Lei cria política para fortalecer indústria da saúde

Sancionado nesta segunda-feira (20), o Projeto de Lei n° 2583/20 pretende garantir a autonomia do Brasil na produção de medicamentos, vacinas, equipamentos e insumos médicos, fortalecendo a soberania nacional, inclusive para lidar com eventuais emergências em saúde pública. O PL institui a Estratégia Nacional do Complexo Econômico-Industrial da Saúde.

O projeto foi aprovado recentemente pelo Congresso Nacional. Entre as justificativas apresentadas durante a tramitação da matéria no Legislativo está a de ajudar o país a ter condições de executar “ações e serviços de saúde, incentivando a geração de empregos qualificados e a inovação, e reduzir a dependência tecnológica e produtiva do exterior”.

Além de criar instrumentos de estímulo à produção nacional em saúde, a nova lei estabelece regras para compras públicas, financiamento e regulação de produtos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Por meio das compras públicas, pretende estimular a fabricação local de produtos considerados estratégicos para o SUS. Para isso, cria a figura das empresas Estratégicas de Saúde (EES), que poderão receber prioridade em processos regulatórios, acesso facilitado a linhas de crédito do BNDES e outros incentivos.

Para se enquadrarem nessa classificação, as empresas precisarão cumprir requisitos relacionados à produção, pesquisa e inovação no país.

Presidente da Farmabrasil, associação que reúne as principais empresas da indústria farmacêutica brasileira, Reginaldo Arcuri disse que a nova legislação será essencial para o país e que seu setor estará engajado no compromisso de desenvolver medicamentos cada vez mais inovadores.

Diretrizes

Na avaliação do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, as novas regras vão favorecer a soberania brasileira. Segundo ele, durante os debates no Legislativo o projeto se mostrou “inspirado em outros projetos que visavam a proteção de setores estratégicos, como foi o caso da Defesa”.

A estratégia nacional terá como diretrizes:

  • Fortalecimento do SUS;
  • garantia de acesso a tecnologias de saúde;
  • capacitação de recursos humanos;
  • prevenção e combate a epidemias;
  • incentivo à produção nacional de medicamentos e dispositivos médicos;
  • inserção internacional de empresas estratégicas brasileiras;
  • uso do poder de compra do Estado para estimular a produção local.

Os objetivos incluem:

  • reduzir as dependências produtiva e tecnológica do SUS;
  • ampliar o acesso universal à saúde;
  • impulsionar a pesquisa e a inovação;
  • modernizar o parque industrial da saúde;
  • alcançar autossuficiência na cadeia produtiva;
  • estimular investimentos; e
  • preparar o sistema para emergências de saúde pública.

Empresas que desejarem se qualificar como Empresa Estratégica de Saúde (EES) deverão atender a condições mínimas, como:

  • terem como finalidade social atividades produtivas, de pesquisa, desenvolvimento científico e tecnológico, além do desenvolvimento de parque industrial voltado ao planejamento estratégico em saúde;
  • disporem, no país, de instalação industrial para fabricação de “produto estratégico de saúde” (PES);
  • apresentarem histórico de atividade produtiva e de inovação; e
  • terem capacidade de assegurar continuidade e expansão produtiva no Brasil.

Vetos

Segundo o ministro da saúde, Alexandre Padilha, apenas três vetos foram feitos ao projeto. Nenhum de grande relevância. Um deles, tem o propósito de adequar o texto final às regras de taxação que já existem no âmbito do Mercosul.

Outro veto, que Padilha disse “lamentar ter de fazer”, prevê algumas contrapartidas tecnológicas que ficariam a cargo das empresas para a importação de produtos. "Isso poderia atrapalhar investimentos", argumentou o ministro.

O terceiro veto está relacionado a critérios previstos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para autorizar a comercialização de alguns medicamentos.

 

 

 

 

 

Por - AgÊncia Brasil

Prouni 2026/2: prazo para confirmar informações termina na sexta

Os candidatos pré-selecionados na primeira chamada do Programa Universidade para Todos (Prouni) para o segundo semestre de 2026 devem, até sexta-feira (24), entregar à instituição privada de ensino superior para a qual foram pré-selecionados a documentação que comprova as informações prestadas no ato de inscrição.

Os candidatos podem conferir se constam na lista da primeira chamada, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) na última semana, diretamente no Portal Único de Acesso ao Ensino Superior, na parte do Prouni.

Documentação

A documentação comprobatória exigida está descrita no edital do processo seletivo.

A entrega poderá ser feita presencialmente na respectiva faculdade privada ou encaminhada por meio virtual/eletrônico. A instituição deverá emitir documento de comprovação de entrega da documentação ao recebê-la do candidato.

A instituição ainda poderá solicitar documentos complementares, quando necessário. 

Bolsas

O programa federal oferece bolsas de estudo integrais, que cobrem 100% do valor da mensalidade, ou parciais, de 50%, em cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior.

Neste segundo semestre, o programa oferece 471.304 bolsas de estudos parciais e integrais em 380 cursos de graduação de 879 instituições privadas de ensino superior.

Do total de bolsas ofertadas, 219.725 foram integrais e 251.579 parciais. 

Ações afirmativas

O programa reserva vagas a candidatos que atendem aos critérios da política de ações afirmativas do programa, incluindo pessoas com deficiência e candidatos autodeclarados indígenas, pretos ou pardos. 

Para pessoas com deficiência foram ofertadas 35.365 bolsas de estudos. Para pretos, pardos e indígenas foram 188.880 e para a ampla concorrência, 247.059.   

Novas chances

Os candidatos que não foram convocados na primeira chamada do Prouni deste segundo semestre ainda poderão participar da segunda chamada ou manifestar interesse na lista de espera.

Após as duas chamadas, aqueles que não forem pré-selecionados, ou que tiverem a inscrição indeferida por não formação de turma, poderão disputar as bolsas eventualmente não preenchidas, conforme os critérios estabelecidos no edital. 

Os estudantes contemplados com bolsa parcial também podem usar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para complementar o pagamento da mensalidade, desde que o curso e a instituição de ensino ofereçam essa possibilidade.

Cronograma

O Ministério da Educação (MEC) estabeleceu o seguinte cronograma para as próximas etapas do Prouni 2/2026: 

  • comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados na primeira chamada: de 15 a 24 de julho
  • resultado da segunda chamada: 5 de agosto 
  • comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados na segunda chamada: 5 a 14 de agosto
  • lista de espera: 26 e 27 de agosto 
  • resultado da lista de espera: 1º de setembro
  • comprovação das informações da inscrição dos pré-selecionados em lista de espera: 1º a 14 de setembro

 

 

 

Por - Agência Brasil

Brasil terá 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em outubro

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou nesta segunda-feira (20) que 158.745.463 eleitores estarão aptos a exercer o direito de votar nas eleições presidenciais de outubro.

A Justiça Eleitoral registrou crescimento de 2.291.452 (1,46%) eleitores em relação ao pleito de 2022.

Eleições

O primeiro turno será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos deputados federais, estaduais, distritais, governadores, senadores e o presidente da República.

O segundo turno está marcado para o dia 25 e pode ocorrer na disputa para os cargos de governador e presidente. Os eleitores voltarão às urnas se nenhum dos candidatos obtiver mais de 50% dos votos válidos, excluindo brancos e nulos, no primeiro turno.

De acordo com dados do TSE, a Região Norte do país ganhou o maior número de eleitores em relação ao último pleito presidencial. Houve aumento de 548.944 eleitores, número que representou alta de 4,37% no eleitorado regional. Em 2022, 12.560.410 pessoas estavam aptas a votar. Neste ano, serão 13.109.354.

Exterior

O eleitorado no exterior apresentou aumento de 31,82%. O número de brasileiros que vive fora do país passou de 697.078 para 918.876 pessoas. Quem está no exterior só pode votar para presidente da República.

 

 

 

 

 

Por-Agência Brasil

Sinais do câncer colorretal devem ser checados com rapidez; saiba mais

Apesar de reconhecerem que sintomas como presença de sangue nas fezes e mudança no fucionamento do intestino por mais de um mês podem ser graves, os brasileiros podem estar adiando a busca por assistência médica. A presença desses dois sinais está entre os principais indicativos do câncer colorretal e deve ser investigada o quanto antes.

Esse é o alerta de um levantamento divulgado pelo Hospital A. C. Camargo e da Nexus, que ouviu mais de 2 mil pessoas sobre o câncer colorretal e seus sintomas.

Segundo as respostas colhidas no estudo, oito em cada dez entrevistados declararam ter consciência de que esses dois sintomas podem ser graves. Cerca de 67% dos entrevistados concordam que esses sintomas podem indicar a doença, e 24% concordam muito com essa afimação. Ainda assim, quase metade não procura assistência médica com rapidez.  

A pesquisa indicou que 9% dos entrevistados já notaram a presença de sangue nas fezes. Desses, 59% buscaram atendimento médico imediatamente, mas 40% não tiveram essa reação:

  • 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar;
  • 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico;
  • 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação;
  • 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria;
  • 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional. 

Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes

Dois em cada três entrevistados (67%) nunca ouviram falar do exame “Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes” (PSO), o principal recurso para identificar sinais da doença antes de sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram.

O desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, e também é maior do que a média entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e que estudaram apenas até o ensino fundamental (72%). 

A pesquisa também mostra que apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve a doença, sendo 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido. Outros 75% disseram que nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer.  

Diagnóstico precoce

O líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A. C. Camargo Cancer Center, Samuel Aguiar, reforçou que, diante do aumento de casos da doença no Brasil, é importante não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.  

“Também é necessário realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples, como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia, na detecção da doença ainda em estágio inicial”, ressaltou Aguiar.  

De acordo com dados o Instituto Nacional de Câncer (INCA), 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028, o que o torna o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros. Esse tipo de câncer é o mesmo que levou á morte da cantora Preta Gil, em julho do ano passado, depois de dois anos de tratamento.  

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Anvisa aprova novo medicamento para linfoma não Hodgkin

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou nesta segunda-feira (20), no Diário Oficial da União, o registro do medicamento Columvi (glofitamabe) desenvolvido pelo laboratório Roche para tratamento de um tipo de câncer que acomete o sistema linfático que integra a defesa imunológica do corpo.

O Columvi – em combinação com gencitabina e oxaliplatina – é indicado para pacientes adultos com linfoma difuso de grandes células B não especificado (LDGCB NOS) recidivante (quando o câncer retorna) ou refratário, quando não responde aos tratamentos iniciais.

O produto biológico também é recomendado aos pacientes sem condições clínicas elegíveis ao transplante autólogo de células-tronco (TACT), procedimento que usa células-tronco da própria pessoa no tratamento do linfoma.

Em nota, a agência reguladora disse que o novo medicamento amplia as opções de tratamento para pacientes com câncer agressivo. 

“O registro do Columvi representa uma inovação terapêutica relevante na área de oncologia hematológica, ao disponibilizar no Brasil um anticorpo biespecífico capaz de redirecionar o sistema imune contra células tumorais”, diz o comunicado.

Doença

O linfoma difuso de grandes células B é um tipo de câncer hematológico agressivo, de crescimento rápido.

O subtipo mais comum de linfoma não Hodgkin agressivo é caracterizado por evolução clínica rápida e necessidade de tratamento eficaz, especialmente em pacientes com doença recidivante – quando esta reaparece – ou refratária e as opções de tratamento para a cura ou controle da doença são limitadas. 

De acordo com a fabricante, no Brasil, a estimativa é de que cerca de 4 mil pessoas recebam o diagnóstico da doença por ano.

Terapia

O tratamento com o medicamento Columvi (glofitamabe) tem aplicação intravenosa e pode ser administrada sem necessidade de internação do paciente.

Ao todo, o tratamento tem a duração fixa de aproximadamente 8,3 meses, com 12 ciclos determinados pelo protocolo da terapia.

A Roche destacou que o estudo clínico global publicado em novembro de 2024 na revista científica de medicina The Lancet mostrou “redução de 41% no risco de morte em comparação ao protocolo tradicional”. 

“Além disso, também apontou que 50,3% dos participantes que receberam o novo esquema alcançaram a remissão completa da doença (contra 22% do grupo comparativo). Houve, ainda, uma redução de 63% no risco de progressão”, explica a Roche.

 

 

 

Por - Agência Brasil

Economia cresce 0,7% em maio, puxada por consumo das famílias, diz FGV

A economia brasileira cresceu 0,7% na passagem de abril para maio. No trimestre móvel terminado em maio, a alta é de 1,9% na comparação com o mesmo período de 2025. Com esse desempenho, a variação positiva acumulada no período de 12 meses fica em 1,7%.

Os dados fazem parte do Monitor do PIB, estudo mensal elaborado pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV), divulgado nesta segunda-feira (20).

A pesquisa faz estimativas sobre o comportamento do Produto Interno Bruto (PIB), indicador do conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país, com base em dados da indústria, comércio, serviços e agropecuária.

O resultado de maio retoma a trajetória positiva na comparação entre meses imediatamente seguidos, após recuo em abril e estabilidade em março.

Confira o comportamento do ano mês a mês:

  • Maio: 0,7%
  • Abril: -0,1%
  • Março: 0%
  • Fevereiro: 0,5%
  • Janeiro: 0,7%

Sinais de arrefecimento

Apesar da retomada de crescimento em maio, o indicador de 12 meses (1,7%), que mostra uma visão de retrovisor de mais longo prazo, aponta desaceleração, ou seja, perda de força. Em março deste ano, a variação era de 3%. Em maio do ano passado, 3,8%.

Ao apresentar os resultados, a FGV destaca que o consumo das famílias cresceu 3,3% no trimestre até maio, chegando ao maior patamar desde o quarto trimestre de 2024, quando avançou 4%. Desse desempenho, mais de 60% vieram do consumo de serviços e de bens duráveis.

A economista Juliana Trece, coordenadora da pesquisa, destaca que o consumo das famílias foi o grande responsável pelo desempenho positivo da economia.

No entanto, ela aponta que há algumas “fragilidades” no resultado do PIB brasileiro.

“O crescimento da agropecuária vem após sequência de retrações, a estabilidade industrial mostra perda de fôlego do setor e, apenas os serviços mostraram resultado um pouco melhor que a média geral do início do ano”, explica.

Para ela, a concentração do crescimento no consumo das famílias mostra dependência desse componente, uma vez que as exportações e os investimentos apresentaram quedas.

“Com isso, conclui-se que, embora a economia siga em crescimento, há alguns sinais importantes de arrefecimento que começam a aparecer no resultado”, avalia.

Comportamentos

As exportações tiveram crescimento de 4,3%, o menor desde o segundo trimestre de 2025 (2,1%).

“As exportações da [indústria] extrativa mineral registram crescimento significativamente inferior ao que vinha apresentando desde o início do ano, o que explica a redução do crescimento das exportações”, destaca o acompanhamento.

As importações cresceram 8,9%, terceiro trimestre móvel seguido de alta.

A chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o investimento na economia, como compras de máquinas e equipamentos, teve expansão de 2% no trimestre móvel. Foi a segunda expansão depois de recuo nos quatro trimestres móveis imediatamente seguidos.

O estudo estima que a taxa de investimento da economia em maio foi de 18,6%, a segunda maior do ano, perdendo apenas para fevereiro (19,2%).

De acordo com a FGV, em termos monetários, o PIB acumulado até maio, em valores correntes, é estimado em R$ 5,466 trilhões.

Resultado oficial

O Monitor do PIB é um dos estudos que servem como termômetro da economia brasileira. Outro levantamento é o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na sexta-feira (17), que indicou expansão de 0,1% na passagem de abril para maio e de 1,4% em 12 meses

O resultado oficial do PIB é apresentado trimestralmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A última divulgação foi no fim de maio, que apontou crescimento de 1,1% no primeiro trimestre de 2026.

A próxima divulgação será referente ao segundo trimestre de 2026, no dia 1º de setembro.

Expectativas

O relatório Focus desta semana, sondagem do Banco Central (BC) com instituições do mercado financeiro estima que a economia brasileira vai terminar 2026 com alta de 1,99%.  

previsão do Ministério da Fazenda é variação de 2,3%.

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Copa do Mundo Feminina 2027 no Brasil terá 32 seleções

Após a Copa do Mundo de futebol, nossa seleção masculina ficou longe do hexa e, agora, resta esperar o próximo Mundial. Mas não vai ser preciso aguardar mais quatro anos para torcer pelo Brasil.

É que no ano que vem tem Copa do Mundo Feminina e, pela primeira vez, ela vai ser realizada aqui no Brasil.

O que não falta por todo o canto são meninas já apaixonadas por futebol, que têm nas potências da seleção feminina um exemplo a seguir. E a torcida está garantida para todas as idades.

A pequena Manuela Baère, de 6 anos, já está empolgada para ver as atletas em campo.

"Eu adoro futebol. Você sabia que eu faço aula de futebol? E eu estou doida para ver as meninas jogarem. A gente só vê os meninos. Estou toda doida para a gente ver as meninas jogarem", diz.

Sofia Seabra, de 13 anos, é fã declarada da atacante Marta, que segue inspirando gerações. A estudante de Brasília já está negociando, em casa, uma forma de assistir à abertura do Mundial feminino no Maracanã.

"Estou muito empolgada com a Copa do Mundo feminina do ano que vem, que eu vou até me comportar melhor para eu poder ver o jogo no Rio de Janeiro. Cresci jogando futebol ao lado de meninos, mas isso nunca me deixou para baixo. Mesmo com a capacidade física menor que a deles, sempre me esforçava mais e mais para poder evoluir. Vou estar torcendo muito o ano que vem", conta.

O Mundial feminino vai ser disputado por 32 seleções entre 24 de junho e 25 de julho do ano que vem. Esta vai ser a primeira vez que o Brasil vai sediar a competição.

Em abril deste ano, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nomeou a ex-capitã da seleção brasileira, vice-campeã mundial de 2007 e medalhista olímpica em Atenas 2004, Aline Pellegrino, como diretora executiva de legado e relações institucionais da Copa do Mundo FIFA 2027.

Ela destaca o poder de mudança cultural do Mundial feminino.

"Nesse momento de reconhecimento do espaço da mulher nessa sociedade, o quanto essa Copa ela vai também pro lado social, pra gente enquanto sociedade ser uma sociedade mais igualitária. E eu acho que o futebol tem esse poder de mudança, de transformação. Então, eu acredito que um um grande legado que pode acontecer por si só é esse legado cultural. É um potencial muito grande de levar essas histórias, de mudar a cultura, de meninas e meninos começarem a praticar esse futebol junto desde sempre, isso não ser um problema, porque isso não é um problema. Que essa Copa possa vir e e gerar muitas mudanças no nosso Brasil enquanto sociedade", explica.

E para as que já estão em campo seguindo os passos de atletas como Aline Pellegrino, a certeza é que o Mundial do ano que vem  dará mais visibilidade ao futebol feminino. É a confiança da atleta do time Republicanas de Brasília, Myllene D'Arc, de 34 anos.

"Eu sempre vi os meninos jogando e aí acabei jogando com eles e me apaixonei pelo esporte. A minha expectativa para a Copa do Mundo Feminina é que vai dar muito mais visibilidade, né, para as mulheres, de mostrar que futebol não é só para homem, né? É para mulher também e a gente pode fazer o que quiser, o esporte que quiser, porque somos empoderadas", relata.

Pelas ruas, enquanto a Copa masculina se encaminhava para o final, a impressão sobre o Mundial feminino variava entre os mais e os menos otimistas. Mas é quase unânime a ideia de que as atletas precisam de mais visibilidade e valorização.

No ano que vem, oito cidades vão sediar a disputa pela inédita taça: Belo Horizonte, Brasília, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Desde 1991, quando foi realizada a primeira Copa do Mundo Feminina, a taça só foi levantada por cinco seleções ao longo das nove edições do torneio – Estados Unidos (4 vezes), Alemanha(2), Noruega (1), Japão (1) e Espanha (1), atual campeã. Que comece a torcida para que as habilidosas atletas brasileiras recebam em casa o inédito título de campeãs mundiais. 

 

 

 

 

 

Por - Agência Nrasil

Mercado reduz expectativa de inflação para 5,15% em 2026

As expectativas do mercado financeiro para a inflação em 2026 mantêm a trajetória de queda observada nas últimas semanas. Segundo o boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (20) pelo Banco Central (BC), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar o ano em 5,15%.

Na semana passada, o mercado projetava que o IPCA, índice que corresponde à inflação no país, fecharia o ano em 5,16%. Há quatro semanas, a expectativa era uma inflação de 5,33%. Para os anos 2027 e 2028, o boletim projeta inflação em 4,20% e 3,78%, respectivamente.

Nos demais indicadores (PIB, Câmbio e Selic), as projeções do mercado se mantiveram estáveis, também na comparação com as últimas semanas.

PIB e dólar

Com relação ao Produto Interno Bruto, (PIB - soma de todos os bens e serviços produzidos no país), as projeções do mercado financeiro são as mesmas há 3 semanas: crescimento de 1,99% em 2026. Há quatro semanas, as projeções eram de que a economia brasileira cresceria 1,98% no ano.

Para 2027, o mercado projeta um crescimento de 1,65% para o PIB. Para 2028, 2%.

As projeções para o câmbio ao final de 2026 estão estáveis há cinco semanas. A cotação prevista pelo mercado está em R$ 5,20 para o ano; em R$ 5,28 para 2027; e em R$ 5,30 para 2028.

Taxa Selic

A projeção da taxa básica de juros (Selic) para 2026 se manteve em 14% pela quarta semana consecutiva.

A taxa atual, estabelecida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em 17 de junho, é 14,25%. Com isso, há expectativa de pelo menos uma redução na atual taxa até o final de 2026.

A próxima reunião do Copom está prevista para os dias 4 e 5 de agosto.

As previsões da Selic para 2027 e 2028 se mantiveram estáveis, em 12% e 10,5%, respectivamente.

De junho de 2025 até março de 2026, a Selic estava em 15% ao ano – o maior nível desde julho de 2006, quando foi fixada em 15,25% ao ano.

De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes.

Copom

Quando o Copom reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, incentivando produção e consumo no país – o que acaba por estimular a atividade econômica.

Por outro lado, segundo os especialistas que costumam ser consultados pelo BC para a elaboração do boletim Focus, créditos mais baratos tendem a aumentar pressões inflacionárias.

Ao aumentar a taxa Selic, o Copom faz com que o crédito no país fique mais caro, o que estimula, em vez de consumo, a aplicação de recursos em poupanças ou em renda fixa.

Na avaliação do mercado, taxas mais altas de juros acabam por dificultar a expansão da economia, uma vez que, ao desestimularem o consumo, reduzem demandas – ajudando a conter pressões inflacionárias.

Para definir as taxas de juros que cobram de seus clientes, os bancos consideram, também, outros fatores. Entre eles, risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Derrota da Argentina na final da Copa gera tumultos e deixa feridos em Balneário Camboriú e Florianópolis

Torcedores argentinos e brasileiros se envolveram em tumultos e confrontos em Balneário Camboriú e Florianópolis após a derrota da Argentina para a Espanha na final da Copa do Mundo, na noite de domingo (19). Ao menos nove pessoas pessoas ficaram feridas durante ocorrências nas duas cidades, conhecidas pela grande concentração de torcedores hermanos.

Em Balneário Camboriú, foram oito feridos após confusões que ocorreram no calçadão da Praia Central, onde o jogo foi transmitido, e arredores. A Guarda Municipal da cidade registrou brigas, arremesso de garrafas e lançamento de fogos de artifício contra as guarnições

Imagens mostram uma briga entre os torcedores argentinos e brasileiros após o jogo, além da presença da Polícia Militar para conter brigas em Balneário Camboriú.

Em Florianópolis, no bairro de Canasvieiras, tradicional ponto de encontro de turistas do país vizinho, o conflito entre brasileiros e argentinos precisou ser dispersado pela Polícia Militar.

 

Um argentino de 33 anos foi encontrado ferido na região logo após o jogo e precisou de atendimento médico.

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar, o homem foi atendido pelo Samu com suspeita de lesão na medula espinhal.

Inicialmente consciente, ele ficou desorientado durante o transporte e recebeu suporte de oxigênio antes de ser encaminhado ao Hospital Governador Celso Ramos.

 
 
 
 
 
 
Por - G1
Liquidação automotiva: entenda por que carros novos e usados estão mais baratos no Brasil e o que os chineses têm a ver com isso

Nas concessionárias de carros zero-quilômetro e nas revendedoras de automóveis usados só se fala em uma coisa: descontos.

É a forma que elas encontraram, juntamente com as montadoras que fabricam no país, de reagir à forte concorrência que enfrentam dos carros chineses, principalmente os eletrificados, que seduzem brasileiros com preços competitivos, tecnologia e a promessa de economia com baterias no lugar do motor a gasolina ou etanol.

O Brasil praticamente dobrou a importação de automóveis da China no primeiro semestre deste ano. Foram 140,8 mil emplacamentos — contra 71 mil no mesmo período de 2025 — de veículos vindos do país asiático, segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas de montadoras chinesas que fabricam no Brasil, como GWM e BYD, dispararam na mesma proporção.

As montadoras tradicionais reagiram cortando preços e estão provocando um efeito dominó nas tabelas de automóveis novos e usados no país, abrindo uma oportunidade para os consumidores em um setor que esteve em alta nos últimos anos.

 

Bônus de até R$ 40 mil na troca por um novo

As concessionárias ampliaram descontos neste mês e passaram a oferecer bônus generosos na troca de usados por modelos zero-quilômetro

A Toyota, por exemplo, oferece bônus de até R$ 40 mil na troca de um usado por alguns de seus carros zero. No caso do Yaris Cross XR, um modelo novo cujo preço caiu de R$ 149.990 para R$ 139.900 neste mês, esse bônus é de R$ 10 mil. Na prática, quem tem um carro avaliado em R$ 20 mil, por exemplo, pode ter R$ 30 mil de crédito na compra do novo, que sai por R$ 109.900.

 A marca japonesa, que tem fábricas em Minas e São Paulo, admite, em nota, que resolveu oferecer “condições competitivas” aos clientes em resposta à “entrada de novos competidores, somada às transformações relacionadas à eletrificação, conectividade e digitalização, além de novas expectativas em relação à mobilidade”.

Outras montadoras seguem essa trilha. A Honda tem bônus de até R$ 15 mil na troca de um usado, mas não informou a motivação. A Volkswagen cortou em cerca de R$ 10 mil o preço do T-Cross e informou que iniciou o seu “Feirão dos Feirões Volks Vale+”.

 Já a Fiat, da Stellantis, além de bônus na troca, cortou o preço do Fastback Impetus Turbo de R$ 173.490 para R$ 134.990. A montadora diz que é parte das comemorações dos 50 anos da marca italiana no Brasil, mas destacou que está “sempre atenta às variações no cenário” para definir preços.

 

 

Nas revendedoras de usados, tabelas cortadas

Os descontos nas concessionárias de carros zero está forçando movimento similar nas lojas de seminovos, como são chamados os carros com até três anos de uso e baixa quilometragem. Com os preços dos novos se aproximando de suas tabelas, as revendedoras começaram a perder clientes e encher pátios e também aderiram à temporada de descontos.

 Em lojas percorridas pelo GLOBO no Rio na semana passada, há muitos modelos, principalmente os SUVs, à venda abaixo da Tabela Fipe, que aponta o valor médio de mercado dos usados.

 

Efeito dominó chega aos usados

Geraldo Victorazzo, vice-presidente Comercial e de Marketing da Auto Avaliar, explica que o mercado de automóveis funciona em cadeia: quando os preços dos carros novos caem, os de seminovos e usados seguem a tendência:

— Se a referência do carro usado é o carro novo, quando o zero reduz o preço, naturalmente o usado também tem regressão mais forte. A proposta de valor dos chineses, com carros novos com tecnologia embarcada e garantia alongada, fez todo o mercado se reposicionar para baixo. E trouxe depreciação mais aguda para os usados, diferentemente do que acontecia há três anos.

 

Nas lojas de usados do Boulevard Shopping Car, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, pátios estão cheios e há poucos clientes fechando negócio. Empresários e vendedores logo mencionam um crescente interesse por modelos elétricos chineses, mas também citam os juros altos, que dificultam vendas parceladas, principalmente de SUVs.

A consultora de vendas Heloísa Rodrigues, que atua numa das lojas, avalia que, nessa faixa, muita gente fica tentada a pagar um pouco mais para experimentar um eletrificado chinês:

— Os SUVs são muito procurados, é o carro da moda, né? Mas estão acima de R$ 100 mil. O momento das vendas é difícil principalmente porque os carros elétricos entram com preços muito baixos.

Há 11 anos no setor, o vendedor Thyago Damázio vê uma mudança drástica em pouco tempo. Ele diz que carros até R$ 80 mil ainda saem, mas, para manter o giro acima dessa faixa, só com descontos. Ele mostra um T-Cross 2026, com apenas 600 quilômetros rodados, parado ali há dois meses.

— Antigamente eu vendia sete ou oito carros em um sábado. Hoje, se vender essa quantidade em um mês, agradeço a Deus. O mercado nunca esteve tão ruim — afirma.

Marcelo Pinheiro, dono da Lumar Automóveis, também no Boulevard, tem ali um Corolla Cross, um Nissan Kicks e um HR-V há quatro meses. Para evitar mais carros acumulando poeira, ele resolveu sacrificar parte da margem de lucro e aplicou descontos de até R$ 12 mil, mas não está fácil:

 

— Mesmo assim não aparece comprador. Se surgir proposta mais baixa, vou aceitar.

Naquela região da Intendente Magalhães, a queda do movimento já fechou alguns estabelecimentos. Ivan Sousa, gerente de uma loja que ainda resiste, conta que foi obrigado a reduzir o quadro de funcionários:

— Não tem como manter uma estrutura se os carros não vendem. O vendedor precisa comercializar pelo menos dois veículos por mês para ter uma renda mínima, e muitas vezes nem isso está conseguindo.

Damázio acrescenta que os descontos para aquecer as vendas acabam reduzindo a comissão dos vendedores. Ele conta que já chegou a somar ganhos de R$ 14 mil em um mês, mas ultimamente tem feito menos da metade.

O governo acena com uma ajuda: incluiu no Move Brasil, na semana passada, seminovos elétricos e híbridos flex produzidos a partir de 2024 no valor de até R$ 150 mil.

Para J.R. Caporal, CEO da Auto Avaliar e Megadealer, a medida pode ajudar a resolver outro fator que tem freado a venda de automóveis no país: o acesso ao crédito e os juros muito altos. Ele avalia que os descontos também devem favorecer prestações mais acessíveis aos consumidores e revitalizar o mercado.

 

Bom para o consumidor

Para o motorista que quer vender seu carro, o momento não é o melhor. As revendedoras estão reduzindo as avaliações para preservar margens de lucro e compensar os descontos. Já para quem está disposto a comprar, a maré é favorável.

O servidor público Sérgio Machado, de 66 anos, que teve o carro furtado em junho, percorreu na semana passada lojas da Avenida Intendente Magalhães, que concentra revendedoras na Zona Norte do Rio, e saiu com um Cobalt 2017 automático por R$ 56 mil:

— Achei um que coube no meu orçamento. Um zero está fora da minha realidade.

 

Ofensiva chinesa preocupa

As tradicionais produtoras de automóveis no Brasil evitam mencionar diretamente os carros chineses, mas estão preocupadas com eles. A Anfavea, que reúne essas montadoras, tem demandado maior proteção do governo. Além do aumento dos desembarques de veículos chineses, marcas do país asiático investem na produção no Brasil.

A BYD tem crescido com a montagem, na Bahia, de veículos pré-fabricados vindos da China com cotas de importação recentemente prorrogadas pelo governo, a contragosto da Anfavea. A montadora chinesa encerrou o primeiro semestre com alta de 107% nos emplacamentos no Brasil. Foram 99.029, perto do que registrou em todo o ano passado (112.814). Em quatro anos, soma 300 mil carros eletrificados vendidos no país.

Já a GWM, instalada no interior paulista, vendeu nos seis primeiros meses deste ano 35.218 unidades, entre carros e comerciais leves, mais que o dobro da soma no primeiro semestre de 2025: 15.259.

Procuradas, BYD, GWM e Anfavea não quiseram falar sobre o assunto. A Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto) e a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) não responderam.

Com preços a partir de R$ 110 mil, tecnologia e design arrojados e a promessa de economia com baterias elétricas, os modelos chineses atraem, por exemplo, motoristas de aplicativos e taxistas. O programa especial de crédito oferecido pelo governo para as categorias, o Move Brasil, contempla híbridos e elétricos até R$ 150 mil.

— Hoje você tem um veículo chinês de maior porte competindo com um modelo menor fabricado no Brasil. Esses carros chegam mostrando suas qualidades e dizendo ao mercado: “Eu também sou uma boa opção, tenho um preço extremamente competitivo. Cabe a você decidir se quer experimentar esse carro ou não” — avalia Milad Neto, sócio e diretor-executivo da K.Lume Consultoria Automobilística.

 

Invasão chinesa não é só no Brasil

A enxurrada de carros chineses não é uma particularidade do Brasil. A reorganização da indústria automotiva da China na propulsão elétrica elevou a produção daquele país com intensa competição entre as montadoras, que conseguiram baixar muito o custo com a verticalização de cadeias produtivas como a de componentes, explica Antônio Jorge Martins, professor de cursos automotivos da FGV.

Para evitar a concorrência predatória, o governo chinês passou a estimular a exportação para outros países, como o Brasil

Segundo dados recentes do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), os carros eletrificados já representam 15% das vendas da China ao Brasil. Entre janeiro e junho deste ano, as importações brasileiras de híbridos plug-in daquele país dobraram, alcançando US$ 2,79 bilhões, enquanto as de elétricos quase quadruplicaram, chegando a cerca de US$ 2 bilhões.

Os híbridos, que ocupavam a 25ª posição na pauta de importações da China na primeira metade de 2025, passaram para o sexto lugar neste ano, com alta de 239% no valor importado.

— Hoje há muitas fabricantes de veículos elétricos na China. Isso significa que elas precisam vender fora do mercado chinês para manter a rentabilidade. Aos poucos, vemos um número cada vez maior de empresas chinesas atuando em outros mercados justamente por essa necessidade de ampliar a lucratividade — afirma Martins, da FGV.

 

Montadoras disputam apoio do governo

Enquanto mercados importantes como a Europa e os EUA levantam barreiras tarifárias aos carros da China, as montadoras representadas pela Anfavea demandam o mesmo do governo brasileiro. No entanto, as fabricantes chinesas que estão se instalando no Brasil também têm se mostrado influentes para colher benefícios fiscais.

No último round dessa disputa, a BYD levou a melhor. Contrariando a Anfavea e atendendo demanda da montadora chinesa, o governo aprovou cotas adicionais de importação com alíquota zero para veículos CKD (totalmente desmontados) e SKD (semidesmontados), a partir de 1º de julho de 2026, pelo prazo de seis meses, em um limite total de US$ 463 milhões. 

Diante desse cenário, observa Milad Neto, resta às montadoras tradicionais adotar estratégias de preço para preservar sua competitividade e recuperar terreno:

— Se deixar como está, o estoque aumenta e as vendas não acontecem. Não dá para manter o mesmo nível de preços quando o carro chinês entrega mais. A saída é reduzir os preços. É uma verdadeira guerra de preços e isso escancara o problema de competitividade da indústria nacional diante dos veículos chineses.

 

Vendas em alta

Com as promoções, a Anfavea revisou para cima sua projeção de vendas de veículos no Brasil neste ano. Espera superar 3 milhões de unidades, marca que não é alcançada desde 2014, com crescimento de 11,7% em relação a 2025. A produção nacional, por sua vez, deve chegar a cerca de 2,8 milhões de veículos, alta de 5,8% sobre o ano passado, o melhor desempenho desde 2019.

Apesar do desempenho positivo do mercado interno, o presidente da entidade, Igor Calvet, demonstrou preocupação com o avanço dos eletrificados importados, embora sem citar diretamente a China, no comunicado que acompanhou os números, no mês passado. Sem a concorrência chinesa, ele avalia que a indústria nacional teria resultados ainda melhores.

“Lamentamos muito que parte dessa recuperação venha sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial ou pela produção de eletrificados em SKD isenta de Imposto de Importação, algo que vem se provando desnecessário e fora de propósito, dado o bom desempenho dos veículos eletrificados no mercado”, afirmou o executivo, referindo-se aos kits pré-fabricados na China usados, por exemplo, pela BYD.

 

 

 

 

 

 

Por - O Globo