O caso Master estourou há menos de um ano, em novembro de 2025, quando o Banco Central liquidou a instituição e a Polícia Federal prendeu seu dono, Daniel Vorcaro.
Em dez meses, o que era uma suspeita de fraude bilionária — a venda de carteiras de crédito sem lastro e a emissão de títulos que o banco não tinha como honrar — se tornou um escândalo que atinge a classe política em ano eleitoral e provocou um conflito aberto entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Preso em novembro, Vorcaro teve o celular apreendido pela Polícia Federal. É nesse aparelho que foram encontradas conversas e registros que implicam autoridades do Legislativo e do Judiciário, entre eles o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência.
As investigações do caso Master indicam que Vorcaro mantinha uma rede de contatos que alcançava também servidores públicos, inclusive do Banco Central, políticos de diferentes lados e dirigentes de instituições financeiras. Há indícios de que essas relações envolviam pagamentos, presentes, convites para festas luxuosas e benefícios em troca de informações e de ações em favor dos interesses do banco.
A Operação Compliance Zero, deflagrada para aprofundar as investigações sobre o Master, teve dez fases até julho (veja detalhes abaixo). Originalmente, o ministro Dias Toffoli era o responsável no STF por supervisionar os trabalhos dos investigadores. Em fevereiro, o casso passou para André Mendonça por suspeitas sobre o envolvimento de Toffoli em negócios com um fundo ligado ao Master.
Nos últimos dias, a três semanas do primeiro turno das eleições, o caso escalou com um conflito aberto no Supremo em torno do avanço das investigações.
Em 1º de setembro, Mendonça retirou o sigilo de um relatório da PF que revelou detalhes sobre a relação de Moraes com Vorcaro.
Mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro preso sugerem que Moraes discutia com Vorcaro a possibilidade de a PF deflagrar uma operação contra o banqueiro, o que de fato ocorreu. Em 15 de novembro de 2025, o então dono do Master perguntou ao ministro: "Acha que segunda já tenho que estar fora?". Dois dias depois, o banqueiro foi preso no aeroporto quando tentava sair do Brasil.
O relatório indicou também que Moraes revisou e editou o contrato de R$ 131 milhões assinado por sua mulher, Viviane Barci de Moraes, pela prestação de serviços ao Master.
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Daniel Vorcaro — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Master e Flávio Bolsonaro
Em maio, o site Intercept Brasil revelou a existência de mensagens e um áudio em que Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para pagar a produção do filme "Dark Horse", que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro, pai de Flávio. As informações foram confirmadas pela TV Globo.
Em uma das mensagens, o senador afirma: "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente". Segundo a reportagem, Vorcaro pagou R$ 61 milhões.
Flávio Bolsonaro negava ter qualquer relação com Vorcaro. Após a revelação das mensagens, passou a dizer que o pedido de dinheiro corresponde a um "patrocínio" a um projeto privado, sem negócios irregulares.
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Flávio Bolsonaro fez campanha nesta quarta-feira (9) em Juiz de Fora (MG), a cidade onde seu pai levou uma facada durante a campanha de 2018 — Foto: Pilar Olivares/Reuters
Nesta sexta-feira, soube-se que Flávio Bolsonaro é investigado no inquérito, relatado por André Mendonça, que apura os repasses feitos por Daniel Vorcaro. O levantamento do sigilo de parte dos documentos do caso Master, na quinta-feira (10), mostrou que Flávio é investigado por suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. O presidenciável negou irregularidades e pediu transparência total.
Além do inquérito sob comando de Mendonça, há outra investigação no Supremo sobre "Dark Horse", relatada por Flávio Dino. Nesse braço, são investigadas a produtora do filme, Karina Gama, e o roteirista, o deputado Mario Frias (PL).
A PF investiga se R$ 2 milhões em emendas parlamentares direcionadas por Frias foram usados em contratos que não foram cumpridos por Karina. Operação ordenada por Dino nessa quinta-feira (10) apreendeu materiais em endereços dos dois e de outros investigados.
Flávio Bolsonaro diz que não houve irregularidades na relação dele com Vorcaro e que cabe à produtora do filme prestar contas sobre "Dark Horse". O candidato defendeu que o STF abra o sigilo das investigações sobre o filme.
Master e Alexandre de Moraes
Documentos que tiveram o sigilo retirado no dia 1º por Mendonça apontam que Moraes e Vorcaro mantiveram contato frequente e teriam se encontrado pessoalmente mais de uma vez entre março de 2024 e agosto de 2025.
Foram revelados registros de contratos milionários entre empresas de Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. Um dos contratos, de R$ 131 milhões, teria sido editado por Moraes, segundo a PF.
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Viviane e Alexandre de Moraes — Foto: Divulgação
Outro contrato, de R$ 50 milhões, previa pagamento em dinheiro ou por meio da entrega de bens. Uma proposta localizada pelos investigadores estabelecia que R$ 40 milhões seriam quitados com cotas de um jatinho e de um helicóptero.
Em outra conversa, reclamou a um interlocutor que um pagamento ao escritório de Viviane não tinha sido realizado e classificou a quitação como “o mais importante que temos”, dizendo que poderiam surgir “problemas”.
A PF também identificou mensagens sobre uma viagem de Moraes a Campos do Jordão, região turística do estado de São Paulo, em dezembro de 2023. Vorcaro determinou a auxiliares que preparassem uma “experiência completa” para convidados classificados como “ultra VIP”, com chef particular, passeios a cavalo e quatro seguranças.
Os documentos apontam que a relação entre o ex-banqueiro e o ministro envolvia também eventos jurídicos organizados pelo Banco Master em Londres. Moraes participou de decisões sobre convidados e programação.
Moraes não se pronunciou sobre as investigações. O escritório de Viviane Barci informou que não conduziu causas para Vorcaro no STF e que, desde a liquidação do Master, o contrato foi suspenso.
Conflito entre ministros do STF
A decisão de André Mendonça de retirar o sigilo de trechos do caso Master em 1º de setembro escalou para uma crise institucional do Supremo. O presidente da Corte, Edson Fachin, marcou uma sessão para a próxima terça-feira (15) para tentar uma saída.
Alexandre de Moraes então lançou mão de relatórios de inteligência da PF, sem caráter probatório, para acusar Mendonça de abuso de autoridade na relatoria do Master. O ministro pediu à Presidência do STF que Mendonça fosse investigado.
A reação de Mendonça veio com uma ordem para a destituição do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação, Leandro Almada. O relator sustentava na decisão que a PF estava monitorando ministros do STF.
Andrei recorreu da decisão, e o pedido foi analisado pelo ministro Flávio Dino, que devolveu o cargo ao diretor-geral e ao diretor de Inteligência.
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Edson Fachin, André Mendonça, Flávio Dino e Alexandre de Moraes — Foto: Alejandro Zambrana/STF, Antonio Augusto/STF e Gustavo Moreno/STF
Fachin tenta saída, e sigilos caem
Para tentar baixar a fervura, na quarta-feira (9), Edson Fachin tirou de Moraes a relatoria do inquérito das Fake News, em que Moraes pretendia investigar Mendonça e suspendeu as decisões de Mendonça e Dino sobre a direção da PF.
O presidente do Supremo marcou a sessão do dia 15, sem especificar o escopo da discussão e se ela será aberta ou fechada.
Solicitou a Mendonça que abrisse o sigilo de inquéritos do caso Master – parte foi liberada na noite de quinta (10) e outra parte começou a ser revelada na noite de sexta-feira. Além do processo sobre Flávio Bolsonaro, também houve a quebra de sigilo de casos sobre Ciro Nogueira (PP-PI), Cláudio Castro (PL-RJ), Jaques Wagner (PT-BA) e Thiago Miranda.
A investigação sobre Jaques Wagner apura a relação do senador com Augusto Lima, ex-sócio do Master. A apuração aponta indícios de pagamento de vantagens financeiras, por meio de repasses a uma empresa ligada a familiares do parlamentar e da aquisição de um apartamento de luxo em Salvador. Wagner nega ter cometido qualquer ato ilícito ou concedido benefícios ao Banco Master.
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Senador Jaques Wagner (PT-BA) e banqueiro Augusto Lima — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado e Vanner Casaes/Agência Alba
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Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
A frente da investigação que envolve Cláudio Castro apura possíveis irregularidades nos R$ 3,6 bilhões aplicados pelo Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Rio, no Banco Master. Segundo os investigadores, teria ocorrido uma manobra na direção do fundo para viabilizar operações consideradas de alto risco. Castro também negou as irregularidades durante diligências.
Por - G1
Cooperativa de Toledo (PR) sobe 96 posições no ranking das mil maiores empresas do país em relação ao último exercício
A Primato Cooperativa Agroindustrial, com sede em Toledo, no Oeste do Paraná, integra novamente a lista das mil maiores empresas do Brasil na mais recente edição do Anuário Valor 1000, do jornal Valor Econômico. O levantamento, elaborado em parceria com a Serasa Experian e com critérios técnicos definidos pelo Centro de Estudos em Finanças da FGV/SP, avaliou o desempenho de milhares de empresas brasileiras com base nos resultados do exercício de 2025.
Na 26ª edição do ranking, lançada em setembro em São Paulo, a Primato aparece na 591ª posição geral entre as maiores companhias do país — públicas, privadas e multinacionais. O resultado representa um avanço expressivo em relação às edições anteriores, quando a cooperativa ocupava a 687ª posição (com base no exercício de 2024) e a 717ª colocação (referente a 2022). Em apenas alguns anos, portanto, a Primato subiu mais de cem posições no ranking nacional, um movimento que reflete a expansão de suas operações e a consolidação de sua presença em diferentes elos do agronegócio, do campo à mesa do consumidor.
Fundada em 1997, a Primato nasceu com a finalidade de representar os setores de suínos e leite na região toledana. Ao longo das últimas décadas, diversificou-se para a fabricação de rações, operação de supermercados, restaurantes, farmácia e posto de combustível, além do recebimento de grãos — reunindo hoje mais de 13 mil cooperados e 52 unidades espalhadas por mais de 360 municípios.
Compromisso com o produtor
Para o presidente da Primato, Anderson Léo Sabadin, o avanço no ranking Valor 1000 é reflexo direto do trabalho de equipe construído ao lado de quem sustenta o negócio: o produtor rural. “Esse resultado não pertence apenas à cooperativa, pertence a cada um dos nossos cooperados. São eles que acordam cedo, cuidam da terra, dos animais, das lavouras e alimentam o país todos os dias. Nosso papel é justamente esse: criar as condições para que o produtor cresça, tenha renda justa e segurança para investir no futuro”, avalia Sabadin.
O presidente destaca ainda que o crescimento não é um objetivo isolado, mas consequência de um modelo de gestão e trabalho em conjunto que prioriza a relação de longo prazo com quem produz. “É mais uma comprovação de que estamos no caminho certo, gerando valor real para quem está na ponta da cadeia produtiva. Quando o cooperado prospera, a Primato prospera. Essa é a essência do cooperativismo, e é isso que nos trouxe até aqui”, complementa.
Expansão estratégica e proximidade com o campo
Já o diretor executivo da Primato, Juliano Millnitz, reforça que os próximos passos da cooperativa seguem uma lógica de expansão planejada, aliada ao investimento em tecnologia e assistência técnica. “Estamos ampliando nossa estrutura, com novas unidades em regiões onde o produtor precisa de mais proximidade e de mais suporte. Não se trata de crescer por crescer, mas de estar onde o cooperado está, entender suas necessidades e oferecer soluções concretas para o dia a dia da propriedade”, explica.
Segundo o diretor executivo, a cooperativa investe continuamente em equipes técnicas qualificadas e em ferramentas que ajudam o produtor a aumentar a eficiência da produção. “É por valorizar essa proximidade que a Primato está ao lado do cooperado em cada etapa, da produção à comercialização. É esse conjunto de fatores que nos permite seguir crescendo de forma sólida, ano após ano”, conclui.
Cooperativismo paranaense em destaque
O bom desempenho da Primato acompanha um movimento mais amplo do cooperativismo agropecuário do Paraná no Valor 1000 2026. Ao todo, 19 cooperativas do estado figuram entre as mil maiores empresas do país, somando cerca de R$ 158,7 bilhões em receita líquida no exercício de 2025 — liderança que destaca o peso do modelo cooperativo na economia nacional e no fortalecimento da agricultura familiar e empresarial brasileira.
Por - Assessoria
Um contrato firmado entre o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e a Barci de Moraes Sociedade de Advogados previa atuação jurídica “em todas as instâncias do Poder Judiciário” e consultoria estratégica em órgãos como o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O documento foi divulgado nesta sexta-feira (11) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), depois da suspensão do sigilo das investigações.

O escritório de advocacia tem, entre seus 11 sócios, Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, além de dois filhos do casal, Alexandre Barci de Moraes e Giuliana Barci de Moraes.
Nos documentos da investigação divulgados pelo STF, aparecem dois contratos de prestação de serviços e de honorários advocatícios entre o escritório Barci de Moraes e empresas controladas por Daniel Vorcaro: um com o Banco Master e outro com a Viking Participações.
O contrato com o Banco Master foi assinado em 16 de janeiro de 2024 e prevê atuação em “processos judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário”, além dos serviços de “implantação, acompanhamento e aprimoramento constante e continuado de programa de integridade (compliance); consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis e procedimentos administrativos, inclusive perante o Banco Central, a Receita Federal e Cade”.
Já o contrato com a Viking Participações é datado em 12 de maio de 2025 e está redigido em papel timbrado do escritório Barci de Moraes, mas não possui assinaturas. Esse documento prevê “consultoria estratégica e atuação jurídica em processos judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário”.
Cada contrato previa ainda pagamentos mensais de R$ 3 milhões, ao longo de 36 meses, o que dá um total de R$ 108 milhões, em cada um.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o Barci de Moraes informou que “o escritório possuía somente uma contratação com o Master e nega qualquer transferência ou substituição do contrato". Segundo o escritório, "a proposta do Banco Master não foi aceita, nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”.
Entenda o caso
Na noite de quinta-feira (10), a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de parte das investigações sobre o Banco Master, do qual é relator.
Mendonça manteve, contudo, algumas apurações sob sigilo. A ordem de Fachin vem após a grave crise que tomou o STF com as decisões tomadas por Mendonça. Inicialmente ele revelou supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Por - Agência Brasil
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta sexta-feira (11) ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, acesso à íntegra do material extraído do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. 

O pedido de Zanin foi feito pouco depois de o ministro Alexandre de Moraes ter requerido a Fachin a retirada do sigilo sobre todos os documentos da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas por Vorcaro.
Moraes apontou o que disse ser uma seletividade subjetiva do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, ao levantar o sigilo da investigação, na noite de quinta-feira (9).
Zanin, por sua vez, afirmou em ofício a Fachin que deseja ter acesso diretamente à mídia que contém a íntegra do material extraído do celular de Vorcaro, apreendido na primeira fase da Compliance Zero.
O ministro destacou que a mídia requerida “está diretamente relacionada” ao julgamento marcado para a próxima terça-feira (15), quando o plenário deve analisar um relatório da Polícia Federal (PF) que indica ligações entre Vorcaro e Moraes.
Em decisão de quarta-feira (9), Fachin marcou para a próxima terça uma sessão plenária para julgar um pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que quer a anulação do relatório sobre Moraes, sob o argumento de Mendonça não tinha competência para autorizar investigação contra um colega.
O STF ainda não informou como se dará o rito do julgamento. A Constituição e o Regimento Interno preveem que somente o plenário possui competência para processar e julgar um de seus integrantes, sem trazer, contudo, detalhes sobre a condução do processo.
Ainda não foi anunciado, por exemplo, se o julgamento será aberto ou fechado. Não foi informado ainda se haverá a participação do ministro Alexandre de Moraes na sessão.
Entenda o caso
Na noite de quinta-feira (10), a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de 15 procedimentos ligados ao caso Master.
Mendonça manteve, contudo, algumas apurações sob sigilo. Uma delas trata do suposto repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outra investigação mantida sob segredo de Justiça diz respeito à ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o advogado Augusto Ferreira Lima, antigo sócio do Master.
Por - Ag}ência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou nesta sexta-feira (11) um ofício ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, apontando o que diz ser uma “escolha seletiva” na divulgação de documentos sobre as investigações do caso Master pelo seu colega de Corte, o ministro André Mendonça. 

Moraes requereu a retirada de “todo e qualquer sigilo” dos documentos relativos à Operação Compliance Zero, que apura a corrupção de agentes públicos e fraudes financeiras bilionárias supostamente praticadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.
Relator do caso Master no Supremo, Mendonça levantou na noite de quinta-feira (10) o sigilo sobre 15 procedimentos de investigação derivados da operação. A medida foi tomada após solicitação formal feita por Fachin, na esteira de uma crise institucional sem precedentes no Supremo.
No requerimento enviado a Mendonça, Fachin pediu a divulgação de todos os documentos, “ressalvado apenas o que diga respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”, escreveu o presidente do STF.
Escolha subjetiva
Moraes indicou que Mendonça manteve o sigilo sobre 180 documentos com base em uma “escolha subjetiva”, conforme escreveu. Para ele, isso impede que os demais ministros analisem todas as provas ligadas à Compliance Zero.
O ministro requereu o “imediato levantamento de todo e qualquer sigilo, sem exceção, dos procedimentos contidos ou relacionados à PET 15.556, evitando-se escolha seletiva e direcionamento subjetivo e garantindo-se total isonomia e o respeito ao Devido Processo Legal, devendo a Diretoria de TI certificar quantos procedimento efetivamente existem”.
Mendonça manteve sob sigilo, por exemplo, as apurações sobre o suposto repasse de R$ 61 milhões de Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Outra investigação mantida sob segredo de Justiça diz respeito à ligação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o advogado Augusto Ferreira Lima, antigo sócio do Master.
Julgamento
Alexandre de Moraes solicitou ainda que seja incluído na pauta da sessão plenária marcada para a próxima terça-feira (15) o pedido de investigação que fez contra Mendonça.
Ao marcar a sessão, Fachin incluiu em pauta apenas um pedido de investigação de Mendonça contra Moraes, que aparece nas investigações do Master como interlocutor direto de Vorcaro.
Para Moraes, um pedido tem “total conexão” com o outro e os dois devem ser julgados em conjunto, para evitar “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual”.
Entenda
Na semana passada, Moraes encaminhou a Fachin o que disse ser um relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que sugere que Mendonça estaria direcionando as investigações do caso Master de modo a atingir desafetos políticos.
O documento, contudo, não é assinado ou traz o timbre da corporação, e também estampa na capa o aviso de se tratarem de análises “sem valor probatório”.
A atitude de Moraes se deu em resposta à retirada de sigilo, por Mendonça, de um relatório parcial da Compliance Zero que traz 52 mensagens que os investigadores dizem ter sido enviadas por Vorcaro ao ministro Moraes.
Nas mensagens, o ex-banqueiro demonstra ter proximidade com Moraes e aparenta ter encaminhado a ele um contrato de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em outro trecho, Vorcaro parece buscar junto a Moraes informações sobre uma possível operação da PF para prendê-lo. As respostas do interlocutor ao ex-banqueiro não puderam ser resgatadas, informaram os investigadores.
Até o momento, Moraes nega qualquer contato com o ex-banqueiro.
Por - Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) apontou em relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o ex-chefe do Departamento de Supervisão do Banco Central (BC) Belline Santana recebeu pagamentos recorrentes de R$ 500 mil em troca de repassar informações sigilosas para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. 

Ao menos um dos pagamentos chegou a R$ 760 mil, segundo mensagens trocadas entre o advogado e empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro e apontado como seu operador financeiro, e Vorcaro, dono do antigo Banco Master, que foi liquidado pelo BC em novembro do ano passado.
Belline foi beneficiado ainda com “almoço, jantar e guia em Paris”, tudo custeado por Vorcaro, segundo o relatório, cujo sigilo foi levantado na noite desta quinta-feira (11) pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo.
Vantagens indevidas também foram pagas a Paulo Sérgio Neves de Souza, gerente adjunto do departamento de Supervisão do BC. No caso dele, a PF aponta para o pagamento de uma viagem à Disney, nos Estados Unidos, e a “aquisição de maneira atípica” de um imóvel rural do servidor.
No relatório, a PF identificou que os dois vazaram informações internas do BC ligadas às investigações da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras bilionárias ligadas ao Master.
Segundo o documento, Santana e Souza atuaram como consultores de Vorcaro, promovendo “alinhamento de estratégias e revisão de documentos, bem como reuniões privadas, inclusive na residência do investigado”.
O relatório de 164 páginas traz mensagens que a PF diz terem sido trocadas entre Vorcaro e os dois servidores. Em uma delas, Paulo Sérgio Souza encaminha ao ex-banqueiro a portaria com sua nomeação ao cargo no Departamento de Supervisão. Em outro trecho, ele diz ser “prioridade absoluta” se encontrar com Vorcaro para discutir interesses do Master.
A ligação entre os dois servidores do BC e Daniel Vorcaro já era conhecida desde a prisão preventiva do ex-banqueiro. A retirada do sigilo sobre o relatório da PF, contudo, revelou os detalhes sobre a suposta remuneração que recebiam.
O sigilo da maior parte dos documentos da Compliance Zero foi levantado na noite de quinta-feira (10) pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo. A medida foi tomada após requerimento do presidente do STF, ministro Edson Fachin.
Afastados de suas funções, Bellline Santana e Paulo Sérgio Souza negam ter vazado informações internas do BC a Daniel Vorcaro. Os dois alegam ter como provar que as despesas que tiveram com viagens e outras benesses foram pagas do próprio bolso.
A Agência Brasil busca contato com as defesas dos citados para novo posicionamento.
Por - Agência Brasil























