Brasil e EUA: entenda as relações após alerta sobre eleições

A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório em que aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento reservado alerta ainda para uma tendência de escalada da pressão estadunidense sobre o Brasil.

O relatório foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ao Ministério da Justiça. As informações foram divulgadas neste sábado (19) pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmadas pela TV Brasil, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Segundo a publicação, a inteligência brasileira classifica a possibilidade de interferência externa com um "nível de criticidade" e contextualiza o problema dizendo que "a reafirmação da hegemonia dos EUA na América Latina” é prioridade do segundo governo do presidente norte-americano Donald Trump. O objetivo é afastar “rivais dos EUA”, como a China, de ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região.

 A avaliação da Abin indica que houve intensificação das ações dos Estados Unidos em relação ao Brasil ao longo dos últimos meses. Além da ingerência nas eleições, o Brasil vem sendo alvo de medidas econômicas e políticas prejudiciais aos interesses nacionais. 

Enquanto isso, o governo brasileiro busca manter as boas relações diplomáticas e comerciais. Apesar de criticar as ações do governo estadunidense, é comum ouvir o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dizer, em eventos e entrevistas, “eu me dou muito bem com o Trump”. 

Entenda

Tudo começou com a famosa “química” que teria brotado entre os dois durante a Assembleia Geral da ONU, em setembro de 2025. Essa foi a exata definição do mandatário norte-americano após um breve encontro entre ambos, quando Lula deixava o palco e Trump se preparava para discursar.

Mas essa aparente boa relação entre os dois não significa vida fácil para a diplomacia ou para a economia brasileira.

Desde abril de 2025, o Brasil tem sido alvo de tarifas de exportação para produtos vendidos ao vizinho do Norte. Inicialmente, foram 10% aplicados a vários países. Naquele momento, o interesse puramente econômico dava o tom das medidas anunciadas.

Dois meses depois, porém, o tom político passou a influenciar medidas econômicas do governo estadunidense. No dia 30 de julho, Donald Trump assinou uma Ordem Executiva (OE) que considerava o Brasil uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional dos EUA”. E elevou o valor total da tarifa para 50%.

Aumento das tarifas

Entre as justificativas para o aumento da tarifa, destacava-se a atuação da Justiça brasileira ao limitar a atuação de redes sociais em território brasileiro. Entre essas redes sociais estavam a Rumble, rede social da Trump Media & Tecnology Group (TMTG), e o X, antigo Twitter, presidido por Elon Musk, aliado de Donald Trump.

A restrição a determinadas redes sociais tinha relação com a incitação de discursos de ódio e atentados à democracia, de acordo com o Supremo Tribunal Federal.

Outra justificativa para as tarifas passou pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. O governo dos Estados Unidos considerou a condenação uma perseguição política e intimidação a opositores do atual governo.

Trump repetia a versão de Bolsonaro, que afirma ser perseguido no processo em que foi acusado de liderar a tentativa de golpe de Estado no Brasil. Na ocasião, Bolsonaro pressionou comandantes militares para suspender o resultado da eleição presidencial de outubro de 2022, quando perdeu para Lula.

Lei Magnitsky

Além das tarifas, o governo norte-americano foi além e aplicou a Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator dos processos da trama golpista, bem como de sua esposa, a advogada Viviane Barci Moraes.

Trata-se de uma lei local, mas que prevê o bloqueio de contas bancárias, ativos e aplicações financeiras nos Estados Unidos, a proibição de transações com empresas americanas que estão no Brasil, além do impedimento de entrada no país.

Na ocasião, também foram alvo de cancelamento do visto de entrada nos EUA os ministros do STF Luís Roberto Barroso, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes.

Em dezembro de 2025, Moraes e sua esposa tiveram os nomes retirados da lista de sancionados pela Lei Magnitsky.

O papel de Eduardo Bolsonaro

Na ocasião, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, já havia ido para os Estados Unidos argumentando ser um perseguido político. Assim que a Lei Magnitsky foi aplicada, ele foi às redes sociais celebrar as medidas econômicas e legais contra o Brasil.

Além disso, Eduardo afirmou ter atuado junto às autoridades americanas em prol desse resultado. Isso levou o parlamentar a ser denunciado por coação no curso do processo, já que incentivou os EUA a decretarem tarifas para pressionar a Justiça a não condenar seu pai.

Eduardo Bolsonaro foi condenado pelo STF em junho de 2026. Ele continua morando nos Estados Unidos e perdeu o mandato de parlamentar por faltar às sessões da Câmara dos Deputados.

Queda nas tarifas

Em fevereiro deste ano, porém, Donald Trump sofreu um revés em sua política tarifária. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas sobre produtos importados impostas globalmente por Trump.

A Corte decidiu que a imposição de tarifas feita pelo presidente interferiria nos poderes do Congresso do país e violaria um princípio jurídico chamado doutrina das questões importantes. O governo dos EUA, então, teve que devolver bilhões de dólares arrecadados ilegalmente.

Apesar da limitação legal, o governo dos Estados Unidos ainda lança mão de tarifas. Inclusive contra o Brasil. No dia 22 de julho, os EUA anunciaram uma sobretaxa de 25%. A medida atingiu 19% das exportações brasileiras para o país norte-americano.

A alegação do governo Trump, desta vez, se baseava em “adoção de práticas desleais” do Brasil na relação entre os dois países. Entre essas práticas, estariam o uso do PIX (sistema de pagamentos eletrônicos brasileiro), a regulação das redes sociais, o desmatamento ilegal e acordos preferenciais com México e Índia, entre outros.

Dias depois, uma nova tarifa, de 12,5%, foi aplicada. O argumento foi de que o Brasil não adota mecanismos eficazes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na ocasião, o governo brasileiro afirmou que a tarifa foi “arbitrária e injustificada” e ressaltou o reconhecimento internacional do país no combate ao trabalho escravo.

Atualmente, parte dos produtos exportados para o país norte-americano podem ser tributados em até 37,5%.

Organizações terroristas

Em maio deste ano, os EUA anunciaram, em comunicado do Departamento de Estado, o desígnio das facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.

O governo brasileiro tentou evitar essa designação por meses. Na avaliação do governo, isso poderia abrir caminho para uma ação militar dos EUA no Brasil ou uma aplicação de sanções severas em setores econômicos e financeiros.

De acordo com especialistas, a classificação dessas facções como terroristas pode, na verdade, atenuar eventuais punições a quem comete crimes de narcotráfico, lavagem de dinheiro, extorsão, latrocínio e contrabando de armas e munições.

Visto revogado

Em 4 de agosto, os EUA anunciaram a revogação do visto da embaixadora do Brasil no país, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O país norte-americano justificou a medida pela demora do Brasil na resposta à concessão de aprovação diplomática do indicado do governo Trump a assumir a embaixada dos EUA no Brasil.

O governo brasileiro rebateu as alegações, afirmando serem falsas. Em nota divulgada à época, o Brasil afirmou que os EUA feriram a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas quando divulgaram o nome do seu indicado para assumir a embaixada no Brasil.

Segundo o governo, o nome só poderia ser tornado público após a concessão da anuência do país anfitrião.

Lula e Trump

Apesar de reafirmar seu bom relacionamento pessoal com Donald Trump, o presidente Lula não o poupa de críticas. Em junho, afirmou que Trump “fez uma coisa desaforada” ao sugerir novas tarifas contra o Brasil enquanto os dois países negociam.

Isso não impede, no entanto, encontros ou conversas telefônicas entre os dois. Após o breve encontro na ONU, em setembro de 2025, os dois se encontrariam novamente no mês seguinte em Kuala Lumpur, na Malásia, onde ocorria a cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).

Na ocasião, Trump se disse “honrado” por encontrar o presidente brasileiro. Mas nenhum acordo foi anunciado.

O último encontro entre os dois ocorreu em maio deste ano, em Washington. No encontro, Lula procurou explicar que os Estados Unidos têm superávit na relação comercial com o Brasil e que não há “prática desleal” na relação comercial. Levou documentos e acertou com seu homólogo uma mesa de negociação entre as equipes dos dois governos.

A reunião durou mais de três horas. Lula também expôs as medidas do Brasil contra o crime organizado, numa tentativa de evitar a designação de facções brasileiras como terroristas, o que ocorreria dias depois.

Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.

Além de encontros presenciais, os dois já conversaram por telefone ao menos quatro vezes. A última dessas conversas, e a mais longa, com 1h20 de duração, ocorreu em agosto. A iniciativa partiu do presidente brasileiro e a ideia era retomar as negociações comerciais e discutir a contenção de conflitos internacionais.

Ambos estarão juntos novamente na 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na próxima terça-feira (22). Lula, como presidente do Brasil, é responsável por abrir o Debate Geral, seguido do discurso do presidente dos Estados Unidos.

Não há, entretanto, nenhum encontro bilateral marcado entre eles.

 

 

 

 

 

Por - Agência BRasil

Saiba como manifestar intenção de doar órgãos por meio de cartórios

Mais de 32 mil brasileiros já utilizaram cartórios de notas para manifestar formalmente a intenção de doar órgãos, desde o lançamento da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), em 2024.

O assunto ganha importância durante o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos, em um país onde mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante.

Segundo o Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), o procedimento é gratuito e realizado integralmente pela internet. O interessado acessa a plataforma da Aedo, disponível no e-Notariado, preenche seus dados e escolhe um cartório de notas para realizar o procedimento.

Na sequência, participa de uma videoconferência com o tabelião para confirmar sua identidade e sua desejo de doar órgãos. O documento é assinado eletronicamente e passa a integrar a Central Nacional de Doadores de Órgãos, que pode ser consultada pelos profissionais autorizados do Sistema Nacional de Transplantes.

A pessoa pode indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo deseja doar e revogar a autorização a qualquer momento. Todo o procedimento pode ser realizado sem necessidade de comparecimento presencial ao cartório.

Oferta e demanda

Dados dos Cartórios de Notas mostram que 32.587 solicitações de Aedo já foram realizadas no país. Foram 18.659 em 2024, 8.886 em 2025 e outras 5.042 em 2026, segundo os dados mais recentes da plataforma. Essa queda por ser atribuída a menos campanhas de divulgação da iniciativa. 

São Paulo concentra o maior número de manifestações desde a criação do serviço, com 9.399 solicitações, seguido por Paraná (3.818), Rio de Janeiro (2.930), Minas Gerais (2.172) e Rio Grande do Sul (2.012). A Aedo registra solicitações em todas as unidades da Federação.

Os números se inserem em um cenário no qual a demanda por transplantes permanece elevada no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados este mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante no Brasil, sendo cerca de 45 mil por um rim.

Somente na fila por uma córnea estão 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), número 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.

Autorização familiar

Um dos principais desafios tem sido a autorização familiar. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância da família, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.

Atualmente, a taxa média de recusa familiar gira em torno de 45%, e entre os motivos apontados estão o desconhecimento sobre a vontade do potencial doador, além de dúvidas e receios relacionados ao procedimento.

É neste contexto que a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos permite que o cidadão deixe formalmente registrada sua decisão. 

“A decisão final continua sendo da família. Por isso, tão importante quanto registrar a vontade de ser doador é conversar sobre ela. A Aedo permite que essa manifestação fique formalizada e ajuda a levar esse assunto para dentro das famílias, para que elas conheçam previamente a decisão de quem deseja doar”, afirma Eduardo Calais, presidente do CNB/CF.

No próximo dia 27 de setembro, é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, data criada para estimular a discussão sobre o tema e incentivar as pessoas a comunicarem aos familiares sua vontade de serem doadoras.

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Mega-Sena acumula e pagará R$ 32 milhões na terça

Ninguém acertou as seis dezenas da Mega-Sena do Concurso 3060 que foram sorteadas na manhã de hoje (20) no Espaço da Sorte, na capital paulista.

Os números foram: 06 - 15 - 23 - 36 - 37 - 38.

Segundo a Caixa, 54 apostas acertaram cinco dezenas e devem receber um prêmio de R$ 32.111,66. Outras 3.075 apostas acertaram quatro números e vão receber R$ 929,52.

Como não houve ganhador, o prêmio ficou acumulado para o próximo sorteio, que ocorrerá na próxima terça-feira (22). A estimativa da Caixa é de que o próximo sorteio pague um prêmio de R$ 32 milhões.

 

 

 

 

Por Agência Brasil

 

 

Brasil vence Venezuela e está no mundial de vôlei masculino

A seleção masculina de vôlei venceu a equipe da Venezuela por 3 sets a 0 na manhã deste sábado (19) na quarta rodada do Sul-Americano da modalidade. A partida foi disputada no ginásio do Maracanazinho e valeu a vaga para o Brasil no mundial de 2027.

As parciais foram 25/19, 25/14 e 25/19 para mais de 7200 pessoas.

O resultado mantém o time com 100% de aproveitamento e na liderança brasileira na competição. O oposto Bryan foi novamente o maior pontuador em quadra, desta vez com 13 acertos.

Neste domingo (20), às 10h, o time do técnico Bernardinho enfrenta a Argentina, valendo o título e a vaga nos Jogos Olímpicos Los Angeles 2028.

 

 

Viagens, safári e imóveis: relação com advogado investigado na fraude do INSS incomoda campanha de Flávio e entra na mira da PF

Em março de 2025, nove meses antes de se lançar à corrida presidencial, o senador Flávio Bolsonaro embarcou em um voo com destino à África do Sul com familiares e alguns amigos.

No roteiro de uma semana, que incluiu um safári, estava acompanhado por Willer Tomaz, advogado investigado sob suspeita de envolvimento no escândalo do INSS, com quem estreitou relações nos últimos anos. Além de viagens, a dupla passou a compartilhar imóveis, jatinhos e parcerias em processos judiciais. A amizade, porém, virou motivo de dor de cabeça para o candidato. 

No mês passado, Willer cedeu um apartamento na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, para que Flávio utilizasse durante a campanha. A utilização do imóvel, revelada pela revista Piauí e confirmado pelo GLOBO, foi alvo de questionamento de adversários do senador no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O argumento é que o candidato deveria ter declarado como doação à campanha.

Além disso, o imóvel se tornou outra fonte de desgaste para o presidenciável por estar vinculado a Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, preso sob suspeita de comandar a maior fraude ao sistema financeiro do país. Segundo a Piauí, antes de ser adquirido por Willer, ele pertencia a Fabiano Zettel, cunhado e apontado pela Polícia Federal como principal operador do banqueiro.

Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/ Redes sociais
Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro — Foto: Reprodução/ Redes sociais

Questionado, Willer diz, em nota, que "jamais manteve" relação pessoal, comercial ou societária com Zettel ou Vorcaro. Ele não respondeu sobre o uso do imóvel por Flávio. O senador, por sua vez, não se manifestou.

A conexão de Flávio com Willer, contudo, vai além do uso do apartamento durante a campanha eleitoral e entrou na mira da Polícia Federal, que identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas em conjunto no primeiro semestre do ano passado. Depois da visita à África do Sul, que contou ainda com a companhia do senador Weverton Rocha (PDT-MA), outro alvo de investigações no escândalo no INSS, os dois fizeram visitas a Portugal e França. Antes, já haviam voado juntos para os Estados Unidos. 

A identificação das viagens foi possível após a PF vasculhar o celular e a caixa de e-mails de Willer, onde encontrou fotografias, reservas e registros de voos e aluguel de veículos. Os conteúdos foram apreendidos durante buscas no escritório do advogado no mês passado. Em uma das imagens encontrada no celular do advogado por investigadores mostra Flávio, Weverton e Willer acompanhados de crianças, em uma área de savana.

Na pose, o trio aparece com camisetas iguais, estampadas com animais africanos e a inscrição “Big Five”, expressão utilizada no turismo de safári para se referir ao elefante, leão, leopardo, rinoceronte e búfalo. Nas redes sociais, Weverton também publicou fotos comemorando o aniversário da mulher durante a viagem. O grupo retornou ao país uma semana depois.

Escritório de Tomaz faz reserva de carros para viagem com Flávio à Europa — Foto: Arte O Globo
Escritório de Tomaz faz reserva de carros para viagem com Flávio à Europa — Foto: Arte O Globo

Procurado, Flávio disse manter “relação de amizade” com Willer “legítima” e que “qualquer tentativa de insinuar irregularidade a partir dessa afinidade pessoal é mera ilação, sem qualquer fundamento nos fatos”. O senador não informou se teve despesas pagas pelo advogado. 

Em nota, Willer afirmou que as viagens “são de caráter estritamente privado”, “decorrem de uma relação de amizade pessoal de longa data com o senador Flávio Bolsonaro e sua família” e “foram custeadas com recursos próprios e nada têm a ver com função pública, com contratos ou com qualquer interesse de terceiros”.

Weverton também disse manter relação de proximidade com Willer e não respondeu quando questionado sobre quem pagou sua viagem à África do Sul.

— Willer Tomaz é meu compadre e amigo há muitos anos e já fizemos várias viagens juntos em família. São relações privadas, que não envolvem dinheiro ou interesses públicos — disse ele.

 

Fraude no INSS

Tanto Weverton como Willer entraram na mira da PF em meio às investigações do escândalo do INSS. O advogado foi alvo de uma operação no mês passado, sob suspeita de manter uma estrutura de apoio formada por empresas e operadores financeiros para lavar ou ocultar recursos obtidos por meio de desvios ilegais de aposentadorias. Ele diz que não é investigado por fraudes contra o sistema previdenciário.

De acordo com relatório da PF que embasou buscas e apreensões em seu escritório, em Brasília, Willer atuava como "hub financeiro, patrimonial e logístico" de envolvidos no suposto esquema de fraudes no INSS. A investigação aponta que o advogado tinha como função dar sustentação ao grupo por meio de "empresas, imóveis, aeronaves, pilotos, funcionários, operadores financeiros e interlocutores políticos". Um dos elementos citados na representação policial é o repasse de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer para a mulher de Weverton.

O senador também foi alvo de uma operação da PF em dezembro. De acordo com a PF, o parlamentar atuou como "liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras" do grupo que fraudou o INSS. Ele nega ter praticado qualquer irregularidade.

Os investigadores afirmam que o senador era o responsável por indicar beneficiários do suposto esquema, cobrar pagamentos, acompanhar repasses, além de interferir nas decisões patrimoniais do grupo. Familiares de Weverton foram alvo da mesma operação que mirou em Willer. A PF aponta que contas de postos de combustíveis foram utilizadas para lavar recursos desviados.

 

Portugal e França

Cerca de um mês depois de irem à África, Flávio e Willer embarcaram juntos novamente em abril de 2025, desta vez com destino a Portugal, e retornaram poucos dias depois, também no mesmo voo, segundo registros migratórios identificados pela PF durante a investigação. Weverton não estava presente.

No mês seguinte, em maio, Flávio e Willer partiram mais uma vez para a Europa, desta vez acompanhados das famílias. A viagem incluiu passagens por Portugal e França.

E-mails analisados pela PF mostram que, dias antes do embarque, uma representante da agência de viagens que organizou a ida do grupo à Europa informou a uma funcionária do escritório de Willer sobre a contratação de dois veículos: um para traslado em Lisboa, capital portuguesa, e outro em Nice, no sul da França.

A PF também identificou que, em janeiro de 2025, na véspera da posse de Donald Trump nos Estados Unidos, Flávio, a mulher e as duas filhas embarcaram em um voo em Fort Lauderdale, na Flórida, com destino a Brasília, ao lado de Willer e integrantes da família do advogado. O grupo viajou em um jatinho particular pertencente à Prime You, empresa de aviação executiva que teve entre seus sócios Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master.

Vorcaro permaneceu como sócio direto da companhia até setembro de 2025. Willer afirmou que contratou os serviços da empresa como cliente e que desconhecia a participação do banqueiro na sociedade.

A passagem pelos Estados Unidos já havia chamado a atenção por outro episódio. Como revelou o colunista Lauro Jardim, em janeiro de 2025, Flávio e Willer passaram juntos parte do fim de semana anterior à posse de Trump, em 20 de janeiro, no Hard Rock Hotel & Casino, na região de Miami, também na Flórida.

Os dois voltaram aos EUA em maio, quando viajaram juntos para a Flórida em um jatinho emprestado por um empresário para quem Willer advogava, como revelou em abril reportagem do jornal O Estado de S. Paulo. A viagem ocorreu no feriado do Dia do Trabalho e contou com a presença de Fernanda Bolsonaro, mulher do senador. Na véspera, Flávio havia feito aniversário de 44 anos.

'Meu amigo Willer'

A relação entre Flávio e Willer é antiga e antecede as viagens mapeadas pela PF. Conhecido em Brasília pelo trânsito entre políticos de diferentes grupos, o advogado mantém sociedade em seu escritório com Eugênio Aragão, ex-ministro da Justiça de Dilma Rousseff (PT). Segundo pessoas próximas, os dois se aproximaram durante o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio.

Uma reportagem da revista Veja de 2021 mostrou que Flávio frequentava uma propriedade de Willer no entorno de Brasília. O local, em Planaltina (DF), a 72 quilômetros do Palácio do Planalto, é conhecido como "Racho Tomaz" e usado pelo advogado para receber políticos com quem mantém relação.

Uma imagem encontrada pela PF durante as investigações da fraude no INSS mostra seis congressistas, de diferentes partidos, reunidos dentro e ao redor de uma piscina na mesma propriedade. A imagem, de um encontro em abril de 2023, foi localizada no celular de Weverton e divulgada pela revista Piauí no mês passado.

Durante a CPI da Covid no Senado, em 2021, Flávio chegou a sair em defesa de Willer após integrantes do colegiado tentarem quebrar o sigilo do advogado. Na ocasião, o senador se referiu a ele como "meu amigo Willer Tomaz".

Além da amizade, os dois mantêm uma atividade profissional em conjunto. Levantamento publicado pelo GLOBO em julho mostrou que Flávio atua ao lado de Willer em processos judiciais. Em um deles, no Superior Tribunal de Justiça (STJ), os dois representam um dos sócios de uma indústria do Rio Grande do Norte em uma disputa empresarial que envolve a execução de R$ 159 milhões.

 

Casas em Angra

O apartamento em São Paulo utilizado durante a campanha não é o único imóvel de Willer frequentado por Flávio. A lista inclui ainda uma casa na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, na Costa Verde. O advogado adquiriu direitos possessórios sobre a propriedade, que se tornou alvo de uma disputa judicial envolvendo uma empresa ligada ao jogador de futebol Richarlison. Flávio fez diversas visitas ao local a partir de 2020 e foi arrolado como testemunha de Willer no processo.

Outro imóvel de Willer em Angra foi usado pelo senador para comemorar o aniversário de uma das filhas, em fevereiro deste ano, conforme mostrou reportagem do site ICL Notícias. Em nota, o advogado afirmou ter emprestado a casa pela relação de amizade que tem com Flávio, "sem qualquer pagamento, contraprestação ou relação comercial".

 

 

 

 

 

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