Inacreditável. Frustrante. Sabor amargo. Essas foram algumas das palavras usadas por organizações ambientais, representantes da sociedade civil e outros especialistas para avaliar os resultados da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que terminou nesta sexta-feira (28) em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.

A principal decepção foi o novo adiamento do acordo global para enfrentar as secas e os impactos que isso trará sobre as comunidades.
O especialista do Instituto Escolhas, Rafael Giovanelli, disse que os governos falharam ao jogar para a COP18, no Egito, novas discussões sobre o problema.
"Isso deixa um sabor amargo, porque a COP termina sem decisões substanciais para lidar com as secas", disse.
O representante da organização Wetlands Internacional, Richard Lee, disse que a falta de consenso acontece justamente quando o número de desastres pelo mundo não para de crescer.
"É inacreditável. Neste ano, a Europa sofre com uma seca histórica e os níveis de água caíram a patamares recordes no Rio Colorado, nos Estados Unidos. O chamado Super El Niño traz riscos de secas devastadoras do Sul da África até a Amazônia", avalia Richard.
"Nós acreditávamos que esse cenário forçaria os governos de todo o mundo a agir. Estávamos errados. Adiar a decisão sobre as secas em mais dois anos custará mais do que tempo: comunidades e economias em todo o mundo vão pagar o preço", complementa.
A especialista em políticas de água da WWF Global, Christine Colvin, aposta na ação conjunta de alguns governos, sociedade civil e instituições financeiras para que o combate às secas tenha algum progresso. Porém, destaca que iniciativas isoladas não são o suficiente.
"É profundamente frustrante que a ambição sobre a seca tenha se esvaziado na COP17. Não foi entregue um resultado significativo e não temos uma base forte para que possamos construir ações", avalia Christine.
Acordo global sobre secas
A proposta de criar um mecanismo multilateral para enfrentar de forma coordenada as secas é defendida por africanos há, pelo menos, três conferências. Historicamente, o continente é um dos mais afetados pelo problema.
Isso demandaria ajuda financeira para os países mais vulneráveis serem capazes de se antecipar e se recuperar dos eventos extremos. Eles entendem que instrumentos internacionais, como o Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês), são estruturados sob o tema de degradação das terras, algo mais amplo do que a seca.
Os países mais ricos, porém, não querem se comprometer com um acordo obrigatório e defendem adesão voluntária. A União Europeia não quer se comprometer com gastos externos, principalmente quando precisa enfrentar crises recentes de seca no próprio território.
Iniciativas paralelas
Iniciativas paralelas lançadas durante a COP17 tentam lidar com o problema das secas. É o caso do Mecanismo de Investimento para Resiliência à Seca (DRIF), a primeira plataforma global de financiamento dedicada exclusivamente ao tema.
Criada pela UNCCD e por Luxemburgo, com apoio da Aliança Internacional para a Resiliência à Seca (IDRA), a iniciativa pretende mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados.
Os investimentos deverão ser direcionados para segurança hídrica, agricultura sustentável, soluções baseadas na natureza e recuperação de terras.
Outra novidade foi a segunda fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca (IDRO), que apresentou o primeiro Índice de Resiliência à Seca (DRI). A ferramenta pretende ajudar os países a avaliar sua capacidade de antecipar, se preparar e se adaptar aos períodos de escassez de água.
Por - Agência Brasil
Equipes de resgate no Nepal e na China correram no domingo para localizar milhares de pessoas desaparecidas depois que o colapso de uma geleira provocou um deslizamento de terra catastrófico no Himalaia, enquanto enfrentavam condições climáticas adversas e o aumento do nível das águas.

As autoridades informaram que o número de mortos subiu para quase 800 neste domingo, com mais de 3.000 pessoas desaparecidas em ambos os lados da fronteira entre o Nepal e a China, depois que uma torrente de gelo, rochas, lama e detritos varreu vales montanhosos e rios na quarta-feira, causando devastação generalizada.
A Cruz Vermelha estimou que mais de 90 mil pessoas devem ter sido afetadas pelo desastre, que a China atribuiu aos efeitos das mudanças climáticas.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse a seu homólogo nepalês durante uma ligação telefônica no sábado que o deslizamento de terra foi o “desastre transfronteiriço mais grave” dos últimos anos e que as operações de resgate atingiram um nível sem precedentes de dificuldade e complexidade, informou a emissora estatal CCTV.
A autoridade de desastres do Nepal informou que 781 pessoas morreram e 2.502 estão desaparecidas. Do lado chinês, as autoridades informaram que 16 pessoas morreram no condado de Gyirong e 546 estão desaparecidas.
Pequim informou que 261 estrangeiros de 23 países estavam desaparecidos no Tibete, próximo a um importante ponto de passagem de fronteira com o Nepal.
A magnitude do desastre complicou os esforços de resgate no acidentado terreno do Himalaia.
A polícia local no Nepal informou à Reuters que moradores e equipes de resgate se deslocaram para terrenos mais elevados depois que o nível do rio Trishuli subiu nas últimas horas, devido a novas chuvas, aumentando o temor de novas inundações.
As operações de resgate foram suspensas várias vezes desde sexta-feira devido ao mau tempo e à preocupação de que um lago formado na fronteira entre o Nepal e a China pelo desastre pudesse provocar novas inundações depois que começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, no Nepal.
A CCTV informou que o lago que ameaçava as áreas a jusante havia sido amplamente drenado até a noite de sábado. No entanto, drones detectaram, no final da tarde de sábado, um deslizamento de terra a 2,8 quilômetros a jusante do lago, formando uma nova barragem e um novo espelho d’água.
No Nepal, os esforços de resgate têm se concentrado cada vez mais em cinco projetos hidrelétricos inundados pelas enchentes, incluindo o complexo Upper Trishuli, onde as autoridades informaram na sexta-feira ter recebido informações de que cerca de 350 pessoas poderiam estar presas dentro de um túnel. Cerca de 10.000 soldados nepaleses foram mobilizados, juntamente com equipes especializadas da China e da Índia.
As Forças Armadas do Nepal transportaram por via aérea máquinas pesadas para o local remoto neste domingo, e as equipes de resgate chegaram à entrada de um túnel, começando a remover os escombros que bloqueavam o acesso. As autoridades afirmaram que equipes munidas de suprimentos de oxigênio e câmeras entrariam assim que o acesso fosse considerado seguro.
“É muito difícil porque há muitos escombros e não podemos usar explosivos para abrir caminho”, disse Dharam Raj Uprety, chefe da autoridade nacional de gestão de desastres do Nepal.
Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Nepal, disse que o país precisa de assistência internacional em áreas especializadas, incluindo operações de resgate em túneis, testes de DNA, armazenamento refrigerado de corpos e identificação forense de restos mortais em decomposição.
Por Agência Brasil
Carol Nakamura chamou atenção nas redes sociais ao mostrar que realizou um procedimento com laser de CO2 voltado para a região íntima.
Em um vídeo, a atriz falou sobre o tratamento e aproveitou para abordar um assunto que ainda costuma ser cercado de constrangimento: queixas relacionadas à saúde íntima feminina. A publicação também reacendeu a discussão sobre quais alterações podem ser tratadas e em quais situações procedimentos são, de fato, indicados.
"Vou sair daqui rejuvenescida. Cheguei com 40 e vou reduzir a quilometragem para 18", disse Carol. Na sequência, ela comentou sobre o tabu que ainda envolve o tema. "Existe um tabu muito grande em relação aos cuidados com essa parte íntima. Algumas pessoas enfrentam problemas que dificultam até a relação sexual, mas não procuram um profissional por vergonha. Precisamos cuidar não apenas do rosto e do corpo, mas também da nossa região íntima", acrescentou.
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O laser de CO2 é uma das tecnologias utilizadas em tratamentos que passaram a ser associados à chamada ginecologia regenerativa. O termo reúne diferentes abordagens voltadas a queixas funcionais e, em alguns casos, estéticas da região genital. Segundo a ginecologista Patricia Magier, a escolha do tratamento depende dos sintomas apresentados por cada paciente.
"Esse é um braço da Ginecologia. A ideia é melhorar a função e a estética íntima feminina. Para isso, podemos usar tecnologias, aplicação de ácido hialurônico, e uso de hormônios locais ou cremes para lubrificação", explica.
Existe um padrão para a região íntima?
Quando a questão é estética, um dos primeiros pontos a considerar é que não existe um formato único ou considerado ideal para a vulva. A anatomia varia naturalmente entre as mulheres, tanto em tamanho quanto em formato, cor e simetria.
Por isso, a avaliação médica deve partir de uma queixa concreta, e não da tentativa de adequar a região a um padrão. O ginecologista Igor Padovesi ressalta que alterações anatômicas só devem ser tratadas como um problema quando provocam desconforto ou interferem na vida da paciente.
"É considerado anormal o que causa constrangimento, desconforto, vergonha ou piora da autoestima", afirma.
Quais procedimentos podem ser indicados?
Não existe um único tratamento para as queixas relacionadas à região íntima. A indicação depende da causa, dos sintomas e das condições de saúde de cada mulher. Em alguns casos, mudanças hormonais, por exemplo, podem estar por trás de ressecamento, alterações na elasticidade ou desconforto durante as relações.
Entre as opções estão tratamentos não invasivos que utilizam tecnologias como laser, ultrassom microfocado e radiofrequência. De acordo com Patricia, esses recursos podem ser utilizados com diferentes objetivos, como estimular a produção de colágeno, melhorar a vascularização e tratar determinadas alterações do tecido.
"Podemos usar um laser de CO2, um ultrassom microfocado ou uma radiofrequência. A tecnologia é escolhida de acordo com a queixa daquela paciente, mas sempre na tentativa de regenerar, de recuperar aquele tecido, melhorar a sensibilidade ao orgasmo e tratar toda a pele da região. Em pacientes com queixas de infecção de repetição, conseguimos atuar nesse tecido melhorando a imunidade local", diz.
A médica também cita os injetáveis entre as possibilidades existentes, como bioestimuladores de colágeno e preenchedores à base de ácido hialurônico. Esses recursos têm indicações específicas e não devem ser encarados como procedimentos necessários para a manutenção da saúde íntima.
Quando uma cirurgia pode ser necessária?
Há situações em que a queixa está relacionada à anatomia ou a alterações provocadas pelo parto e pelo envelhecimento. Nesses casos, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados após avaliação médica.
A perineoplastia, por exemplo, pode ser indicada para mulheres que apresentam alterações nos músculos e tecidos do períneo, região localizada entre a vagina e o ânus. O quadro pode ocorrer após partos vaginais e provocar sintomas como sensação de flacidez, alterações na sensibilidade ou desconforto durante as relações.
"Essa é a cirurgia recomendada para ‘apertar’ o canal vaginal. Na maioria das vezes, é indicada para mulheres que tiveram partos vaginais e relatam que a vagina ficou mais afrouxada ou com menos sensibilidade depois do nascimento dos filhos. Isso acontece porque os músculos do períneo, localizados entre a vagina e o ânus, podem sofrer lesões, estiramentos ou lacerações que comprometem sua função. Para algumas mulheres, as fibras musculares não voltam para o lugar após a distensão abrupta no momento de nascimento do bebê", detalha.
O especialista ressalta que a repercussão dessas alterações não é necessariamente apenas estética.
"Mais do que um incômodo estético, essas alterações podem afetar a vida sexual, autoestima e bem-estar emocional da mulher. Muitas relatam constrangimento com o parceiro ou perda de prazer nas relações. Nesses casos, a perineoplastia pode ser uma ferramenta importante de reabilitação íntima", esclarece.
Outra cirurgia é a ninfoplastia, também conhecida como labioplastia, indicada em casos específicos de aumento dos pequenos lábios que provoque desconforto físico ou sofrimento para a paciente.
"O objetivo da ninfoplastia é remover o excesso de pele dos pequenos lábios, deixando-os para dentro dos grandes lábios. O procedimento pode ser realizado com laser e/ou com bisturi elétrico de alta frequência. Antes realizada como uma cirurgia hospitalar tradicional, com a evolução das técnicas cirúrgicas, atualmente no Brasil e no mundo a ninfoplastia tem sido realizada como uma cirurgia ambulatorial", observa Igor.
E quando a queixa é flacidez ou perda urinária?
O ultrassom microfocado também aparece entre as tecnologias utilizadas em tratamentos da região íntima. A ginecologista Daniella Curi explica que o recurso pode ter aplicações diferentes, de acordo com a área tratada e o objetivo definido na avaliação médica.
"Ele foi desenvolvido para o tratamento do canal vaginal e pode ser usado também para tratar gordura e flacidez", conta.
Segundo a médica, o procedimento pode estimular a produção de colágeno em determinadas camadas dos tecidos. Na região vaginal, a proposta pode estar relacionada a queixas como frouxidão e, em alguns casos, à sustentação da uretra.
"O ultrassom microfocado vai na profundidade que selecionamos de acordo com o cartucho e atinge camadas do canal vaginal, onde estimula o colágeno e promove uma contração desse canal. É por isso que ele ajuda na melhora da frouxidão vaginal e também age sustentando melhor a uretra, que está logo acima do canal vaginal", descreve.
O tratamento também pode ser direcionado aos grandes lábios ou ao monte pubiano, dependendo da indicação. Nesses casos, a tecnologia e os parâmetros utilizados variam conforme o objetivo.
O assoalho pélvico também precisa ser avaliado
Nem todas as queixas íntimas estão relacionadas à pele ou à aparência da região. Os músculos do assoalho pélvico têm papel importante na sustentação dos órgãos da pelve e no controle urinário. Quando essa musculatura está enfraquecida, pode haver sintomas como perda involuntária de urina.
A atividade física e os exercícios específicos para o assoalho pélvico fazem parte das estratégias de cuidado. Em algumas situações, recursos utilizados em consultório também podem ser considerados.
"Esse trabalho é fundamental, pois é o assoalho que ajuda a sustentar todas as estruturas da região. Muito importante, sempre que possível, associar os procedimentos do canal vaginal com a melhora da sustentação do assoalho pélvico. O campo eletromagnético faz um estímulo destes músculos, os deixando mais fortalecidos", pontua Daniella.
Tratamentos hormonais podem fazer parte do cuidado
Outra possibilidade é a reposição hormonal, especialmente quando os sintomas estão relacionados à queda dos níveis de hormônios femininos. Ressecamento, desconforto durante as relações e outras alterações podem aparecer em diferentes fases da vida, sobretudo durante o climatério e a menopausa.
Por isso, a investigação da causa é fundamental antes da escolha de qualquer procedimento. Igor ressalta que o tratamento hormonal precisa ser individualizado e acompanhado por um médico.
"Como muitos dos sintomas têm causas hormonais, tratá-los sem a terapia de reposição hormonal pode ser como enxugar gelo. Nessa terapia, são usados normalmente estrogênios, em diversas vias de aplicação, variando da forma oral, gel na pele ou na região da vulva e vagina e adesivos transdérmicos, além de implantes hormonais. Toda essa terapia visa manter os níveis de hormônios femininos em valores próximos aos encontrados durante a vida reprodutiva da mulher. São tratamentos bastante seguros, desde que monitorados por um médico regularmente", finaliza.
A polícia da Bolívia encontrou uma “fazenda de bots” ou “robôs”, conhecida também como “fazenda de cliques”, em endereço ligado ao consultor político que trabalhou para presidentes latino-americanos, o marketeiro digital Fernando Cerimedo. Ele foi preso acusado de tentativa de feminicídio em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia.

Cerimedo atuou como estrategista político em ambientes digitais de lideranças da extrema-direita e direita latino-americanas e assessorou os presidentes da Bolívia, Rodrigo Paz, da Argentina, Javier Milei, e de Honduras, Nasry “Tito” Asfura.
O empresário argentino Fernando Cerimedo ainda participou da campanha de desinformação contra o resultado da eleição de 2022, questionando em audiência no Senado Federal, sem apresentar provas, a lisura da eleição brasileira.
Ao realizar buscas em endereço ligado ao ativista de extrema-direita, o fiscal do departamento de La Paz, Luis Carlos Torrez Alarcón, afirmou que foi encontrada uma “minigranja de bots”, ou seja, uma fazenda de cliques.
O argentino preso na Bolívia na última semana foi descrito pela revista The Economist como “o homem do MAGA na América Latina”, em alusão ao slogan político do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, Make America Great Again (Faça a América Grande de Novo).
A Agência Brasil tenta contato com a defesa de Cerimedo, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Fazendas de bots ou robôs
Nesses casos, os chamados “bots” são sistemas automatizados usados para gerar curtidas, comentários e compartilhamentos, se passando por pessoais reais para impulsionar engajamento nas redes sociais. Uma fazenda de bots pode administrar milhares de perfis falsos para influenciar debates nas plataformas, especialmente em períodos eleitorais.
O pesquisador do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, Reynaldo Aragon, explicou que as fazendas de bots são estruturas de contas organizadas e usadas para simular uma mobilização social espontânea:
“Muitas dessas contas repetem uma expressão e impulsionam uma hashtag, compartilham o mesmo conteúdo e interage entre si em pouco espaço de tempo. Com isso, produzem artificialmente volume e velocidade nas redes sociais”, disse à Agência Brasil.
O doutor em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB) Alexandre Arns Gonzales, membro do Direito à Comunicação e Democracia (DiraCom), explicou que as fazendas de bots são usadas porque os ambientes digitais dão visibilidade para os conteúdos que tem mais engajamento.
“Essas fazendas de cliques são utilizadas para tentar alimentar artificialmente essas métricas de visualização e engajamento, servindo de instrumento para fazer ataques ou defesas coordenadas de determinada conta, tema, assunto ou candidato”, explicou.
Engajamento artificial X pessoais reais
O jornalista Reynaldo Aragon, que também é editor do portal Código Aberto sobre política e tecnologia, citou, como exemplo de impulsionamento por fazenda de bots, a disseminação de uma notícia falsa que repercutiu na eleição de 2018 e alcançou 30 milhões de usuários, prejudicando um dos candidatos presidenciais daquele pleito.
“A operação tenta dar impulso inicial para que aquele conteúdo alcance pessoas reais e atravesse os limites de uma rede artificial. Muitos desses bots conseguem, inclusive, dialogar com pessoas reais”, acrescentou Reynaldo Aragon.
Um caso emblemático citado pelo especialista Alexandre Arns Gonzales envolveu uma empresa na Tunísia que tentou influenciar diversas eleições em dez países africanos. Em junho de 2020, o Facebook derrubou mais de 900 páginas ou contas ligadas a essa companhia.
“Aproximadamente 3,8 milhões de contas do Facebook seguiram uma ou mais dessas páginas, com quase 132 mil grupos administrados por operação e mais de 171 mil seguindo suas contas no Instagram”, informou o Laboratório DFR, que estuda desinformação e segurança digital.
Custo
O membro do Diracom Alexandre Gonzales destaca que esse tipo de prática, como exige um grande número de equipamentos e celulares, requer uma grande mobilização de recursos financeiros, materiais e humanos, sendo uma prática comum em processos eleitorais e registrada nos relatórios de segurança das bigtechs.
“A Meta e o Google caracterizam essas práticas como redes de comportamento inautêntico coordenado”, disse Alexandre Gonzales.
O especialista que estuda o impacto da tecnologia em processos eleitorais avalia que os planos de conformidade que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) passou a exigir das bigtechs pode ser uma ferramenta para identificar e denunciar indícios de fazendas de bots.
“Se essas fazendas de bots atacarem a lisura do processo eleitoral, os sistemas de identificação de comportamentos inautênticos da Meta, do Google e do TikTok podem identificar e apresentar isso dentro do âmbito do plano de conformidade ou no âmbito do conselho que o TSE criou”, comentou Gonzales.
Para Reynaldo Aragon, especialista em guerra psicológica e plataformas digitais, o TSE não estaria tão preparado para enfrentar esse problema. Ele acrescenta que é provável que existam diversas fazendas de cliques no Brasil.
“Para combater esse tipo de manipulação, seriam necessárias investigações policiais ou de atores da sociedade civil. Não podemos contar com as plataformas porque isso significa regulação da informação circulante e eles não querem essa regulação”, comentou.
Procurado para comentar o tema, o TSE não retornou até o fechamento desta reportagem.
MAGA na América Latina
Em fevereiro de 2026, o marketeiro digital Fernando Cerimedo ganhou o prêmio de “consultor político hispânico do ano”, da organização Latino Wall Street, em cerimônia realizada na residência do presidente dos EUA, Donald Trump, em Mar-a-Lago, na Flórida.
Cerimedo recebeu o prêmio das mãos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, condenado por coação no curso de processo judicial por ter articulado, junto a Casa Branca, o tarifaço contra o Brasil para evitar o julgamento por tentativa de golpe de Estado do pai dele, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado há mais de 27 anos de cadeia.
No Brasil, o argentino se tornou conhecido em 2022. Logo após o segundo turno das eleições presidenciais, Cerimedo participou de uma transmissão ao vivo na internet, na qual sustentava que o resultado das urnas tinha sido fraudado.
O empresário e consultor político da direita latino-americana foi preso, na semana passada, por tentativa de feminicídio contra a ativista e advogada boliviana Nadia Beller, que o acusa de ser o mandante do atentado contra ela.
No leito do hospital, Beller afirma que Cerimedo a convenceu a ir ao local do atentado, onde foi ferida por disparos de arma de fogo no pescoço, no tórax e no braço.
A defesa de Cerimedo nega que ele esteja envolvido no caso, alegando que o cliente é vítima de uma armação política.
Por -Agência Brasil
Na Libertadores deu Flamengo, mas neste sábado (22) o Cruzeiro deu o troco e derrotou a equipe carioca por 2 a 1 pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Mineirão. O resultado, conquistado de virada, impediu que o Rubro-Negro assumisse a ponta da tabela, mesmo que de forma provisória, já que um triunfo do Flamengo o colocaria com a mesma pontuação e saldo de gols melhor que o do Palmeiras, que ainda joga na rodada.

No entanto, o time de Leonardo Jardim segue em segundo, com 45 pontos. A Raposa, em recuperação, já aparece em quinto, com 39.
Diante de mais de 34 mil pessoas no Mineirão, o Cruzeiro tentava dar uma resposta à torcida depois da eliminação nas oitavas de final da Libertadores para o mesmo adversário, no entanto, sofreu um baque ainda no primeiro tempo.
Aos 22, Pedro recebeu na entrada da área e chutou rasteiro para vencer o goleiro Otávio, abrindo o placar para o Flamengo.
A virada começou a ser construída no início do segundo tempo. Aos 10, Arroyo fez bela jogada pela direita e chutou colocado com a perna esquerda, marcando um belo gol.
O lance decisivo foi também o derradeiro. Já aos 50 minutos, após bola levantada pela direita, Matheus Pereira chutou com a perna esquerda já praticamente na pequena área, a bola desviou na zaga e entrou lentamente na meta defendida por Rossi.
O próximo compromisso do Cruzeiro é no próximo sábado, diante do Vasco, em São Januário, enquanto o Flamengo faz o clássico com o Botafogo no dia seguinte, no Maracanã.
No outro duelo da noite de sábado, Internacional e Atlético-MG ficaram no 0 a 0, no Beira-Rio. O Galo ocupa momentaneamente a sétima colocação, com 33 pontos, enquanto o Colorado está à beira da zona de rebaixamento, com 25 pontos, em 16º.
Por Agência Brasil
Com um dos melhores sistemas de saúde do mundo, qualidade de vida reconhecida globalmente e bolsas de estudo voltadas a estrangeiros, a França reúne atrativos que a mantêm entre os destinos europeus mais desejados. O custo de vida em Paris, porém, está entre os mais altos do continente e o francês é essencial para a integração, dentro e fora do mercado.
Apesar do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,92, considerado muito alto, o país figura na 99ª posição no Global Peace Index 2026, uma das piores entre os europeus, devido a riscos de manifestações civis e ameaças de terrorismo.
O sistema de saúde funciona em um modelo de reembolso. Paga-se a consulta integralmente no momento do atendimento e depois é reembolsado. A Assurance Maladie (seguro público) cobre 70% do valor de referência de uma consulta com o médico de família (Médecin Traitant). Os 30% restantes ficam por conta do paciente ou da Mutuelle, o seguro complementar privado que a maioria dos franceses contrata para cobrir essa diferença e outros gastos com saúde.
Ensino de excelência e bolsas
A França atrai o mundo inteiro pelo seu ensino de excelência e fortemente subsidiado pelo Estado. O Ministério das Relações Exteriores, por exemplo, administra a Eiffel Excellence Scholarship, que oferece € 1.181 (R$ 7.000) mensais para estudantes de mestrado e de € 1.700 (R$ 10.250) mensais para doutorado. O mestrado na França, no entanto, não funciona como no Brasil. Existe o Master Professionnel, voltado para a especialização profissional, e o Master Recherche, dedicado a pesquisa acadêmica e mais próximo de um mestrado brasileiro.
Sem os incentivos, no entanto, os estudantes internacionais de fora da União Europeia estão sujeitos a tarifas mais altas nas universidades públicas. A anuidade para estrangeiros não europeus está estipulada entre € 2.770 e € 2.895 por ano.
O engenheiro carioca Rafael Siqueira emigrou para a França com apoio da universidade em 2022. Beneficiado pela bolsa Eiffel Excellence Scholarship, concluiu os estudos e hoje atua no país em sua área de formação.
— Foi conforme as minhas notas na UFRJ que eu consegui a bolsa. Fui indicado pela faculdade e ela me permitiu vir pra cá com tudo pago, com bolsa, passagem, seguro de saúde. Foi realmente muito bom e me deu uma boa base financeira — disse o engenheiro em entrevista ao GLOBO.
Custo vida varia por cidade, sendo mais alto na capital
O custo de vida varia significativamente entre Paris e o interior. Estima-se que uma pessoa sozinha precise de 1.300 € a 1.500 € (cerca de R$ 8 mil) para viver, chegando a 2.000 € (quase R$ 12 mil) na capital. Lá, o aluguel de um estúdio pequeno pode custar entre 700 € e 1.200 € (entre R$ 4 mil e R$ 7.300), com o metro quadrado médio em torno de 30 € (R$ 180). Outras Cidades, como Lyon, Bordeaux e Toulouse, o valor do m² cai para cerca de 12 € a 16 € (de R$ 70 a R$ 100).
O salário mínimo é de aproximadamente 1.823 € (mais de R$ 11 mil). Já o salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 52 mil, e o mensal é de $ 4.300. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos.
A França possui um sistema de transporte público eficiente e integrado. O passe mensal, conhecido como Navigo (todas as zonas de Paris), custa cerca de 90,80 € (aproximadamente R$ 540), enquanto o passe semanal gira em torno de 31,60 € (R$ 190).
— O transporte público é seguro e muito eficiente, as linhas de metrô e os ônibus cumprem horários tabelados e são abrangentes. As pessoas de maior poder econômico raramente têm um carro e vão trabalhar usando o transporte público, porque sabem que é eficiente, prático e mais ecológico — acrescentou o brasileiro.
No mercado, uma pessoa gasta, em média, entre € 200 e € 320 mensais (cerca de € 50 a € 80 semanais).
País exige conhecimento de francês para residência permanente e naturalização
Para estadias acima de 90 dias, o país exige um visto de longa duração, solicitado pelo portal France-Visas antes da viagem e validado junto ao OFII, o serviço de imigração, nos três meses após a chegada. A rota principal para quem tem contrato é o visto de trabalho, em que muitas vezes o empregador precisa obter uma autorização de trabalho antes da contratação.
Para profissionais qualificados, pesquisadores, artistas e empreendedores, o caminho mais direto é o Passeport Talent, cuja Carte Talent já embute a permissão de trabalho, dispensando essa etapa extra, mas que exige contrato acima de 12 meses e salário anual superior a € 59.373.
Há vias específicas por perfil. Jovens brasileiros de 18 a 30 anos têm o Programme Vacances-Travail (PVT), que permite morar, viajar e trabalhar por até 12 meses, mas é bastante concorrido, com apenas 500 vagas anuais, e não é renovável. Os estudantes entram com matrícula confirmada em instituição reconhecida e, ao se formar, podem permanecer um ano para buscar emprego ou abrir empresa sem voltar ao Brasil.
O francês não é exigido para o visto, mas passa a ser cobrado nas etapas de fixação: nível A2 para a residência permanente (Carte de Résident), obtida após cinco anos, e B1 para a naturalização.
— Eu recomendo muito a França para imigrar. Eu acho que é um país muito estável, tem oportunidade de emprego para muitas áreas. É um país muito moderno, que não cansa de se desenvolver e que é relativamente muito aberto aos estrangeiros. Eu sinto que tem gente vindo pra cá de muitos lugares e eu indico principalmente pra quem é estudante, porque aqui tem muitos benefícios, muitas oportunidades de estudos e de continuar a vida aqui — completou o engenheiro.
Por - O Globo





















