Vídeos que viralizaram nas redes sociais mostram sempre o mesmo roteiro: um vendedor de carros usados risca o papel com uma caneta.
Do outro lado da mesa, o cliente ouve valores de entrada, prestações e prazos do financiamento. A negociação segue com ajustes de taxas, parcelas e descontos, até ser fechada com um aperto de mãos.
Nos comentários dessas publicações, diversos internautas questionam a quantia paga pelos consumidores, que muitas vezes ultrapassa o valor do próprio veículo.
“O carro ele paga os R$ 50 mil, mas esqueceu de avisar que os R$ 35 mil financiados viram mais de R$ 70 mil”, diz um comentário
“Cai quem quer, mas em nenhum momento ele fala que vai ficar 60 vezes de R$ 1.200, o que dá R$ 72 mil”, comenta outro.
O formato dos vídeos chama atenção e, embora não necessariamente envolva irregularidades, especialistas alertam que esse tipo de negociação pode dificultar a compreensão dos clientes sobre o custo total do financiamento.
Nesta reportagem, o g1 explica quais são as obrigações dos vendedores ao apresentar um financiamento, quais são os direitos do consumidor e como calcular o custo real de um empréstimo para evitar um mau negócio na compra de um carro usado.
O g1 também ouviu Daniel Ribeiro, vendedor que aparece nos vídeos que viralizaram, para apresentar sua versão sobre as negociações.
O que diz a lei
“O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre todos os elementos relevantes da contratação, especialmente preço, encargos, juros, custo efetivo total e consequências econômicas do negócio”, explica Jefferson Leão, advogado da Poliszezuk Advogados.
- 🔎 O chamado custo efetivo total (CET) representa o valor real de um financiamento. Ele inclui juros, tarifas, impostos e quaisquer outras despesas da operação. (Entenda mais abaixo)
Segundo Leão, omitir informações durante a negociação verbal e apresentá-las apenas no contrato, de forma a confundir o consumidor, é uma prática vedada pela lei. Assim, é necessário que todos os custos e informações estejam claros, tanto na conversa quanto na documentação.
“Quando o vendedor destaca apenas as parcelas mensais ou vantagens aparentes, sem explicar o custo total do financiamento, há risco de violação do dever de transparência”, explica o advogado.
Especialistas alertam que o vendedor também tem a obrigação de fornecer todas as informações sobre o veículo que está sendo vendido.
“Caso o vendedor omita informações sobre o estado do veículo, as formas de pagamento, não cumpra o que foi ofertado ou descumpra os termos de garantia, isso fere as regras de proteção ao consumidor, que pode exigir o cumprimento da oferta ou o cancelamento da compra”, explica Joana D’Arc Pereira, assessora técnica do Procon-SP.
A assessora também alerta para outra prática comum que fere o direito do consumidor: a venda casada. “É uma prática abusiva, por exemplo, a imposição de um seguro específico da loja”, alerta.
Me senti enganado, posso recorrer?
Sim. Segundo Arystóbulo Freitas, sócio da Arystóbulo Freitas Advogados, o consumidor pode entrar na Justiça para pedir a redução dos juros, dos encargos ou de qualquer acréscimo do contrato. Também é possível solicitar a ampliação do prazo de pagamento previsto no contrato original.
“Em casos de abuso na venda do veículo — inclusive quando o financiamento apresenta valores diferentes dos acordados —, o consumidor pode pedir a revisão do contrato para adequá-lo à proposta apresentada pelo vendedor”, explica.
O advogado alerta que o comprador deve guardar toda e qualquer anotação feita pelo vendedor durante a negociação — inclusive solicitando que o profissional entregue essas anotações. “O comprador também deve ler com atenção todas as condições da venda e do financiamento”, diz.
A rescisão do contrato, com a restituição integral dos valores pagos, e a possibilidade de indenização por perdas e danos também podem ser reivindicadas, a depender do caso.
“Não se pode descartar, ainda, a ocorrência de dano moral, sobretudo quando a prática envolve engano relevante ou comprometimento financeiro significativo do consumidor”, diz Leão, da Poliszezuk Advogados.
De acordo com o especialista, o direito do consumidor “não exige prova de intenção dolosa” — ou seja, o cliente não precisa comprovar que o vendedor agiu de propósito para enganá-lo: se a forma como o negócio for apresentado puder confundir o consumidor, já pode ser considerada irregular.
Segundo Leão, embora o direito brasileiro não proíba a persuasão comercial — estratégias usadas pelos vendedores para convencer o consumidor a comprar um produto ou serviço —, a lei exige que ela seja exercida com transparência, lealdade e boa-fé.
“Sempre que esses limites são ultrapassados, especialmente em operações financeiramente complexas, pode haver responsabilização civil, revisão do contrato e indenização ao consumidor”, alerta Leão.
Cuidados na hora de financiar
Os especialistas consultados pelo g1 também alertam para os cuidados necessários para evitar financiamentos que possam comprometer o orçamento.
Segundo Wanessa Guimarães, planejadora financeira CFP pela Planejar, a regra tradicional do mercado financeiro é comprometer, no máximo, 30% da renda líquida mensal com todas as dívidas. Isso significa considerar não apenas as prestações do financiamento do veículo, mas também outros parcelamentos, como cartão de crédito e empréstimos.
“Para o financiamento do carro, isoladamente, o recomendável é não ultrapassar 15% da renda, já que o veículo traz custos adicionais inevitáveis, como seguro, IPVA, manutenção e combustível, que juntos podem representar outros 10% a 15% da renda”, explica.
Veja algumas simulações:
A planejadora também alerta que, embora uma entrada maior reduza o valor financiado e possa diminuir o total de juros pagos, gastar todas as economias ainda representa um risco.
“Quem zera o colchão financeiro para dar uma entrada grande fica vulnerável. Qualquer imprevisto — como uma doença ou uma demissão — pode levar ao atraso das parcelas, gerando multa, juros de mora e até nome negativado”, alerta.
Veja abaixo como o tamanho do pagamento inicial pode influenciar o financiamento. As simulações foram feitas por Guimarães e consideram dois diferentes valores de entrada para o financiamento de um carro de R$ 50 mil.
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infográfico com simulações de financiamento de veículo — Foto: Arte / g1
Nesse cenário, o consumidor que consegue pagar R$ 25 mil (50%) de entrada, pode pagar R$ 11,3 mil a menos em juros e ter uma parcela 44% menos do que quem paga um valor inicial de R$ 5 mil (10%).
Ou seja, o mesmo carro pode ter um custo total de R$ 75,4 mil ou de R$ 64,1 mil, a depender do valor pago na entrada.
De olho nas parcelas — e nos juros também
Outro ponto de atenção, alerta Guimarães, é o chamado Custo Efetivo Total (CET). Ele representa o valor real de um financiamento e é composto por:
- Taxa efetiva mensal de juros
- Taxa dos juros por atrasos
- Total de encargos previstos para o atraso no pagamento
- Montante das prestações
Segundo Guimarães, uma diferença de apenas 0,6 ponto percentual na taxa de juros mensal pode representar mais de R$ 7,6 mil de impacto no bolso do consumidor.
"Por isso, a pergunta certa ao banco não é ‘qual é a taxa?’, mas sim ‘qual é o CET?’”, aconselha.
O documento também precisa trazer o prazo de validade da oferta — que deve ser, no mínimo, de dois dias —, e os dados do fornecedor, incluindo o nome, endereço físico e endereço eletrônico.
- ⚠️ Vale lembrar que o CET deve ser apresentado em toda operação de crédito, e não apenas no financiamento de veículos.
Além disso, alerta a planejadora financeira CFP da Planejar Paula Bazzo, também é preciso atenção ao prazo de financiamento — que também influencia diretamente no montante de juros pago em um financiamento.
Na prática, quanto maior é o prazo e o número de parcelas, maior tende a ser o valor pago em juros.
“O prazo do financiamento costuma ser subestimado. Apesar de um período mais longo resultar em parcelas menores, a vantagem não é tão significativa”, diz Bazzo.
Abaixo, veja simulações feitas por Guimarães e Bazzo, respectivamente, que mostram a diferença do valor pago ao ser considerada a taxa anunciada pelo vendedor e o CET e como a quantidade de parcelas pode impactar o montante pago em juros.
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infográfico com simulações de financiamento de veículo — Foto: Arte / g1
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infográfico com simulações de financiamento de veículo — Foto: Arte / g1
O que diz o vendedor
O g1 entrou em contato com o vendedor Daniel Ribeiro, que aparece com clientes nos vídeos que viralizaram, para apresentar sua versão sobre as negociações. O empresário tem uma loja em Curitiba e costuma produzir vídeos para as redes sociais.
Questionado se informa o custo efetivo total (CET) aos compradores — um dos pontos levantados por internautas nos comentários de seus vídeos —, Ribeiro afirma que seus clientes recebem o documento do banco.
"Eu não vendo dinheiro, eu vendo o carro. O banco imprime a CET, que lá tem todos os encargos: IOF, taxa, seguro prestamista, inclusão de gravame [registro de que o veículo foi dado como garantia em caso de não pagamento], alienação fiduciária [que garante que o banco é proprietário do carro até que a dívida seja quitada], mais a taxa aplicada, a quantidade de vezes. E o cliente assina essa CET de forma digital", diz.
Ribeiro destaca ainda que o contrato é enviado junto ao carnê, de forma que os clientes podem "esmiuçar toda e qualquer dúvida" no documento.
"Eu também costumo deixar claro qual é a taxa de juros que meu cliente está pagando, qual é a quantidade de vezes, e eu faço sempre a conta do valor final em todas as minhas negociações", acrescenta o vendedor.
Questionado sobre as informações do CET não aparecerem nos vídeos, Ribeiro afirma que cada negociação é única.
"Eu vendo uma média de 150 carros no mês. Tem cliente que tem essa dor, que quer saber esse questionamento; tem cliente que só quer saber se foi aprovado o financiamento; tem cliente que só quer saber se a parcela cabe no orçamento dele", diz.
O vendedor reforça ainda que seu trabalho é “facilitar a jornada de compra” dos clientes e trazer clareza para a transação.
"Ele [o cliente] tem que saber o valor que está financiando, o valor da taxa de juros, o valor da parcela, a quantidade de vezes. E isso é esmiuçado na negociação. Eu viro a tela do computador para todos os meus clientes. Esse é o meu formato de negociação há mais de cinco anos", acrescenta.
Por fim, ao ser questionado se acredita que os consumidores concluem a negociação com pleno entendimento do CET e cientes de que os custos vão além das taxas bancárias, Ribeiro afirma que a compreensão final cabe ao consumidor.
"Eu sou responsável por fazer a minha parte. A minha parte é esmiuçar isso, é trazer clareza para o cliente. Agora, se o cliente compreende, cabe a ele. Eu não sou professor deles, eu sou empresário, e cabe a mim trazer clareza e eu faço isso com toda certeza", conclui.
Vai comprar um carro usado? Veja o checklist
Além do valor pago no veículo, o consumidor também deve ter atenção a diversos outros fatores na hora de comprar um carro seminovo. Existem cuidados importantes que ajudam a reduzir as chances de levar um problema para casa.
Veja, abaixo 15 orientações essenciais para quem está pensando em fechar negócio:
- Solicite o laudo cautelar: ao comprar o carro em lojas, peça um laudo cautelar. Esse documento serve para verificar a origem do veículo e identificar se há multas ou pendências que impeçam a venda.
- Avalie o estado dos pneus e do interior: observe se o desgaste dos pneus, bancos e volante é compatível com a quilometragem informada. Sinais de desgaste excessivo podem indicar adulteração.
- Confira a originalidade dos componentes: verifique se as numerações dos vidros, faróis, lanternas e demais peças são compatíveis entre si. Diferenças podem indicar substituições, que devem ser esclarecidas com o vendedor.
- Veja o funcionamento do ar-condicionado e de todos os vidros elétricos.
- Faça um teste de condução: sempre que possível, peça para dirigir o carro e avalie se o funcionamento está adequado.
- Peça o histórico de revisões: solicite informações sobre a última revisão, o que foi trocado e onde o serviço foi realizado, além do histórico completo de manutenções.
- Verifique a bateria: confira se a bateria é nova. Caso seja, pergunte o motivo da troca, pois pode haver algum problema elétrico sendo mascarado.
- Observe a carroceria: analise as bordas em busca de ferrugem ou sinais de pintura mascarando imperfeições.
- Avalie a pintura à luz do dia: observe o carro na luz do sol para identificar diferenças de tonalidade ou partes foscas, o que pode indicar repintura.
- Cheque os itens obrigatórios: verifique a presença de estepe, macaco e chave de roda. Se estiverem novos, questione o vendedor sobre o motivo.
- Inspecione os cintos de segurança: observe a integridade dos cintos, já que em alguns casos eles precisam ser substituídos após colisões.
- Leve a um mecânico de confiança: se possível, peça para um mecânico avaliar o carro ou leve o veículo até um profissional antes de fechar o negócio.
- Atenção à garantia legal: ao comprar em uma loja de seminovos, há garantia para vícios ou defeitos ocultos que apareçam no prazo de três meses.
- Confira o óleo do motor: Ele precisa estar límpido e dentro do nível especificado pelo fabricante
- Verifique borrachas de portas e vedações: Umidade que invade a cabine pode danificar estofamento.
Por G1
O som agudo da maquininha, o cheiro característico do consultório e a expectativa da anestesia são gatilhos para muita gente que tem medo de ir ao dentista.
Só a ideia de se sentar na cadeira e abrir a boca faz muitas pessoas ficarem apavoradas. Para alguns, esse medo tem origem em experiências passadas, nas quais o profissional não foi muito didático ou acolhedor; outros desenvolvem receio a partir de relatos negativos de pessoas próximas. A boa notícia é que casos como esses tendem a diminuir.
A mudança começa já na infância: nos primeiros contatos com o dentista, muitas crianças encontram hoje ambientes mais acolhedores, pensados justamente para evitar a chamada “odontofobia”. “Nesses casos, elaboramos uma abordagem adaptada a essa faixa etária. Usamos técnicas como explicar e demonstrar exatamente o que será feito, usando linguagem lúdica com atitude acolhedora, criando uma vivência positiva”, relata a cirurgiã-dentista Mariana Henriques Ferreira, professora dos cursos de pós-graduação em Odontologia Hospitalar e em Pacientes com Necessidades Especiais, da Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein (FICSAE).
Entre os adultos, é mais comum que o especialista se concentre em ouvir suas queixas e explique como será o procedimento. “Além disso, hoje temos recursos e equipamentos muito mais modernos e menos invasivos, como o uso da laserterapia de baixa potência antes da anestesia injetável, o que faz com que o tratamento seja muito menos desconfortável”, afirma a cirurgiã-dentista Letícia Mello Bezinelli, coordenadora da graduação em Odontologia da FICSAE.
Em algumas situações, os lasers dentários podem substituir a broca e a anestesia. Eles utilizam energia de luz focada para tratar tecidos moles, como a gengiva, e duros, como os dentes, sem contato físico, vibração ou ruído. Outro avanço é a microabrasão, que permite preservar a parte saudável do dente, em vez de raspar toda a estrutura para tratar uma cárie, por exemplo. Também são destaques recentes as cerâmicas e resinas de alta resistência e a impressão 3D, que possibilita personalização de implantes e próteses.
Acesso ainda é desigual
Um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e a Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos (ABIMO), divulgado em 2025 durante o Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo, revela que o acesso a tratamentos odontológicos no Brasil é desigual.
De acordo com a pesquisa, 68% dos brasileiros visitaram um cirurgião-dentista no último ano, mas apenas 23% fizeram esse atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os entrevistados com ensino superior, 75% haviam se consultado com um dentista; entre os que têm o ensino básico, esse índice foi de 54%.
Mas ir ao dentista não é capricho. Quanto mais o paciente mantém consultas regulares, em vez de procurar o consultório apenas diante de dor ou incômodo, menor é a probabilidade de precisar de intervenções mais invasivas. Em geral, recomenda-se uma visita ao ano para quem não tem sintomas. A depender da condição de saúde tanto geral quanto bucal, podem ser recomendadas duas consultas anuais.
Como lidar com o medo
Além de escolher um profissional em quem você confie, antes e durante a consulta, vale investir em técnicas de relaxamento, como respiração profunda, e apostar em estratégias de distração, com músicas e conversas leves. Levar um acompanhante que transmita segurança também pode ser uma alternativa.
Nos casos mais intensos de medo, a ajuda psicológica pode ser indicada. Para pacientes com ansiedade intensa ou fobia, opções de sedação consciente, podem ser consideradas após avaliação clínica. “O uso de sedativos pré-consulta também pode ser útil em casos selecionados, sempre sob supervisão profissional. Em situações determinadas, podemos realizar procedimentos odontológicos em âmbito hospitalar, com anestesia geral”, acrescenta Bezinelli.
Por - Revista Galileu
O rosto é igual. A voz, também. Mas a informação é suspeita. As ferramentas de inteligência artificial (IA) elevaram a necessidade de desconfiança dos conteúdos que cada um de nós recebe de diferentes formas, como em nenhum outro momento da história. Quem diz isso são os próprios profissionais que fazem checagem de informação. Eles recomendam desconfiança. 

Um retrato disso está em um levantamento, divulgado nesta semana, feito a partir de 1.294 checagens profissionais em pelo menos dez idiomas, produzido pela Agência Lupa (veículo especializado nesse tipo de atividade). O mapeamento tem o título "O impacto da IA no Fact-checking Global".
O resultado desse painel é que 81,2% dos casos de desinformação com tecnologias de inteligência artificial surgiram apenas nos últimos dois anos (entre janeiro de 2024 e março de 2026). Eleições, guerras e golpes foram os assuntos mais recorrentes.
Segundo a gerente de inovação e formação da Agência Lupa, Cristina Tardáguila, a IA está redefinindo o campo da desinformação em escala global.
“A imensa maioria das peças que são analisadas pelos checadores acaba levando a etiqueta de falso ou de enganoso. A IA dificilmente tem sido feita para impulsionar conteúdos verdadeiros”, disse em entrevista à Agência Brasil.
Além de vídeos
Outra observação da pesquisadora, fundadora da Lupa, é que a desinformação chega ao público em diferentes formatos (além de vídeos, áudios curtos, fotos e textos). Uma preocupação é sobre o uso dessas tecnologias nos períodos eleitorais no mundo todo. Para ela, são utilizações que ameaçam democracias.
“Este é um ano eleitoral importante no Brasil e em outros parceiros da região”. Ela cita os processos nos Estados Unidos, no Peru, na Costa Rica e na Colômbia. Esse cenário vai impactar a vida dos checadores desses países e também dos eleitores.
“Eles vão receber uma enxurrada de conteúdos com IA e com grande chance de essas peças serem, na verdade, grandes falsidades”, acrescenta.
Segundo ela, isso significa que o uso de IA para manipular conteúdos deixou de ser pontual e passou a integrar de forma permanente o ambiente da desinformação digital. O volume de checagens que flagraram esse tipo de mentira cresceu de 160 casos (em 2023) para 578 (em 2025). Até março deste ano, já havia 205 verificações.
Mentiras em diferentes línguas
O estudo não tem recorte geográfico, mas linguístico. Em inglês, foram flagrados 427 casos de desinformação por IA e deepfakes (substituição de rosto e voz, por exemplo). Em espanhol, foram 198, e em português, 111.
A pesquisadora defende que o mais importante neste momento é a propagação de educação midiática. Ela afirma que os projetos de checagem mundo afora apoiam legislações que busquem promover, incentivar e estimular a sociedade a compreender o que pode ser falso nas postagens. A educação midiática faria um papel semelhante ao de uma vacina.
“A gente precisa que a vacina contra a desinformação, que é, na verdade, a informação de qualidade, chegue antes para que as pessoas possam estar preparadas e resilientes quando elas virem a mentira em formato de IA”, ressalta Cristina Tardáguila.
Educação midiática como solução
Para isso, ela vê a necessidade de uma política pública que contemple intervenção de educação midiática e literacia - habilidade de ler, escrever, interpretar e utilizar a linguagem de forma eficiente. Esse seria um papel a ser implementado nas escolas com urgência.
Além do papel do poder público, as empresas de comunicação tradicionais podem colaborar também, além das agências de checagem. “O importante é ressaltar que a checagem precisa seguir critérios fixos de transparência e rigor”. O estudo levou em conta as checagens publicadas e indexadas pelo Google no Fact Check Explorer (ferramenta de busca gratuita para verificação de informações desmentidas).
“Não tenho a menor dúvida de que 2026 é um ano em que veremos cada vez mais IA. É bom que o brasileiro saiba disso, se prepare, esteja ativo e capaz de identificar a desinformação”, considerou.
A pesquisadora entende que qualquer cidadão pode fazer uma checagem quando tiver dúvida da legitimidade da informação que receber. A própria Agência Lupa criou um curso gratuito para iniciantes.
Por o Agência Brasil
A próxima edição do mais tradicional evento de apostas e iGaming da América Latina ocorrerá entre os dias 6 e 9 de abril de 2026, no Transamerica Expo Center, em São Paulo (SP). Dessa maneira, o BiS SiGMA South America 2026 deve atrair mais de 18500 mil participantes.
Antes da abertura oficial, Flávio Figueiredo foi anunciado como novo Managing Director da SiGMA Latam. Com formação em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte pelo Centro Universitário FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), Figueiredo é um dos pioneiros do iGaming no Brasil.
Vale salientar que ele é CEO do Grupo iGaming Brazil e um dos responsáveis pela consolidação do Brazilian iGaming Summit (BiS), que se transformou no mais relevante de iGaming da América Latina, em parceria com o SiGMA Group.
Números da edição de 2025
Promovida logo depois da entrada em vigor da regulamentação das apostas online no Brasil, a feira alcançou números expressivos em um espaço de 35 mil metros quadrados, distribuída em cinco halls do Transamerica Expo Center, com exposição de marcas e dois auditórios para as conferências.
Aproximadamente 300 players estiveram no BiS SiGMA South America. A marca também foi expandida no ano passado com a primeira edição do BiS Brasília nos dias 21 e 22 de outubro.
O evento no Distrito Federal reuniu parlamentares, reguladores e figuras proeminentes tanto do ecossistema de iGaming quanto da política brasileira. Devido ao sucesso, o BiS Brasília será realizado novamente, e já existe a organização para uma feira totalmente focada no mercado mexicano.
Sobre o SiGMA Group
SiGMA é a marca líder global em eventos do setor de jogos, iGaming, cassinos e casas de apostas. A SiGMA pode ser definida como uma plataforma de negócios e diálogo para os meios de tecnologia e jogos.
Após a fusão com o BiS em 2023, o BiS SiGMA South America continua detentor do título de principal encontro para o Brasil e para toda a América Latina, concedendo material especializado que promove o crescimento da região.
A crise de sobrepeso e obesidade no país aumenta o risco de doenças não transmissíveis como diabetes tipo 2 e hipertensão. Ainda assim, a maioria das pessoas tem dificuldade em atingir os 150 a 300 minutos semanais de atividade física aeróbica de intensidade moderada recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Uma parte significativa do desafio é que as pessoas adotaram uma abordagem de “tudo ou nada” em relação à atividade física. A percepção é de que é necessário participar de treinos estruturados, como sessões de academia, corrida ou ciclismo.
Em vez disso, pesquisas mostram que mesmo movimentos breves e de baixa intensidade podem trazer benefícios mensuráveis para a saúde física e mental. Até tarefas do dia a dia contam. Novas evidências mostram que períodos curtos de movimento, com menos de cinco minutos, podem ter implicações positivas para a saúde.
Por exemplo, como pesquisadores em ciência do exercício e medicina esportiva, nosso estudo com 62 trabalhadores de escritório da Universidade do Witwatersrand, na África do Sul, mostrou o impacto de curto prazo na saúde de mesas ajustáveis em altura, que permitem alternar entre sentar e ficar em pé.
Nossa intervenção reduziu o tempo prolongado sentado e melhorou levemente indicadores como índice de massa corporal (IMC) e pressão arterial. Dada a alta carga de obesidade no país e os estilos de vida sedentários entre trabalhadores de escritório, essas melhorias são encorajadoras e reforçam a mensagem global de saúde de que mesmo aumentos modestos no movimento diário podem influenciar positivamente a saúde.
Esses achados foram o ponto de partida para uma campanha por mais movimento na universidade. Queremos incentivar funcionários e estudantes a se exercitarem mais, mostrando como ações simples se somam como atividade física. A campanha é apoiada por uma série de quadrinhos e murais nos campi.
Abaixo, destacamos algumas das ações que usamos em nossa campanha para incentivar todos a se movimentarem. São tarefas diárias que podem parecer banais, mas contam como atividade física, ao mesmo tempo em que refletem a realidade das pessoas.
Trabalho doméstico
Muitas pessoas não consideram o trabalho doméstico uma forma de atividade física. Mas tarefas como varrer, passar pano ou aspirar exigem movimento contínuo e envolvem vários grupos musculares.
Esfregar o chão, lavar janelas e limpar banheiros envolvem movimentos como agachar e alongar. Trabalhar no jardim também pode fortalecer os músculos.
Como parte da nossa campanha, desenvolvemos tiras em quadrinhos que destacam movimentos que podem ser feitos em casa e na comunidade. Enfatizamos como todos os membros da família podem se movimentar de formas que se ajustem aos seus estilos de vida e capacidades físicas.
Deslocamento ativo
Caminhar ou pedalar para o trabalho ou para a escola contribui significativamente para a atividade física diária. Estudos mostram que o deslocamento ativo está associado a menor gordura corporal, redução da pressão arterial e melhora do bem-estar mental.
Incorporar movimento nas rotinas diárias de deslocamento é uma maneira prática de acumular atividade física sem precisar reservar tempo específico para isso. Caminhar em ritmo acelerado até uma estação de trem, pedalar alguns quilômetros até o trabalho ou fazer um trajeto mais longo a pé para levar crianças à escola se acumulam ao longo do tempo.
Até mudanças aparentemente pequenas, como descer do ônibus um ponto antes ou usar escadas em vez de elevador, produzem benefícios mensuráveis para a saúde ao longo de semanas e meses.
No entanto, alcançar todos os benefícios do deslocamento ativo é complexo e depende da construção e manutenção de infraestrutura viária nas cidades. Na África do Sul, a segurança é uma preocupação legítima para todos os usuários das vias. Outra preocupação de segurança está relacionada às altas taxas de criminalidade do país. As pessoas podem relutar em caminhar, mesmo em seus próprios bairros.
Esses desafios não são intransponíveis. Para começar, as pessoas podem considerar se deslocar em grupo, aderindo a clubes de caminhada e corrida.
Além do que os indivíduos podem fazer, os municípios podem atuar em relação aos espaços verdes. Isso inclui garantir que os parques sejam seguros para caminhar e estejam limpos. Calçadas quebradas e ciclovias precisam ser mantidas em todos os bairros.
Movimentos incidentais
Movimentos incidentais referem-se a pequenos períodos de atividade que ocorrem ao longo do dia. Integrar esses movimentos ao cotidiano pode trazer benefícios significativos à saúde, especialmente em ambientes de escritório, onde muitas pessoas permanecem sentadas por longos períodos.
Empregadores podem incentivar funcionários, por exemplo, a usar escadas em vez de elevadores, com cartazes simples ou pegadas pintadas. Outra forma de estimular a atividade física é centralizar equipamentos compartilhados (impressoras, lixeiras, bebedouros) para que os funcionários caminhem pequenas distâncias.
Micro-pausas também oferecem oportunidades para movimentos informais. Alongar-se durante reuniões ou após longos períodos sentado, realizar discussões em pé em vez de sentado e fazer reuniões caminhando em pequenos grupos contribuem para a atividade física dos trabalhadores.
Em 2024, investigamos o impacto de curto prazo de intervenções de atividade física, como treinamento intervalado de alta intensidade e treinamento contínuo de intensidade moderada, em 43 trabalhadores da Universidade do Witwatersrand. O número de participantes neste estudo foi pequeno, mas os resultados mostram que nossa intervenção reduziu indicadores como circunferência da cintura, índice de massa corporal, glicose sanguínea e pressão arterial, além de melhorar a aptidão física.
Caminho a seguir
As pessoas não precisam de matrícula em academia ou de um cronograma rígido de exercícios para se movimentar. Atividades simples do dia a dia se somam como atividade física significativa. Pequenos movimentos ajudam a reduzir os riscos de doenças crônicas, fortalecer músculos, melhorar o bem-estar mental e neutralizar os efeitos nocivos de longos períodos sentado.
Esses “lanches de movimento” tornam o exercício acessível, viável e sustentável, especialmente para pessoas que consideram treinos estruturados intimidadoras ou que demandam muito tempo.
Por - O Globo
Está muito quente, você andou o dia todo e decide: um sorvete é a melhor solução para aliviar o calor. Mas comer sem ter como lavar as mãos nem sempre é uma boa ideia. E aquele álcool em gel que você leva por precaução na bolsa parece outra ótima escolha para higienizar as mãos antes de se lambuzar no sorvete.
Muitas vezes sem ter como usar água para lavar as mãos na correria da rua, lenços, sprays e outros produtos "mata-germes" surgem como soluções ideais para evitar qualquer contaminação.
Mas, ainda que esses produtos possam ser muito úteis em uma emergência, seu uso constante pode levar a um problema sério: a resistência antimicrobiana.
Um novo artigo publicado na revista científica "Environmental Science & Technology" alerta que esses itens utilizados no cotidiano estão contribuindo silenciosamente para o aumento global da resistência das bactérias.
"Estratégias globais contra a RAM têm focado em hospitais e fazendas, deixando de lado produtos de uso cotidiano nas casas que também podem contribuir para a resistência", afirma a autora sênior do estudo e professora da Universidade de Toronto, Miriam Diamond.
Ela detalha que, diariamente, resíduos de sabonetes antigermes, desinfetantes e lenços umedecidos são descartados incorretamente e acabam nos sistemas de esgoto.
Isso cria condições ideais para que bactérias se adaptem e se tornem mais difíceis de serem eliminadas, o que agrava um problema de nível de saúde global.
➡️Entre 1990 e 2021, infecções resistentes a medicamentos causaram mais de 1 milhão de mortes por ano – número que pode chegar a 2 milhões anuais até 2050.
Benefícios limitados e impactos para o ambiente
O trabalho destaca que, ainda que esses produtos sejam vendidos frequentemente como boas opções para reforçar a proteção contra germes, é preciso chamar a atenção para a falta de benefício comprovado para a saúde pública em muitos casos.
Por outro lado, o que vem se confirmando a cada novo estudo são os impactos das substâncias que compõem esses artigos no meio ambiente.
O cloreto de benzalcônio, uma dessas substâncias, por exemplo, pode levar a:
- Alteração da estrutura de comunidades microbianas
- Favorecimento de espécies resistentes
- Resistência cruzada a importantes antibióticos
De acordo com os pesquisadores, atualmente, ele já é detectado em esgoto, águas superficiais, solos, sedimentos e alimentos em todo o mundo.
Eles ainda alertam que as evidências mostram que muitos dos chamados biocidas persistem no ambiente, promovem a resistência antimicrobiana e facilitam a disseminação de genes de resistência.
Necessidade de ações globais
Diante do cenário identificado pelo grupo, eles recomendam uma série de ações para tentar reduzir os riscos dessas substâncias à saúde.
Entre as medidas, estão:
- Reconhecimento global: incluir biocidas de produtos de consumo nos planos globais contra a RAM, com metas claras de redução e monitoramento ambiental.
- Políticas nacionais: restringir o uso desses ingredientes quando não houver evidência de eficácia.
- Transformação da indústria: incentivar formulações mais seguras e sustentáveis, evitando biocidas desnecessários.
- Ações individuais: quando necessário desinfetar, optar por alternativas como álcool ou peróxido de hidrogênio, que têm menor potencial de promover resistência e são igualmente eficazes.
Rebecca Fuoco, autora principal e doutoranda na Universidade Johns Hopkins, afirma que o uso excessivo de biocidas nesses produtos é uma oportunidade fácil de agir no combate à resistência antimicrobiana.
"Ao eliminar aditivos antibacterianos desnecessários, podemos reduzir a poluição química, proteger a saúde pública e ajudar a desacelerar a disseminação de superbactérias", destaca.
Por - G1






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