Matrículas na EJA a distância da rede estadual aumentam 341% em três anos no Paraná

As matrículas na Educação de Jovens e Adultos (EJA) a distância da rede estadual do Paraná cresceram 341% entre 2023 e 2025, passando de 6.784 para 29.950, um aumento de 23.166 matrículas no período. Implantada pela Secretaria de Estado da Educação (Sed-PR), a modalidade oferece maior flexibilidade para quem precisa conciliar os estudos com o trabalho, as responsabilidades familiares e as dificuldades de deslocamento.

Em 2026, os dados do primeiro semestre totalizam 12.182 matrículas. A redução em relação a 2025 (29.950) está relacionada à mudança das diretrizes do Conselho Nacional de Educação (CNE), que já impactaram o número de estudantes matriculados na modalidade. A partir de 2027, a EJA a distância ficará restrita ao Ensino Médio, enquanto o Ensino Fundamental passará a ser ofertado exclusivamente na modalidade presencial, sem abertura de novas matrículas no formato a distância. Em 2024 houve 25.890 alunos matriculados.

Além disso, os Exames Estaduais de EJA On-line registraram, em 2026, 25.657 aprovações. Essa alternativa permite aos participantes obter a certificação mediante aprovação nas avaliações, sem a necessidade de frequentar as aulas da EJA.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a ampliação da modalidade acompanha as necessidades dos estudantes. “Muitos jovens e adultos querem concluir os estudos, mas enfrentam dificuldades para frequentar a escola diariamente, seja pela jornada de trabalho, pelas responsabilidades familiares ou pelo deslocamento. Estamos ampliando as alternativas de ensino para que mais pessoas tenham a oportunidade de retomar sua formação. A educação precisa acompanhar a realidade dos estudantes”, diz.

De acordo com a coordenadora pedagógica da EJA da Seed-PR, Miriam de Oliveira, a rede estadual vem adequando a oferta às diferentes necessidades dos estudantes. “O ensino a distância e a expansão da oferta dos Exames On-line contribuíram para que muitos estudantes trabalhadores pudessem retornar à escola e obter a certificação do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Com as novas diretrizes nacionais, estamos adequando a oferta para garantir mais oportunidades de acesso e conclusão dos estudos, especialmente para quem precisa conciliar a educação com o trabalho e com a família”, afirma.

Atualmente, a rede estadual oferece Educação de Jovens e Adultos em 142 instituições de ensino, além de 51 Centros Estaduais de Educação Básica para Jovens e Adultos (CEEBJA), distribuídos pelos 32 Núcleos Regionais de Educação (NRE).

No Ensino Médio a distância, 50% da carga horária é cumprida presencialmente no colégio, em três dias por semana. Os outros 50% são de forma remota, na plataforma digital da Seed-PR. Nos dois dias restantes, os estudantes podem participar de atividades facultativas de tutoria e revisão de conteúdos na escola em que estão matriculados. A modalidade é destinada a pessoas a partir de 18 anos, tem duração prevista de um ano e meio e exige frequência mínima de 75% e nota mínima de 6,0 para aprovação.

UMA NOVA OPORTUNIDADE – A flexibilidade do ensino a distância foi decisiva para a empreendedora Josiane Pereira da Mota, de 48 anos, retomar os estudos após 32 anos afastada da escola. Mãe aos 15 anos e novamente aos 19, ela interrompeu a formação para cuidar dos filhos e voltou a estudar aos 46 anos, quando também começou a empreender.

“Fiquei 32 anos fora da sala de aula porque fui mãe muito jovem e precisei me dedicar aos meus filhos. Escolher a EJA a distância foi a melhor decisão, porque consigo organizar meus horários, participar das aulas e dar conta dos outros compromissos”, conta.

Para conciliar os estudos com o empreendimento, Josiane reserva períodos da semana para acompanhar os conteúdos e fazer as atividades propostas pelos professores. Segundo ela, o principal desafio foi recuperar a rotina escolar depois de mais de três décadas. “O apoio dos professores é fundamental para que a gente não desista. Hoje entendo ainda mais a importância da educação e que não existe idade para voltar a estudar”, afirma.

ACOMPANHAMENTO PEDAGÓGICO – O CEEBJA Barigui, em Curitiba, atende 237 estudantes nos períodos da manhã e da noite. Desse total, 169, o equivalente a 71%, estão distribuídos em quatro turmas a distância. A modalidade combina aulas presenciais, conteúdos digitais e tutoria para esclarecimento de dúvidas, revisão de conteúdos e orientação pedagógica.

Segundo o diretor da instituição, professor Natel Ferreira, os estudantes apresentam diferentes trajetórias escolares e buscam concluir a educação básica para ampliar as oportunidades de emprego, ingressar em cursos técnicos ou superiores e realizar projetos pessoais.

“Recebemos estudantes que precisaram interromper os estudos para trabalhar ou cuidar da família e agora buscam novas oportunidades. Eles não estão começando do zero, pois trazem experiências profissionais e conhecimentos adquiridos ao longo da vida. Nosso papel é valorizar essas trajetórias e oferecer o acompanhamento necessário para que avancem na aprendizagem e concluam sua formação”.

 

 

 

Por - AEN

Programa Mãos Amigas atende 494 escolas e gera economia de R$ 4,4 milhões em 2026

O Programa Mãos Amigas, do Governo do Paraná, atendeu 494 escolas em 104 municípios desde o início de 2026. No período, 438 pessoas privadas de liberdade participaram da execução de 2.040 serviços de manutenção, que resultaram em uma economia superior a R$ 4,4 milhões aos cofres públicos. Os números demonstram a capacidade operacional do programa para atender demandas de conservação da infraestrutura escolar e otimizar os recursos destinados à manutenção das unidades.

Criado há 13 anos, o Mãos Amigas amplia sua presença na rede estadual com a expansão para mais três Núcleos Regionais de Educação (NREs): Wenceslau Braz, Pato Branco e União da Vitória. Com a ampliação, o programa passa a abranger 22 NREs. Executada pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), em cooperação técnica com a Polícia Penal do Paraná (PPPR) e apoio do Paraneducação, a iniciativa alia a conservação dos espaços escolares à ressocialização de pessoas privadas de liberdade por meio do trabalho.

As equipes realizam serviços de roçada, jardinagem, limpeza, pintura, poda de árvores e pequenos reparos. A diversidade de atividades permite atender diferentes demandas de manutenção das unidades, contribuindo para a conservação dos espaços e para o uso mais eficiente dos recursos públicos.

Segundo o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, o Mãos Amigas consolidou-se como uma política pública eficiente ao combinar manutenção da infraestrutura escolar com racionalização dos gastos. "Em 2025, o programa gerou uma economia superior a R$ 5 milhões aos cofres públicos e agora em 2026, já chegamos a R$ 4,4 milhões em economia, demonstrando que é possível ampliar o atendimento às escolas com qualidade e, ao mesmo tempo, utilizar os recursos públicos de forma mais eficiente", destacou. 

Para a diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, a expansão do Mãos Amigas permite levar os serviços de manutenção a mais escolas e ampliar os benefícios do programa. “Com a chegada a novos Núcleos Regionais de Educação, conseguimos ampliar o atendimento às escolas, contribuir para a conservação dos espaços e, ao mesmo tempo, oferecer oportunidades de ressocialização por meio do trabalho. É uma iniciativa que alia cuidado com a rede estadual e uso responsável dos recursos públicos”, destacou.

RESPOSTA RÁPIDA - O Programa Mãos Amigas também mobiliza equipes para apoiar a recuperação de municípios atingidos por eventos climáticos extremos. Em novembro de 2025, após a passagem de um tornado por Rio Bonito do Iguaçu, na região Centro-Sul do Paraná, os participantes auxiliaram na limpeza e na retirada de entulhos, contribuindo para a recuperação das unidades escolares e o restabelecimento das atividades. A operação ocorreu sob monitoramento da Polícia Penal do Paraná.

Mais recentemente, as equipes atuaram na recuperação das escolas estaduais atingidas por um vendaval em Laranjeiras do Sul. Segundo Claus Giovani Andrade Marchiori, chefe da Divisão de Programas e Projetos Especiais do Fundepar e gerente estadual do Mãos Amigas, a agilidade na execução dos serviços é fundamental para reduzir os impactos sobre a rotina escolar e permitir o retorno seguro dos estudantes às aulas. “Os participantes tiveram um papel importante na limpeza e na organização dos espaços escolares, preparando as unidades para as etapas seguintes de recuperação. Essa atuação contribui para o atendimento das necessidades da rede estadual e, ao mesmo tempo, oferece experiência de trabalho às pessoas privadas de liberdade”, afirma Marchiori.

Além da experiência prática, os participantes recebem capacitação para executar atividades de manutenção escolar. Entre as formações oferecidas estão treinamentos de segurança para trabalho em altura, operação de máquinas e outros cursos relacionados às demandas do programa. “Nosso objetivo é proporcionar conhecimentos que possam ser utilizados no trabalho e que também ampliem as oportunidades profissionais após o cumprimento da pena”, destaca Marchiori.

O PROGRAMA – De acordo com a PPPR, a participação de pessoas privadas de liberdade (PPLs) no programa favorece a qualificação profissional, a geração de renda e a manutenção dos vínculos familiares. Além de reduzir a ociosidade no sistema prisional, o trabalho contribui para o desenvolvimento da autonomia e da autoestima dos participantes, que adquirem experiência profissional e ampliam as possibilidades de reinserção no mercado de trabalho após o cumprimento da pena.

Segundo Boanerges Silvestre Boeno Filho, chefe da Divisão de Produção e Desenvolvimento da PPPR, além da remição de pena prevista na legislação, os participantes recebem remuneração equivalente a 75% do salário mínimo. Desse valor, 80% são destinados à família, enquanto os 20% restantes são depositados em poupança, cujo saldo pode ser acessado após o cumprimento da pena. “O trabalho tem um papel importante nesse processo porque permite que a pessoa privada de liberdade adquira experiência profissional, tenha renda e continue contribuindo com a família. Ao mesmo tempo, desenvolve habilidades que podem ajudar na retomada da vida em sociedade após o cumprimento da pena”, afirma Boeno Filho.

RECONHECIMENTO – Em 2023, o Fundepar recebeu o Selo Resgata, premiação nacional concedida pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça, que reconhece iniciativas voltadas à responsabilidade social e ao incentivo ao trabalho prisional.

 

 

 

 

 

 

Por - AEN

Café mais barato na prateleira e soja em alta nas exportações, mostra boletim do Deral

O Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (22) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), mostra crescimento nas exportações do complexo soja – conjunto formado pela soja em grão, o farelo de soja e o óleo de soja – e preços mais favoráveis do café ao consumidor no varejo paranaense.

De janeiro a setembro de 2026, o Estado exportou 12,79 milhões de toneladas do complexo soja, alta de 3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita cresceu 13% e totalizou US$ 5,76 bilhões. A soja em grão responde por 71% do total exportado, seguida pelo farelo de soja (24%) e o óleo de soja (5%). A China segue como principal destino, com 58% das compras, e o Irã ocupa a segunda posição, com pouco mais de 8%.

No período, o Paraná embarcou volumes relevantes para 24 países. No cenário nacional, as exportações do complexo somaram 121,58 milhões de toneladas, aumento de 8%, com receita de US$ 52,17 bilhões, alta de 17%.

Sobre a safra de verão, o plantio da soja no Paraná desacelerou por causa do excesso de chuvas na semana anterior, e 47% da área prevista estava plantada, contra média superior a 55% nas últimas três safras.

QUEDA NO CAFÉ - No café, o preço médio recebido pelos produtores deve recuar em outubro na comparação com setembro. Na última semana, a saca de café beneficiado foi comercializada a R$ 1.380,51, valor 10% inferior aos R$ 1.533,37 de setembro e semelhante aos de junho e julho, período de auge da safra. Segundo o Deral, o preço ainda é considerado positivo para os produtores diante da grande produção nacional.

“A queda ajuda a indústria a formar estoques a custo menor e a ofertar preços mais acessíveis no varejo”, afirma Hugo Wickler Godinho, coordenador da Divisão de Conjuntura do Deral.

O pacote de 500 gramas registrou média de R$ 23,90, levemente abaixo da de setembro e 19% inferior aos R$ 29,42 de outubro de 2025, conforme pesquisa de preços do departamento. Para a próxima safra paranaense, o El Niño tem se mostrado favorável, com chuvas regulares que auxiliam o pegamento das primeiras floradas. O Paraná responde por cerca de 1% da produção nacional de café.

HORTICULTURA - Em 2025, o Sudoeste do Paraná respondeu por 5,3% da área, 6,2% da produção e 4,1% do Valor Bruto da Produção (VBP) da olericultura estadual. Foram colhidas 189,8 mil toneladas em 6,1 mil hectares, com VBP de R$ 309,6 milhões.

Na fruticultura, a região participou com 4,5% da área, 3,4% da produção e 3,8% do VBP, com R$ 163,2 milhões em 2,5 mil hectares e 50,2 mil toneladas. Enquanto a olericultura recupera os indicadores após ligeira queda, a área de pomares segue em redução.

PECUÁRIA - No boi gordo, a diferença entre os preços do animal e da carcaça no atacado diminuiu em outubro em São Paulo, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), com a oferta restrita de animais prontos sustentando as cotações.

O Brasil embarcou 61,3 mil toneladas de carne bovina in natura nos primeiros sete dias úteis de outubro, redução de quase 40% na média diária frente a outubro de 2025. De janeiro a setembro, as exportações somaram 2,37 milhões de toneladas, 1,3% abaixo do mesmo período do ano anterior.

AVES - O Documento do Deral inclui ainda que o preço médio do frango vivo ao produtor paranaense foi de R$ 4,75 por quilo em setembro, alta de 0,4% sobre agosto e queda de 4,4% em relação a setembro de 2025. O milho no atacado atingiu R$ 66,43 por saca de 60 quilos (+2,9% no mês), e o farelo de soja chegou a R$ 2.171,40 por tonelada (+10% sobre agosto), o que pressiona a relação de troca do avicultor.

Nas exportações de carne de peru, o Brasil embarcou 45.816 toneladas de janeiro a agosto, com receita de US$ 188,705 milhões, altas de 28,4% em volume e 82,6% em faturamento. O Paraná, terceiro colocado, exportou 9.314 toneladas e faturou US$ 44,341 milhões, avanços de 2% e 53,3%, respectivamente.

 

 

 

 

 

Por - AEN

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