Câncer: estudo alerta para riscos de melanoma fora da pele

Nem todo melanoma está relacionado ao câncer de pele, esclarece a Fundação do Câncer. Com origem nas células produtoras de melanina (melanócitos), o melanoma também pode se manifestar nas estruturas extracutâneas (extrapele), como no olho; em mucosas, como as da cavidade oral; e órgãos internos dos sistemas genital e digestório.

Esse tipo de neoplasia maligna é menos frequente, porém mais agressivo e letal porque tem maior possibilidade de provocar metástase e, com isso, se espalhar para tecidos e órgãos vizinhos.

A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançado pela fundação nesse mês, foca no estudo do melanoma de pele e extracutâneo. Com o título Melanoma: nem sempre na pele, a publicação destaca que conhecer este tipo de câncer é o primeiro passo para enfrentá-lo.

“Para enfrentar o câncer, não basta tratar. É preciso conhecer. Conhecer para prevenir, diagnosticar mais cedo, planejar melhor os serviços de saúde e orientar políticas públicas capazes de salvar vidas”, diz o boletim.

Anualmente, as edições do boletim da Fundação do Câncer mostram um retrato epidemiológico da doença no Brasil e têm o objetivo de alertar a sociedade e orientar profissionais sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do combate ao câncer.

Os dados do boletim são da plataforma info.oncollect, sistema que integra a coleta, a organização e a análise de dados relativos a registros hospitalares de oncologia.

Enfrentando o melanoma

09/09/2026 - Estudo da Fundação do Câncer destaca que melanoma nem sempre é na pele - Na foto Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo. Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação
Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo - Foto: Hugo Vilarroel/ Divulgação

O estudo mostra também que o enfrentamento do melanoma de pele e extrapele no Brasil requer prevenção, diagnóstico precoce, qualificação dos registros, acesso oportuno ao tratamento e articulação entre atenção básica, dermatologia, oftalmologia, oncologia e demais especialidades médicas, como destaca o consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff.

“Controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível, iniciar o tratamento da forma mais oportuna para que as pessoas se tratem e se curem do câncer. O câncer é uma doença que tem cura quando diagnosticado e tratado precocemente”, destaca.

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o padrão do tratamento do melanoma é a cirurgia da lesão primária e a remoção dos linfonodos (gânglios linfáticos) envolvidos.

A partir dessas terapias, no Brasil, entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o principal tratamento inicial para o melanoma de pele em todas as regiões do país, representando 84,7% de todos os procedimentos registrados.

A Região Sudeste lidera a realização de cirurgias como primeiro tratamento deste tipo de câncer, com 89,6% dos casos, enquanto o Norte apresentou o menor percentual (64,4%).

Quanto ao deslocamento entre localidades para tratamento oncológico, os pesquisadores observaram que a maior parte dos pacientes realizou o tratamento na própria região de residência. Exceto no Centro-Oeste, onde foi observada a maior necessidade de deslocamento para o tratamento oncológico (20,2%). Segundo a Fundação do Câncer, esse é um sinal de “um importante gargalo de acesso à assistência especializada.”

Outros tratamentos

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) destaca que a quimioterapia é amplamente adotada no tratamento de melanomas.

Adicionalmente, em 2016, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no Brasil o uso dos medicamentos da classe chamada de anti-PD-1: nivolumabe, pembrolizumabe; e mais recentemente, o tebentafuspe (específico para melanoma ocular metastático/inoperável).

Em 2020, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) aprovou a primeira imunoterapia no SUS para o tratamento do melanoma metastático, com dois agentes anti-PD1 (nivolumabe e pembrolizumabe).

O consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, Alfredo Scaff, ressalta que a chegada dos medicamentos de ponta aumentou a taxa de resposta aos tratamentos oncológicos, elevando expressivamente a sobrevida de pacientes com melanoma avançado ou em fase metastática.

“Isso é um marco, já que a resposta clínica, ou seja, a melhora dos pacientes saltou de menos de 10% dos pacientes em quimioterapia para até 70% de melhora clínica dos pacientes em imunoterapia. Isso é revolucionário”, comemorou.

Porém, o coordenador de Assistência do Inca, Gélcio Mendes, aponta que, em relação ao tratamento do melanoma extracutâneo, as evidências para uso de imunoterapia são escassas. “Muitas sem nenhuma efetividade”, disse.

São Paulo (SP), 09/09/2026. - O coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Gélcio Mendes. Foto: Carlos Leite/INCA
O coordenador de Assistência do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Gélcio Mendes - Foto: Carlos Leite/Inca

O Inca explica que novas tecnologias no tratamento de neoplasias costumam somar-se às terapias antigas eficazes, e não substituí-las.

“É importante levar em conta a magnitude do benefício atingido nos estudos [eficácia], o desempenho dessa tecnologia no mundo real [efetividade], a relação entre custos e benefícios [custo-efetividade, eficiência], e a capacidade de financiamento, dados os custos elevados de aquisição e implantação. Outro aspecto é a estrutura do sistema para a incorporação de tecnologias dependentes de estruturas mais complexas”, acrescentou Mendes.

O entrave do custo

Mesmo com os avanços, os especialistas apontam que o alto custo desses medicamentos continua sendo uma grande barreira para que os pacientes dependentes do SUS tenham acesso à imunoterapia em tempo hábil.

Segundo Alfredo Scaff, a superação desse gargalo financeiro passa pela possibilidade da compra centralizada dos insumos por parte do Ministério da Saúde e órgãos ligados à pasta, articulada a uma política de industrialização da saúde com o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), com o objetivo final de conseguir produtos com valores mais acessíveis junto ao mercado farmacêutico.

“Usando o poder de compra do SUS para poder negociar preços e ampliar a produção nacional consegue-se baixar muito o custo desses medicamentos e ter a garantia da produção nacional”, disse o consultor da Fundação do Câncer.

O coordenador de Assistência do Inca admite o alto custo dessa terapia, que, por isso, é limitada a poucos pacientes do SUS. Gélcio Mendes explicou que, atualmente, encontram-se em tramitação as modificações no marco legal (portarias) que preveem a ampliação do programa de Assistência Farmacêutica em Oncologia no SUS (AF-Onco), e um dos focos é o acesso a esses agentes.

“Com a nova política de medicamentos oncológicos, expressa pelas portarias da Assistência Farmacêutica em Oncologia [AF-Onco], espera-se dar acesso aos pacientes com melanoma metastático à imunoterapia, dentro dos parâmetros aprovados e pactuados pela Conitec, assim como de diversas outras tecnologias.”

Alfredo Scaff ressaltou que, embora a legislação represente um avanço formal, o fluxo logístico para a distribuição dos remédios de alta tecnologia até a ponta do sistema de saúde ainda está sendo discutido e remodelada pelo Ministério da Saúde.

“Todos esses mecanismos práticos de como vão se dar essa compra e o repasse aos hospitais ainda dependem de pactuação entre gestores. É esse processo que nós estamos acompanhando e que ainda está em construção”, explicou o coordenador do estudo.

O repasse efetivo desses medicamentos às unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Unacons) e aos centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacons) permanece sob negociação intergovernamental, segundo Scaff.

Dados do estudo sobre melanoma extrapele

Estudo epidemiológico com registros hospitalares no Brasil com avaliação de 42.255 casos aponta que 92,2% eram melanomas cutâneos; 5,7%, oculares e 2,5%, de mucosa.

Entre 1990 e 2021, considerando apenas os melanomas extrapele, foram registrados 1.324 novos casos no país, sendo 523 ocorrências em homens e 801, em mulheres.

O olho foi a principal localização primária (75%) dos casos extracutâneos, seguido pelos órgãos genitais (12,8%) e do sistema digestório (8,2%).

Nos 993 casos analisados de melanoma ocular, 447 (45%) foram em homens e 546 (55%), em mulheres.

Diante dos números, a Fundação do Câncer alerta que, diferentemente do melanoma cutâneo, o ocular pode permanecer assintomático nas fases iniciais e passar despercebido, sendo identificado apenas em exames de rotina.

Os sintomas são inespecíficos e, por isso, podem retardar o diagnóstico. São eles: visão embaçada, flashes luminosos, manchas no campo visual e perda visual. Por isso, o estudo alerta para necessidade do diagnóstico precoce.

Melanoma de pele

A exposição à radiação ultravioleta (UV) é o principal fator de risco para todos os tipos de câncer de pele. O risco varia conforme o tipo de pele, sendo maior em indivíduos de pele clara, e depende da intensidade e do padrão de exposição solar.

Embora o câncer de pele seja a neoplasia maligna mais frequente no Brasil, o melanoma de pele representa apenas 4% dos tumores malignos desse órgão. Mesmo sendo menos frequente, esse tipo de tumor apresenta maior agressividade e potencial de disseminação.

Entre 1990 a 2021, a última edição do boletim info.oncollect da Fundação do Câncer também registrou 30.614 casos novos de melanoma de pele no Brasil, sendo mais frequentes em mulheres (15.714 ou 51,3% das ocorrências). Os dados indicam que 14,9 mil casos (48,7%) foram em pacientes homens.

No período analisado, os maiores percentuais ocorreram no tronco (22,4%), membros inferiores (19,1%) e membros superiores (13,8%). A entidade destaca que os homens apresentaram mais diagnósticos de melanoma na orelha, couro cabeludo, pescoço e tronco. Já as mulheres apresentaram mais diagnósticos de melanoma na face, membros inferiores e superiores, nesta ordem.

Mortalidade

Com relação à mortalidade no Brasil, o Inca registrou, em 2023, 2.047 mortes por melanoma de pele. Entre os homens, foram registrados 1.176 óbitos (1,14 por 100 mil homens) e, entre as mulheres, 871 (0,8 por 100 mil mulheres).

A taxa média para o período de 2020 a 2024 foi de seis óbitos a cada 1 milhão de habitantes no Brasil, com maiores registros entre homens (oito óbitos por 1 milhão) do que entre mulheres (cinco óbitos por 1 milhão).

Por região

A análise epidemiológica dos dados sobre melanoma cutâneo revela que as regiões com menor incidência e mortalidade apresentam uma maior letalidade, como é o caso do Norte do país. A Fundação do Câncer sugere que a situação se deve ao diagnóstico tardio e a barreiras de acesso à assistência especializada.

O Sul apresentou as maiores taxas de incidência do tumor de melanoma na pele, com 44,40 casos por 1 milhão — mais que o dobro da média nacional (19,20). No Sul, o melanoma de pele ocupa a sétima posição em incidência de cânceres em mulheres e a nona em homens.

Incidência estimada

O Inca projeta para este ano 9.360 novos casos de câncer de pele melanoma no Brasil. São esperados 19,2 casos novos a cada 1 milhão de habitantes, sendo o maior risco entre os homens (23,8 casos por 1 milhão) em comparação às mulheres (17,3 casos por 1 milhão).

Os números integram as últimas estimativas do instituto referentes ao triênio 2026/2028. Essas estimativas orientam o planejamento de políticas públicas e ações no SUS para o setor.

O estudo completo da Fundação do Câncer pode ser consultado neste link.

 

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

 

 

 

Caixa muda horário do sorteio da Lotofácil da Independência

A Caixa anunciou mudança no horário do sorteio especial da Lotofácil da Independência nesta terça-feira (15). O sorteio será realizado às 21h. Inicialmente, estava previsto para 11h. O prêmio é estimado em R$ 300 milhões. 

Com isso, as apostas poderão ser feitas até as 18h desta terça-feira (15) nas lotéricas. Pelo aplicativo Loterias Caixa e pelo portal Loterias Caixa, as vendas de cotas de bolão seguirão até as 20h

Para participar, é possível escolher de 15 a 20 números entre os 25 disponíveis. A aposta simples custa R$ 3,50.

Caso não haja ganhador na faixa principal, com 15 acertos, o prêmio será distribuído entre os acertadores da faixa seguinte.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Flávio e PL lideram uso indevido de IA, diz observatório

Um levantamento feito pelo Observatório IA nas eleições, desenvolvido pela Data Privacy Brasil e pelo Aláfia Lab, identificou que quase dois em cada três conteúdos políticos feito por inteligência artificial em publicações nas redes sociais, entre 1º de janeiro e 16 de agosto de 2026, não sinalizou o uso da tecnologia, o que é proibido pela Justiça Eleitoral.

Além disso, do total de 413 conteúdos analisados, 250, cerca de 60%, foram classificados como sátira, com o objetivo de ridicularizar algum político.

Outros 163, cerca de 40%, foram classificados como desinformação.

"O dado levanta a preocupação dos conteúdos estarem sendo compartilhados sem o cuidado de informar ao público o uso da tecnologia seja por parte das contas que o publicam, como também das próprias plataformas digitais, que, apesar de disponibilizarem os recursos de rotulagem, possivelmente não estão moderando devidamente os conteúdos sintéticos", aponta o observatório.

Publicações

A maior parte dos conteúdos de desinformação ou não sinalizados como tendo sido criados por inteligência artificial foram publicados por usuários anônimos.

Já entre os candidatos que publicaram esse tipo de mensagem, o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) lidera a lista. Ele compartilhou 13 conteúdos.

O deputado federal Mário Frias (PL-SP) vem em seguida com 10 publicações.

O ex-governador Romeu Zema e candidato a presidente pelo Novo publicou cinco, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL- RJ), três; e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), três.

Entre os partidos, o PL foi o maior propagador de mensagens feitas com inteligência artificial de forma indevida, com 28 publicações. O PT compartilhou quatro mensagens e o PSDB, duas mensagens.

Alvos

A maior parte dos casos identificados de uso de inteligência artificial (81%) manipularam imagens ou a voz de pessoas públicas, técnica classificada como deepfake. O principal alvo foi o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que teve imagem ou voz modificada de forma pejorativa em 112 publicações.

Flávio Bolsonaro foi alvo de 57 manipulações.

O que é deepfake

Deepfake é um conteúdo sintético produzido ou manipulado por inteligência artificial ou tecnologia equivalente, que apresente grau de realismo e reproduza ou altere a imagem, voz ou manifestação de pessoa viva, falecida ou fictícia.

O TSE proibiu o uso de deepfake nas eleições quando o conteúdo for caracterizado como propaganda eleitoral.

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Por - Agência Brasil
STF faz nesta manhã sessão que analisará conversas de Moraes e Vorcaro

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar na manhã desta terça-feira (15) se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado pela suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A sessão está marcada para às 10h e será transmitida pela TV Justiça e pela internet.

O plenário da Corte foi acionado pelo ministro André Mendonça, antigo relator do caso Master, após a apuração da Polícia Federal (PF) identificar que Vorcaro entrou em contato com um número de celular atribuído ao ministro.

As mensagens foram captadas pela PF a partir da quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro, que está preso pelas investigações da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras no Master e a tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), banco público ligado ao Governo do Distrito Federal (GDF). 

Rito 

De acordo com o procedimento definido pelo presidente do STF e novo relator do caso, ministro Edson Fachin, a sessão será aberta às 10h.

Em seguida, a secretária da sessão fará a leitura da ata da sessão anterior da Corte, e Fachin vai fazer as saudações de praxe a todos os ministros.

O ministro chamará o processo para julgamento e fará a leitura do relatório do caso. 

Depois, a palavra será dada à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Após a manifestação da procuradoria, a votação será iniciada.

O STF não confirmou se Alexandre de Moraes poderá participar da sessão. 

O plenário também é composto pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

A participação de Dias Toffoli também não está confirmada. No início deste ano, Toffoli declarou-se impedido de participar de julgamentos sobre o caso Master após a imprensa revelar que o ministro é dono de um resort que foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao banco.

O rito previsto pode ser interrompido por uma questão de ordem, que poderá ser suscitada por qualquer ministro.

Além disso, poderá ocorrer um pedido de vista para suspender a deliberação.

Entenda

O caso veio à tona no dia 1° de setembro, quando André Mendonça, antigo relator, retirou o sigilo do caso e encaminhou as conversas para Fachin.

Conforme a Constituição e o Regimento Interno do STF, cabe ao plenário da Corte julgar membros do tribunal.

A investigação aponta que Vorcaro trocou cerca de 50 mensagens com número atribuído ao ministro antes de ser preso, em 17 de novembro do ano passado.

Moraes não é relator do caso Master no STF, mas passou a ter contato com Vorcaro após o escritório de advocacia Barci de Moraes, que pertence à família do ministro, prestar serviços ao banco.

No dia 15 de novembro de 2025, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações da PF, que ainda estavam em tramitação na primeira instância da Justiça Federal em Brasília, e citou os nomes do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

Na mensagem, o ex-banqueiro escreveu: "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?", afirmou.

Apesar da citação, não há indícios de que Gonet e Andrei tenham interferido nas investigações.

No dia seguinte, Vorcaro cita o juiz Ricardo Leite, antigo relator das investigações na Justiça Federal, e sinaliza que poderia ser alvo de um mandado de prisão.

"Você acha que tem chance de isso acontecer amanhã de manhã?", questionou o ex-banqueiro.

No dia 17 de novembro, Vorcaro foi preso por determinação do magistrado Ricardo Leite. Meses depois, o caso foi enviado ao Supremo. 

Outro lado

Desde o início da divulgação das conversas, o ministro Alexandre de Moraes não se pronunciou especificamente sobre o conteúdo das mensagens.

Após o envio das conversas para Fachin, Moraes incluiu Mendonça no inquérito das fake news e o acusou de direcionar a investigação contra ele por “motivos políticos”. Em seguida, a inclusão foi desfeita por Fachin. 

PGR

Durante a tramitação do feito, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também foi citado nas mensagens, defendeu a anulação do relatório da PF que encontrou as conversas.

Na manifestação enviada à Corte, Gonet disse que André Mendonça investigou Moraes ilegalmente ao determinar o aprofundamento da investigação sobre o caso Master para esmiuçar as conversas envolvendo o ministro e o ex-banqueiro.

No entendimento do procurador, o aprofundamento da apuração só poderia ocorrer após autorização do plenário da Corte.

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

STF define rito de sessão que analisará conversas de Moraes e Vorcaro

O Supremo Tribunal Federal (STF) divulgou há pouco o rito que será adotado durante a sessão desta terça-feira (15), que vai analisar o relatório da Polícia Federal sobre as conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com o procedimento definido pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, a sessão será aberta às 10h.

Em seguida, a secretária da sessão fará a leitura da ata da sessão anterior da Corte, e Fachin vai realizar as saudações de praxe a todos os ministros.

O ministro então chamará o processo para julgamento e fará a leitura do relatório. O caso chegou a Fachin após Mendonça informar sobre possíveis conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro.

Depois, a palavra será dada à Procuradoria-Geral da República (PGR). Após a manifestação da procuradoria, a votação será iniciada.

O STF não confirmou se Alexandre de Moraes poderá participar da sessão.

O plenário também é composto pelos ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino, Nunes Marques, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.

A participação de Dias Toffoli também não está confirmada. No início deste ano, Toffoli se declarou impedido de participar de julgamentos sobre o caso Master após a imprensa revelar que o ministro é dono de um resort que foi comprado por um fundo de investimentos ligado ao banco.

Mais cedo, o STF confirmou que a sessão da Corte terá transmissão ao vivo pela TV Justiça e pela internet.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Estados e municípios têm limite de crédito para 2026 ampliado

Os estados, o Distrito Federal e os municípios poderão contratar mais operações de crédito em 2026. Em reunião extraordinária, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aumentou em R$ 2 bilhões o limite global anual de crédito autorizado pelo órgão, que passa de R$ 26,625 bilhões para R$ 28,625 bilhões.

Na prática, a medida cria mais espaço para que governos estaduais e municipais contratem empréstimos para financiar projetos e investimentos dentro das regras fiscais estabelecidas para 2026. As operações podem ter ou não garantia da União.

De onde vem

O aumento não representa uma nova despesa federal. O espaço foi obtido a partir de um levantamento da Secretaria do Tesouro Nacional com entes que participam de programas de ajuste fiscal.

O levantamento identificou cerca de R$ 7,87 bilhões em espaço fiscal que não tinham previsão de utilização até o fim de 2026.

Desse total:

  • R$ 3 bilhões haviam sido remanejados anteriormente;
  • R$ 4,87 bilhões permaneciam disponíveis;
  • Agora, R$ 2 bilhões desse saldo foram destinados aos novos limites de crédito.

Segundo o CMN, o remanejamento ocorreu porque os limites para crédito dos governos subnacionais estavam próximos do esgotamento.

Novos limites

A resolução aumenta dois sublimites específicos. Sublimite é, nesse caso, uma parcela do limite total reservada para determinado tipo de operação.

Os valores passam a ser:

  • Com garantia da União: de R$ 7 bilhões para R$ 8,5 bilhões;
  • Sem garantia da União: de R$ 6 bilhões para R$ 6,5 bilhões.

Assim, os dois grupos somam R$ 15 bilhões em limites para estados, Distrito Federal e municípios.

A garantia da União significa que o governo federal assume determinadas obrigações caso o ente público não honre a dívida, o que pode reduzir o risco da operação e facilitar a obtenção do crédito.

Outros limites

A decisão não altera os demais sublimites previstos pelo CMN. Permanecem os seguintes valores:

  • Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC): R$ 2,8 bilhões com garantia da União e R$ 2,2 bilhões sem garantia;
  • Correios: R$ 8 bilhões;
  • Órgãos e entidades da União: R$ 625 milhões.

A resolução entra em vigor na data de sua publicação.

O que é CMN

O Conselho Monetário Nacional é o órgão responsável por formular diretrizes gerais das políticas monetária, creditícia e cambial do país.

Presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, o colegiado também é composto pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

IBGE acionará PF e AGU contra fake news sobre pesquisa de saúde

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou nesta segunda-feira (14) que acionará a Polícia Federal e a Advocacia-Geral da União (AGU) para investigar a divulgação de fake news na internet sobre a Pesquisa Nacional de Saúde (PMS 2026).

O IBGE identificou um movimento espalhando informações falsas nas redes sociais, sugerindo que o levantamento serviria para montar "um banco de DNA estatal", o que o órgão repudia.

Em nota, o instituto explicou que a pesquisa faz coleta de sangue e urina para exames "exclusivamente para os objetivos de pesquisa". Informou ainda que os materiais "serão descartados ao final". Com a coleta, investiga, por exemplo, níveis de glicose, colesterol e creatinina na população.

Segundo o órgão de estatística, a desinformação que circulou nas redes, nos últimos dias, impacta a operação de coleta em todo o país e, "por isso, os responsáveis precisam ser identificados", defendeu o IBGE, justificando o acionando dos órgãos federais.

Terceira edição

Ao informar que o material biológico é utilizado somente para produzir indicadores de saúde, o IBGE explicou ainda que a pesquisa é realizada em parceria com o Ministério da Saúde e busca contribuir para ações de planejamento de ações de prevenção, serviços e campanhas de vacinação, além da promoção de alimentação saudável.

Esta é a terceira edição da Pesquisa Nacional de Saúde. O levantamento começou em julho e pretende visitar 140 mil domicílios para coletar informações sobre hábitos de vida e acesso a serviços de saúde.

Os agentes também irão medir peso, aferir a pressão arterial e conferir a altura de alguns entrevistados, até o final de novembro.

Segundo o IBGE, a coleta de sangue e de urina por profissionais qualificados vai abranger de 15 mil a 20 mil pessoas, com 35 anos ou mais.

"Quando uma pessoa participa da PNS 2026, ela não responde apenas a uma pesquisa: contribui para que o Brasil conheça melhor sua população e possa planejar, hoje e no futuro, cuidados de saúde alinhados às necessidades dos brasileiros", disse o órgão, na nota.

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

SUS amplia cobertura da vacina Pneumo 20 para maiores de 85 anos

Idosos com 85 anos ou mais já podem se vacinar com a pneumocócica 20 pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante começou a ser distribuído este mês pelo Ministério da Saúde e a meta é vacinar pelo menos 90% do público alvo.

A pneumocócica 20-valente conjugada (pneumo 20) protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, causadora de infecções como pneumonia e meningite. Essas infecções costumam ser mais graves em pessoas idosas, por causa do processo natural de envelhecimento do sistema imunológico. 

Segundo o Ministério da Saúde, em 2025, a taxa de hospitalizações por pneumonia em pessoas com mais de 80 anos foi de 2.902,7 por 100 mil. A taxa de mortalidade foi de 743,1 por 100 mil.

Vacinação em crianças

Em junho deste ano, o SUS já havia incorporado a pneumo 20 no Calendário Nacional de Vacinação para crianças menores de 5 anos. Desde então, mais de 1 milhão de crianças foram imunizadas. 

Serviço

Para vacinar é preciso levar documento de identidade que comprove a idade. Não é necessária prescrição médica.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Greve nos Correios: TST determina manutenção de 80% do efetivo

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou a manutenção de 80% do efetivo de trabalhadores dos Correios durante a greve da categoria.

A decisão foi proferida no último sábado (12) pelo presidente do TST, ministro Vieira de Mello Filho, após a estatal recorrer ao tribunal para garantir o funcionamento mínimo da empresa, que considera a greve abusiva.

O presidente entendeu que o serviço prestado pelos Correios é essencial e que a greve pode impactar nas eleições.

"A atividade essencial desenvolvida pela suscitante se agiganta em face dos compromissos assumidos com entes públicos e privados relacionados ao pleito eleitoral de 2026, cujo período de campanha encontra-se em curso, o que agrava os impactos à sociedade do movimento paredista", afirmou o ministro.

Os trabalhadores dos Correios entraram em greve na quinta-feira (10) e buscam a aprovação do acordo coletivo de trabalho 2025/2026. Os sindicatos da categoria contestam o modelo de restruturação da estatal, que prevê o fechamento de agências, redução de distritos postais. A categoria também afirma que não pode ser responsabilizada pela crise financeira da estatal.

Campanha salarial

O movimento grevista teve início na última quinta-feira (10). Segundo a Federação dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos e das Empresas de Comunicações (Findect), a deflagração aconteceu após as negociações da campanha salarial deste ano terminarem sem acordo.

Segundo a federação, a categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores. Um dos principais pontos do impasse é o plano de saúde, para os trabalhadores, aposentados e suas famílias.

Entregas

Em nota à imprensa, os Correios informaram que acionaram um plano de continuidade de negócios para reduzir os impactos da greve.

"Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico", informou a estatal.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Por que empresas que aceleraram a corrida da IA agora defendem pisar no freio; entenda o que está por trás disso

Executivos de grandes empresas de tecnologia passaram a defender uma pausa no avanço da inteligência artificial para tornar o desenvolvimento da tecnologia mais seguro. O movimento ganhou força após um texto publicado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pela IA Claude.

"Dada a aceleração do desenvolvimento de capacidades de IA, me preocupa que, em 6 a 12 meses, tal enxame possa ser capaz de dominar toda a internet. Se não for controlada, pode ultrapassar nossa capacidade de entender e controlar esses sistemas, e por isso seu desenvolvimento deve avançar com muito cuidado, se é que deve avançar”, escreveu Amodei. 

O discurso também foi defendido por executivos de empresas que concorrem com a Anthropic, como Sam Altman, CEO da OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, Elon Musk, dono do X e da empresa de IA xAI, e Demis Hassabis, presidente do Google DeepMind.

"Concordo com Dario que precisamos marcar o ritmo da fronteira. Esse tem sido um tema principal das discussões que tivemos na OpenAI. Comprometer-se a ter avaliadores independentes com acesso semelhante ao dos funcionários é uma ótima ideia, e faremos o mesmo. Teremos mais para compartilhar em breve", escreveu Sam Altman logo em seguida.

 "Dario está certo", escreveu o trilionário Elon Musk.

Amodei também pediu que auditores independentes acompanhem e verifiquem os padrões de segurança das companhias. Segundo o site de tecnologia "The Information", Anthropic, OpenAI e Google discutiram secretamente a criação de um órgão para estabelecer padrões de segurança em IA.

A defesa por mais cautela também ocorre após uma série de episódios que levantaram preocupações sobre o controle da tecnologia nos últimos meses, incluindo relatos de ataques realizados por IA.

Além disso, na semana passada, um pesquisador que deixou a OpenAI para trabalhar na Anthropic abandonou a indústria de IA e acusou as duas empresas de "brincar com as nossas vidas".

"De fato, os modelos estão ficando cada vez mais capazes de executar tarefas complexas e longas, então a preocupação é legítima. Será que estamos indo rápido demais e os humanos podem eventualmente perder o controle quando milhares de agentes de IA começarem a agir com certo grau de autonomia?", analisa ao g1 Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP.

Para ele, é muito difícil saber o que é legítimo nesse discurso e o que é apenas uma estratégia para proteger o próprio mercado e a indústria.

 "Me parece ser a combinação dos dois, até porque isso ajuda a fortalecer a mística de que esse tipo de tecnologia é inevitável e deve ser desenvolvida por quem se vende como os bonzinhos da história", completa.

 

 

O que está por trás do discurs 

Segundo Cortiz, há outros fatores que ajudam a explicar a preocupação com o ritmo de desenvolvimento da IA:

  • Os Estados Unidos enfrentam um desafio energético para sustentar toda a IA que prometem desenvolver, enquanto o ritmo de construção de data centers está mais lento do que gostariam.
  • O retorno sobre os investimentos está mais lento do que o esperado para justificar novos aportes no setor.
  • Os modelos de IA chineses estão ganhando espaço na adoção global e são mais baratos do que os norte-americanos. Em muitos casos, oferecem capacidade semelhante por um custo bem menor.
  • Propor uma regulação mais dura pode dificultar a entrada de novas empresas no mercado e favorecer as que já estão na liderança, aumentando a concentração do setor.

 

 

Trump critica quem pede cautela

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026. — Foto: Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026. — Foto: Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, comparou, neste domingo (13), os críticos da inteligência artificial a "forças muito negativas" que estão levantando cenários que não vão acontecer. Ele também disse que quer garantir que os EUA continuem na liderança do setor.

 "Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo [...] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam", afirmou Trump.

A China, que disputa com os EUA a liderança no desenvolvimento de IA, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional ao ser usada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país.

 "Forças hostis" abusam de tecnologias generativas de IA para "fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais", escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo.

Em seu texto, Amodei defende uma colaboração entre empresas de "países democráticos" e aconselha "não vender chips de IA potentes ou equipamentos de fabricação de semicondutores para a China".

Ele diz que "as medidas aumentam a influência das democracias e tornam um acordo [com a China] mais provável no futuro".

Nesta segunda-feira, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que o bloco é a favor do desenvolvimento da inovação em IA, mas que as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros.

Já o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, vê como positivo o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos da tecnologia para o futuro da humanidade, afirmou seu porta-voz. Segundo ele, as decisões sobre o tema precisam se basear em evidências.

 

 

 

 

 

POr - G1