Tentando atrair uma parcela da população que representa mais da metade do eleitorado, pré-candidatos à Presidência ampliaram os acenos às mulheres.
Em busca da reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou a divulgação de medidas voltadas ao segmento, mas lida com críticas pela falta de avanços concretos durante a gestão. Do lado da oposição, em meio à crise com a madrasta, Michelle Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta reduzir a resistência com novas propostas e procura uma vice mulher. Já Ronaldo Caiado (PSD) concentra acenos na área da segurança pública, enquanto Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) buscam um tom para fisgar o voto feminino.
As eleitoras somam 52,47% do total, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas ainda são minoria como representantes em cargos eletivos. Há um ano, Lula passou a incluir em praticamente todas as suas falas públicas o combate à violência contra a mulher. Na quinta-feira, por exemplo, defendeu aumento de pena para homens que matam mulheres.
A estratégia da campanha petista será mostrar os esforços do governo para redução da violência doméstica, as ações de igualdade salarial e aumento nos serviços pelo Sistema Único de Saúde na linha de cuidados, sempre comparando o tratamento dado às mulheres na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo a pesquisa Quaest mais recente, 35% das mulheres se declaram antibolsonaristas, enquanto 25% são antipetistas.
O levantamento de junho também mostra que o índice de mulheres que aprova o governo cresceu de 45% para 49% entre abril e o mês da pesquisa. Agora, o objetivo do governo é manter esse percentual em crescimento e tentar transformá-lo em votos.
Disputa pelas indecisas
Na campanha de Lula, há uma percepção de que é fundamental o petista continuar com o apoio feminino, em especial nas classes C, D e E. A campanha também espera que a briga entre Flávio e Michelle empurre candidatas indecisas para o campo lulista.
— Todas as políticas construídas pelos governos do PT trataram diretamente da vida concreta das mulheres — afirma a vereadora de São Paulo Luna Zarattini (PT), integrante da coordenação da campanha.
Apesar do discurso, o Ministério das Mulheres não teve destaque durante o terceiro mandato de Lula nem elaborou políticas que ganhassem tração. O desempenho provocou a troca de Cida Gonçalves por Márcia Lopes em maio de 2025. A nova ministra tem focado no reforço de políticas de combate à violência de gênero.
Sob o governo Lula, o país registrou o primeiro trimestre mais letal contra as mulheres desde 2015. Segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram 399 vítimas de feminicídio entre janeiro e março. Ou seja, uma mulher é vítima de feminicídio no Brasil a cada 5 horas e 25 minutos.
Para direcionar mais ações para o segmento, Lula ampliou a participação feminina no núcleo que comanda a campanha, na comparação com 2022. Entre as integrantes do grupo decisório estão Luna Zarattini, a Secretária Nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, Lucinha do MST e a secretária de Juventude do PT, Júlia Köpf.
Ainda sem papel definido, a primeira-dama Janja da Silva também vai atuar nas discussões sobre o tema. Na terça-feira, ela rebateu, sem citar diretamente, a fala do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres “votam muito mal”.
Já no campo oposto, a avaliação de integrantes da pré-campanha de Flávio, que tentou se desvencilhar da declaração do aliado, é que a segurança pública continuará no centro do discurso eleitoral, mas, sozinha, não será suficiente para ampliar sua competitividade entre as mulheres.
A estratégia passou a combinar o endurecimento no combate à criminalidade com propostas voltadas à autonomia financeira, à geração de renda e ao reconhecimento do trabalho de cuidado, temas que, segundo aliados, aparecem de forma recorrente nas pesquisas qualitativas.
A urgência de Flávio em montar uma plataforma para o segmento aumentou após a crise pública envolvendo Michelle, que gravou um vídeo se dizendo “humilhada” pelo enteado, em meio à disputa política sobre palanques no Ceará.
No entorno do senador, a avaliação é que o episódio tornou ainda mais evidente a necessidade de construir uma agenda positiva. O cenário piorou após a fala de Paulo Figueiredo, e aliados reconhecem que a declaração freou um esforço para alcançar um público hoje, em grande parte, refratário ao pré-candidato. Ao abrir, na semana passada, o encontro com mulheres da campanha, o senador procurou reconhecer a dificuldade com o público feminino e assumiu para si a responsabilidade por esse cenário.
Parte do esforço para mudar o quadro está em um programa coordenado pela ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques. A plataforma reúne propostas de combate à violência doméstica, incentivo ao empreendedorismo feminino, ampliação do acesso ao microcrédito e políticas ligadas à economia do cuidado.
— Queremos ouvir as contribuições e práticas das vivências delas — afirmou Daniella.
Outros presidenciáveis
Nas últimas semanas, o senador passou a defender com mais frequência a escolha de uma mulher para compor sua chapa presidencial. Entre os nomes lembrados por aliados estão a própria Daniella, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e as deputadas Bia Kicis (PL-DF) e Simone Marquetto (PP-SP), embora nenhuma delas confirme ter recebido convite.
Entre os demais presidenciáveis, a pré-campanha de Caiado passou a veicular inserções na televisão dedicadas ao combate à violência doméstica e ao feminicídio, nas quais ele afirma que “quando esses criminosos são agressores de mulheres, tenho ainda mais mão pesada”. O discurso também tem sido repetido em agendas públicas. Caiado costuma afirmar que “em briga de marido e mulher, mete algema”.
A estratégia, no entanto, não foi acompanhada por uma maior participação feminina na construção da chapa presidencial. Durante meses, aliados discutiram a possibilidade de indicar uma mulher para a vaga de vice, mas Caiado acabou escolhendo o presidente do PSD, Gilberto Kassab.
No caso de Romeu Zema (Novo), a campanha afirma que não pretende lançar um programa específico voltado às mulheres. A estratégia será tratar temas considerados prioritários para esse público dentro do programa geral de governo, sem criar uma plataforma segmentada. A avaliação é que as principais demandas do eleitorado feminino passam por segurança pública, emprego, renda, educação e acesso a creches.
O pré-candidato do Missão, Renan Santos, também afirma que não pretende construir uma campanha baseada em acenos específicos ao eleitorado feminino, mas em propostas que, segundo ele, respondem a problemas concretos enfrentados por elas. A estratégia concentra-se em temas como endurecimento das penas para casos de violência doméstica, combate ao abandono parental, ampliação da oferta de escolas em tempo integral e medidas para garantir o pagamento de pensão alimentícia, especialmente voltadas às mães solo.
Por - O Globo
Brasil e Noruega se enfrentam neste domingo, às 17h (de Brasília), pelas oitavas de final da Copa do Mundo, no Estádio de Nova Jersey.
O Brasil viverá situação incomum demais neste domingo. Terá pela frente a única equipe que nunca foi derrotada pela seleção brasileira. Em quatro jogos contra Noruega, perdeu duas vezes e empatou outras duas.
O primeiro duelo entre Brasil e Noruega aconteceu em 1988, um amistoso realizado em Oslo. Terminou em 1 a 1. Dezenove anos depois, na preparação para a Copa de 1998, os europeus venceram por 4 a 2. Na temporada seguinte, pelo Grupo A do Mundial, os noruegueses fizeram 2 a 1. O último confronto aconteceu há 20 anos, outra vez na capital do país nórdico, um novo 1 a 1.
O Brasil tenta se livrar da dificuldade que vem tendo contra europeus. Após o penta, em 2022, o Brasil foi eliminado nas Copas do Mundo posteriores por França, Holanda, Alemanha, Bélgica e Croácia.
Caminho dos times na Copa
O Brasil passou à segunda fase como líder do Grupo C. Empatou com Marrocos por 1 a 1, mas venceu Haiti e Escócia pelo mesmo placar: 3 a 0. O saldo de gols deu a ponta à seleção brasileira. Na segunda fase, eliminou o Japão com vitória emocionante, decidida aos 50 minutos do segundo tempo com gol de Martinelli: 2 a 1.
A Noruega avançou ao mata-mata como vice-líder do Grupo I. Venceu Iraque e Senegal, mas foi goleada pela França. Na segunda fase, bateu a Costa do Marfim.
Lesões na Seleção Brasileira
Paquetá está fora por lesão muscular na coxa esquerda. Raphinha, após se recuperar de um problema muscular na coxa direita, deve ficar no banco de reservas. Neymar, que chegou à Copa em recuperação de uma lesão na panturrilha direita, estreou contra a Escócia e se emocionou bastante após a partida.
Escalações prováveis
Brasil - Técnico: Carlo Ancelotti
Na sofrida vitória sobre o Japão, Carlo Ancelotti ganhou mais um problema para administrar. Lucas Paquetá sofreu lesão na coxa esquerda no primeiro tempo e virou desfalque.
Ancelotti não confirmou quem substituirá Paquetá, mas deixou indícios de que Gabriel Martinelli jogará. O atacante do Arsenal treinou como titular na sexta e no sábado e parece ter vencido a concorrência com Danilo Santos.
Escalação do Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro, Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli; Rayan, Matheus Cunha e Vini Jr.
Noruega - Técnico: Ståle Solbakken
O estilo de jogo da Noruega foi construído para potencializar os talentos do meio-campista Odegaard, destaque do Arsenal-ING, e do atacante Haaland, do Manchester City-ING. A força de seu sistema ofensivo, que nas Eliminatórias Europeias para esta Copa do Mundo marcou 37 gols em oito partidas, é o grande trunfo dos europeus para surpreender o Brasil.
São duas as dúvidas do técnico Stale Solbakken: a lateral direita e um dos atacantes posicionados ao lado de Haaland.
Na defesa, a tendência é de que o titular Ryerson não tenha condições de jogo por conta de uma lesão muscular. Sem ele, a vaga é disputada por Pedersen e pelo volante Fredrik Aursnes, que pode atuar improvisado na posição. No ataque, há a possibilidade de que Sorloth seja sacado do time para a entrada de Oscar Bobb.
Provável escalação: Nyland; Pedersen (Fredrik Aursnes), Ajer, Torbjorn Heggem e Wolfe; Berge, Patrick Berg e Odegaard; Nusa, Alexander Sorloth (Oscar Bobb) e Haaland.
Especialistas do setor agropecuário alertam que o fenômeno climático El Niño pode comprometer a produção de diversos alimentos essenciais, gerando impacto direto nos preços praticados no varejo brasileiro nos próximos meses.
A elevação dos custos deve se refletir especialmente em itens como café, milho, frutas, hortaliças, cana-de-açúcar e derivados do leite.
O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento anômalo das águas do Pacífico, altera os regimes de chuva e temperatura em diferentes regiões produtoras do país, podendo provocar estiagens em algumas áreas e precipitações excessivas em outras. De acordo com projeções de centros climáticos internacionais, há mais de 60% de probabilidade de que o evento atinja intensidade significativa entre novembro e janeiro.
Hortaliças e Frutas na Linha de Frente
Os primeiros reflexos deverão ser percebidos nas hortaliças, culturas extremamente sensíveis a variações climáticas. Produtos como cebola, batata, tomate e cenoura tendem a sofrer com o excesso de umidade na região Sul, onde as chuvas volumosas podem provocar apodrecimento e perda de qualidade. A produção de maçã e uva também preocupa, especialmente no Rio Grande do Sul, onde as condições adversas podem afetar a floração e favorecer o surgimento de doenças.
No polo citrícola paulista, as temperaturas elevadas previstas para o período de floração dos laranjais (setembro a novembro) podem resultar em abortamento de flores e queda prematura de frutos jovens, comprometendo uma safra que já enfrentava desafios relacionados à baixa rentabilidade e incidência de pragas. O mercado internacional já observa essa tendência com apreensão, o que pode elevar os preços do suco e reduzir a qualidade da fruta disponível.
Café em Alerta
O setor cafeeiro, que iniciara o ano com perspectivas otimistas de safra recorde superior a 66 milhões de sacas, agora enfrenta incertezas. As chuvas irregulares registradas em regiões produtoras já atrasaram a colheita do café conilon, afetando a qualidade e a produtividade, além de criar ambiente favorável para fungos e pragas.
Para o café arábica, mais sensível a condições de estresse, o cenário é ainda mais delicado. A irregularidade hídrica e as altas temperaturas comprometem a uniformidade da florada, podendo resultar em grãos menores e perda da qualidade final do produto. O mercado internacional, atento aos baixos níveis de estoques, já reage com especulações que pressionam os preços da matéria-prima.
Milho e Carnes: Efeito Cascata
O milho, componente fundamental da ração animal, deverá sentir os efeitos do El Niño principalmente na segunda safra do Centro-Oeste. O atraso no plantio da soja, causado por chuvas irregulares, reduz a janela ideal para o cultivo do milho, levando muitos produtores a diminuir áreas plantadas ou substituir o grão por culturas alternativas como o sorgo.
A redução na oferta do grão impacta diretamente os custos da pecuária. A carne bovina e o leite tendem a encarecer, uma vez que a ração fica mais cara e a disponibilidade de pastagens diminui nas regiões Centro-Oeste e Norte, onde a falta de água compromete o desenvolvimento das forragens. O estresse térmico causado pelo calor excessivo também reduz o apetite e o ganho de peso dos animais.
Cana-de-açúcar sob Pressão
Na região Centro-Sul, responsável por cerca de 90% da moagem nacional, as chuvas fora de época podem atrasar o acúmulo de sacarose na cana, reduzindo a qualidade da matéria-prima e forçando colheitas antes do ponto ideal de maturação. Nas áreas do Norte e Nordeste, a combinação de seca e calor extremo gera estresse hídrico que compromete o desenvolvimento das plantações.
Panorama Regional e Perspectivas
Embora o cenário geral seja de preocupação, algumas regiões podem ser beneficiadas. No Nordeste, o clima mais seco e as temperaturas elevadas favorecem culturas como feijão, melão e melancia em áreas irrigadas. Na região Sul, as chuvas acima da média podem beneficiar as culturas de inverno, desde que não ocorram em excesso.
A expectativa de inflação alimentar já levou o governo federal a revisar para cima as projeções oficiais para o índice de preços do próximo ano. A estimativa inicial, que era de 4,5%, deverá ser elevada diante das adversidades climáticas anunciadas.
Incertezas e Adaptação
A intensidade exata dos impactos ainda depende da evolução do fenômeno nos próximos meses. O setor produtivo já adota estratégias de mitigação, como o ajuste de calendários de plantio e a escolha de variedades mais resistentes, mas reconhece que as perdas são inevitáveis em alguns segmentos.
Produtores e consumidores devem se preparar para um período de maior volatilidade nos preços, especialmente a partir do início de 2027, quando os efeitos do El Niño sobre as safras se tornarem mais evidentes. A diversificação de fontes de abastecimento e o monitoramento constante das condições climáticas serão fundamentais para minimizar os impactos sobre a mesa do brasileiro.
É dia de Brasil na Copa do Mundo!
As oitavas de final têm sequência neste domingo (05) com duas partidas, incluindo o duelo entre Brasil e Noruega, às 17h (de Brasília), em Nova Jersey. Mais tarde, México e Inglaterra se enfrentam no Estádio Azteca. Os vencedores dos dois confrontos se enfrentarão nas quartas de final.
Confira horários dos jogos deste domingo:
- 17h - Brasil x Noruega
- 21h - México x Inglaterra
Para afastar o retrospecto ruim
Brasil e Noruega abrem a programação do dia em um duelo que marcará o segundo encontro entre as seleções em Copas do Mundo. O único confronto anterior aconteceu na fase de grupos de 1998, quando os noruegueses venceram por 2 a 1. A seleção brasileira, aliás, nunca derrotou a Noruega: além da derrota no Mundial, soma mais um revés e dois empates em amistosos.
O Brasil chega às oitavas de final invicto e embalado pela vitória de virada sobre o Japão na fase de 16 avos. Antes disso, empatou com Marrocos por 1 a 1 e venceu Haiti e Escócia, ambos por 3 a 0, garantindo a liderança do Grupo C. Contra os japoneses, Gabriel Martinelli marcou nos acréscimos do segundo tempo e garantiu o triunfo por 2 a 1.
A Noruega, por sua vez, também faz boa campanha. A equipe venceu Iraque (4 a 1) e Senegal (3 a 2) nas duas primeiras rodadas, assegurando a classificação antecipada ao mata-mata. Com os titulares poupados, foi derrotada pela França por 4 a 1 na última rodada da fase de grupos e, na fase de 16 avos, eliminou a Costa do Marfim ao vencer por 2 a 1, com gol de Erling Haaland aos 41 minutos do segundo tempo.
Para o confronto, o técnico Carlo Ancelotti não poderá contar com Lucas Paquetá. O meio-campista sofreu uma lesão na parte posterior da coxa durante a partida contra o Japão e segue em recuperação. Danilo Santos e Gabriel Martinelli disputam a vaga entre os titulares. Já Raphinha voltou a treinar com o elenco, mas só deve voltar em uma possível disputa das quartas de final.
Entre os destaques brasileiros estão Vinicius Júnior, autor de quatro gols na Copa do Mundo, e Bruno Guimarães, que lidera a equipe com quatro assistências. Do lado norueguês, o principal nome é Haaland, artilheiro da equipe com cinco gols, acompanhado por um forte setor ofensivo formado também por Alexander Sorloth, Antonio Nusa e Martin Odegaard.
Fator casa fará a diferença?
Mais tarde, será a vez de México e Inglaterra medirem forças no Estádio Azteca, na Cidade do México. Quem vencer, poderá ser a adversária do Brasil nas quartas. A seleção anfitriã conta com o apoio da torcida e da altitude de 2.240 metros da capital mexicana. Embalado por esses fatores, o México venceu os quatro jogos que disputou na Copa do Mundo sem sofrer gols e tenta manter o bom momento para eliminar uma campeã mundial.
Os mexicanos garantiram a liderança do Grupo A com vitórias sobre África do Sul (2 a 0), Coreia do Sul (1 a 0) e República Tcheca (3 a 0). Na fase de 16 avos, voltaram a vencer por 2 a 0, desta vez sobre o Equador. A Inglaterra também terminou na liderança de sua chave, após derrotar Croácia (4 a 2) e Panamá (2 a 0) e empatar sem gols com Gana. No mata-mata, porém, precisou buscar a virada para superar a República Democrática do Congo por 2 a 1, com dois gols de Harry Kane.
Será apenas o segundo encontro entre as seleções em Copas do Mundo. O primeiro aconteceu na fase de grupos da edição de 1966, quando a Inglaterra venceu por 2 a 0 diante de sua torcida e conquistou, posteriormente, o único título mundial de sua história. Já o México tenta igualar sua melhor campanha em Mundiais: as quartas de final, alcançadas justamente nas edições de 1970 e 1986, ambas disputadas em casa.
Para Ancelotti, o Brasil está em evolução na Copa do Mundo.
Em coletiva bem humorada neste sábado, antes do jogo das oitavas de final deste domingo, entre Brasil e Noruega, às 17h, em Nova York, o treinador da seleção brasileira deu notas para cada jogo da Seleção no Mundial até aqui.
— É um dado que pensamos depois do jogo, que foi um 5 contra o Marrocos, 6,5 contra o Haiti, um 7 contra Escócia e, porque estávamos felizes, um 7,5 contra o Japão — brincou o técnico, que completou:
— Acho que melhorou a qualidade com bola. No primeiro jogo fizemos muitos erros com bola. Agora é mais acertado com bola, tem menos erros de passe e mais acertos na frente.
O objetivo agora é aumentar a média de notas do Brasil, que não terá Lucas Paquetá contra os noruegueses. O treinador disse que já tem um substituto para o meia na seleção brasileira, mas não revelou quem entrará em campo. Ele citou Danilo e Martinelli como concorrentes para a vaga.
— Não temos um jogador como o Paquetá. O Danilo é diferente, o Martinelli é um ponta, então... Tenho tempo para pensar. Como sempre se diz, já pensei, já resolvi o tema. Nessas horas, só confiança.
— Não temos no elenco jogadores com a qualidade de Lucas Paquetá. Temos que substituir com outros jogadores. Danilo é diferente de Gabriel, que é diferente de Cunha, que é diferente de Éderson. Teremos em conta o que é melhor para a equipe, sabendo das forças do rival.
Ancelotti afirmou que o critério será alguém que recomponha pelo lado esquerdo, como Paquetá fazia. Com a bola, o papel será ocupar a faixa do campo entre o centro e a esquerda.
— A nível defensivo, alguém que possa recompor pela esquerda quando a equipe não tem a bola. Quando a equipe não tinha a bola, Paquetá fazia isso. Martinelli e Danilo podem fazer isso. Com a bola, tem que ocupar bem a posição entre o centro e a esquerda. Essa posição às vezes pode ser ocupada por Danilo Santos ou Vini Jr. A nível ofensivo, não muda. Muda a interpretação do jogador a depender das características. Danilo é diferente de Martinelli.
O treinador da seleção brasileira disse que Raphinha pode estar disponível para o Brasil contra a Noruega. Ainda longe dos 100%, o atacante se recuperou de uma lesão e tem chances de ir para o banco de reservas, depois de ter participado dos últimos dois treinos.
— Raphinha está avançando muito bem, não está 100%, mas pode estar disponível no banco e jogar alguns minutos ou ser útil em alguns momentos. Recuperou muito bem e muito rápido, estamos felizes com isso porque Raphinha é muito importante para a equipe.
Ancelotti afirmou que a seleção brasileira tem experiência para esse tipo de jogo decisivo. O treinador italiano citou a partida contra o Japão, vencida com virada nos acréscimos, com gol de Martinelli. Para o técnico, é fundamental ter jogadores experientes na equipe para lidar com a pressão desses cenários.
— Acho que sim porque experiência é um aspecto muito importante. Na Copa do Mundo, o nosso último jogo mostrou isso. Às vezes, a equipe de bom nível não está acostumado a gerir os últimos minutos, a pressão dos últimos minutos e o resultado. Então, ter uma equipe experiente com jogadores acostumados a esse tipo de nível é importante.
Ao ser perguntado sobre as características dos jogadores do banco de reservas, Ancelotti disse que é importante ter jogadores de perfis diferentes para o decorrer do jogo. Alguns jogadores importantes não foram utilizados na partida contra o Japão, como Neymar, por exemplo.
— Muito importante porque temos realmente diferentes no banco. Temos que ter em conta sempre que o jogo não acaba no minuto 90. Pode ser que o jogo tenha prorrogação, e jogadores frescos podem mudar o jogo.
Outros trechos da coletiva
Brasil não marcou de bola parada, preocupa? Pensa em Vini e Neymar juntos?
Ancelotti: "Bola parada sim até agora não aproveitamos as qualidades, pode ser que tenhamos que cobrar melhor. Temos ensaiado bem e temos confiança que podemos marcar nesse aspecto. Neymar e Vini podem sim jogar juntos, creio que vão jogar juntos."
Em 2015, Odegaard foi procurado por muitos clubes europeus, acabou no Real Madrid e você escreveu que não seria sua escolha. O que acha do desenvolvimento do jogador?
Ancelotti: "A gente viu que ele era muito talentoso no Real Madrid, chutes excelentes, ele mudou de clube, é um jogador importante para o Arsenal e está mostrando as qualidades dele e ele cresceu, é muito inteligente, ele conhece muito bem o jogo, é um dos principais da Noruega."
Haaland e Gabriel Magalhães. Preparou alguma marcação especial ou quando encontra adversários como Haaland é outro tipo de marcação?
Ancelotti: "Todo mundo conhece Haaland, não tenho que explicar a meu zagueiro como joga Haaland, ele conhece melhor que eu porque jogou contra muitas vezes. Estamos focados em preparar bem o jogo incluindo as características de Haaland que temos que ter em conta que é um atacante muito, muito perigoso."
Acha que a defesa da Noruega pode exigir a mesma coisa que contra o Japão? Nesse sentido Martinelli pode ser uma alternativa?
Ancelotti: "Para falar sobre estratégia, creio que não é o lugar mais correto. No último período há muito tempo que Vini muda de posição, no Real Madrid, aqui. Creio que vai ser um problema para o rival que ele possa mudar a posição no campo, por fora pode dar assistências e por dentro pode marcar muitos gols."
Chances dos adversários contra times favoritos
Ancelotti: "Quem podia dizer que Argentina sofreria contra Cabo Verde? Ninguém. Futebol moderno é assim. Não é uma falta de Argentina, é um parabéns a Cabo Verde, a seus jogadores, treinador, para jogar um jogo tão bonito."
Você conseguiu implementar o que quer no Brasil?
Ancelotti: "Acho que a equipe não está em seu melhor momento, creio que podemos alcançar melhor qualidade no jogo, melhor consistência. A equipe melhorou desde o primeiro jogo e segue melhorando."
Técnico da Noruega fez elogios, disse que o time tem características ofensivas, isso tem a ver com a formação do nosso meio campo. Você acredita que a Noruega vai jogar assim tão ofensivamente?
Ancelotti: "É uma equipe sim que tem muita qualidade ofensiva, muito bem equilibrada, também é ofensiva, estou de acordo nisso, é difícil buscar transição rápida contra eles porque tem bom equilíbrio no meio campo."
Você é conhecido pela presença serena no banco. Fale de suas emoções de estar liderando a equipe contra a Noruega
Ancelotti: "Lógico que me preocupo, mas não significa que estaria ansioso. Preciso me preocupar para antecipar o que vai acontecer na partida, é normal, mas tenho confiança. Nós já vínhamos melhorando e espero melhorar amanhã também."
Não teme muito espaço de contra-ataque com quatro jogadores de características ofensivas?
Ancelotti: "Sim, é um aspecto que temos que considerar porque as características defensivas de Martinelli não são as de Danilo Santos, que é um meia muito ofensivo, por isso marca muitos gols. Então o equilíbrio não é só colocar jogadores com diferentes características, é estar também no pensamento dos jogadores que estão atrás de manter uma boa vigilância quando o time ataca."
Noruega tem enfrentando desafios por lesão do lado direito. É uma vantagem para vocês e Vini?
Ancelotti: "Ryerson é um jogador excelente, e a lateral direita não afeta muito a situação da Noruega."
O embate entre Brasil e Noruega é um dos mais aguardados da fase oitavas de final da Copa do Mundo 2026.
De um lado, a única seleção pentacampeã do planeta tentando resgatar o protagonismo em Mundiais sob a liderança de Vini Jr., astro do Real Madrid. De outro, a atual sensação do futebol europeu simbolizada na figura de Erling Haaland, centroavante do Manchester City.
Para Stale Solbakken, técnico da Noruega, o confronto deste domingo, às 17h (de Brasília), entre dois dos principais atacantes desta Copa pode ser resumido por uma comparação inusitada: uma "máquina" versus um "bailarino".
— Se você está interessado em esporte, dá para ver que um deles é uma máquina, nível de aceleração absurdo e excelente condição física, e o outro é um bailarino que sabe dançar com a bola — comentou o treinador de Haaland no Mundial 2026.
A comparação foi feita por Solbakken em entrevista coletiva último sábado, ao ser provocado por um jornalista americano sobre como apresentaria o embate Haaland x Vini Jr. aos torcedores dos Estados Unidos que não estão acostumados a acompanhar o futebol.
Nesta Copa do Mundo, os principais atacantes do Brasil e da Noruega têm chamado a responsabilidade em campo.
Vini Jr. marcou quatro gols e deu uma assistência, sendo o jogador produtivo do sistema ofensivo da Seleção. Já Haaland, que disputou uma partida a menos por ter sido poupado contra a França na fase de grupos, soma cinco gols e está na cola de Lionel Messi pela artilharia.
O duelo entre Brasil e Noruega será disputado no estádio de Nova Jersey. Em caso de empate no tempo normal, o confronto irá para a prorrogação. Mantendo a igualdade, teremos pênaltis para definir o classificado à fase quartas de final da Copa do Mundo 2026.
























