O Instituto Água e Terra (IAT) prevê consolidar o programa “Meu Pedaço de Chão”, uma parceria do órgão ambiental com o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), com a regularização de pelo menos 123 propriedades rurais em 2026.
O número é 260% superior ao realizado no ano passado, quando foram legalizados 34 imóveis em Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba – outros 87 processos estão em trâmite no município, com expectativa de conclusão até dezembro.
O trabalho nesta etapa ficará concentrado em Piên, na região Sul do Paraná. O IAT já iniciou a fase de estudo em 266 lotes, com meta para regularizar pelo menos metade deles ainda neste ano. Paralelamente, em Doutor Ulysses, na Região Metropolitana de Curitiba, o órgão começa neste semestre o cadastramento das pessoas que serão beneficiadas.
Lançado em 2023, o “Meu Pedaço de Chão” é uma vertente do programa Justiça no Bairro e tem como objetivo legitimar, por meio da posse, terrenos sem registro localizados no Estado. Pela proposta, técnicos do Instituto vão a campo cadastrar os beneficiários e georreferenciar as áreas nos moldes da legislação federal, com a elaboração do mapa e do memorial descritivo do imóvel a ser regularizado, estabelecendo os limites da propriedade.
O passo seguinte é a confecção de ações judiciais que tramitam via Justiça no Bairro, programa do TJ-PR, para a declaração de propriedade e posterior registro do imóvel no cartório competente. O modelo adotado é o de usucapião, forma de adquirir a propriedade de um bem móvel ou imóvel através da posse contínua.
Confirmado todos os requisitos estabelecidos pela Justiça, a titulação, então, é entregue gratuitamente às famílias, concedendo oficialmente o direito da posse sobre a área. O apoio jurídico é coordenado pelo TJ-PR durante todo o processo. O prazo de conclusão é estimado em 60 dias, conforme a documentação necessária.
“O objetivo principal desse projeto é dar aos pequenos produtores a possibilidade de resolver esse passivo fundiário, diminuindo as desigualdades regionais em todo o Estado”, afirma o diretor de Gestão Territorial do IAT, Amílcar Cavalcante.
Com base no Cadastro Ambiental Rural (CAR), estima-se que o Paraná possui hoje aproximadamente 530 mil imóveis rurais. Desse total, levantamentos do Estado calculam que cerca de 20% apresentam ocupantes que não possuem o imóvel em seus nomes. O problema se concentra especialmente na RMC, Litoral e regiões Centro-Sul e Campos Gerais.
“Esse é um trabalho do Governo do Estado que tem um lado social muito forte. Garantir o documento da terra, que muitas vezes é o único patrimônio que a pessoa conquistou durante toda a vida, é sempre um sonho”, acrescenta o diretor.
COMO FUNCIONA – Para participar, o município deve se cadastrar no programa por meio do IAT. As prefeituras ajudam na triagem das famílias beneficiadas e na coleta da documentação. A proposta prioriza cidades que já possuem georreferenciamento prévio e foca em cidadãos da agricultura familiar.
A ação de usucapião exige a comprovação da posse da terra, como a apresentação de contas de luz pagas pelo cidadão, cadastro no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária Paraná (Incra) ou até depoimentos da vizinhança, além da apresentação de documentos pessoais e de renda que indiquem a renda familiar de até três salários mínimos.
“A usucapião normalmente é demorada porque a pessoa tem de convencer o juiz de que realmente é detentora daquele direito, daquela área. Mas, ajuizada no Processo Eletrônico do Judiciário do Paraná do TJPR, o Projudi, pelo nosso programa, todas as questões legais já são cumpridas e a documentação refinada, há casos em que a sentença saiu em até 60 dias”, diz Cavalcante.
TECNOLOGIA – Para garantir a agilidade e evitar que o produtor rural precise se deslocar até o Fórum, o programa incorporou novas tecnologias. As entrevistas com testemunhas e confrontantes, por exemplo, são feitas na própria propriedade, utilizando aparelhos celulares.
Os servidores gravam as respostas em vídeo, baseados em um roteiro de perguntas elaborado previamente pelo juiz do caso. O material é anexado ao processo, evitando a marcação de audiências presenciais. Para o futuro, o IAT já estuda o uso de antenas Starlink para garantir conexão de internet nas áreas mais remotas e permitir o envio dos dados em tempo real para os sistemas da Justiça.
Segundo a assistente técnica do IAT, Eunice Salles, a iniciativa foca também em melhorar a realidade econômica das regiões com os menores Índices de Desenvolvimento Humano do Paraná. “Sem documento de terra, eles não conseguem acessar linhas de crédito rural, crédito bancário, programas de apoio governamental e incentivos para melhorar a produção”, explica.
Por - AEN
Um caso de estupro ocorrido em 2013 em Ponta Grossa, no Paraná, foi solucionado mais de uma década depois graças ao cruzamento de dados do Banco Nacional de Perfis Genéticos (BNPG). A identificação do suspeito foi possível após a comparação automatizada de perfis de DNA, permitindo a reabertura do inquérito e a responsabilização do autor.
O resultado evidencia o papel estratégico da genética forense nas investigações criminais, inclusive em casos antigos sem autoria definida. O material biológico coletado à época foi preservado e inserido no banco, possibilitando que, anos depois, a tecnologia conectasse evidências e apontasse o responsável pelo crime.
“A coincidência foi identificada a partir de rotina automatizada de buscas entre os perfis inseridos no banco estadual. O sistema está configurado para executar essas buscas automaticamente, em periodicidade semanal, comparando novos perfis inseridos com os já existentes na base de dados”, explica a perita oficial da Polícia Científica do Paraná (PCIPR) e administradora do banco Luciellen Kobachuk.
Com a identificação, a Polícia Civil notificou a Justiça, que determinou a reabertura do inquérito policial. O Ministério Público ofereceu denúncia pelo crime de estupro contra o investigado, que está preso em outro Estado por crimes distintos.
BACKLOG - Esse tipo de avanço é diretamente impulsionado por iniciativas como o projeto Backlog, desenvolvido no âmbito da Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos. No Paraná, em 2021, a PCIPR processou mais de 2 mil vestígios de DNA relacionados a crimes sexuais, antecipando a meta estabelecida nacionalmente e contribuindo para destravar investigações que estavam paradas.
A iniciativa tem como objetivo justamente reduzir o volume de amostras pendentes de análise — o chamado “backlog” — e ampliar a base de dados genéticos. Com isso, é possível identificar autores de crimes, conectar ocorrências com a mesma autoria e até inocentar suspeitos.
Os resultados já demonstram impacto concreto: o processamento dessas amostras gerou 342 coincidências positivas entre materiais genéticos de vítimas e de suspeitos com os dados que já estavam registrados no banco, resultando em mais de 70 laudos periciais que passaram a subsidiar investigações em todo o país.
“Existem, ainda, outros laudos de matches envolvendo indivíduos condenados, oriundos das amostras processadas durante o período de backlog, e esses resultados continuam sendo encaminhados periodicamente”, destaca a perita da PCIPR.
Apenas em 2025, por exemplo, as novas inserções no banco já resultaram em pelo menos 11 coincidências confirmadas entre perfis genéticos de vítimas de violência sexual processadas no projeto Backlog e perfis de condenados recentemente incluídos na base, demonstrando que o sistema segue ativo e produzindo resultados contínuos.
TRABALHO CONTÍNUO — A Polícia Científica do Paraná mantém de forma permanente a coleta, análise e inserção de perfis genéticos no BNPG, tanto por meio do projeto Backlog quanto de outras iniciativas desenvolvidas pelo Estado, ampliando constantemente a base de dados. O trabalho contínuo fortalece a capacidade de elucidação de crimes, inclusive aqueles sem autoria definida há anos, e reforça o papel da ciência como aliada fundamental da segurança pública e da busca por justiça às vítimas.
Por - AEN
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) iniciou a distribuição de 750 fuzis que serão destinados a todas as unidades da instituição no Estado. A medida integra um investimento voltado à padronização do armamento e ao atendimento das demandas operacionais em todas as regiões.
Até o momento, foram contempladas a 6ª Subdivisão Policial (SDP) de Foz do Iguaçu, a 20ª SDP de Toledo, a 15ª SDP de Cascavel, a 2ª SDP de Laranjeiras do Sul e a 14ª SDP de Guarapuava. Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Paraná, Sílvio Jacob Rockembach, a entrega seguirá de forma gradativa até alcançar todas as subdivisões e unidades da PCPR.
“A distribuição dos fuzis para todas as unidades da PCPR integra um planejamento voltado à padronização do armamento e à ampliação da capacidade operacional. O processo inclui a capacitação dos policiais, que é condição obrigatória para o uso do equipamento”, afirma.
CAPACITAÇÃO - Para o uso do armamento, a PCPR realizou o primeiro treinamento específico por meio da Escola Superior da Polícia Civil (ESPC), com apoio do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (TIGRE). A capacitação foi direcionada a instrutores de tiro credenciados, selecionados conforme a experiência no uso de armamento longo.
O conteúdo programático incluiu histórico da plataforma AR, sistemas de funcionamento, customização do armamento, manutenção de primeiro escalão, noções de balística externa, procedimentos de zeragem dos sistemas de pontaria, balística terminal aplicada ao contexto policial e metodologia de ensino.
Também foram abordados fundamentos do tiro com fuzil, posições de emprego, controle de cano, deslocamentos, giros em ambiente de tiro, solução de panes, recargas emergenciais, transição para pistola e aplicação do conceito Check Drillk, que consiste na verificação sistemática das condições do armamento durante o manuseio. Os participantes passaram por avaliações práticas, teóricas e de docência.
PROJETO – A capacitação integra um projeto desenvolvido pelo TIGRE, a pedido do Departamento da Polícia Civil, estruturado em duas frentes: formação de multiplicadores e habilitação operacional.
Nos meses de janeiro e fevereiro, foram realizadas duas edições do curso voltadas à capacitação de instrutores responsáveis por ministrar o treinamento de fuzil. Em março, teve início a etapa de capacitação dos operadores no interior do Estado. A previsão é de que, em abril, tenham início os cursos destinados aos operadores da capital e da região metropolitana.
MAIOR AQUISIÇÃO - O investimento faz parte de um conjunto de aquisições realizadas pelo Governo do Estado para a Segurança Pública. Em 2025, foram adquiridos 3.711 fuzis, com distribuição às forças de segurança até o início de 2026. A entrega dos 750 equipamentos à PCPR segue planejamento de distribuição gradual para todas as unidades.]
Por - AEN
Começou nesta segunda-feira (30), nas escolas da rede estadual de ensino, o processo de cadastro de estudantes na Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital) e na plataforma Emprega Brasil. A ação, coordenada pela Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR), segue até 17 de abril e tem como objetivo facilitar a inserção dos jovens no mercado de trabalho formal, além de ampliar o acesso a vagas de emprego, programas de aprendizagem profissional e políticas públicas voltadas à empregabilidade.
A Conexão Empregabilidade começou com evento no Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba (CEEP). A ação é voltada para estudantes a partir de 14 anos, regularmente matriculados e egressos aptos à empregabilidade, especialmente aqueles vinculados aos cursos técnicos, itinerários formativos e formações profissionalizantes.
A iniciativa integra um termo de cooperação técnica entre a Seed-PR, a Secretaria do Trabalho, Qualificação e Renda do Paraná (SETR) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), fortalecendo a articulação entre educação, qualificação profissional e oportunidades de trabalho, além de contribuir para o monitoramento de indicadores de empregabilidade educacional no Estado.
De acordo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, a iniciativa reforça o compromisso do Estado com a preparação dos jovens para o futuro profissional. “Estamos aproximando o ambiente escolar das oportunidades reais de inserção no mercado de trabalho. Esse acesso às plataformas oficiais amplia horizontes, fortalece a autonomia dos estudantes e contribui diretamente para a formação de cidadãos mais preparados e conscientes”, destacou.
O programa atua tanto no engajamento dos empresários, mostrando como os alunos da rede estadual podem qualificar seus quadros de funcionários, quanto dentro das escolas, orientando e encaminhando os alunos para as oportunidades de estágio e programas de aprendizagem.
A diretora de Planejamento e Gestão Escolar da Seed-PR, Graziele Andriola, destaca que a iniciativa fortalece a conexão entre a formação escolar e as oportunidades profissionais para os jovens. “Estamos fortalecendo a articulação entre a educação e o mercado de trabalho no Paraná para ampliar o acesso dos estudantes da rede pública a vagas de emprego e aprendizagem profissional”, explica.
MAIS OPORTUNIDADES - Durante a abertura das atividades, a coordenadora do Centro Estadual de Educação Profissional de Curitiba, Patricia Quadros Ferreira Netto, reforçou a importância do programa para ampliar as oportunidades dos alunos e fortalecer a formação profissional dos jovens. “Já desenvolvemos algumas ações na escola, mas uma semana de empregabilidade permite que todos participem ao mesmo tempo e tenham as mesmas oportunidades no futuro”, analisa Patrícia. “Isso é especialmente importante para os alunos do terceiro ano, já que os aproxima do mercado de trabalho e fortalece suas perspectivas”, conclui.
Para a estudante Alice Romano da Silva, de 16 anos, do 3°ano do curso de biotecnologia, essa ação no Colégio faz toda diferença. “Muitos adolescentes, às vezes, não dão tanta importância a isso e o incentivo da escola é super importante para mostrar para os alunos o quanto esse cadastro pode ajudar no futuro”, reflete ela.
Já o estudante Lucas Verdasca Carvalho, de 16 anos e também do 3°ano, vê essa ação de empregabilidade como uma oportunidade importante para o seu futuro profissional. “Eu penso que facilita muito ter acesso ao aplicativo literalmente na palma da mão. Com isso a gente já pode ter amplas oportunidades no mercado de trabalho desde o início”, diz.
O cadastro da CTPS Digital é documento único, que substitui o modelo físico da carteira de trabalho e é essencial para a participação em processos formais de contratação, registro de vínculos trabalhistas e acesso a programas de aprendizagem profissional. O foco é garantir que o aluno tenha o aplicativo instalado e a conta Gov.br validada, para que por meio da Plataforma Emprega Brasil, o estudante possa ser visualizado pelo Sistema Nacional de Empregos (SINE) e candidatar-se a vagas de emprego e cursos de qualificação gratuitamente.
IMPORTANTE - Para efetivar o cadastro, os estudantes devem possuir CPF, e-mail ativo e conta no portal gov.br. O aplicativo da Carteira de Trabalho Digital deve ser instalado no celular para o recebimento de notificações sobre vagas e cursos, caso não possuam aparelho, o acompanhamento poderá ser feito pelos sites oficiais da CTPS Digital e Emprega Brasil.
As equipes gestoras organizarão cronogramas, orientarão alunos e responsáveis e garantirão estrutura e apoio à orientação profissional. O cadastro não gera vínculo empregatício nem prejuízo acadêmico, devendo ocorrer com acompanhamento pedagógico e respeito às normas legais, especialmente sobre proteção de dados e trabalho de adolescentes.
A iniciativa integra as políticas públicas estaduais voltadas à empregabilidade e não substitui as atividades pedagógicas regulares.
Por - AEN
O belo amanhecer desta segunda-feira (30) não deixou transparecer o que a atmosfera prepara para os próximos dias. Depois de um fim de semana de muito sol e temperaturas acima de 30°C em praticamente todo o Paraná, a chuva retorna a todas as regiões paranaenses ao longo desta semana. As temperaturas terão leve declínio a partir de terça-feira (31).
O predomínio de sol favoreceu a elevação das temperaturas na manhã desta segunda-feira (30). O dia começou com nebulosidade variável entre o Centro-Sul, Campos Gerais e na faixa Leste, com nevoeiros em regiões de lagos, rios e represas, que logo se dissiparam. Em algumas regiões do Estado, o cenário já começa a mudar no período da tarde, devido a influência de um cavado meteorológico que está em deslocamento perto do Litoral da região Sul do Brasil.
“As instabilidades retornam ao Estado, especialmente nas cidades que fazem divisa com Santa Catarina, avançando sobre a Região Metropolitana de Curitiba, Centro-Sul, e, ao longo da tarde e noite, se estendendo também aos Campos Gerais, faixa central e Norte Pioneiro, onde há risco para temporais e chuvas pontualmente intensas”, explica Leonardo Furlan, meteorologista do Simepar.
Nas regiões atingidas pela chuva já na segunda-feira, as temperaturas começam a cair na terça (31). Curitiba, que pode chegar aos 28°C nos termômetros na segunda, não passa dos 21°C na terça. Ponta Grossa terá máxima de 29°C nesta segunda (30) e não passa dos 23°C terça e quarta-feira (01). Cambará terá máxima de 33°C segunda-feira e não passa dos 27°C na terça.
MAIS GRADATIVO - Em outras regiões, o declínio nas temperaturas será mais gradativo. Em Guarapuava, a máxima de segunda-feira será de 28°C, na terça 24°C e na quarta-feira de 22°C. Em Maringá, as máximas chegam aos 35°C na segunda, não passam dos 32°C na terça, e caem para 27°C na quarta. As temperaturas mínimas terão um declínio um pouco menor: ficarão cerca de 2°C abaixo do que já vinha sendo registrado no amanhecer.
No Oeste e Noroeste, chuvas isoladas não estão descartadas nesta segunda-feira, mas o predomínio será de sol, com variação de nuvens e temperaturas em elevação, ultrapassando a marca dos 35°C em algumas cidades. O declínio nas temperaturas também será gradativo nestas regiões. Em Cascavel a máxima de segunda-feira é de 32°C, na terça 29°C e na quarta 26°C. Em Cianorte, as temperaturas na segunda-feira podem chegar aos 34°C, na terça aos 33°C e na quarta 26°C.
CHUVA - Na terça-feira (31), o cavado meteorológico se aproxima do Paraná, e configura-se como um Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN). Apesar do nome dar a entender, não se trata de um ciclone, e sim de uma circulação fechada nos altos e médios níveis da atmosfera.
“O nome do VCAN se dá em função da sua posição na atmosfera e também pelo seu giro no sentido horário. Representa um sistema de baixa pressão em altitude, que se desprende do escoamento principal. No centro do sistema a condição é de tempo mais estável, enquanto nas periferias há formação de áreas de instabilidade. Esses sistemas tem núcleo frio e aumentam os ventos em altitude, o que, combinado com calor e umidade em superfície, criam um ambiente favorável para chuvas e temporais”, detalha Leonardo Furlan.
O VCAN fará as instabilidades atuarem em todo o Paraná na terça, com risco para temporais em todas as regiões justamente em função da combinação de calor e umidade. Esse cenário persiste também na quarta-feira, quando novamente a chuva pode ser mais intensa pontualmente, e temporais localizados podem ser registrados à tarde e à noite.
“Na faixa central, no Leste e nos Campos Gerais, as temperaturas ficam mais amenas. O sol até aparece em alguns momentos, mas a nebulosidade predomina, com instabilidades atuando ao longo do período”, ressalta Leonardo.
Entre quinta (02) e sexta-feira (03), a tendência é de que as instabilidades reduzam sobre o Paraná, ficando mais concentradas do Centro ao Leste do Estado, de forma irregular, principalmente à tarde e à noite. “Temporais localizados não estão descartados, mas agora mais passageiros. Já no Oeste e Noroeste, as temperaturas voltam a se elevar, podendo ultrapassar a marca dos 30°C pontualmente. Teremos variação de nuvens, mas predomínio de sol ao longo do dia”, detalha Leonardo.
ALERTAS - É importante que a população fique atenta aos alertas da Defesa Civil Estadual, que acompanha o monitoramento do tempo 24 horas dos meteorologistas do Simepar.
Em caso de necessidade, as informações são disponibilizadas para a população por meio dos alertas enviados por SMS ou WhatsApp. O cadastro é gratuito. Basta a pessoa enviar o seu CEP por SMS para o número 40199 para se habilitar a receber os alertas. Para que sejam enviados por WhatsApp. é necessário cadastrar o número 61 2034-2611 e interagir com esse contato, podendo se cadastrar a partir do CEP, do município ou da localização.
Para situações mais extremas, são enviados alertas por meio da tecnologia cell broadcast, sem necessidade de cadastro prévio.
Por - AEN
O Paraná se consolidou como a principal referência brasileira em saúde auditiva de alta complexidade.
Nos últimos oito anos, o Estado saltou das últimas posições para o primeiro lugar no ranking nacional de implantes cocleares por milhão de habitantes. Saiu de 2,1 implantes por milhão de habitantes em 2016, quando se mantinha na frente apenas do Ceará (1,36), para 18,0 implantes por milhão de habitantes, ultrapassando o Rio Grande do Norte (15,14) que era o líder naquele ano, com 9,39.
Entre 2019 e 2025 foram 651 implantes na rede pública de saúde paranaense. Os procedimentos, assim como todo o tratamento, são oferecidos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), com repasses via Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), de mais de R$ 41,7 milhões apenas nesse período.
“Temos na Sesa em funcionamento a Linha de Atenção à Saúde da Pessoa com Deficiência, que atua de forma constante e com o propósito de prevenir agravos e proteger a saúde da pessoa com deficiência. Reabilitar a capacidade funcional é a melhor forma de inclusão e de cuidado”, disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, que afirmou ainda que os números que colocam o Estado em destaque na escala de quantidade de implantes refletem o comprometimento da Sesa com a saúde da população paranaense.
Conhecido popularmente como "ouvido biônico", o implante coclear é um dispositivo eletrônico de alta tecnologia inserido através de cirurgia. Diferente dos aparelhos auditivos convencionais, que apenas amplificam o som, o implante estimula diretamente o nervo auditivo.
O dispositivo conta com uma parte interna, que é colocada cirurgicamente dentro da cóclea (caracol da audição) e uma parte externa (que fica visível na parte posterior da cabeça) que é formada por um processador que capta o som ambiente. As duas partes são conectadas por um ímã, sendo que a externa deve ser retirada para tomar banho e dormir, e a bateria precisa ser carregada.
O implante é indicado para adultos que apresentam perdas auditivas severas, e para crianças com surdez congênita. O implante não é exclusivamente para pessoas que não ouvem nada, e sim também para quem, fazendo uso do aparelho convencional, não consegue mais ser atendido na sua necessidade.
Embora seja tecnicamente complexa e delicada devido ao espaço reduzido, a cirurgia é considerada de baixo risco clínico. Pode ser feita em bebês a partir dos 6 meses, até idosos acima de 90 anos, desde que haja condições clínicas.
O processo de avaliação para elegibilidade inclui exames clínicos e avaliação fonoaudiológica específica, como o exame BERA (Brainstem Evoked Response Audiometry). Também é importante a avaliação de psicólogos e outros especialistas, caso o paciente tenha alguma doença ou condição pré-existente.
O implante é ativado cerca de 30 dias após o procedimento cirúrgico e é essencial que a pessoa passe pela adaptação e acompanhamento com um médico otorrinolaringologista especializado em implante.
“Nesse primeiro momento o som é estranho e o volume é baixo. Existe todo um processo para ir adaptando e, gradativamente, ir ajustando o volume. E, com tudo isso acontecendo, o acompanhamento com fonoaudiólogo é fundamental, porque é preciso que o cérebro aprenda a interpretar os sinais elétricos enviados pelo implante”, explica o médico otorrinolaringologista Neilor Mendes, que coordena um dos Centros Especializados em Implante Coclear do Paraná, localizado no Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, que atende de forma gratuita.
BUSCANDO ATENDIMENTO - A porta de entrada para acessar o tratamento é a Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência do paciente. A partir dessa consulta, caso exista a indicação, a pessoa será encaminhada para o setor especializado. “É importante as pessoas saberem como procurar o tratamento. As pessoas sabem, por exemplo, que se o rim delas não funcionar mais, elas podem fazer hemodiálise, mas a grande maioria não sabe que se ficar surda pode fazer um implante coclear”, diz Mendes.
Ainda conforme o médico, estudos apontam que em média apenas 5% das pessoas que poderiam ser beneficiadas com alguma tecnologia auditiva implantável de fato usam. “Realmente as pessoas não têm conhecimento do que é o implante, como funciona, e muito menos que elas podem fazer de graça pelo SUS”, destacou.
Apesar disso, essa realidade vem mudando, tanto que os números comprovam. Há 8 anos, eram feitos cerca de 30 implantes por ano e agora são aproximadamente 30 a cada dois meses. “O serviço está crescendo bastante, a Sesa nos apoia muito e com isso estamos conseguindo cada vez mais levar essa tecnologia, essa opção de saúde para os pacientes de todo o Estado do Paraná” acrescentoo médico.
Na rede particular, o valor do implante coclear parte de R$ 65 mil, podendo chegar a R$ 170 mil.
REAPRENDER A OUVIR - A professora Edilaine Montanhani, de 49 anos, é moradora de Altônia, na região Noroeste, e passou pelo implante coclear bilateral em 2022. Ela nasceu ouvint, até que, aos 20 anos, começou a sentir a perda gradativa da audição.
“Logo quando comecei a perceber que estava perdendo a audição procurei atendimento médico. No começo usava aparelho auditivo, que me ajudava, mas ainda assim tinha dificuldade de entender as palavras, sobretudo em lugares com muito barulho”, contou. “Mas, logo depois, perdi quase que totalmente a audição e precisei deixar a sala de aula”.
A mudança foi tão impactante na vida da professora que ela se isolou. “Eu cheguei em um determinado momento que mesmo com o aparelho auditivo não ouvia nada, me afastei do trabalho, dos amigos, não tinha mais vida”, relembra.
Mas ela não se entregou e buscou atendimento na Unidade Básica de Saúde, onde recebeu auxílio e orientação. “O médico me disse, num primeiro momento, que até para ele era uma situação nova, mas que eu seria encaminhada”.
Edilaine conta que passou por todo o processo de consultas e exames com especialistas. “Os profissionais de saúde não mediram esforços para me ajudar. Quando cheguei no Hospital Universitário Regional de Maringá e o cirurgião pediu os exames e avaliou que eu poderia fazer o implante, minha vida mudou novamente”.
Entre a habilitação para o implante e a efetivação da cirurgia, foram cerca de 6 meses. “É um processo lindo, de reaprender a ouvir. No primeiro ano fiz acompanhamento intenso com fono, o mapeamento do implante e até hoje sigo recebendo esses atendimentos”.
Edilaine fez questão de destacar que, desde os exames, passando pelos implantes e seguindo com a reabilitação, ela não teve nenhum custo. “Se posso dar um conselho para quem está passando pela mesma situação difícil que eu passei é que procure o atendimento através da UBS”.
EMILLY E HEITOR - Moradores de Sarandi, no Noroeste do Paraná, os irmãos Emilly Caroline Guimarães Rodrigues, de 10 anos, e Heitor Donato Guimarães Rodrigues, de 4 anos, são usuários de implante coclear. A mãe deles, Cibele Guimarães, relatou que as duas crianças nasceram com deficiência auditiva bilateral severa. “A Emilly apresentou atraso na fala, e por isso nós buscamos atendimento médico. Os exames confirmaram uma neuropatia auditiva, que é bastante complexa”, contou.
A pequena tinha pouco mais de 2 anos quando veio o diagnóstico e os implantes (bilaterais) ocorreram logo depois, com intervalo de cerca de um mês entre um e outro. “No dia do aniversário de 3 anos dela o implante foi ativado”.
No caso do Heitor, a necessidade do implante foi descoberta ainda mais cedo, aos quatro meses de vida. O diagnóstico foi o mesmo da irmã: neuropatia auditiva. As cirurgias aconteceram pouco depois de ele completar 1 ano.
O tratamento, que é realizado pelo SUS, inclui acompanhamento médico desde antes do implante. Atualmente, os irmãos têm reabilitação com a fonoaudióloga uma vez por semana e mapeamento dos implantes, que acontecem anualmente para Emilly e a cada 6 meses para Heitor. “O mapeamento avalia como está a parte interna do implante, se a externa está funcionando corretamente, se precisa aumentar ou diminuir o volume”, explica a mãe. “E o tempo varia de acordo com a necessidade de cada um. Como ela está mais adaptada, o intervalo é maior”.
A mãe contou que, apesar dos filhos serem muito jovens quando foram tratados, a adaptação foi dentro do esperado. “No começo era uma novidade, então eles tiravam, deixavam em qualquer lugar, era preciso ficar muito atenta, mas, com o tempo eles foram se acostumando”.
Cibele comentou ainda que para ela também foi uma adaptação. “No começo foi muito difícil para mim, nunca imaginei na vida que teria que passar por isso. Nenhuma mãe quer que o filho tenha alguma deficiência ou doença, e ter que tomar uma decisão tão grande por um filho é muito difícil. Ter que entregar um filho em um centro cirúrgico é muito difícil”, relatou.
“Mas a recuperação da cirurgia do implante coclear é tão tranquila que no segundo filho foi tudo mais fácil, e hoje sinto uma gratidão por ter tido esse privilégio, de ter conseguido proporcionar a eles um futuro melhor, e saber que foi a melhor decisão que tomei na vida”, completa ela.
Por - AEN








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