Um ano depois do outbreak – ocorrência de múltiplos tornados gerados pelo mesmo sistema meteorológico – de 7 de novembro de 2025, o Simepar, Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná, lança um documentário que detalha todo o trabalho da equipe de meteorologistas antes, durante e depois das ocorrências. “Além do tornado: uma análise meteorológica dos eventos de novembro de 2025 no Paraná” foi publicado nesta sexta-feira (06) no canal do Youtube da instituição.
Quando um tornado devastou Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Estado, uma equipe de meteorologistas que já sabia da gravidade do cenário previsto acompanhava a força da natureza levar estruturas, vidas e histórias, por meio das telas de monitoramento. No mesmo dia, outros dois tornados também atingiram o Paraná. Este plantão levou o Simepar a revisar e aprimorar seus processos.
O documentário ressalta o legado que ficou, depois de um trabalho intenso que começou com a emissão de avisos meteorológicos e alertas para a população antes da ocorrência, passou pela classificação preliminar, pela análise em campo, pelo estudo de mapeamentos aéreos, e teve a conclusão publicada em um laudo técnico, com mais de 130 páginas. A análise envolveu diretamente as áreas de meteorologia, geointeligência, infraestrutura e tecnologia da informação do Simepar.
“Todo o processo de gestão do risco, desde o momento da identificação do primeiro sinal das tempestades, o acompanhamento e a comunicação dos eventos, foi revisto e melhorado desde então. Hoje temos processos mais conhecidos, papéis e responsabilidades melhores definidos”, conta Sheila Paz, gerente de meteorologia do Simepar.
A instituição já contava com três meteorologistas com mestrado em tempestades severas na equipe, que compartilhavam o conhecimento da área de pesquisa com a experiência de meteorologistas com mais de 20 anos de atuação na operação quando os tornados aconteceram.
Depois destes eventos severos, os profissionais buscaram ainda mais conhecimento. Sheila e o coordenador de operações do Simepar, Marco Jusevicius, acompanhados de representantes da Defesa Civil do Paraná, estiveram neste ano em Oklahoma, em um dos maiores centros de monitoramento de tornados do mundo, para conhecer como o trabalho é feito em escala global. “Essa experiência fez com que a gente conseguisse trazer o método e adequar à nossa realidade”, ressalta Sheila.
Novos sistemas passaram a ser criados pelas equipes de meteorologistas desenvolvedores do Simepar para facilitar a análise dos dados de radar, satélite e das estações meteorológicas, e para agilizar a comunicação dos fenômenos. Sob efeito do El Niño, com aumento das tempestades severas pelo Paraná, os novos protocolos, novos sistemas em fase de teste e novos conhecimentos já foram aplicados em 2026, quando o Simepar classificou 15 tornados no Paraná: 13 supercelulares, e dois landspouts (que se formam de redemoinhos de vento em direção à nuvem, ao invés de descer da nuvem em direção ao solo).
Além dos tornados, vários outros casos de tempestades severas que causaram danos foram estudados e classificados pelos meteorologistas depois de novembro de 2025. A classificação adequada dos eventos meteorológicos permite aos municípios buscar ajuda para reconstrução, auxilia na construção de políticas públicas e na pesquisa, embasando a climatologia.
“Nesse momento de mudanças climáticas, é importante que tenhamos no Paraná um trabalho diferenciado. População, órgão meteorológico, Defesa Civil e outros órgãos do Estado trabalhando juntos para melhor defender a população e para que as cidades sejam mais resilientes e pessoas mais preparadas para o futuro que nos espera”, afirma Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar.
OS TORNADOS - No dia 7 de novembro de 2025, o ramo frio de um ciclone extratropical formado sobre o Sul do Brasil favoreceu o desenvolvimento de nuvens de tempestade de forte intensidade sobre o Paraná. Algumas dessas nuvens, imersas em um ambiente de elevada instabilidade termodinâmica, intensificaram-se ainda mais, evoluindo para a categoria de supercélulas, com características de rotação em torno de seu eixo vertical. O cisalhamento vertical intenso do vento e o transporte de ar quente e úmido foram cruciais para a evolução das tempestades.
Duas dessas supercélulas foram responsáveis pela ocorrência de três tornados em municípios das regiões Sudoeste e Centro-Sul do Paraná. Originado de uma supercélula na fronteira com o Paraguai, o primeiro deles percorreu 75 km entre Quedas do Iguaçu e Cantagalo. No seu ponto mais crítico, em Rio Bonito do Iguaçu, a "cicatriz" no solo chegou a ter 3.250 metros de largura.
A classificação foi de F4 na Escala Fujita, que vai de 0 a 5. Um tornado considerado "devastador". A força foi tamanha que árvores tiveram a casca arrancada, e uma colheitadeira de 16 toneladas foi arrastada.
Da mesma supercélula originou-se o segundo tornado. Foram 44 km de destruição entre Candói e o distrito de Entre Rios, em Guarapuava. Embora tenha começado como um F2, ao chegar a Entre Rios, ele evoluiu para a categoria F4. Contêineres foram arremessados a 150 metros de distância e casas de alvenaria foram completamente colapsadas.
Uma segunda supercélula gerou o terceiro tornado, em Turvo. O menor de todos, com 12 km, foi classificado como F2, que gera danos consideráveis. Ele destruiu matas e construções na região da Cachoeira dos Turcos.
Por- AEN
O corpo de Matheus Gustavo Schuh, de 22 anos, foi encontrado na manhã deste domingo (20). Foram nove dias de buscas desde que ele desapareceu na represa Salto Santiago, em Rio Bonito do Iguaçu, na região central do Paraná, enquanto participava de um campeonato de pesca esportiva.
Ele e outros dois homens estavam em um barco que sofreu uma falha mecânica, começou a girar e arremessou os três na água. Matheus foi o único que submergiu e desapareceu, não sendo possível o resgate por outra embarcação.
O acidente aconteceu por volta das 10h30 do dia 12 de setembro, no local conhecido como "Duas Barra Mansa". Os bombeiros informaram que os três estavam sem coletes salva-vida.
A vítima foi encontrada, neste domingo, a aproximadamente 60 metros de distância do local onde o acidente aconteceu e a uma profundidade de cerca de 30 metros, de acordo com o Corpo de Bombeiros.
Ao longo dos nove dias de buscas, as equipes usaram barcos e drones para realizar o trabalho.
À época do desaparecimento, o Santiago Pesca Esportiva, organizador do campeonato, informou em nota que o barco dos competidores teve um rompimento no cabo de direção, que conecta o volante ao mecanismo de movimentação. Devido ao acidente, a competição foi cancelada. Confira na íntegra:
"O Santiago Pesca Esportiva lamenta a fatalidade ocorrida durante a 6° Etapa do 21° Campeonato Santiago Pesca Esportiva de Traíra neste dia 12/09/2026.
Um acidente envolvendo a embarcação da equipe 61 - Fisga Toco que teve o rompimento do cabo de direção e a embarcação rodou arremessando os competidores para fora da embarcação. Uma equipe que estava próxima ao local prestou apoio imediato, socorrendo dois integrantes da equipe, mas infelizmente o 3° integrante não foi encontrado.
De imediato foi iniciado o protocolo de apoio com embarcação e membros da Associação Santiago Pesca Esportiva na tentativa de resgatar o jovem M.S.
Ainda, foi decidido pelo CANCELAMENTO da etapa.
Prezamos pela vida e integridade física dos competidores e estamos dando todo apoio nas buscas do nosso amigo que está desaparecido.
Reiteramos que orientamos as equipes quanto ao uso dos equipamentos de proteção e aos cuidados na navegação, para minimizar os riscos durante a competição.
Agradecemos a todos que até o momento estão dando apoio às equipes de resgate e à compreensão dos competidores quanto ao cancelamento da etapa."
Matheus Gustavo Schuh, de 22 anos, desapareceu na manhã de sábado (12) na represa Salto Santiago, em Rio Bonito do Iguaçu, enquanto participava de um campeonato de pesca esportiva. O acidente ocorreu por volta das 10h30.
De acordo com a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, a embarcação em que Matheus estava com outras duas pessoas sofreu uma falha mecânica (o rompimento do cabo de direção), ficou sem controle, começou a girar e arremessou os três ocupantes na água. Uma segunda embarcação que estava nas proximidades prestou socorro imediato e resgatou dois dos homens, que foram atendidos pelo Samu e encaminhados ao posto de saúde municipal. O jovem submergiu e não foi mais localizado.
Segundo relatos dos resgatados, eles ouviram um barulho antes de o barco perder a direção. Nenhum dos três usava colete salva-vidas.
As buscas por Matheus começaram ainda no sábado e continuaram neste domingo (13). Uma equipe de Curitiba deve reforçar os trabalhos na segunda-feira (14), com apoio de sonar.
Em nota, a organização do Santiago Pesca Esportiva informou que decidiu cancelar a 6ª etapa do campeonato após o acidente e que está prestando apoio às buscas. A entidade reiterou que orienta as equipes sobre o uso de equipamentos de proteção e os cuidados na navegação.
Na quarta-feira (09), a equipe da ROTAM realizava patrulhamento pelo município de Rio Bonito do Iguaçu, na localidade de São Francisco, momento em que visualizou o veículo Fiat Uno.
Diante do conhecimento da equipe acerca da recorrente circulação de pessoas armadas naquela localidade, foi realizada ordem de parada para averiguação.
Realizada a abordagem, nada de ilícito foi localizado, o condutor foi identificado e o passageiro também. Em busca veicular, nada de ilícito foi encontrado. em consulta aos sistemas informatizados, foi constatada a existência de mandado de prisão em desfavor de um dos indivíduos, referente ao artigo 217-a, com 19 anos de condenação.
Diante dos fatos, o condutor foi liberado no local, enquanto o outro indivíduo foi encaminhado e entregue no depen de laranjeiras do sul, para as providências cabíveis.
Na terça-feira (08), a equipe da ROTAM realizava patrulhamento pela área rural do município de Rio Bonito do Iguaçu, quando, nas proximidades da comunidade São Francisco, visualizou um veículo Ford fiesta, de cor prata.
Durante a aproximação, foi possível visualizar certo nervosismo por parte dos ocupantes do veículo, sendo que o condutor freou bruscamente. Ainda, por meio do para-brisa dianteiro, foi possível visualizar o passageiro tentando ocultar um objeto no banco traseiro.
Diante da fundada suspeita, foi realizada a abordagem do veículo e de seus ocupantes, sendo identificado os dois homens, onde durante a busca pessoal, nada de ilícito foi localizado.
Contudo, durante a busca veicular, foi localizado, no banco traseiro, um revólver taurus, calibre .22, municiado com 09 (nove) munições do mesmo calibre, da marca cbc. Indagados os abordados acerca da propriedade da arma de fogo, o passageiro declarou ser o proprietário do armamento.
Diante dos fatos, foi dada voz de prisão ao autor, sendo este encaminhado, juntamente com a arma de fogo e as munições apreendidas, até a 2ª SDP, para a adoção dos procedimentos de polícia judiciária.
A Polícia Civil do Paraná (PCPR), por meio da 2ª Subdivisão Policial de Laranjeiras do Sul, em atuação conjunta com o Ministério Público do Paraná (MPPR), cumpriu, na manhã desta quarta-feira (2), mandados de busca e apreensão no município de Rio Bonito do Iguaçu, no âmbito de investigação que apura, em tese, a prática do crime de peculato envolvendo bens e donativos destinados às pessoas atingidas pelo tornado que assolou o município.
As ordens judiciais foram cumpridas na sede da Secretaria Municipal de Assistência Social e no barracão do Centro de Eventos de Rio Bonito do Iguaçu, locais onde estavam armazenados bens, alimentos e outros mantimentos arrecadados para posterior distribuição à população atingida pelo desastre natural.
A operação teve como objetivo reunir novos elementos informativos e probatórios para esclarecer a destinação dos donativos e verificar eventual apropriação, desvio ou utilização indevida de bens que estavam sob a administração ou custódia do Poder Público e que tinham como finalidade o atendimento das pessoas afetadas pelo tornado.
Durante o cumprimento das diligências, foram apreendidos documentos e equipamentos de informática, incluindo notebooks, considerados de interesse para a investigação.
Os materiais apreendidos serão submetidos à análise técnica e confrontados com os demais elementos já reunidos no procedimento investigativo, a fim de esclarecer as circunstâncias dos fatos e verificar a eventual existência de responsabilidade penal.
A investigação prossegue sob sigilo, com o objetivo de preservar a efetividade das diligências em curso e assegurar o regular desenvolvimento das apurações.
POr - PCPR






















