No supermercado, quem não tolera bem laticínios aprende a caçar uma palavra na embalagem: "zero".
O que quase ninguém sabe é que ela não quer dizer ausência de lactose. Todo leite tem o açúcar naturalmente; o que a indústria faz, nesses produtos, é adicionar uma enzima que o quebra antes de a caixa chegar à prateleira. Some quase tudo —mas nunca tudo.
Por isso a legislação brasileira só libera o rótulo "sem lactose" quando resta, no máximo, 100 miligramas do açúcar a cada 100 mililitros: uma fração ínfima, mas existente. Ainda assim, há quem continue passando mal mesmo com a versão isenta na geladeira —e, quase sempre, o culpado não é esse pouco que sobrou.
Quebra nunca é completa
Nenhum leite nasce sem lactose. Todo leite de vaca carrega o açúcar naturalmente, algo entre 4 e 5 gramas a cada 100 mililitros. O que transforma o produto comum na versão "zero" é a entrada de uma enzima, a lactase, ainda na indústria.
Ela faz, dentro da própria embalagem, o serviço que o intestino de quem é intolerante não dá conta de realizar: parte a lactose em dois açúcares menores, a glicose e a galactose, que o corpo absorve sem esforço. Quando o consumidor abre a caixa, a maior parte do açúcar já foi digerida para ele.
Essa quebra, porém, nunca é total. Escapa sempre uma fração de lactose intacta, e é ela que permanece no produto final, dentro do limite de 100 miligramas por 100 mililitros.
"A indústria faz esse trabalho por você, mas não consegue garantir a quebra de toda a lactose. Sempre resta um resíduo mínimo", explica Giovanna Pisanelli, doutora em Ciência dos Alimentos.
É esse resíduo que o rótulo, ao dizer "zero", não mostra.
Pouco a ponto de passar despercebido
A quantidade que sobra é o que a legislação considera desprezível. O limite de 100 miligramas foi fixado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): abaixo dele, o produto pode ser chamado de isento de lactose; entre 100 miligramas e 1 grama, entra na categoria de baixo teor. A régua é baixa porque parte de uma constatação clínica.
"É muito raro alguém ter sintomas com até 100 miligramas de lactose. Para desencadear desconforto, costumam ser necessárias quantidades bem maiores, na casa dos gramas", afirma Patrícia Holanda Almeida, gastroenterologista do Einstein Hospital Israelita.
Na fiscalização feita pelo Mapa entre 2021 e 2025, a conformidade dos lácteos analisados ficou acima de 97% em todos os anos —sinal de que, na esmagadora maioria dos casos, o resíduo respeita o teto permitido.
Nem sempre o problema é a lactose
Se o resíduo é tão baixo, resta a pergunta que originou a dúvida: por que há quem passe mal mesmo com o leite zero? A resposta tem duas partes. A primeira é que existe, sim, um grupo menor de pessoas com intolerância acentuada capaz de reagir a essa fração mínima.
A segunda parte é a mais importante —e a que os médicos pedem para não pular. Na maior parte dos casos em que o sintoma persiste, o culpado não é a lactose residual, e sim outra coisa.
"Não é impossível que ela cause sintomas, mas não dá para responsabilizá-la antes de descartar outras condições", diz Patrícia.
Entre as suspeitas que ela investiga estão a síndrome do intestino irritável, o supercrescimento bacteriano no intestino delgado e a intolerância a outros açúcares, como a frutose, muitas vezes presente no mesmo produto.
Parte da confusão vem de trocar a lactose por uma proteína do leite. Muita gente passa mal com o leite comum e credita o incômodo ao açúcar, quando na verdade reage à caseína —a principal proteína do leite, presente em qualquer copo, com ou sem lactose.
É o que ajuda a explicar a boa fama do leite A2: ele não tem menos lactose, mas é produzido por vacas que fabricam uma versão levemente diferente dessa proteína, mais fácil de digerir. Quem se sente melhor ao trocar o leite comum pelo A2 costuma descobrir que o problema nunca esteve na lactose.
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— Foto: Shutterstock
Sintomas x diagnóstico
Confirmar a intolerância começa por uma distinção que costuma escapar. Absorver mal o açúcar não é o mesmo que ser intolerante: há quem tenha a má absorção apontada num exame e não sinta nada no dia a dia. O que caracteriza a intolerância, segundo Patrícia, é o sintoma —a queixa que surge depois de consumir leite ou derivados. Sem sintoma, não há intolerância a tratar.
Diante da queixa, alguns exames ajudam a fechar o quadro.
- O teste genético aponta a predisposição sem expor a pessoa ao açúcar, o que evita o mal-estar.
- No teste respiratório, o paciente assopra num aparelho parecido com um bafômetro depois de ingerir uma dose de lactose.
- E o exame de sangue acompanha a glicose: mede-se o valor em jejum, o paciente toma o produto com lactose e a glicemia é aferida de novo ao longo da hora seguinte. Se o açúcar foi quebrado e absorvido, a glicose sobe pelo menos 20 pontos; quando quase não se mexe, é sinal de que ele não foi digerido.
O que fazer diante do desconforto
Confirmada a intolerância e afastadas as outras causas, seguir sentindo sintomas com a versão sem lactose não obriga ninguém a abandonar o leite de imediato —mas o passo seguinte é de um especialista, não do balcão do supermercado. É ele quem avalia o caso, indica o que testar e ajusta a conduta a cada paciente, já que a tolerância varia de pessoa para pessoa.
Entre as saídas que o médico pode recomendar está a troca de marca. Como a dosagem da enzima não é padronizada, o teor residual muda de um fabricante para outro, e há opções mais limpas na prateleira.
"Existem marcas com nível mais baixo e regular, e pacientes que toleram melhor uma do que outra", conta Patrícia —o que explica alguém reagir bem a um leite e mal a outro, ainda que ambos estampem "zero" no rótulo.
A depender do quadro, ele pode orientar o uso de lactase em cápsula junto ao alimento ou a redução da porção de uma vez, estratégia que se apoia numa característica da condição:
"O intolerante não tem alergia. Ele mantém alguma capacidade de lidar com o açúcar, e o quanto é individual", diz a médica. Quando nada funciona, diz, entram as bebidas vegetais, à base de aveia ou amêndoa.
Mais do que definir o que ingerir, porém, o acompanhamento ajuda a domar os sintomas na origem. Cuidar da saúde intestinal, praticar atividade física e controlar o estresse reduzem a frequência do desconforto —não apagam a intolerância, mas tornam a convivência com ela mais leve. Não por acaso, observa Patrícia, muitos pacientes relatam menos episódios nas férias, quando a pressão do dia a dia afrouxa.
O que a médica desaconselha é o caminho inverso, de cortar alimentos por conta própria: “Muitos chegam ao consultório com a dieta tão restrita que já apresentam deficiências nutricionais”, diz. “Por isso, o diagnóstico é fundamental para que o médico defina a melhor conduta.”
Por - g1
O peso ideal é uma preocupação constante na sociedade atual. Muitas pessoas buscam determinar quantos quilos deveriam ter de acordo com a altura, embora esse conceito não tenha um número universal que se aplique a toda a população.
Diversos fatores, como genética, estado geral de saúde, massa muscular e nível de atividade física diária, influenciam diretamente o que a medicina considera um peso saudável. Especialistas defendem uma abordagem individualizada, com foco no bem-estar integral, em vez de metas estéticas rígidas que desconsiderem as características biológicas de cada pessoa.
Determinar um peso saudável é mais complexo do que simplesmente medir a altura. Segundo o portal Tua Saúde, a avaliação deve levar em conta variáveis importantes, como retenção de líquidos, percentual de gordura corporal e estrutura muscular.
O método mais utilizado para essa estimativa é o Índice de Massa Corporal (IMC), uma ferramenta matemática que divide o peso da pessoa pelo quadrado da sua altura.
Esse indicador classifica os indivíduos em faixas padronizadas para avaliar o estado físico geral. Um IMC inferior a 18,5 caracteriza baixo peso, enquanto valores entre 18,5 e 24,9 indicam peso normal. Acima desses níveis, as classificações incluem sobrepeso, entre 25 e 29,9, e obesidade, considerada a partir de um IMC igual ou superior a 30.
A busca por um peso saudável exige mudanças concretas no estilo de vida. Nutricionistas recomendam procurar orientação profissional antes de iniciar qualquer plano alimentar, já que uma dieta equilibrada pode acelerar o metabolismo e ajudar no controle da ansiedade. Essas medidas favorecem o processo de emagrecimento sob acompanhamento médico constante.
A prática regular de atividade física complementa esses esforços, pois o exercício aumenta o gasto calórico e melhora a eficiência metabólica do organismo. Nos casos de obesidade mórbida, especialistas podem considerar estratégias adicionais, como o uso de medicamentos específicos ou a realização de cirurgia bariátrica, sempre associadas a mudanças significativas nos hábitos diários para garantir resultados duradouros.
O desafio também se estende às pessoas que estão abaixo do peso considerado ideal. Nesses casos, o objetivo passa a ser o ganho saudável de massa muscular, por meio de uma alimentação hipercalórica e nutritiva. Profissionais recomendam o consumo de alimentos ricos em proteínas, como ovos, queijo, frango e salmão, para favorecer o aumento da massa magra. Uma estratégia eficaz consiste em fazer refeições a cada três horas, o que ajuda a manter um balanço energético positivo. A chave está sempre na combinação equilibrada entre alimentação adequada e prática regular de exercícios.
A saúde não depende de um único número na balança, mas do funcionamento harmonioso de todo o organismo. Por isso, a orientação profissional é fundamental em qualquer processo de mudança, seja para reduzir o percentual de gordura corporal, aumentar a massa muscular ou manter o equilíbrio a longo prazo.
A ciência destaca que cada corpo responde de maneira diferente aos estímulos externos e, por isso, os planos de saúde e bem-estar devem ser adaptados às características individuais identificadas em avaliações médicas de rotina.
Por - O Globo
Uma doença de pele que atinge não só a pele. Mas o sono, a saúde mental e até a autoestima dos pacientes. Em manifestações crônicas, a coceira gera feridas que deixam a pele sensível ao menor toque. De tecido a água, tudo dói. Essa é a realidade de muitos pacientes que convivem com a dermatite atópica - uma doença inflamatória e crônica cujo principal sintoma é a coceira, muitas vezes, extrema.

A estudante de medicina Clara Emery, 23 anos, conta que já teve de tomar antibiótico para evitar que as feridas na pele - que ficava em carne viva - infeccionassem. Nas manifestações mais severas, as dores eram intensas. Deitar na cama, encostar no travesseiro e até tomar banho eram motivo de sofrimento. “Tive muitas crises de choro por não saber o que fazer”, conta a jovem que tem a doença desde pequena.
“Minha mãe fala que assim que eu saí da barriga, eu já tinha dermatite atópica. Eu me lembro vividamente da minha infância, a evolução da doença, os vários fatores que a desencadeavam. Foi muito angustiante conviver com essa doença”.
A dermatite atópica costuma atacar regiões de dobras, como atrás dos joelhos, nos cotovelos e no pescoço. Em Clara, a doença se manifesta também ao redor dos olhos, na face e em regiões onde há mais fricção, como nas mãos. Entre os gatilhos da doença, ela cita desde alimentos até fatores ambientais como sol, grama, suor, fungos e ácaros.
“Qualquer objeto de pelúcia, tapete, cachorro e gato. Eu sentia como se tivesse alergia ao mundo. Além disso, períodos de estresse na infância, na adolescência e no início da faculdade exacerbavam muito a alergia”, relata a estudante lembrando que passou por momentos de isolamento social, com medo de que as pessoas vissem as feridas.
“Na escola, eu tinha uns 10 anos, me perguntaram se eu tinha hanseníase, se tinha sífilis, se eu era HIV positivo. Havia muito preconceito”, lamenta a jovem que, atualmente, faz um tratamento imunobiológico que ajuda a conter as crises mais graves da doença.
A medicação atua no sistema imune para controlar as reações exacerbadas de quando o corpo entra em contato com um antígeno. O tratamento, entretanto, é caro. Apenas uma caixa do medicamento passa de R$ 10 mil, custo que, no caso de Clara, é coberto integralmente pelo plano de saúde.
“Já fiz tratamento com corticóides várias vezes, todo tipo de pomada e hidratante, tentei medidas homeopáticas mas o que funcionou mesmo foi o imunobiológico. Nunca tive tanta paz para conviver com essa doença porque era algo muito difícil”.
Impacto na qualidade de vida
A dermatologista Rosana Lazzarini confirma que o impacto da dermatite atópica na qualidade de vida é grande uma vez que a coceira intensa prejudica o sono, diminuindo o rendimento no trabalho e na escola. Segundo ela, 40% das crianças que apresentam dermatite terão de conviver com a doença durante a vida adulta.
A dermatite atópica carrega forte estigma social, apesar de não ser contagiosa. As marcas aparentes pelo corpo levam, muitas vezes, ao afastamento do convívio social e podem ser motivo de “bullying”.
“O impacto na vida da criança é grande. É uma doença crônica, há frequência de consultas, perda de aulas, afastamento social (deixa de brincar, de ir a festas) e internações que irão afetar o desenvolvimento psicossocial”, afirmou.
Para informar a população sobre a doença e combater o preconceito, o dia 23 de setembro é considerado o Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica, data oficializada no Brasil pela Lei 14.916/24.
“Os pacientes costumam enfrentar problemas de preconceito e bullying por desconhecimento do público em geral, principalmente por acharem que se trata de uma doença contagiosa. Nesse contexto, campanhas de conscientização podem ajudar. Além disso, é comum a doença ser acompanhada por distúrbios do sono, depressão e isolamento social”, explica o presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA), Roberto Takaoka.
Segundo ele, as principais demandas das famílias são por indicação de médicos e de tratamentos.
“As famílias chegam com demandas de tratamentos rápidos e milagrosos, sem entender que a dermatite atópica é uma doença crônica com períodos de melhora e piora, e que, na maioria dos casos, costuma melhorar com a idade. É muito importante salientar que a dermatite atópica é uma doença complexa e multifatorial. Além do aspecto físico, ela é influenciada por fatores emocionais e sociais”, disse o dermatologista.
A missão da AADA é promover a saúde do portador de dermatite atópica através da arte, da ciência e da educação. A associação também conta com grupos de apoio para pacientes e familiares.
A entidade fornece ainda materiais educativos e realiza campanhas de conscientização e podcasts explicativos. Existe um trabalho junto aos médicos e outros profissionais da área da saúde que também necessitam de informações e conhecimento.
Crises constantes
A jornalista Rayane Lopes, de 34 anos, moradora do Recanto das Emas, no Distrito Federal, conta que teve a primeira crise de dermatite atópica aos 18 anos. “Na primeira crise que foi bem forte, ela surgiu no corpo inteiro, até pegando a parte da virilha e da barriga. Hoje em dia, quando a doença se manifesta, surge mais na barriga e entre os dedos das mãos.”
Rayane destaca que as manchas e a coceira forte costumam aparecer em períodos de muito estresse. Ela relata que, após o enterro de uma pessoa próxima, o corpo inteiro se encheu de manchas avermelhadas e feridas. “Tenho várias manchas e cicatrizes pelo corpo. Quando está forte, tomo um corticóide que alivia”.
Para controlar a doença, ela diz que não utiliza bucha durante o banho e costuma hidratar a pele com frequência. “Coça muito, arde, dói, abre feridas. Além de tomar remédio, não tem muito o que fazer, é esperar passar”, explica a jornalista que já passou por situações constrangedoras, ao lado de pessoas que não conhecem a dermatite.
“As pessoas têm medo de pegar a doença. Evito usar roupa que deixe à mostra a mancha, evito tomar sol. A dermatite aparece em momentos de muito estresse, então o sofrimento psicológico já está ali”.
Diagnóstico clínico
Segundo a médica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Rosana Lazzarini, não existe uma causa definida para a dermatite atópica, mas há fatores genéticos (os mesmos associados a asma e rinite), fatores ambientais e imunológicos que contribuem para a manifestação da doença.
O diagnóstico é clinico, isto é, não existem exames laboratoriais para diagnosticar a dermatite.
A avaliação médica leva em consideração a presença das lesões da pele, a cronicidade, os períodos com lesões intercalados por períodos com nenhuma ou poucas lesões. A presença da coceira de difícil controle também é um fator que auxilia no diagnóstico. O médico pode eventualmente solicitar alguns exames para complementar o diagnóstico ou para afastar outros.
De acordo com Rosana, o tratamento se baseia nos cuidados com a pele, através do uso de cremes e loções hidratantes para auxiliar na preservação da barreira cutânea. Também é necessário ter cuidado com o banho que deve ser rápido, não pode ser quente, com pouco ou nenhum sabonete.
“Alguns medicamentos podem auxiliar no controle da coceira, o uso de corticosteroides tópicos adequados a cada local da pele. Casos mais graves podem necessitar do uso de imunossupressores por via oral como metrotexato ou ciclosporina”, disse a dermatologista.
“A fototerapia com UVB de banda estreita tem indicação para controle da doença, com melhora principalmente da coceira”, acrescentou.
A médica destaca que casos mais graves podem necessitar de medicações específicas, que atuam em pontos do processo inflamatório, mas são de alto custo e têm indicação quando as outras tentativas falham.
A hidratação da pele é um dos pilares mais importantes do tratamento. A pele muito seca dos pacientes com dermatite atópica exige a aplicação de creme ou loções de 2 a 3 vezes ao dia, o que impacta no custo do tratamento para as famílias.
Medicamentos mais modernos, de alto custo, ainda não estão disponíveis no SUS, somente na rede privada de saúde.
Por - Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a apreensão de um lote falsificado do medicamento Phesgo, usado no tratamento de câncer de mama, e de três lotes falsificados da toxina botulínica Dysport.

As medidas foram publicadas nesta segunda-feira (21) e incluem ainda a suspensão de propagandas irregulares de medicamentos manipulados e a proibição da divulgação de produtos à base de cannabis sem autorização sanitária.
Falsificações
No caso do Phesgo, a fabricante Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos informou à Anvisa ter identificado, no mercado, unidades com características diferentes das do produto original. A determinação atinge exclusivamente as embalagens do lote B5011B05, com data de fabricação de junho de 2025.
Segundo a agência, os produtos falsificados não podem ser armazenados, comercializados, importados, exportados nem utilizados. Pacientes e profissionais de saúde devem verificar as informações de lote antes da aplicação ou do uso do medicamento.
Toxina botulínica
A Anvisa também determinou a apreensão e proibiu a venda, a distribuição e o uso de lotes falsificados do medicamento Dysport, utilizado em tratamentos terapêuticos e estéticos à base de toxina botulínica tipo A.
A empresa Beaufour Ipsen Farmacêutica, responsável pelo registro do produto, informou que não reconhece os lotes P08191, com validade até abril de 2029; P08192, válido até maio de 2029; e P22368, com validade até fevereiro de 2029.
A orientação é que consumidores e estabelecimentos de saúde não utilizem produtos identificados com essas numerações e comuniquem qualquer suspeita aos órgãos de vigilância sanitária.
Propagandas suspensas
A resolução da Anvisa também suspendeu a divulgação, na internet, de diversos medicamentos manipulados comercializados pela empresa Queen Pharma Aesthetic.
Entre os produtos atingidos estão formulações anunciadas com indicações para emagrecimento, redução de gordura localizada, saúde capilar, tratamento de melasma e outros procedimentos estéticos.
A lista completa foi divulgada pela Anvisa.
Também foi determinada a suspensão da propaganda de medicamentos manipulados comercializados pela Farmácia Malheiro em seu site.
A agência ressalta que medicamentos manipulados estão sujeitos a regras específicas e não podem ser anunciados ou comercializados em desacordo com a legislação sanitária.
Produtos de cannabis
Outra medida adotada pela Anvisa foi a proibição da divulgação e da venda de produtos de cannabis anunciados em um site e em redes sociais por empresa não identificada. De acordo com a agência, os itens não têm registro nem autorização para comercialização no país.
A recomendação é que consumidores verifiquem se medicamentos e produtos sujeitos à vigilância sanitária têm autorização da Anvisa antes da compra. A consulta pode ser feita por meio dos sistemas disponibilizados pela própria agência.
Por - Agência Brasil
Um novo termo relacionado à saúde ganhou espaço nas redes sociais: “rosto de ferritina”.
A expressão é usada para descrever características como pele sem viço, olheiras, ressecamento, queda de cabelo e lábios rachados, que seriam associadas a baixos níveis de ferro no organismo.
A expressão surgiu nas redes para descrever possíveis manifestações de uma deficiência nutricional que, em alguns casos, pode afetar a pele, os cabelos e as unhas.
O que é ferritina?
A ferritina é uma proteína responsável pelo armazenamento de ferro no organismo. A substância pode ser medida por meio de um exame de sangue e ajuda os médicos a avaliar os estoques do mineral no corpo.
O ferro participa de funções importantes, entre elas a produção de hemoglobina, proteína presente nos glóbulos vermelhos e responsável pelo transporte de oxigênio. Por isso, níveis insuficientes podem provocar diferentes sintomas, que variam de acordo com a intensidade da deficiência.
Quais alterações podem aparecer na pele e no cabelo?
Quando os estoques de ferro estão baixos, o organismo prioriza funções consideradas essenciais. Entre as possíveis manifestações estão pele mais seca, aparência pálida ou sem viço, queda de cabelo, unhas frágeis e rachaduras nos cantos da boca.
Esses sinais, no entanto, não são exclusivos da deficiência de ferro. Alterações hormonais, problemas na tireoide, outras deficiências nutricionais e até mudanças naturais relacionadas à idade também podem provocar sintomas semelhantes.
Por isso, ter um ou mais desses sinais não significa necessariamente que os níveis de ferro estejam baixos.
Como saber se há deficiência de ferro?
A confirmação depende de avaliação médica e exames laboratoriais. Entre os testes que podem fazer parte da investigação estão ferritina, ferro sérico, capacidade total de ligação do ferro e saturação de transferrina.
A análise conjunta dos resultados permite avaliar tanto a quantidade de ferro disponível no organismo quanto os estoques armazenados. Um único exame, isoladamente, nem sempre é suficiente para determinar a causa dos sintomas.
Por - O Globo
Durante décadas, câncer de intestino parecia pertencer a outra fase da vida. Aos 30 ou 40 anos, sangue nas fezes era mais facilmente atribuído a uma hemorroida, uma mudança intestinal ao estresse e uma dor abdominal à alimentação.
Mas alguma coisa está mudando. Em vários países, o câncer colorretal vem aumentando justamente entre adultos jovens. E talvez a parte mais inquietante seja esta: ainda não sabemos exatamente por quê.
O câncer de cólon e reto continua sendo muito mais frequente depois dos 50 anos. O que chamou a atenção dos pesquisadores foi outra coisa: enquanto as taxas entre pessoas mais velhas vêm caindo em alguns países, entre os mais jovens elas seguem na direção contrária.
Uma revisão publicada em agosto deste ano na Nature Reviews Clinical Oncology mostrou que o aumento global da doença tem sido impulsionado de forma importante pelos casos diagnosticados antes dos 50 anos. Estudos populacionais identificaram ainda um “efeito de geração”: pessoas nascidas nas décadas mais recentes parecem apresentar risco maior do que as gerações anteriores.
Isso oferece uma pista. Nossos genes não mudam tão rapidamente. Se a doença está se tornando mais frequente em poucas décadas, provavelmente alguma coisa no ambiente e no estilo de vida também participa dessa história.
O problema é que não existe um único culpado. Obesidade, síndrome metabólica, diabetes tipo 2, sedentarismo, tabagismo, álcool e uma alimentação rica em carnes processadas, produtos refinados e bebidas açucaradas aparecem associados ao risco. Pesquisadores também investigam o microbioma intestinal, o conjunto de microrganismos que vive no intestino e participa do metabolismo e da regulação do sistema imunológico.
Dieta, medicamentos, antibióticos e outras exposições ao longo da vida são capazes de modificar esse ecossistema. Uma das hipóteses é que algumas dessas mudanças favoreçam inflamação e criem um ambiente mais propício ao câncer. É uma área fascinante, mas ainda cheia de perguntas. Seria precipitado dizer que já descobrimos a causa desse aumento.
A genética também importa. Síndromes hereditárias, como a síndrome de Lynch, podem aumentar bastante o risco, mas explicam apenas uma parte dos casos. A maioria dos jovens que desenvolve câncer colorretal não pertence a uma família com uma síndrome hereditária conhecida.
Talvez, por isso, o problema mais imediato não seja apenas descobrir a causa, mas reconhecer que a doença pode acontecer nessa idade.
Sangramento nas fezes é um dos sinais mais frequentes. Dor abdominal persistente, mudança do hábito intestinal, diarreia ou constipação que não melhoram, anemia por deficiência de ferro sem explicação e perda de peso involuntária também merecem atenção.
Aos 30 anos, uma hemorroida é muito mais provável do que um câncer. E geralmente é. O erro está em transformar essa probabilidade em certeza. Atribuir automaticamente todo sangramento a uma causa benigna pode atrasar o diagnóstico.
Estudos mostram que pacientes com câncer colorretal de início precoce podem passar mais tempo entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença. Em uma análise, a mediana foi de 128 dias entre os jovens, contra 79 dias nos mais velhos. Parte desse atraso pode vir da ideia, compartilhada por pacientes e profissionais, de que aquela pessoa é “jovem demais para ter câncer”.
Isso não significa que todo jovem com dor abdominal precise de colonoscopia, nem que pessoas saudáveis devam viver procurando sinais de doença. Rastreamento de quem não tem sintomas e investigação de quem apresenta sinais de alerta são situações diferentes.
Para quem não tem sintomas e tem risco habitual, o rastreamento começa aos 50 anos no SUS, embora algumas sociedades médicas recomendem iniciar aos 45. Quem tem história familiar importante pode precisar começar antes. E sinais de alerta, como sangramento, anemia sem explicação, mudança persistente do hábito intestinal ou perda de peso, devem ser avaliados em qualquer idade.
A medicina passou décadas ensinando que determinadas doenças pertencem principalmente aos mais velhos. Isso continua verdadeiro para o câncer de intestino. Mas estatística não é certificado de imunidade.
Ser jovem reduz a probabilidade de câncer. Não a reduz a zero.
POr - O Globo





















