os meteorologistas analisaram as variáveis do radar e as imagens dos danos registrados em várias partes da cidade. Equipes do Corpo de Bombeiros de Maringá forneceram imagens aéreas que auxiliaram na análise dos meteorologistas, e comparação com dados de satélite.
Ainda na segunda-feira, o meteorologista Reinaldo Kneib e o coordenador de operações do Simepar, Marco Jusevicius, foram até Maringá para fazer uma análise de campo. Ao longo da terça-feira (03) eles percorreram pontos diferentes da cidade, sobrevoando áreas atingidas com drones ou de helicóptero, com apoio da prefeitura.
Através das análises foi possível encontrar telhas arremessadas por mais de 1.300 metros, bem como folhas de zinco lançadas a mais de 300 metros de distância. Itens retorcidos de estruturas de alvenaria e também na vegetação, além de copas de árvores arrancadas, indicaram que, em um trajeto de aproximadamente 15 km que iniciou na região sudoeste da cidade, Maringá foi atingida por um tornado classificado pelo Simepar como categoria F2 na escala Fujita, com velocidade do vento entre 180 km/h e 250 km/h.
Por - AEN
O Governo do Paraná mantém mobilizadas suas estruturas de prevenção e resposta a desastres diante da previsão de chuvas intensas, tempestades e ventos fortes em diferentes regiões do Estado entre quarta e quinta-feira (4 e 5). A instabilidade está associada à intensificação de um sistema de baixa pressão atmosférica, à formação de um ciclone extratropical na costa da Região Sul e ao avanço de uma nova frente fria.
A estratégia envolve a Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), além de companhias e órgãos responsáveis por serviços essenciais, como energia elétrica, abastecimento de água e assistência social. O objetivo é garantir que as estruturas estejam preparadas para agir de maneira coordenada, caso as condições climáticas provoquem danos à população, à infraestrutura ou aos serviços públicos.
A Defesa Civil Estadual já encaminhou aos municípios o , elaborado em conjunto com o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar). O documento apresenta a avaliação das condições meteorológicas e classifica o potencial de risco de acordo com a região e o período, permitindo que as administrações municipais antecipem medidas preventivas e organizem seus recursos.
Na tarde e noite desta terça-feira (3), estendendo-se até a madrugada de quarta, a previsão indica possibilidade de tempestades pontualmente intensas, pancadas de chuva forte em curto intervalo de tempo, rajadas de vento, descargas elétricas e ocorrência localizada de granizo. O mapa de risco aponta condições de risco baixo em áreas do Oeste e Centro-Oeste, incluindo regiões de Guaíra, Cascavel e Guarapuava, enquanto áreas do Sudoeste, Centro-Sul, Região Metropolitana de Curitiba e Litoral aparecem com risco moderado.
O cenário exige maior atenção a partir de quarta-feira, para quando o boletim indica risco alto e muito alto em praticamente todo o território paranaense. As áreas classificadas com risco muito alto abrangem principalmente o Oeste, Sudoeste, Centro-Oeste e Centro-Sul, incluindo as regiões de Foz do Iguaçu, Cascavel, Francisco Beltrão, Campo Mourão, Guarapuava e União da Vitória. Já o risco alto aparece em áreas do Norte, Norte Pioneiro, Campos Gerais, Região Metropolitana de Curitiba e Litoral.
Para esse período, são esperadas tempestades, chuva intensa em curto espaço de tempo, rajadas de vento pontualmente severas, descargas elétricas e granizo.
PREVENÇÃO E ARTICULAÇÃO - Além do monitoramento e da emissão de boletins e alertas, a Defesa Civil Estadual atua diretamente na preparação das administrações municipais. Entre as orientações estão a organização dos estoques de materiais de assistência humanitária, a identificação de áreas mais vulneráveis e o planejamento de ações para atendimento à população em caso de necessidade.
O Estado conta com dez Núcleos de Apoio Regional (NARs), estruturas que funcionam como pontos de articulação entre a Coordenadoria Estadual e as prefeituras. A presença regional permite aproximar as equipes estaduais das realidades locais, facilitar a circulação de informações e agilizar a mobilização de recursos quando um município enfrenta uma situação de emergência.
A Defesa Civil também administra os estoques de ajuda humanitária, utilizados para atender famílias que eventualmente precisem deixar suas casas ou que tenham sido atingidas por desastres. Outra frente de atuação é a emissão de alertas preventivos e o incentivo ao cadastramento dos moradores para o recebimento de avisos diretamente no celular.
RESPOSTA INTEGRADA - O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná também mantém uma estrutura de articulação para situações que exigem a participação de diferentes instituições. São os Gabinetes de Gestão Integrada Locais (GGI Locais), que podem ser ativados nos municípios quando a dimensão de uma ocorrência ou o potencial de seus impactos exige uma resposta conjunta.
A coordenação fica a cargo do comandante da unidade operacional do Corpo de Bombeiros responsável pela área atingida, que reúne representantes regionais dos órgãos necessários ao atendimento. A estrutura pode funcionar tanto em municípios que possuem quartel dos bombeiros quanto naqueles que não contam com uma unidade instalada.
A ativação não depende exclusivamente da quantidade de chamados recebidos pelos bombeiros. São considerados também os impactos que exigem atuação simultânea de diferentes instituições, como interrupções no fornecimento de energia e água, danos a pontes e estradas, necessidade de resgates e evacuação de áreas, além do atendimento a pessoas desalojadas.
Participam dessa articulação o Corpo de Bombeiros, as polícias Militar, Civil e Científica, a Defesa Civil, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o DER/PR, a Sanepar, a Copel, o Instituto Água e Terra (IAT), a Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef) e a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), entre outros órgãos. Conforme as características da ocorrência, também podem ser mobilizados representantes do Exército Brasileiro, da Polícia Rodoviária Federal, de concessionárias de serviços públicos e de instituições municipais, estaduais e federais.
Com os gabinetes em funcionamento, as equipes conseguem centralizar informações, identificar as necessidades mais urgentes e organizar a distribuição de recursos e capacidades de cada instituição. Quando necessário, a articulação pode ser ampliada com a ativação do Gabinete de Gestão Integrada estadual.
A preparação das equipes inclui treinamentos e exercícios simulados para aperfeiçoar os protocolos de atuação. Neste ano, inclusive, foram realizados exercícios conjuntos entre os três estados da Região Sul, considerando os desafios relacionados aos eventos extremos de chuva e à influência do El Niño.
Nas rodovias estaduais, o DER/PR e as concessionárias responsáveis pelos trechos mantêm o monitoramento das condições de tráfego e das possíveis intercorrências, com equipes preparadas para atender situações como quedas de árvores, alagamentos e danos à infraestrutura viária.
ÁGUA E LUZ - As companhias responsáveis pelo fornecimento de energia elétrica e pelo abastecimento de água também reforçaram seus planos de contingência para enfrentar possíveis impactos das tempestades.
A Copel mantém aproximadamente 3 mil profissionais em regime de prontidão nesta semana, distribuídos por todas as regiões paranaenses. São equipes de manutenção e obras mobilizadas para atender eventuais danos à rede elétrica, com o objetivo de restabelecer o fornecimento com agilidade e segurança.
A companhia orienta que a população mantenha distância de fios e estruturas da rede elétrica que estejam caídos ou danificados. Em casos de falta de energia e outras emergências, os consumidores podem utilizar o aplicativo da Copel, o telefone 0800 51 00 116 ou o WhatsApp (41) 3013-8973. Produtores de proteína animal e fumo também contam com atendimento pelo Copel Agro, no telefone 0800 643 7676.
Já a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) estruturou um plano de contingência para preservar o funcionamento dos sistemas de abastecimento e esgotamento sanitário diante de possíveis ocorrências, como quedas de energia, inundações e aumento da turbidez dos rios.
Entre as medidas estão a mobilização de geradores e bombas anfíbias e submersas, equipamentos que permitem manter a captação de água mesmo em locais sujeitos a alagamentos. A companhia também utiliza a plataforma InfoHidro, desenvolvida em parceria com o Simepar, que combina análise de dados e inteligência artificial para acompanhar as condições de chuva e os níveis dos reservatórios, auxiliando na antecipação de decisões operacionais.
A Sanepar orienta os consumidores a manterem cuidados com as instalações hidráulicas e a rede de esgoto para evitar problemas durante os períodos de chuva intensa. Informações sobre o abastecimento podem ser consultadas pelo site da companhia, pelo telefone 0800 200 0115, pelo WhatsApp (41) 99544-0115 ou pelo aplicativo Minha Sanepar.
APOIO FINANCEIRO - Outra frente de apoio do Governo do Estado é o crédito para a recuperação econômica de municípios e empreendedores atingidos por eventos climáticos. A Fomento Paraná retomou o Programa Paraná Recupera Emergencial, que disponibiliza até R$ 75 milhões em financiamentos para pequenos e médios negócios localizados em cidades com situação de emergência ou calamidade pública decretada e homologada pelo Estado.
CUIDADOS - A Defesa Civil recomenda que a população acompanhe as atualizações meteorológicas e os alertas oficiais, principalmente durante os períodos de maior instabilidade. Para receber gratuitamente os alertas da Defesa Civil Estadual por SMS, basta enviar o CEP da residência para o número 40199. O cadastramento também pode ser feito pelo WhatsApp, enviando uma mensagem com a palavra “oi” para (61) 2034-4611.
Em caso de emergência, a população deve acionar a Defesa Civil pelo telefone 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.
Por - AEN



















