O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta segunda-feira (31) os microdados da amostra do Censo Demográfico 2022, que reúne informações detalhadas sobre características da população e dos domicílios brasileiros. A divulgação deste ano foi marcada por uma série de cuidados para evitar que o uso de novas tecnologias permita violar a confidencialidade dos dados.

De acordo com o IBGE, os microdados correspondem às informações obtidas a partir do conjunto de domicílios selecionados para responder a um questionário mais detalhado do que o aplicado ao universo da população.
“Esses dados permitem análises mais aprofundadas sobre as características socioeconômicas e demográficas do país”.
Com base nessas informações, é possível realizar estudos sobre temas como educação, trabalho, rendimento, habitação, migração e diversos aspectos das condições de vida da população.
“Cada registro representa uma unidade de observação, como um domicílio, uma família, uma pessoa ou dados sobre a mortalidade. Por exemplo, um registro de pessoa pode conter variáveis, como sexo, idade, cor, raça, nível de instrução, situação de ocupação, rendimento etc”, informou o instituto.
Os registros de domicílio podem oferecer informações sobre abastecimento de água, esgotamento sanitário, número de moradores ou condição de ocupação do imóvel, por exemplo.
“Esses arquivos são levados a público sem informações que identifiquem diretamente os informantes – sem nomes, CPF ou endereços – e ainda passam por tratamentos estatísticos de proteção, em conformidade com o princípio da confidencialidade estatística”, assegurou o IBGE.
Acesso à informação
Para o IBGE, a divulgação dos microdados é uma etapa importante do processo de acesso da sociedade aos resultados do Censo 2022.
Até chegar a esta etapa de publicação, a base de informações foi submetida a “procedimentos técnicos de crítica, imputação, testes de consistência e documentação, além da definição das áreas de ponderação e de avaliações específicas voltadas à proteção do sigilo estatístico dos informantes”.
O presidente do IBGE, Marcio Pochmann, lembrou que o Censo 2022 é o 12º censo demográfico feito no Brasil, o oitavo realizado pelo instituto, desde 1940, e o sexto com a divulgação da produção dos microdados.
Pochman destacou que os dados “dizem respeito a uma amostra que permitiu ao IBGE revelar, com mais precisão, informações dos brasileiros”.
Desafios tecnológicos
O presidente do instituto acrescentou que foi preciso enfrentar novidades da era digital, como os avanços da inteligência artificial e da ciência de dados, que colocaram em xeque a forma tradicional com a qual o IBGE divulgava os microdados. O temor era que essas informações fossem renomeadas ou identificadas.
De acordo com ele, o quadro técnico do IBGE fez uma avaliação criteriosa com base na lei que resguarda o sigilo das informações estatísticas, a Lei Nº 5.534/1968, e também na Lei Geral da Proteção de Dados, para que a divulgação dos microdados fosse mais segura.
O diretor da Diretoria de Pesquisas, Gustavo Junger, informou que essa necessidade de garantir mais segurança aos microdados chegou a provocar um atraso na divulgação, que inicialmente estava prevista para dezembro de 2025.
“Hoje é um dia realmente aguardado pela sociedade, e o IBGE finalmente disponibiliza os microdados do Censo 2022, que possui uma base de dados potente que orientará políticas públicas, investimentos e pesquisas acadêmicas ao longo dos próximos anos”.
A coordenadora técnica do Censo Demográfico (DPE/CTD), Giulia Scappini, disse que a preocupação com a possibilidade de identificação dos informantes surgiu a partir de novas tecnologias e a tendência crescente de compartilhamento de dados, o que acabava por aumentar a vulnerabilidade relacionada à privacidade dos respondentes.
“Nesse sentido, o IBGE vem aplicando melhoramentos metodológicos para se adequar às novas demandas de proteção da confidencialidade das informações prestadas”, explicou.
Tipos de acesso
A divulgação de agora traz um novo modelo de acesso estruturado em três níveis que, na avaliação do IBGE, estende as possibilidades de pesquisa e uso das informações, sem comprometer os padrões de confidencialidade e de segurança exigidos para dados estatísticos oficiais.
Para garantir a confidencialidade dos microdados, o Comitê Técnico de Qualidade do Instituto, criado em julho de 2025, desenvolveu diversos estudos e consultas internacionais. O trabalho resultou em um modelo de divulgação baseado em três níveis de acesso: o público, o controlado e o de dados restritos.
Segundo Manoela Cabo, do Comitê Técnico de Qualidade do IBGE, o acesso público poderá ser feito por qualquer pessoa que entrar no site do IBGE e baixar os microdados sem cadastros prévios. Neste nível, as informações vão somente até os dados relativos às unidades da federação.
No nível controlado, para pesquisadores e gestores, a identificação para o acesso é pela conta gov.br. “O pesquisador ou gestor assina um termo de compromisso digitalmente e cada pesquisador recebe seu próprio arquivo rastreável sem comprometer todo o estudo e as estatísticas produzidas”.
O terceiro, que é da Sala de Acesso Restrito (SAR), tem uma modalidade presencial já existente no IBGE, em que o acesso é mediante a apresentação de um projeto de pesquisa.
“Tem que submeter o projeto, que vai ser analisado com maior detalhe. Os dados não saem da sala de sigilo”, completou.
O modelo de divulgação dos microdados inclui um termo de compromisso que precisa ser assinado pela pessoa que faz o acesso. Para o coordenador do Comitê Técnico de Qualidade do IBGE, Cimar Azeredo, é mais um fator de segurança no processo.
“As pessoas podem produzir dados ou estatísticas, utilizar os microdados para fins de pesquisas, mas elas não podem utilizar os microdados com intuito de reidentificar pessoas. A pessoa tem que se comprometer em manter sob absoluto sigilo, não compartilhamento, nem redistribuindo ou transferindo ou cedendo, publicando arquivos de terceiros, incluindo repositórios, nuvem ou e-mail”, afirmou.
“Os microdados serão usados exclusivamente para a finalidade declarada. O uso comercial, publicitário e de marketing é vedado”.
Na carta que deve ser assinada, a pessoa se compromete a não reidentificar qualquer indivíduo, domicílio ou família.
“Você não pode pegar um microdado, gravar ele em CD e sair vendendo. Não é para isso. O microdado é para você fazer estudos. É para você produzir informações e estatísticas”, pontuou Cimar.
Por -Agência Brasil
O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu nesta segunda-feira (31) suspender a propaganda eleitoral do candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) na internet.

Toffoli também determinou a suspensão dos repasses do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) para o candidato e o proibiu de participar de debates que forem realizados em televisão, rádio e podcasts.
A decisão do ministro terá validade até a decisão final do TSE sobre o caso.
Segundo Toffoli, o partido Missão deixou de informar à Justiça Eleitoral perfis de propaganda do candidato nas redes sociais.
Na decisão, o ministro pontuou que 16 perfis ligados ao candidato foram informados ao TSE 12 dias após o período de registro de candidatura.
"Em simples consulta ao primeiro deles, que conta com 2,4 milhões de seguidores, constatei que o perfil veicula propaganda eleitoral, atrai recomendações de outros candidatos (que, portanto, igualmente não informaram os endereços à Justiça Eleitoral) e está sendo recomendado por esses candidatos", afirmou o ministro.
No entendimento de Toffoli, os perfis que não foram informados estão em situação irregular. "Constata-se que ao menos um perfil está em utilização irregular para difusão de conteúdo a milhões de seguidores e com favorecimento pelos algoritmos de recomendação", afirmou.
De acordo com a Lei das Eleições, partidos e candidatos devem informar à Justiça Eleitoral os endereços eletrônicos que serão usados na campanha, incluindo blogs e redes sociais.
Após a decisão do TSE, Renan marcou uma coletiva de imprensa para se pronunciar sobre a suspensão da propaganda. A entrevista será às 17h, em São Paulo.
Por -Agência brasil
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento da classe dos agonistas do receptor GLP 1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras.

O Yluméc, produzido pela farmacêutica EMS, tem como princípio ativo a semaglutida, o mesmo do Ozempic, que teve sua patente expirada em 20 de março.
Em nota, a EMS informou que a nova caneta é indicada para o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 e será produzida na fábrica de peptídeos localizada no complexo de Hortolândia (SP).
De acordo com o registro publicado no Diário Oficial da União, o Yluméc foi classificado como medicamento similar e tem como referência o Ozivy, caneta de semaglutida desenvolvida pela EMS e lançada em junho.
O novo medicamento será disponibilizado no formato de caneta aplicadora nas concentrações de 1,5 mililitro (ml), com quatro aplicações de 0,25 miligrama (mg) ou 0,5 mg; e de 3 ml, com quatro aplicações de 1 mg ou 2 mg.
“A partir do novo registro de semaglutida, entram agora em pauta definições estratégicas relacionadas ao planejamento comercial, preço e cronograma para o lançamento”, concluiu a EMS na nota.
por - Agência Brasil
Cerca de 45 milhões de usuários de internet com 16 anos ou mais no Brasil ─ 32% do total ─ sofreram tentativas de golpe com o uso de seus dados pessoais. Além disso, 20% relataram que foram vítimas efetivas desse tipo de crime.

Os dados inéditos são da terceira edição da pesquisa Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil, apresentada, nesta segunda-feira (31), no 17° Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais, no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.
O estudo foi realizado pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), área do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), vinculado ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br). A missão do Cetic.br é produzir dados estatísticos e análises de impactos das tecnologias digitais na sociedade.
A população-alvo do estudo, de abrangência nacional, foram os usuários de Internet com 16 anos ou mais no Brasil. A intenção foi conhecer a perspectiva das pessoas sobre privacidade, as práticas adotadas, os riscos percebidos e a visão sobre o uso de dados pessoais por terceiros. Realizada em dezembro de 2025, a pesquisa teve 2,5mil respondentes em entrevistas online (CAWI).
Segundo Winston Oyadomari, um dos coordenadores da pesquisa, é a primeira vez que o Cetic.br investigou este tema perguntando se as pessoas identificam as tentativas de golpes pela internet ou se foram vítimas.
“Esse é até um tema difícil, porque as pessoas ficam constrangidas e abaladas com as tentativas de golpe, então, não é um tema simples para a pesquisa abordar”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Golpes em aplicativos
Essas tentativas ocorrem por vários canais de comunicação. A principal via de abordagem são os aplicativos de mensagem (84% dos casos). Na sequência, estão as ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), email (69%) e redes sociais (67%).
“Mesmo as pessoas que não estão usando ou não têm o hábito de usar a internet, ou mesmo não têm habilidades com a tecnologia, elas também postam e estão sujeitas a este tipo de tentativa de golpe”, afirmou.
Oyadomari destacou a incidência das tentativas nas relações dos usuários com sites ou aplicativos falsos.
“A gente identificou que as pessoas que usam apenas o celular reportam mais tentativas de golpes por sites ou aplicativos falsos do que as pessoas que também usam computador. Pode existir aí uma limitação ou dificuldade que o próprio dispositivo de acesso proporciona, uma maior vulnerabilidade”, analisou.
A constatação das tentativas de golpes causaram reações específicas nos usuários. De acordo com o coordenador, a maioria citou estresse ou mal estar. “Isso afetou emocionalmente a pessoa e seus familiares”, complementou.
Os golpes, conforme explicou, não ficam apenas no roubo de dinheiro ou de dados bancários, mas incluem a perda de acesso a contas. Golpistas podem prejudicar o acesso aos serviços públicos ao tomar o controle do e-mail usado no Gov.br, por exemplo.
“Essa questão do roubo de acesso é também um fenômeno de preocupação, não só o prejuízo financeiro. Pode tirar do cidadão o acesso a serviços fundamentais, de governo, de assistência ou de políticas públicas”, alertou.
Escolaridade
Por trás dos dados elevados está o nível de escolaridade dos usuários. Quem tem um patamar mais baixo reportou todas as situações vivenciadas com mais frequência.
“A gente está dizendo basicamente que as pessoas menos escolarizadas estão tão sujeitas aos golpes quanto às demais. No entanto, entre as menos escolarizadas, o estrago é maior”, pontuou.
Segundo do coordenador, a partir da escolaridade, é necessário discutir não só a questão da proteção de dados, mas também a das capacidades e habilidades no uso da tecnologia.
“Essas duas coisas têm que andar juntas. Não adianta promover só uma cultura de proteção de dados, sem levar em consideração que uma parte importante das pessoas precisa desenvolver as habilidades digitais em busca de um ambiente digital seguro”, afirmou.
Inteligência artificial (IA)
Em uma primeira investigação sobre a relação dos brasileiros com ferramentas de inteligência artificial generativa, sob a ótica da privacidade, a pesquisa mostrou que, apesar de a utilização profissional ou acadêmica ser a mais comum, não é raro encontrar casos de uso dessas plataformas “para aconselhamento, suporte emocional e companhia”.
Entre as categorias analisadas, o uso de IA de generativa para trabalho ou de estudo foi a mais apontada (73%), seguida de preferências e gostos pessoais, como filmes ou músicas (58%), sentimentos e emoções (54%), dados de saúde, como sintomas e exames (52%) e fotos suas ou de pessoas conhecidas (50%). As menos citadas foram finanças pessoais, como orçamentos e investimentos (41%) e dados pessoais, como nome, endereço, data de nascimento ou CPF (37%).
A maioria (66%) dos usuários de IA generativa relatou estar preocupado ou muito preocupado com o uso de dados pessoais pelas empresas responsáveis por essas ferramentas. O percentual é maior entre os que têm nível mais alto de escolaridade (72%).
“Não é porque as pessoas utilizam a ferramenta que elas não estejam preocupadas, e não é porque estão preocupadas que vão deixar de utilizar. O uso e a preocupação andam de mãos dadas. Você utiliza a ferramenta porque ela traz benefícios, mas também tem preocupação por não existir uma transparência de como esses dados são utilizados”, observou o coordenador.
Para Oyadomari, a questão dos dados cada vez mais íntimos e pessoais serem divididos com as ferramentas está associada à preocupação. A compreensão do que é feito com esses dados é baixa e, por isso, esse nível de preocupação.
Outra preocupação é o compartilhamento de dados de saúde, que veio com as novas funcionalidades permitidas pelas ferramentas de IA generativa. Conforme o coordenador, as pessoas estão discutindo, por exemplo, os seus dados de saúde na IA generativa.
“Dados de saúde, tradicionalmente, são tidos como dados pessoais sensíveis. Existe toda uma preocupação de como são armazenados e sobre quem pode ter acesso ao seu prontuário médico. Isso é um tema de bastante preocupação no campo da proteção de dados e as pessoas”, chamou atenção.
Empresas
O estudo se estendeu às empresas brasileiras e 69% das que responderam as questões relataram armazenar dados pessoais de clientes e/ou usuários.
A biometria permaneceu como a mais frequentemente armazenada pelas organizações (31%), acompanhada na sequência por dados de saúde (26%). Ainda entre as empresas que guardam os dados, 9% disseram armazenar informações pessoais de menores de 18 anos.
“Esse percentual alcança 21% entre aquelas de grande porte e 19% no setor de alojamento e alimentação”, completou o estudo.
O levantamento mostrou um quadro de estabilidade na implementação de estruturas formais de governança ou adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Os dados indicaram que “40% das empresas realizam reuniões específicas sobre o tema, 32% contrataram consultorias ou assessorias externas especializadas, 20% mantêm uma área ou funcionários dedicados a atividades de proteção de dados e apenas 16% nomearam formalmente um encarregado de proteção de dados (DPO)”.
As medidas mais reportadas pelas empresas na pesquisa foram a alteração de contratos vigentes (30%), a criação de política de uso de dados de funcionários (29%) e o desenvolvimento de políticas de privacidade (28%).
Poder Público
No setor público, houve avanço na presença de áreas ou responsáveis por privacidade especialmente na esfera municipal. Impulsionada, por prefeituras de até 10 mil habitantes (de 31% para 37%), a fatia de órgãos públicos que dedicaram parte de sua estrutura ao tema subiu de 36%, em 2023, para 42%, em 2025.
A presença dessas estruturas nos órgãos federais e estaduais se mostrou mais presente no Ministério Público (100%), Judiciário (94%) e Legislativo (83%) do que no Executivo (74%).
A implantação de políticas de segurança da informação também aumentou, de 24% para 28%, em estabelecimentos públicos de saúde. O percentual chega a 54% nos hospitais públicos com mais de 50 leitos.
“A realização de treinamentos em segurança da informação para equipes dobrou na rede pública, passando de 16%, em 2023, para 32%, em 2025”, apontou o estudo.
As escolas públicas também registraram avanço na presença de políticas de proteção de dados e segurança da informação. A proporção de instituições que possuíam documento com essas diretrizes passou de 37%, em 2020, para 54%, em 2025.
A utilização de serviços digitais relacionada à privacidade e à proteção de dados influenciou o cenário em 2025: 39% dos gestores de escolas públicas que não utilizavam programas, sistemas e plataformas na gestão escolar relataram que “a preocupação com a privacidade e a proteção de dados pessoais está entre os principais desafios associados à adoção desses recursos". A proporção chega a 36% nas redes municipais e a 58% nas estaduais.
Para 25% dos gestores de escolas públicas, a segurança de dados é também um dos motivos para não utilizar dispositivos, plataformas ou outros recursos educacionais digitais, apontando como motivos os riscos de vazamento ou roubo de dados dos alunos (16%) e a falta de clareza nos termos de uso sobre o tratamento dessas informações (15%).
Em relação à formação e ao compartilhamento de informações sobre o tema, o levantamento apontou ainda que 73% dos gestores relataram ter recebido orientações da rede de ensino sobre o tratamento de dados de alunos e profissionais, e 46% das instituições realizaram debates ou palestras sobre o tema (contra 32% em 2023), tendo como público principal professores (44%) e funcionários (43%).
Para a coordenadora do CGI.br, Renata Mielli, ao mesmo tempo em que os usuários precisam prestar atenção às informações que compartilham, não é possível transferir para eles a responsabilidade por proteger seus dados.
“É fundamental que empresas e organizações públicas adotem práticas de governança, transparência e segurança capazes de garantir o uso responsável dessas informações. A proteção de dados é uma dimensão essencial da autonomia e dos direitos das pessoas na sociedade digital”, disse em texto de divulgação da pesquisa.
Por - Agência Brasil
Três novos medicamentos para o tratamento de câncer de pulmão serão disponibilizados a pacientes em tratamento no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir de outubro. São eles o brigatinibe, o gefitinibe e o durvalumabe. 

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 1,9 mil pacientes devem ser atendidos. Consideradas medicações de alta tecnologia, os remédios podem custar até R$ 643 mil por ano na rede privada.
O brigatinibe e o gefitinibe são duas terapias-alvo orais que atuam diretamente sobre alterações específicas das células cancerígenas. Uma das vantagens é que o remédio pode ser administrado na casa do paciente com menor incidência de eventos adversos em comparação aos esquemas convencionais de quimioterapia.
O terceiro medicamento, o durvalumabe, estimula a capacidade do sistema imunológico de combater os tumores cancerígenos. Ele é indicado para pacientes com câncer de pulmão em estágio 3, que não podem ser tratadas com cirurgia.
“O tratamento demonstra ganhos na sobrevida global dos pacientes”, segundo o ministério.
As medicações serão financiadas integralmente pelo governo federal a partir da implementação da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), criada para ampliar a oferta de tratamentos pelo SUS.
De acordo com o ministério, serão ofertados por meio da AF-Onco 23 medicamentos oncológicos de alto custo, ampliando em 35% a oferta de tratamentos na rede pública.
A estimativa é de que mais de 100 mil pessoas sejam contempladas pela política, com orçamento anual estimado em R$ 2,1 bilhões.
Por -Agência Brasil
Pacientes adultos em tratamento contra o câncer colorretal metastático têm o medicamento Fruzaqla (fruquintinibe) como opção de tratamento. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro da substância nesta segunda-feira (31).

O produto é indicado ao tratamento de pacientes, entre outras situações, que já passaram por quimioterapia à base de fluoropirimidina, oxaliplatina e irinotecano.
O fruquintinibe é um medicamento que bloqueia, de forma específica, alguns receptores. Esses receptores são importantes para a ação do VEGF, substância que estimula a formação de novos vasos sanguíneos.
O bloqueio dessa via é uma estratégia muito usada no tratamento do câncer, incluindo o tipo colorretal. Ao impedir a ação desses receptores, o novo medicamento reduz a formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor, dificultando seu crescimento. O Fruzaqla “corta o suprimento” de sangue do tumor e assim ajuda a controlar a doença.
por - Agência Brasil
O mercado financeiro rebaixou a projeção de inflação e prevê menor crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para 2026, enquanto o câmbio do dólar e a taxa Selic permanecem inalterados nas previsões do ano.

As informações constam no Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (31) pelo Banco Central (BC), em Brasília.
A publicação semanal traz a estimativa média de instituições financeiras – como bancos, corretoras e consultorias – para a economia do país em 2026 e, também, para os próximos três anos.
Inflação
Segundo o Focus desta semana, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o índice oficial de inflação do país, caiu de 5,02%, na semana passada para 5,01%, hoje.
A projeção de inflação para 2027 mostra uma leve alta na inflação de 4,25% para 4,28% e estabilidade nos anos de 2028 e 2029, com estimativa de 3,80% e 3,50%, respectivamente.
Atualmente, o IPCA acumulado em 12 meses é 4,44%, trazendo o indicador de volta para a meta do governo, conforme os dados oficiais de julho divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
PIB
As instituições ouvidas pelo Boletim Focus projetam queda para este ano do PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país, de 1,95%, há uma semana, para 1,92%, atualmente.
Para os três próximos anos, a expectativa do mercado não se alterou, com previsão de crescimento de 1,50%, para 2027; 1,98% para 2028; e 2% para 2029.
Dólar
A previsão do mercado financeiro para o câmbio brasileiro é que o dólar terminará o ano de 2026 cotado a R$ 5,20. A previsão de cotação atual repete a que foi divulgada há quatro semanas.
De acordo com os analistas, o valor da moeda norte-americana terá uma alta para R$ 5,30, em 2027. Valor mantido para chegar no fim de 2028. Em 2029, o câmbio deve subir mais uma vez para R$ 5,36.
O comportamento do dólar frente ao real influencia diretamente o desempenho da economia brasileira. Com o câmbio desvalorizado, ou seja, alta da moeda estrangeira, bens importados ficam mais caros, o que pressiona a inflação para cima. No entanto, favorece as exportações porque deixa os produtos brasileiros mais em conta no exterior.
Por outro lado, a moeda valorizada – queda na taxa – faz com que produtos importados fiquem mais baratos no país, o que pode refletir em menos pressão sobre a inflação. Mas pode ser prejudicial à indústria nacional, que precisa concorrer com produtos estrangeiros que ficam com os preços mais competitivos.
Juros
As instituições financeiras mantiveram a estimativa para a taxa básica de juros (Selic) da economia brasileira em R$ 13,75. A Selic serve de referência para todas as demais operações de crédito, como a dívida pública.
A Selic é decidida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, em reuniões realizadas a cada 45 dias.
O mercado acredita que, em 2027, a Selic terminará o ano em 12%. Para 2028, o Focus mantém, há quatro semanas, a projeção em 10,5% e para 2029, deve alcançar 10%.
Atualmente, a Selic está em 14% ao ano. A última reunião foi em 5 de agosto, quando o Copom ajustou a Selic em um ambiente de desaceleração da inflação, mas ainda marcado por incertezas o que exige prudência, conforme a última ata da reunião publicada.
O nível da Selic influencia o desempenho da economia. Quando a taxa está em patamar elevado, pode deixar as operações de crédito com maior custo, o que pode desestimular o consumo interno. Já a taxa em níveis reduzidos é um incentivo para a obtenção de crédito e favorece o investimento. A atenção é para não haver pressão inflacionária.
Por - Agência Brasil
A Câmara dos Deputados pautou para esta segunda-feira (31) a votação da medida provisória (MP) apelidada de “taxa das blusinhas”. De autoria do Executivo, a MP 1.357 de 2026 zera o imposto de importação de 20% para compras internacionais de até US$ 50 feitas pela internet.

Se aprovado na Câmara, o dispositivo segue para análise do plenário do Senado. A sessão deliberativa dos deputados federais está marcada para começar às 18h. Antes, porém, o texto precisa ser aprovado na Comissão Mista, que se reúne às 16h para votar relatório da senadora Leila Barros (PDT-DF), que é favorável ao projeto.
O presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), chegou a segurar a instalação da comissão mista responsável pela análise da MP das blusinhas, que perde a validade no dia 8 de setembro se não for votada nas duas casas legislativas.
A comissão mista da MP das blusinhas avançou após conversas entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Alcolumbre.
O fim da taxa das blusinhas sofre oposição de empresários brasileiros. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) argumenta que a tarifa reduz a concorrência “desleal” de produtos importados, em especial da China. Por outro lado, o governo sustenta que a redução da tarifa favorece o consumo popular.
Outras pautas de interesse do governo federal também estão previstas para serem analisadas nesta semana de “esforço concentrado” do Congresso Nacional, como as propostas de emenda à Constituição (PECs) do fim da escala 6x1 e da segurança pública.
Fim da escala 6x1
O texto que prevê o fim da jornada de trabalho de seis dias para um de descanso deve ser analisado na quarta-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
O relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), apresentou na última quinta-feira (27) parecer favorável e rejeitou as 12 emendas apresentadas pelos senadores. A estratégia é manter o texto aprovado pela Câmara e, assim, evitar que a proposta retorne para análise dos deputados.
Mototaxistas e entregadores de aplicativo
A Câmara ainda pode votar nesta semana outras duas medidas provisórias ligadas aos trabalhadores de aplicativos: uma simplifica as regras para mototaxistas e profissionais de motofrete (MP 1360 de 2026) e outra cria linha de financiamento para entregadores comprarem motos e bicicletas elétricas (MP 1.366 de 2026).
Entre os outros projetos que podem ser analisados pelos deputados estão a manutenção dos incentivos fiscais para doações aos programas de atenção oncológica e de saúde da pessoa com deficiência, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e o Plano Nacional de Cultura para os próximos 10 anos.
Por - Agência Brasil
O último dia de agosto é marcado por contrastes extremos no país, com previsão de temporais e alerta de perigo na Região Sul — onde Curitiba pode alcançar 35°C e Porto Alegre não passa dos 19°C —, enquanto o Centro-Oeste e o Norte enfrentam calor intenso de até 41°C em capitais como Cuiabá e Porto Velho, combinados com tempo seco e chuvas isoladas em outras regiões.

Devido à persistência do calor e do tempo seco, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu, hoje (31), dois alertas. O primeiro, um aviso amarelo de perigo potencial para baixa umidade [INMET - Avisos] abrange extensas áreas em 11 unidades federativas (BA; DF; GO; MA; MT; MS; MG; PA; PE; PI e SP) onde a umidade relativa do ar pode variar entre 30% e 20%, com riscos à saúde e de incêndios florestais.
O segundo alerta, laranja, abrange outras regiões em dez unidades federativas (BA; DF; GO; MT; MS; MG; PA; RO; SP e TO), nas quais a umidade relativa do ar pode variar entre 20% e 12%.
O ar muito seco dificulta a dispersão de gases poluentes e resseca as mucosas das vias aéreas, o que, segundo o Ministério da Saúde facilita crises de asma, alergia, além de infecções virais e bacterianas. Associado às altas temperaturas, o tempo seco também potencializa queimadas e incêndios florestais. Nestes casos, é necessário beber bastante água; evitar atividades físicas ao ar livre e a exposição ao sol entre 10h e 17h; procurar um posto médico em caso de problemas respiratórios; evitar banhos com água quente e, se necessário, usar hidratante.
Quando a umidade fica entre 21% e 30%, a Defesa Civil pode decretar o estado de atenção. Caso o indicador caia mais, pode ser decretado o estado de alerta, que ocorre com umidade entre 12% até 20%, ou o estado de emergência, para índices abaixo dos 12%.
Saiba mais detalhes de acordo com o boletim meteorológico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para esta segunda-feira (31) em cada região do país:
Região Sul
As chuvas não dão trégua e espera-se grandes contrastes de temperatura entre os estados da região. Ocorrem chuvas com trovoadas desde o centro-sul e oeste do Paraná até o sul do Rio Grande do Sul. Há céu encoberto com temporais no sul do Paraná, em todo o estado de Santa Catarina e no centro-norte do Rio Grande do Sul, incluindo Porto Alegre. O Inmet mantém para esta segunda-feira o aviso laranja de perigo para tempestades em todo o estado de Santa Catarina, norte e oeste do Rio Grande do Sul e também para o leste e o centro do Paraná. Curitiba pode atingir 35°C, enquanto Porto Alegre não passa dos 19°C.
Região Norte
Aumento da instabilidade com pancadas de chuva e trovoadas isoladas no oeste e norte do Amazonas. Chuvas isoladas também no Acre, nas demais áreas do Amazonas, e no centro-oeste e norte de Rondônia e Roraima. Sol e poucas nuvens no Tocantins e centro-sul do Pará. Forte calor à tarde, com máximas de até 37°C em Manaus, 39°C em Palmas e 41°C em Porto Velho. A mínima prevista entre as capitais da região deverá ocorrer em Rio Branco (AC), onde a temperatura pode atingir os 22ºC.
Região Nordeste
Ocorrem pancadas de chuva isoladas no litoral leste (pegando do litoral norte da Bahia até o Rio Grande do Norte, incluindo Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Paraíba) e no agreste desses estados. O centro-norte do Ceará, norte do Piauí e Maranhão, e o litoral sul da Bahia ficam com muitas nuvens, mas sem chuva. Céu com poucas nuvens em grande parte da Bahia, oeste de Pernambuco e da Paraíba, sul do Ceará e centro-sul do Piauí e Maranhão. Temperaturas em elevação no interior do Nordeste. A máxima pode chegar a 39º C em Teresina, enquanto a mínima prevista (21ºC) entre as capitais nordestinas podem ocorrer em Salvador e Maceió.
Região Centro-Oeste
As pancadas de chuva se espalham por Mato Grosso do Sul (apenas o nordeste do estado fica sem chuva, com muitas nuvens). Muitas nuvens também no noroeste, oeste e sul de Mato Grosso e no sul de Goiás. Sol e poucas nuvens nas demais áreas. Nas áreas onde predomina o tempo seco, como o Distrito Federal, a tendência é forte elevação das temperaturas, com possibilidade de a temperatura máxima chegar a 41ºC em Cuiabá
Região Sudeste
Muitas nuvens no sul e oeste de Minas Gerais e em São Paulo, com possibilidade de chuvas isoladas no oeste, centro e sul paulista. Céu com poucas nuvens nas demais áreas. O calor continua intenso na capital paulista, com máxima de 36°C.
POr - AgÊnca Brasil
As tempestades que atingiram o Paraná durante o fim de semana ocasionaram danos em pelo menos dez municípios, de acordo com a Defesa Civil Estadual. A chuva segue com forte intensidade em algumas regiões do estado até esta terça-feira (1.º). Segundo o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), as tempestades dão uma trégua na quarta (02), mas voltam entre quinta (03) e sexta-feira (03) ao Estado.
As tempestades começaram sábado (29) devido a um conjunto de fatores: uma frente fria semi-estacionária na altura do Rio Grande do Sul, somada a um ar bastante aquecido e úmido sobre o Sul do Brasil de modo geral, e a presença de uma área de baixa pressão em superfície, além de algumas perturbações meteorológicas em médios e altos níveis da atmosfera.
Áreas de instabilidade se formaram no Sul e no Leste do estado, bem como em pequenas áreas dos Campos Gerais e a faixa Central do Paraná. As temperaturas passaram dos 30°C em 36 estações meteorológicas do Simepar pelo estado, o que também favoreceu a formação de tempestades.
Os volumes de chuva não passaram dos 10 mm, mas as rajadas de vento superaram 60 km/h nas estações meteorológicas do Simepar que ficam no Distrito de Entre Rios, em Guarapuava; em General Carneiro; Laranjeiras do Sul; Maringá; no Pico Marumbi; no Distrito de Horizonte, em Palmas; e em Santa Maria do Oeste.
No domingo (30), com o aprofundamento da área de baixa pressão e a intensificação do escoamento dos ventos da região amazônica para o Sul do Brasil transportando calor e umidade, as chuvas que já vinham atuando com força sobre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina avançaram sobre o Paraná. O abafamento ficou mais persistente no Noroeste e Norte do estado, mas a convergência dos ventos estava mais persistente sobre a metade sul e a região Leste do Paraná, justamente onde foram registrados os maiores acumulados de chuva durante o domingo, além de precipitações de granizo.
As rajadas de vento foram mais fortes em Santa Maria do Oeste às 13h45 (95,8 km/h); em Guaíra às 9h30 (74,2 km/h); em Laranjeiras do Sul às 12h30 (69,8 km/h); em Guarapuava às 7h (67,7 km/h); em Toledo às 10h30 (67 km/h); e em Ponta Grossa às 15h (65,9 km/h). Os maiores volumes de domingo ocorreram nas estações do Simepar em Morretes (73,4 mm), União da Vitória (66,4 mm), Curitiba (53,8 mm), Palmas (52,2 mm), e Cerro Azul (48,6 mm).
No domingo, os sensores de raios do Simepar contabilizaram 30.313 raios nuvem-solo em 364 dos 399 municípios paranaeneses. As cidades com maior incidência foram Mangueirinha (939 raios) e Pinhão (833 raios).
OCORRÊNCIAS - Até o início da manhã desta segunda-feira (31), a Defesa Civil Estadual registrou 10 municípios com estragos decorrentes das tempestades com vendaval e granizo no fim de semana. Os casos mais graves foram em Pinhão, no Centro-Sul do estado, onde o granizo danificou a cobertura de 304 imóveis. Situação semelhante a de Marmeleiro, no Sudoeste, que contabilizou 300 residências danificadas em razão da queda de granizo. Também houve ocorrências em Adrianópolis, Alto Piquiri, Arapoti, Cafezal do Sul, Candói, Londrina, Renascença e Toledo.
Equipes dos Núcleos de Atuação Regional (NAR) prestam auxílio complementar aos municípios desde o comunicado das ocorrências. O levantamento total dos danos pelas prefeituras ainda está em andamento.
Em razão das condições adversas deste domingo, foram emitidos 30 alertas de risco alto (laranja) e 15 Defesa Civil Alerta, de risco muito alto (vermelho) com uso da tecnologia cell broadcast para as regiões Sudoeste, Centro-Sul e Norte Pioneiro.
PREVISÃO - Ao longo da madrugada desta segunda-feira (31), áreas de instabilidade continuaram atuando sobre o Paraná. Antes mesmo das 9h, os volumes de chuva já tinham ultrapassado os 40 mm em São Jorge d'Oeste (42,2 mm), Capanema (53,4 mm), Cruzeiro do Iguaçu (63,6 mm), Laranjeiras do Sul (57,4 mm), Quedas do Iguaçu (46,2 mm), Nova Prata do Iguaçu (57,8 mm), São Mateus do Sul (47,2 mm), Verê (45,6 mm) e Boa Vista da Aparecida (74,2 mm).
A atividade elétrica segue persistente. Nesta segunda-feira os sensores de raios do Simepar contabilizaram 11.800 raios nuvem-solo entre 0h e 10h, em 232 dos 399 municípios do estado. As cidades com maior incidência de raios foram Guarapuava (529) e Candói (518).
A instabilidade persiste ao longo do dia, se estendendo sobre as demais regiões paranaenses, principalmente no período da tarde. Devido à nebulosidade e chuva persistente, as temperaturas ficam mais amenas na metade sul do estado. No Norte e Noroeste as temperaturas ficam mais elevadas, podendo chegar aos 30°C, até mesmo com presença de sol em alguns momentos.
Entre a tarde e a noite, as chuvas avançam para o Norte, Campos Gerais e Leste, e estendem-se até a madrugada da terça-feira (1.º). Ao longo do dia, a chuva fica mais concentrada sobre a faixa norte, região dos Campos Gerais e Leste, com tendência de melhoria nas condições meteorológicas no Oeste, Centro e Sul do Paraná, onde o sol já aparece no período da tarde.
As chuvas se afastam do Paraná, com o frio retornando sobre o estado entre a terça e a quarta-feira. Há possibilidade para geada de fraca intensidade no extremo Sul do estado. O sol predomina na quarta e na quinta-feira (03), mas as temperaturas máximas não sobem muito: ficam abaixo dos 20°C no Centro-Sul, Sudeste e Leste, em torno dos 20°C no Oeste e Sudoeste, e acima dos 25°C no Norte e Noroeste.
O Simepar já monitora o retorno das chuvas entre a quinta e a sexta-feira (04) sobre o Paraná. Há previsão de pancadas de chuva com trovoadas localizadas sobre todas as regiões. Novos boletins serão emitidos nos próximos dias.
Por -Simepar
Resultado da edição Regional 2026 reafirma a excelência da instituição e consolida o curso como referência na formação médica de qualidade.
O curso de Medicina do Centro Universitário Campo Real voltou a se destacar no Teste de Progresso da Associação Brasileira de Educação Médica (ABEM). Na edição Regional 2026, os acadêmicos da instituição alcançaram desempenho acima da média geral das escolas participantes, reforçando o resultado positivo do curso na avaliação.
O Teste de Progresso acompanha o desenvolvimento do conhecimento dos estudantes ao longo de toda a graduação em Medicina. Realizada periodicamente, a avaliação permite observar a evolução acadêmica dos alunos e também oferece às instituições importantes indicadores para o aprimoramento contínuo do processo de ensino e aprendizagem.
Para a Campo Real, os resultados refletem o trabalho desenvolvido ao longo da formação médica, que alia conhecimento científico, prática, tecnologia e contato com diferentes cenários de aprendizagem.
Vestibular de Medicina 2027 está com inscrições abertas
O novo resultado chega também em um momento importante para quem deseja iniciar a trajetória na Medicina. A Campo Real está com inscrições abertas para o Vestibular de Medicina 2027, com prova marcada para 27 de setembro, às 14h.
Neste processo seletivo, os candidatos poderão realizar a prova em oito cidades: Guarapuava, Irati, Laranjeiras do Sul, Curitiba, União da Vitória, Canoinhas, Ivaiporã e Pitanga, ampliando as possibilidades para estudantes de diferentes regiões.
O curso de Medicina da Campo Real é presencial, integral e tem duração de seis anos. A graduação também conta com conceito de excelência no MEC e conceito 4 no Enamed, somando indicadores que evidenciam o compromisso da instituição com a qualidade da formação médica.
As inscrições para o Vestibular de Medicina 2027 podem ser realizadas pelo site camporeal.edu.br.
Antes mesmo de o fenômeno climático El Niño — que provoca aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico — atingir seu ápice, ele já começa a afetar o preço de commodities agrícolas.
A expectativa é que a intensificação dos efeitos comece nos próximos meses, mas o mercado financeiro e o setor agrícola já sentem o impacto. O chamado “prêmio de risco climático” tem antecipado a valorização de commodities, como café, açúcar e cacau.
Levantamento da consultoria StoneX, elaborado a pedido do GLOBO, mostra que os contratos futuros de cacau em Nova York acumulam alta superior a 40% desde o início de fevereiro. O movimento é impulsionado pela preocupação com a próxima safra (2026/2027), percepção que ganha força conforme modelos climáticos passam a indicar probabilidade elevada de um El Niño forte. O aumento de preços ocorre mesmo em um período de melhora da oferta de curto prazo e recuperação de estoques, mostrando que o mercado financeiro concentra as atenções nas incertezas climáticas futuras.
Junho foi marcado por chuvas excessivas em importantes regiões produtoras de cacau da Costa do Marfim e de Gana, o que aumentou relatos de enchentes, dificuldades operacionais e pressão de doenças. Isso prejudica a produtividade e reduz o ritmo das vendas antecipadas. A StoneX revisou para baixo a projeção de superávit global de cacau, de 149 mil para apenas 25 mil toneladas, incorporando o risco climático de forma mais incisiva.
Em agosto, os contratos de açúcar em Nova York acumulam alta de 22%, com preço na faixa de 17 a 18 centavos de dólar por libra-peso. No primeiro semestre, o valor estava em 14 centavos. No caso do café, os preços do arábica já subiram 35% e os do robusta, 20% desde meados de junho.
Carolina Giraldo, analista sênior do agronegócio da StoneX, afirma que o El Niño já exerce influência na formação dos preços nas Bolsas de Nova York, antecipando um prêmio de risco climático. No caso do café, embora os efeitos mais severos do El Niño sejam esperados nos próximos meses, mudanças climáticas já são percebidas, com chuvas acima do padrão no cinturão cafeeiro brasileiro. Isso altera a qualidade dos grãos, causando fermentação e dificultando a secagem. E a umidade quebrou a dormência das plantas, antecipando as floradas em Minas Gerais, São Paulo e Bahia.
— O El Niño é um dos fatores que dão sustentação à alta recente nos preços do café. O mercado financeiro se antecipa diante da alta probabilidade de um El Niño forte coincidir com etapas reprodutivas mais sensíveis do cafeeiro. O excesso de umidade causou atraso na colheita, provocou a fermentação dos grãos, dificultando a secagem e prejudicando a qualidade final da bebida, afetando especialmente os cafés especiais — diz Carolina.
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Comida pode subir até 9,5%
Relatório do Itaú afirma que o fenômeno deve prejudicar a produção agrícola e contribuir para uma queda do PIB agropecuário em 2027. O texto afirma que a cultura do milho deve ser a mais afetada, pois a alteração no regime de chuvas provoca atraso no plantio da soja e reduz a janela ideal para a “safrinha”, a segunda safra de milho. O governo Lula já discute ampliar a compra e os estoques do produto para conter os impactos do El Niño. O Itaú projeta uma retração de 1,3% do PIB da agropecuária, já incorporando uma quebra na produção de milho, com queda de 17% desse volume.
— É uma projeção muito próxima à média observada nos episódios recentes de El Niño forte, quando as perdas foram de 21% entre 2015 e 2016 e 13% entre 2023 e 2024. O milho é a cultura que historicamente mostrou maior vulnerabilidade ao fenômeno — explica Julia Gottlieb, economista do Itaú Unibanco.
O Itaú projeta inflação de 5,1% em 2026 sendo que 0,3 ponto percentual desse total já corresponde ao efeito estimado do fenômeno.
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, reforça que o impacto inflacionário maior, causado pelo El Niño, deve ocorrer em 2027, quando a safra agrícola afetada chegará às gôndolas dos supermercados. Vale projeta que a inflação de alimentos no domicílio pode subir entre 7,5% e 9,5% no ano que vem, com feijão e arroz liderando as altas. Além disso, a seca na Amazônia pode encarecer o frete rodoviário entre 10% e 22%, diz.
Ele pondera, entretanto, que a estrutura produtiva do agro brasileiro mudou nos últimos dez anos, o que deve atenuar os efeitos do El Niño nos preços na comparação com outras vezes que o fenômeno se manifestou. A produção do agro brasileiro migrou do semiárido (região mais vulnerável à seca) para o Cerrado do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (região conhecida como Matopiba) e para o Centro-Oeste. Com isso, na cultura de milho, por exemplo, a sensibilidade da lavoura à seca caiu de 20% em 2016 para 15% hoje.
— O semiárido pesa menos no total da produção. Em 2016, por exemplo, o feijão dessa região ainda significava muito na oferta, o que causou explosão de 135% no preço. Hoje, a produção está mais deslocada para áreas irrigadas de terceira safra no Centro-Oeste, o que limita a escala de pressão sobre preços em comparação a 2016 — diz Vale.
Ele lembra que após o El Niño de 2015/16, a inflação de alimentação no domicílio ficou quase 8 pontos acima do IPCA cheio. No episódio mais recente (2023/24), o excesso foi de apenas 3,5 pontos, mostrando que a adaptação da lavoura já chegou aos supermercados. Agora, o fenômeno deve adicionar entre 0,6 e 0,9 ponto percentual ao IPCA.
— O Brasil está mais protegido contra a seca no Norte e Nordeste do que em 2016, mas mais exposto aos riscos de excesso de água no Sul e aos gargalos logísticos na Região Norte. O arroz gaúcho é irrigado e não sofre com a falta de água, mas com o excesso de chuva, que pode causar alagamentos, atrapalha o plantio e a colheita — diz o economista, que vê o produto como o maior risco de alta de preço causada pelo El Niño, já que o Rio Grande do Sul concentra 71% da produção nacional.
Mudança de hábitos
A preocupação com os efeitos do fenômeno climático aumentou no início de agosto, quando novo boletim do National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) mostrou que a probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” ainda em 2026 subiu de 81% para 95%, com o fenômeno persistindo até outubro de 2027.
Alexandre Bertoncello, economista e consultor, observa que historicamente, em ciclos de intensidade média, o El Niño impacta a inflação de alimentos em 1,5 ponto percentual ao ano. Na prática, diz ele, para cada mil reais gastos em comida, o brasileiro passaria a gastar R$ 15 a mais devido ao choque climático. Se a intensidade do fenômeno aumentar, o impacto será maior.
— Enquanto a alimentação no domicílio subiu 1,43% em 2025, a expectativa é que esse índice suba para uma faixa entre 7% e 8% em 2026 — prevê.
Mas ele alerta que uma quebra na produção de milho e soja elevaria o custo da ração animal, gerando um choque generalizado, afetando preços de ovos, aves, suínos, carne bovina, leite e derivados. Em um segundo momento, o excesso de umidade no Sul pode diminuir a produção de arroz e trigo. Além da perda física, o custo de colheita e armazenamento sobe, pois grãos guardados úmidos estragam mais facilmente ou exigem processos de secagem mais caros. Bertoncello prevê que os alimentos no IPCA de 2027 podem subir para algo entre mais de 8% ou 9%. Ele define o cenário como “bastante preocupante”, típico de ciclos de El Niño forte.
De acordo com a Nottus, empresa de inteligência de dados e consultoria meteorológica para negócios, o fortalecimento do El Niño ao longo do segundo semestre deste ano deve provocar mudanças nos hábitos de consumo no Brasil, principalmente devido à alteração na duração das estações e à ocorrência de eventos climáticos extremos.
— O fortalecimento do El Niño tende a reduzir a duração do frio e antecipar a transição para temperaturas mais elevadas, especialmente na segunda metade da estação — diz Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus.
Itens de meia-estação e produtos relacionados à climatização (como ventiladores e ar-condicionado) devem registrar crescimento de demanda mais cedo que o habitual. A consultoria alerta que problemas na produção de matérias-primas (como fibras naturais e couro) e desafios logísticos causados pelo excesso de chuva no Sul ou seca no Norte podem pressionar os preços para fabricantes e para varejistas.
Por - O Globo


























