Paraná já aplica medicamento inovador para crianças de zero a 6 anos com hemofilia A

Para Luca Rech e Souza, de apenas 4 anos, a rotina de crescer com hemofilia A grave sempre foi marcada por cuidados e limitações. A condição, que afeta a capacidade de coagulação do sangue, impunha à sua família uma vigilância constante. A partir deste ano, a infância de Luca será diferente. O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), já iniciou as aplicações do emicizumabe em crianças de 0 a 6 anos.

O medicamento de alto custo para tratamento profilático para essa faixa etária foi incorporado pelo Ministério da Saúde ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 29 de dezembro de 2025 com prazo de até 180 dias para o início das aplicações. A agilidade do Hemepar garantiu que o medicamento fosse disponibilizado no Paraná em apenas 30 dias. A vida de Luca e de sua família passou por uma transformação. Além dele, outras 33 crianças poderão iniciar o tratamento no Estado.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, comemora a ampliação do acesso ao medicamento e destaca o preparo da rede estadual de saúde para oferecer o tratamento. “É uma grande conquista. Nossa rede de saúde, com o Hemepar como referência, está estruturada para levar este tratamento inovador às nossas crianças com hemofilia A. É mais um passo importante, alinhado à visão do governador Ratinho Júnior de fortalecer o cuidado à saúde dos paranaenses, que transformará a vida de muitas famílias", afirmou.

De acordo com levantamento do Hemepar, o Paraná possui cerca de 800 pacientes com hemofilia A, sendo que 40, de diferentes faixas etárias, já recebem o emicizumabe, que agora está disponibilizado também para crianças de até 6 anos. A hemofilia A é uma doença hemorrágica hereditária rara, ligada ao cromossomo X, caracterizada pela deficiência do Fator VIII (FVIII) de coagulação. Essa deficiência impede a correta formação de coágulos, resultando em sangramentos prolongados e, muitas vezes, espontâneos.

Em crianças, especialmente na faixa de 0 a 6 anos, a forma grave da doença se manifesta com episódios hemorrágicos frequentes, principalmente nas articulações (joelhos, tornozelos e cotovelos) e nos músculos. A repetição desses sangramentos, se não tratada adequadamente, leva a danos articulares irreversíveis, uma condição conhecida como artropatia hemofílica. Isso causa dor crônica, limitação de movimento e, a longo prazo, incapacidade física.

A decisão de ampliar o acesso ao emicizumabe para esse grupo etário tem como principal benefício a prevenção da artropatia hemofílica, garantindo o desenvolvimento motor e social saudável das crianças.

“É um avanço gigantesco para melhor qualidade de vida desses pacientes. Diante disso, assim que o Hemepar soube da articulação para ampliação, nos organizamos, fizemos avaliação dos pacientes elegíveis e alinhamos com as famílias o início do tratamento. Desta forma, já temos no Paraná pacientes menores de 6 anos usando o emicizumabe”, enfatizou a diretora do Hemepar, Vivian Patricia Raksa. 

TRANSFORMAÇÃO – O emicizumabe é um anticorpo bioespecífico que atua mimetizando a função do Fator VIII ativado para restaurar o processo de coagulação. Sua principal indicação é a profilaxia de rotina, prevenindo sangramentos ou reduzindo drasticamente a frequência de episódios hemorrágicos. A grande inovação reside em sua forma de administração e no impacto na qualidade de vida. Ao contrário do tratamento tradicional com Fator VIII, que exige infusão intravenosa frequente, o emicizumabe é aplicado por via subcutânea, com dosagem que pode ser semanal, quinzenal ou mensal.

Essa redução na frequência de aplicações e de sangramentos transforma a rotina das famílias, permitindo que as crianças tenham uma vida mais próxima do normal, podendo brincar e interagir sem o medo constante de hemorragias. “Essa mudança trouxe um impacto muito significativo para a rotina do Luca e, com certeza, para a nossa família”, comemora Graziella Rech, mãe do menino.

O pai de Luca, Adam Juglaire e Souza, concorda com a esposa e ressalta a qualidade de vida que o medicamento trará. “O Luquinha vai crescer bem saudável. Agora vamos reduzir o número de aplicações e vai ser subcutânea. Então, com certeza ele terá uma qualidade de vida bem melhor”, afirmou Adam.

Graziella lembra a preocupação constante e a série de cuidados que a família tinha de ter até então. A casa era um ambiente adaptado, com chão coberto por EVA para amortecer quedas. Até os três anos e meio de idade, o uso de capacete em ambientes externos era indispensável para prevenir ferimentos mais sérios. O tratamento convencional, com aplicação de fator de coagulação intravenoso três vezes por semana, também era um desafio.

“A gente sabia que depois do segundo, terceiro dia, ele não tinha mais tanta proteção no corpo e era quando se machucava mais”, conta Graziella. Cada tombo era motivo de grande preocupação e a vida da família girava em torno da administração do medicamento e do medo de novos sangramentos. “A cada mudança a gente vivia uma nova adaptação, sempre observando com cuidado tombo, machucado”, relatou a mãe.

A médica hematologista e responsável técnica pelo Hemepar, Claudia Lorenzato, enfatiza o impacto positivo do emicizumabe na vida dos pequenos pacientes. Segundo a especialista, com a nova terapia, as crianças poderão ter essa oportunidade de esquecer que são hemofílicos e terão qualidade de vida. “A gente chama de hemofilia free mind, elas esquecem da doença e poderão ser produtivos, estudar, trabalhar, fazer aquilo que quiserem na vida, sem depender de estar sempre fazendo uma infusão intravenosa de medicação”, explicou.

 

 

 

 

 

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 Inscrições abertas: Paraná oferece curso de formação para pedagogos da rede estadual

A Secretaria da Educação do Paraná (Seed-PR) oferece, a partir deste ano, o curso de formação continuada Pedagogo Formador (PedFor), voltado aos pedagogos que atuam nas escolas da rede pública do Estado.

Ele atenderá cerca de 4,7 mil profissionais dessa área em exercício na rede. As inscrições para a primeira turma começam nesta sexta-feira (6) e devem ser realizadas pelo link que será enviado ao e-mail @escola dos profissionais. Futuramente, o link estará disponível na página do programa.

Desenvolvida pelo Departamento de Acompanhamento Pedagógico (DAP), por intermédio da Coordenação de Formação Docente e Equipes Gestoras (CFDEG), o curso é estruturado em encontros semanais, no formato online e síncrono, em Ambiente Virtual de Aprendizagem do Google Classroom, com duração de 1h40. Os encontros serão ministrados no formato de mentoria, de modo a promover a troca de conhecimentos, habilidades e experiências práticas entre os pedagogos formadores e os cursistas.

O objetivo é capacitar estes últimos para identificarem desafios específicos em seu contexto escolar, orientando-os no planejamento e na implementação de intervenções para melhoria da frequência escolar e da aprendizagem e redução da taxa de reprovação. Os encontros serão divididos entre momentos de estudo dirigido e aprofundamento teórico-prático, assegurando a articulação imediata entre os temas estudados e as ações do ano letivo.

A formação tem como intuito consolidar a identidade do trabalho pedagógico, preparando os pedagogos para o exercício da liderança e da gestão do processo de ensino e aprendizagem, da organização do trabalho pedagógico e da formação continuada em serviço dos docentes nos diferentes contextos escolares.

“O Pedagogo Formador vem se somar a outros programas de formação continuada desenvolvidos pela Secretaria de Educação”, diz o secretário da Pasta, Roni Miranda. “O objetivo, em todos os casos, é o mesmo: aprimorar a capacidade técnica dos nossos profissionais e, em consequência, aprimorar a qualidade da educação do Paraná”, completa.

INSCRIÇÃO – O processo de inscrição obedecerá a duas etapas: a primeira é prioritariamente voltada aos pedagogos do Quadro Próprio do Magistério (QPM) que estejam em exercício nas equipes pedagógicas escolares.

Já a segunda etapa disponibilizará as vagas remanescentes para pedagogos contratados por Processo Seletivo Simplificado (PSS) que também estejam atuando nas escolas, para aqueles em exercício em outros órgãos da Educação, como a própria Seed-PR e os Núcleos Regionais de Educação (NRE), e os que atuem na tutoria pedagógica desses núcleos.

As vagas serão oferecidas duas vezes ao ano, sempre no início de cada semestre. A participação dos profissionais QPM é obrigatória e deve acontecer em ao menos um semestre do ano letivo vigente, já que funcionará como critério de pontuação para a distribuição de aulas e funções no ano letivo subsequente. Profissionais que atuam exclusivamente na modalidade de Educação Especial não participam da formação.

 

 

 

 

 

 

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PCPR reforça orientações sobre perda e extravio de documentos

Com a movimentação de turistas no Litoral do Estado durante o Verão Maior, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) reforça orientações para evitar a perda ou o extravio de documentos e explica como o cidadão deve proceder caso a situação ocorra. Desde 19 de dezembro do ano passado, 969 Boletins de Ocorrência (BO) já foram registrados por esse motivo.

O delegado Fernando Zamoner alerta para a importância de evitar sair com todos os documentos pessoais ao mesmo tempo. “Neste período, as pessoas devem portar apenas os documentos estritamente necessários, a fim de reduzir o risco de perda ou extravio. Ficar sem qualquer documento de identificação acaba gerando transtornos aos veranistas”, ressalta.

Entre as principais orientações da PCPR em caso de perda ou extravio de documentos estão:

- Evitar sair com todos os documentos juntos, portando apenas aqueles estritamente necessários;

- Ao perceber a ausência do documento, tentar refazer o trajeto realizado no dia e lembrar dos locais por onde passou;

- Verificar se o documento não ficou em casa, em estabelecimentos comerciais ou se pode ter sido perdido em via pública;

- Registrar um Boletim de Ocorrência o quanto antes, assim que a falta do documento for notada;

- Continuar a busca pelo documento mesmo após o registro do BO;

- Caso o documento seja encontrado, procurar a PCPR para complementar o Boletim de Ocorrência com essa informação.

O registro do BO pode ser feito pela internet ou presencialmente, na delegacia mais próxima. Para a primeira opção, acesse Serviços da PCPR, selecione “Boletins de Ocorrência” e clique em “Registro de Extravio ou Perda”. É necessário informar os dados pessoais, relatar os documentos extraviados e descrever o ocorrido.

Para registro presencial, os endereços das delegacias da PCPR estão disponíveis no site da instituição. Na página inicial, a aba “Telefones e Endereços” apresenta um mapa com a localização de todas as delegacias do Estado.

SEGUNDA VIA – Com o Boletim de Ocorrência registrado, o cidadão pode solicitar a segunda via dos documentos perdidos ou extraviados. No caso da Carteira de Identidade, a emissão da 2ª Via Fácil pode ser solicitada diretamente no site da PCPR.

Para quem já possui dados biométricos ou informações digitalizadas junto à PCPR, o procedimento pode ser feito totalmente online, sendo necessário comparecer ao posto de identificação apenas para a retirada da nova via da Carteira de Identidade. Já nos casos em que não há dados disponíveis nos sistemas, o cidadão deve agendar atendimento presencial em um posto de identificação.

Em situações que envolvam a perda ou o extravio de outros documentos, como passaporte ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH), a solicitação da segunda via deve ser feita diretamente junto aos órgãos responsáveis pela emissão de cada documento.

LITORAL – No Litoral do Paraná, a PCPR também disponibiliza unidades móveis, como ônibus e caminhão, para facilitar o atendimento aos veranistas em pontos estratégicos das praias. Nessas unidades, é possível registrar Boletim de Ocorrência por perda ou extravio de documentos, solicitar a emissão da Carteira de Identidade (1ª e 2ª vias) e receber orientações gerais sobre procedimentos policiais.

Entre os principais pontos de atendimento móvel estão:

- Matinhos/Caiobá: unidade instalada no calçadão da praia, na Avenida Atlântica, funcionando 24 horas;

- Pontal do Paraná (Balneário Shangrilá): unidade na Praça do Caranguejo, com atendimento das 9h às 18h, seguindo a programação local.

As unidades permitem que os veranistas regularizem seus documentos sem precisar se deslocar até uma delegacia fixa.

 

 

 

 

 

 

 

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 Aprovados por pais e docentes, colégios cívico-militares retomam aulas com 230 mil alunos

A rede estadual de ensino do Paraná retomou as aulas nesta quinta-feira (5), marcando o início do ano letivo também nos colégios cívico-militares, modelo que passou por ampliação após receber amplo apoio das comunidades escolares submetidas a consultas públicas no fim de 2025.

Ao todo, 33 novas unidades passam a integrar o formato em 2026, elevando para 345 o número de colégios aderentes à modalidade de ensino, elevando o Paraná à posição de estado com maior número de escolas Cívico-Militares do Brasil.

A expansão foi definida após consulta pública com as comunidades escolares e teve aprovação em quase 70% das unidades consultadas. A decisão foi também respaldada por pesquisa de opinião, que apontou significativa aceitação do modelo: 89,3% dos pais e responsáveis e 90,4% de professores e pedagogos aprovam os colégios cívico-militares na rede estadual.

Os novos colégios estão localizados nos municípios de Apucarana, Arapongas, Sabáudia, Engenheiro Beltrão, Cafelândia, Cascavel, Japurá, São Tomé, Assaí, Curitiba, Dois Vizinhos, Santa Terezinha do Itaipu, Guarapuava, Ivaiporã, Joaquim Távora, Abatiá, Loanda, Itaúna do Sul, Lobato, Paiçandu, Maringá, Paranaguá, Pontal do Paraná, Toledo e Pérola, e passam a atender estudantes já a partir deste ano letivo.

Segundo o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a ampliação do modelo atende a uma demanda crescente das comunidades escolares. “Os colégios cívico-militares já são um modelo aprovado pelas comunidades escolares e com alta procura por vagas. A expansão atende ao desejo das famílias, dos professores e dos próprios estudantes, além de contribuir para a melhoria do ambiente escolar e da organização das unidades”, afirmou.

Agora em 2026 são mais de 230 mil alunos da rede estadual estudando em colégios cívico-militares. A proposta combina a gestão civil com o apoio de militares da reserva em funções administrativas e de organização da rotina escolar, mantendo o currículo pedagógico da rede estadual.

APROVAÇÃO DE PAIS E PROFESSORES – A pesquisa de opinião realizada em outubro de 2025 apontou avaliação amplamente positiva de pais e responsáveis em relação ao modelo dos colégios cívico-militares. Entre os entrevistados, 90% declararam satisfação com o aspecto da disciplina após a adesão ao modelo, e 81% associam diretamente a modalidade à evolução dos filhos nesse quesito. No que se refere ao rendimento escolar, mais de 70% dos pais afirmam que os estudantes passaram a aprender mais, enquanto quase 80% relatam maior proximidade entre a escola e a comunidade.

Essa percepção positiva também é confirmada pelos profissionais da educação. Pesquisa realizada com professores e pedagogos, no mesmo período do ano passado, indica que a aprovação do modelo entre os docentes paranaenses cresceu 50% entre 2023, início da implantação no Paraná, e 2025.

De acordo com o levantamento, 73,5% dos professores e educadores identificaram melhora na disciplina escolar. Além disso, 82,4% demonstraram satisfação com a atuação dos monitores militares que acompanham a execução do modelo. O impacto positivo também se reflete no ambiente de trabalho: 66,9% dos profissionais afirmam se sentir mais respeitados pelos alunos, e quase 90% estão satisfeitos com o reconhecimento recebido por parte dos estudantes e da gestão escolar.

ADAPTAÇÃO E EXPECTATIVA – O Colégio Estadual Bento Munhoz da Rocha Neto, em Curitiba, está entre as 33 instituições de ensino do Paraná que passam a adotar o modelo de Colégios Cívico-Militares (CCM) a partir de 2026. O primeiro dia de aula sob a nova modalidade foi marcado por novidades, aprendizado e a adaptação para estudantes e equipe escolar.

Uma das principais mudanças já percebidas foi a chegada dos monitores, que passaram a integrar a rotina da escola recentemente. Segundo a gestão eles foram bem recepcionados pela comunidade escolar, com diálogo e construção conjunta do trabalho pedagógico e disciplinar.

À frente da gestão da escola desde 2024, a diretora Thyncia Fabiane Cardoso destaca que a implantação do modelo atende a um desejo antigo e traz ganhos importantes, especialmente no que diz respeito à disciplina e à segurança. “O modelo vale muito a pena em termos de disciplina e segurança. Em situações em que, por exemplo, seria necessário acionar a Patrulha Escolar e nem sempre há disponibilidade imediata, a presença dos monitores gera mais respeito e respaldo para a escola. É um trabalho conjunto, baseado em regras, respeito e diálogo”, afirma.

Atualmente, o colégio atende cerca de 500 estudantes. Já no primeiro dia, a direção percebeu uma boa receptividade por parte dos alunos, mesmo diante das mudanças. “No primeiro dia, muitos alunos ainda nem sabiam exatamente o que era uma formatura, e já explicamos como funciona o novo modelo CCM. Eles entenderam rapidamente. Em breve, vamos reunir também os alunos do Ensino Fundamental para ampliar esse diálogo”, explica a diretora.

Segundo a gestora, a expectativa para os próximos meses é de melhorias significativas no ambiente escolar. “Já visualizo uma melhoria total. Principalmente em relação à segurança, à redução de conflitos dentro da escola e à valorização dos alunos. É mais fácil conduzir a educação quando há orientação, apoio e limites saudáveis”, conclui.

 

 

 

 

 

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 Uso eficiente da água: Irriga Paraná soma R$ 10,2 milhões em financiamentos do BRDE

O programa Irriga Paraná, iniciativa do Governo do Estado para ampliar a segurança hídrica no campo e reduzir perdas causadas por estiagens, começa a ganhar tração na ponta. Desde o lançamento, em 2024, o BRDE já financiou 33 projetos de irrigação, somando R$ 10,2 milhões e beneficiando 405 hectares.

O recorte mais recente, referente ao segundo semestre de 2025, reúne 11 contratos, com R$ 7 milhões em investimentos e impacto estimado em aproximadamente 220 hectares, distribuídos em oito municípios paranaenses.

Os contratos assinados no ano passado atenderam produtores de Arapongas, Astorga, Laranjeiras do Sul, Londrina, Maria Helena, Missal, Porto Barreiro e Três Barras do Paraná, em operações que levam crédito a projetos de irrigação mais eficientes, tanto do ponto de vista produtivo quanto do uso racional da água.

Criado para aumentar a área irrigada do Paraná e fortalecer a resiliência climática do agronegócio, o Irriga Paraná combina linhas de crédito com juros subsidiados, apoio à agricultura familiar e investimentos em pesquisa e capacitação voltados a sistemas irrigados sustentáveis. A lógica é atacar a instabilidade hídrica com tecnologia, manejo e acesso a financiamento, elevando a previsibilidade da produção e a eficiência do uso da água.

No desenho do programa, o BRDE participou da elaboração e é responsável pela operacionalização de uma linha de crédito específica voltada à aquisição e implantação de sistemas de irrigação, bem como a assistência técnica nessa área.

O crédito pode apoiar desde a captação e reservação de água (inclusive poços), até tubulações e sistemas de distribuição, motobombas, pivôs centrais e equipamentos autopropelidos, instalações elétricas, além de soluções de monitoramento de solo e clima (sensores e estações meteorológicas compactas) e automação, itens que ajudam a elevar produtividade com controle e precisão no consumo hídrico.

As operações viabilizadas pelo BRDE são executadas por meio de convênios com cooperativas de crédito, como Sicredi e Cresol, o que permite capilaridade e atendimento mais próximo do produtor. Na prática, isso encurta o caminho entre o projeto técnico e a lavoura: em 2025, parte relevante dos contratos se concentrou em sistemas para hortaliças e frutas, culturas em que o retorno tende a ser mais rápido e a irrigação se traduz em ganho imediato de qualidade e estabilidade de oferta.

“Quando a água vira um fator controlável, o produtor reduz perdas, melhora o planejamento e abre espaço para investir em tecnologia e qualidade. É aí que o crédito se transforma em produtividade e renda”, afirma Carmem Truite, gerente operacional de convênios e produtores rurais do BRDE no Paraná.

DIFERENTES CADEIAS – A carteira de 2025 inclui projetos de irrigação em estufas para hortaliças, irrigação em café, tomate e outras hortaliças, pastagens, fruticultura, além de iniciativas ligadas a soja e milho e sistemas de fertirrigação, para a distribuição técnica de dejetos de suínos na lavoura. O conjunto aponta para uma característica central do Irriga Paraná: atender diferentes cadeias, com impacto que vai do curto prazo (culturas intensivas) ao médio e longo prazo (grãos), onde a irrigação ajuda a estabilizar sucessivas safras em um cenário de maior variabilidade climática.

“O crédito entra como acelerador de uma importante mudança em direção à gestão de riscos climáticos, viabilizando tecnologia que melhora produtividade e, ao mesmo tempo, torna o uso da água mais eficiente”, diz superintendente do BRDE no Paraná, Paulo Starke.

BANCO DO AGRICULTOR – No Paraná, esse esforço se conecta a outra política de governo que estimula o investimento no campo. O BRDE é instituição parceira do Banco do Agricultor Paranaense, por meio do qual projetos de irrigação contam com juro zero para operações de até R$ 1 milhão (pessoa física) e de até R$ 4,5 milhões (pessoa jurídica); acima desses limites, as taxas variam de 3% a 5,5%.

Nesse âmbito, o banco destinou no ano passado R$ 133,4 milhões para investimentos em 985 projetos voltados ao desenvolvimento agropecuário no Estado, com predominância de iniciativas em energia renovável e modernização da pecuária de leite e de corte, mas com biomassa e irrigação também entre os destaques.

ACESSO – O produtor interessado pode buscar orientação e encaminhamento pelas cooperativas de crédito conveniadas. No eixo do BRDE, a linha é voltada à implantação de sistemas de irrigação com juros subsidiados, dentro da estratégia estadual de segurança hídrica para a agricultura. Além disso, o BRDE atende diretamente produtores com financiamentos acima de R$ 800 mil voltados a projetos de irrigação (confira aqui as modalidades referentes ao Meu Agro BRDE)

“O programa foi concebido para gerar um efeito em cadeia: irrigação melhora a regularidade da produção, reduz o desperdício de água com tecnologias mais precisas e fortalece a competitividade do agro paranaense. Ao financiar projetos bem dimensionados, o BRDE contribui para diminuir a vulnerabilidade a estiagens e aumenta a eficiência do sistema produtivo como um todo”, avalia o diretor administrativo do BRDE, Heraldo Neves.

Por serem formalizadas pelas instituições conveniadas, essas operações são enquadradas automaticamente no Programa de Desenvolvimento do BRDE na modalidade “Convênio Agronegócio”.

"O programa une crédito barato com assistência técnica para que a nossa agricultura siga sempre crescendo, com a água chegando na plantação e a tecnologia no manejo. Estamos fazendo a nossa parte para que o produtor rural paranaense seja, cada vez mais, o mais competitivo do Brasil”, diz Marcio Nunes, secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento.

SHOW RURAL – O BRDE estará presente no Show Rural Coopavel 2026, em Cascavel, de 9 a 13 de fevereiro, com foco em soluções de crédito e tecnologia e ampliação do diálogo com produtores, cooperativas e empresas do agro. A participação na feira também integra a agenda de celebração dos 65 anos do banco, completados em 2026, com um espaço voltado ao atendimento técnico e institucional e ações de relacionamento com parceiros do setor produtivo.

“O Irriga Paraná mostra como políticas públicas bem desenhadas se traduzem em competitividade na ponta. É esse tipo de impacto estruturante que o BRDE busca ampliar e levar ao Show Rural, no ano em que celebramos 65 anos, é uma forma de reforçar compromisso com desenvolvimento e inovação no agro”, destaca Renê Garcia Júnior, diretor-presidente do BRDE.

 

 

 

 

 

Por - AEN

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