IBGE: país tem 8,4 milhões de analfabetos, menor número desde 2016

Em 2025, o Brasil tinha 8,4 milhões de pessoas com 15 anos ou mais de idade analfabetas, correspondendo a uma taxa de analfabetismo de 4,9% - a menor taxa da série histórica iniciada em 2016. 

Em relação a 2024, houve redução de 0,4 ponto percentual (p.p.) na taxa nacional, representando uma diminuição de cerca de 592 mil pessoas analfabetas no país.

Em nove anos, a taxa nacional de analfabetismo caiu de 6,7%, em 2016, para 4,9%, em 2025, uma redução de 1,8 p.p. no período. A Região Nordeste (4,8 milhões de pessoas) concentra 57,4% desse total.

Os dados estão na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Educação (2025), divulgados nesta sexta-feira (19) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O analfabetismo atinge principalmente a população idosa. Em 2025, havia 4,8 milhões de analfabetos com 60 anos ou mais, o que representa 14,9% das pessoas desse grupo etário. Os analfabetos com 60 anos ou mais de idade eram 58% do total de analfabetos do país. Já a taxa de analfabetismo de pretos ou pardos (20,6%) era quase três vezes superior à de brancos (7,3%) nesse grupo etário.

02/04/2024 - Com menor taxa de analfabetismo do país, DF é referência em educação. Centro Educacional 2 de Taguatinga. Na foto adultos assistem aula dentro da sala da aula, Escola. Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Taxa de analfabetismo entre as pessoas de 15 a 59 anos de idade foi de 2,6T. Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Quando se adiciona os grupos mais jovens no cálculo da taxa de analfabetismo, os percentuais diminuem progressivamente: 8,3% entre as pessoas com 40 anos ou mais, 5,8% entre aquelas com 25 anos ou mais, e 4,9% na população com 15 anos ou mais.

Segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo entre as pessoas de 15 a 59 anos de idade foi de 2,6%, indicando que as novas gerações tiveram maior acesso à escolarização, sendo alfabetizadas ainda na infância.

"Essa diferença de 11,3 p.p. entre os grupos etários reforça a importância de políticas de manutenção de crianças e jovens na escola, bem como aquelas específicas para alfabetização de adultos e idosos.”

Em 2025, a taxa de analfabetismo entre mulheres de 15 anos ou mais de idade foi de 4,6%, enquanto entre os homens foi de 5,2%. A redução em relação a 2024 foi de 0,4 p.p. para ambos os sexos. Na população com 60 anos ou mais de idade, a taxa de analfabetismo das mulheres, que historicamente era superior à dos homens, em 2025 passou a ser menor, com 13,7% para mulheres e 14,1% para homens, o que representa uma diferença de 0,4 p.p.

“A variação das taxas por sexo, especialmente entre os mais velhos, sugere avanços na escolarização feminina em todas as gerações, apontando para uma reversão do legado de desigualdade educacional do passado”, analisa o IBGE.

Em 2025, 59,4% das mulheres com 25 anos ou mais de idade haviam completado, ao menos, a educação básica obrigatória, enquanto entre os homens esse percentual era de 55,2%. Ambos os grupos apresentaram crescimento em relação a 2024, indicando uma tendência positiva no acesso à escolarização.

Em relação à cor ou raça, 64,9% das pessoas de cor branca haviam concluído o ciclo básico educacional, contra 51,3% das pessoas de cor preta ou parda, resultando em uma diferença de 13,6 p.p. entre esses grupos. Essa diferença permanece praticamente inalterada em relação a 2024, quando era de 13,3 p.p., no entanto, é 2,8 p.p. menor que em 2016, quando a diferença era de 16,4 p.p., refletindo as persistentes desigualdades.

Creche

Em 2025, no Brasil, 64,1% das crianças de 0 a 1 ano e 57,1% das crianças de 2 a 3 anos que não frequentavam creche estavam fora da escola por opção dos pais ou responsáveis. Esse motivo permaneceu como o mais citado em todas as grandes regiões, com frequência mais elevada entre o primeiro grupo.

O segundo motivo mais citado foi não ter escola/creche na localidade, falta de vaga ou a não aceitação da matrícula por causa da idade da criança. Entre as crianças de 0 a 1 ano, 28,1% dos responsáveis apontaram esse fator; entre as de 2 a 3 anos, o percentual foi de 33,4%.

Abandono escolar

No grupo de jovens de 14 a 29 anos do país, 7,7 milhões não haviam completado o ensino médio em 2025, seja por terem abandonado a escola antes do término dessa etapa ou por nunca a terem frequentado. Desses jovens, 59,8% eram homens e 40,2% eram mulheres. Considerando a distribuição por cor ou raça, 26,4% eram brancos e 72,8% eram pretos ou pardos.

Ao serem perguntados sobre o principal motivo de abandono escolar ou de nunca terem frequentado a escola, os jovens de 14 a 29 anos indicaram, majoritariamente, a necessidade de trabalhar, mencionada por 43% dos entrevistados em 2025.

O segundo motivo mais citado foi não ter interesse em estudar, que alcançou 25,6% dos casos, confirmando a reversão da tendência de queda observada desde 2024. O aumento, de 2 p.p. em relação ao ano de 2023, pode sinalizar um desalinhamento entre as expectativas dos jovens e o modelo educacional.

Os demais motivos permaneceram estáveis ou apresentaram variações modestas: gravidez foi mencionada por 9,9% dos jovens; problemas de saúde permanente, por 4,4%; realizar afazeres domésticos ou cuidar de pessoas, por 3,9%; e não ter escola na localidade, vaga ou turno desejado, por 2,8%.

O Brasil tinha 46,6 milhões de jovens com 15 a 29 anos de idade em 2025, e 17,5% deles não estavam trabalhando, não estudavam no ensino regular nem frequentavam algum curso de qualificação profissional. Essa proporção recuou 4,9 pontos percentuais (p.p.) frente a 2019, quando 22,4% dos jovens do país não trabalhavam, nem estudavam ou se qualificavam.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Sintomas da doença falciforme vão além da anemia; saiba mais

Genética e hereditária, a doença falciforme é mais abrangente que uma anemia, nome pela qual ela costuma ser conhecida. Em entrevista à Agência Brasil, a hematologista Marimília Pita esclareceu esse e outros mitos sobre essa condição de saúde, que afeta até 100 mil brasileiros, segundo estimativa do Ministério da Saúde.

“Todo doente falciforme é anêmico. A doença falciforme é uma doença sistêmica que afeta todos os órgãos. Ela é genética, hereditária e passada de pais para filhos”, resumiu a médica.

Criadora da organização não governamental (ONG) Lua Vermelha, que conscientiza a sociedade sobre a doença falciforme, Marimília Pita também é oncohematologista pediátrica e fundadora do Comitê de Hematologia Pediátrica da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).

Neste dia 19 de junho, celebra-se o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. A data foi estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para dar visibilidade a essa condição genética, reduzir o preconceito e melhorar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

Hemácias em forma de foice

A anemia é o primeiro grande sintoma dessa doença que costuma ser diagnosticado. Isso ocorre porque o que causa essa condição de saúde é uma alteração nas hemácias, também conhecidas como glóbulos vermelhos, que são as células sanguíneas responsáveis por levar o oxigênio aos tecidos.

Em uma pessoa que apresenta essa condição genética, a hemácia perde o seu formato natural, semelhante ao de um grão de feijão, e assume uma aparência mais alongada, parecida com uma foice. Daí o nome falciforme, que significa forma de foice.

Doença Falciforme - Médica hematologista Marimília Pita. Foto: Marcelo Machado/RN Imagem
Hematologista Marimília Pita por Marcelo Machado/RN Imagem

“Como essa célula é muito comprida, ela não dura a mesma quantidade de dias que uma célula normal, que dura 120 dias. Na doença falciforme, ela se quebra com 20 dias, 30 e até 80 dias. Então, o paciente está sempre com anemia”. 

Além disso, a hemácia comprida é rígida e, quando ela se quebra, entope os vasos sanguíneos, enquanto a hemácia normal é superflexível e leva oxigênio para todos os microvasos do indivíduo.

Ao longo da vida, esse paciente passa a sofrer as consequências de as hemácias com esse formato não chegarem a todos os tecidos, ocasionando “microinfartos” que podem atingir desde membros até órgãos, como o coração e os olhos.

“Aquela área fica sem sangue, ela não respira, fica infartada, e a função do órgão vai diminuindo. Isso significa que, à medida que o paciente vai crescendo, ele se torna um indivíduo cardiopata, pneumopata, nefropata e, assim, sucessivamente”.

Teste do pezinho

O diagnóstico da doença falciforme, entretanto, pode se dar antes disso. Há 25 anos, o Ministério da Saúde incluiu uma pesquisa de hemoglobina capaz de detectá-la no Teste do Pezinho, exame obrigatório e gratuito para bebês recém-nascidos.

O diagnóstico precoce, ainda na maternidade, torna a evolução do paciente bem mais tranquila, segundo a hematologista. Entre os principais ganhos está a prevenção de infecções, uma das principais causas de morte entre esses pacientes antes dos 7 anos de idade.

Na maior parte dos casos, a doença não tem cura, mas pode ser acompanhada e ter seus sintomas atenuados com tratamento médico. Em alguns casos, é possível um tratamento curativo por meio do transplante de medula, quando o paciente atende aos critérios de elegibilidade e encontra um doador compatível.

Dor intensa

Outro sintoma comum da doença falciforme é a ocorrência de crises de dor intensa. Esse quadro é causado pela obstrução de pequenos vasos sanguíneos pelos glóbulos vermelhos em forma de foice.

A dor é mais frequente nos ossos e nas articulações, podendo, porém, atingir qualquer parte do corpo. Nas crianças pequenas, as crises de dor podem acometer pequenos vasos sanguíneos das mãos e dos pés, causando inchaço e vermelhidão no local, além de dor.

Essas dores podem ser tão intensas que muitos pacientes têm de ser internados em unidades de terapia intensiva (UTI), para que possam receber morfina, conta a hematologista. Ela lamenta que, muitas vezes, os profissionais de saúde não estão preparados para lidar com esse quadro de dor aguda.

A médica representa o Brasil em um grande estudo internacional com 2 mil doentes, dos quais 260 eram brasileiros. Nesse estudo, só 34% dos pacientes do Brasil receberam morfina durante crises de dor, enquanto, nos Estados Unidos, são 98% e, no Canadá, 99%.

“O paciente sofre com isso. E, ao longo do tempo, ele vai piorando clinicamente. E o pior de tudo isso é que esse paciente, na maioria das vezes, é considerado um adicto [dependente químico]. Porque ele chega no pronto-socorro uivando de dor e pedindo, pelo amor de Deus, uma morfina”.

Racismo

Entre todos os desafios enfrentados pelos pacientes com doença falciforme, Marimília destaca um que vem de fora do corpo dos pacientes: o racismo estrutural. A doença é mais frequente na população negra, porque a mutação genética que causa o quadro teria sido originada no continente africano, explicou a médica.

“Então, acontece a questão do racismo, porque é uma doença hematológica, crônica, que mata, e os pacientes são pobres. No Brasil, existe uma relação direta da raça negra com a condição socioeconômica do indivíduo”.

A doença, porém, não é restrita ao continente africano nem exclusiva da população negra, principalmente em um país miscigenado como o Brasil. 

“É uma doença mundial. Ela ocorre também na Índia, na Arábia, na Europa, nas Américas, na Austrália, no Caribe, em tudo que é lugar do mundo”, reforçou.

Diagnóstico cedo

Nilceia Alves Gomes da Silva descobriu que seu filho Agner Eduardo da Silva tinha a doença falciforme quando ele ia completar 2 anos. 

“Começou com as crises que, até então, eu não sabia o que eram, com dores na mão, no pé, que ficavam inchados. Aí, eu levava ele no pronto-socorro, e os médicos falavam que era algum bicho que tinha mordido e coisas assim”, disse Nilceia à Agência Brasil.

Somente quando pagou uma consulta em um médico particular, ela soube que havia a possibilidade de o filho ter doença falciforme, devido a todos os sintomas que estava apresentando. Ao saber da situação financeira de Nilceia, o médico encaminhou o caso para duas instituições gratuitas de São Paulo: a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital das Clínicas.

“Ali, começou a nossa trajetória”, lembrou Nilceia, que viu o filho ser internado pela primeira vez aos 12 anos. Hoje, ele está com 47 anos e já foi hospitalizado cinco vezes com crises de doença falciforme.

 

Doença Falciforme - Nilceia Gomes da Silva e o filho Agner Eduardo. Foto: Agner Eduardo/ Arquivo Pessoal
Nilceia Gomes da Silva e o filho Agner Eduardo. Foto: Agner Eduardo/ Arquivo Pessoal

Apesar das dificuldades, Nilceia se orgulha do fato de os filhos terem estudado. Agner é advogado, casado e tem uma filha. 

“Ele tem a doença até hoje, mas não é coitadinho. Tem que saber conviver com a doença, correr atrás dos seus direitos e viver”, afirmou Nilceia.

Internações constantes

Também paciente da hematologista Marimília, Lucas Henrique Gama Nascimento está atualmente com 35 anos de idade e nasceu com a doença falciforme. 

“Você não entende direito que tem que ser um pouco diferente das outras crianças. Sempre tem aquela coisa de não faz isso, evita aquilo. E você tem que ir lidando com as limitações”, contou Lucas à Agência Brasil.

Internações foram uma constante em sua vida, com fortes crises de dor. Ele destacou que a doença falciforme acarreta uma série de coisas não só físicas, mas também emocionais. 

“Você não tem nenhuma segurança. Você está bem, mas não pode planejar muito. Às vezes, você planeja e é frustrado, porque acorda com dor”, contou ele, que teve apoio para superar esses problemas. “Graças a Deus, eu tive uma mãe que nunca fez disso um peso. Ela sempre me colocava para cima e falava: ‘Você pode, sim, você é igual às outras pessoas, você é forte’”.

Ele comemora que, mesmo com as dificuldades, conseguiu ser a primeira pessoa da família a fazer uma faculdade federal, formando-se no curso de Tecnologia em Sistemas Eletrônicos Digitais, no Instituto Federal de São Paulo (IFSP).

 

Doença Falciforme - Lucas Nascimento e família. Foto: Lucas Nascimento/ Arquivo Pessoal
Lucas Nascimento e família. Foto: Lucas Nascimento/ Arquivo Pessoal

Lucas atuou na área por 12 anos e, atualmente, está afastado, por conta de uma sequela da doença falciforme ─ uma necrose no fêmur. Para receber uma prótese, como os médicos recomendam, ele precisa estar bem de saúde, mas, no momento, Lucas se recupera de um transplante de medula que não teve sucesso e aguarda para fazer a intervenção no osso da coxa.

Casado e com dois filhos pequenos, de 1 e 4 anos, Lucas também é escritor. Ele publicou o livro Você tem um propósito, em que ajuda as pessoas a terem inteligência emocional e espiritual para superar dificuldades.

Doença Falciforme - Médica hematologista Marimília Pita. Foto: Marcelo Machado/RN Imagem
Doença Falciforme - Médica hematologista Marimília Pita. Foto: Marcelo Machado/RN Imagem - Marcelo Machado/RN Imagem
 
 
 
 
 
 
 
Por - Agência Brasil
Paraná registra novo recorde de redução de homicídios nos 5 primeiros meses de 2026

O acumulado dos cinco primeiros meses de 2026 registra nova queda dos principais índices de criminalidade no Estado do Paraná, atingindo mais um recorde histórico desde o início da série integrada de registros, em 2007. Os homicídios tiveram uma redução de mais de 10% no período de janeiro a maio de 2026 no comparativo com os mesmos meses de 2025, que já havia sido recorde. O número de casos entre janeiro e maio caiu de 519 em 2025 para 466 este ano, segundo dados do Centro de Análise, Planejamento e Estatística da Secretaria da Segurança Pública do Estado do Paraná (Sesp).

Na comparação com os primeiros cinco meses de 2018, quando foram 859 registros, a queda para 2026 chama ainda mais a atenção: 46% de redução. E no comparativo com o mesmo período de 2024 (735 casos), este ano de 2026 teve uma diminuição de mais de 36% no número de homicídios dolosos. Outro ponto importante é que 250 municípios do Paraná não registraram homicídios nos cinco primeiros meses deste ano, o que representa mais de 62% das cidades do estado. No ano passado, eram 240 municípios sem registros nesse mesmo período.

“Toda vida salva é importante. E se compararmos os anos, em 2026 já foram 53 vidas salvas. Essa redução contínua dos índices criminais é resultado de uma política de atuação das forças de segurança que vem dando certo, com mais integração, inteligência e investimento no efetivo, em estrutura e em equipamentos. Um combate que começa contra as organizações criminosas, atacando a sua logística, o fluxo financeiro e a cadeia de comando em grandes operações como a realizada no dia 15 de junho, com mais de 550 mandados de prisão, busca e apreensão”, ressalta o secretário da Segurança Pública do Paraná, Saulo Sanson.

CRIMES PATRIMONIAIS – A quantidade de roubos no Paraná também teve uma redução bastante significativa nos primeiros cinco meses de 2026. De janeiro a maio de 2025 haviam sido 6.482 ocorrências em todo o estado e este ano foram 5.104, ou seja, uma queda de mais de 21%. Na comparação com 2024 (8.085 casos) a diminuição é de 37% e frente a 2018 (25.846 ocorrências) chega a mais de 80% a redução.

No caso dos roubos de veículos, os números também têm uma redução histórica: de 685 casos registrados de janeiro a maio de 2025, o número total caiu para 520 no mesmo período deste ano. Uma queda de mais de 24%. Nos primeiros cinco meses de 2024 haviam sido 949 casos, o que significa uma redução de mais de 45% para 2026. E no mesmo período foram 3.563 casos de roubos de veículos em 2018, apontando uma diminuição de mais de 85% para 2026.

Isso significa que o Paraná tem menos de 15% de roubos de automóveis hoje do que tinha em 2018. De cada 20 carros que eram roubados naquele período, hoje são proporcionalmente apenas três. Na conta final foram 3.043 carros que deixaram de ser roubados no estado nos cinco primeiros meses de 2026 graças à firme atuação das forças de segurança.

 

 

 

 

 

Por - AEN

Anvisa determina recolhimento de lotes de antibióticos

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quinta-feira (18) o recolhimento de dois medicamentos antibióticos por desvio de qualidade. Os produtos não podem ser vendidos, distribuídos ou utilizados.

A resolução da agência, publicada no Diário Oficial da União, atinge o lote 2519879 do antibiótico Polycid, fabricado pela União Química Farmacêutica Nacional. O medicamento, de uso injetável, é usado para tratar infecções graves.

De acordo com o texto, a Anvisa recebeu comunicado de recolhimento voluntário iniciado pelo próprio fabricante por conta da presença de um pedaço de vidro no interior do frasco do medicamento.

A resolução atinge ainda o lote 24101854 do antibiótico fosfato de clindamicina 150 mg/ml solução injetável (caixa com 50 ampolas), fabricado pela Hypofarma - Instituto de Hypodermia e Farmácia Ltda.

Segundo a publicação, foi confirmado desvio referente à solução de cor amarelada, incluindo a presença de corpos estranhos e precipitados no interior do frasco lacrado do medicamento.

Em nota, a Hypofarma informou que a resolução está sendo tratada em conformidade com os protocolos regulatórios aplicáveis e em alinhamento com a autoridade sanitária.

“A companhia mantém colaboração integral com os órgãos competentes e segue adotando todas as medidas adequadas e cabíveis no âmbito de seus processos internos e regulatórios.”

Soro fisiológico

Outro produto alvo da resolução é a solução fisiológica de cloreto de sódio Equiplex – 9mg/ml, produzida pela Equiplex Indústria Farmacêutica Ltda. Segundo a Anvisa, o lote 2513588 (validade 30/6/2027) apresentou desvio de qualidade e deve ser recolhido.

“O produto também não pode ser vendido, distribuído ou utilizado”, destacou a agência em nota.

Farmácia de manipulação

A resolução determina ainda o recolhimento de todas as preparações magistrais produzidas pela Farmácia S J do Jabour Ltda.

“Foi comprovada a exposição e a comercialização de produtos manipulados padronizados e não individualizados, sem a devida prescrição por profissional competente”, informou a Anvisa.

“Os medicamentos eram divulgados e comercializados por meio do site da empresa e de redes sociais, inclusive com nome comercial dos produtos nos rótulos”, completou a agência.

Agência Brasil aguarda retorno da União Química Farmacêutica Nacional. A reportagem não conseguiu contato com a Equiplex Indústria Farmacêutica Ltda e com a Farmácia S J do Jabour Ltda.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Programa HumanizaMente fortalece cuidado com saúde mental de pacientes e familiares

O Programa HumanizaMente, implantado pela Secretaria de Estado da Saúde no Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, tem como objetivo ampliar os espaços de escuta, acolhimento e atenção psicossocial no ambiente hospitalar, especialmente para pacientes submetidos a longos períodos de internação e para os profissionais que atuam diretamente no cuidado.

Inspirado nos princípios da Política Nacional de Humanização (PNH) e da atenção psicossocial integral no Sistema Único de Saúde (SUS), o programa busca reduzir os impactos emocionais decorrentes das hospitalizações prolongadas, fortalecendo vínculos familiares, qualificando a assistência e promovendo um ambiente mais acolhedor para todos.

“O cuidado em saúde vai além do tratamento clínico. É fundamental olhar para as necessidades emocionais de pacientes, familiares e trabalhadores da área”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves. “O Programa HumanizaMente fortalece a humanização do atendimento e contribui para um ambiente mais acolhedor, saudável e preparado para oferecer uma assistência integral e de qualidade”, acrescentou.

A iniciativa começou em agosto do ano passado. Entre setembro de 2025 e maio de 2026, o HumanizaMente fez 237 atendimentos psicológicos individuais, 36 grupos e rodas de conversa, alcançando aproximadamente 381 participantes em atividades coletivas. Também foram promovidos cerca de 15 treinamentos, palestras e capacitações voltados ao desenvolvimento profissional e à qualificação da assistência, além da elaboração de 13 Planos Terapêuticos Singulares (PTS) para pacientes de longa permanência.

Os atendimentos psicológicos contemplam pacientes, acompanhantes e profissionais de diferentes setores do hospital, como enfermagem, higienização, farmácia, laboratório, administrativo, financeiro, radiologia, ouvidoria e controle de infecção. As principais demandas estiveram relacionadas à ansiedade, sofrimento emocional, dificuldades familiares, conflitos interpessoais e adaptação às rotinas de trabalho.

O técnico em radiologia José Leovani, que atua há 15 anos no Hospital Infantil Waldemar Monastier, também participa dos atendimentos oferecidos pelo Programa. Para ele, o espaço de acolhimento tem sido fundamental para enfrentar os desafios do dia a dia. “Trabalhamos em um ambiente que exige muito emocionalmente e, muitas vezes, acabamos deixando o nosso próprio cuidado em segundo plano. Participar do HumanizaMente me ajudou a olhar para mim, a lidar melhor com as situações da rotina e a perceber que cuidar da saúde mental faz diferença tanto na vida pessoal quanto no trabalho”, afirmou.

Além do acompanhamento individual, o programa promove grupos de reflexão e rodas de conversa sobre temas como autoconhecimento, gestão das emoções, empatia, comunicação, resiliência, saúde mental no trabalho e valorização profissional.

Para os pacientes internados por longos períodos, as ações incluem acolhimento psicológico, atividades lúdicas, fortalecimento de vínculos familiares e estratégias de humanização da internação. O programa também prevê a realização de “horas de qualidade” com atividades externas e momentos de convivência que ajudam a romper a rotina hospitalar e promover o bem-estar emocional.

Internado desde 18 de fevereiro deste ano para o tratamento de uma poliartrite infecciosa, o adolescente Kerllon de Santana Santos, de 16 anos, afirma que as atividades desenvolvidas pelo HumanizaMente tornaram o período de hospitalização mais leve. “Eu gosto muito que as tias sempre trazem atividades legais para mim e sempre respeitam meus limites, perguntam se eu estou disponível para as atividades ou se quero deixar para outro dia e, independente de qualquer coisa, elas sempre estão aqui pra me fazer feliz”, disse. “Essas ações me ajudam muito fisicamente e, principalmente, psicologicamente”.

O acompanhamento de Kerllon conta com o apoio da estagiária Tayline Gomes Nogueira da Silva, que auxilia a psicóloga do Hospital, Talita Lisandra de Oliveira Rosa, e desenvolve as atividades com o adolescente durante sua internação.

Segundo Talita, a iniciativa surgiu da necessidade de ampliar o cuidado emocional dentro do ambiente hospitalar e oferecer um suporte estruturado aos diferentes públicos atendidos. “Para os profissionais, o acesso ao HumanizaMente pode ocorrer por demanda espontânea, encaminhamento do enfermeiro do trabalho ou orientação dos gestores da unidade".

"Já para pacientes e familiares, especialmente aqueles em internações prolongadas, fazemos uma avaliação para identificar interesses, necessidades e demandas, permitindo o planejamento de atividades personalizadas que tornem esse período mais acolhedor, significativo e humanizado, promovendo bem-estar emocional e qualidade de vida durante o tratamento”, explicou. “Os resultados alcançados demonstram a importância da iniciativa como estratégia de promoção da saúde mental, prevenção do adoecimento psíquico e fortalecimento da cultura de humanização institucional”, acrescentou. 

 

 

 

 

Por - AEN

Complexo soja impulsiona agronegócio do Paraná com faturamento de US$ 2,94 bilhões até maio

Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (18), destaca o desempenho do complexo soja (composto por grão, farelo e óleo), cujas exportações nos primeiros cinco meses de 2026 atingiram 6,72 milhões de toneladas, registrando um crescimento de 8% em volume na comparação com o mesmo período de 2025 (6,2 milhões de toneladas).

Essa movimentação expressiva acelerou a comercialização da oleaginosa para liberar espaço nos armazéns para a safra de milho. Em termos financeiros, a soja injetou cerca de US$ 2,94 bilhões na balança comercial do Paraná, um expressivo avanço de 18% em relação ao ano anterior, com US$ 2,50 bilhões.

De acordo com o analista do Deral Edmar Gervasio, o destaque ficou para o óleo de soja, que alcançou 338 mil toneladas exportadas, um crescimento expressivo de 59% em receita. "No cenário nacional, o desempenho também é positivo. As exportações do complexo soja somaram 66,2 milhões de toneladas, um crescimento de 7% em volume e de 15% em valor, totalizando mais de US$ 27 bilhões para a balança comercial nacional".

Outra cultura que coloca o Paraná em evidência nacional é o urucum, consolidando o Estado como o segundo maior produtor do país, atrás apenas de São Paulo. De acordo com dados preliminares analisados pelo Deral, a cultura movimentou um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 27,5 milhões no Paraná, com uma colheita de 1,6 mil toneladas em 1,4 mil hectares.

O município de Paranacity é apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) como o principal produtor nacional e, recentemente, conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG) de procedência junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), selo que destaca o manejo sustentável, a ausência de agrotóxicos e agrega valor a um produto com ampla demanda nas indústrias alimentícia, farmacêutica e de cosméticos.

OVOS E FRANGO - A produção de ovos de galinha mantém o Paraná em posição de destaque no ranking nacional, ocupando o terceiro lugar geral com 119,350 milhões de dúzias produzidas no primeiro trimestre (9,8% do total do país). O volume é 1,9% superior ao registrado em igual período de 2025.

O grande trunfo paranaense, contudo, está na liderança isolada da produção de ovos férteis para incubação. O Estado respondeu por 67,882 milhões de dúzias, o que equivale a 30,9% de toda a produção nacional de ovos férteis, reforçando o papel estratégico do Paraná no abastecimento e na genética da cadeia avícola brasileira.

Na avicultura de corte, o cenário de maio trouxe um alívio técnico nos custos de produção, motivado pela queda nos preços de insumos essenciais como o milho e o farelo de soja. Segundo o Deral, o custo do frango vivo no Paraná recuou para R$ 4,68/kg, ficando ligeiramente abaixo do preço nominal médio recebido pelo produtor, que fechou o mês em R$ 4,69/kg.

Na relação de troca anual, em maio de 2026 foram necessários 225 kg de frango vivo para adquirir uma tonelada de milho (alta de 5,6% frente a 2025) e pesados 401 kg de frango para a compra de uma tonelada de farelo de soja, exigindo um esforço de compra 15,2% maior.

LEITE – O Deral aponta que o Paraná lidera o crescimento nacional de captação. Entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período do ano anterior, o Estado registrou uma alta de 8,8% no volume de leite adquirido pelas indústrias, totalizando quase 1,1 bilhão de litros captados nos três primeiros meses do ano. Esse avanço, conforme os dados analisados, reduziu a distância em relação a Minas Gerais, o maior produtor do país.

 

 

 

 

Por - AEN