Executivos de grandes empresas de tecnologia passaram a defender uma pausa no avanço da inteligência artificial para tornar o desenvolvimento da tecnologia mais seguro. O movimento ganhou força após um texto publicado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pela IA Claude.
"Dada a aceleração do desenvolvimento de capacidades de IA, me preocupa que, em 6 a 12 meses, tal enxame possa ser capaz de dominar toda a internet. Se não for controlada, pode ultrapassar nossa capacidade de entender e controlar esses sistemas, e por isso seu desenvolvimento deve avançar com muito cuidado, se é que deve avançar”, escreveu Amodei.
"Concordo com Dario que precisamos marcar o ritmo da fronteira. Esse tem sido um tema principal das discussões que tivemos na OpenAI. Comprometer-se a ter avaliadores independentes com acesso semelhante ao dos funcionários é uma ótima ideia, e faremos o mesmo. Teremos mais para compartilhar em breve", escreveu Sam Altman logo em seguida.
"Dario está certo", escreveu o trilionário Elon Musk.
Amodei também pediu que auditores independentes acompanhem e verifiquem os padrões de segurança das companhias. Segundo o site de tecnologia "The Information", Anthropic, OpenAI e Google discutiram secretamente a criação de um órgão para estabelecer padrões de segurança em IA.
A defesa por mais cautela também ocorre após uma série de episódios que levantaram preocupações sobre o controle da tecnologia nos últimos meses, incluindo relatos de ataques realizados por IA.
Além disso, na semana passada, um pesquisador que deixou a OpenAI para trabalhar na Anthropic abandonou a indústria de IA e acusou as duas empresas de "brincar com as nossas vidas".
"De fato, os modelos estão ficando cada vez mais capazes de executar tarefas complexas e longas, então a preocupação é legítima. Será que estamos indo rápido demais e os humanos podem eventualmente perder o controle quando milhares de agentes de IA começarem a agir com certo grau de autonomia?", analisa ao g1 Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP.
Para ele, é muito difícil saber o que é legítimo nesse discurso e o que é apenas uma estratégia para proteger o próprio mercado e a indústria.
"Me parece ser a combinação dos dois, até porque isso ajuda a fortalecer a mística de que esse tipo de tecnologia é inevitável e deve ser desenvolvida por quem se vende como os bonzinhos da história", completa.
O que está por trás do discurs
Segundo Cortiz, há outros fatores que ajudam a explicar a preocupação com o ritmo de desenvolvimento da IA:
- Os Estados Unidos enfrentam um desafio energético para sustentar toda a IA que prometem desenvolver, enquanto o ritmo de construção de data centers está mais lento do que gostariam.
- O retorno sobre os investimentos está mais lento do que o esperado para justificar novos aportes no setor.
- Os modelos de IA chineses estão ganhando espaço na adoção global e são mais baratos do que os norte-americanos. Em muitos casos, oferecem capacidade semelhante por um custo bem menor.
- Propor uma regulação mais dura pode dificultar a entrada de novas empresas no mercado e favorecer as que já estão na liderança, aumentando a concentração do setor.
Trump critica quem pede cautela
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/F/S/wQa3apTqCHHAfCQCy5Mw/afp-20260909-c7ua9hl-v1-midres-republicannationalcommitteemidtermconvention.jpg)
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026. — Foto: Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, comparou, neste domingo (13), os críticos da inteligência artificial a "forças muito negativas" que estão levantando cenários que não vão acontecer. Ele também disse que quer garantir que os EUA continuem na liderança do setor.
"Estamos liderando em relação à China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero manter assim porque quem vencer na IA, vence tudo [...] Poderíamos colocar barreiras de proteção. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas que estão trazendo esse assunto à tona quando não deveriam", afirmou Trump.
A China, que disputa com os EUA a liderança no desenvolvimento de IA, afirmou que a tecnologia pode ameaçar a segurança nacional ao ser usada por potências estrangeiras para minar a ordem social do país.
"Forças hostis" abusam de tecnologias generativas de IA para "fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais", escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo.
Em seu texto, Amodei defende uma colaboração entre empresas de "países democráticos" e aconselha "não vender chips de IA potentes ou equipamentos de fabricação de semicondutores para a China".
Ele diz que "as medidas aumentam a influência das democracias e tornam um acordo [com a China] mais provável no futuro".
Nesta segunda-feira, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que o bloco é a favor do desenvolvimento da inovação em IA, mas que as empresas precisam comprovar que seus serviços são seguros.
Já o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, vê como positivo o debate entre as principais empresas de IA sobre os riscos da tecnologia para o futuro da humanidade, afirmou seu porta-voz. Segundo ele, as decisões sobre o tema precisam se basear em evidências.
POr - G1
Após a passagem de uma frente fria que trouxe chuva volumosa para o Paraná no fim de semana, o risco de tempestades diminuiu e a prepicitação aos poucos enfraquece no Estado. Depois da chuva, chega uma massa de ar frio. De acordo com o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), as temperaturas terão declínio até a quarta-feira (16) e depois voltam a subir gradativamente.
Os maiores volumes de chuva de sexta-feira (11) foram registrados nas estações do Simepar que ficam em Antonina (86,8 mm), Curitiba (62,8 mm) e Ponta Grossa (60,6 mm). No sábado (12), os maiores acumulados ocorreram em Morretes (89,2 mm), Cerro Azul (76,8 mm) e Antonina (65 mm). No domingo (13) a chuva ficou menos volumosa, e os maiores valores foram em Guaraqueçaba (42,6 mm) e Maringá (40,6 mm).
Com a chuva deste fim de semana, antes mesmo da metade do mês, 31 estações meteorológicas do Simepar já ultrapassaram a média climatológica para setembro. Ainda não atingiram a média somente as estações que ficam em Capanema, Cascavel, Cianorte, Cruzeiro do Iguaçu, Foz do Iguaçu, Guaíra, Guarapuava, Laranjeiras do Sul, Palmas, Distrito de Horizonte, em Palmas, Palotina, Pato Branco, Santa Helena, São Miguel do Iguaçu, Toledo e Ubiratã.
INSTÁVEL - O tempo segue instável no Paraná nesta segunda-feira (14). Pancadas de chuvas isoladas continuam ocorrendo, principalmente no Noroeste, Norte, região Central, Campos Gerais e Leste. Como a chuva será persistente ao longo do dia nestas regiões, provocará acumulados no fim do dia mais significativos.
A segunda começou com temperaturas mínimas na casa dos 8°C no Sul, Centro-Sul e Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Já nas regiões Oeste e Noroeste do Estado, o dia iniciou em torno dos 15°C e 16°C. À tarde, as máximas na região Sul e RMC não devem passar dos 15°C, enquanto no Norte e Noroeste os termômetros chegam a 22°C.
As áreas de instabilidade que atuavam sobre as regiões de Adrianópolis e Cerro Azul perderam força e se dissiparam. No momento, há nebulosidade mas sem registro de chuva nos municípios. Nesta região, o acumulado de segunda-feira ficará abaixo dos 10 mm.
SEMANA - Na terça-feira (15), o tempo segue instável, principalmente na madrugada, no Noroeste e Norte do Estado, nas cidades que fazem divisa com São Paulo. A chuva prevista é de intensidade mais fraca e de forma isolada. Ao longo do dia, estas áreas de chuva se afastam do Paraná em direção ao Sudeste do Brasil.
O dia começa com temperaturas mais amenas, principalmente no Centro-Sul, Sul e RMC, onde os termômetros registram valores abaixo dos 10°C. No Oeste e Noroeste, o dia amanhece com valores entre 15°C e 16°C. À tarde, entre o Sul e a RMC, os termômetros não devem passar dos 18°C, enquanto no Interior chegam aos 24°C.
Na quarta-feira (16), não há previsão de chuva em grande parte do Paraná. Apenas na região da Serra do Mar e nas praias, devido à circulação dos ventos do oceano, mantém-se maior cobertura de nuvens, com registro de chuvas fracas e isoladas ao longo do dia.
O amanhecer novamente será gelado nas cidades próximas à divisa com Santa Catarina, onde os termômetros devem registrar temperaturas abaixo dos 5°C, com possibilidade para a formação de geada. À tarde, o sol predomina em todas as regiões, com temperaturas máximas chegando à casa dos 20°C no Sul, Centro-Sul e RMC, e aos 27°C no Oeste e Noroeste.
O tempo segue estável na maior parte do Estado na quinta-feira (17). Novamente, apenas entre a Serra do Mar e o Litoral, segue a presença da nebulosidade com chuvas fracas e isoladas ao longo do dia. A quinta começa com temperaturas mínimas próximas dos 10 °C no Sul, Centro-Sul e RMC, enquanto no Oeste e Noroeste os termômetros registram 15°C a 16°C no amanhecer. No período da tarde, com o sol predominando nestes setores, as temperaturas chegam aos 21°C no Sul e na RMC, e aos 28°C no Oeste e Noroeste.
O Simepar já monitora o retorno das chuvas ao Paraná a partir da próxima sexta-feira. Novos boletins serão emitidos.
Por - Simepar
A greve dos trabalhadores dos Correios continua nesta segunda-feira (14), por tempo indeterminado e sem previsão de encerramento, segundo a Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras dos Correios (FINDECT).
A paralisação começou na sexta-feira (11), após trabalhadores rejeitarem, em assembleias, uma proposta apresentada pela empresa nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).
Entre as reivindicações da categoria estão avanços nas negociações, preservação de direitos e garantias relacionadas ao plano de saúde de empregados, aposentados e dependentes.
Segundo a FINDECT, um dos principais impasses nas negociações é o plano de saúde dos funcionários. A entidade afirma que a direção dos Correios pretende fazer alterações no benefício.
Em nota enviada ao g1, os Correios informaram que acionaram o "Plano de Continuidade de Negócios" para reduzir os impactos da paralisação e manter os serviços em todo o país.
A empresa não informou, porém, se haverá alteração nos prazos de entrega ou quais regiões poderão ser mais afetadas pela paralisação. Segundo a estatal, a rede de agências permanece aberta ao público. (leia a íntegra ao final da reportagem)
Para situações específicas, os clientes podem entrar em contato com os Correios pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou utilizar os canais digitais de atendimento da empresa.
TST determina manutenção de 80% do efetivo
Os Correios ajuizaram, na sexta-feira (11), pedido de dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST), após o encerramento da mediação sem acordo e a rejeição, nas assembleias sindicais, da proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2026/2028.
No sábado (12), o TST determinou, em decisão liminar, a manutenção de 80% do efetivo em atividade em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a paralisação.
A medida abrange trabalhadores das unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e áreas administrativas ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal.
O julgamento do dissídio coletivo está marcado para 21 de setembro, às 13h30, na Seção Especializada em Dissídios Coletivos (SDC). Ainda é possível que as partes cheguem a um acordo antes do julgamento.
Até que haja uma solução para o impasse, a FINDECT orienta os sindicatos filiados a manterem a greve e a continuidade das mobilizações. A federação afirma que permanece aberta ao diálogo e defende a construção de uma proposta que possa ser submetida à avaliação dos trabalhadores.
Regiões que aderiram à greve
Segundo a FINDECT, as seguintes entidades aprovaram a paralisação:
- SINTECT-AC (Acre) — assembleia prevista para hoje
- SINTECT-AL (Alagoas)
- SINTECT-AM (Amazonas)
- SINTECT-AP (Amapá)
- SINTECT-BA (Bahia)
- SINTECT-CAS (Campinas)
- SINTECT-CE (Ceará)
- SINTECT-DF (Distrito Federal)
- SINTECT-ES (Espírito Santo)
- SINTECT-GO (Goiás)
- SINTECT-JFA (Juiz de Fora)
- SINTECT-MG (Minas Gerais)
- SINTECT-MT (Mato Grosso)
- SINTECT-RO (Rondônia)
- SINCORT-PA (Pará)
- SINTECT-PB (Paraíba)
- SINTECT-PE (Pernambuco)
- SINTECT-PI (Piauí)
- SINTCOM-PR (Paraná)
- SINTECT-RN (Rio Grande do Norte)
- SINTECT-RR (Roraima)
- SINTECT-RPO (Ribeirão Preto)
- SINTECT-RS (Rio Grande do Sul)
- SINTECT-SC (Santa Catarina)
- SINTECT-SE (Sergipe)
- SINTECT-SJO (São José do Rio Preto)
- SINTECT-SMA (Santa Maria)
- SINTECT-TO (Tocantins)
- SINTECT-URA (Uberaba)
- SINTECT-VP (Vale do Paraíba)
- SINDECTEB (Bauru e região)
- SINTECT-MA (Maranhão)
- SINTECT-MS (Mato Grosso do Sul)
- SINTECT-RJ (Rio de Janeiro)
- SINTECT-Santos (Santos e região)
- SINTECT-SP (São Paulo)
Crise financeira
Os Correios estão há 15 trimestres consecutivos no vermelho. No primeiro semestre deste ano, a empresa registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões.
O prejuízo do segundo trimestre, no entanto, foi menor que o registrado nos dois trimestres anteriores: o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025. A empresa havia registrado prejuízo recorde no primeiro trimestre deste ano.
Os Correios esperam receber um novo empréstimo até 15 de setembro. O g1 apurou que a nova injeção de recursos deve vir de um consórcio formado por bancos, como ocorreu no fim do ano passado, quando a empresa recebeu R$ 12 bilhões. Desta vez, o grupo deve envolver três instituições financeiras estrangeiras — Citibank, J.P. Morgan e Deutsche Bank — e o Banrisul.
O novo empréstimo, de R$ 7 bilhões, já havia sido confirmado pelos Correios nas demonstrações financeiras do primeiro semestre deste ano, divulgadas no fim de agosto.
O que dizem os Correios
"Os Correios acionaram seu Plano de Continuidade de Negócios para manter os serviços em todo o país e reduzir eventuais impactos da paralisação anunciada pelas entidades sindicais no último dia 10.
Entre as medidas adotadas estão a mobilização de empregados administrativos para apoio às atividades operacionais, o remanejamento de veículos e a realização de mutirões para preservar o fluxo logístico. Vale destacar que a rede de agências permanece aberta ao público.
A estatal ajuizou, na sexta-feira (11), pedido de dissídio coletivo junto ao Tribunal Superior do Trabalho (TST). A medida foi tomada após o encerramento da mediação sem acordo e a rejeição, nas assembleias sindicais, da proposta para o ACT 2026/2028. As assembleias também aprovaram a greve.
No sábado (12), o tribunal determinou, em decisão liminar, a manutenção de 80% do efetivo em atividade, em cada unidade ou estabelecimento da empresa, abrangendo as unidades de atendimento, tratamento, transporte, distribuição e administrativas ou de suporte indispensáveis à continuidade da cadeia postal, durante a paralisação.
O julgamento do dissídio coletivo está marcado para o dia 21 de setembro, às 13h30. Ainda é possível haver acordo entre as partes no curso do processo, antes do julgamento.
A estatal reafirma o respeito ao direito de greve dos trabalhadores, porém, ressalta que a paralisação ocorre em um momento especialmente sensível.
A empresa segue diante de uma situação econômico-financeira desafiadora e mantém o foco na redução de despesas, no aumento da eficiência, na modernização da operação e na geração de novas receitas.
Para situações específicas, os clientes podem entrar em contato pelos telefones 4003-8210 e 0800-881-8210 ou utilizar os canais digitais de atendimento da empresa".
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou nesta segunda-feira (14) o sigilo sobre um processo que trata da rede de pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

A medida foi tomada após determinação do presidente do STF, ministro Edson Fachin. Mais cedo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia opinado pela retirada do sigilo que ainda vigorava sobre o processo.
Fachin, por sua vez, havia sido acionado pelo ministro Alexandre de Moraes, que em ofício disse ser essencial a quebra do sigilo da petição sobre os pagamentos de Vorcaro antes do julgamento marcado para terça-feira (15). Amanhã, o plenário decidirá sobre uma abertura ou não de investigação sobre Moraes.
Com a nova retirada de sigilo, o STF derrubou o segredo judicial sobre 54 linhas de investigação derivadas da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.
Julgamento
No julgamento de terça, os ministros devem se debruçar sobre um relatório da Polícia Federal (PF) que traz 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro a Moraes, com quem o ex-banqueiro demonstra ter relação próxima.
O material foi recuperado do celular apreendido de Vorcaro. As mensagens foram enviadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, dia em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.
Nas mensagens, Vorcaro aparenta compartilhar com Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro busca informações sobre a operação da PF para prendê-lo. As respostas do interlocutor não puderam ser resgatadas, informaram os investigadores.
O relatório veio à tona no início de setembro, quando o sigilo sobre material foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo. O ato desencadeou uma crise sem precedentes na Corte, com embate direto entre os ministros.
A PGR pediu ao Supremo a anulação do relatório, devido a supostas irregularidades na sua produção. Segundo o órgão, o relator não poderia ter autorizado o avanço das investigações sobre um ministro do Supremo sem ter informado ao plenário previamente.
Reação
Em resposta, Moraes divulgou o que disse ser um “relatório de inteligência” da PF segundo o qual haveria direcionamento das investigações do caso Master por Mendonça, com objetivo de atingir desafetos políticos.
O documento, contudo, não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e “sem valor probatório”.
Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.
por - Agência Brasil
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo da decisão em que autorizou a Polícia Federal (PF) a realizar buscas em endereços do deputado Cezinha de Madureira (PL-RJ). 

O documento descreve as suspeitas de que o parlamentar prometia acesso e influência sobre ministros da Corte em troca de dinheiro.
Na decisão, Dino destacou a suspeita de que o deputado “aparenta utilizar a ascendência de sua função parlamentar para incutir em terceiros a percepção de influência sobre magistrados de Tribunais Superiores”. O congressista é investigado por tráfico de influência, corrupção e lavagem de dinheiro.
Em relatório parcial citado por Dino, a PF apresenta mensagens encontrada em celular de terceiros em que a advogada Valéria Rodrigues Linhares, esposa do parlamentar, aparece negociando a influência dos deputados sobre ministros de tribunais superiores, incluindo do próprio Supremo.
As mensagens foram encontradas no celular apreendido da advogada Mariângela Fialek, servidora da Câmara dos Deputados que é investigada pela PF como responsável pela liberação de emendas parlamentares do chamado orçamento secreto – emendas ao orçamento do governo federal que não permitiam identificar o parlamentar responsável pela indicação nem o destinatário final dos recursos.
Em conversas extraídas de seu celular, Mariângela negocia com Valéria contratos de honorários advocatícios em troca de que Cezinha de Madureira entre em contato e faça pedidos a ministros de tribunais superiores relacionadas a causas específicas.
Nas conversas, são mencionados os ministro do STF Nunes Marques, André Mendonça e Gilmar Mendes. A PF contudo, afirmou não haver nenhum elemento que indique “solicitação, aceitação ou recebimento de vantagem indevida por integrante do Poder Judiciário”.
No relatório, os investigadores afirmam que “os magistrados nominalmente referidos nos diálogos comparecem nestes autos exclusivamente como destinatários cogitados da influência anunciada pelos investigados — vale dizer, como elemento descritivo do tipo penal —, e jamais como suspeitos”.
Ainda segundo as mensagens, teriam sido negociadas vantagens indevidas de até R$ 2 milhões em troca da comprovação de que o deputado teria tratado dos assuntos com os ministros relatores de casos específicos no Supremo.
Apreensão
Na mesma decisão, Dino trouxe para si a relatoria de um processo judicial que trata da apreensão no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, de R$ 510 mil em espécie de posse de Valéria Rodrigues Linhares, em 25 de agosto. Na ocasião, a defesa da advogada alegou se tratar de pagamentos por serviços de advocacia.
No pedido para novas diligências de busca e apreensão tendo a advogada e seu marido como alvo, a PF destacou que as medidas seriam necessárias diante dos indícios de que as vantagens indevidas eram pagas “por transporte físico de numerário”, o que dificultaria a colheita de provas por meio do sistema bancário, sendo necessário buscar registros informais dos pagamentos.
Dino negou um pedido da PF para realizar buscas no gabinete de Cezinha na Câmara dos Deputados. O ministro afirmou não haver indícios de que o local seria usado para o cometimento de crimes ou a ocultação de provas. Ele escreveu que “a fundamentação é insuficiente” para autorizar a medida.
A Agência Brasil busca contato com o deputado Cezinha de Madureira e sua defesa.
Por - Agência Brasil
Enquanto o cenário político e as denúncias envolvendo o caso Master monopolizam as atenções em todo o Brasil, os desafios estratégicos que o país enfrentará a curtíssimo prazo — do envelhecimento populacional à transição energética, passando pela importância de se tornar capaz de processar os minerais críticos que abriga em seu subsolo — seguem à margem do debate eleitoral.
Para a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, os recentes escândalos e as disputas pessoais aprofundam o esvaziamento das discussões de temas vitais para os rumos nacionais, deixando em segundo plano itens como ciência, transição energética e a necessidade de se preparar para cenários adversos, incluindo uma iminente crise sanitária.

Para a doutora em engenharia elétrica, professora e pesquisadora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), que desde 2025 está à frente da mais importante entidade de promoção e defesa da ciência e tecnologia no Brasil, eleitores e candidatos parecem ter sido empurrados para uma falsa dicotomia: a ideia errônea de que é preciso escolher entre passar as instituições a limpo ou discutir e planejar o futuro do país. “O país acaba sendo obrigado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou o projeto de desenvolvimento, quando as duas coisas fazem parte de uma mesma agenda”, defendeu Francilene em entrevista exclusiva à Agência Brasil. Na conversa, ela falou ainda sobre temas como o envelhecimento da população e o baixo engajamento das candidaturas com o tema da ciência. Leia a íntegra abaixo:
Agência Brasil: Quais temas a SBPC considera prioritários nestas Eleições Gerais?
Francilene Garcia: Primeiro, acho fundamental começar dizendo que [com a crise] o país acaba sendo obrigado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou o projeto de desenvolvimento, quando as duas coisas fazem parte de uma mesma agenda. Também é importante dizer que a ciência brasileira ainda não entrou nessa campanha. Justo a ciência, que depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção - inclusive quando estamos à beira de novas crises pandêmicas. Isso vem sendo discutido quase que em lacunas, de forma periférica, porque a agenda [eleitoral] está sendo ocupada por temas que a sociedade não escolhe. Na nossa visão, há uma lacuna imensa em relação aos temas que realmente importam. Tanto que lançamos o Observatório das Eleições justamente para tentar levar mais de uma centena de propostas de políticas públicas que julgamos importantes para o desenvolvimento do país. Temos tentado engajar as candidaturas e qualificar os debates em torno de temas como as mudanças climáticas e seus impactos para as cidades, bem como o risco de novas crises pandêmicas e o processo de transformação digital. Temas que ainda hoje não entraram nas campanhas.
Agência Brasil: E não entraram devido à dimensão da atual crise político-institucional e suas repercussões ou porque, historicamente, a ciência sempre fica à margem dos debates eleitorais?
Francilene: Historicamente, a ciência fica à margem do debate. Isso mudou um pouco em 2020, quando enfrentamos o problema da crise sanitária [a pandemia de covid-19]. Ali começamos a ver um pouco mais de discussão. Depois, em 2024, ocorreram as enchentes no Rio Grande do Sul; queimadas no Centro-Oeste e seca, escassez hídrica, em regiões do Norte e Nordeste. Tudo isso fruto do novo regime climático. Nesses momentos, a temática ganhou peso. Já no atual debate eleitoral, as temáticas acabam fugindo ao que de fato interessa do ponto de vista de um projeto de nação. Olhando para os países líderes globais, vemos, por exemplo, que temas da maior importância, como o aproveitamento das terras raras, que são fundamentais para toda a indústria do complexo de transformação digital das sociedades, estão postos nos debates. No Brasil, não, pois tivemos um esvaziamento não só da participação [dos próprios candidatos] nos debates, como dos temas relevantes para o futuro do país.
Agência Brasil: A estratégia que a SBPC tinha definido e as ações que vêm realizando para tentar pautar a ciência nos debates eleitorais foram impactados pela dimensão da atual crise?
Francilene: Estão sendo. Temos no Observatório das Eleições pouco mais de uma centena de candidaturas engajadas. Dentre as quais, uma única de âmbito [Executivo] federal e nenhuma de âmbito estadual. Quer dizer, nenhum candidato a governador se comprometeu com nossas propostas. Alguns candidatos a deputado federal e ao Senado vinham se comprometendo, mas isso também perdeu velocidade nos últimos dias. Então, ao ocupar o centro das atenções em um momento importante como este das eleições gerais, essa discussão que tomou conta de grande parte da imprensa e que nos obriga a escolher discutir a integridade das instituições em vez de um projeto de país, acaba afastando outros temas. Incluindo a própria questão do financiamento da ciência. A questão é que temos pela frente um curto período pré-eleitoral ao fim do qual escolhas terão que ser feitas sem que tenhamos respostas para problemas que afetam a vida de todos. Para não falar que, ao monopolizar a agenda, esta crise evidencia uma situação muito complicada para toda a comunidade científica, que é a disputa de versões.
Agência Brasil: Mas, considerando a gravidade das suspeitas e dos fatos que têm vindo a público, que a situação poderia ser diferente? Há como discutirmos outros temas sem deixar de lado a necessária fiscalização dos Poderes?
Francilene: Enquanto entidade científica, não nos cabe fazer julgamento prévio de processos investigativos em andamento. Tal como, creio eu, não cabe a nenhum indivíduo. Este, inclusive, foi o tema da nota que a SBPC, a Academia Brasileira de Ciências e (ABC) e várias entidades científicas tornaram pública na semana passada. Há de se cumprir o rito processual, garantindo o amplo direito à defesa. É fundamental entendermos que a integridade das instituições, os legítimos protocolos definidos na Constituição Federal, precisam ser respeitados e cumpridos dentro dos prazos legais. Complicado é quando começamos a ver vazamentos de informações em prol de interesses específicos, particulares. E quando esses acabam ocupando a centralidade do debate público, esvaziando a discussão de temáticas importantes.
Agência Brasil: Além dos investimentos em educação, ciência e tecnologia e da regulamentação da exploração das terras raras, quais outros temas a SBPC vê como centrais para o Brasil?
Francilene: Uma discussão que já vinha ocupando espaço na mídia diz respeito aos impactos da crise climática, que já é uma realidade. Temos que continuar discutindo o impacto do aquecimento para a vida no planeta, especialmente para o Brasil e para nossos biomas. Estamos todos testemunhando o aumento dos eventos climáticos extremos. Temos que seguir discutindo e adotando medidas para [conter] os impactos. Inclusive, no caso brasileiro, para a agroindústria. Associado a isso, de maneira muito direta, há a questão de novas crises sanitárias pandêmicas. Sabemos que isso ocorrerá, só não quando. É preciso discutir como o Brasil, em particular o Sistema Único de Saúde (SUS) está se preparando para isso. Precisamos melhorar as imunizações. E, para isso, vamos ter que discutir e rever estratégias, pois sabemos que uma parte da população nega a importância das vacinas. Além disso, quando olhamos para as transformações digitais e para os [prováveis] impactos da inteligência artificial, é preciso nos perguntarmos qual espécie de soberania o Brasil está construindo para a próxima década. São temas fundamentais que deveriam estar no centro do debate político eleitoral e ainda não estão. Até porque, como disse antes, a ciência também ainda não chegou à pauta das discussões entre os candidatos nessas eleições.
Agência Brasil: Por quê? A classe política não está sabendo avaliar e pautar os temas que importam para o futuro do país?
Francilene: Provavelmente não. Esta é uma grande preocupação para a comunidade científica. Por exemplo, lançando um olhar para daqui a pouco mais de dez anos, quando estaremos próximos de ter mais pessoas acima dos 60 anos de idade do que na faixa etária produtiva, nos perguntamos que espécie de soberania e autonomia teremos construído para o Brasil? O país vai voltar a ser um país colônia, [exclusivamente] exportador de matéria-prima? Será isso que a população quer? Parte da própria classe política parece nos dar uma demonstração de estar um pouco alheia aos debates fundamentais para o futuro do país. Tudo isso preocupa muito a comunidade científica.
Por - Agência Brasil
Começam a valer, nesta segunda-feira (14), as novas regras da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para punir passageiros que adotem comportamentos que coloquem em risco a segurança, a ordem ou a integridade de pessoas em aeroportos e aeronaves.

As medidas punitivas, previstas na Resolução Anac nº 800/2026, podem chegar à suspensão do direito de embarque em voos domésticos pelo prazo de até 12 meses, a depender da gravidade da infração.
Companhias aéreas e operadores aeroportuários poderão adotar medidas imediatas diante de atos de indisciplina, como advertências, acionamento das autoridades policiais, contenção do passageiro e retirada da aeronave. Em casos graves ou gravíssimos, o transporte poderá ser interrompido.
Compartilhamento de informações
Para viabilizar a medida, as empresas aéreas compartilharão as informações necessárias para identificar passageiros suspensos. A penalidade será aplicada pela própria companhia responsável pela ocorrência, que deverá comunicar o passageiro e garantir o direito de defesa.
A norma prevê também sanções administrativas. Para atos classificados como graves ou gravíssimos, a multa-base fixada pela Anac é de R$ 17,5 mil – valor que poderá ser ajustado de acordo com as circunstâncias apuradas em processo administrativo.
por - Agência Brasil
Os gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes confirmaram nesta segunda-feira (14) terem recebido da Polícia Federal (PF) a íntegra do material extraído do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master. 

O material foi entregue após os ministros terem enviado ofícios à PF determinando a entrega dos dados, depois de o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, ter resistido na liberação.
No sábado (13), Mendonça alegou que disponibilizar o material colocaria em risco investigações em curso e “somente contribuiria para tumultuar” um julgamento sobre a ligação entre Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
A entrega da íntegra do material foi requerida na semana passada por Zanin e Gilmar Mendes. Eles alegam que precisam analisar todas as mensagens enviadas por Vorcaro, e não apenas o recorte feito pelos investigadores da PF, antes de participar do julgamento.
Moraes também cobrou que Fachin determinasse a remessa do espelhamento do celular de Vorcaro a todos os ministros do Supremo, afirmando que "não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao colegiado para realizar seu julgamento".
Mendonça, por sua vez, alegou que o acesso ao material não seria necessário ao julgamento, que possui acesso “exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão”.
Julgamento
Nesta terça (15), o plenário do STF tem marcado o julgamento de um relatório da PF segundo o qual Vorcaro enviou 52 mensagens a Moraes, com quem aparentava ter relação próxima, entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente.
Nas mensagens, Vorcaro aparenta ter enviado para a apreciação de Moraes um contrato de R$ 131 milhões do Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro busca informações sobre uma operação iminente para prendê-lo.
Até o momento, Moraes nega qualquer contato com Vorcaro. A PF informou que as respostas do interlocutor ao ex-banqueiro não puderam ser recuperadas.
Ainda não foi esclarecido pelo Supremo qual será o rito do julgamento, nem se Moraes e Mendonça deverão participar da sessão plenária. A Constituição e o regimento interno preveem a competência exclusiva do plenário para processar e julgar ministros da Corte, mas não trazem detalhes sobre os procedimentos a serem adotados.
Entenda
O plenário do STF deverá decidir, no julgamento marcado para terça, se abre ou não uma investigação sobre a ligação entre Vorcaro e Moraes.
Os ministros deverão decidir sobre um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o relatório da PF sobre o tema seja anulado. O órgão alega que a produção do documento foi irregular, pois Mendonça não comunicou à presidência do Supremo nem pediu aval do plenário antes de autorizar o avanço das investigações contra um colega.
Ao retirar o sigilo sobre o relatório da PF com citação a Moraes, o relator do caso Master pediu que o plenário decidisse sobre a abertura de investigação sobre o ministro.
Em reposta, Moraes divulgou o que disse ser um “relatório de inteligência” da PF segundo o qual Mendonça poderia estar direcionando as investigações da Compliance Zero de modo a atingir desafetos políticos.
O documento, contudo, não é assinado nem traz o timbre da corporação, além de trazer na capa o alerta de que o material foi produzido como uma conjectura e “sem valor probatório”.
Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do Supremo marcou o julgamento deste pedido para 23 de setembro.
Por - AgÊncia Brasil
A Ponte da Integração Jaime Lerner entra em uma nova etapa de funcionamento nesta segunda-feira (14). Pela primeira vez, carros de passeio de moradores da região de fronteira estão autorizados a utilizar a ligação entre Foz do Iguaçu, no Paraná, e Presidente Franco, no Paraguai.
A abertura, no entanto, ainda não é geral. A circulação dos veículos ocorre das 7h às 13h e está restrita a moradores de Foz do Iguaçu, Cidade do Leste, Presidente Franco e Hernandarias.
Para fazer a travessia, há uma exigência importante: todas as pessoas dentro do carro precisam possuir o Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço (DTVF). A regra inclui motorista, passageiros, crianças e adolescentes. Se apenas uma pessoa estiver sem a documentação, o veículo não poderá atravessar pela Ponte da Integração.
Além do DTVF, é necessário portar documento pessoal válido para a viagem internacional. A carteira de fronteiriço não substitui a identidade ou o passaporte.
Quem ainda não pode passar
Nesta fase, a abertura não contempla pedestres, ciclistas e motociclistas. Vans e micro-ônibus também permanecem fora da autorização.
Táxis igualmente não podem utilizar a nova ponte. Segundo as orientações da Polícia Federal, a restrição ocorre porque todos os passageiros precisariam possuir o DTVF. Como táxis podem transportar turistas e moradores de outras cidades, o serviço não está incluído nesta etapa de funcionamento.
Onde solicitar o documento
Moradores de Foz do Iguaçu que pretendem utilizar a Ponte da Integração devem solicitar o documento de fronteiriço às autoridades migratórias paraguaias, em Cidade do Leste. O custo informado é de aproximadamente R$ 205.
Já moradores de Cidade do Leste, Presidente Franco e Hernandarias que pretendem fazer a travessia devem buscar a regularização junto à Polícia Federal brasileira.
Quem estiver com a documentação regular também poderá utilizar a Ponte da Integração em um sentido e retornar pela Ponte Internacional da Amizade.
Funcionamento ainda é gradual
Inaugurada em dezembro de 2025, a Ponte da Integração opera de maneira gradual, com diferentes etapas de liberação do tráfego. A autorização para carros de passeio representa mais um avanço no funcionamento da segunda ligação rodoviária entre Foz do Iguaçu e o Paraguai.
Nas primeiras horas desta segunda-feira, a movimentação ainda era tranquila. A expectativa é de que o fluxo aumente à medida que os moradores conheçam as regras e obtenham a documentação necessária.
Movimento pode ser acompanhado ao vivo pelo Catve.com
Quem quiser conferir as condições de tráfego na Ponte da Integração pode acompanhar a movimentação ao vivo pelo Catve.com. Uma câmera instalada na nova ligação internacional mostra em tempo real o fluxo entre Brasil e Paraguai.
A Ponte da Integração faz parte da rede de monitoramento ao vivo do portal. O Catve.com disponibiliza imagens de mais de 20 pontos, incluindo também a Ponte Internacional da Amizade, em Foz do Iguaçu, além de rodovias e locais estratégicos do Paraná.

As imagens permitem ao usuário verificar a movimentação antes de sair de casa e acompanhar, em tempo real, como está o trânsito nas principais ligações da região.
Por - Catve
O Gabinete de Gestão Integrada se reuniu, na manhã deste domingo (13), no Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), em Curitiba, para avaliar os impactos dos eventos climáticos que atingiram o Paraná e definir as ações de resposta e apoio às regiões afetadas. Coordenado pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp), o grupo concentrou atenção especial na situação de União da Vitória e de municípios do Vale do Ribeira, além de alinhar a atuação dos órgãos mobilizados para o atendimento às ocorrências e às comunidades atingidas.
Segundo a atualização da Defesa Civil, 58 municípios foram atingidos pelos temporais, com 64 ocorrências registradas. Ao todo, 13.762 pessoas foram afetadas, sendo 2.057 desalojadas e 362 desabrigadas. Também foram registradas 2.640 casas danificadas. Entre os municípios mais afetados estão União da Vitória, Cerro Azul e Adrianópolis. Em Adrianópolis, os impactos das chuvas deixaram o município isolado por terra, e as equipes da força-tarefa trabalham para estabelecer o acesso por via aérea e por embarcações.
“As nossas forças de segurança estão preparadas com inteligência para prestar atendimento às pessoas afetadas pelas chuvas. O Gabinete de Gestão Integrada segue monitorando constantemente os efeitos climáticos que possam ocorrer”, afirmou o secretário da Segurança Pública do Paraná, coronel Hudson Teixeira.
A partir da avaliação do cenário, foram definidas medidas para o acompanhamento das áreas afetadas, a mobilização de efetivo, equipamentos e estruturas de atendimento e o apoio aos municípios que necessitarem de auxílio. A atuação considera também a previsão meteorológica para os próximos dias e a possibilidade de novas ocorrências.
O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) permanece de prontidão para atendimento nas regiões afetadas e pode ser acionado conforme a necessidade. O Gabinete de Gestão Integrada acompanha a situação nesses locais e os efeitos dos eventos climáticos nos demais municípios do Estado.
O Gabinete de Gestão Integrada reúne forças de segurança e demais órgãos envolvidos na resposta aos eventos climáticos. A estrutura permite o compartilhamento de informações, a definição de prioridades e o acionamento coordenado dos recursos disponíveis para atendimento às regiões afetadas.
Desde o início do ano, a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp) coordena uma atuação multiagências de preparação para os impactos de eventos climáticos no Estado, a partir das primeiras previsões relacionadas ao fenômeno El Niño. O trabalho envolve o levantamento de capacidades, recursos e estruturas disponíveis, além da realização de treinamentos de Sistema de Comando de Incidentes, reuniões de alinhamento e simulados conjuntos.
A preparação envolve a Polícia Militar do Paraná (PMPR), o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR), a Defesa Civil, a Sanepar, a Secretaria de Estado da Saúde, o Exército Brasileiro, a Polícia Rodoviária Federal, a Polícia Rodoviária Estadual e outros órgãos com capacidade de resposta a emergências. O trabalho antecipado permite organizar o emprego de equipes, equipamentos e demais recursos, além de definir previamente os fluxos de comunicação e acionamento entre as instituições.
Com a atual situação climática, essa estrutura de atuação integrada é utilizada para orientar a resposta nas regiões afetadas, avaliar a necessidade de novos acionamentos e direcionar recursos de acordo com a situação de cada município.
O Simepar mantém o acompanhamento das condições meteorológicas. A previsão indica possibilidade de chuva no domingo (13), porém de forma mais intermitente e sem a mesma intensidade das tempestades registradas anteriormente. A redução mais significativa deve ocorrer entre segunda-feira (14) e terça-feira (15), com a entrada de uma massa de ar frio no Estado.
A Secretaria de Estado da Saúde também mantém a rede de atendimento preparada para eventual intensificação do cenário. As equipes do Samu, os serviços de resgate das rodovias e a rede hospitalar permanecem em prontidão, com planejamento para o deslocamento rápido do socorro e a disponibilização de insumos, medicamentos e soro.
O Exército Brasileiro também está integrado às ações, com planejamento, contatos e equipes preparadas para eventual acionamento, conforme a necessidade identificada pelo Gabinete de Gestão Integrada.
A partir do CICCR, o cenário permanece sendo monitorado de forma integrada, com acompanhamento das condições meteorológicas e das ocorrências registradas nos municípios. As informações subsidiam a tomada de decisões e o direcionamento dos recursos conforme a necessidade de cada região.
O Gabinete de Gestão Integrada permanecerá em atuação por dez dias, acompanhando a evolução dos eventos climáticos e a necessidade de novas medidas de resposta e apoio aos municípios.
A Defesa Civil orienta a população a realizar o cadastro no serviço de SMS pelo número 40199, enviando o CEP da residência. Também é possível receber informações e orientações preventivas pelo WhatsApp, pelo número (61) 2034-4611, mediante o envio da localização.
Por - Simepar
Nos últimos dias, o Paraná foi assolado por tempestades que provocaram diversos estragos em diferentes regiões do estado.
Parte da "culpa" é do El Niño, que historicamente está associado a chuvas acima da média na Região Sul, com aumento na frequência de eventos meteorológicos severos como vendavais intensos, precipitação de granizo, inundações e enxurradas e, por consequência, deslizamentos de terra.
A intensificação do fenômeno já era prevista; segundo o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) ele já é considerado forte e pode ficar ainda mais nas próximas semanas.
Segundo o órgão, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) concluiu que o El Niño já deixou a temperatura em 1,8°C acima da média na área de referência para monitoramento; ou seja, na região do Pacífico equatorial, o que impacta na atmosfera global.
"Até o verão 2026/2027, o Paraná poderá ter maior frequência de períodos com chuva acima da média, com possibilidade de concentração de volumes elevados em poucos dias. [...] Há probabilidade acima de 90% de que o evento seja categorizado como muito forte entre a primavera e o verão no Brasil. Entre outubro e dezembro deste ano, há 75% de chance de que ele seja o mais forte de todos os El Niños já registrados desde 1950. O pico do fenômeno será entre novembro e janeiro, quando as previsões da NOAA apontam que a temperatura da superfície do mar fique 2,9°C acima da média".
Com este cenário climático, o Simepar aponta previsão de chuva acima da média concentrada em poucos dias, o que aumenta o risco de temporais severos, granizo, raios, enxurradas e cheias repentinas, saturação do solo e movimentos de massa no Paraná.
Apesar da previsão de chuva acima da média para todas as regiões, os prognósticos indicam que os maiores desvios devem ocorrer nas regiões Centro-Sul, Sul, Oeste e Sudoeste.
"Apesar do El Niño influenciar o comportamento de precipitação e temperatura no Paraná, indicando meses e estações do ano em que estas variáveis fiquem bem distantes das médias históricas, o Simepar ressalta que o acompanhamento diário e contínuo das previsões do tempo e suas atualizações são indispensáveis, pois os períodos específicos em que os episódios de chuva irão ocorrer dependem dos tipos de sistemas atuantes na região (frentes frias, sistemas de baixa pressão ou sistemas semiestacionários, por exemplo)".
📍O que o El Niño já provocou no Paraná?
O Simepar destaca que o El Niño já vem demonstrando impactos no Paraná desde o início do inverno, somado a fenômenos como frentes frias, cavados, sistemas de baixa pressão, jatos de baixos níveis e sistemas convectivos, por exemplo.
Em agosto, entre as 47 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas três registraram chuva abaixo da média: Cianorte, Maringá e Apucarana. Os registros de chuva foram os maiores para o mês de agosto desde a instalação das estações meteorológicas do Simepar em Fazenda Rio Grande, em 2009, em Laranjeiras do Sul, em 2017, e no Distrito de Horizonte, em Palmas, em 2019.
Em julho, somente quatro estações meteorológicas do Simepar registraram volume de chuva abaixo da média histórica para o mês: Antonina, Cerro Azul, Guaratuba e Guaraqueçaba. Nas outras quarenta e uma estações, o volume de chuva superou a média, com alguns registros históricos.
Os 311 mm de chuva em julho de 2026 na estação meteorológica de Palmas, por exemplo, foi a maior marca para o mês desde a instalação da estação na cidade, há 28 anos. Também registraram o maior volume de chuva para julho, em 2026, as estações que ficam em Altônia (maior volume de chuva desde 2018); em Cianorte (desde 2017); em Cornélio Procópio (desde 2019); em Cruzeiro do Iguaçu (desde 2022); em Foz do Iguaçu (desde 2017); e em Ubiratã (desde 2018).
Em junho, o cenário foi parecido. Entre as mesmas estações, apenas uma registrou volume de chuva abaixo da média histórica para o mês: a que fica na Reserva Natural Salto Morato, em Guaraqueçaba, teve 10,2 mm a menos do que o valor médio para o período.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/n/4/KXlaomQ7CIh8P3hoZwDA/g1-8-.png)
Alagamento em União da Vitória, no sul do Paraná — Foto: RPC
🌎O que é o El Niño
O El Niño - Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno que ocorre na região do Oceano Pacífico equatorial e nas áreas próximas, caracterizado por variações anômalas na temperatura da superfície do mar e na circulação atmosférica.
"É um dos fenômenos climáticos mais importantes da Terra devido a sua capacidade de alterar a circulação atmosférica global e, como consequência, influenciar o comportamento da temperatura do ar e da precipitação em vastas áreas da Terra por períodos que vão de vários meses a anos", diz o Simepar.
O El Niño é a componente oceânica deste fenômeno, e corresponde ao aquecimento das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial em relação à média climatológica.
Os dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica Americana (NOAA) mostram que o El Niño se fortaleceu no último mês e a temperatura já está 1,4°C acima da média na principal área monitorada. A temperatura da água do mar da camada até 200 metros de profundidade do Oceano Pacífico equatorial central e oriental também está muito acima da média climatológica em uma ampla área.
"Já a Oscilação Sul corresponde à componente atmosférica do ENOS e está relacionada com as variações na pressão atmosférica ao nível do mar entre o Oceano Pacífico tropical oeste e leste. Já são observadas mudanças na direção dos ventos na baixa e alta atmosfera (áreas entre 10 km da superfície da Terra, e até 1,5 km)".
Por - G1
Associamos a cor vermelha a sinais de perigo, e o verde nos transmite tranquilidade.
Pensamos no azul para decorar um cômodo onde possamos relaxar e na cor amarela quando queremos chamar a atenção. Sabemos muito bem que as marcas escolhem cuidadosamente os tons de seus logotipos, e que há até cores às quais atribuímos a capacidade de melhorar nossa concentração. Sim, estamos cercados de ideias sobre como as cores afetam nosso cérebro.
Mas será que realmente existe uma neurociência da cor? A resposta curta é sim. E a longa, muito mais interessante.
A cor não está na luz
Embora pareça estranho, as cores não existem na luz. A luz contém diferentes comprimentos de onda (o chamado espectro eletromagnético) e é o nosso sistema nervoso que, na faixa do espectro visível e comparando os sinais que chegam à retina, constrói a experiência que chamamos de cor.
O cérebro não dispõe simplesmente de um detector para o vermelho, outro para o verde e outro para o azul. A retina humana contém cinco tipos de células sensíveis à luz: bastonetes; cones sensíveis a comprimentos de onda curtos (S), médios (M) e longos (L); e um tipo de células ganglionares que expressam o fotopigmento melanopsina.
De maneira geral, podemos resumir que a percepção cromática surge da comparação entre os sinais de diferentes tipos de cones. De certa forma, podemos dizer, portanto, que a cor é uma interpretação cerebral da luz.
Mas a história fica ainda mais interessante quando descobrimos que nossos olhos contêm células sensíveis à luz cuja função principal não é nos ajudar a formar imagens.
Muito mais do que ver
As células ganglionares da retina intrinsecamente fotossensíveis (ipRGCs) são neurônios que contêm melanopsina, um pigmento especialmente sensível a comprimentos de onda curtos. Com um pico de sensibilidade próximo a 480 nanômetros (nm, bilionésimos de metro), o fotopigmento capta a região do espectro associada ao azul-esverdeado.
As ipRGCs participam do que conhecemos como visão não visual. A expressão pode parecer contraditória, mas o que ela tenta descrever é que nossos olhos não apenas enviam ao cérebro informações para reconhecer rostos, ler estas palavras ou distinguir uma maçã vermelha de uma verde. Essas células também informam sobre a quantidade e as características da luz no ambiente, contribuindo assim para regular o sono, os ritmos circadianos, o estado de alerta e outros processos fisiológicos.
Além disso, as ipRGCs não atuam sozinhas. Elas recebem informações dos cones e dos bastonetes e participam de circuitos retinianos complexos, capazes de integrar os sinais relacionados à cor.
Em outras palavras, quando abrimos os olhos, a luz faz pelo menos duas coisas ao mesmo tempo: nos permite ver o mundo e, além disso, informa ao nosso organismo qual momento do dia parece ser. E digo isso porque poderia não ser assim, pois eles poderiam se confundir.
Pensemos em alguém que olha para o celular na cama à meia-noite (ou seja, eu mesmo). O relógio marca meia-noite, mas a retina está recebendo um sinal luminoso que está muito longe de ser associado à escuridão dessa hora. Para alguns circuitos do nosso cérebro, a mensagem que chega dos olhos é que, talvez, ainda não seja hora de dormir.
O paradoxo do azul
E aqui surge uma curiosa contradição. Costumamos associar o azul à calma. Basta pensar no céu ou no mar. No entanto, a luz rica em comprimentos de onda curtos (entre 460 e 480 nm) pode produzir exatamente o contrário, especialmente durante a noite.
Uma revisão sistemática do tipo meta-análise demonstrou que a luz compreendida na faixa acima indicada pode aumentar o estado de alerta e modular a atividade cerebral e certas funções cognitivas. E esses efeitos são muito mais evidentes à noite do que durante o dia.
Qual é a explicação? Bem, em grande parte está na melanopsina. Quando esses comprimentos de onda ativam o fotopigmento, as ipRGCs que o contêm respondem e acionam vias nervosas que conectam a luz ambiente à regulação de nossos ritmos biológicos, ao interferirem na secreção de melatonina, o hormônio que produzimos durante a noite e que atua como um sinal biológico de escuridão.
E o vermelho nos deixa nervosos?
Já vimos que a cor que acreditamos perceber e o efeito fisiológico da luz não são exatamente a mesma coisa. E, nesse sentido, há estudos que identificaram diferenças na atividade cerebral (por meio da eletroencefalografia) quando observamos cores diferentes.
Por exemplo, a percepção do vermelho foi associada a alterações na banda alfa-3, que os autores relacionam a uma possível resposta emocional negativa e a um aumento da ansiedade. Já os estímulos azuis e verdes produziram diferenças na banda beta-1, o que é considerado compatível com um maior nível de atenção.
Mas atenção: estamos falando de associações entre determinados padrões de atividade cerebral e estados emocionais ou cognitivos, o que não significa que o estudo tenha demonstrado que o vermelho provoque ansiedade nem que o verde nos torne mais atentos. Ou seja, a partir desses experimentos não podemos concluir que pintar um escritório de verde nos tornará automaticamente trabalhadores mais concentrados.
Em resumo, nunca processamos uma cor isoladamente do mundo. Um semáforo vermelho, uma rosa vermelha e uma mancha vermelha em um jaleco branco podem compartilhar a mesma cor e provocar, obviamente, experiências completamente diferentes.
A construção inconsciente da cor
Analisando todos esses artigos, e partindo do princípio de que acreditamos que as cores afetam nosso cérebro porque as vemos, a conclusão mais interessante que eu tiraria é a seguinte: o que a neurociência está demonstrando é que parte dos efeitos da luz começa antes que o cérebro tenha construído conscientemente a cor.
Sim, vemos a luz, mas nosso organismo também a mede sem que tenhamos consciência disso. E enquanto nosso cérebro decide se algo é azul, verde ou vermelho, outros circuitos estão tentando responder a uma pergunta muito mais básica: é dia ou é noite?
POr - O Globo


























