O Senado aprovou nesta quarta-feira (27) o projeto de Lei (PL) 1049/2026 que institui a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação (AH/SD), para dar atendimento especializado e desenvolver esses alunos. O projeto passará por análise presidencial para sanção.

A AH/SD é uma condição do neurodesenvolvimento que inclui potencial intelectual e capacidade de aprendizagem elevados.
Pelas regras aprovadas, esses estudantes deverão receber atendimento especializado que pode incluir aceleração de estudos, agrupamentos de estudantes pares ou grupos de interesse, e acesso a programas de enriquecimento, diferenciação ou aprofundamento curricular.
O texto prevê ainda a criação de centros de referência em altas habilidades ou superdotação em colaboração com estados e municípios. Os recursos devem vir do Fundo Social do Pré-sal, de loterias por quota fixa (bets), do salário-educação direcionado ao Fundeb, e d recursos públicos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Subnotificação
Dados do Censo Escolar de 2025 registraram cerca de 56 mil estudantes formalmente identificados com AH/SD. Os números, entretanto podem ser maiores, segundo entidades como a Associação Mensa Internacional.
Para tratar a subidentificação nos censos escolares, o projeto cria um mecanismo de triagem anual de estudantes com instrumentos pedagógicos como o estudo de caso, de caráter exclusivamente pedagógico e indicativo. Ou seja, a triagem não poderá ser usada como laudo, parecer clínico ou comprovação diagnóstica.
Os resultados da triagem educacional terão caráter confidencial para subsidiar o planejamento pedagógico e encaminhamentos subsequentes.
Por - Agência Brasil
Faltando dois dias para o fim do prazo, 17,4% dos contribuintes, cerca de 7,7 milhões de pessoas, ainda não acertaram as contas com o Leão. Até às 18h26 desta quarta-feira (27), a Receita Federal recebeu 36.334.887 Declarações do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 (ano-base 2025).

O número equivale a 82,6% do total de declarações previstas para este ano. Em 2026, o Fisco espera receber 44 milhões de declarações. Tradicionalmente, o ritmo de entrega aumenta nas últimas semanas do prazo.
Segundo a Receita Federal, 59,6% das declarações entregues até agora terão direito a receber restituição, 22,1% terão que pagar Imposto de Renda e 18,4% não têm imposto a pagar nem a receber.
A maioria dos documentos foi preenchida a partir do programa de computador (77,8%), mas 15,6% dos contribuintes recorrem ao preenchimento on-line, que deixa o rascunho da declaração salvo nos computadores do Fisco (nuvem da Receita), e 6,6% declaram pelo aplicativo Meu Imposto de Renda para smartphones e tablets.
Um total de 59,6% dos contribuintes que entregaram o documento à Receita Federal usaram a declaração pré-preenchida, por meio da qual o declarante baixa uma versão preliminar do documento, bastando confirmar as informações ou retificar os dados. A opção de desconto simplificado representa 55,2% dos envios.
O prazo para entregar a declaração começou em 23 de março e termina às 23h59min59s desta sexta-feira, 29 de maio. O programa gerador da declaração está disponível desde 19 de março.
Quem não enviar a declaração no prazo pagará multa de R$ 165,74 ou 1% do imposto devido, prevalecendo o maior valor.
As pessoas físicas que receberam rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584, assim como aquelas que obtiveram receita bruta da atividade rural acima de R$ 177.920, são obrigadas a declarar. As pessoas que receberam até dois salários mínimos mensais em 2025 estão dispensadas de fazer a declaração, salvo se se enquadrarem em outro critério de obrigatoriedade.
Por - Agência Brasil
Os cânceres causados por HPV provocaram cerca de 7,5 mil mortes e 29 mil hospitalizações anuais no Brasil, e 85% dos afetados são mulheres. A maioria desses casos é considerada prevenível, com a identificação das chamadas lesões precursoras, que podem ser tratadas antes que se tornem câncer e, principalmente, com vacinação.

Os dados fazem parte de um estudo publicado na revista científica Human Vaccines & Immunotherapeutics, que analisou dados oficiais do Ministério da Saúde. O objetivo foi identificar as tendências de hospitalização e mortalidade, por isso a análise englobou o período de 2011 a 2019, anterior à pandemia de covid-19, que impactou diversos indicadores de saúde.
De acordo com a líder do estudo, a diretora executiva de Pesquisa de Dados de Mundo Real da farmacêutica MSD, Cintia Parellada, um dos destaques é o alerta a respeito dos diversos tipos de câncer que o HPV pode causar. Para chegar aos resultados, os pesquisadores coletaram todas as ocorrências e estimaram quantas foram causadas pelo vírus, considerando as proporções consolidadas pela literatura médica.
O câncer de colo do útero permanece como a maior preocupação, correspondendo a 74,3% das hospitalizações e 77,3% das mortes ocorridas no período analisado. Mas isso significa que um a cada quatro pacientes desenvolveu a doença em outro local, somando mais de 50 mil hospitalizações.
"O foco no colo do útero pode passar uma falsa percepção de que só a mulher tem que se vacinar. Mas, na verdade, o HPV é responsável por oito tipos de cânceres, que atingem mulheres e homens: colo do útero, vagina, vulva, ânus e pênis, e orofaringe, laringe e cavidade oral, que são os cânceres de cabeça e pescoço", complementa a diretora executiva.
O câncer anal foi o tipo que apresentou maior aumento nas ocorrências, de 3,1% nas hospitalizações e de 10,9% na mortalidade. Homens que fazem sexo com homens e pessoas imunosuprimidas são especialmente vulneráveis.
Cintia também chama a atenção para o fato dos cânceres de cabeça e pescoço acometerem quatro vezes mais homens do que mulheres.
"Nos países que já conseguiram atacar o problema do câncer do colo do útero, o problema do HPV está maior nos homens por causa disso. E nesse tipo de câncer não existe lesão precursora que possas ser tratada. A prevenção é apenas a vacinação", alerta a médica.
O estudo também mostra uma tendência preocupante com relação ao câncer do colo do útero. De 2011 a 2016, as hospitalizações caíram 4,7%, mas, de 2016 a 2019, o movimento foi o inverso, com crescimento de 3,9%. A mortalidade apresentou o mesmo padrão, com queda de 0,7% no primeiro período e alta de 1,5% no segundo.
Outro dado preocupante vem da análise etária. Enquanto todos os outros tipos começam a ter maior incidência a partir dos 40 ou 50 anos, no caso do câncer de colo do útero, as hospitalizações já são expressivas a partir dos 30. A a média de idade das pacientes é de 47 anos, pelo menos dez a menos do que nos outros tipos de câncer. A idade média das pessoas que morreram pela doença também é menor: 56 anos.
"Hoje o câncer do colo do útero é o câncer que mais mata mulheres em idade reprodutiva e é o que tem maior nível de incidência [nessa faixa etária]. A gente sabe que apenas 40% das mulheres fazem o papanicolau de maneira periódica como é recomendado. Então, elas são diagnosticadas quando já têm um tumor invasivo", reforça Cintia.
O papanicolau ou exame preventivo é o procedimento ginecológico que deve ser feito periodicamente para detectar a presença do HPV ou de lesões precursoras no colo uterino, possibilitando que a paciente seja acompanhada com mais cautela ou receba o tratamento, em caso de lesões, evitando que elas evoluam para câncer.
No ano passado, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes para esse exame de rastreamento. Agora, todas as mulheres e outras pessoas com útero, entre 25 e 64 anos, devem fazer o teste DNA-HPV oncogênico, que detecta não somente a presença do vírus, como também identifica de que tipo ele é, já que apenas alguns tem potencial cancerígeno.
Em caso negativo, o exame só precisa ser repetido depois de cinco anos. Em caso positivo, a paciente deve ser encaminhada para outros exames, para confirmar ou descartar lesões ou o câncer já instalado, e realizar o tratamento. As autoridades de saúde acreditam que, com rastreamento organizado, tratamento oportuno e vacinações com alta cobertura, o câncer de colo do útero pode ser eliminado em 20 anos.
Cintia Parellada reforça que apesar dos desfechos agressivos, este é um tipo de câncer que oferece grande oportunidade de prevenção. "Depois que uma pessoa se infecta, ela demora dois anos para ter a lesão precursora. E da lesão precursora até o câncer, esse caminho pode ser de dez anos."
Por outro lado, isso também demonstra a importância da vacinação precoce. "Uma pessoa que começou a atividade sexual com 15 anos, quando ela chega nos 30, já pode ter o câncer do colo do útero", alerta.
A vacina contra o HPV foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2014, e estudos já mostram que ela ajudou a reduzir a incidência de câncer e das lesões precursoras. No entanto, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) projeta que mais de 19 mil novos casos serão diagnosticados por ano no país, durante o período 2026-2028, um aumento de 14% em comparação ao triênio anterior.
A vacina é recomendada a todas as crianças e adolescentes, de 9 a 14 anos, porque sua eficácia é maior se for tomada antes do início da vida sexual. O Ministério da Saúde está com uma campanha vigente de resgate vacinal para todos os jovens de até 19 anos que não foram vacinados na idade correta.
Além disso, também devem receber a vacina: pessoas imunodeprimidas, vítimas de abuso sexual, pessoas com papilomatose respiratória recorrente, usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) e pacientes que já tiveram lesões pré-cancerosas de alto grau. Para outros públicos, a vacina está disponível em serviços privados de saúde.
Por- Agência Brasil
O período para se inscrever no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já está correndo desde a última segunda-feira (25) e este ano conta com uma novidade para os estudantes de escolas públicas: aqueles que estiverem concluindo o Ensino Médio terão suas inscrições realizadas de forma automática. Eles deverão acessar o sistema do Enem, pela Página do Participante, para confirmar sua participação. O prazo segue até o dia 5 de junho.
“Essa é uma novidade muito bem-vinda para nossos alunos”, elogia o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda. “Além de facilitar o processo de inscrição, garante a participação no exame que é uma das principais formas de acesso ao Ensino Superior”, avalia o secretário.
A novidade foi possível graças ao cruzamento de dados das redes de ensino. Assim, os estudantes oriundos de escolas públicas não precisam cumprir com a etapa inicial de cadastro. Com a inscrição pré-preenchida, basta acessar o sistema para confirmar a participação no Enem. O candidato também deverá complementar algumas informações, indicando o município onde deseja realizar as provas, sua opção de língua estrangeira e se necessita de recursos de acessibilidade nos dias e locais de aplicação.
É muito importante que os estudantes se atentem ao período de confirmação e acessem o sistema, para não correrem o risco de perder o exame. Por isso, a Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR) vai reforçar essa necessidade até o fim do prazo, na próxima semana.
“Estamos desenvolvendo ações de engajamento na rede para que os estudantes acessem a plataforma e confirmem suas inscrições”, explica o diretor de Educação, Anderfábio de Oliveira. “É uma mobilização estratégica para que tenhamos uma participação recorde dos alunos da rede estadual do Paraná”, conclui.
ENEM - O Exame Nacional do Ensino Médio avalia o desempenho dos estudantes ao fim da educação básica. Desde 2004, os resultados obtidos podem ser utilizados pelo estudante como forma de ingresso no Ensino Superior, como critério único ou complementar dos processos seletivos. A aplicação das provas está marcada para os dias 8 e 15 de novembro.
Por - AEN
A qualificação contínua das equipes é uma das medidas estratégicas que vêm sendo desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) para reduzir a mortalidade materna e infantil.
Nesse sentido, a atuação da Secretaria combina a organização da Rede de Atenção à Saúde, com o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e adoção de metodologias que qualifiquem o cuidado e ampliem o acesso das gestantes aos serviços essenciais. Essas ações integram um esforço para garantir atendimento seguro, humanizado e resolutivo em todas as fases da gestação, pré-natal, parto, puerpério, e nascimento.
Seguindo nessa linha, no Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna e Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher, celebrados neste 28 de maio, a Sesa destaca mais uma importante medida para fortalecer a assistência e a segurança de mães e bebês no Estado. A implantação do curso ALSO®️ (Advanced Life Support in Obstetric) e SAVO®️ (Suporte Avançado de Vida em Obstetrícia), voltado para a capacitação de 800 profissionais que atuam na Linha de Cuidado Materno Infantil paranaense.
A formação tem investimento de R$ 3 milhões, e conta com carga horária de 18 horas. O principal objetivo é o aperfeiçoamento prático e teórico de médicos e enfermeiros no manejo de complicações críticas da gestação, parto e pós-parto, com foco direto na redução dos índices de óbitos.
Certificado pela American Academy of Family Physicians, o curso é uma das metodologias mais respeitadas globalmente para o desenvolvimento de habilidades em emergências obstétricas. O programa prepara as equipes para agir com agilidade e eficiência frente a quadros de alta gravidade, minimizando riscos para a mãe e para o recém-nascido.
A implementação da capacitação atende à Deliberação nº 149/2025 da Comissão Intergestores Bipartite do Paraná (CIB/PR), que aprovou um conjunto de estratégias prioritárias para o enfrentamento da mortalidade materna e infantil no Estado.
"A maioria das mortes maternas pode ser evitada se houver uma identificação rápida e uma conduta precisa. Estamos dando aos nossos profissionais as melhores ferramentas técnicas existentes para salvar vidas nos hospitais e maternidades do Paraná", afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
Os dados recentes do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e de Nascidos Vivos (Sinasc) mostram que a diligência já reflete nos resultados, que apresentam tendência de queda. A taxa de Mortalidade Infantil no Paraná, que fechou em 10,3 por mil nascidos vivos em 2022, registrou uma queda para 9,9 por mil nascidos vivos em 2026.
Já a mortalidade materna registrou 42 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos em 2022, subiu para 48 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos em 2025 e apresentou recuo para 42,6 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos em 2026. Diante disso, o foco da Sesa é acelerar essa propensão de redução para atingir as metas pactuadas no Plano Estadual de Saúde do Paraná 2024–2027, que prevê reduzir a mortalidade infantil para 9,0 por mil nascidos vivos e a mortalidade materna para 37,0 óbitos para cada 100 mil nascidos vivos.
No Paraná, em 2025, 46% dos óbitos maternos decorreram de causas obstétricas diretas e outros 46% de causas obstétricas indiretas relacionadas à gestação. Entre as causas obstétricas diretas, destacaram-se hemorragias (26,1%), transtornos hipertensivos (26,1%) e embolia de origem obstétrica (8,7%). Já entre as causas obstétricas indiretas, prevalecem as doenças do aparelho circulatório (21,7%), as doenças do aparelho respiratório (8,7%) e outras afecções não especificadas que complicam a gestação, o parto e o puerpério.
Além disso, a análise de dados de Near Miss Materno (mulheres que enfrentaram complicações graves e quase evoluíram para o óbito), revela que 80% dos casos de morbidade materna grave no Estado estão associados às síndromes hipertensivas e às hemorragias.
A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) reforça que o manejo de intercorrências como pré-eclâmpsia, eclâmpsia e hemorragias pós-parto imediatas já é amplamente consolidado pela ciência. Portanto, além de garantir o acesso das mulheres aos serviços de saúde, a eficiência do atendimento depende diretamente de equipes preparadas para aplicar os protocolos corretos no tempo oportuno. “Nós estamos despendendo esforços no sentido de combater os índices de mortalidade materno-infantil. Estamos trabalhando em diferentes frentes para dar apoio e garantias para todas as mães e, essa capacitação reforça a rede de cuidados e de proteção à saúde da mulher, transformando o conhecimento técnico em um escudo essencial para o nascimento seguro em todas as regiões do Estado”, enfatizou a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde da Sesa, Maria Goretti David Lopes.
Por - AEn
Quatro em cada dez idosos que vivem em áreas urbanas relatam medo de cair por causa de defeitos em calçadas, passeios ou vias públicas próximas de suas casas. O receio é maior entre as mulheres cujo índice chega a 50,5%. Entre os homens, o percentual é de 31,9%. 

O temor de sofrer quedas por problemas na infraestrutura urbana varia também conforme a idade: atinge 35,2% das pessoas entre 60 e 69 anos, sobe para 47,1% entre 70 e 79 anos e alcança 63,1% entre aqueles com 80 anos ou mais.
Os dados foram apresentados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) durante a divulgação dos resultados da terceira onda do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos (Elsi-Brasil).
A pesquisa aponta que fatores urbanos e estruturais impactam diretamente a mobilidade, a autonomia e a qualidade de vida na terceira idade, mostrando que envelhecer no país envolve desafios que vão muito além da ausência de doenças.
A coordenadora do Elsi-Brasil, Maria Fernanda Lima-Costa, avalia que os dados reforçam a urgência de políticas públicas voltadas à adaptação das cidades para uma população que está envelhecendo. Segundo a pesquisadora, as prioridades devem incluir acessibilidade, segurança viária, mobilidade e planejamento urbano inclusivo.
A violência urbana também gera insegurança contínua. O estudo mostra que 12,1% dos idosos brasileiros consideram a vizinhança muito insegura. Esse percentual representa aproximadamente 3,8 milhões de pessoas vivendo em contextos marcados pelo medo e pela vulnerabilidade social. A percepção aparece de forma homogênea entre homens e mulheres de diferentes idades, afetando diretamente a saúde mental e a circulação social desse grupo.
Hipertensão
A hipertensão arterial sistêmica segue como uma das condições clínicas mais preocupantes na terceira idade. A pesquisa realizou a aferição domiciliar da pressão arterial e identificou que 34,4% dos idosos apresentam níveis compatíveis com a doença (pressão igual ou superior a 14 por 9). O registro equivale a cerca de 11 milhões de brasileiros que necessitam de acompanhamento médico para prevenir infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVC), insuficiência renal e demência vascular.
A prevalência da hipertensão aumenta progressivamente com o tempo: afeta 31,9% das pessoas entre 60 e 69 anos e chega a 40,1% entre os indivíduos com 80 anos ou mais. Não houve diferenças significativas nos índices entre homens e mulheres. Como a hipertensão frequentemente é assintomática, os pesquisadores destacam a importância do rastreamento regular na atenção primária para evitar o subdiagnóstico e possíveis complicações da doença.
Mobilidade
A perda da capacidade funcional é outro eixo central do relatório. Os resultados apontam que 20,4% dos idosos brasileiros (cerca de 6,5 milhões de pessoas) têm dificuldade para realizar pelo menos uma atividade básica diária, como se vestir, tomar banho, comer, usar o banheiro ou levantar da cama.
A limitação funcional afeta 23,1% das mulheres e 17% dos homens. A progressão por idade avança de 13,9% (entre 60 e 69 anos) para 44,2% (no grupo com 80 anos ou mais).
A rede de apoio a essas pessoas também apresenta fragilidades graves:
- Apenas 37,9% dos idosos com limitações diárias recebem ajuda para suas atividades
- Somente 5,8% dos cuidadores relataram ter recebido algum tipo de treinamento para a função
Esse cenário evidencia a ausência de políticas estruturadas para suporte a cuidadores familiares e aponta para a necessidade urgente de serviços de cuidado de longa duração e apoio domiciliar.
Papel do SUS
Os resultados reafirmam ainda o papel central do Sistema Único de Saúde (SUS) como principal base de cuidado para a população idosa brasileira. Cerca de dois terços das pessoas com 60 anos ou mais dependem exclusivamente do SUS para cuidados de saúde.
A Estratégia Saúde da Família (ESF) atende 69,2% dos idosos brasileiros, o que representa o acompanhamento de 22,2 milhões de pessoas.
A coordenação do estudo afirma que o SUS e a ESF são estruturas essenciais para promover o envelhecimento saudável em um cenário nacional marcado por desigualdades socioeconômicas.
“Os dados reforçam evidências de que o SUS e a ESF constituem estruturas essenciais para a promoção do envelhecimento saudável, especialmente em um país marcado por desigualdades sociais e econômicas”, afirma a coordenadora do Elsi-Brasil, Maria Fernando Lima-Costa.
Painel
O novo painel de indicadores lançado pelo Elsi-Brasil permitirá o acesso público e ampliado a informações detalhadas sobre as múltiplas dimensões do envelhecimento. A ferramenta digital foi criada para apoiar gestores públicos, cientistas e profissionais de saúde no monitoramento contínuo das demandas da população idosa.
A plataforma está alinhada à Década do Envelhecimento Saudável (2021-2030) da ONU e adota um conceito ampliado sobre envelhecimento, que incorpora dimensões como autonomia, segurança e bem-estar ambiental como pilares da saúde.
O Elsi-Brasil integra o grupo das principais pesquisas globais sobre o tema e adota uma metodologia harmonizada internacionalmente. A primeira onda da pesquisa ocorreu em 2015-2016, a segunda em 2019-2021 e a terceira compreendeu o período de 2023-2024.
Por - Agência Brasil
O Paraná chegou ao fim do primeiro quadrimestre de 2026 sem registro de homicídios em 263 cidades, o equivalente a 66% do Estado. Em outras 71 houve apenas uma ocorrência (18%). Os dados são do Centro de Análise, Pesquisa e Estatística (Cape) da Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp). Os dados reforçam números positivos já apontados no primeiro trimestre, que tinha 278 municípios sem nenhum registro desse crime.
E as cidades estão espalhadas em todas as regiões: Missal (Oeste), Colorado (Noroeste), Ortigueira e Teixeira Soares (Campos Gerais), Paraíso do Norte e Jataizinho (Norte), Quatro Barras (Região Metropolitana de Curitiba) e Dois Vizinhos e Palmas (Sudoeste).
Além disso, de maneira geral, o primeiro quadrimestre de 2026 manteve uma tendência de queda nos indicadores de homicídios. O número de ocorrências caiu quase 8% em relação ao mesmo período do ano passado, de 464 para 429. Na comparação com 2024, a queda é de 31%, e no comparativo com 2018 chega a 40% de redução no quadrimestre. É o menor da série histórica do relatório.
“Estamos trabalhando de forma inteligente e contínua. Nesta semana, por exemplo, desarticulamos uma grande organização criminosa com uma operação com mais de 30 prisões. Também trabalhamos em locais chaves e contra diversas modalidades criminosas. Mas com novos investimentos, bases na fronteira e novos equipamentos, estamos conseguindo atuar de maneira muito pontual para conter o avanço da criminalidade e do tráfico nas áreas urbana e rural”, afirma o secretário da Segurança Pública, Saulo Sanson.
Os crimes patrimoniais também caíram. O roubo diminuiu 22% na comparação dos primeiros quatro meses de 2026 com o mesmo período de 2025, de 5.270 ocorrências para 4.086. No comparativo dos primeiros quadrimestres entre 2024 e 2026 a queda é de 38%, e comparado com 2018 chega a 80%. Os furtos também seguem a tendência de queda, com redução de 6% na comparação do primeiro quadrimestre de 2026 com o de 2025, de 12% com 2024 e de 23% com relação a 2018.
PARÂMETROS NACIONAIS – Os números mais atuais do Estado reforçam aumento da segurança que o Atlas da Violência, divulgados nesta terça-feira (26), também apontou. O relatório nacional, elaborado com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, utiliza informações de 2024. Segundo o estudo, o Paraná registrou redução dos homicídios de 26,4% no recorte ampliado, entre 2014 e 2024, e de 0,9% na passagem de um ano para o outro, entre 2023 e 2024.
Um destaque é a taxa de homicídios por 100 mil habitantes, que ficou em 18,6 no Paraná, menor do que a média nacional, de 20,1. É uma das menores do Brasil e em queda regular desde 2016, quando era de 27,5, pico da série histórica. A atual taxa de homicídios é 31,4% menor em relação a 2014.
Por - AEN
O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar) publicou o Edital nº 669/2026 para registro de preços, destinado à futura aquisição de refeições e alimentos congelados voltados ao atendimento de escolas da rede estadual de ensino. O pregão eletrônico é um dos primeiros do Brasil com abrangência estadual voltado exclusivamente à alimentação escolar inclusiva para estudantes com restrições alimentares. O investimento máximo inicial previsto é de R$ 8,8 milhões, contemplando itens específicos sem glúten, sem lactose e opções veganas.
O edital tem validade de um ano, podendo ser prorrogado por igual período. Os alimentos serão destinados ao Programa de Alimentação Escolar, aos colégios estaduais agrícolas e florestais e demais instituições vinculadas à rede estadual.
Entre os itens previstos estão refeições individuais congeladas com proteína animal e vegetal, sanduíches, tortas salgadas, bolos simples e pão de queijo vegano, todos desenvolvidos para atender necessidades alimentares específicas de mais de 1,9 mil estudantes da rede estadual que precisam de uma alimentação mais restrita.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, destaca que a iniciativa reforça o compromisso da rede estadual com a inclusão e a segurança alimentar dos alunos. “Nosso objetivo é garantir que todos os estudantes tenham acesso a uma alimentação de qualidade, respeitando necessidades nutricionais específicas e promovendo inclusão dentro das escolas da rede estadual”, afirma.
A presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), Eliane Teruel Carmona, ressalta que o processo amplia a capacidade de atendimento da alimentação escolar no Paraná. “Esse registro de preços permite que a rede estadual esteja preparada para atender diferentes demandas alimentares com qualidade, segurança e planejamento, assegurando refeições adequadas aos estudantes em todo o Paraná”, diz.
As propostas para participação começaram a ser apresentadas na última sexta-feira (22), por meio do sistema eletrônico de compras do Governo do Paraná. A abertura das propostas está marcada para 11 de junho, às 8h30.
POr- AEN
O Paraná chega à Semana dos Orgânicos, celebrada nacionalmente entre 24 e 29 de maio, com investimento recorde de R$ 54 milhões na compra de alimentos orgânicos para a alimentação escolar da rede estadual em 2025.
O valor, aplicado pelo Governo do Estado, por meio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), autarquia vinculada à Secretaria de Estado da Educação (Seed-PR), é o maior da série histórica da alimentação orgânica escolar no Estado e acompanha a expansão da oferta desses produtos nas instituições de ensino paranaenses.
Os produtos orgânicos passaram a integrar a alimentação escolar da rede estadual em 2011. Desde então, a presença desses itens na merenda cresceu de forma contínua. Naquele ano, apenas 29 municípios recebiam alimentos orgânicos nas escolas estaduais. Em 2026, esse número chegou a 311 cidades, um crescimento de quase 11 vezes em 15 anos.
Atualmente, a rede estadual atende diariamente cerca de 1,2 milhão de estudantes com a oferta de 1,5 milhão de refeições.
De acordo com o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, o avanço da alimentação orgânica nas escolas estaduais reflete uma política pública consolidada no Paraná. “Além de garantir refeições de mais qualidade para os estudantes, essa política valoriza a agricultura familiar, fortalece a economia local, e amplia a oferta de alimentos saudáveis nas escolas”, afirma.
EXPANSÃO ACELERADA - A série histórica dos últimos oito anos evidencia o avanço acelerado dos orgânicos na alimentação escolar, tanto no volume de investimentos quanto na quantidade de alimentos distribuídos. No período, o aporte saltou de R$ 7,5 milhões, em 2019, para R$ 54 milhões em 2025 (maior patamar da série). Já o volume de alimentos entregues cresceu de 1.510 para 5.500 toneladas, o que representa um aumento de 264%, em sete anos.
Os dados dos cinco primeiros meses de 2026 no Paraná já contabilizam R$ 23,2 milhões investidos e 2.220 toneladas de alimentos orgânicos distribuídos às escolas estaduais, mantendo o ritmo de expansão.
CARDÁPIO ESCOLAR – A expansão de oferta de orgânicos integra a política de alimentação escolar executada pelo Fundepar, responsável pela gestão da merenda na rede estadual. Os cardápios, elaborados por nutricionistas, priorizam frutas, verduras, legumes e alimentos frescos, respeitando hábitos alimentares regionais.
No Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Vicente de Carli, em Francisco Beltrão, no Sudoeste, o merendeiro Evandro dos Santos diz que o aumento da oferta de produtos orgânicos também melhorou a aceitação das refeições pelos estudantes. “As frutas e verduras chegam mais frescas e os alunos acabam consumindo mais. A poncã, a alface e o repolho têm bastante saída”, diz.
Para a diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, a ampliação dos alimentos orgânicos fortalece a qualidade da alimentação escolar e amplia o acesso dos estudantes a refeições mais variadas e nutritivas. “Isso também contribui para um ambiente mais favorável à aprendizagem nas escolas”.
PARANÁ LÍDER - Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) colocam o Paraná na liderança nacional em certificações orgânicas, com 4.289 registros ativos — quase 19% de todos os certificados válidos no Brasil. O volume é cerca de 36% superior ao do Rio Grande do Sul, estado segundo colocado, com 3.161 certificações.
Entre os municípios paranaenses com maior número de produtores orgânicos certificados estão Tijucas do Sul, com 239 certificações, Lapa (170) e Rio Branco do Sul (110), na Região Metropolitana de Curitiba.
Aproximadamente 2 mil agricultores certificados fornecem alimentos orgânicos para abastecer as 2.080 escolas da rede estadual de ensino. Banana, laranja, alface e arroz polido orgânico estão entre os alimentos com maior volume de distribuição para as escolas estaduais. A banana lidera a lista, com mais de 1,3 mil toneladas entregues, seguida por laranja (401 toneladas), alface (274), pão caseiro (260) e arroz polido orgânico (250).
Pela legislação brasileira, alimentos processados só podem ser classificados como orgânicos quando pelo menos 95% dos ingredientes utilizados possuem origem orgânica certificada — caso do pão caseiro.
PRODUÇÃO ORGÂNICA - Parte desse avanço é sustentada pelo Programa Paraná Mais Orgânico, iniciativa desenvolvida em parceria entre universidades estaduais, a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) e o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
Presente em todas as regiões do Estado, o programa oferece assistência técnica gratuita a agricultores familiares durante a transição para o sistema orgânico, processo que varia de 12 a 18 meses conforme a cultura produzida. A alimentação escolar da rede estadual integra essa cadeia ao ampliar a compra de produtos certificados, principalmente da produção vegetal, como alface e banana.
CERTIFICAÇÃO E SEGURANÇA – A presença de alimentos orgânicos na alimentação escolar também acompanha o avanço dos sistemas de certificação e controle da produção sustentável no Paraná. Conforme a legislação brasileira, produtos orgânicos são aqueles cultivados sem o uso de insumos ou práticas que possam causar danos ao meio ambiente e à saúde humana.
Para chegar às escolas com essa classificação, os alimentos devem ter certificação reconhecida pelo Mapa ou ser produzidos por agricultores familiares vinculados a sistemas de controle social cadastrados.
Segundo a responsável técnica pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) do Fundepar, Andrea Bruginski, o modelo vai além da retirada de agrotóxicos da produção. “A produção orgânica envolve práticas que preservam o solo, a água e a biodiversidade, além de ampliar a oferta de alimentos mais seguros, nutritivos e sustentáveis para os estudantes”, afirma.
Por - AEN
Em 2025, foram realizados no Paraná, conforme os dados do RBT, 2.255 transplantes em números absolutos, entre órgãos e tecidos, sendo 460 de rim; 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de medula.
Embora os indicadores variem ao longo do ano, o Paraná mantém uma atuação extremamente consistente e segue entre os estados de destaque no cenário nacional. “Esses resultados representam o esforço e investimento do Estado para oportunizar capacitação profissional e ofertar uma estrutura robusta e consolidada de atendimento, que garante qualidade e agilidade no cuidado para doadores e receptores”, comentou o secretário de Estado da Saúde, César Neves.
"Transplantes de órgãos salvam vidas. Essa é uma informação importante e que merece sempre ser relembrada e destacada. E o Governo do Estado trabalha incansavelmente, investindo em capacitação profissional, estrutura e logística, visando o fortalecimento dos trabalhos para propiciar que, cada vez mais, vidas sejam salvas", complementou.
E a tendência é de manutenção nesse cenário em ótimo nível. Os números do Sistema Estadual de Transplantes (SET/PR) apontam que entre janeiro e abril foram executados 225 transplantes de órgãos sólidos (coração, fígado, rim, pâncreas). Também foram efetuados 328 transplantes de córneas.
A coordenadora do SET/PR, Juliana Ribeiro Giugni, destacou que os índices do Estado são o reflexo do trabalho de toda uma rede integrada que engloba hospitais, Organizações de Procura de Órgãos (OPOs), equipes transplantadoras, laboratórios e bancos de tecidos, o que permite fortalecer continuamente o SET.
“É um trabalho muito consistente que envolve a dedicação de profissionais, e uma série de medidas, como a capacitação contínua desses trabalhadores e a manutenção de investimentos voltados à melhoria da estrutura e ao fortalecimento dos processos de trabalho”, explicou. “O aumento dos transplantes depende do fortalecimento da cultura de doação na sociedade, do esclarecimento sobre mitos relacionados ao processo, da redução da recusa familiar e da manutenção de um processo de trabalho estruturado e eficiente”.
UM SIM PARA A VIDA DA ISABELA – Com apenas oito meses de vida, a pequena Isabela Antônia Silva de Paula teve o seu destino transformado pela generosidade de uma família que, mesmo no momento da dor mais profunda, escolheu doar. “Eu não consigo mensurar a dor de perder um filho, mas a minha família conhece a alegria de receber a ligação mais esperada. Uma família teve empatia e amor ao próximo, disse 'sim' para a vida da minha filha”, diz a mãe da bebê, Karolyne Antônia Silva de Paula, de 27 anos.
A trajetória de Isabela, primeira filha do casal Karolyne e Jonnathan, foi marcada por desafios antes mesmo do nascimento. Diagnosticada ainda na 24ª semana de gestação com uma massa que comprimia o ventrículo esquerdo do coração, a bebê enfrentou uma rotina intensa de exames e uma cesárea de risco com 34 semanas. O diagnóstico definitivo veio após um exame de genoma no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. O transplante cardíaco era a única opção para salvar sua vida.
Isabela entrou oficialmente na fila de transplantes no dia 16 de janeiro de 2026, com apenas quatro meses de idade. Exatos três meses depois, na noite de 16 de abril, o telefone tocou com a notícia que mudaria tudo, havia um coração compatível. Pouco mais de um mês após a cirurgia, a mudança é visível.
“Ver ela alegre, disposta e brincando não tem preço. Estou muito feliz de ver ela perdendo as roupinhas porque está engordando”, afirma a mãe. “O transplante da Isa mudou nossa vida, mudou a percepção da nossa família em relação a doação de órgãos. Eu agradeço a Deus pela vida da minha filha, e agradeço muito a família que aceitou doar, peço a Deus que os console e os abençoe. Minha filha vai viver e honrar esse coração”.
TRANSPLANTE INFANTIL – Em 2025, conforme os dados do RBT, foram realizados no Brasil 60 transplantes cardíacos pediátricos. Doze deles foram efetuados no Paraná. Em relação aos transplantes hepáticos pediátricos, foram 211 no Brasil no ano de 2025, dos quais 27 ocorreram no Paraná, sendo 15 de doadores vivos e 12 de falecidos.
Os números, tanto totais quanto por milhão de população, colocam o Paraná em destaque. Em São Paulo foram 113 transplantes hepáticos pediátricos (78 de doadores vivos e 35 de falecidos). Isso representa 9,2 transplantes por milhão de população. No Paraná foram 8,2 transplantes por milhão de população.
Entre os transplantes pediátricos no Paraná, a maior parte deles foi efetivado no Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba. A unidade que é referência, faz transplantes pediátricos de órgãos sólidos, como fígado, coração e rins, além de transplante de medula óssea, válvulas cardíacas e tecidos musculoesqueléticos.
“Estamos falando de procedimentos de alta complexidade, voltados a crianças e adolescentes que, muitas vezes, têm no transplante a principal ou única possibilidade de tratamento. Para o Paraná, o Hospital representa uma estrutura essencial para garantir acesso a esse cuidado especializado. Para o Brasil, reforça o papel do Pequeno Príncipe como uma instituição de referência nacional em saúde pediátrica de alta complexidade”, enfatiza o diretor-técnico do Hospital Pequeno Príncipe, doutor Cassio Fon Ben Sum.
ESTRUTURA E LOGÍSTICA – Eficiência logística é crucial para garantir agilidade. O governo estadual disponibiliza infraestrutura aérea e terrestre para o transporte de órgãos, incluindo veículos próprios da SET e aeronaves para transporte emergencial. Em 2025 foram realizadas pelas aeronaves da Divisão de Transporte Aéreo (DTA) da Casa Militar do Paraná 126 missões aéreas para transplantes de órgãos, o que representou 367 horas de voo. Em 2026 já são 47 missões, com 137 horas de voo.
O transporte aéreo tem papel essencial nos transplantes, especialmente diante da necessidade de deslocamentos rápidos entre diferentes regiões do Paraná e até mesmo entre estados. Essa logística possibilita que os órgãos sejam captados e encaminhados aos receptores dentro do tempo adequado de isquemia fria permitido para cada órgão, contribuindo diretamente para a viabilização e o sucesso dos transplantes.
No Paraná, atualmente, o Sistema Estadual de Transplantes está estruturada com 108 hospitais notificantes (autorizados pelo Ministério da Saúde a identificar, manter e notificar à Central Estadual de Transplantes a existência de potenciais doadores de órgãos e tecidos), 71 comissões instituídas, que são equipes multiprofissionais compostas por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que organizam e gerenciam o processo de doação dentro dos hospitais, 37 equipes transplantadoras de órgãos (pulmão, coração, fígado, pâncreas e rim) e 84 de tecidos (medula, córnea, válvula cardíaca, pele e tecido ósseo), formadas por grupos especializados de profissionais de saúde, autorizados pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT), responsáveis por realizar as cirurgias de remoção (captação) de órgãos de um doador e o implante (transplante) no paciente receptor.
Cinco laboratórios de histocompatibilidade e três de sorologia, além de três bancos de tecidos, sendo que um é de multitecidos, também integram a rede, com cerca de 700 profissionais especializados envolvidos.
Por - AEN
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagram nesta quarta-feira (27) uma nova fase da Operação Sem Desconto nos estados de Pernambuco, de São Paulo e da Paraíba, além do Distrito Federal. A operação investiga o esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e em pensões.

Em nota, a corporação informou que estão sendo cumpridos 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico, além de outras medidas constritivas expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“Nesta fase, a ação tem como finalidade aprofundar as investigações que visam esclarecer a prática de diversos crimes contra a administração pública, tais como constituição de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e de dilapidação patrimonial”, destacou a PF.
Em março, a PF e a CGU já haviam deflagrado a Operação Indébito, um desdobramento da Operação Sem Desconto. À época, policiais federais e auditores cumpriram 19 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão, além de outras medidas cautelares, no Ceará e no Distrito Federal.
Entenda
Em abril de 2025, a PF e a CGU deflagraram a Operação Sem Desconto. As investigações identificaram a existência de irregularidades relacionadas a descontos de mensalidades associativas aplicados sobre benefícios previdenciários, principalmente aposentadorias e pensões, concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A estimativa é de que entidades investigadas tenham descontado de aposentados e pensionistas cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. À época, pelo menos seis servidores públicos foram afastados de suas funções.
Cerca de 700 policiais federais e 80 servidores da CGU cumpriram mais de 200 mandados judiciais de busca e apreensão, ordens de sequestro de bens no valor de mais de R$ 1 bilhão e seis mandados de prisão temporária em diversos estados e no DF.
Por - Agência Brasil
A oceanógrafa Fernanda Possatto apresenta uma bancada repleta de lixo plástico encontrado em 14 praias do litoral do Paraná. Segundo ela, esses são os resíduos fáceis de se ver. No entanto, a pesquisa dela destaca outra preocupação presente no mar, muito mais difíceis de se visualizar: os microplásticos.

Um levantamento conduzido pela pesquisadora aponta que 93,6% de uma amostra de peixes coletados em feiras e mercados do litoral paranaense apresentam microplásticos no trato digestivo.
Dos 47 indivíduos examinados, 44 apresentaram partículas. A maior contaminação ocorreu em peixes demersais, que vivem em contato direto com o fundo do mar. Os microplásticos são fragmentos menores que 5 milímetros (mm), vestígios de produtos feitos com plástico e que foram consumidos pelos peixes examinados.
“Isso não significa que os peixes não podem ser ingeridos, porque a gente não está falando de saúde alimentar ainda, mas isso já é um indício de que a gente precisa estudar melhor esses impactos”, disse ela a jornalistas na sede da Associação Mar Brasil, uma organização sem fins lucrativos.
“A gente não está falando ainda de risco para saúde humana porque hoje a gente não come o trato, não come o estômago, a gente come o músculo”, tranquiliza.
Projeto de recuperação marinha
A sede da Mar Brasil fica na cidade de Pontal do Paraná, em uma praia de frente para a turística Ilha do Mel. A organização desenvolve o Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (Rebimar), iniciativa patrocinada pela Petrobras.
Perto dali, há ambientes com características diversas, como a Ilha da Cotinga, uma terra indígena; áreas contínuas de manguezais; e o Porto de Paranaguá, que atrai constantemente frotas de navios.
A pesquisadora Fernanda defende a necessidade de novos estudos para identificar o efeito do microplástico nos peixes.
“Quanto dos componentes tóxicos que existem desse microplástico presente no estômago pode ser absorvido pelos tecidos musculares das espécies de peixes?”, indaga.
Ela cita que outros estudos apontaram que os fragmentos podem liberar substâncias tóxicas que resultam na alteração da fecundidade dos animais e surgimento de tumores.
“Tudo isso ainda está sendo analisado e estudado.”
Formação e destino
Os microplásticos são fragmentos do material maior, o plástico, que sob efeito do tempo e da irradiação solar, se quebram em micropartículas e acabam ficando na água, no solo e no ar, chegando à cadeia alimentar.
Essas partículas podem surgir de lixo no mar, como embalagens e garrafas, pneus, tecidos e revestimentos com tinta. As tintas, aliás, são fontes de elementos químicos presentes nesses fragmentos.
Uma pesquisa brasileira chegou a encontrar microplásticos em placentas e cordões umbilicais.
A Organização Mundial da Saúde reconhece que o mundo enfrenta problemas relacionados à presença de microplástico e defende mais pesquisas sobre o efeito dos fragmentos na saúde humana.
Presença em aves
Os estudos do Rebimar identificaram a presença do microplástico também em aves que têm contato com o mar. Foram analisadas gaivotas e corujas-buraqueiras. O levantamento foi feito por meio de análise de material regurgitado (expelido do estômago ou do papo) pelas aves vivas.
Em 69% delas, foram notados fragmentos. “Se você nota que a cada dez indivíduos, sete têm microplástico, é muito alto”, pontua a oceanógrafa.
Fernanda Possatto, que trabalha com pesquisas ligadas ao lixo no mar, contextualiza que o microplástico é encontrado tanto em áreas com bastante presença humana, como nos arredores do Porto de Paranaguá, com em áreas preservadas ambientalmente.
Para ela, é um indicativo de que “fronteira geográfica não existe para a questão do plástico”. Ela explica que os fragmentos são transportados por correntes, ventos e marés.
“Tudo isso influencia na presença. Faz com que seja um problema sistêmico.”
Utilidade das informações
A oceanógrafa acrescenta que a pesquisa pode fornecer informações para que autoridades públicas tracem limites para a presença de microplástico em humanos.
“A gente não tem hoje um índice que nos diz se 1 microplástico por metro cúbico de água é aceitável”, exemplifica. “Estamos em um processo de construção desses índices.”
Para a pesquisadora do Rebimar, caminhos para mitigar o problema do microplástico no meio ambiente passam por ações da indústria e consumo consciente do plástico.
“Não tem uma solução única. A gente tem que pensar em vários leques de atuação, desde a sensibilização com a educação ambiental até a fonte mesmo que é a produção do plástico.”
Lixo e tartarugas
Outra ponta do projeto ambiental é o monitoramento de tartarugas-verdes, uma das sete espécies desses animais marinhos do mundo e uma das cinco registradas no Brasil.
Pelo menos três vezes ao ano, pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) capturam e analisam a saúde das tartarugas. Desde 2014, foram feitas 435 capturas, sendo 313 indivíduos, ou seja, cerca de 120 foram observadas mais de uma vez.
A bióloga Camila Domit, coordenadora do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, revela que 80% das tartarugas encontradas mortas no litoral paranaense tinham lixo no trato digestivo.
“É assustador”, enfatiza ela. “Dependendo da quantidade de lixo, pode levar o animal a óbito”, esclarece.
Camila acrescenta que, além da quantidade, o tipo de resíduo é uma complicação.
“A gente encontra uma série de plásticos rígidos que causam rompimento, lesões mais graves no trato digestivo desses animais”, descreve.
Os estudos da UFPR e do Rebimar mostram que cerca de mil tartarugas são encontradas mortas anualmente nas praias monitoradas. De cada dez, sete são vítimas de interação com a pesca.
A bióloga relaciona o lixo no mar com a vulnerabilidade das tartarugas.
“O animal come o lixo, fica debilitado, fica mais flutuando porque não consegue defecar, não consegue se alimentar bem e, então, a interação com a pesca acontece”, detalha.
O projeto utiliza tecnologias como rastreamento por satélite e acústico para acompanhar trajetos e costumes dos animais marinhos.
De acordo com Camila Domit, as evidências científicas do Rebimar fornecem subsídios para que autoridades tomem decisões que favorecem a preservação dos animais.
Ela lembra que o conhecimento científico dessas pesquisas contribuiu para que a Ilha das Cobras, na Baía do Paranaguá, fosse transformada em parque estadual para conservação da espécie.
“Quando você tem dados científicos, o processo da gestão é muito melhor”, conclui.
Projeto contínuo
O Rebimar faz parte do Programa Socioambiental da Petrobras desde 2009 e conta com aporte de R$ 6 milhões para um período de quatro anos, que pode ser habilitado para novo ciclo de investimento.
A gerente setorial de integração de projetos ambientais da estatal, Michele Cardoso, destaca o caráter de continuidade do apoio.
“É importante ter nessa carteira de projetos parcerias de longo prazo que dão essa robustez e solidificam os compromissos do programa”, diz.
Por- Agência Brasil


























