A Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil começam, nesta quarta-feira (22), a financiar imóveis com as novas regras do Minha Casa, Minha Vida (MCMV). As mudanças ampliam o alcance do programa para imóveis de até R$ 600 mil e para famílias com renda mensal de atéR$ 13 mil.
Na prática, também elevam os limites de renda e de valor dos imóveis em todas as faixas do programa, facilitando a compra de unidades maiores ou melhor localizadas, com juros abaixo dos praticados no mercado.
Especialistas consultadas pelo g1 afirmam que as novas regras devem favorecer principalmente a classe média, permitindo que uma parcela significativa volte a buscar e financiar imóveis. Até então, esse grupo enfrentava restrições maiores, diante de juros elevados e das limitações do MCMV. (leia mais abaixo)
Segundo o governo federal, ao menos 87,5 mil famílias brasileiras devem ser beneficiadas com taxas mais baixas.
Entenda as mudanças — e como ampliam o acesso aos imóveis
💰 1. Novos limites de renda por faixa
- Faixa 1: passou de R$ 2.850 para até R$ 3.200
- Faixa 2: passou de R$ 4.700 para até R$ 5.000
- Faixa 3: passou de R$ 8.600 para até R$ 9.600
- Faixa 4: passou de R$ 12.000 para até R$ 13.000
📌 Os juros cobrados nos financiamentos dentro do programa aumentam gradualmente conforme a faixa de renda. Dessa forma, a ampliação dos limites beneficiou diretamente famílias que estavam próximas das faixas de corte e que passam a ter acesso a juros menores.
- 🏠 EXEMPLO 1: Quem tinha renda entre R$ 4.700,01 e R$ 5 mil e se enquadrava na faixa 3 passa agora para a faixa 2. Esse grupo tinha acesso a juros de 8,16% ao ano. Agora, passa a ter taxas de 7% ao ano, explica a advogada Daniele Akamine, especialista em mercado imobiliário.
- 🏘️ EXEMPLO 2: Quem tinha renda entre R$ 8.600,01 e R$ 9.600 e se enquadrava na faixa 4 passa agora para a faixa 3. Esse grupo tinha acesso a juros de cerca de 10% ao ano. Agora, passa a ter taxas de até 8,16% ao ano.
🏢 2. Novos valores máximos dos imóveis
- Faixas 1 e 2: de R$ 210 mil a R$ 275 mil, a depender da localidade;
- Faixa 3: de até R$ 350 mil para até R$ 400 mil;
- Faixa 4: de até R$ 500 mil para até R$ 600 mil.
📌 O valor máximo dos imóveis financiados pelo Minha Casa, Minha Vida também aumentou, o que permite o acesso a unidades maiores ou melhor localizadas.
- 🏠 EXEMPLO 1: Quem se enquadra na faixa 3 passa a ter acesso a imóveis de até R$ 400 mil dentro do programa, um aumento de R$ 50 mil em relação ao limite anterior. Na prática, isso amplia o leque de opções a uma nova prateleira de imóveis.
- 🏘️ EXEMPLO 2: Quem se enquadra na faixa 4 passa a ter acesso a imóveis de até R$ 600 mil dentro do MCMV, um acréscimo de R$ 100 mil em comparação com o limite anterior. O efeito, nesse caso, é semelhante: amplia o acesso a imóveis de padrão mais elevado.
Na prática, as novas regras ampliam a capacidade de compra das famílias, afirma a advogada Daniele Akamine. Antes da atualização, os limites não acompanhavam a alta dos preços dos imóveis.
“Com o mesmo salário, é possível adquirir um imóvel melhor ou exigir uma entrada menor, já que o crédito ficou mais acessível e as taxas dentro do programa são mais baixas", diz.
Veja as principais regras do programa:
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Regras do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) — Foto: Arte/g1
Quais são os efeitos das mudanças?
Segundo o governo, a atualização das faixas inclui cerca de 31,3 mil famílias na faixa 3 do programa e outras 8,2 mil na faixa 4.
Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre, afirma que o movimento ocorre em meio a um cenário desafiador para parte da classe média.
“Pessoas que estavam logo acima da faixa de corte do programa agora passam a ser incluídas, ampliando o acesso da classe média à casa própria”, afirma a especialista.
Até abril de 2025, o MCMV alcançava, no máximo, famílias da faixa 3, com renda de até R$ 8 mil — limite ampliado para R$ 8,6 mil naquele mês. Em maio, foi criada a faixa 4, estendendo o programa a famílias com renda de até R$ 12 mil, com juros mais altos, mas ainda abaixo dos praticados no mercado.
As mudanças de abril de 2026 ampliaram o alcance do MCMV para rendas de até R$ 13 mil. Na prática, o teto de acesso ao programa saltou de R$ 8 mil para R$ 13 mil em menos de um ano.
Ana Castelo, do FGV Ibre, lembra que o MCMV atingiu um novo recorde de contratações em 2025. "Quem realmente sustentou o setor de construção no ano passado foi o programa", diz.
"Vivemos um contexto particularmente difícil para a classe média fora do programa. Foi um ano de bom desempenho nas pontas: no Minha Casa, Minha Vida e no nicho de imóveis de alto padrão — que não depende de financiamento", explica.
"No entanto, a renda média fora do programa sofreu bastante, porque as taxas de financiamento ficaram mais altas."
Dados do Ministério das Cidades, compilados por Ana Castelo, mostram que as contratações da faixa 3 dispararam nos últimos anos e ganharam mais relevância dentro do programa. Veja abaixo:
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Evolução do programa Minha Casa, Minha Vida — Foto: Arte/g1
Por - G1
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso vermelho, que indica grande perigo, para uma onda de calor que poderá atingir os estados do Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
O alerta está em vigor desde domingo e seguirá até as 18h de sábado (25). O aviso cobre uma faixa que se estende do oeste do Mato Grosso do Sul (município de Corumbá) até a ponta noroeste do Rio Grande do Sul (Frederico Westphalen e cidades próximas). Confira no mapa abaixo:

O grau de severidade se dá em razão do risco à saúde, uma vez que a previsão é de temperaturas 5ºC acima da média por período maior do que 5 dias.
Previsão
De acordo com comunicado do Inmet, a semana de 20 a 27 de abril inicia com temperaturas máximas em torno de 30 °C, declinando gradualmente ao longo da semana, especialmente na Região Sul. Santa Catarina terá chuva fraca e o Paraná terá tempo estável e seco.
Se aproximando da marca de dois anos das chuvas que causaram enchentes em quase todos os municípios, o Rio Grande do Sul poderá assistir “a formação de um sistema de baixa pressão que levará à ocorrência de tempo severo e fenômenos adversos", entre eles temporais, chuvas intensas, rajadas, raios e granizo, logo nos primeiros dias da semana.
Conforme previsão do Inmet, o oeste gaúcho pode registrar mais de 100 mm de chuva acumulada. Para o estado, há alerta de perigo potencial de ventos intensos (de 40-60 km/h), e queda de granizo.
Outra área com indicação de perigo cobre uma extensa faixa sobre parte de três regiões, desde o Acre ao Ceará, que poderá levar chuvas intensas também a Rondônia, Roraima, Amazonas, Mato Grosso, Tocantins, Pará, Amapá, Maranhão e Piauí.
Os maiores volumes de chuva na Região Norte deverão cair no oeste amazonense e em Roraima. No Nordeste, o Inmet prevê chuva de até 100 mm em pontos isolados do Maranhão, Piauí e Ceará.
As condições do tempo são mais estáveis no Centro-Oeste. “No norte de Mato Grosso, pode chover até 40 mm. No Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul, há chances mínimas de chuvas rápidas e isoladas”, prevê o Inmet.
Por- Agência Brasil
As Forças Armadas brasileiras repassaram R$ 137,3 milhões para o Banco Master entre 2020 e 2026, em função de contratos para empréstimos pessoais consignados à folha de pagamento de militares.
O valor corresponde a 12,6% de tudo que o banco de Daniel Vorcaro recebeu de órgãos públicos federais no período.
O dinheiro não saiu do orçamento do Exército, da Aeronáutica ou da Marinha. As Forças Armadas apenas repassaram ao banco valores descontados diretamente dos contracheques de militares que contrataram empréstimos consignados.
Ao todo, repasses do governo federal somaram R$ 1 bilhão. A informação foi publicada pelo jornal "Folha de São Paulo" e confirmada pelo g1.
115.651.172,06
Os repasses feitos pelo Exército o colocam em segundo lugar na lista de órgãos que mais tiveram negociações com o Banco Master.
Os militares ficam atrás apenas da Previdência Social, com consignados feitos por trabalhadores e aposentados.
Os dados do Portal da Transparência mostram que esse tipo de operação não era um produto explorado pelo Banco Master (antigo Máxima) antes da chegada de Vorcaro.
Ele fez a compra em 2018, mas assumiu o controle da instituição apenas em 2019.
No ano seguinte, foram R$ 3 milhões em repasses para o Banco, tendo a Aeronáutica o principal órgão explorado, com R$ 1 milhão enviado.
Em 2021, os repasses saltam 1.253% em relação a 2020 e atingem R$ 43,4 milhões. Ao longo do período o volume de transações continua aumentando até chegar ao montante de R$ 404,8 milhões em 2025, ano da liquidação do banco.
● Evolução anual dos repasses: 362.976.374,12
Casos diferentes
Diferentemente da RioPrevidência — fundo responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a servidores inativos do Rio de Janeiro — que é alvo de investigação, o repasse feito pelas Forças Armadas ao Banco Master não envolve suspeita de irregularidade nem uso direto de recursos orçamentários.
No caso dos militares, os empréstimos foram contratados individualmente pelos beneficiários na modalidade consignada, com desconto em folha, e cabe a eles o pagamento das parcelas.
As Forças Armadas atuam apenas como intermediárias, repassando ao banco os valores descontados dos contracheques.
O que dizem os órgãos?
O Exército afirmou que, após a liquidação do Master pelo Banco Central, em 18 de novembro do ano passado, o contrato de credenciamento para novos empréstimos consignados foi rescindido, de forma unilateral.
Isso teria ocorrido em 24 de novembro. Entretanto, os pagamentos do que já foi tomado continuam. Em 2026, a Transparência indica que foram repassados R$ 4,3 milhões.
Em nota, o Exército afirmou que não houve transferência de dinheiro da Força ao Master. "Os valores envolvidos são oriundos de rendimentos particulares dos militares para o pagamento de dívidas privadas."
"O Comando do Exército, via Centro de Pagamento do Exército (CPEx), atua apenas como interveniente, efetuando o desconto autorizado no contracheque e realizando o repasse mensal à entidade consignatária [Master]", diz a nota.
O Master foi credenciado pelo Exército, segundo a nota, após participar de edital público e comprovar requisitos de habilitação jurídica, regularidade fiscal e trabalhista e qualificação econômico-financeira à época do credenciamento.
Em nota, a Força Aérea Brasileira (FAB) afirmou que repassou ao Master em 2024 e 2025, apenas valores referentes a crédito consignado.
"Após a decretação da liquidação extrajudicial e diante da ausência de ratificação dos dados de domicílio bancário da entidade liquidante, não foram realizadas novas transferências", afirmou.
O credenciamento previa concessão de empréstimos consignados, cartões de crédito e oferta de benefícios, cabendo aos militares optarem pela adesão, cita a nota.
"A instituição [Master] atendeu integralmente aos requisitos previstos no edital." A Aeronáutica não tem custos nesse tipo de operação, que envolve 234 entidades credenciadas, conforme a Força.
Por - G1
O erro de empresas no envio de informações para as novas bases de dados utilizadas pela Receita Federal para apurar o Imposto de Renda retido na fonte está resultando em informações incorretas repassadas ao Fisco e também aos trabalhadores.
🦁 O erro tem causado a retenção de milhares de declarações na chamada "malha fina". A Receita orienta que trabalhadores considerem valores do informe de rendimentos. Porém, pode ser necessário pedir um novo informe ao empregador e fazer uma declaração retificadora. (veja o que fazer)
A explicação para o maior número de retenções em malha neste ano é que, com o fim da Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf), a Receita passou a buscar as informações em outras bases de dados. Essas informações também foram enviadas pelas empresas.
🔎 A Dirf, que deixou de ser usada este ano, era feita por quem faz os pagamentos e retém o IR. A declaração continha pagamentos feitos a residentes ou domiciliados no exterior, os pagamentos a planos de saúde empresarial, além dos pagamentos a pessoas físicas com domicílio no país.
👩💻 As declarações são retidas em malha quando há inconsistências nos valores informados pelas pessoas físicas. A verificação de pendências é feita online no Portal e-CAC ou no app "Meu Imposto de Renda", utilizando a conta Gov.br.
As novas fontes de dadosusadas são:
- e-Social, que concentra concentra praticamente todas as informações trabalhistas, previdenciárias e tributárias ligadas ao empregado; e
- EFD-Reinf, que tem dados de retenções de tributos e faz parte de uma plataforma que unifica o envio de informações fiscais, contábeis e trabalhistas das empresas em formato digital chamada SPED.
Essas bases de dados são consideradas mais complexas e erros de preenchimentos por parte de algumas empresas e gerando divergências com os informes de rendimento dos trabalhadores .
➡️A Receita Federal estima que o número de retenção de declarações dos trabalhadores na malha fina está em média, neste ano, cerca de 2% maior até o momento.
Segundo o balanço do órgão, foram recebidas 13 milhões de declarações do IR até as 12h de sexta-feira (17), o que significa dizer que cerca de 260 mil contribuintes a mais caíram na malha fina.
Erros das empresas
De acordo com a Receita, algumas empresas estão preenchendo de forma errada o e-Social, ou a a EFD-Reinf, agora usadas nas declarações do IR. Isso gera divergências nas informações prestadas em relação ao informe de rendimentos entregue aos empregados.
Em outros casos, a menor parte deles, o órgão diz que as empresas chegaram a enviar erroneamente os números do próprio informe de rendimentos aos seus empregados.
"A Dirf [usada até o ano passado] era uma declaração anual. O contribuinte [empresário] pegava os dados do ano, juntava, e entregava a declaração de todo ano [à Receita]. O e-Social, que cuida dessa parte de folha de pagamentos, é uma declaração mensal que tem muito mais detalhes, muito mais exigências, e que é muito mais complexa. É a própria folha de pagamentos completa, mas é preciso que o contribuinte faça classificações: isso aqui é tributável, isso aqui não é, isso aqui é décimo terceiro, é exclusivo ou não é [na fonte]", explicou Vinicius Lara de Oliveira, o chefe da malha fina da Receita Federal.
A Receita identificou divergências de dados, não necessariamente propositais, ao compilar as informações mensais dessas bases de dados com o informe de rendimentos enviado aos trabalhadores, no início deste ano.
"É uma regra de interpretação. Se ele [empresário] manda em um formato que a interpretação que a Receita não é a que ele achou que daria, há um conflito. Ele [empregador] entregou um comprovante de rendimentos com o cálculo que ele acha correto, mas pode ter transferido o e-Social com classificações equivocadas", explicou o Oliveira.
Estão entre os erros encontrados:
- Empresa que informou o décimo terceiro salário de um trabalhador como tributação normal e incluiu esse valor no rendimento total, e não como tributação exclusiva na fonte. Por ser tributado na fonte, esse valor não pode ser compensado ou restituído na declaração anual do IR.
- Erros sobre o período de lançamento dos salários: a Receita explicou que usa o regime de "caixa", ou seja, o momento em que os salários e tributos são pagos, e não de competência, mês relativo ao pagamento. Nesse caso, a empresa lançou, por exemplo, o salário relativo a dezembro no mesmo mês, quando ele, de fato, foi efetivamente pago somente em janeiro, data considerada pela Receita.
O que fazer?
A Receita indica que o contribuinte não deve fazer nada neste momento caso caia na malha fina, mesmo tendo enviado sua declaração com os dados que constam em seu informe de rendimentos.
O supervisor nacional do Programa do Imposto de Renda da Receita Federal, José Carlos da Fonseca, informou, porém, que se o contribuinte deve retificar sua declaração se receber um novo informe de rendimentos da empresa.
"A declaração do IR deve ser respaldada por documentos. Se o comprovante diz que ele recebeu R$ 100, e está errado na declaração pré-preenchida, ele corrige antes de transmitir. Quem já entregou a declaração e está obedecendo o que está no comprovante, pode ficar tranquilo", disse José Carlos da Fonseca, da Receita Federal.
A declaração pré-preenchida é um "espelho" dos dados que a Receita Federal tem sobre os contribuintes. No caso de preencher a declaração manualmente, e cair na malha fina, a lógica é a mesma.
Se o contribuinte utilizou os dados do informe de rendimentos, deve aguardar. Somente deve enviar uma declaração retificadora no caso de receber outro informe, corrigido pela empresa.
- Segundo a Receita, a maior parte dos erros das empresas está no e-Social.Nesse caso, assim que as informações forem retificadas pelos empregadores, as declarações de seus trabalhadores saem da malha fina automaticamente (se não houver mudança no informe de rendimentos). A Receita informou que milhões de empresas já corrigiram os dados enviados pelo e-Social desde o início do prazo do Imposto de Renda.
- Ainda segundo o Fisco, em um número menor de casos, os empregadores erraram, de fato, os valores que constam no informe de rendimentos enviados aos trabalhadores. Nessa hipótese, as empresas terão de enviar novos informes de rendimento aos trabalhadores, que terão de retificar suas declarações para sair da malha fina.
"Se a empresa entender que o informe de rendimentos está errado, ela é obrigada a gerar um novo informe de rendimentos. Aí o contribuinte vai retificar [os valores] e vai bater com a pré-preenchida. Mas não é mais comum. O mais comum que a informação enviada ao empregado esteja correta, e que a empresa parametrizou errado no e-Social. Ele corrige o e-Social e vai bater com o informe de rendimentos. Essa parametrização errada pode mudar ou não os valores a pagar ou a restituir", disse Daniel Fontes, assessor da Receita Federal.
Por - G1
O Brasil já soma mais de 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais e caminha para ser o quinto país com mais idosos do mundo. É um público que movimenta R$ 2 trilhões na economia, de acordo com estudo realizado pela consultoria Data8. 

Esse potencial econômico é formado tanto por consumidores, como pelos empreendedores da chamada economia prateada, em alusão aos cabelos grisalhos.
Para atender a esse público, os modelos de negócio precisam adaptar-se a novas demandas. Eles querem melhor iluminação nas lojas, sinalização visível, acessibilidade, atendimento acolhedor e processo de compra simplificado. O empreendedor que oferece esses diferenciais acaba tendo a preferência do público mais velho, afirma a gestora nacional do programa Empreendedorismo Sênior 60+ do Sebrae, Gilvany Isaac.
“Eu acho que a Economia Prateada reflete a transformação estrutural da sociedade brasileira. Os empreendimentos que compreenderem essa mudança e desenvolverem produtos alinhados a essa realidade, não apenas vão acessar o mercado de expansão, mas também contribuirão para o modelo de desenvolvimento mais inclusivo, sustentável e conectado à longevidade”, afirma Gilvany.
O bancário aposentado João Gualberto de Almeida Teixeira, pertence ao público 70+. Ele conta que o que sente mais falta no atendimento é, primordialmente, atenção.
“Tenho notado que a pessoa vai a algum local e os atendentes estão distraídos, olhando outras coisas, e não dão atenção para o que você merece e, principalmente, precisa. É você estar sendo atendido com atenção, quer dizer, olho no olho. Isso é fundamental”, afirmou.
Segmentos
Entre os segmentos com maior potencial para o público 60+, Gilvany destaca o de saúde e bem-estar, como academias especializadas. “Treino adaptado, acompanhamento, foco na funcionalidade e não apenas na estética”, aponta.
Outro nicho são os negócios da telemedicina e serviços de monitoramento remoto de saúde. “Os cuidadores também vêm com uma força muito grande porque podem ser microempreendedores individuais (MEI) e ter um CNPJ, o que vai ser muito importante para as famílias que querem o conforto de um contrato, bem como para os próprios cuidadores”, diz.
Outro segmento com amplo potencial para atender a população é o de turismo e lazer – especialmente empresas que oferecem pacotes fora da alta temporada, com roteiro cultural e viagens de experiência. Ela destaca ainda os serviços na área financeira, como planejamento para aposentadoria ativa, além da habitação adaptada.
“Estamos falando de arquitetura e de soluções de acessibilidade de moradias, que fazem uma adaptação em residências para dar um conforto melhor para pessoa idosa”, exemplifica.
Gilvany ressalta ainda, do lado dos consumidores 60+, um movimento crescente no comércio eletrônico. Eles compram mais pela internet, mas é preciso incrementar o engajamento digital desse público, que hoje constitui a parcela da população que mais recebe golpes. Há um crescimento de escolas de computação e de conhecimento eletrônico voltadas para esse segmento.
Mel Mania
O microempreendedor João Lopes procurou o Sebrae-RJ para saber como formatar o seu negócio para atende especificamente o público 60+. Em junho de 2024 criou a Mel Mania, que comercializa a substância. Aos 54 anos, João viu nesse público uma forte oportunidade de negócio.
“O meu público é totalmente 60+. Eu tenho um cliente com 84 anos que compra mensalmente, como se fosse uma assinatura. A família toda consome, mas ele é a porta de entrada”, explica.
Além da venda do mel, para todo o país, a empresa capacita, sem custos, pessoas que contam com espaços ociosos para a produção do produto. João oferece instrumentos, suporte e depois compra a produção dos parceiros. A Mel Mania já inseriu 112 pessoas na apicultura.
“Depois que eu passei pelo Sebrae, descobri que sou empreendedor social, porque o meu negócio gera impacto positivo na sociedade. Quem compra o meu mel sabe que está gerando renda para as pessoas”, diz.
Capacitação
No Rio de Janeiro, o Sebrae desenvolve um projeto para atender justamente a população mais madura que deseja permanecer produtiva. O Sebrae Economia Prateada está em sua terceira edição e a próxima turma terá início em maio. Ao todo, 144 pessoas já foram atendidas pelo projeto.
O perfil dos participantes é majoritariamente feminino e envolve segmentos multissetoriais.
“Há muita gente empreendendo na área de gastronomia, economia criativa, artesanato, moda, beleza e, também, em negócios ligados à consultoria na prestação de serviços”, explica a gestora do projeto e analista do Sebrae RJ, Juliana Lima.
Do lado dos consumidores seniores, Juliana Lima ressaltou a existência de um mercado em forte expansão, uma vez que o envelhecer no Brasil se transformou. “O perfil desse idoso, mudou. Hoje ele não fica mais em casa, como antigamente. São ativos, viajam, namoram, estudam, estão preocupados com a beleza, em viver bem”.
O projeto Sebrae Economia Prateada trabalha em parceria com outras instituições, como o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o governo do estado, para ampliar o público atendido. Os chamados empreendedores sêniores representavam, em outubro do ano passado, 16% do total de donos de negócios no estado do Rio de Janeiro.
“A população está envelhecendo mais ativa, mas o mercado tem uma barreira. Por conta do etarismo no trabalho formal, o sênior precisa do empreendedorismo para gerar algum tipo de renda”.
POr - Agência Brasil
Uma plataforma digital criada pelo Banco do Brasil (BB) está ajudando prefeituras a reduzir o desperdício de alimentos em escolas públicas. Chamada de BB Alimentação Escolar, a solução usa tecnologia para melhorar o planejamento e o controle da merenda oferecida a estudantes da rede pública.

Desenvolvida em parceria com a Lemobs, empresa que integra o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a plataforma reúne informações sobre consumo, aceitação das refeições e desperdício. Com base nesses dados, gestores conseguem ajustar cardápios, quantidades e compras, evitando excessos e melhorando a qualidade da alimentação.
O sistema também traz painéis de acompanhamento e ferramentas que auxiliam na tomada de decisão, tornando a gestão mais eficiente e transparente.
Resultados iniciais
Os primeiros testes foram feitos em 15 municípios. Em Belém, onde a solução começou em cinco escolas, os resultados apareceram em poucos meses:
- 72% menos desperdício de alimentos;
- 7 toneladas de comida preservadas;
- cerca de 25 mil refeições aproveitadas;
- economia de aproximadamente R$ 200 mil;
- redução de 10 toneladas de emissão de carbono;
- 2,4 mil alunos beneficiados;
- 88% de aprovação das refeições.
Impacto nas contas públicas
O planejamento mais preciso evita compras desnecessárias e reduz perdas, gerando economia. Dessa forma, os recursos públicos são utilizados de forma mais eficiente.
A expectativa é que, se adotada em toda a rede de ensino de Belém, a ferramenta possa evitar o desperdício de cerca de 220 toneladas de alimentos por ano e gerar economia superior a R$ 1,2 milhão, beneficiando milhares de estudantes.
Expansão e importância
A solução já está sendo utilizada em outras cidades, como Natal e Valparaíso de Goiás, o que mostra o potencial de expansão para diferentes regiões do país.
Alinhada ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, a iniciativa busca melhorar a qualidade da merenda, reduzir desperdícios e fortalecer a gestão pública, combinando tecnologia, economia e impacto social positivo.
Lemobs
A Lemobs é uma empresa brasileira de tecnologia que desenvolve soluções digitais para ajudar governos, principalmente prefeituras, a melhorar a gestão pública. A empresa faz parte do ecossistema de inovação do Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Criada com foco em desenvolver tecnologias para “cidades inteligentes”, a empresa atua para modernizar administrações locais, desde a coleta de lixo até a alimentação escolar.
Por - Agência Brasil
























