Paraná tem 10,1 mil pessoas privadas de liberdade inscritas no Encceja 2023

Estão marcadas para os dias 17 e 18 de outubro as provas deste ano do Encceja PPL - Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos para Pessoas Privadas de Liberdade (PPL) ou sob medida socioeducativa que inclua privação de liberdade.

Realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o exame tem a função de aferir competências, habilidades e saberes de jovens e adultos em nível de conclusão do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio para fins de correção do fluxo escolar. 

As provas do Encceja PPL têm o mesmo nível de dificuldade do Encceja regular. A diferença está na aplicação, que ocorre dentro das unidades prisionais e socioeducativas indicadas pelos respectivos órgãos de administração de cada estado.

No Paraná, o Encceja PPL 2023 soma 10,1 mil inscrições de pessoas privadas de liberdade, o que representa uma ampliação de 21% em relação à edição de 2022, que teve 8,4 mil inscritos. O aumento é quase o mesmo registrado no período anterior, de 22% em relação a 2021 (6,9 mil inscrições).

Para o diretor-geral da Polícia Penal do Paraná, Osvaldo Messias Machado, estes números refletem o incentivo que a instituição dá aos custodiados. “Este aumento de apenados inscritos no Encceja PPL demonstra que a PPPR tem buscado incentivar as pessoas privadas de liberdade a estudarem. Temos muitos casos de pessoas que não tinham nenhuma escolaridade quando adentraram no sistema penitenciário e através da alfabetização oferecida dentro das unidades conseguiram concluir o ensino fundamental, médio e chegaram ao ensino superior”, destaca.

Entre as nove regionais administrativas da Polícia Penal do Paraná (PPPR), a de Londrina foi a que mais teve inscrições, com 3.234 PPLs, seguida das regionais de Curitiba, com 2.281 inscritos; Umuarama (1.034), Ponta Grossa (862), Maringá (784), Guarapuava (661), Foz do Iguaçu (596), Cascavel (491) e Francisco Beltrão, com 364 inscritos.

“Essa mudança de paradigma, no qual os detentos estão se conscientizando de que devem estudar e participar dos exames, é o que tem mudado a realidade da Polícia Penal. O crescimento de inscrições demonstra não só a capacidade da equipe do Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos, mas também dos diretores e servidores da segurança das unidades penais envolvidos nesta questão", afirma o coordenador regional da PPPR em Londrina, Reginaldo Peixoto.

REMIÇÃO – Pelas regras da execução penal, a cada 12 horas de estudo é reduzido em um dia a pena do detento. No caso do Encceja, esta classificação é feita de acordo com a nota. Caso seja aprovado no exame, o apenado recebe 200 horas de remição ( cerca de oito dias) e, caso não atinja a nota, apenas oito horas de remição.

A participação no Encceja é voluntária, gratuita e destinada a jovens e adultos que não concluíram seus estudos na idade apropriada. Realizado em colaboração com as secretarias estaduais e municipais de Educação, o exame possibilita a retomada da trajetória escolar do estudante, dentro ou fora do sistema penitenciário. As secretarias de Educação e os institutos federais utilizam os resultados como parâmetro para certificar os participantes em nível de conclusão do ensino fundamental e médio.

O exame também estabelece uma referência nacional para a avaliação de jovens e adultos, tendo assim uma relevância multidimensional para a educação brasileira. O Encceja ainda serve de baliza à implementação de procedimentos e políticas para a melhoria da qualidade da oferta da educação de jovens e adultos, além de viabilizar o desenvolvimento de estudos e indicadores sobre o sistema educacional brasileiro.

Para o participante ser inscrito e pleitear a certificação do Ensino Fundamental é necessário ter no mínimo 15 anos completos no dia de realização das provas e não ter concluído o Ensino Fundamental. Para pleitear a certificação do Ensino Médio é necessário idade mínima de 18 anos completos na data das provas e não ter concluído o Ensino Médio. Para requerer a certificação, o participante precisa alcançar, no mínimo, 100 pontos nas provas objetivas e 5 pontos na redação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por - AEN

PNI busca padronizar plataformas de dados de vacinação

Depois de aplicar a injeção e acalmar o choro de mais uma criança imunizada, os profissionais da sala de vacina têm outra tarefa importante a cumprir: preencher os dados daquela vacinação nos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Se hoje o país está em alerta com a baixa nas coberturas vacinais e age para revertê-la, é a partir do retrato extraído desses dados que qualquer medida pode ser planejada e executada. Essa fotografia, porém, está embaçada por um quadro crônico de deficiências que prejudicam as políticas de imunização e dificultam a reação do PNI à hesitação vacinal.

O diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, conta que um objetivo prioritário do ministério é a padronização de todas as plataformas que registram a vacinação no país, de modo que todas alimentem de forma direta a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS). Esse movimento vai simplificar a comunicação entre os sistemas e também permitirá apresentar as informações à população via ConectSUS. O aplicativo foi fundamental na pandemia de covid-19 para a apresentação dos certificados de vacinação.

“Funcionou muito bem para a covid e agora nós estamos expandindo para a rotina. Então, temos uma série de ações no sentido de organizar os sistemas de informação para dar maior qualidade e melhor controle das ações do programa de imunização e uma maior vigilância das coberturas vacinais.”

As dificuldades com os sistemas de informação produzem obstáculos que vão além de uma percepção menos precisa das coberturas vacinais. A própria gestão das doses disponíveis para aplicação, por exemplo, acaba prejudicada quando as informações das salas de vacina não alimentam diretamente a RNDS. A estrutura atual impede que haja um diagnóstico correto das doses perdidas quando um frasco é aberto e nem todas as doses são aplicadas.

“A gente precisa de sistemas de informação que nos indiquem onde está o desperdício. Enquanto os dados da rotina não estiverem indo para a RNDS, sendo possível integrar com o sistema de logística, estoque e movimentação, a gente não vai conseguir monitorar isso. O SUS perde dinheiro com essa história de perder quatro meses para o dado subir. Três, dois, um mês que seja. Resolver o sistema de informação é uma prioridade”, destaca Gatti.

 A técnica de enfermagem Thaís Marques seleciona vacinas na câmara de resfriamento do Centro Especial de Vacinação Álvaro Aguiar.
Sistemas de informação bem organizados ajudam a identificar onde há desperdício de vacinas - Fernando Frazão/Agência Brasil

Antes da digitação

A informatização do PNI começou a ser implementada em 1990 e levou toda a década até que o Sistema de Informações do PNI (SI-PNI) chegasse a todos os estados e municípios do país. Nas décadas anteriores, as planilhas de papel com os dados eram consolidadas pelos estados e enviadas ao governo federal, que não tinha as coberturas vacinais por município nem sabia quem eram as pessoas vacinadas.

Representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) no Rio Grande do Norte, a enfermeira Antônia Teixeira trabalhou como consultora técnica na área de sistemas de informação do PNI entre 2005 e janeiro de 2023. Ela conta que a informatização foi importante para fortalecer o planejamento da vacinação de rotina. O modelo inicial, porém, ainda trazia dificuldades importantes por ainda não permitir um registro nominal de vacinados.

"Você não sabia quem tinha sido vacinado, só sabia quantas doses tinham sido feitas. E isso já traz um viés, porque se subentende que uma dose representa uma pessoa. Se o esquema vacinal de uma determinada vacina é de uma dose, para cada dose, você imaginava um indivíduo vacinado", conta a enfermeira, que ressalta que havia distorções causadas por essa forma de registro. "Nos grandes centros, as coberturas tendiam a ser melhores. Na BCG, por exemplo, como é uma vacina recomendada para ser feita ainda na maternidade, o que acontecia com os municípios que não tinham maternidade? A vacinação era muito baixa, porque as crianças eram vacinadas em outros municípios."

Era comum também que doses aplicadas em duplicidade inchassem as coberturas vacinais. Se uma pessoa perdia a caderneta de vacinação do filho e retornava ao posto para conseguir uma nova, havia o risco de algumas vacinas serem repetidas e contarem duas vezes na cobertura vacinal daquela cidade. Esses problemas levaram à discussão de que era preciso um sistema nominal, capaz de saber quem recebia as doses e, ao mesmo tempo, de preservar o direito à privacidade dos usuários do Sistema Único de Saúde. Nos anos 2000, Antônia participou da criação e implantação desse sistema, que ficou pronto em 2009.

"Dessa forma, se o indivíduo morar no Piauí e for vacinado em São Paulo, e o registro for feito corretamente, eu vou saber a residência do indivíduo, e a cobertura vacinal vai ser carregada para a residência do indivíduo."

Diferentes sistemas

O Ministério da Saúde, porém, não foi o único que se movimentou nesse sentido, e estados e até mesmo alguns municípios chegaram a criar sistemas próprios para ter dados nominais dos vacinados, o que criou uma complexa comunicação de diferentes sistemas de informação com os mesmos dados. A dificuldade aumentou com a criação e implantação do e-SUS, na década de 2010, antes mesmo que o sistema nominal anterior fosse totalmente assimilado pelas unidades de saúde. O profissional da sala de vacina, sujeito à alta rotatividade e à abrangência cada vez maior do calendário vacinal, também precisava manejar esses sistemas, para que os dados continuassem confiáveis.

 Câmara de resfriamento onde são armazenadas vacinas no Centro Especial de Vacinação Álvaro Aguiar.
Profissionais de saúde devem preencher dados sobre vacinação nos sistemas de informação do Programa Nacional de Imunizações - Fernando Frazão/Agência Brasil

"Nós podemos ter um bom sistema de informação, mas, se não tivermos um bom usuário, não vamos ter informação de qualidade", resume. "Se você tem poucos profissionais de saúde na unidade, mesmo que esse profissional seja capacitado, registrar não é a coisa mais importante a se fazer em uma unidade de saúde, em que tem uma mesma pessoa que é registrador, vacinador, atendente. Essa informação pode ser comprometida."

O momento de maior conflito entre os sistemas de informação foi também quando as coberturas vacinais do Brasil começaram a cair, após 2015. Antônia Teixeira acredita que as dificuldades relacionadas ao preenchimento e envio dos dados podem estar entre causas, mas não explicam nem amenizam a gravidade dos números que apontam a redução da imunização. “Uma coisa é certa: há problemas, sim, na integração das bases de dados. Nem todos os dados chegam ao sistema de informação como se esperava que chegassem.”

Mesmo com as dificuldades, os sistemas de informação também oferecem ferramentas importantes para enfrentar a queda nas coberturas vacinais. Com o registro nominal dos vacinados, o governo federal e os estados conseguem identificar onde a busca ativa de pessoas que não se vacinaram é mais necessária, direcionar recursos e acionar a atenção básica local para ir até a população. A busca ativa está entre as principais ações que o Ministério da Saúde tem orientado durante as campanhas de multivacinação em cada estado e ações de  microplanejamento nos municípios.

ConectSUS

A consultora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) Carla Domingues adiciona aos desafios desse cenário problemas de instabilidade nos softwares usados para o registro dos dados de vacinação. A enfermeira foi coordenadora do PNI por 13 anos, no período em que foi feita a transição dos dados agregados com apenas as doses aplicadas para os dados nominais, com a identificação de quem foi vacinado.

“A primeira questão é ter um software com confiabilidade. Muitas vezes, o sistema era instável, e, ao digitar os dados, eles não eram transmitidos para o nível federal, ou se perdiam durante essa transmissão. E tínhamos dados divergentes entre estados e o nível nacional”, descreve. “A evolução dos softwares é fundamental para que a gente possa ter a garantia de que os dados que são colocados no município sejam os mesmos da base nacional. Mas o grande problema hoje é a falta de recursos humanos para fazer essa digitação, ou ter um recurso humano qualificado para fazer a digitação correta.”

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

 Falta pouco mais de um mês para as novas edições do Ganhando o Mundo

Falta pouco mais de um mês para os dois intercâmbios do Ganhando o Mundo deste semestre.

Os professores do programa do Governo do Paraná que vão para Canadá e Finlândia embarcam no dia 28 de outubro e voltam até o dia 25 de novembro. Os 40 alunos que vão para a França embarcam no dia 6 de novembro e permanecem na Europa até 15 de dezembro.

De acordo com a seleção, 75 professores da rede estadual passarão três semanas no Canadá (na cidades de Toronto) e 24 ficarão um mês na Finlândia (em Hämeenlinna). Esta é a estreia do programa de intercâmbio para professores no Estado e tem por objetivo aprimorar e capacitar os docentes por meio do contato com práticas pedagógicas de excelência em países considerados referência na educação. O investimento total, por parte do Governo do Estado, é de R$ 3,9 milhões. 

Os selecionados poderão vivenciar experiências em instituições de ensino diferentes, tendo contato com outras culturas e trocando informações com profissionais de outros países. Os professores selecionados participaram de um edital aberto pela Secretaria de Educação. A seleção levou em conta dois critérios: experiência no programa Formadores em Ação e uma prova didática, em que era necessário elaborar um plano de ação abordando uma situação-problema do ambiente escolar e uma proposta de solução.

A experiência na França também será inédita no programa. Os 40 alunos do Ensino Médio de colégios estaduais do Paraná ficarão seis semanas em viagem. Os intercambistas estudarão na França na modalidade equivalente ao ensino médio. O objetivo do programa é possibilitar a ampliação do repertório cultural e acadêmico dos alunos, além do desenvolvimento da autonomia e o aperfeiçoamento da língua francesa.

Ao retornar, os participantes se tornam embaixadores do programa, compartilhando a experiência com a rede estadual de ensino por meio de diversas atividades. O investimento da Secretaria da Educação nesta edição é de R$ 1,2 milhão. A pasta também é responsável pelos custos dos estudantes paranaenses, passagens aéreas e emissão de passaportes. 

O aluno que fizer o intercâmbio receberá ainda três bolsas no valor de R$ 800: a primeira e a segunda (bolsa instalação) estarão disponíveis antes do embarque e serão destinadas à cobertura das despesas iniciais. A terceira bolsa (de manutenção) será depositada nos cartões pré-pagos internacionais dos intercambistas após 30 dias. Os estudantes desta edição também terão seguro de viagem e de saúde durante o período que estiverem residindo na França.

MIL ALUNOS – E nesta semana a Secretaria de Estado da Educação divulgou também a divisão dos destinos da edição que vai levar mil estudantes da rede de ensino estadual para uma experiência imersiva de estudos em países de língua inglesa (Austrália, Canadá, Estados Unidos, Inglaterra e Nova Zelândia). Os intercambistas embarcam entre janeiro e fevereiro de 2024 e os destinos foram determinados de acordo com  a preferência e fluência dos selecionados na língua inglesa. 

A Austrália vai receber 250 estudantes da rede estadual. O país é lar de instituições de ensino de prestígio internacional, incluindo escolas classificadas entre as melhores do mundo. O Canadá, que já participou da primeira edição, vai receber 400 alunos do programa. O país preza pelo compromisso com a pesquisa e a inovação por meio de instituições de ensino consideradas referência em diversas áreas. A Inglaterra e os Estados Unidos serão o destino de 50 alunos (cada); e a Nova Zelândia vai receber outros 250 estudantes.

“Cada país escolhido oferece uma experiência cultural única e conta com uma rede educacional de excelência. Isso possibilita a ampliação do repertório cultural e acadêmico dos estudantes, além de potencializar o desenvolvimento da autonomia e aperfeiçoar o domínio da língua inglesa.”, afirma o secretário de Educação, Roni Miranda.

PROGRAMA – Criado para possibilitar a ampliação do repertório cultural e acadêmico dos estudantes, o Ganhando o Mundo leva anualmente alunos da rede de ensino estadual para países estrangeiros nos quais têm a oportunidade de vivenciar diferentes realidades socioculturais, além de expandirem seu repertório acadêmico por meio do aperfeiçoamento e domínio de novos idiomas.

São custeadas pelo Governo do Estado as despesas com alimentação, hospedagem, transporte, emissão de vistos e passaportes, passagens aéreas e terrestres, exames médicos, vacinas, seguro-viagem e saúde, taxa de matrícula, mensalidade da escola no exterior, material didático, uniforme, tradução juramentada da documentação escolar e reuniões de orientação.

 

 

 

 

 

 

 

Por - AEN

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