Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) seguem em tendência de queda, mas nove capitais ainda registram crescimento da doença, segundo o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado nesta quinta-feira (9). 

A Influenza B mantém aumento em estados da Região Centro-Sul, enquanto a incidência da síndrome continua mais elevada entre crianças pequenas e a mortalidade permanece concentrada entre idosos.
De acordo com o boletim, os casos graves por Influenza B seguem em crescimento no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
O Ceará, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo apresentam indícios de interrupção do avanço ou início de queda.
Até a Semana Epidemiológica 26, nove das 27 capitais apresentaram níveis de atividade de SRAG classificados como alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo.
As capitais são Belo Horizonte, Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Manaus, Palmas, Porto Alegre e Rio Branco.
Outras 11 capitais também registram incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, mas sem crescimento sustentado nas últimas seis semanas.
Nessa situação estão Aracaju, Belém, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, João Pessoa, Macapá, Maceió, Rio de Janeiro, Salvador e São Luís.
Segundo a Fiocruz, o aumento dos casos em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre ocorre principalmente entre crianças menores de 2 ou 4 anos de idade. Em Rio Branco, o crescimento é observado entre crianças e adolescentes de 2 a 14 anos.
Belo Horizonte, Florianópolis, Manaus e Rio Branco também registram aumento de casos entre idosos.
A pesquisadora do InfoGripe Tatiana Portella ressalta que, embora o cenário nacional seja de redução dos casos, a circulação dos vírus respiratórios continua elevada em parte do país.
"A população dos grupos prioritários deve manter a vacinação contra a influenza em dia, pois ela reduz o risco de hospitalizações e mortes. Também é importante que pessoas com sintomas respiratórios evitem contato com indivíduos mais vulneráveis, como idosos, crianças pequenas e pessoas imunocomprometidas, além de utilizar máscara ao apresentar sintomas", orienta.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, entre os casos com resultado laboratorial positivo para vírus respiratórios, 55,9% foram causados pelo vírus sincicial respiratório (VSR), 23,3% por rinovírus, 12,7% por Influenza A, 8,4% por Influenza B e 2,2% por Sars-CoV-2, vírus causador da covid-19.
Entre os óbitos registrados no mesmo período, a Influenza A respondeu por 33,1% dos casos, seguida do rinovírus (26,3%), do vírus sincicial respiratório (21,7%), da Influenza B (15,4%) e da covid-19 (6,9%).
Desde o início do ano, o Brasil notificou 109.347 casos de SRAG. Desse total, 56.530 (51,7%) tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 37.770 (34,5%) apresentaram resultado negativo e pelo menos 8.195 (7,5%) ainda aguardam confirmação laboratorial.
O boletim mostra ainda que, no cenário nacional, os casos de SRAG apresentam início ou manutenção da queda entre pessoas de 2 a 49 anos e entre idosos com 65 anos ou mais. Na faixa etária de 50 a 64 anos, observa-se um leve aumento das ocorrências, enquanto entre crianças menores de 2 anos o cenário é de estabilização.
A Fiocruz destaca que a incidência semanal da síndrome continua mais elevada entre crianças pequenas, principalmente em decorrência do vírus sincicial respiratório.
A mortalidade permanece maior entre idosos, tendo a Influenza A como principal causa.
Os casos de SRAG associados à covid-19 seguem em níveis baixos em todas as faixas etárias.
Por - Agência Brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu novas regras para a composição das vacinas contra a Covid-19 utilizadas no Brasil. A partir da atualização, os imunizantes deverão ser adaptados para acompanhar as variantes mais recentes do SARS-CoV-2, vírus causador da doença.
A mudança, publicada em instrução normativa no Diário Oficial da União, estabelece que as vacinas sejam monovalentes — ou seja, desenvolvidas para direcionar a resposta imunológica contra uma linhagem específica do vírus — e tenham como base a cepa LP.8.1 ou antígenos derivados da linhagem JN.1, como XFG e NB.1.8.1.
Vacinas com formulações anteriores, incluindo aquelas já produzidas ou distribuídas no país, não precisarão ser descartadas imediatamente: elas poderão ser usadas por até nove meses após a aprovação da atualização pela Anvisa, salvo se houver uma nova orientação da agência.
Por que as vacinas precisam ser atualizadas
Assim como ocorre com outros vírus respiratórios, o coronavírus passa por mudanças genéticas ao longo do tempo. Algumas dessas alterações podem dar origem a variantes capazes de escapar parcialmente da proteção gerada por infecções anteriores ou vacinas antigas.
A atualização da composição busca aproximar os imunizantes das versões do vírus que estão circulando no momento, ajudando o sistema imunológico a reconhecer essas variantes.
Esse processo não significa que as vacinas anteriores deixaram de funcionar, mas que a resposta gerada por versões atualizadas tende a ser mais direcionada às linhagens predominantes.
O que muda para os fabricantes
As empresas responsáveis por vacinas que não atendam à nova composição terão que apresentar à Anvisa um pedido específico de atualização.
O processo deve incluir dados sobre produção e qualidade do imunizante reformulado, estudos em laboratório e informações de segurança e eficácia quando forem necessárias, seguindo critérios usados internacionalmente para atualização de vacinas.
Segundo a norma, a agência poderá considerar o histórico acumulado de cada vacina, incluindo dados de uso em esquemas iniciais de imunização e em doses de reforço.
Atualização segue evolução do vírus
A mudança faz parte do modelo adotado para acompanhar a evolução da Covid-19 após a fase mais crítica da pandemia. Em vez de desenvolver uma vacina completamente nova a cada variante, os fabricantes ajustam a composição dos imunizantes já existentes conforme as linhagens em circulação.
Com a nova regra, a Anvisa substitui a orientação anterior sobre composição das vacinas contra Covid-19 e estabelece o novo padrão que deverá orientar os próximos imunizantes disponíveis no país.
Por - G1
As vendas de tadalafila dispararam mais de 2.000% no Brasil em dez anos, impulsionadas pela promessa de melhorar o desempenho sexual e físico. Especialistas alertam para riscos do uso sem indicação médica.
Virou sensação entre os homens sob a promessa de melhorar o desempenho sexual e físico. Mas é carregada de riscos e vem acendendo alerta entre médicos.
Eu estou falando da tadalafila, apelidada de tadala. O consumo desse medicamento aumentou muito no Brasil.
As vendas cresceram mais de 2.000% em dez anos. De cerca de 3 milhões de caixas vendidas em 2015 para quase 75 milhões em 2025.
Mas o que é a tadalafila? Ela é um vasodilatador. Ou seja, ajuda a dilatar os vasos e a melhorar o fluxo sanguíneo em determinadas regiões do corpo.
O remédio é indicado principalmente para o tratamento da disfunção erétil. E também para casos de hipertensão arterial pulmonar e sintomas urinários relacionados ao aumento da próstata.
Só que a tadalafila acabou ficando popular entre homens jovens saudáveis, que buscam potencializar o desempenho na cama.
E, mais recentemente, também entre frequentadores de academia para ganhar massa muscular.
Mas nada disso tem evidências científicas. O benefício do uso do remédio em pessoas saudáveis não foi comprovado em nenhum dos dois casos.
Uso indiscriminado de tadalafila pode gerar dependência psicológica, alerta médico
Especialistas afirmam que a substância não aumenta o desejo sexual, nem cria uma ereção automática.
A Anvisa e o Ministério da Saúde também já emitiram alertas sobre os perigos da tadalafila como um estimulante de pré-treino.
Para médicos ouvidos pela DW, todo esse hype em torno do remédio é uma tendência preocupante.
Porque a tadalafila pode favorecer uma dependência psicológica, apesar de não causar dependência química. Esses homens passam a achar que só vão ter um sexo satisfatório se tiverem tomado o remédio.
Isso sem contar os riscos à saúde.
Os efeitos adversos mais comuns são dor de cabeça, dores musculares, congestão nasal, vermelhidão no rosto e desconfortos gastrointestinais, como azia e queimação no estômago. Em situações mais raras, os efeitos podem ser até mais graves.
E os riscos aumentam quando o uso é combinado com outras substâncias. Como álcool, energéticos, anabolizantes e drogas recreativas.
Por isso os especialistas alertam contra a automedicação. O uso só é adequado quando há indicação médica para cada caso.
POr - G1
O Ministério da Saúde prorrogou a vacinação de adolescentes de 15 a 19 anos contra o HPV até 31 de dezembro deste ano. A estratégia de resgate vacinal de jovens que não receberam a dose na idade recomendada seria encerrada este mês.

Em ofício, a pasta reforçou a importância do resgate vacinal para a ampliação do acesso de adolescentes ainda não imunizados e reafirmou a necessidade de estados e municípios intensificarem as ações voltadas para a vacinação desses jovens.
“O monitoramento dessa vacinação de resgate apresenta avanços, mas os dados ainda são insuficientes para alcançarmos os mais de 600 mil adolescentes contemplados, necessitando, portanto, o incremento de estratégias voltadas para ações extramuros, como nas escolas, universidades e outros locais”, destacou o ministério.
No documento, a pasta citou ainda a importância de parcerias com sociedades científicas, órgãos de classe, organizações não governamentais, igrejas e mídias, com o objetivo de ampliar a divulgação para a sociedade sobre a segurança e efetividade da vacina.
Dados coletados até junho deste ano indicam que 287.647 adolescentes com idade entre 15 e 19 anos foram imunizados contra o HPV, sendo 124.172 do sexo feminino e 163.502 do sexo masculino.
Esquema vacinal
A vacina contra o HPV faz parte da rotina do calendário nacional para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos. Desde 2024, o Brasil adotou o esquema de dose única, substituindo o modelo anterior de duas doses e simplificando o acesso à imunização.
Para pessoas imunocomprometidas, como as que vivem com HIV/aids e pacientes oncológicos e transplantados, o esquema vacinal permanece com três doses.
A mesma recomendação se aplica a usuários de profilaxia pré-exposição (PrEP) entre 15 e 45 anos e a vítimas de violência sexual a partir dos 15 anos.
Análise
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, lembra que o HPV é o principal vírus causador de diversos tipos de câncer, sobretudo o de colo de útero, mas também está relacionado ao câncer anal, câncer de boca, de cabeça, de pescoço, de ânus, de vulva e de vagina.
“São diversos tipos de câncer que partem do princípio de uma infecção prévia pelo vírus. Ele promove uma alteração na mucosa desses locais e indivíduos que não conseguem eliminá-lo após a exposição persistem com essa infecção por tempo prolongado, levando à uma diferenciação dessas células, causando, no futuro ou na persistência dessa infecção, esses tipos de câncer,” explicou Kfouri.
Segundo ele, o objetivo da imunização é evitar que mulheres e homens, ao se exporem ao HPV, se infectem e fiquem com o vírus de forma persistente. “A vacinação de adolescentes foi demonstrada, em diversos locais do mundo, a idade mais eficaz – não só no desempenho da vacina, mas também pelo momento.”
“Ao vacinar antes da exposição ao vírus, já que é um vírus de transmissão basicamente sexual, você evita e consegue obter o melhor desempenho da vacina., que é proteger contra todos os tipos contidos na dose”, completou.
O médico destacou ainda que a estratégia de imunizar meninos e meninas amplia o poder de proteção por meio da redução da transmissão do vírus e que países que adotaram a ação obtiveram reduções expressivas em verrugas genitais, cânceres de vagina e vulva e, principalmente, no câncer de colo de útero.
“É uma vacina extremamente segura e altamente eficaz. Uma das mais eficazes que nós já desenvolvemos no mundo. Ao ponto da Organização Mundial da Saúde falar hoje em eliminar o câncer de colo de útero”, concluiu Kfouri.
Por - Agência Brasil
O Ministério da Saúde reforçou a necessidade da aplicação da vacina contra o sarampo na capital paulista após três crianças menores de dois anos contraírem a infecção na zona norte da cidade, na última sexta-feira (26). O órgão também recomenda a aplicação do imunizante em Guarulhos, devido à intensa circulação de pessoas.

A vacina recomendada é a “dose zero”, que deve ser aplicada em crianças de 6 a 11 meses e 29 dias. O imunizante reforça a proteção em uma faixa etária altamente suscetível a infecções e agravamentos da doença. O procedimento também contribui para impedir que mais indivíduos sejam infectados.
A dose não substitui as já previstas no Calendário Nacional de Vacinação, disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas de 12 meses a 59 anos.
Além do reforço vacinal, estão sendo adotadas medidas de vigilância para conter a transmissão local, como busca ativa de casos suspeitos, identificação e monitoramento de contactantes, investigação epidemiológica e bloqueio vacinal nas áreas de risco.
Casos de sarampo
O Ministério da Saúde informa que os três casos de infecção podem ter ocorrido por meio do contato com pessoas procedentes do exterior. Além disso, das três crianças que testaram positivo, duas estudam na mesma creche e a terceira mora na mesma região.
No ano passado, o Brasil registrou 38 casos de contaminação por sarampo. Contudo, permanece o status de país livre do sarampo, visto que os casos aconteceram por importação.
O mesmo não pode ser dito de outros países do continente americano, principalmente da América do Norte, que concentram alta circulação da doença. No México, foram registrados 11.771 casos neste ano. Nos Estados Unidos, foram 2.104 pessoas infectadas e no Canadá, 1.073 casos.
A ascensão do sarampo fez com que a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) retirasse do continente americano, no ano passado, o status de região livre de transmissão endêmica.
Por - Agência Brasil
A dor durante a inserção do dispositivo intrauterino (DIU) pode ser muito mais frequente do que indicam as diretrizes oficiais brasileiras. Um estudo realizado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) constatou que 81% das inserções do método contraceptivo foram acompanhadas de dor moderada ou intensa, percentual mais de 16 vezes superior ao estimado pelo manual técnico do Ministério da Saúde, que afirma que menos de 5% das mulheres experimentam esse nível de desconforto. A dor severa foi relatada por 54% das participantes e, a moderada, por 27%.
Publicado na revista International Journal of Gynecology & Obstetrics, o estudo analisou 7.259 inserções de DIU realizadas entre 2022 e 2024 em um serviço público de referência em Campinas (SP). Os resultados reforçam o debate sobre a necessidade de reconhecer a dor associada ao procedimento e ampliar as estratégias de manejo oferecidas às pacientes.
Os autores afirmam que os achados indicam a necessidade de atualização das diretrizes nacionais para refletir de forma mais fiel a experiência das usuárias e promover uma assistência centrada na paciente.
A dor durante a inserção do DIU pode ser parcialmente reduzida com o uso de anestésicos locais em gel, spray ou injetáveis, além de anti-inflamatórios, que têm mais eficácia de redução da dor após o procedimento.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda anestesia local e outras medidas para reduzir a dor, quando há disponibilidade de recursos, mas ressalta que a ausência dessas estratégias não deve ser barreira para o acesso e disponibilização do método.
Países como o Reino Unido oferecem estratégias de manejo de dor (como lidocaína em spray, creme ou injetável, em casos mais complexos).
Apenas o DIU de cobre é oferecido na rede pública no país
O DIU hormonal, que tem eficácia ligeiramente maior que a do DIU de cobre, ainda não é oferecido pelo SUS no Brasil. Apenas o de cobre é disponibilizado na rede pública e o uso de anestésicos locais durante sua inserção não é rotina nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Além disso, apenas 20% das UBSs disponibilizam a colocação do dispositivo e é necessário agendamento, que pode levar meses, segundo o co-orientador do estudo, Luis Bahamondes.
Centros de referência, como a Unicamp, oferecem a colocação sem agendamento e com anestésico local e anti-inflamatórios em alguns casos. Mas o uso de anestésicos ainda é mais comum na rede particular como um todo.
Já a colocação do DIU com sedação exige internação em centro cirúrgico, o que aumenta os custos e inviabiliza o uso do método em larga escala na rede pública.
Bahamondes não aprova a internação em larga escala e defende esta estratégia apenas para casos raros: “Você acaba levando um procedimento ambulatorial e simples para o centro cirúrgico. Fazemos mais de quatro mil colocações de DIU por ano na Unicamp. Não seria possível internar essa quantidade de pessoas. Aumentaria terrivelmente os custos”, afirma. Ele acrescenta que, por ano, apenas cerca de quatro mulheres são levadas para o centro cirúrgico na instituição porque têm o colo muito fechado.
O estudo da Unicamp também ressalta que profissionais de saúde podem subestimar a intensidade da dor relatada pelas pacientes, o que pode influenciar tanto o aconselhamento quanto a oferta de medidas para reduzir o desconforto.
Mais da metade relatou dor intensa
Mulheres mais jovens e sem partos anteriores relataram mais dor no estudo. Além disso, as que passaram por cesariana agendada tendem a sentir dor mais intensa do que as que passaram por outro tipo de parto. Uma explicação seria a possibilidade de estenose do canal vaginal por conta de cicatrizes provocadas pela cesariana.
A pesquisa da Unicamp avaliou a dor imediatamente após a inserção do DIU por meio de uma escala visual analógica que varia de 0 a 10 pontos. Entenda melhor o nível de dor avaliada pelas participantes:
- Nenhuma dor: 3%. Dessas, 72% tiveram parto vaginal e, 42%, cesariana.
- Dor leve (nota 1 a 3): 15%. Dessas, 61% tiveram ao menos um parto vaginal e, 40%, tiveram ao menos uma cesariana.
- Dor moderada (nota 4 a 6): 27%. Dessas, 62% tiveram ao menos um parto vaginal e, 41% tiveram ao menos uma cesariana.
- Dor severa (nota 7 a 10): 54%. Dessas, 48% já tinham passado por ao menos um parto vaginal e 36% tinham passado por ao menos uma cesariana.
Na prática, isso significa que 81% das inserções foram classificadas como moderadamente ou severamente dolorosas.
Apesar de a taxa de dor severa durante a colocação do dispositivo ser alta, as taxas de aceitação do DIU (tanto o de cobre quanto o hormonal) são altas, quando ofertados sem custo para a usuária. Isso ocorre principalmente pelo fato de o método ser de longa duração e ter alta eficácia.
Segundo os pesquisadores, os resultados contrastam com o que é descrito nas diretrizes brasileiras, que apresentam a inserção do DIU como um procedimento simples e associam a dor moderada ou intensa a uma pequena parcela das pacientes.
Longa durabilidade é uma das vantagens do método
Atualmente, há três tipos de DIU no mercado. Entenda a durabilidade de cada um:
- DIU de cobre: dura 12 anos.
- DIU Mirena: dura 8 anos e faz a mulher parar de menstruar. Contém o hormônio levonorgestrel, um tipo de progestagênio (versão sintética da progesterona) – que é liberado gradualmente dentro do útero - e não contém estrogênio, que pode aumentar o risco de trombose em mulheres com predisposição à condição.
- DIU Kyleena: dura 5 anos e também contém levonorgestrel, em menor quantidade.
Entre as mulheres que usam DIU no mundo, cerca de 40% usam o de cobre e 60%, o Mirena. O uso do Kyleena ainda é muito baixo, destaca Bahamondes.
Alta eficácia e baixa adesão
Os autores destacam que o DIU é considerado um dos métodos contraceptivos mais seguros e eficazes disponíveis. Tanto o de cobre quanto o hormonal têm eficácia superior a 99% na prevenção da gravidez.
Confira a taxa de falha de cada tipo de dispositivo:
- DIU hormonal (Mirena ou Kyleena) 2 para cada mil.
- DIU de cobre: 1 para cada cem.
Segundo Bahamondes, essas taxas são similares às da laqueadura. O médico destaca que, quando a mulher não planeja engravidar pelos próximos 2 ou 3 anos, o método já pode ser considerado.
Veja outras vantagens do DIU:
- Não depende do uso correto diário, como a pílula, o que evita falha por uso incorreto.
- É reversível; ao retirar o DIU, a fertilidade retorna rapidamente.
- Não afeta a capacidade futura de engravidar.
- Pode ser usado por mulheres que nunca tiveram filhos.
- Pouca manutenção: após a inserção, basta realizar acompanhamento médico periódico, sem necessidade de intervenções frequentes.
- Longa duração (de 5 a 12 anos, dependendo do tipo).
Apesar das vantagens e da alta aceitação, a adesão a esse tipo de método contraceptivo ainda está entre as mais baixas do país.
Veja como os diferentes métodos contraceptivos são usados:
- DIU: 4% a 5%
- Pílula: 40%
- Laqueadura: 25%
- Contraceptivos injetáveis: 10%
- Implante hormonal: menos de 1%
Dor é uma das barreiras para o uso do método
A autora do estudo, Ana Luiza Savi, destaca que a dor durante a inserção não deve ser vista como o único motivo para a baixa utilização do método no Brasil. Segundo ela, a adesão ao DIU é influenciada por uma combinação de fatores. Entre eles estão:
- Dificuldades de acesso ao procedimento;
- Carência de profissionais treinados;
- Ausência de oferta do DIU hormonal na rede pública;
- Alto custo da inserção em serviços privados;
- Desinformação e mitos sobre quem pode utilizar o método;
- Medo da dor e de possíveis efeitos adversos.
Savi destaca ainda que o DIU pode ser utilizado como contracepção de emergência até cinco dias após a relação sexual desprotegida, mas esta informação é pouco conhecida pela população. Além disso, o dispositivo ainda é pouco usado no pós-parto imediato.
A pesquisadora acrescenta que a adoção do método na rede pública no Brasil ainda pode ser considerada inicial. No país, a maior parte da população depende do SUS (74%) para acessar serviços de saúde, incluindo contracepção, e a portaria que estabeleceu o DIU com cobre na oferta do sistema foi publicada apenas no final de 2017. Além disso, os serviços de planejamento familiar foram bastante impactados pela pandemia de COVID-19, acrescenta Savi.
Especialista critica necessidade de agendamento e defende inserção por enfermeiros
Bahamondes defende que o dispositivo intrauterino seja oferecido também na versão hormonal, em uma quantidade maior de UBSs de referência pelo país e sem necessidade de agendamento prévio.
Ele reforça que uma única unidade por região nas capitais, por exemplo, já tornaria o processo menos demorado. Para isso, mais profissionais precisariam ser treinados, incluindo enfermeiros.
“Enfermeiro pode colocar DIU, mas o Conselho Federal de Medicina (CFM) é contra por uma reserva de mercado. Médicos são treinados para ver doentes. Na Suécia, Chile, Peru e em países da África, enfermeiros colocam DIU. Muitos estudos mostram que a colocação por enfermeiros e médicos tem taxas de segurança iguais”, afirma.
O especialista defende também uma cartilha distribuída nos centros onde a colocação é disponibilizada, informando sobre a possibilidade de uso de anti-inflamatórios antes do procedimento, além de anestésicos em gel e spray.
Na prática, muitas mulheres acabam optando por outros métodos devido à demora ou acabam engravidando antes do agendamento, que pode levar cerca de quatro meses.
Vale destacar que, no Brasil, cerca de 55% das gestações não são planejadas. O dado é do estudo nacional “Nascer no Brasil”, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz, que entrevistou quase 24 mil mulheres em todo o país.
Apenas 6% receberam algum medicamento antes da inserção
Embora a dor tenha sido frequente, o uso de medicamentos antes do procedimento no estudo da Unicamp foi pouco comum. Dos mais de 7 mil procedimentos analisados, apenas 429 inserções — o equivalente a 6,1% do total — contaram com algum tipo de medicação administrada previamente.
Os medicamentos mais utilizados foram:
- Antiespasmódicos;
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs);
- Analgésicos.
O uso de opioides foi praticamente inexistente.
O estudo destaca que não havia um protocolo padronizado para controle da dor no serviço analisado. A decisão sobre prescrever ou não medicamentos era feita pelos profissionais responsáveis, geralmente entre 15 e 60 minutos antes da inserção.
A maioria das inserções avaliadas teve finalidade contraceptiva, e os DIUs hormonais representaram quase 88% dos procedimentos incluídos na pesquisa.
Diretrizes internacionais passaram a reconhecer a dor da inserção
Os pesquisadores observam que a discussão sobre a dor associada ao DIU tem ganhado destaque nos últimos anos.
Em 2025, o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) publicou orientações recomendando que médicos considerem estratégias para minimizar a dor durante procedimentos ginecológicos realizados em consultório, incluindo a inserção de DIUs.
A OMS também atualizou suas recomendações contraceptivas para incluir a oferta rotineira de medicamentos capazes de facilitar o procedimento.
No Brasil, porém, o manual técnico do Ministério da Saúde sobre o DIU de cobre, publicado em 2018, continua afirmando que nenhuma intervenção demonstrou reduzir de forma comprovada a dor da inserção.
Pesquisadores defendem atualização das recomendações brasileiras
Para os autores do estudo da Unicamp, os resultados mostram que a experiência de dor durante a inserção do DIU precisa ser reconhecida de forma mais explícita pelas políticas públicas e pelos protocolos clínicos.
Segundo eles, atualizar as diretrizes nacionais, oferecer informações mais realistas sobre o procedimento e ampliar as opções de manejo da dor podem melhorar a experiência das pacientes e reduzir barreiras ao uso do método contraceptivo.
Na avaliação dos pesquisadores, aprimorar o controle da dor durante a inserção pode contribuir para aumentar a aceitação do DIU e incentivar mais pessoas a considerar o método como opção contraceptiva.
O que diz o Ministério da Saúde
O Ministério não respondeu ao g1 quais estudos ou evidências científicas embasaram a estimativa presente no manual técnico de 2018 de que menos de 5% das pacientes experimentam dor moderada ou intensa - apenas que seguiu recomendações da OMS à época.
Em nota ao portal, a pasta afirmou que orienta os profissionais do SUS a adotarem um cuidado centrado na paciente, com manejo da dor durante a inserção do DIU, uso de analgésicos e anti-inflamatórios quando indicado e interrupção do procedimento em caso de reação vasovagal.
O Ministério também destaca que acompanha pesquisas para atualizar as políticas públicas conforme novas evidências sobre a dor associada ao procedimento e informa que o SUS ampliou a oferta de métodos contraceptivos, incluindo o implante subdérmico de etonogestrel.
Quando o DIU de cobre não é indicado
De acordo com o Ministério da Saúde, a presença de qualquer uma das condições a seguir contraindica a inserção do DIU:
- Gestação;
- Prolapso uterino total;
- Câncer do colo do útero e câncer de endométrio;
- Imunodepressão grave pelo HIV (AIDS nos estágios clínicos 3 e 4);
- Trombocitopenia severa e outros distúrbios graves da coagulação;
- Período compreendido entre 48 horas e 1 mês pós-parto;
- Sangramento uterino anormal de origem desconhecida;
- Doença trofoblástica gestacional em tratamento;
- Distorções da cavidade uterina congênitas (malformações uterinas) ou adquiridas (miomas, pólipos, estenose do colo uterino) quando estas impedem a introdução ou a permanência do DIU no interior da cavidade uterina;
- Identificação ao exame físico de sinais sugestivos de cervicite, doença inflamatória pélvica aguda, endometrite crônica ou tuberculose pélvica. A inserção do DIU pode ser realizada imediatamente após o término do tratamento dessas afecções;
- Alergia ao cobre;
Durante o pós-parto / pós aborto imediato é contraindicada a inserção do DIU na:
- Presença de febre durante o trabalho de parto ou rotura de membranas amnióticas há mais de 24 horas;
- Ocorrência de hipotonia / atonia uterina ou retenção placentária;
- Vigência de abortamento infectado.
Desvantagens do DIU
Apesar da alta aceitação do DIU, até mesmo por mulheres que sentem dor intensa durante a colocação, o método também possui desvantagens.
Segundo o Ministério da Saúde, as desvantagens do DIU de cobre são:
- Aumento do fluxo menstrual, observado principalmente nos três primeiros meses de uso. Um moderado aumento pode permanecer por períodos mais prolongados para algumas mulheres, cessando imediatamente com a retirada.
- Aumento ou aparecimento transitório de cólicas menstruais – especialmente nos primeiros meses.
- Possibilidade de expulsão, sendo mais comum no primeiro ano.
- Possibilidade de perfuração uterina durante a inserção, evento extremamente raro.
- Possibilidade de dor ou cólica durante a introdução do dispositivo
Já entre as desvantagens do DIU hormonal, estão:
- Sangramento irregular nos primeiros meses
- Efeitos hormonais: como libera o hormônio levonorgestrel, algumas mulheres podem apresentar acne; dor de cabeça; sensibilidade mamária; alterações de humor e oleosidade da pele.
- Possibilidade de dor ou cólica durante a introdução do dispositivo
- Possibilidade de expulsão: em uma pequena porcentagem dos casos, o DIU pode deslocar-se ou ser parcialmente expulso
- Possibilidade de perfuração uterina durante a inserção, evento extremamente raro.
Por - G1






















