As primeiras casas pré-moldadas que serão custeadas pelo Governo do Estado em Rio Bonito do Iguaçu para repôr residências destruídas pelo tornado do início de novembro vão começar a sair do papel na próxima semana.
Oito terrenos já passaram pelas fases de limpeza e nivelamento do solo e foram liberados pela prefeitura para que a Tecverde – empresa contratada para o serviço – possa começar a executar as obras. A Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) é a responsável por gerenciar toda a operação.
O cronograma aprovado em reunião nesta sexta-feira (28) com a presença da Cohapar, da Tecverde e da Prefeitura prevê que a primeira família a ser atendida seja a de Marilda Risse, esposa de Claudino Paulino Risse, uma das sete vítimas do desastre climático. O governador Carlos Massa Ratinho Junior já havia prometido a ela, por meio de ligação telefônica semana passada, que a casa de Marilda seria a número 1 a ser montada. Nos dias posteriores, de maneira gradativa, a produção se estenderá aos outros sete lotes com aval municipal.
As residências serão construídas usando o sistema wood frame, que reduz bastante o tempo de execução. As casas possuem sala, cozinha, dois quartos, banheiro e área de serviço, com tamanhos que variam entre 45 m², 48 m² e 50 m². A atividade será desenvolvida em etapas.
A primeira fase da obra é a fundação rasa, que já recebe embutidas as instalações elétricas, hidráulicas e de gás. A partir daí transcorre o tempo de cura do concreto, cuja duração pode variar entre três dias a uma semana, de acordo com vários fatores, sendo um deles o tipo do solo. O passo seguinte é a montagem das paredes, que também chegam prontas, com esquadrias e instalações. Na sequência, entram o telhado e os acabamentos finais: cerâmica, pintura, louças e metais.
O investimento do Governo do Estado para entregar as 320 moradias anunciadas para as famílias atingidas é de R$ 44 milhões. Aqueles que perderam suas casas, mas que têm terreno apropriado, terão as novas edificações montadas ali mesmo. Já para aqueles que não possuem área própria, o novo lar ficará em terreno doado pela prefeitura.
A ordem de entrega das casas vem sendo definida com base no cadastramento feito pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). Ela também foi responsável pelo levantamento de campo, em que foram vistoriadas cerca de 1,5 mil edificações, em parceria com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-PR) e Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia do Paraná (Ibape-PR). O contrato com a Tecverde impõe prazo de 180 dias para a construção de todas as 320 casas.
POr - AEN
O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) concluiu nesta semana o laudo técnico que detalha a trajetória e a classificação dos três tornados que atingiram o Paraná em 7 de novembro.
O trabalho descrito no documento, que tem mais de 130 páginas, elevou para F4 a categoria na escala Fujita dos tornados que atingiram Rio Bonito do Iguaçu e Guarapuava, e manteve em F2 a categoria do tornado que atingiu Turvo. Onze municípios foram atingidos: Rio Bonito do Iguaçu, Turvo, Guarapuava, Quedas do Iguaçu, Espigão Alto do Iguaçu, Nova Laranjeiras, Porto Barreiro, Laranjeiras do Sul, Virmond, Cantagalo e Candói.
O laudo descreve as análises feitas através da integração entre meteorologia operacional, geointeligência, sensoriamento remoto e análise geoespacial. O trabalho envolveu todos os setores do Simepar, com apoio do Corpo de Bombeiros, Instituto Água e Terra e Defesa Civil do Estado do Paraná, permitindo a compreensão do evento para oferecer subsídios valiosos para o planejamento territorial e a gestão de risco. Ele concluiu que este evento pode ser considerado um dos maiores desta categoria no Estado do Paraná nos últimos 30 anos, considerando os aspectos relacionados à quantidade de tornados no mesmo evento, pessoas atingidas e destruição em diversos níveis observada nas suas trajetórias.
A conclusão foi de que o ramo frio de um ciclone extratropical formado sobre o Sul do Brasil favoreceu o desenvolvimento de nuvens de tempestade de forte intensidade sobre o Paraná em 7 de novembro. Algumas dessas nuvens, imersas em um ambiente de elevada instabilidade termodinâmica, intensificaram-se ainda mais, evoluindo para a categoria de supercélulas, com características de rotação em torno de seu eixo vertical. O cisalhamento vertical intenso do vento e o transporte de ar quente e úmido foram cruciais para a evolução das tempestades.
Duas dessas supercélulas foram responsáveis pela ocorrência de três tornados em municípios das regiões Sudoeste e Centro-Sul do Paraná. A categorização dos tornados seguiu a metodologia preconizada pela Escala Fujita, criada para mensurar a intensidade do fenômeno com base nos danos observados e nas velocidades estimadas do vento.
As evidências dos danos foram obtidas por meio de registros fotográficos realizados pelo meteorologista Reinaldo Kneib por sobrevoo de helicóptero sobre a área entre Espigão Alto do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu e Virmond e no distrito de Entre Rios, município de Guarapuava, nos dois dias seguintes à ocorrência. Ele também fez registros fotográficos em superfície na área urbana de Rio Bonito do Iguaçu, e a equipe também analisou imagens, vídeos e depoimentos disponibilizados por terceiros.
“É por isso que o Simepar existe, para podermos trabalhar na mitigação e também na resiliência futura que será produzida a partir da experiência deste triste episódio”, afirma o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca.

CLASSIFICAÇÃO – A primeira supercélula gerou o Tornado 1, que passou por Quedas do Iguaçu em categoria F1, por Espigão Alto do Iguaçu em categoria F1, por Nova Laranjeiras em categoria F1, por Rio Bonito do Iguaçu em categoria F4, por Porto Barreiro em categoria F3, por Laranjeiras do Sul em categoria F3, por Virmond em categoria F2, e por Cantagalo em categoria F1.
Esta mesma supercélula também gerou o Tornado 2, que passou por Candói em categoria F2 e pelo Distrito de Entre Rios, em Guarapuava, em categoria F4. A supercélula percorreu aproximadamente 270 km de distância, com velocidade média de deslocamento de cerca de 80 km/h.
Uma segunda supercélula percorreu aproximadamente 230 km de distância, com velocidade média de deslocamento de cerca de 85 km/h, e gerou o Tornado 3, que passou sobre Turvo em categoria F2.
Na escala Fujita, os tornados categoria F1 são de severidade moderada e tem velocidade do vento estimada entre 116 km/h e 180 km/h. Os de categoria F2 tem severidade considerável e velocidade do vento estimada entre 180 km/h e 253 km/h. Os de categoria F3 são considerados severos e velocidade do vento estimada entre 253 km/h e 332 km/h. Já os de categoria F4 são considerados devastadores, com velocidade do vento estimada entre 332 km/h e 418 km/h.
A escala vai de F0 a F5, onde F0, com severidade leve, tem ventos de 65 km/h a 116 km/h, e o F5 é descrito como “incrível”, com ventos entre 418 km/h e 511 km/h.

TRAJETÓRIAS – O Tornado 1 percorreu aproximadamente 75 km, com uma área de impacto estimada em 12.426 hectares. Sua largura variou de 750 metros em Quedas do Iguaçu para 3.250 metros na região de maior intensidade, em Rio Bonito do Iguaçu. Em média, a largura foi de 1.850 metros, refletindo o poder destrutivo do tornado, especialmente nas áreas mais afetadas.
A intensidade F4 do Tornado 1 ocorreu na área urbana de Rio Bonito do Iguaçu, causando destruição massiva nas edificações, arremesso de veículos, tombamento de caminhão e estragos associados à velocidade de vento compatíveis com a categoria.
No Tornado 2, em Guarapuava, os danos também foram condizentes com a categoria F4, como intensa e vasta destruição na vegetação em vários pontos, colapso total de algumas casas de alvenaria e até mesmo o arremesso de um container a cerca de 150 metros. O Tornado 2 percorreu cerca de 44 km, com uma área de impacto estimada em 2.301 hectares. Apresentou larguras mais homogêneas, variando entre 500 metros e 1.160 metros.
Já o Tornado 3 teve o percurso mais curto, com 12 km de extensão e uma área de impacto de 570 hectares. Sua largura variou entre 400 metros e 675 metros, com uma média estimada de 525 metros.

TRABALHO – Assim que a previsão do tempo confirmou a ocorrência das tempestades severas, na terça-feira anterior (04), o Simepar iniciou a confecção de boletins diários para a população. Em parceria com a Defesa Civil, equipes já iniciaram reforços no monitoramento das regiões que seriam mais afetadas. Na sexta-feira (07), uma operação especial com participação de todos os meteorologistas de Curitiba monitorou a movimentação atmosférica em tempo real.
Quando o fenômeno foi constatado em Rio Bonito do Iguaçu, por volta das 18h10, as análises preliminares para classificação do tornado deram início. As primeiras fotos e vídeos feitas pelas equipes de resgate no município e enviadas pela Defesa Civil já evidenciaram o potencial para o tornado.
Após a análise dos dados de radar, a refletividade foi estudada e também foi percebido um hook echo, ou seja, eco de gancho, uma assinatura do radar meteorológico que indica a possibilidade de existência de tornado. Preliminarmente o tornado foi classificado na escala Fujita entre as categorias F2 e F3, com estimativa de ventos na faixa de 250 km/h.
Na manhã seguinte, sábado (08), Reinaldo Kneib, meteorologista do Simepar, foi até a cidade realizar entrevistas técnicas. Acompanhado de um integrante do Corpo de Bombeiros com formação em Engenharia Civil, ele também sobrevoou a cidade e outras regiões que tiveram indícios nos dados de radar de possibilidade de tornado. Reinaldo conversou com profissionais que atuaram nos resgates em todas as cidades envolvidas. Conversou com moradores das regiões que vivenciaram o tornado. Compreendeu, presencialmente, a distância que objetos e pessoas foram arremessados pela força do vento.
Uma reunião envolvendo todos os 15 meteorologistas da equipe de Curitiba concluiu com um longo debate as análises feitas, para a emissão de uma nota técnica, que já identificava as duas supercélulas que geraram os três tornados. Inicialmente, o tornado de Rio Bonito do Iguaçu foi classificado como F3, o de Guarapuava como F2, e o de Turvo também como F2.
O trabalho seguiu nas semanas seguintes, envolvendo outros setores do Simepar. As análises meteorológicas, baseadas em imagens de satélite e radar, foram corroboradas pela utilização combinada de imagens de satélite e de imagens aéreas, que foram fundamentais para identificação dos padrões macros de alteração da paisagem e de danos mais específicos. A análise multiespectral ajudou a delimitar as trilhas dos tornados.
“A abordagem integrada fortalece as capacidades de resposta e mitigação frente a eventos climáticos extremos, e é um passo importante para a construção de um sistema de gestão de risco mais eficiente e resiliente no Paraná”, afirma Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar.
POr - AEN
Um homem com extenso histórico de estelionatos em situações de calamidade pública foi preso em flagrante na tarde deste sábado em Rio Bonito do Iguaçu, no sudoeste do Paraná. A prisão ocorreu em um ponto oficial de cadastramento para vítimas do tornado que recentemente atingiu a cidade, local onde o suspeito se passava por agente público para aplicar golpes em moradores emocionalmente e socialmente fragilizados.
A operação foi deflagrada após um alerta urgente da Delegacia de Estelionato de Curitiba, que, com o apoio do Setor de Inteligência da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de informações da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, identificou que o indivíduo estava na região. Investigado por crimes semelhantes durante as enchentes no RS, o homem é acusado de se aproveitar de desastres para aplicar golpes com falsas promessas de auxílio emergencial.
Equipes da Polícia Civil, com apoio da Polícia Militar, localizaram o suspeito no local de cadastramento. Populares relataram que ele vinha se apresentando como agente público desde o último dia 16 de novembro, portando uma carteira falsa com brasão do Corpo de Bombeiros Militar. Durante a abordagem, duas vítimas confirmaram ter fornecido dados pessoais a ele ainda no mesmo dia. A confirmação de sua identidade foi realizada com suporte do Instituto de Identificação, que detectou inconsistências em seus documentos.
O homem, que também responde a boletins de ocorrência em São Paulo e é considerado um "profissional da calamidade" pelas polícias, foi preso pelo crime de estelionato. Ele foi encaminhado à Delegacia da Polícia Civil de Laranjeiras do Sul, onde permanece à disposição da Justiça. A ação conjunta impediu que novas vítimas, já afetadas pela tragédia recente, fossem lesadas.
O trabalho de recuperação das áreas atingidas pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu, no dia 7 de novembro, segue em ritmo acelerado.
A previsão é de que a cobertura das casas que tiveram o telhado danificado seja concluída ainda neste fim de semana, resultado de duas semanas de atuação contínua das equipes locais, estaduais e voluntários. Desde os primeiros dias após o evento climático, o Governo do Estado já destinou 11.440 telhas ao município, permitindo que praticamente todas as residências parcialmente danificadas recuperassem sua proteção estrutural.
Com a fase de emergência estabilizada, as ações avançam agora para as casas que sofreram destruição total. Para reforçar essa etapa, a Defesa Civil enviou nesta sexta-feira (21) um novo carregamento de 2.600 telhas, garantindo abastecimento constante de materiais e mantendo o ritmo de reconstrução.
Desde o dia 7, as equipes atuaram no salvamento e segurança de vidas, atendimento às vítimas e contenção dos danos mais graves. Na sequência, iniciaram a fase de reconstrução, que ganhou impulso nesta quinta-feira (20) com duas entregas importantes: a chegada das primeiras estruturas das 320 casas pré-fabricadas que serão construídas pela Cohapar e a distribuição dos primeiros Cartões Reconstrução, que garantem até R$ 50 mil para compra de materiais e contratação de mão de obra.
A solidariedade da população paranaense e de outros estados tem sido fundamental para a recuperação da cidade. As doações recebidas já somam mais de 248 toneladas, entre fardos de água, alimentos, marmitas, botijões de gás, telhas, tijolos, madeira, folhas de zinco, kits de higiene, areia e ferramentas diversas.
O capitão Edimar Penteado, da Defesa Civil Estadual, destacou que o avanço registrado nas últimas duas semanas só foi possível graças à união de esforços. “Desde o primeiro dia, depois do atendimento inicial das vítimas, iniciamos imediatamente a entrega das telhas para recuperar as casas que ainda tinham condições de receber a cobertura. Neste fim de semana estamos concluindo praticamente todas as coberturas dessas residências, garantindo que as famílias fiquem protegidas das chuvas e possam retornar aos seus lares”, afirmou.
Ele reforçou que, apesar do estoque de alimentos e itens básicos estar estabilizado, as doações de materiais de construção seguem essenciais. “Agora começa de fato o trabalho pesado da reconstrução. Precisamos de materiais como madeira, portas, janelas, cimento, areia e tudo o que é usado para reerguer uma casa", diz.
AINDA É POSSÍVEL AJUDAR - A campanha de doação de alimentos e materiais de higiene já foi encerrada, mas quem quiser continuar contribuindo com a reconstrução pode enviar materiais de construção, como telhas, madeiramento, materiais elétricos e hidráulicos, que devem ser encaminhados diretamente ao município, no centro de recebimento de doações montado na cidade.
Outra forma de ajudar é por meio de doações financeiras ao Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), via PIX 52.807.487/0001-12 (CNPJ), cujos recursos serão aplicados integralmente na reconstrução das moradias e na assistência às famílias. Também é possível doar diretamente para a Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu, pela chave PIX 95.587.770/0001-99 (CNPJ). Em ambos os casos, haverá prestação pública de contas.
Por - AEN
Um dia após publicar o decreto que regulamenta o programa Reconstrução, o Governo do Paraná deu início a entrega, nesta quinta-feira (20), em Rio Bonito do Iguaçu, dos primeiros 165 cartões que poderão ser utilizados para a compra de materiais de construção e contratação de mão de obra. O benefício de até R$ 50 mil é voltado às famílias que tiveram suas moradias destruídas ou danificadas pelo tornado que atingiu a cidade no dia 7 de novembro.
A liberação do auxílio marca o início efetivo da fase de reconstrução das residências, após uma operação emergencial que garantiu, desde o primeiro dia, atendimento às vítimas, mapeamento das áreas atingidas e avaliação técnica dos imóveis.
O benefício é dividido em duas modalidades: o Cartão Reconstrução é entregue fisicamente às famílias e permite exclusivamente a compra de materiais de construção em lojas que aceitam a bandeira Elo. A pessoa poderá acompanhar o saldo do cartão durante as compras. Já o Voucher de Serviços, depositado em uma poupança social no Banco do Brasil, é destinado à contratação de mão de obra especializada.
Ambos são liberados por CPF e vinculados diretamente à unidade habitacional afetada. O decreto define que 80% do valor total deve ser utilizado para compra de materiais e 20% para serviços. Os comprovantes e recibos das compras e contratação de mão de obra deverão ser guardados pelo período de cinco anos.
Na entrega do cartão, as famílias foram informadas sobre os critérios utilizados para avaliação dos danos de suas residências, que incluiu os laudos técnicos elaborados por engenheiros e arquitetos voluntários do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) e homologado pela Defesa Civil Estadual. É com base neste documento que foi determinado o valor do benefício de cada família e também o chamamento deste primeiro lote de beneficiários. A partir dos novos laudos e cruzamento de dados das bases da prefeitura, cartório e cadastros das famílias é que serão realizados outros chamamentos, o que deve ocorrer nos próximos dias.
Nos casos de destruição total, quando a casa foi integralmente perdida ou apresenta danos estruturais irreversíveis, a família recebe R$ 50 mil (R$ 40 mil no cartão e R$ 10 mil no Voucher de Serviços). Para destruição parcial grave, que compromete a estrutura ou a habitabilidade e exige grandes reparos, o valor é de R$ 35 mil (R$ 28 mil no Cartão e R$ 7 mil no voucher). Já as moradias com destruição parcial leve, em que os danos atingem telhado, acabamentos, portas, janelas ou instalações, mas sem comprometer a estrutura, receberão R$ 20 mil (R$ 16 mil para a compra de material de construção e R$ 4 mil para contratação de mão de obra). Imóveis avaliados como habitáveis não recebem o auxílio.
Dos 165 cartões que começaram a ser entregues nesta quinta-feira, 82 são de R$ 20 mil, 28 são R$ 35 mil e 55 de R$ 50 mil, totalizando o montante de R$ 5,37 milhões nesta primeira entrega. O montante faz parte dos R$ 50 milhões destinados pelo Governo do Estado ao Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap).
O benefício é direcionado a famílias em situação de vulnerabilidade temporária, condição caracterizada pela perda súbita da moradia causada por um evento inesperado, como o tornado, que interrompeu a rotina das famílias e gerou necessidade imediata de suporte para que possam se restabelecer com segurança. As regras também determinam que o benefício é concedido por CPF, para um único registro de imóvel.
AGILIDADE - O secretário do Desenvolvimento Social e Família, Rogério Carboni, destacou a rapidez na liberação dos auxílios. “O governador determinou o pagamento emergencial de R$ 1 mil por seis meses e, já na terça-feira, conseguimos fazer a primeira leva, com 900 famílias recebendo o valor. Agora, com o Cartão Reconstrução, entregamos até R$ 50 mil para que possam comprar material e contratar mão de obra. É muito importante ver a agilidade da resposta do Governo do Estado. A cidade já começa a se reconstruir”, afirmou.
O coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Fernando Shunig, destacou que a entrega dos primeiros cartões marca um resultado alcançado poucos dias após o desastre. Segundo ele, o trabalho intenso de cadastro, confirmação de dados e validação dos imóveis atingidos permitiu avançar com segurança para essa primeira etapa. “O tornado aconteceu há 14 dias e já estamos em condição de entregar o primeiro lote do Reconstrução Paraná”, refletiu.
hunig reforçou que a entrega dos cartões seguirá de forma contínua. “Este é só o primeiro lote. Temos quase duas mil famílias cadastradas e novos chamamentos serão feitos”, disse. Ele orienta que os moradores consultem o sistema disponibilizado pela Defesa Civil (basta escanear o QRcode disponível na página) para verificar se já estão na lista e compareçam com documentos pessoais que comprovem a propriedade do imóvel.
O secretário das Cidades, Guto Silva, lembrou que o auxílio marca um recomeço para as famílias. “Hoje simboliza muito esse sentimento de reconstrução. Estamos entregando um cartão inédito, direto para o cidadão, para que ele compre o que precisa e recomece a vida. É um momento de esperança. A cidade está retomando, e nosso papel é dar rapidez para que as famílias recuperem sua dignidade”, arrematou.
Para essa etapa, o Governo do Estado montou uma estrutura especial no Paço Municipal, que reúne dez guichês de atendimento, equipes de triagem e suporte técnico das equipes da Secretaria do Desenvolvimento Social e Família e Defesa Civil. O espaço conta ainda com a presença do cartório e do registro de imóveis para esclarecer dúvidas sobre documentação. “É tudo o que as famílias precisam neste momento para retirar o cartão e já começar a comprar materiais e contratar serviços”, completou o coronel Shunig.
O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h.
ESPERANÇA - Entre os beneficiários do primeiro lote do Cartão Reconstrução, a chegada do auxílio representa um recomeço possível após dias de perdas e incertezas. Um deles é Nailor Marques, pedreiro de 57 anos, que mora sozinho e teve a casa destelhada em questão de segundos. Telhas, ripamento e parte do madeirame desapareceram com a força do vento. Mesmo trabalhando para recuperar o que é possível, ele diz que o cartão simboliza um passo decisivo. “Deu aquele transtorno e levou tudo em 30, 40 segundos. Esse recurso ajuda muito é um recomeço. Agora é esperar reconstruir o que tinha e seguir em frente", planeja.
Quem também recebeu o benefício foi Antônio Nunes, 54 anos, que trabalha com jardinagem e mora com a esposa. A cobertura da casa foi arrancada, janelas e portas quebraram, e o padrão de energia caiu. Ele conta que o susto foi grande, mas que o cartão traz ânimo para recomeçar. “O vento levou tudo. Ficamos assustados. Minha casa perdeu cobertura, janela, porta, padrão de luz. Hoje vim buscar o recurso para levantar de novo. Vai ajudar muito. Quero colocar cobertura, forro, porta, e ir arrumando aos poucos. É um jeito de ter esperança. Estou muito feliz”, celebra.
A aposentada Maria Terezinha Verlindo, de 65 anos, começa a reorganizar o que sobrou. “Minha casa ficou sem telhado e o muro caiu. Perdi móveis, mas não me machuquei. Pedi para Deus que me deixasse a minha vida e a vida dos meus filhos, e Ele deixou. Recebi R$ 16 mil no cartão e R$ 4 mil para pagar pedreiro. Vai ajudar muito. Já recebi também o auxílio de mil reais. Isso tudo ajuda a gente a se levantar”, comenta.
MEDIDAS - A entrega dos primeiros 180 cartões representa um avanço importante dentro das ações de reconstrução. Além do auxílio de até R$ 50 mil, o Governo do Estado já iniciou o pagamento do benefício emergencial de R$ 1 mil mensais, por seis meses, às famílias atingidas. Também está em andamento o início da construção das primeiras 320 casas emergenciais autorizadas pelo governador Carlos Massa Ratinho Junior, que serão erguidas em modelo industrializado para acelerar o reassentamento das famílias que perderam tudo.
PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE O BENEFÍCIO:
Quando serão divulgados os próximos lotes?
À medida que os laudos técnicos do Crea-PR forem concluídos, as equipes avançam nas análises da documentação. Os chamamentos serão frequentes. A família pode conferir se está contemplada nos lotes pelo QRCODE disponível neste LINK.
O cartão será aceito em qualquer loja de material de construção?
Sim. O Cartão Reconstrução é aceito em todo o Estado. As lojas não precisam se cadastrar previamente, mas precisam aceitar a bandeira Elo.
O cartão já pode ser usado imediatamente?
Sim. Todos os cartões foram entregues com o saldo liberado e podem ser utilizados a partir desta quinta-feira (20).
Por AEN
Quatorze dias depois de perder a casa e o companheiro de vida por mais de três décadas, Claudino Paulino Risse, uma das sete vítimas do tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu no dia 7 de novembro, Marilda Risse recebeu nesta quinta-feira (20) a notícia de que será a primeira moradora a ganhar uma das 320 casas pré-fabricadas que o Governo do Estado está destinando às famílias atingidas. Abalada, mas amparada pela família, ela esteve no terreno onde vivia para acompanhar o anúncio e recebeu uma ligação do governador Carlos Massa Ratinho Junior confirmando a escolha.
Dona Marilda contou que o neto, de apenas dois anos, tem sido sua maior fonte de força nesses dias difíceis. Na noite anterior, sem saber que ela seria contemplada, ele tentou consolá-la dizendo que “daria uma casa amarela” para a avó. Ela sorriu ao lembrar da cena e disse que agora tem certeza de que, quando sua nova casa for erguida, ao menos uma parede será amarela.
Mesmo emocionada, agradeceu o início da reconstrução. “A gente recupera os bens materiais, mas a vida não. Ainda assim, estou contente por começar pela minha casa. Sou muito grata. Apesar da dor, Deus está me abençoando com um teto de novo. É a chance de recuperar minha dignidade e voltar a viver em paz”, afirmou
As primeiras estruturas das moradias deixaram Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, na tarde desta quinta-feira (20). A expectativa é de que as casas cheguem a Rio Bonito do Iguaçu até o fim da tarde desta quinta. As peças fazem parte do lote inicial fornecido pela empresa Tecverde, responsável pela construção das unidades pré-fabricadas em woodframe. Ao todo, serão investidos R$ 44 milhões do Tesouro do Estado para a aquisição das 320 residências.
A Tecverde possui atualmente 189 unidades prontas em estoque, que serão transportadas para Rio Bonito conforme as áreas de construção forem liberadas pela prefeitura e pela Defesa Civil, após limpeza e terraplanagem. As demais casas serão produzidas no prazo de até 90 dias. A Cohapar está finalizando o cadastramento para definir a destinação das unidades.

MONTAGEM - A montagem das novas moradias ocorrerá nos próprios terrenos das famílias que atendem aos requisitos técnicos. Para quem perdeu completamente a casa e não possui área própria, a prefeitura destinou um espaço onde as unidades serão erguidas.
As casas possuem sala, cozinha, dois quartos, banheiro e área de serviço, com tamanhos que variam entre 46 m², 51 m² e 53 m². Como o processo se assemelha a uma linha de produção, após a fundação, as paredes são montadas em cerca de 2h30 por unidade, seguidas do telhado e dos acabamentos. A previsão é de que a primeira casa seja concluída em até 10 dias.
“Esta primeira casa é carregada de simbolismo porque representa a reconstrução de toda a cidade. Ela chega de forma rápida e mostra a atenção, o carinho e a agilidade com que o Governo do Estado está atuando em Rio Bonito do Iguaçu. A reconstrução não é apenas econômica; é também emocional. Cada nova estrutura que começa a ser erguida significa retomar a vida e devolver dignidade às famílias”, reflete o secretário das Cidades, Guto Silva
Por AEN


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