Capitais registraram manifestações com críticas ao Alexandre de Moraes

Em paralelo aos desfiles de 7 de Setembro que ocorrem nesta segunda-feira pelo país, ao menos sete capitais brasileiras registraram manifestações com críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes.

Não ocorreram atos contra Moraes em São Paulo e no Rio de Janeiro. No entanto, candidatos à Presidência citaram o ministro ou o Caso Master no Supremo durante participações em atos de campanha.

  • Na capital paulista, Flávio Bolsonaro (PL) chamou Moraes de "laranja podre" dentro do STF durante discurso em ato na Avenida Paulista, que teve frases como "Fora Lula, Fora Moraes" vindas de seus apoiadores. Já Romeu Zema (NOVO) estendeu painel em um prédio em que aparecia o boneco de Moraes preso. E Renan Santos (Missão) fez ato no Parque do Ibirapuera e pediu afastamento de Moraes e Dias Toffoli do STF;
  • Na capital fluminense, Augusto Cury (Avante) mandou um "abraço muito especial" a André Mendonça, do Supremo, mas sem fazer menção à crise no STF envolvendo o ministro e Moraes sobre o Caso Master.

Veja onde ocorreram manifestações contra Moraes até as 17h:

 

Brasília

Dois grupos se concentraram no Plano Piloto da capital federal, pedindo a saída do presidente Lula e do ministro Alexandre de Moraes, do STF de seus cargos. Eles também criticam o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), por não pautar o impeachment do ministro. Um dos grupos protestou em frente ao Banco Central, em Brasília.

 

Belo Horizonte

A manifestação, organizada pela União dos Movimentos de Direita de Minas Gerais (UMD), ocorreu na praça da Liberdade. Segundo a organização, o ato, descrito como apartidário, teve como pautas os pedidos de "Fora Lula" e "Fora Moraes".

 

Goiânia

Lideranças da direita organizaram um ato na Praça Tamandaré, na região central da cidade, contrário ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. O número de participantes não foi divulgado.

 

Maceió

A mobilização foi organizada pelo Movimento Brasil (MBR) e reuniu apoiadores da direita. Os manifestantes saíram do Corredor Vera Arruda, na Jatiúca, e seguiram em direção ao Marco dos Corais, na Ponta Verde. Houve protesto contra o ministro Alexandre de Moraes e apoio ao ministro André Mendonça, ambos do STF.

 

Porto Alegre

Manifestantes se reuniram no Parque Moinhos de Vento, o Parcão, em mobilização organizada por políticos de oposição ao governo Lula (PT) e contou, em sua maioria, com participantes vestindo roupas nas cores verde e amarela.

Os apoiadores levaram bandeiras do Brasil, cartazes e adesivos. Entre as mensagens exibidas, estavam críticas ao ministro Alexandre de Moraes, com faixas e materiais contendo a frase "Fora Moraes".

 

Recife

Um grupo protestou na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, pedindo o afastamento de Moraes. O ato ocorreu na tarde desta segunda e teve a presença de diversos candidatos a cargos nas eleições deste ano.

 

Salvador

Manifestantes se reuniram no Farol da Barra. O protesto apoia candidatos do PL, de oposição ao governo Lula (PT), e com críticas ao ministro Alexandre de Moraes. Entre os participantes estiveram deputados federais, estaduais e vereadores do Partido Liberal.

 

 

 

 

 

Por G1

 

 

Fachin aguarda explicações de ministros para decidir sobre crise

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aguarda as explicações dos ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, também do Supremo, para decidir se leva a crise dos dois para julgamento no plenário, em sessão aberta ou fechada.

A crise ganhou, na última semana, gravidade sem precedentes na história recente do STF, com a divulgação de relatórios comprometedores e pedidos mútuos de investigações.

No desdobramento mais recente, Mendonça liberou para julgamento em plenário o relatório da Polícia Federal (PF) que indica relação de proximidade entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo dono do Banco Master e suspeito de praticar fraudes financeiras bilionárias e corromper autoridades públicas.

Antes de decidir, porém, Fachin deve aguardar até a próxima sexta-feira (11), quando vence o prazo de cinco dias que deu para que Moraes e Mendonça se manifestem.

Como alternativa, é possível que o presidente do Supremo convoque uma reunião reservada em seu gabinete para que todos os ministros decidam como conduzir a crise interna.

Essa foi a solução dada quando veio à tona uma suposta ligação entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, em fevereiro deste ano. Na ocasião, a relatoria do caso Master foi transferida de Toffoli para Mendonça.

A diferença da crise atual é que Fachin decidiu concentrar em um processo próprio, de sua relatoria, os documentos e pedidos referentes ao caso. Embora improvável, é possível que o presidente do Supremo decida monocraticamente (de forma individual) sobre o arquivamento ou a abertura de investigação contra os colegas.

No processo consta, por exemplo, um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, para que o relatório da PF liberado por Mendonça seja anulado, sob o argumento de que somente o plenário do Supremo poderia ter autorizado o avanço das investigações contra um de seus ministros.

O próprio Gonet, entretanto, é citado no mesmo relatório da PF por possíveis ligações com Vorcaro.

Outro pedido feito a Fachin, desta vez por Alexandre de Moraes, é para que o próprio Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.

Para embasar seu pedido, Moraes apresentou um relatório de inteligência da PF segundo o qual Mendonça poderia direcionar as investigações do caso Master, de modo a atingir desafetos políticos. O documento, contudo, não é assinado e traz na capa a advertência de se tratar de conjecturas “sem valor probatório”.

O Regimento Interno do Supremo prevê que somente o plenário tem a competência para processar e julgar membros da própria Corte, mas não traz detalhes sobre os procedimentos a serem adotados. 

 

 

 

 

 

Por Agência Brasil

 

 

Flávio Bolsonaro reúne apoiadores e aliados em ato de 7 de Setembro

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores e aliados políticos na tarde desta segunda-feira (07) na Avenida Paulista, na região central de São Paulo.

O ato de campanha teve como mote as frases "Fora Lula, Fora Moraes". Durante seu discurso, Flávio ressaltou que o ato de 8 de janeiro foi uma farsa, criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e ressaltou propostas para a segurança pública e saúde pública. 

Flávio começou seu discurso relembrando que seu pai, Jair, foi esfaqueado em 6 de setembro de 2018 há oito anos. "7 de setembro seguinte eu estava com ele, lutando pela sua vida na Santa Casa de Juiz de Fora enquanto cada um de vocês estava já nas ruas lutando pelo Brasil. Ontem, completaram 8 anos e ele está mais vivo do que nunca."

Para Flávio, Jair Bolsonaro recebeu uma segunda facada, que são os atos golpistas de 8 de janeiro. "Deram uma segunda facada em Bolsonaro. Essa farsa que foi 8 de janeiro. Essa farsa que condenaram um homem correto, um homem honesto, um homem que tem Deus no coração, por crimes que ele não cometeu. Foi a segunda facada", afirmou.

" Por providência divina, a missão que Bolsonaro passou para o filho primogênito, eu estou encarando mesmo que a minha vida esteja em risco e fazendo campanha com colete à prova de bala porque sei do que a esquerda é capaz. Eu faço campanha com colete à prova de bala porque sei que o povo brasileiro é o colete do Brasil, que defende nossa democracia. Vão tentar uma terceira facada, não só em mim, mas nos meus aliados, eu estou avisando."

Em relação à crise no Supremo Tribunal Federal, o candidato fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes.

"Nós temos que proteger o STF de Alexandre de Moraes, aquela laranja podre. O Supremo não é Alexandre de Moraes. A magistratura não é Alexandre de Moraes".

Em seguida, falou sobre suas propostas para segurança pública e saúde. "A partir de janeiro do ano que vem, vou declarar guerra aos narcoterroristas. PCC e Comando Vermelho vão ser declarados terroristas. Eles estarão presos ou neutralizados pela polícia. Eu vou trabalhar para reduzir a maioridade penal, cortar impostos, ter castração química de abusador de mulher, e ladrão de celular vai ficar preso no mínimo 8 anos".

Por volta das 13h30, grupos com bandeiras do Brasil e vestidos de camisetas amarelas começaram a se concentrar pela avenida. Apoiadores também chegaram com faixas contra o Supremo Tribunal Federal (STF), principalmente contra o ministro Alexandre de Moraes.

"A saúde pública vai ser padrão Einsten. O nosso SUS vai ser padrão Einsten com nosso ministro. Vai ser um Brasil que não depende de político para levar comida para dentro de casa. A minha candidatura é de protesto, para configurar que o Brasil tem jeito, tem futuro. Eu vou cuidar do Brasil", ressaltou.

 

Outros presentes

O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também participou da manifestação. Mais cedo, ele não foi ao desfile cívico-militar de 7 de Setembro realizado no Sambódromo do Anhembi. O governador foi representado no evento pelo vice Felicio Ramuth (MDB).

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), foi um dos primeiros que discursou pedindo votos para Flávio, Tarcísio, além de Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) para o Senado.

Derrite também participou do ato, ao lado de André do Prado, Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, e de Valdemar Costa Neto, presidente do PL.

"Quero declarar a independência do Brasil a partir de 2027 contra o crime organizado no Brasil. Ou os criminosos mudam de país, ou serão presos ou neutralizados no Brasil. Ninguém aguenta mais", disse Derrite.

O governador Tarcísio pediu voto para Flávio e para senadores da direita e disse que "absolutamente ninguém está acima da Constituição. Senador nenhum está acima da Constituição. Magistrado nenhum está acima da Constituição. Ministro nenhum está acima da Constituição. Governador nenhum está acima da Constituição. O presidente da República não está acima da Constituição. Ninguém está acima da lei".

Nikolas Ferreira também discursou e afirmou: “Fora, Moraes. Escute, Alexandre de Moraes, vamos tirar seu sorriso debochado. Ano que vem não vai ser Lula que vai indicar quatro ministros do STF, vai ser Flávio Bolsonaro. Flávio é o único candidato capaz de tirar o PT.”

 

Protesto

O ato ocorreu após a repercussão de mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do STF Alexandre de Moraes que apontam uma relação de proximidade entre o magistrado e o ex-controlador do Banco Master à época dos fatos investigados.

A manifestação também retoma uma pauta já presente em atos anteriores da direita. Em 2024, um protesto foi convocado com pedidos de impeachment de Moraes. No ano passado, manifestantes voltaram a defender a saída do ministro no ato da Paulista.

 

 

 

 

 

Por G1

 

 

Lula participa de 7 de setembro com Fachin, Alcolumbre e Motta

O desfile pelo Dia da Independência, realizado nesta segunda-feira, 7 de Setembro, teve encontro entre os representantes dos Três Poderes em meio à crise no Supremo Tribunal Federal e depois de tensões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). A cerimônia reuniu os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, além de 29 ministros do governo.

Antes do início do desfile, as autoridades presentes se cumprimentaram e rodas de conversa foram formadas. O advogado-geral da União, Jorge Messias, por exemplo, passou alguns minutos conversando com o presidente do STF, Edson Fachin. Messias foi rejeitado pelo Senado para assumir a vaga na Corte.

Mesmo com o desentendimento entre a Polícia Federal e a Advocacia Geral da União, o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e Messias se cumprimentaram na tribuna.

A tensão entre os órgãos se dá depois da divulgação de um relatório de inteligência da PF. O documento questiona o motivo pelo qual a AGU não adotou medidas jurídicas contra decisões do ministro do STF André Mendonça em investigações sob sua relatoria.

Afastado do governo por cerca de 3 meses, Alcolumbre também marcou presença. Quando chegou, conversou com as demais autoridades presentes, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Durante o desfile, ele ficou ao lado da primeira-dama Janja da Silva e de Lula.

Diante da crise no STF, Fachin foi o único ministro a comparecer. O ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de ação sobre a investigação do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e das mensagens trocadas com o ministro Alexandre de Moraes.

Em outro momento da cerimônia, o presidente Lula e o ministro da Defesa, José Múcio, convidaram Andrei para a frente da tribuna de honra. O diretor-geral da PF foi citado na troca de mensagens de Moraes e Vorcaro.

 

7 DE SETEMBRO EM BRASÍLIA

O governo do presidente Lula gastou R$ 5,74 milhões com a organização do 7 de Setembro. O valor foi 33,2% maior que o de 2025 e 33,5% acima do de 2024. 

O tradicional desfile cívico-militar do 7 de Setembro teve início às 9h. O evento teve como eixos temáticos pautas para a reeleição do presidente Lula, que busca um 4º mandato. O evento foi dividido em 3 eixos: “Soberania, a força que une o Brasil”; “Brasil unido pela proteção de meninas e mulheres”; e “Copa do Mundo Feminina 2027 é no Brasil!”.

A saúde também foi representada na programação, com a participação do personagem Zé Gotinha, associado às campanhas de vacinação contra a poliomielite.

A abertura do desfile foi feita por alunos de escolas públicas. Depois da apresentação dos temas da cerimônia, houve o desfile de tropas a pé das Forças Armadas, da Polícia Militar do Distrito Federal e do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. Além do desfile motorizado, com viaturas das Forças Armadas, uma apresentação do Batalhão de Polícia do Exército e o desfile de tropas montadas a cavalo.  

O encerramento do desfile ficou a cargo da Esquadrilha da Fumaça e de aeronaves da FAB (Força Aérea Brasileira). 

O desfile foi mais comedido devido às eleições, com o presidente buscando evitar questionamentos no Tribunal Superior Eleitoral.

Ao final do desfile, Lula interagiu brevemente com a plateia.

 

 

 

 

 

Com Informações de G1 e Poder 360

 

 

Governo federal projeta receita recorde em 2026: R$ 3,24 trilhões

A equipe econômica estimou que as receitas totais do governo atingirão R$ 3,24 trilhões neste ano, o equivalente a 23,7% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para o próximo ano, a expectativa da área econômica, de acordo com a proposta de orçamento, é de pequena queda nas receitas totais para 23,4% do PIB (R$ 3,46 trilhões).

As informações constam na proposta de orçamento para o ano de 2027, encaminhada nesta semana ao Congresso Nacional, que projeta um superávit de R$ 18,6 bilhões nas contas públicas no próximo ano.

Se confirmado, o patamar de 23,7% do PIB será o novo recorde da série histórica da Secretaria do Tesouro Nacional, que tem início em 1997, ou seja, o maior patamar em 30 anos.

A receita total considera a ou o valor da arrecadação corrigida pela inflação, são conceitos que, segundo analistas, permitem uma comparação histórica de longo prazo.

Até então, a maior receita total do governo, na proporção com o PIB, havia sido registrada em 2010, último ano do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (23,6% do PIB).
A média para a receita total do governo nos últimos 29 anos, entre 1997 e 2025, foi de 21,4% do PIB, segundo informações do Tesouro Nacional.

A receita total considera a arrecadação de tributos do governo federal, e outros ingressos de recursos, como "royalties", concessões e dividendos, sem contar estados e municípios.

Esse conceito difere da chamada carga tributária da economia brasileira, que somou 32,1% do PIB em 2024, segundo dados da Secretaria da Receita Federal - que engloba os tributos de estados e municípios. O resultado de 2025 ainda não saiu.

 

Carga tributária e petróleo

O terceiro mandato do presidente Lula foi caracterizado pela carga tributária batendo recordes históricos e pelo crescimento de despesas — autorizado pela PEC da transição, que aumentou em cerca de R$ 170 bilhões as despesas anuais nos orçamentos públicos de cada ano, com criação de novas despesas e recomposição de orçamentos.

Ao mesmo tempo, o governo tem registrado alta nas receitas de exploração do petróleo neste ano, impulsionadas pelo preço do produto no mercado externo, fruto da guerra no Oriente Médio.

A expectativa do governo é de arrecadar R$ 172,1 bilhões neste ano (1,3% do PIB) em 2026, contra R$ 139,3 bilhões em 2025 (1,1% do PIB).

Analistas têm manifestado reiteradamente preocupação com a trajetória das contas públicas, que seguem apresentando déficits seguidos apesar do bom comportamento das receitas.

Eles avaliam que isso pressiona a taxa de juros, e consequentemente, o endividamento público. Para baixar o juro e conter a dívida, defendem um corte de gastos por parte do governo (veja mais abaixo nesta reportagem).

Relembre alguns aumentos de impostos:

  • alta na tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior);
  • mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
  • aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então;
  • reoneração gradual da folha de pagamentos;
  • fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);
  • taxação das bets;
  • aumento do IOF sobre crédito e câmbio;
  • alta na tributação dos juros sobre capital próprio;
  • aumento na tributação de "fintechs";
  • redução de benefícios fiscais;
  • elevação do imposto de importação de mais de mil produtos;
  • imposto de exportação sobre petróleo.

Em contrapartida, o governo ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês (R$ 60 mil ao ano), que será efetivada na declaração de 2027. Também foi criado um desconto progressivo menor para rendas de até R$ 7.350 mensais.

Para compensar as reduções no imposto, a medida também estabelece uma cobrança mínima para contribuintes de alta renda, com alíquota progressiva de até 10% para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano. Nada muda para aqueles que já têm desconto em folha (leia mais aqui).

 

Recomposição de receitas

Na proposta de orçamento do próximo ano, a equipe econômica tem um capítulo destinado às chamadas "medidas de recomposição das receitas e mudanças estruturais na tributação".

"A reversão do processo de deterioração da base arrecadatória federal tem sido um grande desafio, embora alguns avanços já possam ser detectados", diz a proposta de orçamento de 2027.

No documento, o governo lista várias medidas tomadas nos últimos anos, como a tributação de "offshores", a alta no imposto dos cigarros, fim do benefício ao setor de eventos, fim gradual da desoneração da folha de pagamentos, a alta do IOF e do imposto de mais de mil produtos importados.

"Muitas dessas medidas foram instituídas com o propósito de corrigir distorções de mercado, reduzir gastos tributários ineficazes ou aumentar a progressividade tributária, mas seus efeitos fiscais para o equilíbrio financeiro da União são significativos", acrescentou o governo.

 

O que dizem especialistas

A economista-chefe do banco Inter, Rafaela Vitória, afirma que o aumento de tributos e a alta do preço do petróleo ajudam a sustentar o crescimento da arrecadação mesmo com a perda de ritmo da atividade econômica.

No segundo trimestre de 2026, o PIB cresceu 0,5%, abaixo da alta de 1,1% registrada de janeiro a março.

A economista pontua, porém, que, apesar do bom desempenho das receitas, as contas públicas ainda devem fechar o ano no vermelho.

"O governo tem uma forte alta na arrecadação esse ano e ainda vai gerar um déficit primário próximo de 0,5% do PIB, resultado que deve ser pior que o de 2025", avaliou.

Segundo Rafael Barros Barbosa, pesquisador do FGV IBRE, o fenômeno se explica pelo aumento dos gastos, que crescem em ritmo superior ao da arrecadação, contribuindo para a alta da dívida pública em relação ao tamanho da economia.

A dívida do setor público consolidado atingiu, em agosto, 82,5% do PIB — o maior nível desde abril de 2021, quando somava 82,6% do PIB, ou seja, é o maior patamar em mais de cinco anos.

"O que a gente observa nos últimos cinco anos, e essa é uma tendência deste último governo, é que a nossa receita até aumentou, mas os nossos gastos aumentaram mais ainda. Então, a principal explicação de por que a gente tem seguidamente aumentado a relação dívida/PIB é, basicamente, por causa de um aumento dos gastos", afirma Rafael Barbosa.

Para o economista, uma das consequências do crescimento da dívida em relação ao PIB é o aumento dos juros.

"Uma vez que o governo gasta mais do que arrecada, ele acaba estimulando a demanda, gera pressão de inflação, e o Banco Central precisa controlar um pouco essa pressão de inflação, aumentando os juros. Isso tem consequências para toda a economia", afirmou.

 

 

 

 

 

Por G1

 

 

feed-image
SICREDI 02