118.170 doses da Pfizer chegam ao Paraná, completando a remessa da semana

O último lote das vacinas contra a Covid-19 enviadas nesta semana pelo Ministério da Saúde chegou ao Paraná no início da noite desta quarta-feira (28). São 118.170 doses do imunizante Comirnaty, produzido pela Pfizer/BioNTech.

 

Parte dele (50.310) é destinado a dar continuidade à vacinação com a primeira dose e o restante (67.860) é para a segunda aplicação em pessoas com comorbidades, deficiência permanente, gestantes e puérperas vacinadas no primeiro semestre.

 

Com essa nova remessa, que chegou às 20h30 no Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar), o Estado completa o recebimento de 649.420 doses de imunizantes em dois dias. A maioria (80%), no entanto, é destinada à segunda aplicação e as demais darão continuidade à imunização por faixa etária.

 

Nesta quarta-feira, a Secretaria de Estado da Saúde iniciou o processo de distribuição das primeiras 85 mil doses aos municípios. A pasta já preparou a logística de entrega desses outros 50.310 imunizantes para a quinta-feira (29), possibilitando que as prefeituras tenham mais doses disponíveis para continuar reduzindo o calendário.

 

As demais 514 mil doses dessa remessa são todas para a segunda aplicação e ficarão armazenadas no Cemepar, com distribuição programada para as próximas semanas, dentro da necessidade de respeitar o ciclo vacinal de quem já foi vacinado.

 

Com essa última remessa, o Paraná recebeu 9.671.370 doses de vacinas do Ministério da Saúde, sendo que 7.830.008 já foram aplicadas nos braços dos paranaenses. Até agora, 5.951.781 pessoas foram vacinadas no Paraná, o que corresponde a 68,2% da população adulta do Estado, sendo que um quarto já está completamente imunizada. (Com AEN)

 

 

 

Paraná confirma transmissão comunitária da variante delta e mais 16 casos

A Secretaria de Estado da Saúde, o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) confirmaram nesta quarta-feira (28) a transmissão comunitária da variante delta do coronavírus no Paraná. O conceito é definido quando o contágio entre pessoas ocorre no mesmo território, entre indivíduos sem histórico de viagem e sem que seja possível definir a origem da transmissão.

 

Mesmo com essa confirmação, a predominância atual ainda é da cepa gama (P1/amazônica), que apareceu em janeiro. Ela não tem esse status de alerta junto aos organismos internacionais, mas estudos preliminares indicam que ela também é mais contagiosa que a versão original do vírus.

 

A Secretaria da Saúde também confirmou mais 16 casos e seis óbitos da delta no Paraná. Agora, o Estado soma 29 casos e 12 óbitos da cepa B.1.617 do vírus da Covid-19. São sete mulheres e nove homens com idades de 12 a 83 anos. As novas confirmações foram em Araucária (1), Colombo (1), Curitiba (3), Fazenda Rio Grande (1), Piên (2), Piraquara (1), Pinhais (1), Fernandes Pinheiro (3), Irati (1), Imbituva (1) e Campo Mourão (1).

 

Quatro casos estão encerrados como cura, um paciente teve alta e cinco estão em investigação. Com relação aos óbitos, ocorridos entre 6 e 28 de julho em Curitiba (2), Piên (2), Imbituva e Irati, foram quatro homens e duas mulheres, com idades de 31 a 83 anos. As informações foram repassadas por meio do relatório de circulação de linhagens Sars-CoV-2, por sequenciamento genômico da Fiocruz.

 

“Depois de avaliação técnica e investigação epidemiológica ampliada com a participação de todos os entes que sustentam a tríade do SUS, entre eles a equipe do Programa de Epidemiologia Aplicada aos Serviços do Sistema Único de Saúde (EpiSUS-Avançado), confirmamos a transmissão comunitária da variante delta, considerada de preocupação pelas organizações de saúde", disse o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.

 

"Diante desse quadro, que requer atenção, mas não desespero, ressaltamos mais uma vez a importância fundamental das medidas não farmacológicas, que são o uso de máscara de proteção de forma correta, a higienização frequente das mãos e o distanciamento social, além da imunização na data que a dose estiver disponível”, acrescentou.

 

A variante delta, linhagem B.1.617.2, originada na Índia em outubro de 2020, é uma das variantes do SARS-CoV-2 que apresenta mutações genéticas múltiplas e é denominada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) "variante de atenção/preocupação" por alterar o comportamento do coronavírus, ser mais transmissível do que outras linhagens. Não há evidências até o momento de que as infecções pela delta provoquem casos mais graves ou óbitos.

 

INVESTIGAÇÃO – Esse resultado só foi determinado após uma investigação ampliada realizada no Estado, num exemplo nacional de esforço conjunto para rastrear a origem, conforme a recomendação epidemiológica.

 

A Rede Genômica Fiocruz, através do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo (LVRS), Instituto Oswaldo Cruz no Rio de Janeiro (Fiocruz/Rio de Janeiro), e o Laboratório Central de Saúde Pública do Paraná (Lacen-PR) vêm ampliando o sequenciamento genômico do vírus no Estado por meio de amostragem representativa aleatória, a qual permite saber qual variante está circulando e detectar a introdução de novas variantes.

Esse trabalho já era realizado de maneira natural e foi amplificado com o surgimento da delta. A partir da amostragem aleatória foi possível identificar o primeiro caso. Como medida de resposta, foi realizada investigação

epidemiológica e rastreados todos os casos positivos com vínculo e então foi identificado o chamado "caso índice", desencadeando um trabalho mais amplo de investigação de casos confirmados, suspeitos e contatos em diferentes municípios e regionais.

 

As equipes do EpiSus chegaram ao Paraná no começo do mês e realizaram a pesquisa entre 9 a 24 de julho em diversas regiões. O sequenciamento genômico e a análise filogenética permitiram encontrar duas introduções independentes da variante: uma associada ao caso índice da viajante proveniente do Japão e a outro sem identificação, o que deu origem à conclusão de transmissão comunitária.

 

TRIAGEM – Como forma de ampliar essa pesquisa, desde a terceira semana de junho o Lacen-PR também realiza um protocolo diferenciado de triagem de RT-PCR em tempo real para detecção de variantes, utilizando o Naveca como ferramenta científica de pesquisa.

 

São rastreadas 330 amostras semanais e as que apresentam ausência da detecção para a variante P1, predominante no Estado, são encaminhadas para sequenciamento genômico e confirmação pela Fiocruz.

 

Até o momento foram realizados 2.770 testes com 133 amostras suspeitas da variante encaminhadas para a Fiocruz. Segundo a investigação, a P1 ainda é a mais ativa, presente em 95,63% das amostras avaliadas.

 

TOTAL DA DELTA – Ao todo, o Paraná já confirmou 29 casos e 12 óbitos pela variante delta, sendo quatro casos e dois óbitos em Apucarana, quatro casos e dois óbitos em Curitiba, três casos e três óbitos em Piên, três casos em Fernandes Pinheiro, dois casos e um óbito em Araucária, dois casos em Piraquara, dois casos e um óbito em São José dos Pinhais, um caso e um óbito em Mandaguari, um caso e um óbito em Irati, um caso e um óbito em Imbituva e um caso em cada um dos seguintes municípios: Colombo, Pinhais, Fazenda Rio Grande, Campo Mourão, Francisco Beltrão e Rolândia. (Com AEN)

 

 

 

No Dia do Agricultor, governador participa do lançamento de placar sobre produção agrícola

Em comemoração ao Dia do Agricultor, o governador Carlos Massa Ratinho Junior participou nesta quarta-feira (28), na fábrica da New Holland, na Capital, do lançamento do Colheitômetro. A ferramenta desenvolvida pela empresa mostra em tempo real os números da colheita das principais commodities agrícolas produzidas no País, como soja, milho, arroz, cana-de-açúcar e trigo. O placar foi instalado na entrada da planta industrial localizada na Cidade Industrial de Curitiba.

 

A intenção, de acordo com a multinacional, é desenvolver a partir de agora um Colheitômetro paranaense, com o recorte dos indicadores da safra estadual. “É um momento especial para celebrar o Dia do Agricultor, e o lançamento de uma plataforma que vai permitir acompanhar em tempo real tudo o que será colhido no País. Algo que se torna ainda mais importante quando falamos do Paraná e a sua vocação natural para produzir alimentos”, afirmou Ratinho Junior.

 

O governador ressaltou que os produtos do campo, entre agricultura e pecuária, são responsáveis por cerca de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Potencial que pode ser ainda melhor explorado justamente com a chegada da tecnologia e conectividade nas áreas rurais. “A New Holland está há muitos anos no Paraná e é uma grande parceira do campo, também em termos tecnológicos”, disse.

 

Norberto Ortigara, secretário de Estado da Agricultura e do Abastecimento, lembrou que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná em 2020 ultrapassou R$ 128,3 bilhões, de acordo com relatório preliminar do Departamento de Economia Rural (Deral). O montante representa um crescimento real de 21% em relação ao valor de 2019. Em termos nominais, o acréscimo é de 31%.

 

“Em que pese a pandemia e as condições climáticas não tão favoráveis, a produção agropecuária paranaense foi bastante razoável, o que trouxe renda para os agricultores e esse crescimento expressivo”, destacou Ortigara.

 

O VBP contempla aproximadamente 350 itens. Os dados são levantados ao longo do ano com pesquisas semanais de preços e das condições de lavoura, culminando com esse levantamento mais específico de itens diversificados da fruticultura, floricultura, silvicultura e uma ampla gama de produtos animais e vegetais que refletem o setor rural do Estado.

 

PAINEL – A ferramenta desenvolvida pela New Holland se destaca por ser o primeiro contador digital da produção agrícola brasileira. A tecnologia, que utiliza fontes seguras e dados oficiais, como os disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também exibirá ao público as cifras geradas por essas culturas, que são pilares da economia brasileira.

 

Além do Colheitômetro instalado em Curitiba, foi disponibilizado o site (www.colheitometro.com.br), que pode ser consultado a qualquer momento. A intenção é que, futuramente, novos painéis sejam instalados em outras cidades do País.

 

Para fazer essas operações, o Colheitômetro utiliza informações oficiais, atualizadas em tempo real, com base no histórico e no cruzamento de dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, IBGE e Cepea-Esalq/USP, e de outras fontes. Através de algoritmos internos, esses dados são incrementados conforme as previsões de colheita.

 

“Temos orgulho de também ser uma fábrica paranaense. Mostramos para o governador diversas iniciativas para fomentar a agricultura, algumas delas com base na tecnologia. O Colheitômetro reconhece a importância do agro para o Paraná e para o Brasil”, explicou o diretor comercial de mercado Brasil da empresa, Eduardo Kerbauy.

 

Os executivos apresentaram também novos projetos relacionados a tratores movidos a biometano, conectividade e acessibilidade.

 

EMPRESA – A New Holland Agriculture possui três fábricas no Brasil: em Curitiba, Sorocaba e Piracicaba, ambas no interior de São Paulo, além de uma fábrica em Córdoba, na Argentina. As três plantas brasileiras empregam cerca de 4.400 colaboradores.

 

A unidade da capital paranaense, que este ano vai completar 46 anos, tem 750 mil metros quadrados, emprega 2.145 funcionários e tem capacidade instalada para montar 100 tratores, 12 colheitadeiras e 14 plataformas de colheita por dia. (Com AEN)

 

 

 

Paraná recebe 298,2 mil vacinas da AstraZeneca; lote contém apenas segundas doses

O Ministério da Saúde enviou na noite desta terça-feira (27) mais 298.250 vacinas contra a Covid-19 da AstraZeneca/Fiocruz ao Paraná. Este foi o terceiro envio do governo federal ao Estado em um único dia. Durante a tarde chegaram 233 mil vacinas, sendo 170 mil doses de CoronaVac/Butantan e 63 mil da AstraZeneca/Covax.

 

As doses da AstraZeneca/Fiocruz devem ser destinadas integralmente para a segunda dose da 20ª e da 21ª remessa, que atenderam os grupos de comorbidades, pessoas com deficiência permanente, trabalhadores do transporte aéreo, trabalhadores portuários, forças de segurança e salvamento e forças armadas.

 

As doses fazem parte da 32ª pauta de distribuição do Ministério da Saúde, que contempla o Paraná com 649.420 doses, sendo 298.250 AstraZeneca/Fiocruz, 63 mil AstraZeneca/Covax, 118.170 Pfizer/BioNTech e 170 mil CoronaVac/Butantan.

 

Resta somente o envio do lote da Pfizer, que deve chegar nesta quarta-feira (28) às 19h10 no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

 

Até a noite desta terça-feira (27), o Paraná aplicou 7.677.518 vacinas contra a Covid-19, sendo 5.579.644 primeiras doses e 2.097.874 segundas doses ou dose única. O Estado vai somar, com o envio integral da 32ª pauta, 9.671.370 doses recebidas do Ministério da Saúde. (Com AEN)

 

 

 

Gestantes que receberam primeira dose da AstraZeneca vão tomar segunda da Pfizer ou CoronaVac

Gestantes e puérperas que receberam a primeira dose da vacina AstraZeneca contra a Covid-19 devem tomar a segunda dose preferencialmente da Pfizer/BioNTech e, em caso de indisponibilidade deste imunizante, da CoronaVac/Butantan. A orientação foi divulgada pelo Ministério da Saúde por meio da Nota Técnica nº 6/2021, nesta segunda-feira (26).

 

A suspensão da AstraZeneca para imunização de gestantes e puérperas ocorreu em 11 de maio no Estado, após orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde. Desde então, não foram mais administradas nesse público.

 

No Paraná, 2.252 mulheres foram vacinadas com este imunizante – 1.575 gestantes e 677 puérperas. No geral, até agora, 84.620 vacinas foram aplicadas neste público, incluindo os quatro imunizantes em utilização no Estado.

 

O Paraná é o segundo estado que mais aplicou vacinas em números absolutos para estes grupos, atrás somente de Minas Gerais, com 124.124 doses aplicadas. Os dados são do Vacinômetro nacional.

 

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) enviou um memorando para as 22 Regionais de Saúde nesta terça-feira (27) com as recomendações. De acordo com o Ministério da Saúde, a nova orientação “considera dados de boa resposta imune em esquemas de intercambialidade, bem como dados de segurança favorável, considerando ainda a importância da segunda dose para assegurar elevada efetividade contra a Covid-19”.

 

Além de gestantes e puérperas, aqueles que receberam a primeira dose de uma vacina contra a Covid-19 em outro país, e que estarão no Brasil no momento de receber a segunda dose, também devem seguir essa recomendação.

 

INTERVALO DE DOSES – A segunda dose deverá ser administrada no período previamente determinado, respeitando o intervalo adotado para o imunizante utilizado na primeira dose, ou seja, para gestantes e puérperas que tomaram a primeira dose da AstraZeneca, a segunda dose com a Pfizer ou CoronaVac deve ser aplicada após 12 semanas. Já nos casos de outras vacinas, aplicadas no Exterior, deve-se verificar o intervalo indicado pelo fabricante da D1.

 

INTERCAMBIALIDADE – O termo “intercambialidade” refere-se à possibilidade de substituição do imunizante da primeira dose por outro, de fabricante diferente, na segunda dose.

 

De maneira geral, o Ministério da Saúde não recomenda a intercambialidade de vacinas contra a Covid-19. No entanto, nestas situações de exceção, em que não é possível administrar a segunda dose com um imunizante do mesmo fabricante, seja por contraindicações específicas ou por ausência daquela vacina, poderá ser administrada uma de outro fabricante.

 

A Sesa ainda orienta que as pessoas que, por ventura, venham a ser vacinadas de maneira inadvertida com duas vacinas diferentes, fora essas exceções, deverão ser notificadas como um erro de imunização no e-SUS Notifica, sistema acessado por estados e municípios, responsáveis por esses registros.

 

Elas devem ser acompanhadas com relação ao desenvolvimento de eventos adversos e falhas vacinais. Neste momento, não se recomenda a administração de doses adicionais de vacinas Covid-19 nestes casos. (Com AEN)

 

 

 

Com 85 fabricantes, Paraná é referência na produção de instrumentos musicais artesanais

O Paraná é um dos estados brasileiros que mais concentram empresas de fabricação de instrumentos musicais, peças e acessórios. A capital paranaense é a única cidade do país que oferece curso superior na área de luteria, que é a especialização para fabricação de instrumentos musicais. Isso explica a grande concentração de empresas do setor no Estado. De acordo com dados da Junta Comercial do Paraná (Jucepar), há 85 fabricantes de instrumentos, peças e acessórios – 21 delas em Curitiba.

 

Na reportagem da série Feito no Paraná desta semana vamos conhecer alguns luthiers instalados em Curitiba e que fabricam instrumentos de qualidade reconhecida nacional e internacionalmente.

 

FORMAÇÃO - O curso de tecnólogo em luteria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) foi criado em 2009 e por um bom tempo se manteve como o único curso superior nesta área na América Latina. Atualmente, já existe uma formação semelhante na Argentina.

 

De acordo com o vice-coordenador do curso, Juarez Bergmann Filho, Curitiba tem uma vocação musical muito grande. “Faltava mão de obra mais especializada para fabricação e reparos de instrumentos. Criaram um projeto buscando informações com luthiers locais e surgiu a ideia do curso. São três anos de formação. Atendemos o ingresso de 30 alunos por ano”, afirma.

 

Bergmann conta que pessoas do Brasil inteiro vêm buscar na Universidade Federal qualificação em luteria. O perfil dos alunos é variado: desde aqueles que querem seguir carreira profissional na área até apaixonados por música, interessados em construir instrumentos por hobby.

 

Os alunos podem escolher uma entre três capacitações: instrumentos de corda elétricos (guitarras e baixos elétricos); instrumentos de corda (cordófonos) dedilhadas (violões e violas brasileiras) e instrumentos de corda a arco (da família do violino).

 

PIONEIRISMO - É curitibana a primeira luthier formada em instrumentos elétricos do Brasil. Rosanne Lemos é a fundadora da Mankato Guitarras, uma marca autoral que cria modelos únicos e confeccionados à moda antiga. “Gosto de dizer que somos uma marca de guitarras tropicais. Usamos apenas madeiras nacionais e todo nosso processo de confecção é igual àquele adotado na década de 1950, com um equipamento sendo produzido por vez”, conta.

 

Formada pelo curso de luteria da UFPR, Rosanne decidiu devolver à sociedade a oportunidade de formação que teve. Ela atuou como voluntária no projeto Girls Rock Camp, uma colônia de férias organizada por voluntárias visando o empoderamento de meninas de 7 a 17 anos através da música, desenvolvendo a autoestima e a liberdade de expressão. Rosanne viu a necessidade de fornecer às meninas equipamentos de qualidade.

 

“Eu fui voluntária neste projeto e fiquei encarregada de uma banda. E percebi que tinha muitas meninas de seis, sete anos, não conseguiam tocar porque o instrumento era grande, pesado. Pensei que era uma boa oportunidade de inserir a marca e fazer algo legal. Retornar às mulheres esta capacitação que eu adquiri”, conta.

 

Depois de recolher instrumentos velhos ou danificados, a Mankato criou seis instrumentos com design especial, reaproveitando peças. “Este foi o pontapé inicial da marca e, desde então, têm surgido encomendas”, explica Rosanne.

 

A empresa também produziu outros instrumentos para musicistas mulheres, que fizeram tanto sucesso que hoje há fila de espera. “Nossas primeiras encomendas vieram de fora do Brasil, então já começamos exportando. Fazemos cerca de seis guitarras por ano”, afirma Rosane. Os preços variam entre R$ 4 mil e R$ 9 mil. O valor, bem abaixo do praticado no Exterior, tem atraído as encomendas de fora do país.

 

PINHÕES E VIOLÕES - O engenheiro mecânico Marcello Rizzi viu na luteria uma oportunidade de guinada na carreira depois de ser dispensado da empresa onde trabalhou por três anos. “Depois que fui desligado, decidi passar uma temporada fora e fui para os Estados Unidos. Lá visitei um museu de instrumentos musicais e descobri uma escola de luteria. Como sempre fui ligado à música, resolvi aprender o ofício e já são sete anos de dedicação exclusiva à construção de equipamentos”, conta.

 

Especializado em violões de aço, ele leva de três a quatro meses para entregar uma encomenda. E seus instrumentos têm o paranismo literalmente incrustado na madeira. Pequenos pinhões delicadamente moldados enfeitam os violões que saem do ateliê, o que já virou marca registrada da Rizzi. Além disso, Marcello faz ajustes e reparos em equipamentos.

 

Para mostrar a qualidade musical dos instrumentos que produz, ele criou o projeto Ultrasonoros, um canal no Youtube que reúne músicos curitibanos que vão tocar utilizando os equipamentos que compraram da Rizzi ou que foram colocados à disposição pela marca. “Já gravamos 40 episódios. Isso se transformou num acervo da contemporaneidade da música curitibana e brasileira”, conta.

 

MÚSICA ERUDITA - O paulista João Burattiestá desde 2019 instalado em Curitiba. “Vim fazer algumas disciplinas isoladas no curso de luteria da UFPR. Já era luthier formado no Conservatório de Tatuí, em São Paulo, mas queria aprender mais. Vim estudar, fazer um estágio, mas as coisas evoluíram. Comecei a ter bastante demanda de trabalho e montei meu ateliê aqui”, conta. Diferente do curso da UFPR, o ofertado em Tatuí não é de nível superior.

 

Especializado em fabricação de violinos, Buratti dedica boa parte do seu tempo para manutenção e reparos de instrumentos. “Hoje é isso que toca o ateliê e paga as contas. E a construção dos equipamentos faço por amor”, afirma.

 

Ele conta que grande parte do seu público é formada por músicos das orquestras de igrejas evangélicas da cidade, além de outros músicos profissionais. A maior parte dos instrumentos que chega ao seu ateliê vem da China e precisam de restauro completo para uma boa sonoridade. “Meu maior prazer é fazer com que a pessoa se surpreenda com o instrumento que tem. Então eu faço todas as substituições e adaptações necessárias para que eles saiam daqui com um instrumento de boa qualidade”, conta.

 

VIOLINO - Paralelamente, Marcello se dedica à fabricação de violinos. Ele produz no máximo dois por ano. Além do processo ser completamente manual – e igual àquele usado há 300 anos – toda a matéria-prima é importada. Desde a madeira até os vernizes, cola e cordas. Um instrumento feito por ele não sai por menos de R$ 15 mil, mas ainda é bem mais barato que qualquer instrumento feito de forma artesanal na Europa, por exemplo.

 

FEITO NO PARANÁ – Criado pelo Governo do Estado, e elaborado pela Secretaria estadual do Planejamento e Projetos Estruturantes, o projeto Feito no Paraná busca dar mais visibilidade para a produção estadual. O objetivo é estimular a valorização e a compra de mercadorias paranaenses, movimentar a economia e promover a geração de emprego e renda.

 

Empresas paranaenses interessadas em participar do programa podem se cadastrar AQUI. Confira as reportagens já produzidas para a série. (Com AEN)

 

 

 

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