De acordo com o diretor da empresa Araupel, Tarso Giacometti, há um documento de interdito proibitório das áreas da empresa, o que as torna totalmente legais. “Todo o domínio está correto, perfeitamente regular. Nós acompanhamos essa tentativa de invasão com muita preocupação porque já sofremos com isso três vezes, mesmo sendo produtivos. Hoje, os assentados são nossos lindeiros, fornecemos água em época de estiagem, fazemos um trabalho cultural com as crianças, enfim, temos um bom relacionamento com essas famílias”, relata Tarso.
Manifestação
Mais de três mil pessoas se reuniram na praça central de Quedas do Iguaçu para protestar contra a invasão dos assentados, que permanecem próximo a Rio Bonito do Iguaçu, no assentamento Ireno Alves dos Santos, conhecido como Acampamento 1º de Maio. A manifestação foi pacífica, mas o cenário era preocupação. A maioria dos manifestantes era formada por funcionários da Araupel, acompanhados de seus familiares. Os trabalhadores garantem que a empresa já cumpriu com sua cota de participação nas reformas sociais.
Segundo o presidente da Associação Comercial de Quedas do Iguaçu, Reni Felipe, se as áreas da Araupel forem cedidas aos assentados, 50% da economia local será afetada bruscamente. “O município não terá nenhuma estrutura empregatícia, e não oferece postos de trabalho suficientes para todos que ficariam desempregados com a possibilidade de fechamento da empresa”, lamenta.
O grande interesse de um pequeno grupo de sem-terra, segundo Tarso, é em relação à madeira, cultivada nas áreas de reflorestamento. “Nada mais rentável que vender aquilo que você não precisou investir. Isso é crime, e não podemos incentivar essa ação”, afirma.
Possíveis investimentos
O histórico de invasões nas áreas da Araupel contabilizou grandes prejuízos. Tarso garante que a região de Quedas do Iguaçu poderia ser muito mais rica, mas com a necessidade de ceder estes espaços, investimentos foram barrados. Os assentados já conquistaram 51 mil hectares que pertenciam à madeireira. A luta agora é por mais 33 mil hectares, que hoje são áreas de reflorestamento, de reserva legal e de proteção permanente. A última invasão foi registrada em 2003, quando a empresa ainda se recuperava de outras duas cessões, entre 1996 e 2000.
Na área já cedida às famílias, Tarso destaca os empreendimentos que poderiam gerar mais de 3,4 mil empregos aos moradores do município e região. “Foram deixados de construir uma unidade de beneficiamento agrícola, uma fábrica de MDF e alternativas para o turismo local”, comenta. Parte das áreas de reflorestamento da Araupel foram perdidas. Na área que ainda é de propriedade privada é gerado um retorno de ICMS ecológico, e direta e indiretamente mais de dez mil empregos.
Por Carlos Lins