Para tentar regular o mercado, a partir de julho a feijoada brasileira passará a ser feita com feijão preto importado da Argentina. Em agosto, chega a segunda leva de feijão preto, desta vez da China. As informações são do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe).
Por conta deste aumento, em alguns supermercados de Curitiba o produto chegou a ser ofertado por R$ 11,65 o quilo do carioca — preço do dia 15 de junho, segundo o Disque Economia, Serviço da Secretaria de Abastecimento da Prefeitura de Curitiba. Em outras capitais como Brasília e Recife, o quilo é vendido a R$ 15 e em São Paulo, entre R$ 12 e R$ 14, segundo dos dados dos Instituto Brasileiro do Feijão.
Esses aumentos se devem a menor oferta de produto no mercado, resultado da quebra de safra causada pelo fenômeno climático El Niño e migração de consumo. Com a alta do carioca, o consumo foi direcionado para o preto. “Tivemos quebra nas três últimas safras de feijão, ora por causa do excesso de chuvas no momento da colheita, o que prejudicou a qualidade do grão, ora por falta de água e calor, ora pelo frio na época errada”, explica o Carlos Alberto Salvador, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab).
Por conta deste cenário, só no Paraná, deixaram de ser colhidas 131 mil toneladas de feijão, safra 2015/16. O Estado responde por mais de um quarto da produção nacional de feijão e esperava colher 769 mi toneladas. Na época do plantio, em fevereiro, a chuva castigou as lavouras. Depois, em abril, foram 30 dias de estiagem e agora, entre maio e junho, o frio. As geadas das últimas semanas sapecaram as plantas da terceira safra de feijão, ainda no campo. A consequência é a quebra na produção que pode chegar a 20%.
Além de Paraná, houve quebra na safra também nos demais estados produtores. “Em Minas, segundo maior estado produtor, também houve problemas com a safra”, diz o presidente do Ibrafe, Marcelo Eduardo Lüders. Ele ressalta que o mesmo cenário se repetiu em Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, que juntos com Paraná e Minas formam, por ordem decrescente, os cinco maiores produtores de feijão do Brasil. (Com Bem Paraná)