O nome do ácido L-β-aminoisobutírico (L-BAIBA) chega a assustar, mas sua ação encanta. Ele é o mais novo integrante da lista de potenciais e inéditos medicamentos para desenvolver músculos, sem os efeitos colaterais de esteroides anabolizantes. Essas drogas têm potencial para promover uma revolução farmacêutica similar à das canetas emagrecedoras.
Esses medicamentos acenam com a promessa de amenizar os efeitos do envelhecimento, o principal fator de perda de massa muscular, e melhorar a qualidade de vida de uma população que vive cada vez mais. Conservar os músculos não apenas evita a fragilidade física, mas melhora a saúde metabólica e reduz a idade biológica.
Além disso, essas novas canetas para músculos ajudarão gente que emagreceu e “derreteu” com as canetas emagrecedoras. E também pessoas que sofrem de sarcopenia (perda de massa e força muscular) por obesidade, sedentarismo, diabetes e câncer, por exemplo.
Felipe Henning Gaia, chefe do Serviço de Endocrinologia Oncológica do Centro de Câncer A.C. Camargo e presidente da Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, afirma que a chegada desses medicamentos será bem-vinda.
— Temos uma sociedade que envelhece e precisa ser manter saudável, ativa e independente. Preservar os músculos é essencial. O corpo humano não acompanha o progresso científico que nos fez viver mais. Atividade física seguirá fundamental, mas drogas podem ajudar a evitar a perda de músculos, essenciais para a longevidade saudável — destaca Gaia.
Em um século, um piscar de olhos em escala evolutiva, o ser humano mais que dobrou a expectativa de vida. Em 1925, ela era de apenas 36 anos. Mas graças à melhoria do saneamento, da alimentação e de medicamentos chegou a 82 anos (dado do Brasil) em 2025.
Porém, viver mais tem um custo elevado e boa parte dessa conta é paga em músculos.
— As mulheres sofrem perdas hormonais ligadas à menopausa que reduzem ainda mais a massa muscular. Por isso, drogas assim são importantes — afirma Gaia.
Essas drogas serão úteis para minimizar as perdas associadas à idade, ao emagrecimento acentuado, mas não farão milagres, afirma Clayton Macedo, coordenador do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
— Elas trazem a possibilidade evitar perdas grandes. Mas não são para ganho extra de massa muscular. Não serão uma bala de prata — salienta Macedo.
Especialista em fisiologia muscular, Tiago Fernandes, do Laboratório de Bioquímica e Biologia Molecular do Exercício da Universidade de São Paulo (USP), diz que essas drogas poderão ser revolucionárias, se usadas adequadamente.
Quantos medicamentos há em desenvolvimento?
Com base nas principais bases de dados de ensaios clínicos, como ClinicalTrials.gov e PubMed, há no mundo centenas de testes (esse número varia) de pelo menos 40 substâncias candidatas a drogas em diferentes graus pesquisa.
Essas drogas funcionam como a testosterona e outros anabolizantes?
Não. Nenhuma delas é um hormônio esteroide anabolizante, como as formas sintéticas de testosterona usadas como “bomba” para crescer músculos ao custo de pesados efeitos colaterais, sobretudo, para coração e fígado.
E como atuam?
Há várias estratégias. Entre as mais avançadas estão as que atuam bloqueando a miostatina e a activina. A miostatina é uma proteína natural que age como um “freio”, impedindo o crescimento exagerado dos músculos. Quando desregulada, por alterações metabólicas, falta de atividade física e envelhecimento, seu excesso leva à sarcopenia. Candidatas a drogas bloqueiam esse freio ou “enganam” seu receptor nas células pondo em seu lugar uma substância inócua.
Já a activina é uma “prima” da miostatina. Também restringe o crescimento muscular e, quando bloqueada, permite regeneração significativa da massa muscular, o que a torna outro alvo terapêutico em desenvolvimento.
E o que são essas drogas?
Essas drogas são, em sua maioria, anticorpos monoclonais, isto é, com alvos específicos. Os mais avançados em testes com voluntários são Apitegromab (Scholar Rock), Bimagrumab (Eli Lilly) e Trevogrumab (Regeneron).
Clayton Macedo observa que, usadas sozinhas, essas drogas não têm demonstrado um efeito significativo para aumentar massa magra. Porém, quando combinadas com as canetas emagrecedoras (agonistas de GLP-1, GIP e glucagon), conseguem minimizar a perda de músculos. Mas ele adverte que são necessários mais estudos para ter certeza.
Esses medicamentos serão canetas?
Provavelmente, sim. Em testes têm sido administrados por injeções. Mas o formato final para chegar ao mercado deve ser por canetas aplicadoras. A forma oral não é adequada porque esses anticorpos monoclonais são proteínas grandes. Se fossem engolidos, o estômago os destruiria como se fossem uma comida.
Quando essas drogas devem chegar?
Segundo Felipe Gaia, as drogas mais avançadas, se liberadas nos EUA, podem chegar ao Brasil em 2028 ou 2029. As mais adiantadas, em fase 3 de testes com seres humanos, são Apitegromab e Bimagrumab.
A FDA americana deve informar até 30 de setembro se dá o sinal verde para o Apitegrumab. Em caso positivo, poderá ser comercializado nos EUA no fim deste ano ou no início de 2027. A autorização é para tratamento de atrofia muscular espinhal. Porém, o uso “offlabel” é previsível. O laboratório Scholar Rock busca parcerias para realizar teste de fase 3 para preservação e recuperação de massa muscular associada à perda de peso se usado em combinação com a tirzepatida (Mounjaro). Já Bimagrumab passou em fase 2, caso passe no 3, poderia chegar ao mercado em 2029.
E que outras estratégias existem?
O L-BAIBA, por exemplo, pertence a outra classe de substâncias. Ele é uma molécula-chave liberada durante o exercício. Seu papel é regular o mecanismo pelo qual os músculos se remodelam, fortalecem e melhoram sua resistência em resposta ao treinamento. Num estudo publicado em 18 de agosto na Nature Communications, cientistas da Universidade de Leeds (Reino Unido) disseram que pode ser também um tratamento para danos musculares causados pelo diabetes tipo 2. A pesquisa contou ainda com cientistas da Universidade de São Paulo (USP) e de Harvard.
Uma outra estratégia é a terapia gênica com folistatina, uma proteína produzida naturalmente pelo corpo humano que atua bloqueando a miostatina e a activina. No entanto, a folistatina é instável e dura pouco no sangue. A terapia gênica foi a saída encontrada para que o próprio corpo do paciente passe a fabricá-la continuamente. O gene da folistatina é “entregue” diretamente nas células por meio de um vírus inócuo.
Ganhar só volume não adianta?
Não. O educador físico e médico Ricardo Sartorato explica que não adianta ganhar somente massa muscular. O músculo precisa funcionar. E o ganho de função e força é multifatorial. Ele depende tanto de adaptações neurais quanto do tamanho do músculo. A força e a função musculares estão relacionadas à coordenação inter e intramuscular dos neurônios com os músculos e isso não se traduz em tamanho. O ganho de massa funciona como o limite para a força máxima a longo prazo: um músculo maior tem mais capacidade para gerar força. Mas a qualidade da função muscular é fundamental. É por isso que atletas de levantamento de peso olímpico de categorias de leves ou praticantes de calistenia conseguem produzir níveis de força e potência brutais sem apresentarem o volume muscular hipertrofiado de um bodybuilder.
Há exceções?
Para a maioria dos casos, não. No entanto, Ana Carolina Panveloski Salomão, fisioterapeuta doutora em fisiologia humana, diz que para certos pacientes com sarcopenia grave ou imobilizados por doença ou acidentes, um fármaco que preserve a massa muscular, mesmo que não melhore a função, já fará diferença. O remédio poderia ser associado a outros tratamentos, como estimulação elétrica da função. Salomão liderou estudos com uma terapia de RNA para tratar sarcopenia e a caquexia (destruição muscular associada ao câncer) desenvolvida pela empresa Mirscience e apoiada pela Fapesp.
E o uso estético ou de performance?
Felipe Gaia diz não ter dúvida de que isso acontecerá, assim como ocorre com as canetas emagrecedoras. Ele frisa que esse uso não é recomendado porque, como qualquer medicamento, estes foram criados para tratar disfunções e podem ser nocivos quando estas não existem.
Quais são os obstáculos ao desenvolvimento dessas drogas?
Muitas drogas que alcançam aumento visível da massa muscular acabam descontinuadas em fases avançadas de testes devido à falta de ganho de força/função real ou por efeitos colaterais (como alterações vasculares), fazendo com que a lista de candidatos em teste mude constantemente.
Segundo Clayton Macedo, os efeitos adversos das drogas que atuam sobre a miostatina e a activina ainda precisam ser melhor conhecidos. Os mais comuns são espasmos e contração muscular involuntária, além de diarreia, acne, erupções cutâneas. Aparentemente, não houve alteração cardíaca clinicamente significativa.
Embora a inibição da miostatina promova hipertrofia muscular, seus efeitos em longo prazo suscitam preocupações. O crescimento muscular excessivo pode prejudicar a regulação metabólica, reduzir a densidade capilar e aumentar a fibrose, comprometendo potencialmente a função muscular em vez de aprimorá-la.
Além disso, alterações na sinalização da miostatina afetam a estrutura e as propriedades mecânicas dos tendões, aumentando o risco de lesões devido ao desequilíbrio na produção de força muscular. A regulação da miostatina atua como uma espada de dois gumes, na qual tanto sua inibição excessiva quanto sua superexpressão podem causar danos.
Essas drogas poderão substituir a atividade física?
Especialistas são unânimes em responder com um contundente não a essa pergunta. O motivo é simples. É a atividade física que “liga” os músculos e os faz liberarem substâncias essenciais para o organismo. Drogas podem aumentar o volume, mas isto apenas não resolve. Elas precisam do exercício para funcionar.
— O exercício é fundamental para ativar os músculos — salienta a geneticista Mayana Zatz, professora do Departamento de Genética e Biologia Evolutiva do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), referência em estudo da longevidade.
Tiago Fernandes destaca que essas drogas não são “pílulas do exercício”.
— Elas poderão ajudar. Mas o corpo precisa de movimento e somente a atividade física promove mecanismos essenciais. Droga alguma chega perto da complexidade de mecanismos deflagrados pelo exercício — diz Fernandes.
Por - O Globo
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou um alerta sobre o uso de canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes. Segundo a entidade, os medicamentos podem trazer riscos à saúde e afetar o desenvolvimento físico de pessoas que ainda estão em fase de crescimento.
O alerta ocorre após vídeos de mães aplicando os medicamentos nos filhos circularem nas redes sociais. Em uma das gravações, uma mãe afirma que aplica o medicamento na filha de 17 anos por indicação médica. Em outra publicação, uma mulher diz que levou a filha, de 11 anos e 70 kg, ao médico e recebeu recomendação para o uso da tirzepatida.
As postagens também recebem comentários de adolescentes interessados em usar os medicamentos. Em um deles, um usuário do TikTok afirma ter 13 anos, 79 kg e 1,70 metro de altura e pergunta se pode fazer o tratamento.
Quais os riscos?
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o uso das canetas pode diminuir a ingestão de proteínas e minerais importantes para o desenvolvimento.
"Ele vai diminuir a ingestão de proteínas e de minerais que vão afetar o seu crescimento, principalmente o estirão do crescimento do adolescente", alerta Crésio Alves, presidente do Departamento Científico de Endocrinologia da SBP.
Outro possível efeito é a diminuição e a perda de massa muscular. "Um segundo efeito adverso nessa faixa etária é a diminuição e perda de massa muscular", continua.
Além disso, o médico também alerta para o risco de que o uso das canetas seja um gatilho para transtornos alimentares, como anorexia nervosa e bulimia nervosa.
"Terceiro efeito adverso, pode ser um gatilho para transtornos alimentares, como anorexia nervosa e bulimia nervosa, que são condições difíceis de você tratar uma vez instaladas", diz.
O Brasil tem mais de 17 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 19 anos com excesso de peso, segundo o Atlas Mundial da Obesidade. Desse total, 7 milhões já são considerados obesos.
O uso de canetas emagrecedoras, porém, deve ser acompanhado por profissionais de saúde. Entre os possíveis problemas associados ao uso estão pancreatite, que é a inflamação do pâncreas; hipoglicemia, caracterizada pela redução da quantidade de açúcar no sangue; e cálculos na vesícula.
Canetas compradas no exterior também preocupam
Outro risco apontado pela Sociedade Brasileira de Pediatria é o uso de produtos comprados fora do Brasil.
Em uma das publicações, uma mãe afirma que pretende comprar uma caneta para o filho de 12 anos, que pesa 93 kg, no Paraguai. A caneta citada na reportagem é uma marca cuja venda é proibida no Brasil.
A SBP alerta que não é possível saber com segurança o que há no produto ou qual é a quantidade da substância presente.
"É um perigo porque a gente não sabe o que tem exatamente dentro daquela caneta. A gente não sabe a quantidade, a gente não tem certeza se aquilo é puro, se está contaminado ou não", afirma amédica Maria Edna de Melo, endocrinologista da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).
"Então, tanto a eficácia quanto os efeitos colaterais, eles são imprevisíveis", completa.
A entidade também chama atenção para a pressão estética sobre crianças e adolescentes, que ainda estão desenvolvendo a autoestima e o comportamento.
Segundo a SBP, esse público não deve simplesmente usar as canetas para perder peso rapidamente, atingir padrões estéticos ou compensar o sedentarismo. A recomendação é que o tratamento seja feito com acompanhamento médico.
As canetas emagrecedoras autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) precisam de receita médica. A prescrição fica retida na farmácia no momento da compra.
Por G1
Cerca de um quarto dos pacientes com esclerose múltipla chega a demorar mais de cinco anos para receber o diagnóstico, o que favorece a progressão da doença. O alerta foi feito por uma pesquisa da HSR Health, em parceria com a Roche Farma, divulgada pela Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) nesta sexta-feira (28).

Lançado durante o Agosto Laranja, mês de conscientização contra a doença, o estudo ouviu 368 pessoas em tratamento contra esclerose múltipla no Brasil.
Mais da metade dos entrevistados (56,8%) recebeu um diagnóstico incorreto antes da confirmação da esclerose múltipla. Além disso, 26,6% esperaram mais de cinco anos pelo diagnóstico definitivo, e 14,1% levaram uma década ou mais entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença.
De acordo com o neurologista Rodrigo Kleinpaul, coordenador do Ambulatório de Neuroimunologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a agilidade no diagnóstico é importante para retardar danos permanentes que possam ser causados pela doença.
“Chega o momento em que esse dano no cérebro ou na medula vai diminuindo a reserva que o paciente tem, aquela reserva funcional. E começa o que a gente chama de progressão de incapacidade e isso pode levar o paciente a ficar com incapacidade definitiva”, disse.
“A gente viu que o paciente passa, mais ou menos, por até quatro médicos diferentes e demora, em média, três anos para ter o diagnóstico correto”.
Segundo a pesquisa, para 36% dos entrevistados, a principal barreira até o diagnóstico são os médicos e profissionais de saúde e, para 23%, são exames e investigações, como a ressonância magnética, que é um eprocedimento de custo mais alto.
Outros 18% apontaram a própria demora do diagnóstico, enquanto 12% indicaram os custos no acesso ao diagnóstico correto.
Doença inflamatória crônica
Cerca de 40 mil brasileiros convivem com a esclerose múltipla, de acordo com a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM). A doença acomete principalmente mulheres jovens, na faixa etária de 20 a 40 anos, em sua fase mais produtiva.
Inflamatória, crônica e autoimune, a enfermidade faz com que o sistema imunológico ataque a mielina, estrutura que reveste e protege as fibras nervosas, prejudicando a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo.
A consequência são impactos na mobilidade, trabalho, rotina, saúde mental e autonomia. A esclerose múltipla é a causa mais comum de incapacidade por doenças neurológicas em pacientes jovens, excluindo causas traumáticas.
Como os sintomas são parecidos com os de outras doenças, isso gera dificuldade diagnóstica, explica Kleinpaul. Embaçamento visual, por exemplo, pode ser interpretado como um problema de vista. O mesmo acontece com dor, dormência, formigamento. Além disso, esses sintomas iniciais tendem a melhorar sozinhos.
“Não é incomum uma mulher jovem chegar ao pronto-socorro com queixa de formigamento e dormência e receber o diagnóstico de ansiedade. Então, isso também gera atraso de diagnóstico”, afirmou o especialista.
"Não conseguia respirar"
Desde os primeiros sintomas, a educadora física Lucimara de Lima Santana, de 44 anos, percorreu consultórios de médicos especialistas em São Paulo por quatro anos até descobrir a doença.
“Se eu tinha problema de visão, eu ia no oftalmologista; dificuldade para andar, ia no ortopedista; e como eu tenho colangite biliar primária [inflamação com fibrose progressiva dos dutos biliares no fígado], achava que a fadiga intensa era da colangite”.
Entre 2023 e 2024, a situação se tornou insustentável para Lucimara, que passou a sentir sintomas mais pesados.
“Eu não conseguia respirar direito por causa da fadiga, era muita dor. Fiquei sem trabalhar um tempo, porque não sabia o que era, não conseguia sair da cama. Os médicos diziam que podia ser dengue e outras doenças”.
Quando se consultou com um ortopedista, ele pediu ressonância magnética do crânio e da cervical, e o resultado acusou uma doença paralisante.
Em seguida, um neurologista especialista solicitou outra ressonância do crânio e de toda a coluna, desde a cervical até a lombar. Lucimara fez também coleta do líquor (líquido cefalorraquidiano). Todos esses exames deram positivo para esclerose múltipla (EM).
Professora de educação física concursada na Prefeitura de Taboão da Serra, município da Região Metropolitana de São Paulo, Lucimara não consegue mais ficar em pé no mesmo lugar durante muito tempo, por conta da fadiga e também do calor.
Para continuar a trabalhar, precisou se adaptar. Como já era instrutora de Pilates desde 2014, ela aprendeu a dar aulas online desse método de exercício físico durante a pandemia da Covid-19.
Atualmente, ela tem dois alunos e está à procura de novos. Uma vez por semana, ela atende presencialmente 25 alunos em uma academia e integra também o movimento Minha Voz Importa, no qual ensina o benefício do exercício no tratamento das pessoas com esclerose múltipla.
Tratamento evoluiu
Segundo a pesquisa, a maior parte dos pacientes ouvidos tem a esclerose múltipla sob controle: 48% estão estáveis ou em remissão. Além disso, 39% são economicamente ativos atualmente.
A doença não tem cura, mas o neurologista ressalta que houve um avanço no controle de sua progressão.
“Dez anos atrás, uma mulher jovem diagnosticada com 20 anos de idade, aos 40 anos já estaria em uma cadeira de rodas. Hoje, a gente consegue evitar que isso aconteça”, disse Rodrigo Kleinpaul.
“A gente impede que esse paciente vá para uma cadeira de rodas, use uma bengala, tenha dificuldade de enxergar. Estamos falando de pessoas de idade economicamente ativa que, às vezes, por incapacidade, podem estar fora do mercado de trabalho, podem não estar constituindo uma família”.
O acesso ao tratamento, porém, também pode ser um desafio: 41,2% relataram ter deixado de realizá-lo ou tiveram que remarcá-lo por dificuldades de acesso, como burocracia dos planos de saúde ou falta de medicação.
Mesmo com o tratamento, a rotina dos pacientes continua sendo marcada por obstáculos. O levantamento mostra que 73,4% deixaram de realizar uma série de atividades que gostariam por problemas emocionais; e 41,6% evitam encontros sociais com frequência.
A doença também afeta a vida profissional: 72,8% relatam prejuízos na renda ou nas oportunidades de crescimento, enquanto 32,6% afirmam ter escondido o diagnóstico no ambiente de trabalho por medo de preconceito ou demissão. Além disso, 85,6% convivem com gastos mensais extras relacionados à doença.
O mais comum, segundo indicou o neurologista, são problemas de ansiedade e depressão. “A gente costuma dizer que depois do diagnóstico de uma doença crônica, tem a fase do luto. O paciente tem revolta, negação, tristeza, depressão, até a aceitação”.
Rodrigo Kleinpaul reconheceu que, ao mesmo tempo que existe uma preocupação dos pacientes com a vida futura, falta acolhimento em sua jornada.
É necessário maior esclarecimento das pessoas que estão em torno desses pacientes, afirma para que saibam que muitos sintomas são invisíveis e que há um dia em que o paciente vai estar bem, mas em outro ele vai estar mais comprometido.
Por - Agência Brasil
Gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (anti-TPO) e com o funcionamento normal da tireoide não devem mais usar medicamento hormonal. Três grandes estudos recentes comprovaram que o tratamento preventivo, nesses casos, não reduz riscos de abortamento ou parto prematuro.

A partir dessas informações, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia mudaram as recomendações aos médicos para diagnóstico, tratamento e cuidados de alterações da tireoide na gestação.
As novas orientações têm como base a diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide, em junho deste ano, quase uma década desde a publicação das diretrizes anteriores, em 2017.
No Brasil, a comunicação sobre alterações foi feita nesta sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia, no painel "Disfunção tireoidiana na gestação: o manejo que evita danos irreversíveis".
Detalhes do tratamento
Pelo novo posicionamento brasileiro, gestantes com anticorpos contra a tireoide positivos (Anti-TPO) não devem receber o hormônio na versão sintética (levotiroxina), como tratamento preventivo, se a glândula da tireoide estiver funcionando com regularidade, ou seja, com níveis normais de T4, que é um dos hormônios que atuam como reguladores do ritmo metabólico do corpo humano.
Apesar desta instrução, de não usar o medicamento hormonal em caso de anti-TPO positivado e com o funcionamento normal da tireoide da gestante, a atividade da glândula continuará sendo monitorada, pois estudos clínicos indicam que existe maior risco para o desenvolvimento do hipotireoidismo ao longo da gestação.
O subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Cleo Mesa Júnior, explica que o anticorpo positivo detectado por exame mostra que existe apenas uma predisposição a desenvolver a alteração da tireoide.
“Se os [hormônios] TSH e o T4 livre estão normais, a mulher é considerada eutireoidiana e não há benefício comprovado em usar levotiroxina, apenas pela gestante ter o anticorpo positivo.”
Para aquelas mulheres que já tinham hipotireoidismo antes de engravidar, a orientação continua sendo aumentar em cerca de 30% a dose habitual do hormônio assim que ela engravida.
Rastreamento precoce
O Brasil manterá a estratégia de rastreamento precoce de todas as gestantes, desde o início da gravidez, para identificar quem realmente precisa de tratamento.
A decisão é diferente da nova diretriz da ATA que sugere o rastreamento seletivo apenas em mulheres que tenham fatores de risco, que nos critérios anteriores eram a idade materna, a obesidade e o número de gestações anteriores.
O especialista em endocrinologia admite que a recomendação internacionalmente, baseada em fatores de risco, é controversa porque não existem provas científicas definitivas de que testar apenas quem tem risco seja melhor do que testar todas as gestantes.
“O rastreamento seletivo pode deixar de identificar algumas mulheres que apresentam alteração da tireoide, mas não possuem os fatores de risco considerados na triagem.”
A medida brasileira, além de não perder a oportunidade de diagnosticar a doença, busca maior individualização dos casos para tratar quem realmente precisa e para evitar o excesso de medicação desnecessária.
Hipotireoidismo subclínico
Outra mudança no posicionamento diz respeito ao hipotireoidismo subclínico, situação em que o TSH fica elevado, mas o hormônio tireoidiano (T4 livre) permanece normal.
A partir de agora, o início do tratamento para TSH (hormônio que estimula a tireoide a trabalhar) entre 4,0 e 10 mUI/L fica focado no primeiro trimestre da gestação.
Especialistas defendem que, até a 12ª semana de gravidez, é o momento em que o desenvolvimento do feto depende mais do hormônio tireoidiano materno.
Se o problema for identificado apenas no segundo ou terceiro trimestre, a orientação é apenas acompanhar a função tireoidiana sem iniciar a levotiroxina, salvo se o TSH for superior a 10 mUI/L), neste período.
O representante da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia esclarece que não há evidência científica clara de benefício em iniciar o tratamento hormonal de rotina.
“Isso não significa deixar de tratar o hipotireoidismo fraco ou alterações importantes. A decisão deve considerar o nível do TSH, o T4 livre, e o momento da gestação”, disse o dr. Cleo Mesa Júnior.
Antes da diretriz norte-americana, quando o problema era detectado durante a gestação, a reposição do hormônio poderia ser considerada, independentemente do tempo da gestação.
Repetição de exame
O posicionamento internacional também recomenda repetir o exame de detectação do nível do hormônio TSH somente após o período de uma a três semanas antes de decidir tratar a gestante. Isso porque, em determinadas situações, algumas alterações leves podem ser transitórias na gestação.
No Brasil, as sociedades médicas recomendam não aguardar este período para repetir a coleta de sangue antes, para só então decidir iniciar a terapia na gestante, como defende o dr. Cleo Mesa Júnior.
“[No Brasil], em um sistema em que nem sempre é possível garantir retorno rápido, esperar pode significar perder a janela de oportunidade para o tratamento.”
Atualização dos fatores de risco
Quando não houver condições para testar todas as gestantes, a nova diretriz prioriza o rastreamento de alterações na tireoide em gestantes com maior risco.
A estratégia busca o rastreamento de risco mais específico. Permanecem no grupo de risco as mulheres que tenham:
- histórico de hipo ou hipertireoidismo;
- cirurgia ou tratamento prévio da tireoide;
- doenças autoimunes como diabetes tipo 1;
- histórico familiar de doença tireoidiana;
- infertilidade;
- dois ou mais abortamentos;
- uso de medicamentos que interfiram na glândula.
Deixam de ser considerados fatores de risco, a idade materna, a obesidade e o número de gestações anteriores.
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia afirma que, isoladamente, os critérios anteriores não identificavam de maneira precisa quem realmente apresenta disfunção tireoidiana.
“São características muito frequentes na população e, portanto, têm baixo poder para selecionar adequadamente quem deve ser investigada”
Iodo
Outra recomendação envolve o iodo, o micronutriente é necessário para que a tireoide produza seus hormônios.
A necessidade aumenta na gestação e na amamentação, e o novo texto da ATA orienta garantir ingestão adequada por meio da suplementação já antes da concepção.
No Brasil, porém, a atualização do posicionamento não recomenda que todas as gestantes recebam suplemento de iodo. A suplementação deve ser individualizada, principalmente, para mulheres com maior risco de ingestão insuficiente.
“[Em gestantes] com dietas muito restritivas, veganas, baixo consumo ou ausência de sal iodado ou situações de má absorção, pode-se considerar suplementação de 100 a 150 µg de iodo por dia.”
Por - Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro do segundo medicamento genérico de semaglutida sintética no Brasil, produzido pela Germed Farmacêutica.

O registro que autoriza a comercialização da versão genérica foi publicado no Diário Oficial da União de segunda-feira (24).
A semaglutida é indicada para o tratamento de diabetes mellitus tipo 2, pois ajuda a controlar os níveis elevados de glicose no sangue. Médicos também receitam a substância para o controle da obesidade.
A substância é aplicada por meio de uma caneta com agulhas e ficou popular como princípio ativo dos produtos Ozempic e Wegovy, da fabricante Nordisk.
No último dia 17, a Anvisa aprovou a primeira versão genérica da semaglutida, esta produzida pelo laboratório farmacêutico brasileiro EMS.
A Anvisa alerta que a comercialização do novo produto está sujeita à prescrição de receita médica em duas vias. Uma delas ficará retida na farmácia, enquanto a outra via carimbada permanecerá com o paciente.
Apresentação
A caneta com o medicamento genérico não possui nome comercial de apresentação, sendo identificada na embalagem apenas pelo nome da substância ativa (semaglutida).
Conforme determinado na legislação brasileira, na embalagem padronizada de um produto genérico é obrigatória a impressão da faixa amarela com a letra "G" em destaque e a inscrição "Medicamento Genérico".
A solução semaglutida deve ser armazenada em temperaturas de 2 graus Celsius (°C) a 8 °C, em geladeira, antes e depois de iniciado o tratamento.
Dosagens do genérico de semaglutida
A seguir, as opções aprovadas pela Anvisa para apresentação e dosagem do novo medicamento genérico de semaglutida:
- apresentação de 1,5 mililitro (ml): caixa com dosagens iniciais ou ciclos menores, contendo uma caneta aplicadora preenchida e seis agulhas;
- apresentação de 3 ml: opção com o dobro do volume (com duas canetas aplicadoras com 1,5 ml cada) para tratamentos continuados, acompanhada de dez agulhas;
- apresentação de 3 ml: embalagem com uma única caneta de maior capacidade (contendo 3 ml do produto) para quatro aplicações;
- apresentação de 6 ml: caixa de maior volume total (com duas canetas aplicadoras de 3 ml cada), totalizando 6 ml de solução com total de oito agulhas.
POr - Agência Brasil
Perder o interesse por atividades que antes davam prazer, afastar-se da convivência social, ficar mais irritado ou começar a esquecer informações importantes podem parecer apenas uma coleção de consequências da idade. Mas, em alguns casos, esses sinais escondem condições que precisam de diagnóstico e tratamento, como quadros de depressão e Alzheimer.
O problema é que tanto a depressão quanto as demências podem aparecer de maneiras diferentes. A depressão na terceira idade, por exemplo, nem sempre vem acompanhada de tristeza evidente. E o Alzheimer, por sua vez, não se resume apenas à perda de memória, mas também à alterações de comportamento, autonomia e até de personalidade.
Alzheimer em pele de depressão
A depressão pode assumir um disfarce na velhice. Em vez de choro ou tristeza escancarados, podem aparecer sinais de irritabilidade, ansiedade e cansaço. Somado a isso, também há as queixas físicas, alterações do sono e do apetite, dificuldade de concentração e uma perda gradual do interesse pela própria rotina que, por vezes, é atribuída simplesmente ao envelhecimento.
Quando esses sinais permanecem por mais de duas semanas, uma avaliação profissional pode ajudar a descobrir o que está acontecendo. Também merece atenção o isolamento social, já que esse comportamento pode servir como uma métrica para tanto o surgimento quanto o agravamento da depressão.
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Outro motivo para a depressão em idosos passar despercebida é que o quadro também pode afetar funções cognitivas. Dificuldade de concentração e queixas de memória podem aparecer em pessoas deprimidas. Acontece que essas queixas também são características da demência e, por vezes, são erroneamente interpretadas como tais.
Mas que hábitos, afinal, deveria, preocupar? Esquecer ocasionalmente onde deixou um objeto ou demorar para lembrar uma palavra, por exemplo, podem ser hábitos associados ao envelhecimento natural. Por outro lado, mudanças que interferem na vida cotidiana, na capacidade de realizar tarefas conhecidas, na comunicação ou na autonomia precisam ser investigadas mais a fundo.
Quando se é esquecido…
A doença é a forma mais comum de demência e responde por cerca de 60% a 70% dos casos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Além das alterações de memória, podem surgir dificuldades para encontrar palavras, resolver problemas, tomar decisões, realizar tarefas habituais e compreender situações.
Junto disso, existe uma série de alterações biológicas que ajudam a explicar o porquê da doença não poder ser reduzida ao simples esquecimento. A principal delas é justamente a definição de Alzheimer a partir dos aspectos biológicos: o acúmulo proteico do paciente leva à formação de placas entre as células nervosas, que com o tempo perdem a sua associação com as demais células cerebrais.
Porém, nem toda pessoa que apresenta problemas de memória tem Alzheimer. Além da depressão, deficiência de vitamina B12, alterações da tireoide e determinados medicamentos podem contribuir para alterações cognitivas e precisam ser investigadas.
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Alzheimer: sim ou não?
O cenário brasileiro ainda sofre com os subdiagnósticos. Dados do Atlas da Doença de Alzheimer estimam que até 80% dos casos de demência no país permaneçam sem diagnóstico. O relatório ainda aponta falhas na identificação dos primeiros sinais e dificuldades de acesso à avaliação especializada.
No Brasil, o Atlas aponta que as famílias assumem grande parte do peso econômico também é arcado pelas famílias, com 73% dos custos totais relacionados à demência, enquanto cuidadores informais podem dedicar até 10 horas por dia ao cuidado.
Por - Revista Galileu






















