Entidades científicas cobram apuração rigorosa de crise no STF

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) divulgaram, nesta quarta-feira (9), uma nota conjunta na qual manifestam preocupação com a crise político-institucional que transcendeu o Supremo Tribunal Federal (STF), envolvendo instituições como a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Outras 57 entidades científicas já tinham assinado o documento até a SBPC e a ABC o tornarem público, no início desta tarde. Todas defendem a apuração rigorosa e imparcial das suspeitas e eventuais irregularidades que suscitaram “as tensões que envolvem instituições centrais da República”.

Ao mesmo tempo, defendem que as investigações das responsabilidades individuais devem ser conduzidas pelas instâncias competentes, garantindo às partes o direito à ampla defesa e ao contraditório.

“Os fatos se esclarecem com evidências, procedimentos claros e decisões fundamentadas, não com disputas de versões”, sustentam as entidades, rejeitando qualquer tentativa de proteção pessoal a autoridades que possam ter infringido a lei.

“Defender as instituições não significa proteger seus integrantes de investigação ou responsabilização. Nenhuma autoridade está acima da lei ou dispensada do escrutínio público e do dever de prestar contas à sociedade”, acrescentam as entidades, destacando que, embora não lhes caiba antecipar juízos sobre responsabilidades individuais, compete-lhe participar do debate público e defender os princípios democráticos.

As entidades científicas também advertem sobre o risco de que o cenário de instabilidade seja instrumentalizado para alimentar a desinformação ou atacar o regime democrático. Risco que, segundo os signatários da nota, exige transparência e respeito às instâncias constitucionalmente responsáveis por apurar os fatos.

“Os fatos se esclarecem com evidências, procedimentos claros e decisões fundamentadas, não com disputas de versões”, sustentam as entidades, apontando que a eventual divulgação seletiva de material ainda sob apuração, qualquer que seja sua origem, contraria esses princípios, transferindo à “repercussão pública o que compete às instâncias formais decidir”.

“A confiança pública não se recupera pelo silêncio nem pela precipitação, mas pela capacidade demonstrada de apurar e responder, sem desqualificar questionamentos legítimos nem antecipar condenações. A autonomia técnica dos órgãos de investigação, fiscalização e controle e a independência do Poder Judiciário devem ser preservadas. Nenhuma disputa entre autoridades justifica interferências indevidas em suas atribuições ou o uso desses órgãos em embates pessoais, políticos ou eleitorais”, acrescentam as entidades.

Em entrevista à Agência Brasil, a presidenta da SBPC, Francilene Garcia, destacou que a iniciativa das entidades científicas não busca defender pessoas ou interesses político-partidários, mas sim a independência das instituições democráticas e os interesses da comunidade científica e da sociedade brasileira como um todo.

“A integridade das instituições impacta a vida republicana do país”, disse Francilene, destacando que a dimensão da atual crise político-institucional, o espaço que esta ocupou no debate público, afeta a qualidade do debate pré-eleitoral.

“Esta discussão que toma conta de grande parte da imprensa e da opinião pública, esta celeuma que nos obriga a escolher discutir integridade das instituições em vez de projeto de país, acaba por afetar o debate sobre problemas importantes para a vida de cada um de nós.”

Assinam a nota conjunta as seguintes entidades:

  • Associação Brasileira de Antropologia (ABA)
  • Associação Brasileira de Bioinformática e Biologia Computacional (AB3C)
  • Associação Brasileira de Ciência Política (ABCP)
  • Associação Brasileira de Cristalografia (ABCr)
  • Associação Brasileira de Educação em Engenharia (ABENGE)
  • Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn)
  • Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (ABECS)
  • Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED)
  • Associação Brasileira de Estudos Populacionais (ABEP)
  • Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN)
  • Associação Brasileira de Mutagênese e Genômica Ambiental (Mutagen-Brasil)
  • Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)
  • Associação Brasileira de Professores de Latim (ABPL)
  • Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI)
  • Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO)
  • Associação de Linguística Aplicada do Brasil (ALAB)
  • Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (ANPARQ)
  • Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP)
  • Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo (ANPTUR)
  • Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE)
  • Associação Nacional de Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS)
  • Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)
  • Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Planejamento Urbano e Regional (ANPUR)
  • Associação Nacional de Programas de Pós-graduação em Comunicação (COMPÓS)
  • Associação Nacional de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE)
  • Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte (CBCE)
  • Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (SOCICOM)
  • Federação de Arte/Educadores do Brasil (FAEB)
  • Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE)
  • Fórum de Ciências Humanas, Sociais, Sociais Aplicadas, Linguística, Letras e Artes (FCHSSALLA)
  • Sociedade Astronômica Brasileira (SAB)
  • Sociedade Brasileira de Biociências Nucleares (SBBN)
  • Sociedade Brasileira de Biofísica (SBBf)
  • Sociedade Brasileira de Biologia Celular (SBBC)
  • Sociedade Brasileira de Biomecânica (SBB)
  • Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq)
  • Sociedade Brasileira de Eletromagnetismo (SBMAG)
  • Sociedade Brasileira de Entomologia (SBE)
  • Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM)
  • Sociedade Brasileira de Farmacologia e Terapêutica Experimental (SBFTe)
  • Sociedade Brasileira de Física (SBF)
  • Sociedade Brasileira de Fisiologia (SBFis)
  • Sociedade Brasileira de Geoquímica (SBGq)
  • Sociedade Brasileira de Herpetologia (SBH)
  • Sociedade Brasileira de Mastozoologia (SBMz)
  • Sociedade Brasileira de Matemática Aplicada e Computacional (SBMAC)
  • Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT)
  • Sociedade Brasileira de Micologia (SBM)
  • Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC)
  • Sociedade Brasileira de Ornitologia (SBO)
  • Sociedade Brasileira de Otica e Fotônica (SBFoton)
  • Sociedade Brasileira de Protozoologia (SBPz)
  • Sociedade Brasileira de Psicologia (SBP)
  • Sociedade Brasileira de Química (SBQ)
  • Sociedade Brasileira de Recursos Genéticos (SBRG)
  • Sociedade Brasileira de Virologia (SBV)
  • Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB)

 

 

 

 

Por -Agência Brasil

Lula pede quebra completa de sigilo do caso Master "doa a quem doer"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (9), a “quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master”. Lula classificou a investigação como “o maior crime financeiro da história do Brasil”. A fala do presidente ocorre em meio a uma grave crise entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo decisões relacionadas às investigações do caso Master e do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

Em publicação nas redes sociais, Lula pediu que a medida seja tomada de forma “urgente".

"O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário", afirmou. 


O presidente cobrou transparência e criticou vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral. Ele argumentou que a quebra do sigilo das investigações deve ser completa, "seja quem for, doa a quem doer". 

"O Brasil precisa saber a verdade", encerra a nota. 

Entenda a crise

A crise no Supremo veio à tona com a retirada do sigilo, pelo ministro André Mendonça, de relatórios parciais da Operação Compliance Zero, da qual é relator e que tem como alvo a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.

No material divulgado constam 52 mensagens que os investigadores do caso dizem terem sido enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes. Nelas, o ex-banqueiro demonstra proximidade com o ministro e aparenta ter encaminhado a ele um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. 

Até o momento, Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro. Após divulgação do material, o ministro tornou público um “relatório de inteligência” da PF segundo o qual Mendonça que sugere direcionamento contra desafetos políticos na condução do caso Master. 

 

 

 

 

 

Por -Agência Brasil

Mendonça solta ex-procurador do INSS indiciado por desvios

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a soltura de Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e indiciado pela Polícia Federal (PF) por participação no desvio de contribuições associativas em aposentadorias e pensões. A decisão foi assinada na noite de terça-feira (8). 

A prisão foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica, além da proibição de se comunicar com outros investigados ou acessar as dependências do INSS ou da Dataprev, empresa pública que administra o banco de dados da autarquia. 

O ex-procurador-geral do INSS foi preso em novembro do ano passado, no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no desconto de contribuições para associações de aposentados e pensionistas que na verdade funcionavam como instituições de fachada. 

No início de agosto, a PF indiciou Virgílio Antônio de Oliveira Filho sob a suspeita de que tenha recebido R$ 11,9 milhões oriundos de descontos irregulares em aposentadorias. O dinheiro teria sido recebido por meio de sua esposa, a partir de empresas ligadas à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). 

Para Mendonça, com o fim da fase investigativa por parte da PF, não haveria mais motivo para manter o ex-procurador-geral do INSS preso. O ministro escreveu que apenas as novas restrições impostas são suficientes para que o investigado fique impedido de cometer novos crimes. 

Sob justificativa similar, Mendonça determinou também a soltura de Samuel Bomfim Júnior, contador da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), que deverá usar tornozeleira eletrônica. 

No caso de José Carlos Oliveira, ex-ministro da Previdência Social, e de Pedro Corrêa Neto, ex-secretário de Inovação do Ministério da Agricultura, o uso de tornozeleira eletrônica foi revogado. Os dois atuaram no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

José Carlos Oliveira, também conhecido como Ahmed Mohamad Oliveira, aparece em relatório da PF como destinatário de R$ 100 mil em propina paga pela Conafer com recursos desviados de aposentadorias do INSS. Em troca, ele teria facilitado os interesses da entidade.

 

 

 

 

 

Por - Agencia Brasil

Combustíveis e agricultura familiar recebem quase R$ 7 bi em créditos

O governo federal publicou nesta terça-feira (8) duas medidas provisórias que autorizam a abertura de créditos extraordinários que somam R$ 6,98 bilhões. Os recursos serão destinados ao financiamento de subsídios para combustíveis e ao fortalecimento da agricultura familiar por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

A maior parte dos recursos, R$ 6,605 bilhões, foi autorizada pela Medida Provisória nº 1.389 e será destinada ao Ministério de Minas e Energia, por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Do total, R$ 5,607 bilhões serão aplicados na subvenção econômica à produção e à importação de óleo diesel de uso rodoviário, de acordo com a Medida Provisória nº 1.363. Outros R$ 998 milhões serão direcionados à subvenção econômica para produção e importação de combustíveis derivados de petróleo.

Agricultura familiar

Também foi publicada a Medida Provisória nº 1.390, que abre crédito extraordinário de R$ 375 milhões ao Pronaf, sob supervisão da Secretaria do Tesouro Nacional, vinculada ao Ministério da Fazenda.

Os recursos serão destinados ao financiamento de operações de crédito no âmbito do principal programa federal de apoio à agricultura familiar, para a produção de alimentos.

Constituição Federal

As duas medidas provisórias foram editadas com base nos artigos 62 e 167 da Constituição Federal, que permitem a abertura de créditos extraordinários por ato do Executivo em situações consideradas urgentes e relevantes.

 

 

 

 

POr - Agência Brasil

Brasil tem quase 38 mil pessoas à espera de transplante de córnea

Atualmente, 37.719 pessoas aguardam na fila para transplantes de córnea em todo o país. Em dezembro de 2025, eram 32.639 pacientes - um aumento de 15% em apenas seis meses. Os números são do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). 

Apesar da alta demanda, a entidade destaca que nunca foram realizados tantos procedimentos desse tipo no Brasil. No ano passado, foram 17.790 cirurgias que ajudaram a recuperar a visão, um marco classificado pelo conselho como histórico.

“No entanto, o sistema nacional enfrenta um paradoxo: mesmo operando próximo à autossuficiência teórica para o fluxo anual, a lista de espera ativa continua se expandindo devido ao ritmo rápido de novas indicações médicas”, alertou a entidade. 

Como consequência do passivo acumulado ao longo dos anos, uma pessoa que aguarda por um transplante de córnea no Brasil leva, em média, 370 dias para realizar a cirurgia - tempo mais que duas vezes superior ao registrado há 10 anos, quando a demora era de 174 dias. 

Desafios 

Para o CBO, o cenário tem origem em múltiplos fatores, incluindo a falta de reajustes nos valores pagos pelos procedimentos e o impacto da pandemia de covid-19, que causou uma espécie de represamento de pacientes, sobretudo no período de 2020 a 2023.

Os especialistas apontam ainda a necessidade de contornar o problema de manutenção enfrentado por bancos de olhos em todo o país frente aos custos dos insumos, cotados em dólar.

Outro ponto identificado é o incremento de exigências nas fases de produção e processamento da córnea, como a necessidade de gestão de qualidade. 

“Essas causas alinhadas geram uma fatura que não fecha para o banco de olhos, que recebe a mesma coisa que há uma década, quando não existiam tantos requerimentos na legislação”, reforçou o conselho. 

Estados 

Consolidado como o maior exemplo de agilidade no país, o Ceará realizou 1.371 transplantes em 2025. Embora tenha registrado 1.639 novos ingressos ao longo do ano, a alta rotatividade do sistema permitiu que o estado encerrasse dezembro com apenas 93 pacientes ativos na lista de espera. 

O Mato Grosso também se destaca pela gestão da fila, com apenas 37 pacientes a espera do transplante.

No extremo oposto, o Rio de Janeiro realizou apenas 653 transplantes em 2025, enquanto recebeu 1.720 novos ingressos na fila no mesmo período. Esse desequilíbrio fez com que a lista acumulada fluminense fechasse dezembro de 2025 com 4.760 pessoas ativas.

Outros estados populosos também registram filas expressivas, como São Paulo, que concentra a maior fila absoluta, com 7.505 pacientes ativos em dezembro, e Minas Gerais, com 4.532 ativos. Ambos, entretanto, mantêm uma relação fila/transplante mais equilibrada em comparação ao caso fluminense. 

Os estados do Amapá e de Roraima não registraram a realização de nenhum transplante de córnea em 2025.

Boa avaliação 

Apesar dos volumes, especialistas do CBO ressaltam que o Brasil, em termos gerais, permanece bem avaliado em nível internacional, com um desempenho compatível com Canadá, Austrália e alguns países da Europa. 

Na América Latina, o Brasil aparece como grande destaque, bem à frente de Argentina, Chile, Colômbia e México.

Perfil dos pacientes 

Dentre os candidatos à espera para fazer um transplante de córnea, as mulheres são maioria (56% dos pacientes). 

No que se refere à idade, pessoas com 65 anos ou mais representam quase metade da fila (47%), reflexo, segundo o CBO, do envelhecimento da população e do aumento das doenças degenerativas da córnea.

Um dos pontos que chama atenção, de acordo com o conselho, é a fila infantojuvenil - atualmente, o Brasil registra um acumulado de 753 crianças e adolescentes ativos na lista de espera para transplante de córnea, em comparação a 616 pacientes registrados em dezembro de 2025.

Histórico

Os dados indicam que 2020 foi um ano decisivo para a formação do cenário atual, por conta das medidas sanitárias que suspenderam cirurgias eletivas, entre elas os transplantes de córnea, para manter liberados leitos para atender os casos de covid-19. 

Naquele ano, foram realizados 7.349 transplantes de córnea, pouco menos do que a metade produzida no ano anterior (14.942).

Apesar do impacto inicial da pandemia, o total de transplantes de córnea saltou para 12.869 em 2021, escalando para 14.082 em 2022, para 16.028 em 2023, para 17.108 em 2024 e finalmente alcançando o patamar recorde de 17.790 cirurgias em 2025.

Congresso 

O panorama de transplantes de córnea no Brasil está entre os temas debatidos ao longo do 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), que acontece até o próximo sábado (12) em Salvador. 

 

 

 

 

Por - Agência brasil

Um em cada cinco estudantes já fez apostas online, mostra pesquisa

Um em cada cinco alunos (20,4%) dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio diz já ter feito apostas online, as bets, informou, nesta quarta-feira (9), a Frente Parlamentar Mista da Educação. A proporção chega a quase metade dos pesquisados (49,7%) no 3º ano do ensino médio.

O levantamento, feito em parceria com a Equidade.info (iniciativa que produz dados para pesquisas), ouviu 1.912 estudantes de 191 escolas de todo o país. Um dos dados de maior impacto é que as apostas começam aos 11 anos de idade. Pelo menos 9,5% dos estudantes até essa faixa etária disseram já ter feito apostas.  

Meninos apostam mais

No Brasil, é proibido que menores de idade tenham acesso a plataformas de apostas online.

De acordo com o levantamento, os meninos apostam mais (27,8%) que as meninas (12,6%). 

No ensino médio, 41,7% dos meninos já apostaram - mais que o dobro do registrado entre os do fundamental 2 (19%). 

O levantamento foi realizado nos meses de agosto e setembro deste ano, com entrevistas presenciais e questionários estruturados. 

Desafios

De acordo com o professor e pesquisador brasileiro Guilherme Lichand, coordenador da pesquisa, as soluções centradas exclusivamente no comportamento individual dos usuários podem ser insuficientes para enfrentar o problema. 

Professor de Educação da Stanford Graduate School of Education, ele considera que há uma tendência de culpar as pessoas e alerta para o fato de que as plataformas costumam sugerir lembretes sobre perdas passadas como intervenções promissoras para moderar a prática. 

O pesquisador explica que estudos científicos sugerem que essas soluções não funcionam.

“Em vez disso, a proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, destaca.

Caminhos

Para Lichand, os dados indicam ainda que educação financeira não tem se mostrado suficiente para prevenir exposição às bets, já que estudantes em escolas com maior proporção de alunos com letramento financeiro têm maior probabilidade de apostar e menor controle sobre ganhos e perdas.

A pesquisa estima que as perdas agregadas podem ultrapassar R$ 1 bilhão entre o público pesquisado. Os organizadores do levantamento fazem uma série de recomendações de proteção. Entre elas:

  • maior tributação sobre transações nas plataformas,
  • restrições à publicidade e
  • medidas de proteção especialmente voltadas a menores de 18 anos.

 

 

 

Por - Agência Brasil

Governo identifica 97 médicos falsos de IA no Youtube e aciona Google

Uma força-tarefa do governo federal identificou 97 perfis que usam Inteligência Artificial (IA) no Youtube para simular médicos e outros profissionais de saúde e disseminar informações falsas, incluindo promessas de curas e tratamentos sem comprovação científica.

A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou, nessa terça-feira (9), o Google, que controla o Youtube, para que remova essas contas e alerte os usuários sobre os riscos à saúde que correm ao seguir recomendações de falsos profissionais.

“Os conteúdos usam avatares de aparência humana apresentados como médicos ou especialistas, atribuem qualificações profissionais fictícias e recorrem a linguagem alarmista para conferir credibilidade às informações”, diz nota do Ministério da Saúde (MS).

A pasta identificou os perfis por meio do programa Saúde com Ciência, que analisa desinformação na internet relacionada à Saúde.

“Parte dos perfis é direcionada especialmente à população idosa e, em alguns casos, utiliza a aparente autoridade dos personagens para promover produtos, e-books ou serviços pagos”, acrescentou o MS.

Assessoria do Google informou que não vai comentar o caso.

A notificação da AGU pede que o Youtube remova, em até 72 horas, os conteúdos identificados, ou adotem medidas de rotulagem e contextualização que deixem explícita a natureza artificial dos personagens.

“A plataforma também deverá avaliar os demais canais e vídeos apontados no relatório do Ministério da Saúde à luz de suas regras sobre desinformação em saúde e conteúdo sintético, além de adotar medidas para prevenir a disseminação desse tipo de material”, explicou, em nota.

Além da pasta da Saúde, a iniciativa conta com participação da AGU, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), e dos ministérios da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e da Ciência e Tecnologia (MCTI).

 

 

 

 

 

Por -Agência Brasil

PF mira grupo suspeito de desviar encomendas postais

A Polícia Federal (PF) cumpre três mandados de prisão preventiva nesta quarta-feira (9), contra suspeitos de furtar encomendas enviadas pelos correios, por meio do uso de documentos falsificados. Também estão sendo cumpridos oito mandados de busca e apreensão.

Os policiais cumprem os mandados na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro e no município de São Vicente, em São Paulo.

As investigações começaram em 2024, depois que uma mulher foi presa em flagrante enquanto retirava uma encomenda postal usando documentos falsos da verdadeira destinatária.

Segundo a PF, o esquema é parte de uma estrutura criminosa que monitora objetos de alto valor econômico, confecciona os documentos falsos e faz retiradas fraudulentas em diversas unidades dos Correios, nos estados do Rio e de São Paulo.

Pelo menos 24 ações criminosas foram monitoradas pela PF, entre elas retiradas tentadas e consumadas, desses objetos postais.

Os investigados poderão responder pelos crimes de furto qualificado mediante fraude e organização criminosa, sem prejuízo da apuração de outros delitos eventualmente identificados no decorrer das diligências.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Anvisa amplia indicação de vacina contra meningite

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação da indicação da vacina MenQuadfi para crianças a partir de 6 semanas de idade. A decisão permite que o imunizante seja usado tanto em adultos quanto em crianças para a prevenção da doença meningocócica invasiva causada pelos sorogrupos A, C, W e Y da bactéria Neisseria meningitidis.

A MenQuadfi é uma vacina meningocócica conjugada administrada por via intramuscular e já era utilizada em outras faixas etárias.

Com a autorização, o público-alvo passa a incluir bebês a partir de seis semanas de vida, um dos grupos mais vulneráveis às formas graves da doença.

Segundo a Anvisa, a ampliação da indicação foi baseada em estudos clínicos que avaliaram a segurança da vacina em cerca de 6 mil bebês com idade entre 6 semanas e menos de 12 meses, que receberam pelo menos uma dose do imunizante em diferentes esquemas vacinais. 

Também foram analisados dados de pouco mais de 5 mil crianças que receberam dose de reforço a partir dos 12 meses de idade.

De acordo com a agência, os resultados demonstraram perfil de segurança compatível com o esperado para vacinas meningocócicas conjugadas, sem o surgimento de novas preocupações relevantes relacionadas à segurança do produto.

Doença grave

Neisseria meningitidis é uma bactéria que atinge o sistema respiratório superior humano e pode ser transmitida por gotículas de secreção. Embora muitas pessoas sejam portadoras assintomáticas, em alguns casos o microrganismo consegue invadir a corrente sanguínea e provocar a doença meningocócica invasiva.

A infecção é considerada grave, tem rápida evolução e pode levar à morte mesmo quando tratada adequadamente. Segundo informações da Anvisa, a letalidade da doença gira em torno de 10% e até 20% dos sobreviventes podem desenvolver sequelas permanentes e incapacitantes.

Bebês e crianças pequenas, especialmente durante o primeiro ano de vida, estão entre os grupos com maior risco de desenvolver complicações graves.

Novo medicamento

A Anvisa aprovou também o registro do medicamento Voraxaze (glucarpidase), indicado para reduzir concentrações tóxicas de metotrexato em pacientes com insuficiência renal aguda ou com atraso na eliminação da substância pelo organismo.

O uso do medicamento foi autorizado para adultos e crianças com mais de 28 dias de vida.

O metotrexato é um imunossupressor usado em altas doses no tratamento de alguns tipos de câncer. Em situações de insuficiência renal ou eliminação retardada do medicamento, pode ocorrer acúmulo da substância no organismo, aumentando o risco de toxicidade grave.

Segundo a agência reguladora, o glucarpidase é uma enzima recombinante capaz de quebrar o metotrexato e reduzir rapidamente sua concentração no sangue, independentemente da função dos rins.

Com esse mecanismo, o medicamento permite a eliminação da substância por uma via alternativa à renal, representando uma opção terapêutica para pacientes que apresentam níveis tóxicos do quimioterápico.

 

 

 

 

 

Por -Agência Brasil