SUS volta a aplicar duas doses de reforço da vacina contra a pólio

A partir de agosto, todas as crianças de 4 anos vão receber mais uma dose de reforço da vacina contra a poliomielite. Com isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) volta a oferecer o esquema que era feito até 2024, mas agora exclusivamente com a vacina injetável. 

Até aquele ano, todas as crianças recebiam três doses da vacina injetável, feita com o vírus inativado. E, posteriormente, duas doses de reforço com a vacina oral, de vírus enfraquecido, a famosa gotinha. 

No entanto, como em situações muito raras, o vírus atenuado da vacina oral pode sofrer mutações e provocar a doença, o Ministério da Saúde decidiu utilizar exclusivamente a vacina injetável, suprimindo a segunda dose de reforço.

Com a mudança mais recente, o esquema volta a ser: 

  • Três doses aos 2, 4 e 6 meses para conferir proteção básica;
  • Duas doses de reforço aos 15 meses e aos 4 anos de idade, para complementar a prevenção. 

Nas cinco ocasiões serão aplicadas a vacina inativada injetável. Todas as crianças menores de 5 anos que não tiverem recebido as cinco doses devem ser levadas ao posto de saúde para verificar a necessidade de atualização vacinal. 

A mudança no esquema de vacinação foi decidida após reunião da Câmara Técnica Assessora em Imunizações e comunicada pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) em uma nota técnica na semana passada. Ela passa a valer a partir do dia 3 de agosto. 

A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBI), Isabela Ballalai, explica que o reforço é necessário porque a proteção conferida pela vacina cai com o passar do tempo. Logo, as doses adicionais garantem que ela permaneça alta. 

"A pólio está controlada entre nós. No entanto, a situação mundial vem apresentando surtos localizados que preocupam e aumentam o risco de chegar ao país. Então é melhor manter o esquema de dois reforços. Este é o padrão da Organização Mundial de Saúde", complementa. 

Ainda de acordo com Isabela Ballalai, a vacina é recomendada aos menores de 5 anos porque essa é a faixa etária que têm maior risco de desenvolver quadros graves após a infecção pelo vírus. No entanto, em situações de surto, os adultos também podem ser vacinados. 

O Brasil não registra casos de poliomielite há 37 anos e em 1994 recebeu o certificado de área livre de circulação do vírus. No entanto, apesar de estar erradicado em grande parte do globo, o vírus da polio ainda circula em alguns países e a vacinação é a única forma de prevenir a doença e evitar que ela volte a causar surtos, como foi no passado.

Entre os anos de 1968 e 1989 o Brasil registrou mais de 26 mil infecções por pólio. Geralmente o vírus causa sintomas leves, mas ele pode atingir o sistema nervoso central e causar paralisia e morte. Por isso, a poliomielite também é chamada de "paralisia infantil". 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Tem gordura no fígado? Veja os alimentos recomendados e os que devem ser evitados

A doença hepática gordurosa, ou esteatose hepática, tornou-se uma das doenças do fígado mais comuns em todo o mundo nos últimos anos. O aumento de sua incidência está intimamente ligado ao crescimento da obesidade, do diabetes tipo 2, da resistência à insulina e da síndrome metabólica.

Especialistas alertam que, por ser uma patologia que geralmente não apresenta sintomas em seus estágios iniciais, muitas vezes passa despercebida, o que aumenta o risco de a condição evoluir silenciosamente para problemas graves, como inflamação do fígado, fibrose ou cirrose. 

Para lidar com essa condição, a comunidade médica concorda que a estratégia principal não se baseia em medicamentos, mas sim em uma profunda mudança de estilo de vida. Os principais objetivos incluem regular a atividade física, controlar doenças metabólicas preexistentes e alcançar uma perda de peso moderada, estimada entre 7% e 10% do peso corporal total, por meio de diretrizes nutricionais bem estruturadas.

 

Alimentos ultraprocessados ​​e gorduras que aceleram os danos ao fígado

A alimentação desempenha um papel crucial tanto no desenvolvimento quanto no agravamento da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). Uma pesquisa publicada na revista científica Frontiers in Nutrition, que avaliou mais de 500.000 pessoas, demonstrou que o consumo diário de alimentos ultraprocessados ​​— como refrigerantes, biscoitos industrializados, cereais açucarados, salsichas, sopas instantâneas e fast food — aumenta o risco de desenvolver essa doença em 22%.

Esses produtos fornecem níveis excessivos de açúcares adicionados, gorduras saturadas e aditivos que sobrecarregam a função hepática 

De acordo com as recomendações da nutricionista Natalia Antar e as diretrizes da Universidade de Harvard, existem componentes específicos que devem ser eliminados ou estritamente restringidos:

  • Gorduras saturadas e trans: presentes em salsichas, frios, produtos de panificação industrializados e alimentos fritos, que promovem inflamação e disfunção celular no fígado.
  • Açúcares simples (frutose): o xarope de milho rico em frutose, comum em bebidas e salgadinhos açucarados, acelera a síntese de gordura no fígado. É aconselhável verificar os rótulos para identificar açúcares adicionados sob nomes como dextrose, mel ou agave.
  • Álcool: instituições médicas apontam que não existe uma quantidade segura de álcool para pacientes com fígado gorduroso, visto que mesmo o consumo social ou pequenas doses agravam consideravelmente os danos aos tecidos.
  • Farinhas refinadas: pães brancos, massas não integrais e biscoitos comerciais elevam abruptamente os níveis de glicose e insulina no sangue, estimulando o armazenamento de lipídios nas células do fígado.

 

 

A dieta mediterrânea como plano de recuperação ideal

Em contraste com produtos nocivos, a dieta mediterrânea se apresenta como a opção ideal para retardar ou interromper a inflamação do coração. A gastroenterologista e hepatologista Sobia Laique, da Cleveland Clinic, explica que esse padrão alimentar saudável para o coração não só retarda a progressão da doença, como também reduz significativamente o risco cardiovascular associado.

Este modelo nutricional baseia-se no consumo diário de vegetais, frutas frescas, leguminosas e cereais integrais ricos em fibras (como aveia integral, arroz integral e pão integral), ajustado às necessidades calóricas do paciente.

Também promove a substituição de gorduras animais por gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas. O azeite extra virgem deve ser a principal fonte de gordura na dieta, complementado pela ingestão de oleaginosas (nozes, amêndoas) e sementes (linhaça, gergelim, girassol).

 

Componentes hepatoprotetores: ômega-3, café e mitos sobre ovos

A inclusão de ácidos graxos ômega-3, encontrados em peixes oleosos como salmão e cavala, contribui diretamente para a redução dos triglicerídeos hepáticos e da inflamação geral no organismo. Além disso, o consumo de café preto demonstrou ter propriedades hepatoprotetoras. Estudos clínicos indicam que o consumo de duas a três xícaras de café por dia (com ou sem cafeína), sem açúcar, adoçantes ou creme, está associado a menor acúmulo de gordura e menor risco de desenvolvimento de fibrose hepática.

Finalmente, especialistas desmentiram os mitos em torno do impacto dos ovos na saúde do fígado. As evidências científicas atuais indicam que o consumo de um ovo por dia é seguro e benéfico como parte de uma dieta equilibrada. Os ovos são uma rica fonte de colina, um nutriente essencial para o metabolismo adequado das gorduras no fígado; portanto, longe de serem prejudiciais, desempenham um papel protetor no tecido hepático.

 

 

 

POr - O Globo

Saiba quais mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir o risco de diabetes e demência por décadasSaiba quais mudanças no estilo de vida ajudam a reduzir o risco de diabetes e demência por décadas

O Programa de Prevenção do Diabetes (DPP) dos Estados Unidos e seu estudo de acompanhamento de longa duração, o Estudo de Resultados do Programa de Prevenção do Diabetes (DPPOS), acompanharam milhares de pessoas por mais de duas décadas, examinando como as mudanças no estilo de vida podem influenciar a saúde.

Agora, um novo estudo foi publicado, baseado nesses dados, e mostra que os benefícios de uma vida saudável vão muito além da prevenção do diabetes, aponta o Science Alert.

O estudo foi realizado por pesquisadores de instituições de todo os EUA, que analisaram os registros de saúde de 1.173 pessoas que foram originalmente inscritas no DPP com pré-diabetes.

Elas foram divididas em três grupos: um que tomou placebo diariamente, um que tomou o medicamento para diabetes metformina e um que seguiu um regime saudável de dieta e exercícios físicos com o objetivo de perder pelo menos 7% do peso corporal. Essas rotinas foram seguidas por três anos.

 

Menor risco de insuficiência cardíaca e demência

Durante mais de duas décadas de acompanhamento, o grupo que seguiu a dieta e o exercício apresentou uma probabilidade significativamente menor de desenvolver combinações de doenças crônicas, como insuficiência cardíaca e demência.

Mesmo após a exclusão do foco original da pesquisa, o diabetes, da lista de doenças crônicas, o risco geral de doenças crônicas permaneceu menor.

"Prevenir o diabetes é fundamental, mas prevenir o acúmulo de múltiplas doenças crônicas à medida que as pessoas envelhecem pode ter implicações ainda mais amplas para a qualidade de vida, a independência e os custos com saúde", afirma o médico Marcel Salive, do Instituto Nacional do Envelhecimento dos EUA.

Após o término do estudo inicial do DPP, o tratamento com placebo foi descontinuado e o tratamento com metformina continuou no estudo de acompanhamento.

Aqueles que foram designados para o programa de estilo de vida apresentaram um risco 21% menor de desenvolver multimorbidade do que aqueles que receberam placebo durante o período do estudo (multimorbidade foi definida como a presença de duas ou mais condições crônicas).

Houve pouca diferença entre o grupo placebo e o grupo que recebeu medicação para diabetes.

 

Quais doenças entraram na pesquisa

As 15 doenças crônicas investigadas pelos pesquisadores foram hipertensão, insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana ou doença cardíaca isquêmica, arritmias cardíacas, hiperlipidemia, acidente vascular cerebral (AVC), artrite, asma, câncer, doença renal crônica, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), demência (incluindo doença de Alzheimer), depressão, osteoporose e diabetes.

Foram feitos ajustes para diversos fatores que poderiam ter influenciado os resultados, incluindo idade, sexo, raça e etnia, consumo de álcool e índice de massa corporal (IMC), fortalecendo ainda mais as associações.

"Além da prevenção do diabetes, a intervenção no estilo de vida foi associada a um menor número de doenças crônicas no envelhecimento", escrevem os pesquisadores em seu artigo publicado.

"Os resultados sugerem que a modificação intensiva do estilo de vida pode prevenir ou retardar a multimorbidade na meia-idade e na terceira idade entre adultos com alto risco de diabetes ou com diabetes."

O que torna esses resultados particularmente encorajadores é que comer de forma mais saudável e praticar exercícios físicos regularmente é algo que a maioria de nós pode tentar sem muita dificuldade, aponta o Science Alert.

 

Velhice com menos doenças

Os indícios apontam que muitos anos de bons hábitos aumentam a probabilidade de uma velhice menos afetada por doenças. Embora o estudo não seja suficiente para comprovar causa e efeito, há uma forte associação, mesmo anos após o término dos grupos originais relacionados à dieta e aos exercícios.

"Essas descobertas destacam o valor a longo prazo de uma alimentação saudável, atividade física regular e controle de peso", afirma a epidemiologista Dana Dabelea, da Escola de Saúde Pública do Colorado.

O dado menos animador é que, em todo o grupo de estudo, incluindo aqueles que seguiram a dieta e o regime de exercícios, 85% dos participantes desenvolveram pelo menos duas doenças crônicas.

À medida que a população mundial envelhece, uma vida mais longa não significa necessariamente boa saúde. Há agora um crescente corpo de pesquisas examinando os fatores que contribuem para um envelhecimento saudável.

"Enquanto formuladores de políticas, profissionais de saúde e líderes de saúde pública buscam soluções para o aumento das taxas de doenças crônicas e dos custos de saúde, as descobertas oferecem um lembrete poderoso: investimentos em prevenção são importantes", diz Travis Leiker, vice-reitor de relações externas da Escola de Saúde Pública do Colorado, que não esteve diretamente envolvido no estudo.

A pesquisa foi publicada no JAMA (The Journal of the American Medical Association)

 

 

 

 

 

Por - Epoca Negócios

Maioria dos pacientes que importa remédios canábicos faz musculação

Uma pesquisa inédita da Blis Data 2026, a maior base de dados sobre pacientes canábicos da América Latina, aponta a musculação como a principal atividade praticada por quem faz esse tipo de tratamento com produtos importados. Ela aparece no topo da lista das modalidades mais populares, com 44%.

Levantar peso para trabalhar os músculos fica em primeiro lugar com forte predominância, já que a segunda colocada, a caminhada, soma apenas 9%. Corrida e pilates respondem, respectivamente, por 8,4% e 8%.

Na quinta colocação fica o ciclismo (6%). Em uma relação mais longa, de 10 posições, o futebol figura em penúltimo, isto é, 9º lugar.

A maioria (54%) dos participantes se exercita de três a cinco vezes por semana. Um quinto (20%) mantém-se ativo diariamente.

A Blis Data 2026 revela ainda as queixas mais comumente relatadas pelos pacientes canábicos. São elas: perda de foco (1°), sono ruim (2°) e estresse matinal (3°).

Outro dado importante diz respeito à utilização casada do medicamento canábico com outros, convencionais. Nesse caso, a parcela é de mais de 54%.  

A plataforma elaborou o levantamento após filtrar mais de 75 mil cadastros seus, limitando-se a analisar somente os hábitos do grupo não sedentário, majoritário e que totaliza mais de 47 mil pessoas. Os cadastros são feitos voluntariamente e incluem questões sobre aspectos emocionais concernentes ao uso de medicamentos à base de cannabis sativa.

 

Brasília (DF), 21/06/2026 – Maioria dos pacientes que importam remédios canábicos faz musculaçãoGráfico Blis Data
 Gráfico Blis Data

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Semana Mundial da Alergia alerta para prevenção e diagnóstico

Dados da Organização Mundial de Alergia (WAO, do nome em inglês) apontam que 30% da população mundial têm algum tipo de alergia. No Brasil, isso se repete.

Os brasileiros alérgicos constituem “uma multidão, um país dentro de outro”, disse à Agência Brasil a presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), Fátima Rodrigues Fernandes.

"São vários tipos de doença ocasionadas por uma alteração do nosso sistema imunológico, que responde de uma maneira mais exacerbada a estímulos, causando as inflamações.”, afirmou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, até 2050, metade da população global poderá ter alergias, devido às mudanças climáticas, que permitem maior penetração de alérgicos no organismo das pessoas.

A rinite alérgica atinge cerca de 30% da população do Brasil. Cerca de 26% das crianças brasileiras têm rinite. Em adolescentes, esse percentual alcança 30%, de acordo com dados do Estudo Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISSAC), aplicados em vários estados do país.

A asma alérgica é outra condição prevalente no Brasil, atingindo cerca de 20% da população. No mundo, a asma afeta cerca de 260 milhões de indivíduos e responde por mais de 450 mil mortes a cada ano. Os principais sintomas da asma são falta de ar, chiado no peito, tosse, sensação de cansaço e dor no peito, frequentemente após esforço físico ou até mesmo ao falar e rir.

Outra doença com impacto significativo na qualidade de vida é a dermatite atópica, doença crônica da pele, não contagiosa, que afeta pessoas de todas as idades. Esse tipo atinge especialmente as crianças - cerca de 20% - sendo que 5% delas apresentam a forma mais grave da doença.

Em torno de 60% dos casos são iniciados no primeiro ano de vida. Entre os adultos, a estimativa é que 3% tenham dermatite atópica. A coceira intensa e as lesões de pele levam o paciente a quadros de ansiedade e, por vezes, até à depressão, de acordo com a Asbai.

Campanha

A Semana Mundial da Alergia, que ocorrerá de 21 a 27 deste mês, organizada pela WAO e, no Brasil, pela AsbaiI, com o objetivo de prevenir, diagnosticar e tratar as doenças alérgicas, que aumentam a cada ano, visando seu controle. O tema da campanha é Cuidado com a Alergia é Cuidado Essencial, alertando para a saúde de toda a família. 

Fátima deu o exemplo da rinite, uma das alergias mais frequentes, cujos sintomas se caracterizam por coceira constante no nariz ou nos olhos, espirros seguidos, coriza e obstrução nasal, mesmo sem resfriado.

“A pessoa dorme com a boca aberta, tem perturbação no sono, mas não liga. Ela acostumou e pensa que aquilo é o normal dela. Mas não é”, diz a presidente da associação. A pessoa pode ter uma qualidade de vida melhor se ela se cuidar."

Como a campanha coincide no Hemisfério Sul com o início do inverno, a entidade aproveita para alertar sobre os sintomas das doenças alérgicas e incentivar os pacientes a procurarem um médico especialista, que pode ser um alergista ou imunologista, para controlar esses sintomas.

A especialista afirmou que, na maioria das vezes, a alergia é genética e, portanto, não tem cura, mas tem controle. “Se controlada, o indivíduo pode ficar totalmente sem sintomas”. Para isso, entretanto, é preciso, em primeiro lugar, definir qual é o tipo de alergia, qual é o alérgeno que desencadeia aquele problema e instituir o tratamento adequado.

Além de entrevistas com especialistas que podem ser acessadas no site da Asbai e em suas redes sociais, a campanha contará com eventos junto ao público em diversas regionais da entidade pelo país, mostrando como são os exames para diagnosticar alergia e tirar dúvidas da população.

Testes

Como orientação geral, a médica ressaltou a necessidade de a pessoa reconhecer seus sintomas. Ela mencionou, por exemplo, a asma, muito problemática nessa época do ano, em especial. “Os prontos-socorros ficam cheios de crianças, adolescentes e idosos com problemas pulmonares e respiratórios. A asma é uma doença que pode ser bem mais grave, colocando, inclusive, em risco a vida do paciente”.

No inverno, as pessoas que têm problemas respiratórios devem procurar ajuda médica, de preferência com especialista, que é preparado para esse tipo de diagnóstico e de cuidado, recomendou Fátima. O diagnóstico pode ser feito por meio de testes alérgicos feitos na pele do indivíduo, ou por coleta de sangue do paciente.

A presidente da associação afirma que seja qual for o teste, ele ajuda a diagnosticar a causa da alergia e previne novos sintomas que forem aparecendo, preparando a pessoa para lidar melhor com a doença e ter uma vida mais saudável.

“O importante é diagnosticar, cuidar e permitir que o indivíduo tenha uma vida normal e não, simplesmente, isolada”.

Além das alergias respiratórias, a médica citou as alergias alimentares, que podem resultar também em quadros graves; as dermatites, que podem adquirir um aspecto muito grave que limita a vida da pessoa; as urticárias, bastante incômodas, que prejudicam bastante a vida do paciente.

A campanha objetiva ainda dar atenção às pessoas que cuidam dos alérgicos. Como a alergia é hereditária, muitas vezes as famílias cuidam de uma criança alérgica e esquecem, muitas vezes, que o pai tem uma rinite e a mãe pode ter uma asma e negligenciam o cuidado dos adultos.

Fátima também aconselhou que todos da família façam tratamento. “A gente costuma dizer que, quando se fala de alergia, o tratamento não é só do paciente; é de toda a família. A alergia à poeira, a ácaros em casa acende o alerta, porque todos vão estar influenciados por esse tipo de exposição. Nesses casos, deve-se cuidar da casa e da família como um todo, “até para melhorar a qualidade geral de vida”.

Orientações

Visando garantir uma vida com mais qualidade, a ASBAI sugeriu algumas orientações:

  • O diagnóstico não é o fim, mas o início do controle. Seguir o tratamento prescrito previne crises graves
  • Sintomas como tosse persistente, espirros constantes, coceira na pele e falta de ar não devem ser normalizados. Podem ser sinais de alergias não diagnosticadas
  • Alergia é uma doença séria, não "frescura". Informação médica segura é o único caminho para proteger a saúde, evitando receitas caseiras sem comprovação
  • O tratamento vai além dos remédios. O controle de poeira, mofo e ácaros no ambiente doméstico é parte integrante e essencial do tratamento. 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Sintomas da doença falciforme vão além da anemia; saiba mais

Genética e hereditária, a doença falciforme é mais abrangente que uma anemia, nome pela qual ela costuma ser conhecida. Em entrevista à Agência Brasil, a hematologista Marimília Pita esclareceu esse e outros mitos sobre essa condição de saúde, que afeta até 100 mil brasileiros, segundo estimativa do Ministério da Saúde.

“Todo doente falciforme é anêmico. A doença falciforme é uma doença sistêmica que afeta todos os órgãos. Ela é genética, hereditária e passada de pais para filhos”, resumiu a médica.

Criadora da organização não governamental (ONG) Lua Vermelha, que conscientiza a sociedade sobre a doença falciforme, Marimília Pita também é oncohematologista pediátrica e fundadora do Comitê de Hematologia Pediátrica da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).

Neste dia 19 de junho, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para dar visibilidade a essa condição genética, reduzir o preconceito e melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

Hemácias em forma de foice

A anemia é o primeiro grande sintoma dessa doença que costuma ser diagnosticado. Isso ocorre porque o que causa essa condição de saúde é uma alteração nas hemácias, também conhecidas como glóbulos vermelhos, que são as células sanguíneas responsáveis por levar o oxigênio aos tecidos.

Em uma pessoa que apresenta essa condição genética, a hemácia perde o seu formato natural, semelhante ao de um grão de feijão, e assume uma aparência mais alongada, parecida com uma foice. Daí o nome falciforme, que significa forma de foice.

Doença Falciforme - Médica hematologista Marimília Pita. Foto: Marcelo Machado/RN Imagem
Hematologista Marimília Pita por Marcelo Machado/RN Imagem

“Como essa célula é muito comprida, ela não dura a mesma quantidade de dias que uma célula normal, que dura 120 dias. Na doença falciforme, ela se quebra com 20 dias, 30 e até 80 dias. Então, o paciente está sempre com anemia”. 

Além disso, a hemácia comprida é rígida e, quando ela se quebra, entope os vasos sanguíneos, enquanto a hemácia normal é superflexível e leva oxigênio para todos os microvasos do indivíduo.

Ao longo da vida, esse paciente passa a sofrer as consequências de as hemácias com esse formato não chegarem a todos os tecidos, ocasionando “microinfartos” que podem atingir desde membros até órgãos, como o coração e os olhos.

“Aquela área fica sem sangue, ela não respira, fica infartada, e a função do órgão vai diminuindo. Isso significa que, à medida que o paciente vai crescendo, ele se torna um indivíduo cardiopata, pneumopata, nefropata e, assim, sucessivamente”.

Teste do pezinho

O diagnóstico da doença falciforme, entretanto, pode se dar antes disso. Há 25 anos, o Ministério da Saúde incluiu uma pesquisa de hemoglobina capaz de detectá-la no Teste do Pezinho, exame obrigatório e gratuito para bebês recém-nascidos.

O diagnóstico precoce, ainda na maternidade, torna a evolução do paciente bem mais tranquila, segundo a hematologista. Entre os principais ganhos está a prevenção de infecções, uma das principais causas de morte entre esses pacientes antes dos 7 anos de idade.

Na maior parte dos casos, a doença não tem cura, mas pode ser acompanhada e ter seus sintomas atenuados com tratamento médico. Em alguns casos, é possível um tratamento curativo por meio do transplante de medula, quando o paciente atende aos critérios de elegibilidade e encontra um doador compatível.

Dor intensa

Outro sintoma comum da doença falciforme é a ocorrência de crises de dor intensa. Esse quadro é causado pela obstrução de pequenos vasos sanguíneos pelos glóbulos vermelhos em forma de foice.

A dor é mais frequente nos ossos e nas articulações, podendo, porém, atingir qualquer parte do corpo. Nas crianças pequenas, as crises de dor podem acometer pequenos vasos sanguíneos das mãos e dos pés, causando inchaço e vermelhidão no local, além de dor.

Essas dores podem ser tão intensas que muitos pacientes têm de ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI), para que possam receber morfina, conta a hematologista. Ela lamenta que, muitas vezes, os profissionais de saúde não estão preparados para lidar com esse quadro de dor aguda.

A médica representa o Brasil em um grande estudo internacional com 2 mil doentes, dos quais 260 eram brasileiros. Nesse estudo, só 34% dos pacientes do Brasil receberam morfina durante crises de dor, enquanto, nos Estados Unidos, são 98% e, no Canadá, 99%.

“O paciente sofre com isso. E, ao longo do tempo, ele vai piorando clinicamente. E o pior de tudo isso é que esse paciente, na maioria das vezes, é considerado um adicto [dependente químico]. Porque ele chega no pronto-socorro uivando de dor e pedindo, pelo amor de Deus, uma morfina”.

Racismo

Entre todos os desafios enfrentados pelos pacientes com doença falciforme, Marimília destaca um que vem de fora do corpo dos pacientes: o racismo estrutural. A doença é mais frequente na população negra, porque a mutação genética que causa o quadro teria sido originada no continente africano, explicou a médica.

“Então, acontece a questão do racismo, porque é uma doença hematológica, crônica, que mata, e os pacientes são pobres. No Brasil, existe uma relação direta da raça negra com a condição socioeconômica do indivíduo”.

A doença, porém, não é restrita ao continente africano nem exclusiva da população negra, principalmente em um país miscigenado como o Brasil. 

“É uma doença mundial. Ela ocorre também na Índia, na Arábia, na Europa, nas Américas, na Austrália, no Caribe, em tudo que é lugar do mundo”, reforçou.

Diagnóstico cedo

Nilceia Alves Gomes da Silva descobriu que seu filho Agner Eduardo da Silva tinha a doença falciforme quando ele ia completar 2 anos. 

“Começou com as crises que, até então, eu não sabia o que eram, com dores na mão, no pé, que ficavam inchados. Aí, eu levava ele no pronto-socorro, e os médicos falavam que era algum bicho que tinha mordido e coisas assim”, disse Nilceia à Agência Brasil.

Somente quando pagou uma consulta em um médico particular, ela soube que havia a possibilidade de o filho ter doença falciforme, devido a todos os sintomas que estava apresentando. Ao saber da situação financeira de Nilceia, o médico encaminhou o caso para duas instituições gratuitas de São Paulo: a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital das Clínicas.

“Ali, começou a nossa trajetória”, lembrou Nilceia, que viu o filho ser internado pela primeira vez aos 12 anos. Hoje, ele está com 47 anos e já foi hospitalizado cinco vezes com crises de doença falciforme.

 

Doença Falciforme - Nilceia Gomes da Silva e o filho Agner Eduardo. Foto: Agner Eduardo/ Arquivo Pessoal
Nilceia Gomes da Silva e o filho Agner Eduardo. Foto: Agner Eduardo/ Arquivo Pessoal

Apesar das dificuldades, Nilceia se orgulha do fato de os filhos terem estudado. Agner é advogado, casado e tem uma filha. 

“Ele tem a doença até hoje, mas não é coitadinho. Tem que saber conviver com a doença, correr atrás dos seus direitos e viver”, afirmou Nilceia.

Internações constantes

Também paciente da hematologista Marimília, Lucas Henrique Gama Nascimento está atualmente com 35 anos de idade e nasceu com a doença falciforme. 

“Você não entende direito que tem que ser um pouco diferente das outras crianças. Sempre tem aquela coisa de não faz isso, evita aquilo. E você tem que ir lidando com as limitações”, contou Lucas à Agência Brasil.

Internações foram uma constante em sua vida, com fortes crises de dor. Ele destacou que a doença falciforme acarreta uma série de coisas não só físicas, mas também emocionais. 

“Você não tem nenhuma segurança. Você está bem, mas não pode planejar muito. Às vezes, você planeja e é frustrado, porque acorda com dor”, contou ele, que teve apoio para superar esses problemas. “Graças a Deus, eu tive uma mãe que nunca fez disso um peso. Ela sempre me colocava para cima e falava: ‘Você pode, sim, você é igual às outras pessoas, você é forte’”.

Ele comemora que, mesmo com as dificuldades, conseguiu ser a primeira pessoa da família a fazer uma faculdade federal, formando-se no curso de Tecnologia em Sistemas Eletrônicos Digitais, no Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

 

Doença Falciforme - Lucas Nascimento e família. Foto: Lucas Nascimento/ Arquivo Pessoal
Lucas Nascimento e família. Foto: Lucas Nascimento/ Arquivo Pessoal

Lucas atuou na área por 12 anos e, atualmente, está afastado, por conta de uma sequela da doença falciforme ─ uma necrose no fêmur. Para receber uma prótese, como os médicos recomendam, ele precisa estar bem de saúde, mas, no momento, Lucas se recupera de um transplante de medula que não teve sucesso e aguarda para fazer a intervenção no osso da coxa.

Casado e com dois filhos pequenos, de 1 e 4 anos, Lucas também é escritor. Ele publicou o livro Você tem um propósito, em que ajuda as pessoas a terem inteligência emocional e espiritual para superar dificuldades.

Doença Falciforme - Médica hematologista Marimília Pita. Foto: Marcelo Machado/RN Imagem
Doença Falciforme - Médica hematologista Marimília Pita. Foto: Marcelo Machado/RN Imagem - Marcelo Machado/RN Imagem
 
 
 
 
 
 
 
Por - Agência Brasil