Anvisa publica registro de medicação para hipoparatireoidismo crônico

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou o registro do medicamento Yorvipath (palopegteriparatida), terapia de reposição do hormônio da paratireoide indicada para o tratamento de adultos com hipoparatireoidismo crônico.

Em nota, a agência destacou que a condição é rara, mas tratável, causa baixos níveis de cálcio no sangue e geralmente é causada por danos às glândulas paratireoides durante cirurgias, mas também pode ser provocada por doenças genéticas e autoimunes.

Segundo a Anvisa, a palopegteriparatida é um pró-fármaco de liberação prolongada do hormônio da paratireoide, desenvolvido para manter uma exposição contínua e estável por até 24 horas.

Ainda de acordo com a agência, o medicamento favorece a regulação fisiológica do cálcio e do fosfato, aumentando a reabsorção renal de cálcio, modulando a excreção de fosfato e estimulando a produção de vitamina D ativa.

“Com isso, apresenta potencial para restaurar de forma mais fisiológica as funções do PTH ausente ou insuficiente”, destacou a nota.

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Zanin nega liminar para obrigar Senado a instalar CPI sobre Master

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pedido de liminar (decisão provisória) para determinar a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso Master no Senado. 

O pedido foi feito pelo senador Alessandro Viana (MDB-SE), em mandado de segurança. Na decisão assinada nessa terça-feira (22), Zanin entendeu não ter ficado comprovada a omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ao não instalar a CPI. 

O requerimento de abertura da CPI, que foi protocolado em 9 de março, prevê que sejam investigadas as relações entre os ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master e investigado por corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias.

Viana havia apontado que o requerimento preenche os requisitos necessários para a instalação da CPI, tendo 41 assinaturas, acima das 27 necessárias, por exemplo. Passados quase seis meses, contudo, o pedido não foi avaliado pela presidência do Senado. 

Em sua decisão, Zanin destacou, porém, a existência de outros requerimentos ligados à mesma matéria, não sendo possível aferir, com as informações atuais, se o requerimento específico apontado por Viana é alvo de omissão. 

Apesar de não reconhecer a omissão do presidente do Senado neste momento, Zanin ressalvou que a decisão poderá ser reavaliada após o envio de informações sobre o caso por Alcolumbre. O ministro destacou ser jurisprudência consolidada do STF o direito de as minorias parlamentares instalarem CPI. 

Em nota, o senador Alessandro Vieira lamentou a decisão do ministro.

“A decisão do ministro Zanin é uma decepção, como aliás tem sido decepcionante a atuação do STF em geral. Sob ponto de vista formal, vamos juntar ainda mais informações e pedir que o ministro revise seu entendimento”, disse. 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Leite ‘zero lactose’ tem lactose, sim (e há quem sinta sua presença)

No supermercado, quem não tolera bem laticínios aprende a caçar uma palavra na embalagem: "zero".

O que quase ninguém sabe é que ela não quer dizer ausência de lactose. Todo leite tem o açúcar naturalmente; o que a indústria faz, nesses produtos, é adicionar uma enzima que o quebra antes de a caixa chegar à prateleira. Some quase tudo —mas nunca tudo.

Por isso a legislação brasileira só libera o rótulo "sem lactose" quando resta, no máximo, 100 miligramas do açúcar a cada 100 mililitros: uma fração ínfima, mas existente. Ainda assim, há quem continue passando mal mesmo com a versão isenta na geladeira —e, quase sempre, o culpado não é esse pouco que sobrou.

 

Quebra nunca é completa

Nenhum leite nasce sem lactose. Todo leite de vaca carrega o açúcar naturalmente, algo entre 4 e 5 gramas a cada 100 mililitros. O que transforma o produto comum na versão "zero" é a entrada de uma enzima, a lactase, ainda na indústria.

Ela faz, dentro da própria embalagem, o serviço que o intestino de quem é intolerante não dá conta de realizar: parte a lactose em dois açúcares menores, a glicose e a galactose, que o corpo absorve sem esforço. Quando o consumidor abre a caixa, a maior parte do açúcar já foi digerida para ele.

Essa quebra, porém, nunca é total. Escapa sempre uma fração de lactose intacta, e é ela que permanece no produto final, dentro do limite de 100 miligramas por 100 mililitros.

"A indústria faz esse trabalho por você, mas não consegue garantir a quebra de toda a lactose. Sempre resta um resíduo mínimo", explica Giovanna Pisanelli, doutora em Ciência dos Alimentos.

É esse resíduo que o rótulo, ao dizer "zero", não mostra. 

 

Pouco a ponto de passar despercebido

A quantidade que sobra é o que a legislação considera desprezível. O limite de 100 miligramas foi fixado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa): abaixo dele, o produto pode ser chamado de isento de lactose; entre 100 miligramas e 1 grama, entra na categoria de baixo teor. A régua é baixa porque parte de uma constatação clínica.

"É muito raro alguém ter sintomas com até 100 miligramas de lactose. Para desencadear desconforto, costumam ser necessárias quantidades bem maiores, na casa dos gramas", afirma Patrícia Holanda Almeida, gastroenterologista do Einstein Hospital Israelita.

Na fiscalização feita pelo Mapa entre 2021 e 2025, a conformidade dos lácteos analisados ficou acima de 97% em todos os anos —sinal de que, na esmagadora maioria dos casos, o resíduo respeita o teto permitido.

 

Nem sempre o problema é a lactose

Se o resíduo é tão baixo, resta a pergunta que originou a dúvida: por que há quem passe mal mesmo com o leite zero? A resposta tem duas partes. A primeira é que existe, sim, um grupo menor de pessoas com intolerância acentuada capaz de reagir a essa fração mínima.

A segunda parte é a mais importante —e a que os médicos pedem para não pular. Na maior parte dos casos em que o sintoma persiste, o culpado não é a lactose residual, e sim outra coisa.

"Não é impossível que ela cause sintomas, mas não dá para responsabilizá-la antes de descartar outras condições", diz Patrícia.

Entre as suspeitas que ela investiga estão a síndrome do intestino irritável, o supercrescimento bacteriano no intestino delgado e a intolerância a outros açúcares, como a frutose, muitas vezes presente no mesmo produto.

Parte da confusão vem de trocar a lactose por uma proteína do leite. Muita gente passa mal com o leite comum e credita o incômodo ao açúcar, quando na verdade reage à caseína —a principal proteína do leite, presente em qualquer copo, com ou sem lactose.

É o que ajuda a explicar a boa fama do leite A2: ele não tem menos lactose, mas é produzido por vacas que fabricam uma versão levemente diferente dessa proteína, mais fácil de digerir. Quem se sente melhor ao trocar o leite comum pelo A2 costuma descobrir que o problema nunca esteve na lactose.

 — Foto: Shutterstock

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Sintomas x diagnóstico

Confirmar a intolerância começa por uma distinção que costuma escapar. Absorver mal o açúcar não é o mesmo que ser intolerante: há quem tenha a má absorção apontada num exame e não sinta nada no dia a dia. O que caracteriza a intolerância, segundo Patrícia, é o sintoma —a queixa que surge depois de consumir leite ou derivados. Sem sintoma, não há intolerância a tratar.

Diante da queixa, alguns exames ajudam a fechar o quadro.

  1. O teste genético aponta a predisposição sem expor a pessoa ao açúcar, o que evita o mal-estar.
  2. No teste respiratório, o paciente assopra num aparelho parecido com um bafômetro depois de ingerir uma dose de lactose.
  3. E o exame de sangue acompanha a glicose: mede-se o valor em jejum, o paciente toma o produto com lactose e a glicemia é aferida de novo ao longo da hora seguinte. Se o açúcar foi quebrado e absorvido, a glicose sobe pelo menos 20 pontos; quando quase não se mexe, é sinal de que ele não foi digerido.

 

O que fazer diante do desconforto

Confirmada a intolerância e afastadas as outras causas, seguir sentindo sintomas com a versão sem lactose não obriga ninguém a abandonar o leite de imediato —mas o passo seguinte é de um especialista, não do balcão do supermercado. É ele quem avalia o caso, indica o que testar e ajusta a conduta a cada paciente, já que a tolerância varia de pessoa para pessoa.

Entre as saídas que o médico pode recomendar está a troca de marca. Como a dosagem da enzima não é padronizada, o teor residual muda de um fabricante para outro, e há opções mais limpas na prateleira.

"Existem marcas com nível mais baixo e regular, e pacientes que toleram melhor uma do que outra", conta Patrícia —o que explica alguém reagir bem a um leite e mal a outro, ainda que ambos estampem "zero" no rótulo.

A depender do quadro, ele pode orientar o uso de lactase em cápsula junto ao alimento ou a redução da porção de uma vez, estratégia que se apoia numa característica da condição:

"O intolerante não tem alergia. Ele mantém alguma capacidade de lidar com o açúcar, e o quanto é individual", diz a médica. Quando nada funciona, diz, entram as bebidas vegetais, à base de aveia ou amêndoa.

Mais do que definir o que ingerir, porém, o acompanhamento ajuda a domar os sintomas na origem. Cuidar da saúde intestinal, praticar atividade física e controlar o estresse reduzem a frequência do desconforto —não apagam a intolerância, mas tornam a convivência com ela mais leve. Não por acaso, observa Patrícia, muitos pacientes relatam menos episódios nas férias, quando a pressão do dia a dia afrouxa.

O que a médica desaconselha é o caminho inverso, de cortar alimentos por conta própria: “Muitos chegam ao consultório com a dieta tão restrita que já apresentam deficiências nutricionais”, diz. “Por isso, o diagnóstico é fundamental para que o médico defina a melhor conduta.”

 

 

 

 

 

Por - g1

1,60 m, 1,70 m, 1,80 m: qual seria o peso ideal para cada altura?

O peso ideal é uma preocupação constante na sociedade atual. Muitas pessoas buscam determinar quantos quilos deveriam ter de acordo com a altura, embora esse conceito não tenha um número universal que se aplique a toda a população.

Diversos fatores, como genética, estado geral de saúde, massa muscular e nível de atividade física diária, influenciam diretamente o que a medicina considera um peso saudável. Especialistas defendem uma abordagem individualizada, com foco no bem-estar integral, em vez de metas estéticas rígidas que desconsiderem as características biológicas de cada pessoa. 

Determinar um peso saudável é mais complexo do que simplesmente medir a altura. Segundo o portal Tua Saúde, a avaliação deve levar em conta variáveis importantes, como retenção de líquidos, percentual de gordura corporal e estrutura muscular.

O método mais utilizado para essa estimativa é o Índice de Massa Corporal (IMC), uma ferramenta matemática que divide o peso da pessoa pelo quadrado da sua altura.

Esse indicador classifica os indivíduos em faixas padronizadas para avaliar o estado físico geral. Um IMC inferior a 18,5 caracteriza baixo peso, enquanto valores entre 18,5 e 24,9 indicam peso normal. Acima desses níveis, as classificações incluem sobrepeso, entre 25 e 29,9, e obesidade, considerada a partir de um IMC igual ou superior a 30.

A busca por um peso saudável exige mudanças concretas no estilo de vida. Nutricionistas recomendam procurar orientação profissional antes de iniciar qualquer plano alimentar, já que uma dieta equilibrada pode acelerar o metabolismo e ajudar no controle da ansiedade. Essas medidas favorecem o processo de emagrecimento sob acompanhamento médico constante. 

A prática regular de atividade física complementa esses esforços, pois o exercício aumenta o gasto calórico e melhora a eficiência metabólica do organismo. Nos casos de obesidade mórbida, especialistas podem considerar estratégias adicionais, como o uso de medicamentos específicos ou a realização de cirurgia bariátrica, sempre associadas a mudanças significativas nos hábitos diários para garantir resultados duradouros.

O desafio também se estende às pessoas que estão abaixo do peso considerado ideal. Nesses casos, o objetivo passa a ser o ganho saudável de massa muscular, por meio de uma alimentação hipercalórica e nutritiva. Profissionais recomendam o consumo de alimentos ricos em proteínas, como ovos, queijo, frango e salmão, para favorecer o aumento da massa magra. Uma estratégia eficaz consiste em fazer refeições a cada três horas, o que ajuda a manter um balanço energético positivo. A chave está sempre na combinação equilibrada entre alimentação adequada e prática regular de exercícios.

A saúde não depende de um único número na balança, mas do funcionamento harmonioso de todo o organismo. Por isso, a orientação profissional é fundamental em qualquer processo de mudança, seja para reduzir o percentual de gordura corporal, aumentar a massa muscular ou manter o equilíbrio a longo prazo. 

A ciência destaca que cada corpo responde de maneira diferente aos estímulos externos e, por isso, os planos de saúde e bem-estar devem ser adaptados às características individuais identificadas em avaliações médicas de rotina.

 

 

 

 

 

Por - O Globo

'Colidiu frontalmente com frente fria': condições meteorológicas podem ter contribuído para queda de helicóptero de Rick, diz especialista

As condições meteorológicas podem ter contribuído para a queda do helicóptero que transportava o cantor Rick, da dupla com Renner, e outros quatro passageiros numa região do Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina

. Nesta terça-feira, a aeronave foi encontrada pelas autoridades cerca de 24 horas depois de ter perdido o sinal. Todos que estavam a bordo morreram. 

A região onde o helicóptero caiu estava sob um alerta vermelho de “grande perigo” do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para tempestades, com risco de chuvas superiores a 60 milímetros por hora ou acima de 100 milímetros em um dia, ventos com velocidade superior a 100 km/h e queda de granizo.

Para Eduardo Pellizzaro, piloto comercial, especialista em Segurança Operacional pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e pesquisador aeronáutico, é muito provável que as condições meteorológicas tenham desempenhado um papel no acidente, embora apenas a investigação do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) consiga determinar o quanto exatamente influenciaram a queda:

— Havia o deslocamento de uma frente fria muito intensa naquela região, entre a serra catarinense e o litoral. Vimos que muitas aeronaves fizeram longos desvios para contornar essa formação, mas tudo indica que o helicóptero colidiu frontalmente com a frente fria. Agora cabe à investigação do Cenipa entender o quanto isso influenciou o acidente. Mas são sempre vários fatores numa cadeia de eventos que leva a um acidente. 

O especialista explica ainda que a situação pode ter contribuído para a perda de sinal da aeronave. Alguns sistemas que poderiam ter sido acionados para alertar um cenário de emergência não foram, o que significa que o helicóptero provavelmente "se acidentou às cegas", continua:

— Existem alguns sistemas diferentes que atuam na geolocalização de uma aeronave. Quando ela voa normalmente, ela emite um sinal que se chama transponder, que dá a identificação de altura, velocidade, direção que está indo. Mas é preciso ter um radar em solo para receber essas informações. Porém, nessa situação, se a aeronave tiver descido por conta das condições do tempo, voando em meio aos vales, isso pode ter influenciado na não recepção do radar que fica na região do Morro da Igreja, relativamente próximo ao acidente.

O empresário e caçador de javalis Marcos Daniel Valadares, de 42 anos, que auxiliou nas buscas devido ao conhecimento sobre a geografia da área, conta que, no momento do desaparecimento, por volta das 13h da segunda-feira, ainda não chovia na área, mas que logo depois o tempo fechou:

— Durante esse período em que eles estavam sobrevoando, a nossa visão aqui de baixo estava de um tempo bom, que piorou mais tarde. Mas lá em cima não sabemos como estava. De repente o temporal já estava se preparando, mas no período do desaparecimento ainda não estava chovendo.

 

 

 

 

 

Por -  O Globo

PF mira suspeitos de manter idoso em trabalho escravo em Foz do Iguaçu

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (23), a Operação Dignidade para investigar a exploração de um idoso de 74 anos, de nacionalidade paraguaia, em uma propriedade rural de Foz do Iguaçu.

Ao todo, são cumpridos dois mandados de busca e apreensão no município. A investigação apura os crimes de redução à condição análoga à de escravo e de exposição a perigo da saúde e da integridade de pessoa idosa em condições degradantes.

As apurações começaram após uma denúncia de que o homem estaria sendo explorado na propriedade. Segundo a PF, levantamentos apontaram que ele vivia em uma estrutura precária e insalubre, próxima a áreas destinadas à criação de animais.

Ainda conforme a investigação, o idoso realizava trabalhos braçais diariamente, sem receber pagamento. Ele sobrevivia apenas com os próprios benefícios previdenciários.

A Polícia Federal aponta que a situação era agravada pela idade avançada da vítima e pela ausência de uma rede de apoio familiar ou social, o que teria aumentado a condição de vulnerabilidade e dependência.

Os mandados têm como objetivo reunir novos elementos para esclarecer as circunstâncias da exploração e identificar os responsáveis.

 

 

 

 

 

 

Por - Catve

Nova lei aumenta penas para furto e roubo de combustíveis

Crimes de furto e roubo de combustíveis serão punidos com penas mais severas no país. A Lei nº 15.517/2026, publicada nesta quarta-feira (23), passa a considerar crimes vender e armazenar produtos de origem ilícita.

A norma altera o Código Penal e a Lei nº 8.176/1991 e passa a prever punições mais rigorosas para a subtração de petróleo e derivados, gás natural, etanol e outros combustíveis de refinarias, bases de armazenamento, dutos e meios de transporte.

Pela nova legislação, o furto desses produtos passa a ser punido com pena de quatro a dez anos de reclusão, além de multa. 

A pena poderá ser aumentada em um terço quando houver destruição de obstáculos, participação de duas ou mais pessoas, abuso de confiança ou envolvimento de agente público.

O acréscimo será de dois terços, nos casos em que o crime provoque consequências como desabastecimento, incêndios, danos ambientais, lesões corporais graves ou morte.

A lei também qualificou o crime de roubo de combustíveis. Nesses casos, a pena poderá ser ampliada quando a ação resultar em prejuízos à operação das empresas, falta de abastecimento, incêndios ou danos ambientais.

Novos crimes

Além das mudanças no Código Penal, a legislação prevê novos crimes contra a ordem econômica relacionados à cadeia de combustíveis.

Passa a ser crime adquirir, transportar, armazenar, vender ou usar petróleo, gás natural, combustíveis e lubrificantes sabendo que os produtos têm origem criminosa. A pena prevista é de três a oito anos de reclusão e multa.

A norma prevê ainda punição para quem adquirir ou manter esses produtos em situações que indiquem origem ilícita, como nos casos de preços incompatíveis com o mercado ou oferta em condições suspeitas. Nessa hipótese, a pena varia de um a quatro anos de prisão, além de multa.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Eleições 2026: confira 6 dicas para ajudar a escolher seus candidatos

A menos de duas semanas do primeiro turno das Eleições de 2026, muitos eleitores ainda não definiram em quem vão votar. Neste ano, a tarefa de escolher, entre tantos candidatos, aqueles mais aptos a representar os interesses da população, contou com mais um complicador: as notícias relacionadas ao caso Master e à crise do Supremo Tribunal Federal (STF) reduziram o debate das propostas. 

A Agência Brasil ouviu especialistas que indicaram caminhos que podem ajudar eleitores a escolherem seus candidatos com mais critérios, buscando aqueles mais alinhados a seus interesses e visões de mundo, além de evitar armadilhas como os “puxadores de voto” e propostas genéricas.

Saber quem financia as campanhas, quais são as propostas de cada candidato e de que forma elas vão impactar a realidade prática de cada eleitor são estratégias para um voto responsável. 

1) Eu, o eleitor 

Antes de avaliar as propostas ou o currículo dos candidatos é importante olhar para si mesmo e para sua coletividade. Alguns questionamentos podem guiar essa reflexão:

  • A qual grupo social e econômico eu pertenço?
  • Com quais ideologias e visões de mundo eu me identifico?
  • Quais problemas eu espero que o Poder Público priorize? 
Rio de Janeiro (RJ), 21/09/2026 - João Feres JúniorDoutor em Ciência Política da IESP UERJ. Foto: João Feres Júnior/Arquivo Pessoal
 João Feres Júnior Doutor em Ciência Política da IESP UERJ. Foto: João Feres Júnior/Arquivo Pessoal - João Feres Júnior/Arquivo Pessoal

Em política, nem sempre os interesses convergem. Um empresário, um trabalhador assalariado e um profissional autônomo não necessariamente avaliam do mesmo jeito uma proposta como, por exemplo, o fim da escala 6x1. 

Homens e mulheres podem ter urgências distintas. Elas, inclusive, são mais da metade (53%) do eleitorado. Ainda assim, na atual legislatura, ocuparam apenas 15 das 81 cadeiras do Senado e 91 dos 513 assentos da Câmara dos Deputados. 

Não existe governo que agrade a todos o tempo todo. Toda decisão política implica escolhas distributivas. Quem governa pensando no bem comum tem que necessariamente administrar conflitos decorrentes de interesses divergentes, avaliando os impactos de suas ações. 

“Por isso é fundamental o eleitor saber quais são seus interesses políticos e econômicos”, diz o professor de Ciência Política da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, João Feres Júnior. 

Ele destaca que muitos eleitores não têm clareza quanto aos seus próprios interesses – nem certeza de que, uma vez eleitos, os candidatos os representarão de fato. 

“Claro que há prioridades em relação às representações. Há partidos e candidatos que optam por atender prioritariamente aos mais pobres. Outros fazem políticas que beneficiam principalmente os mais ricos. E muitos eleitores não sabem, de fato, quais são suas prioridades. Principalmente porque, idealmente, o eleitor deve procurar se informar da melhor forma possível, mas, na prática, ele nem sempre tem acesso a informações de qualidade – principalmente quanto às boas práticas políticas, já que a imprensa está mais interessada em cobrir os escândalos”, pondera.  

2) O que faz um político? 

Brasília (DF), 21/09/2026 - Professora Débora Messemberg. Foto: UnB/Arquivo/Divulgação

Compreenda as atribuições de cada cargo; o que cada candidato, se eleito, poderá ou não fazer, de acordo com a lei. Passo básico, mas essencial para evitar frustrações e reduzir as chances de cair em falsas promessas — como um candidato a deputado prometendo construir um hospital ou pavimentar ruas, algo que cabe ao Poder Executivo decidir e executar – ou seja, presidente, governadores e prefeitos.  

“Parte das pessoas tem pouca informação sobre as competências dos legisladores”, diz a socióloga Débora Messemberg, professora da Universidade de Brasília (UnB). 

“Um senador ou um deputado federal têm muito poder para indicar a destinação das verbas públicas, seja porque aprova o Orçamento [da União], seja por meio de emendas [parlamentares]. Só que eles não executam [as políticas públicas]. Saber isso importa. Até porque, os candidatos [ao Poder Legislativo] que prometem fazer obras, construir não sei o que lá, estão dando uma clara demonstração negativa”, pondera Débora. 

A saber, compete: 

Ao Presidente da República: Exercer o Poder Executivo e a direção da administração federal; nomear e exonerar ministros de Estado e ocupantes de outros cargos da administração federal; comandar as Forças Armadas; enviar ao Congresso Nacional, anualmente, o projeto de lei de diretrizes orçamentárias e a proposta de orçamento; sancionar, promulgar ou vetar leis aprovadas pelo Congresso Nacional, bem como expedir decretos presidenciais que tratem da organização e funcionamento da administração federal; manter relações com Estados estrangeiros; celebrar tratados e convenções internacionais, entre outras coisas. 

Aos Governadores: Nomear e exonerar secretários estaduais; sancionar, promulgar ou vetar leis aprovadas pela Assembleia Legislativa estadual; decretar e executar a intervenção nos municípios; administrar a segurança pública no estado, inclusive nomeando os dirigentes das polícias Militar e Civil, bem como a rede estadual de ensino; os hospitais regionais e a infraestrutura de rodovias estaduais entre outras atribuições. 

Aos Deputados: O deputado federal atua no Congresso Nacional; o estadual, na Assembleia Legislativa do seu estado e os distritais, na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Cabe a eles, entre outras coisas, aprovar e modifica leis, fiscalizar o Poder Executivo (federal, estadual ou distrital, conforme o caso) e participar da elaboração do orçamento público (definindo para onde vão os recursos por meio de emendas e votações). 

Aos Senadores: Representar, no Congresso Nacional, a unidade federativa pela qual foi eleito; discutir, votar e aprovar leis federais; sabatinar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), diretores de agências reguladoras e julgar autoridades etc 

 

3) Ações valem mais que palavras 

  • Avalie o currículo, o histórico e as propostas do candidato. 
  • Quem o financia ou o apoia? 
  • Quais partidos compõem sua coligação e de que setores vêm seus principais apoios (grandes corporações, instituições financeiras, sindicatos, movimentos sociais)? 
  • As propostas que ele apresenta atacam a raiz dos problemas ou não passam de discursos genéricos? 
Brasília (DF), 22/09/2026 - Manual do eleitor, Francisco Uribam Xavier de Holanda, professor da Univ. Fed. do Ceará (UFC)Foto: Francisco Uribam/Arquivo pessoal
Brasília (DF), 22/09/2026 - Manual do eleitor, Francisco Uribam Xavier de Holanda, professor da Univ. Fed. do Ceará (UFC) Foto: Francisco Uribam/Arquivo pessoal - Francisco Uribam/Arquivo pessoal

Para o professor de Ciência Política da Universidade Federal do Ceará (UFC), Francisco Uribam Xavier de Holanda, analisar o conteúdo de campanha dos candidatos não é algo simples, pois exige um tempo de que a maioria dos eleitores não dispõem. Ainda assim, é algo da maior relevância. 

“Para a maioria das pessoas, é difícil encontrar tempo para fazer isso. Além do mais, é muito complicado para o cidadão se inteirar de algo tão sofisticado quanto os processos de financiamento de campanha, o uso do fundo partidário e os financiamentos privados – que muitas vezes são camuflados”, alerta Uribam. 

Ele também destaca que quase a totalidade dos candidatos elabora seus discursos e propostas com base em pesquisas eleitorais, raramente esclarecendo quais interesses e grupos realmente defendem. 

Se o candidato já ocupa um cargo político, verificar seu histórico e como ele votou ou atuou em projetos relevantes pode ajudar o eleitor a identificar incoerências, discursos vazios ou falsas promessas. 

“De certa forma, a campanha política é feita para manufaturar a vontade do eleitor, que tem que, a partir de sua condição de vida, pensar quem é que, quando chega ao poder, faz alguma coisa que ele percebe que lhe beneficia. Se eu tenho um filho pequeno e não tenho condições de pagar uma escola particular, quem são os políticos que não só incluem em seus programas a defesa das escolas públicas, mas que, se já tiveram oportunidade, fizeram com que estas chegassem ao meu bairro, à minha cidade?”, destaca Uribam. 

As propostas de governo, bem como a declaração de bens e a prestação de contas, com a relação de todos os doadores de campanha, podem ser consultados no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

4) Alinhamento partidário 

Brasília (DF), 22/09/2026 - Manual do eleitor, Naiara Sandi de Almeida Alcântara, professora da Univ. Fed. do Pará (UFPA).Foto: Naiara Sandi/Arquivo pessoal
Naiara Sandi de Almeida Alcântara, professora da UFPA. Foto: Naiara Sandi/Arquivo pessoal

No sistema político brasileiro, ninguém atua de forma isolada. Mesmo que nem todos os partidos tenham uma linha ideológica clara, é de se esperar que seus filiados demonstrem um alinhamento mínimo, uma disciplina partidária. 

“Cada partido tem seu programa, sua posição política e compõe uma bancada”, destaca a cientista política Naiara Sandi de Almeida Alcantara, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA). 

Para Naiara, isso fica mais perceptível no Poder Legislativo, já que, em muitas votações, vale a chamada orientação de bancada – recomendação dada pelo líder partidário aos parlamentares de seu partido ou bloco parlamentar para que se posicionem ou votem em determinado sentido. 

Ou seja, um candidato pode se apresentar com um discurso e, quando eleito, se alinhar à diretriz partidária, mesmo que contrariamente aos interesses que prometeu defender. 

“Daí a importância de o eleitor conhecer não só as propostas e as trajetórias individuais dos candidatos, mas também as posições que o partido ao qual o candidato é filiado costuma adotar; seu programa e a quais outros partidos ele está associado”, acrescentou a cientista política. 

Para avaliar os partidos com rigor, o eleitor deve procurar observar: 

  • Como a legenda tem votado; 
  • As pautas que o partido historicamente apoia; 
  • Sua consistência ideológica; 
  • Suas alianças com outros partidos nesta e em outras eleições. 

 

5) Puxadores de voto 

Em 2010, Francisco Everaldo Oliveira Silva, o palhaço Tiririca, obteve mais de 1,35 milhão de votos, tornando-se o candidato a deputado federal mais votado do Brasil naquele ano. Em sua estreia na política, Tiririca ajudou a eleger outros três candidatos à Câmara dos Deputados, seus correligionários. 

Embora não fosse uma novidade, o fenômeno passou a ser chamado de Efeito Tiririca. Isso é possível porque no chamado sistema proporcional (que, no Brasil, é usado na escolha de deputados federais, estaduais e distritais, além de vereadores, nas eleições municipais) os candidatos são eleitos conforme o chamado quociente eleitoral. O cálculo é ainda mais complicado que o nome. 

Funciona assim: 

O total de votos válidos registrado em seu estado ou no Distrito Federal é dividido pelo número de assentos a que a unidade federativa tem direito. (Exemplo: se houver, em um estado com direito a dez cadeiras na Câmara dos Deputados, um total de 2 milhões de votos válidos, o quociente eleitoral será de 200 mil votos). 

Depois, os votos que todos os candidatos de um mesmo partido ou federação receberam são somados e divididos pelo quociente eleitoral. (Seguindo o exemplo, uma legenda ou federação cujos candidatos totalizarem 800 mil votos terá conquistado quatro assentos, ocupados por seus filiados mais votados e que tenham cumprido a cláusula de barreira individual — ao menos 10% do quociente eleitoral). 

Brasília (DF), 22/09/2026 - Manual do eleitor, Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)Foto: Rodrigo Stumpf/Arquivo pessoal
Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) - Rodrigo Stumpf/Arquivo pessoal

Ou seja: os chamados “puxadores de voto” carregam consigo, de carona, outros candidatos. “Por isso, muitas vezes, os partidos buscam celebridades, artistas ou atletas de grande visibilidade, capazes de receber grande número de votos, para fortalecer a legenda e auxiliar na eleição de outros candidatos menos votados”, explica o cientista político Rodrigo Stumpf González, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

Segundo ele, nos últimos anos, mudanças na legislação eleitoral impuseram algumas barreiras à eleição de candidatos pouco votados, como, por exemplo, a exigência de uma votação mínima. Mesmo assim, é preciso estar atento a fim de evitar arrependimentos futuros. 

“É importante o eleitor saber qual a nominata [lista oficial] do partido. E, se for o caso, que não vote [em determinada legenda] motivado por uma única pessoa”, acrescenta González.

“Também é importante lembrar que o número [da candidatura] não identifica só o candidato, mas também seu partido. Com isso é possível saber quem são os demais candidatos deste partido e quem, potencialmente, pode vir a ser eleito com os votos dados a uma celebridade.” 

6 – No dia da votação 

O 1º turno das eleições deste ano acontecerá em 4 de outubro. Em todo o Brasil, cerca de 158,7 milhões de eleitores aptos a votar ajudarão a eleger os futuros deputados federais, estaduais ou distritais; senadores; governadores e o presidente da República. 

No dia da votação, o eleitor pode levar consigo um papel com os nomes e os números dos candidatos ou candidatas de sua preferência e consultá-lo na cabine de votação para evitar esquecimentos. 

Ao contrário da “colinha”, o celular tem que ficar de fora da cabine de votação. Também é proibido votar portando máquina fotográfica, filmadora ou qualquer equipamento que permita ao eleitor registrar seu voto. Se necessário, a pessoa deve deixar o aparelho com os mesários. Em vigor desde 2009, a proibição foi adotada para, segundo o TSE, proteger o sigilo e o livre exercício do direito ao voto.

"Admitir o registro visual do exercício do voto poderia expor parte dos eleitores ao aliciamento por candidatos que não respeitam as regras para as eleições. Esses candidatos estariam diante de uma forma para captação ilícita de votos e, consequentemente, para corrupção, ante a possibilidade de obterem comprovação, por meio de imagens e vídeos, de que determinado eleitor lhe atribuiu o voto", sustenta o tribunal. 

Qualquer cidadão poderá usar broches, adesivos e camisetas, limitando-se a fazer manifestação de apoio individual e silenciosa, inclusive com bandeiras políticas. Já a manifestação coletiva ou ruidosa é proibida, bem como a abordagem, o aliciamento e qualquer método para tentar influenciar outros eleitores. 

Cada pessoa tem o direito de se ausentar do serviço pelo tempo necessário para votar, sem prejuízo no salário. Pessoas com mais de 80 anos têm preferência sobre os demais eleitores, independentemente da ordem de chegada à seção eleitoral. Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida podem ser auxiliadas por alguém de sua escolha no momento de votar. 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Receita abre consulta a lote da malha fina do Imposto de Renda

Cerca de 412 mil contribuintes que caíram na malha fina e regularizaram as pendências com o Fisco podem saber se receberão restituição. Às 10h desta quarta-feira (23), a Receita Federal libera a consulta ao lote da malha fina de setembro. O lote também contempla restituições residuais de anos anteriores.

Ao todo, 412.186 contribuintes receberão R$ 1,26 bilhão. Desse total, R$ 466,68 milhões irão para contribuintes com prioridade legal no reembolso.

As restituições estão distribuídas da seguinte forma:

  • 281.609 contribuintes que usaram a declaração pré-preenchida e/ou optaram simultaneamente por receber a restituição via Pix (prioridade não prevista por lei);
  • 59.722 contribuintes de 60 a 79 anos (prioridade legal);
  • 34.565 contribuintes sem prioridade;
  • 19.699 contribuintes cuja maior fonte de renda seja o magistério (prioridade legal);
  • 9.250 contribuintes acima de 80 anos (prioridade legal);
  • 7.341 contribuintes com deficiência física ou mental ou doença grave (prioridade legal).

A consulta pode ser feita na página da Receita Federal na internet. Basta o contribuinte clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no botão “Consultar a Restituição”. Também é possível fazer a consulta no aplicativo da Receita Federal para tablets e smartphones.

Pagamento

O pagamento será feito em 30 de setembro, na conta ou na chave Pix do tipo CPF informada na declaração do Imposto de Renda. Caso o contribuinte não esteja na lista, deverá entrar no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (e-CAC) e tirar o extrato da declaração. Se verificar uma pendência, pode enviar uma declaração retificadora e esperar os próximos lotes da malha fina.

Se, por algum motivo, a restituição não for depositada na conta informada na declaração, como no caso de conta desativada, os valores ficarão disponíveis para resgate por até um ano no Banco do Brasil. Nesse caso, o cidadão poderá agendar o crédito em qualquer conta bancária em seu nome, por meio do Portal BB ou ligando para a Central de Relacionamento do banco, nos telefones 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (telefone especial exclusivo para deficientes auditivos).

Caso o contribuinte não resgate o valor de sua restituição depois de um ano, deverá requerer o valor no Portal e-CAC. Ao entrar na página, o cidadão deve acessar o menu “Declarações e Demonstrativos”, clicar em “Meu Imposto de Renda” e, em seguida, no campo "Solicitar restituição não resgatada na rede bancária".

 

 

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Dermatite atópica impacta pele, sono e autoestima: saiba como tratar

Uma doença de pele que atinge não só a pele. Mas o sono, a saúde mental e até a autoestima dos pacientes. Em manifestações crônicas, a coceira gera feridas que deixam a pele sensível ao menor toque. De tecido a água, tudo dói.  Essa é a realidade de muitos pacientes que convivem com a dermatite atópica - uma doença inflamatória e crônica cujo principal sintoma é a coceira, muitas vezes, extrema.

A estudante de medicina Clara Emery, 23 anos, conta que já teve de tomar antibiótico para evitar que as feridas na pele - que ficava em carne viva - infeccionassem. Nas manifestações mais severas, as dores eram intensas. Deitar na cama, encostar no travesseiro e até tomar banho eram motivo de sofrimento. “Tive muitas crises de choro por não saber o que fazer”, conta a jovem que tem a doença desde pequena. 

“Minha mãe fala que assim que eu saí da barriga, eu já tinha dermatite atópica. Eu me lembro vividamente da minha infância, a evolução da doença, os vários fatores que a desencadeavam. Foi muito angustiante conviver com essa doença”.

A dermatite atópica costuma atacar regiões de dobras, como atrás dos joelhos, nos cotovelos e no pescoço. Em Clara, a doença se manifesta também ao redor dos olhos, na face e em regiões onde há mais fricção, como nas mãos. Entre os gatilhos da doença, ela cita desde alimentos até fatores ambientais como sol, grama, suor, fungos e ácaros. 

“Qualquer objeto de pelúcia, tapete, cachorro e gato. Eu sentia como se tivesse alergia ao mundo. Além disso, períodos de estresse na infância, na adolescência e no início da faculdade exacerbavam muito a alergia”, relata a estudante lembrando que passou por momentos de isolamento social, com medo de que as pessoas vissem as feridas. 

“Na escola, eu tinha uns 10 anos, me perguntaram se eu tinha hanseníase, se tinha sífilis, se eu era HIV positivo. Havia muito preconceito”, lamenta a jovem que, atualmente, faz um tratamento imunobiológico que ajuda a conter as crises mais graves da doença.

A medicação atua no sistema imune para controlar as reações exacerbadas de quando o corpo entra em contato com um antígeno. O tratamento, entretanto, é caro. Apenas uma caixa do medicamento passa de R$ 10 mil, custo que, no caso de Clara, é coberto integralmente pelo plano de saúde. 

“Já fiz tratamento com corticóides várias vezes, todo tipo de pomada e hidratante, tentei medidas homeopáticas mas o que funcionou mesmo foi o imunobiológico. Nunca tive tanta paz para conviver com essa doença porque era algo muito difícil”.

Impacto na qualidade de vida 

A dermatologista Rosana Lazzarini confirma que o impacto da dermatite atópica na qualidade de vida é grande uma vez que a coceira intensa prejudica o sono, diminuindo o rendimento no trabalho e na escola. Segundo ela, 40% das crianças que apresentam dermatite terão de conviver com a doença durante a vida adulta. 

A dermatite atópica carrega forte estigma social, apesar de não ser contagiosa. As marcas aparentes pelo corpo levam, muitas vezes, ao afastamento do convívio social e podem ser motivo de “bullying”.

“O impacto na vida da criança é grande. É uma doença crônica, há frequência de consultas, perda de aulas, afastamento social (deixa de brincar, de ir a festas) e internações que irão afetar o desenvolvimento psicossocial”, afirmou.

Para informar a população sobre a doença e combater o preconceito, o dia 23 de setembro é considerado o Dia Nacional de Conscientização da Dermatite Atópica, data oficializada no Brasil pela Lei 14.916/24.

Brasília (DF), 17/09/2026 - Dr. Roberto TakaokaRoberto Takaoka, MDDermatologyCo-Director, Atopic Dermatitis Clinic, Division of Dermatology, University of São Paulo Medical School Hospital.Foto: Eduardo Ohara Jr/Divulgação
Médico dermatologista Roberto Takaoka é presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA). Foto: Eduardo Ohara Jr/Divulgação

“Os pacientes costumam enfrentar problemas de preconceito e bullying por desconhecimento do público em geral, principalmente por acharem que se trata de uma doença contagiosa. Nesse contexto, campanhas de conscientização podem ajudar. Além disso, é comum a doença ser acompanhada por distúrbios do sono, depressão e isolamento social”, explica o presidente da Associação de Apoio à Dermatite Atópica (AADA), Roberto Takaoka.

Segundo ele, as principais demandas das famílias são por indicação de médicos e de tratamentos. 

“As famílias chegam com demandas de tratamentos rápidos e milagrosos, sem entender que a dermatite atópica é uma doença crônica com períodos de melhora e piora, e que, na maioria dos casos, costuma melhorar com a idade. É muito importante salientar que a dermatite atópica é uma doença complexa e multifatorial. Além do aspecto físico, ela é influenciada por fatores emocionais e sociais”, disse o dermatologista.

A missão da AADA é promover a saúde do portador de dermatite atópica através da arte, da ciência e da educação. A associação também conta com grupos de apoio para pacientes e familiares. 

A entidade fornece ainda materiais educativos e realiza campanhas de conscientização e podcasts explicativos. Existe um trabalho junto aos médicos e outros profissionais da área da saúde que também necessitam de informações e conhecimento. 

Crises constantes 
 

Brasília/DF - 11/09/2026 - A jornalista Rayane Lopes, convive com a doença Dermatite Atópica há anos. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
A jornalista Rayane Lopes, 34 anos, convive com a doença dermatite atópica desde os 18 anos. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

A jornalista Rayane Lopes, de 34 anos, moradora do Recanto das Emas, no Distrito Federal, conta que teve a primeira crise de dermatite atópica aos 18 anos. “Na primeira crise que foi bem forte, ela surgiu no corpo inteiro, até pegando a parte da virilha e da barriga. Hoje em dia, quando a doença se manifesta, surge mais na barriga e entre os dedos das mãos.”

Rayane destaca que as manchas e a coceira forte costumam aparecer em períodos de muito estresse. Ela relata que, após o enterro de uma pessoa próxima, o corpo inteiro se encheu de manchas avermelhadas e feridas. “Tenho várias manchas e cicatrizes pelo corpo. Quando está forte, tomo um corticóide que alivia”.

Para controlar a doença, ela diz que não utiliza bucha durante o banho e costuma hidratar a pele com frequência. “Coça muito, arde, dói, abre feridas. Além de tomar remédio, não tem muito o que fazer, é esperar passar”, explica a jornalista que já passou por situações constrangedoras, ao lado de pessoas que não conhecem a dermatite. 

“As pessoas têm medo de pegar a doença. Evito usar roupa que deixe à mostra a mancha, evito tomar sol. A dermatite aparece em momentos de muito estresse, então o sofrimento psicológico já está ali”.

Diagnóstico clínico

Segundo a médica da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Rosana Lazzarini, não existe uma causa definida para a dermatite atópica, mas há fatores genéticos (os mesmos associados a asma e rinite), fatores ambientais e imunológicos que contribuem para a manifestação da doença. 

22/09/2026 - Dra. Rosana Lazzarini, médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Foto: SBD/ Divulgação
Integrante da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a médica Rosana Lazzarini explica que o diagnóstico da dermatite atópica é clínico. Foto: SBD/ Divulgação

O diagnóstico é clinico, isto é, não existem exames laboratoriais para diagnosticar a dermatite.

A avaliação médica leva em consideração a presença das lesões da pele, a cronicidade, os períodos com lesões intercalados por períodos com nenhuma ou poucas lesões. A presença da coceira de difícil controle também é um fator que auxilia no diagnóstico. O médico pode eventualmente solicitar alguns exames para complementar o diagnóstico ou para afastar outros.

De acordo com Rosana, o tratamento se baseia nos cuidados com a pele, através do uso de cremes e loções hidratantes para auxiliar na preservação da barreira cutânea. Também é necessário ter cuidado com o banho que deve ser rápido, não pode ser quente, com pouco ou nenhum sabonete.

“Alguns medicamentos podem auxiliar no controle da coceira, o uso de corticosteroides tópicos adequados a cada local da pele. Casos mais graves podem necessitar do uso de imunossupressores por via oral como metrotexato ou ciclosporina”, disse a dermatologista.

“A fototerapia com UVB de banda estreita tem indicação para controle da doença, com melhora principalmente da coceira”, acrescentou.

A médica destaca que casos mais graves podem necessitar de medicações específicas, que atuam em pontos do processo inflamatório, mas são de alto custo e têm indicação quando as outras tentativas falham.

A hidratação da pele é um dos pilares mais importantes do tratamento. A pele muito seca dos pacientes com dermatite atópica exige a aplicação de creme ou loções de 2 a 3 vezes ao dia, o que impacta no custo do tratamento para as famílias.

Medicamentos mais modernos, de alto custo, ainda não estão disponíveis no SUS, somente na rede privada de saúde.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

IA e vídeos falsos superam fake news como maior ameaça à democracia

Vídeos falsos criados por inteligência artificial e a informação de baixa qualidade substituíram as tradicionais fake news e passaram a ser a principal ameaça digital às eleições e à democracia. É o que mostra o Guia Internet, Democracia e Eleições, publicado nesta terça-feira (22) pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

O Guia considera a mudança abrupta entre 2018, ano da primeira edição, e este ciclo eleitoral. Se lá atrás os meios prioritários de circulação eram as redes abertas, como o Facebook, atualmente redes mais restritas, como o Whatsapp, são a principal via de difusão.

Os especialistas do CGI.br identificaram ainda que a disseminação de desinformação tornou-se mais distribuída, com circulação simultânea em múltiplas plataformas. "Em termos de formato, o vídeo passou a ser o principal vetor, quase sempre acompanhado de um texto curto que ancora e legitima a narrativa falsa", aponta o documento. Não à toa a desinformação passou a ser considerada um dos maiores riscos globais por instituições como o Fórum Econômico Mundial, já em 2025.

Diante deste cenário, a centralidade da internet como mídia de informação, entretenimento e contato passa a ser um elemento cada vez mais importante para as disputas democráticas.

Ferramentas recentes, como as inteligências artificiais generativas, já tiveram estreia no ciclo eleitoral de 2022, mas é esperado que este ano tenham ainda mais impacto, aliadas a ferramentas de difusão, com o direcionamento cada vez mais atrelado a perfis específicos de usuários e estruturas cada vez mais complexas de roteiro, com maior apelo a aparência de verdade.

“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem", diz a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli.

Renata destaca que são empresas privadas orientadas por objetivos econômicos, e não pela perspectiva do interesse público. "Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais impactos isso produz sobre o debate público é fundamental para fortalecer a integridade da informação e a própria democracia. Esclarecer esses mecanismos é uma das finalidades do guia”.

Disponível no site do CGI.br, a publicação aborda temas como a operação dos sistemas de recomendação de conteúdo, o impacto da IA generativa no cenário eleitoral e discute como ferramentas avançadas, a exemplo das deepfakes e dos modelos de linguagem conversacionais, funcionam.

A publicação reúne ainda diretrizes para o combate institucional à desinformação e orientações para que o cidadão não se torne vítima nem propagador de conteúdos falsos ou enganosos.

Além de analisar as estruturas dos meios de divulgação e das redes, o estudo destaca o papel dos comunicadores destas mídias, os influenciadores. Reconhece seu papel de destaque, mas alerta para a diferença fundamental que tem em relação ao jornalismo: não seguem um código de ética, não respondem institucionalmente pela veracidade de suas afirmações ou por imprecisões, ou mesmo erros deliberados, naquilo que divulgam. 

Alerta

Segundo os estudos do grupo do CGI.br, a preocupação mais apontada a respeito das deepfakes diz respeito ao realismo ou à fidedignidade. Como esse tipo de conteúdo mentiroso tem passado por aprimoramento constante, passa a ter potencial para enganar mesmo aqueles eleitores mais experientes em avaliar conteúdos.

Este tipo de conteúdo pode fomentar a desconfiança generalizada sobre qualquer tipo de informação, mesmo as verdadeiras.

"A perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, também contribuem para esse cenário, fazendo com que convicções pessoais se sobreponham à verificação dos fatos", alerta o Guia.

Outro problema que aparece com o clima de desconfiança é o de que as pessoas passam a consumir cada vez mais conteúdos que confirmem o que já pensam. "Quando se deparam com informações que contrariam essas crenças, tendem a descartá-las — a chamada racionalidade motivada. Nesse sentido, podem produzir o efeito de reforço ideológico", alerta o estudo.

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil