Foram anunciados nesta quinta-feira (18), em evento online, os premiados do Concurso 2021 do Programa Agrinho, promovido pela Federação da Agricultura do Paraná e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PR), em parceria com o Governo do Estado e entidades privadas.
Maior programa de responsabilidade social do Sistema Faep, o Agrinho é desenvolvido junto às escolas da rede pública de ensino. Anualmente, o programa envolve a participação de aproximadamente 800 mil crianças e mais de 50 mil professores da educação infantil, do ensino fundamental e da educação especial, estando presente em todos os municípios do Estado.
Neste ano, o Agrinho abordou o tema “Do campo à cidade: saúde é prioridade”, para manter o foco no bem-estar da comunidade escolar, com assuntos relacionados à saúde física, mental, emocional e social, principalmente devido à pandemia do novo coronavírus. No total, o concurso recebeu mais de 4,8 mil inscrições.
Participaram da cerimônia de anúncio dos vencedores o vice-governador Darci Piana, o presidente do Sistema Faep/Senar-PR, Ágide Meneguette; os secretários estaduais da Educação e do Esporte, Renato Feder; do Desenvolvimento Sustentável e do Turismo, Márcio Nunes; da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, além do presidente da Federação das Apaes do Paraná (Feapaes-PR), Alexandre Augusto Botareli César. Também participaram representantes da Rumo Logística, Copel, Sanepar e Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), entidades parceiras do programa.
ENGAJAMENTO - O secretário Norberto Ortigara destacou que boas práticas são requeridas o tempo todo no campo e destacou o engajamento de professores e estudantes. “Temos orgulho da nossa agricultura. Precisamos produzir uma agricultura de resultados, competente e competitiva, mas não devemos fazer de qualquer jeito. Por isso, defendemos essa formação do jovem do futuro, preocupado com a saúde e com o ambiente, cidadãos com visão estratégica”, afirmou Ortigara.
Ágide Meneguette enfatizou a adesão ao programa neste ano, mesmo com as dificuldades da pandemia. "Professores e escolas mobilizaram seus alunos com maestria para desenvolver excelentes trabalhos. Reconhecemos e agradecemos pelo esforço que todos tiveram para, mais uma vez, fazer esse programa acontecer”.
PRÊMIOS - Os alunos e professores premiados nas categorias Desenho e Redação receberam notebook (1º lugar), tablet (2º lugar) e smartphone (3º lugar). Os docentes que participaram da categoria Experiência Pedagógica receberam projetor multimídia e notebook (1º lugar), notebook e fone com microfone (2º lugar) e smartphone e fone com microfone (3º lugar).
Na categoria Escola Agrinho, foram distribuídos 15 computadores e um projetor multimídia para a entidade de ensino classificada em primeiro lugar, enquanto o responsável pelo relato será premiado com um notebook e um smartphone.
A escola na segunda colocação recebeu 12 computadores e um projetor multimídia, e o responsável, um notebook. Para a terceira classificada, foram 10 computadores e um projetor multimídia, e, para o responsável pelo relato, um smartphone.
Por - AEN
O Museu Nacional da UFRJ anunciou nesta quinta-feira (18) a descoberta de uma nova espécie de dinossauro brasileira, o Berthasaura Leopoldinae.
Segundo os especialistas, esse foi o fóssil mais completo de um dinossauro do período cretáceo já encontrado no Brasil.
A espécie, que viveu no Brasil em um período estimado entre 70 e 80 milhões de anos atrás, foi batizada em homenagem a Bertha Lutz, pesquisadora brasileira, à imperatriz Maria Leopoldina e à escola de samba Imperatriz Leopoldinense.
O réptil possui feições únicas em seu crânio o que fazem desta descoberta uma das principais realizadas no campo da paleontologia no Brasil nos últimos anos.
A espécie foi encontrada em um trecho rural do município de Cruzeiro do Oeste, no Paraná, a 530 quilômetros de Curitiba. O local onde ele foi encontrado é conhecido como “Cemitério dos Pterossauros”.
Segundo o diretor do Museu Nacional, Alexandre Kellner, que participou das escavações entre 2011 e 2014, o nível de conservação dos fósseis impressionou os paleontólogos.
"Temos restos do crânio e mandíbula, coluna vertebral, cinturas peitoral e pélvica e membros anteriores e posteriores, o que torna "Bertha" um dos dinos mais completos já encontrados no período Cretáceo brasileiro", afirmou Kellner.
Para o especialista Luiz Carlos Weinschutz, da universidade do Contestado, em Santa Catarina, as condições da região podem ter contribuído para o processo.
“Toda essa região era recoberta por um grande deserto. Possivelmente, com vegetação no entorno de áreas úmidas. Essas condições quase inóspitas podem ter sido importantes para a espetacular fossilização.
Ele argumenta que a descoberta é uma possibilidade de entender como era a interação entre espécies de dinossauro no período Cretáceo no Brasil.
“Esse novo dinossauro permite entender desses antigos ecossistemas que existiam no Brasil e seus componentes faunísticos”, analisou.
Fósseis bem preservados foram importantes para classificação da espécie, segundo especialistas — Foto: Divulgação/Museu Nacional
Sem dentes
Chamou a atenção dos pesquisadores o fato de a Berthasaura Leopoldinae ser a primeira espécie edêntula (sem dentes) da América do Sul. Por causa disso, surgiram questionamentos sobre como a espécie se alimentava, se era herbívora ou carnívora.
"Qual seria a dieta? A gente pode hipotetizar que ela poderia ter uma dieta diferente da maioria de dinossauros do seu grupo. Mas não é porque o animal é edêntulo que ele não pode ser capaz de comer carne", ponderou Geovane Alves de Souza, pesquisador e aluno de doutorado do Museu Nacional.
"Você abriu um leque de questionamentos. Agora você tem um bicho totalmente diferente, que nunca teve dentes. É justamente esse tipo de questionamento que essa descoberta vai abrir. Essa é uma das cinco principais descobertas que participei na minha vida", afirmou Kellner.
Geovane ainda deu características da espécie a partir do fóssil encontrado.
“Essa espécie tinha por volta de 1 metro de comprimento, não passando de 80 centímetros de altura. O peso ainda não foi determinado, mas não passaria de 8, 10 kg”, finalizou.
Por - G1
O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR) se reuniu nesta semana com representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Polícia Rodoviária Federal e Polícia Rodoviária Estadual para discutir os planos de canalização do tráfego nas praças de pedágio, com o fim dos contratos do Anel de Integração.
Cada praça deverá ser adaptada para garantir a passagem dos veículos sem gerar congestionamentos e com segurança. Isso inclui o bloqueio das cancelas que não serão mais utilizadas, retirada de equipamento nas passagens que ficarão liberadas, instalação de ampla sinalização informando e orientando o usuário quanto às novidades, e demais mudanças necessárias.
“O governo estadual e o governo federal estão alinhados nesta questão, de grande importância para garantir a fluidez do tráfego de veículos e, principalmente, para preservar a segurança dos usuários nesta transição. Não vamos medir esforços para garantir que a canalização do tráfego seja realizada de modo tranquilo e ordenado, especialmente nos primeiros dias após o fim dos pedágios”, afirma o diretor-geral do DER/PR, Fernando Furiatti.
A canalização nas praças de pedágio é um dos procedimentos operacionais que teve seus trabalhos intensificados nos últimos 30 dias dos contratos de pedágio, conforme programação do DER/PR, com os serviços necessários devendo ser executados pelas próprias concessionárias.
Os contratos da Econorte, Viapar e Ecocataratas encerram às 23h59min do dia 26 de novembro, enquanto os contratos da Caminhos do Paraná, Rodonorte e Ecovia terminam no dia seguinte, às 23h59min do dia 27 de novembro. A partir de 28 de novembro não haverá qualquer cobrança nas rodovias do Anel de Integração.
CONCESSÕES – Em 1996 foram firmados convênios de delegação para exploração de rodovias federais entre o Governo do Paraná e o governo federal, abrindo espaço para a licitação e assinatura dos contratos de concessões em 1997, divididos em seis lotes e com prazo de execução de 24 anos. Os mesmos foram modificados ao longo dos anos, com termos aditivos assinados em 1998, 2000, 2002, 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018.
Atualmente 2.505,2 quilômetros de rodovias federais e estaduais compõem o Anel de Integração, que será encerrado no final deste mês. O novo programa de concessões rodoviárias está sendo elaborado pelo governo federal, devendo ser lançado em 2022.
Por - AEN
Estudo contratado pela Assembleia apresenta diagnóstico de problemas deixados pelo pedágio no Paraná
Um estudo contratado pela Assembleia Legislativa do Paraná será apresentado na próxima terça-feira (23), às 9h30, durante uma audiência pública da Frente Parlamentar sobre o Pedágio.
Técnicos do Instituto Tecnológico de Transportes e Infraestrutura, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), realizarão a apresentação do documento que mostra um diagnóstico dos problemas, passivos estruturais e possíveis litígios das atuais concessões nas rodovias paranaenses. Os deputados que integram a Frente Parlamentar sobre os Pedágios da Assembleia se reúnem há mais de um ano com a população para discutir a nova modelagem de concessões rodoviárias proposta pelo Governo Federal.
A audiência pública será transmitida ao vivo pela TV Assembleia, site e redes sociais do Legislativo paranaense. A participação do público poderá ser feita por meio do link https://us06web.zoom.us/j/89145066111?pwd=aUtWV3lNNDBKR0xqYzk5cUZDYUNRQT09.
A cobrança nas praças de pedágio do Paraná se encerra na próxima semana, no dia 28 de novembro. Por cerca de um ano, não haverá recolhimento de valores nas estradas paranaenses. De acordo com um cronograma elaborado pela ANTT e divulgado pelo Governo do Estado, a previsão é que o lançamento do edital de licitação seja realizado no primeiro trimestre de 2022. O leilão deve ocorrer no segundo trimestre. Já a assinatura do contrato pelas empresas vencedoras está prevista para o terceiro trimestre do ano que vem.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) já enviou o plano de outorga para análise do Tribunal de Contas da União (TCU). A ANTT aprovou o edital no dia 4 de novembro. A análise do TCU é a última etapa prevista antes de o projeto ir a leilão na Bolsa de Valores. O documento encaminhado contempla os estudos de viabilidade técnica e econômica para a exploração dos serviços de infraestrutura e prestação de serviços de transporte terrestre dos seis lotes.
Todo este trâmite inspira preocupações nos deputados estaduais paranaenses, assim como o passivo deixado pelas atuais concessionárias de pedágio. Por isso, o trabalho da Frente Parlamentar sobre o Pedágio da Assembleia irá continuar acompanhando o desenrolar das concessões no Estado, tanto da que está terminando quanto a que se inicia em 2022. É o que diz o presidente do Legislativo, deputado Ademar Traiano (PSDB) “A Assembleia contribuiu desde o primeiro momento na questão do pedágio. A Frente Parlamentar defendeu os interesses do consumidor. Demovemos o Governo Federal de iniciativas que entendíamos ser prejudicial ao Estado. Por outro lado, tivemos uma reunião no Palácio Iguaçu onde o governo fez uma explanação do estágio em que se encontra a nova concessão, além do que ocorrerá nesse tempo em que as cancelas serão liberadas, mostrando o que se pretende fazer no sentido de manutenção da malha viária e no atendimento ao usuário”, explicou.
O primeiro secretário da Assembleia, Luiz Claudio Romanelli (PSB) avaliou que era necessário encerrar a primeira fase do debate sobre as concessões com um estudo do passivo das atuais concessões. “Os paranaenses, depois de um pesadelo de 24 anos, estarão livres das atuais concessionárias, com o fim de cobrança de pedágios abusivos. Elas, no entanto, deixam um rastro de obras não realizadas. Então, o que faremos é apresentação deste estudo técnico contratado pela Assembleia para que todos tenham um documento mostrando aquilo que se deixou de ser cumprido”. Para Romanelli, esta é apenas parte do problema. “Ao mesmo tempo, iniciaremos a discussão sobre a nova modelagem de contrato. Há temas controversos no que foi protocolado no TCU, principalmente a falta de audiências públicas nos municípios cortados por estas rodovias. Não sabemos quais obras estão previstas e isto pode gerar custos ainda maiores no degrau tarifário”.
Audiência
O coordenador da Frente Parlamentar, deputado Arilson Chiorato (PT), explica que o principal objetivo da audiência é analisar os resultados do estudo realizado pelo instituto tecnológico da UFPR. "Durante a audiência será apresentado o estudo sobre todo o passivo deixado pelo pedágio. São obras inacabadas, que sumiram do contrato, outras que apareceram, além dos valores a serem debatidos", afirma. O deputado diz também que o encontro vai contar com a participação do Conselho Regional de Economia, da Ordem dos Advogados do Brasil - seção do Paraná (OAB-PR) e dos parlamentares que integram o grupo de trabalho.
Para outro membro da Frente Parlamentar, deputado Homero Marchese (PROS), a reunião representa um divisor de águas entre o contrato que se encerra e a concessão que se inicia. “O objetivo da audiência é passar uma régua final nestes contratos, para que os erros cometidos não sejam repetidos no futuro. O paranaense sofreu com contratos muito ruins. É preciso de um capítulo final de tudo o que aconteceu, especialmente das obras que não saíram do papel. Isso é necessário para que o Paraná não repita erros que já aconteceram. Dessa vez, a equipe vai analisar o contrato desde o início e vai chegar a um quantitativo do que foi retirado indevidamente. Fica como lição para o futuro”.
Para o deputado Tercílio Turini (CDN), que também é membro da Frente Parlamentar, é necessário também realizar um debate sobre o período em que as rodovias ficarão sem cobrança de pedágio. “Temos um limbo até termos a nova concessão. As cancelas serão abertas e teremos uma expectativa do que vai ocorrer. Há toda uma questão de logística para se enfrentar neste período, como a questão de manutenção e atendimento ao usuário. São pontos que nos preocupam”.
O deputado Evandro Araújo (PSC) diz que a Universidade Federal do Paraná vai demonstrar números do prejuízo sofrido pela população paranaense. “O Paraná foi mais lesado que a gente imagina e que dimensionamos até agora. Por isso, este estudo vai nos subsidiar e lançar luz sobre o que está contido na proposta do edital. Queremos fazer questionamentos. Será um tempo de bastante trabalho para Frente Parlamentar”, conclui.
Nova modelagem
O governo estadual informou que o modelo de leilão escolhido é o de menor tarifa, sem limite de desconto e com a garantia de obras a partir de um seguro-usuário, que será proporcional ao desconto tarifário apresentado no leilão. A concessão para a iniciativa privada é de 30 anos, prorrogáveis por mais cinco.
Com a nova modelagem proposta pelo governo federal, estão previstas 15 novas praças de pedágio, sendo quatro no Oeste, três no Sudoeste, três no Noroeste, duas no Norte e três no Norte Pioneiro. A nova concessão rodoviária do Paraná terá 3,3 mil quilômetros – destes, cerca de 1,1 mil quilômetros são de trechos estaduais. Serão investidos cerca de R$ 44 bilhões.
De acordo com o Executivo, o programa vai contar com tarifas mais baixas e obras distribuídas em mais de mil intervenções especiais como viadutos, trincheiras, terceiras faixas e passarelas. O Executivo informou ainda que a tarifa terá 30% de redução no início da concessão, permitindo uma queda maior durante o leilão.
Por - ALEP
O Departamento de Políticas para Criança e Adolescente da Secretaria de Justiça, Família e Trabalho, em parceria com o Conselho Estadual do Direito da Criança e Adolescente (Cedca) e com a Escola de Educação em Direitos Humanos (ESEDH), realiza no próximo dia 30 um seminário para debater o Plano Decenal da Criança e do Adolescente no Estado.
O objetivo é apresentar atualizações e sugestões para adequação das políticas públicas do Governo do Paraná frente aos novos desafios pós-pandemia. A transmissão será pelo canal do YouTube da Sejuf.
O relatório “Monitoramento, Avaliação e Plano de Ação 2021-2023” foi elaborado pela equipe técnica: Ayslan Juan Propst (DPCA/SEJUF); Denise Xavier Masson (DPCA/SEJUF); Francielle do Rocio de Lima Souza (DPCA/SEJUF) e Ingrid Machado do Nascimento (NPS/SEJUF).
O trabalho aprimora as metas do Plano de Ação, que tem vigência até 2023. O Plano Decenal estabelece um planejamento de longo prazo ao Estado, inclusive à sociedade, para que haja a congregação de esforços, recursos, propostas e ações, criando uma estrutura interligada de políticas públicas direcionadas à efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes.
“Com a atualização do plano estaremos nos adequando à nova realidade. O objetivo é proporcionar maior qualidade de vida às nossas crianças, adolescentes, e que as famílias tenham seus direitos assegurados”, afirmou o secretário de Justiça, Família e Trabalho, Ney Leprevost.
“Política para infância a gente faz com um tripé: conselho, plano e fundo. O Estado do Paraná tem um Conselho ativo, o Cedca, o qual realiza reuniões periódicas. Temos o Plano Decenal, que dá subsídios para as decisões, priorizando a infância e a adolescência. E, por fim, o Fundo da Infância e Adolescência, que vem realizando o financiamento de inúmeras ações previstas no plano”, explicou a presidente do Cedca, Ângela Mendonça.
PANDEMIA – Algumas ações previstas no Plano Decenal, e já executadas pelo Estado do Paraná, tiveram relevância no atendimento durante a pandemia. Dois exemplos são o aporte de recursos para o programa Leite das Crianças e o repasse de R$ 57,8 milhões para o programa Cartão Futuro.
Também foram deliberados pelo Cedca, em consonância com o Plano Decenal, R$ 21 milhões para 384 municípios do Paraná com o objetivo de fortalecer as estruturas dos Conselhos Tutelares do Paraná.
O Cedca teve importância fundamental em todo o processo, uma vez que trata-se de um órgão colegiado paritário que controla a política estadual da criança e do adolescente. A principal função do conselho é acompanhar a formulação da política de promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente, conforme os preceitos expressos na Constituição Federal, ECA e demais instrumentos normativos nacionais e internacionais.
Por - AEN
Novembro é época de iniciar o controle da broca-da-erva-mate, principal praga da cultura, devido ao alto potencial de dano às plantas e prejuízo econômico aos produtores.
As fêmeas do besouro Hedypathes betulinus depositam seus ovos sob as cascas dos ramos e dentro do tronco da erveira, que é danificada pela ação das larvas do inseto.
“É uma praga silenciosa, que ataca a planta por dentro, causando danos mais severos. Está atingindo quase 100% dos ervais. Em novembro, o inseto sai do tronco para fazer o acasalamento. Por isso é o período ideal para controle, pois o inseto fica visível no erval e pode ser contaminado pelo produto com mais facilidade”, explica Bruno Vizioli, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR.
Desde 2010, o controle da broca-da-erva-mate pode ser realizado com o uso de um produto biológico desenvolvido pela Embrapa Florestas. O bioinseticida contém esporos do fungo Beauveria bassiana como ingrediente ativo, que provocam a morte dos insetos, e óleo vegetal, que ajuda na adesão do produto à cutícula do inseto para aumentar sua eficiência. É o único produto destinado ao controle da praga na erva-mate registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
“O produto foi desenvolvido à base de uma cepa isolada do fungo para combater especificamente a broca-da-erva-mate. Além de não agredir o meio ambiente, possui alta eficiência a campo, transmissão por contato e efeito cumulativo. Os besouros acometidos pelo fungo o transmitem para outros insetos e a tendência é que a população seja reduzida ao longo dos anos”, destaca a pesquisadora da Embrapa Florestas, Susete Chiarello, responsável pelo desenvolvimento do produto.
A penetração dos esporos do fungo ocorre principalmente nos pontos frágeis do corpo do inseto, causando sua morte após 20 a 30 dias. Quando contaminado, o corpo do inseto fica coberto pelo fungo, causando uma aparência esbranquiçada. É nesta fase que eles passam a transmitir o fungo para insetos sadios, aumentando o controle do inseto.
Segundo a pesquisadora da Embrapa Florestas, estudos comprovam eficiência de até 70% no uso do produto em campo. Cerca de quatro meses após a aplicação, o inseticida permanece ativo no tronco da erveira, com capacidade de atingir ainda 50% das pragas.
O produto desenvolvido à base do fungo não possui aditivos químicos e, por isso, não agride o meio ambiente. Ainda, os esporos utilizados na composição atacam apenas a broca-da-erva-mate, não oferecendo riscos a outros animais e seres humanos e evitando qualquer tipo de contaminação.
Ação conjunta
O produtor de erva-mate Naldo Vaz, de Bituruna, na região Centro-Sul do Estado, reforça a importância da mobilização dos produtores para que o combate à praga seja realmente efetivo. “Desde 2015, faço o controle com o produto biológico na minha propriedade e tive uma redução de praticamente 98% dos ataques dos besouros. Sigo a programação das aplicações e as orientações técnicas, mas enquanto todo os produtores de erva-mate não fizerem o mesmo, não adianta”, aponta.
Naldo Vaz, ervateiro que também é presidente da Associação Biturunense da Erva-Mate (Abem) e do Conselho Gestor da Erva-Mate do Vale do Iguaçu (Cogemate), conta que estão investindo em um trabalho de conscientização nas entidades, em parceria com a Embrapa Florestas. “Nós fazemos uma campanha anual com os nossos associados e outros produtores, tentando disseminar a informação o máximo possível, pois percebemos a falta de conhecimento sobre as medidas de controle da broca, principalmente com o uso do produto”, relata Vaz. “O produtor sabe do problema. Se todo mundo fizer a lição de casa, a necessidade de aplicação de produto será cada vez menor e o custo vai diminuir”, alerta.
A catação manual e uso de aves ainda são alternativas utilizadas para controle da praga. Porém, feitas de maneira isolada, possuem baixa eficácia. Segundo Susete Chiarello, da Embrapa Florestas, os produtores podem continuar realizando tais medidas nos meses de aparecimento dos insetos adultos, desde que combinadas a outras ações.
Recomendações
Para que o produto atinja sua eficácia completa no combate à broca-da-erva-mate é importante que o produtor siga as instruções indicadas na bula. Por exemplo, recomenda-se fazer a aplicação na região abaixo da folhagem do tronco da erveira, local onde a fêmea do besouro caminha para fazer a postura dos ovos, impedindo a reprodução dos insetos. Com isso, também se evita desperdício de produto e que outros insetos benéficos sejam atingidos.
Outra recomendação é fazer a aplicação nas horas mais frescas do dia, preferencialmente no final da tarde, pois o fungo permanece ativo por mais tempo e a incidência solar pode reduzir a eficácia do produto. O bioinseticida também não deve ser aplicado em dias chuvosos ou com probabilidade de chuva.
A aplicação deve ser feita de forma com que o produto forme uma névoa que cubra toda a região e não escorra. Mesmo sendo um produto biológico, o produtor e/ou trabalhador rural deve usar Equipamento de Proteção Individual (EPI) e fazer a limpeza adequada dos utensílios utilizados.
Após a aplicação, deve-se evitar a prática de limpeza mecânica ou química entre as linhas do erval, deixando uma cobertura verde, para propiciar condições ideais para o desenvolvimento e persistência do fungo. Quanto à realização da poda, a indicação é manter de 25% a 30% de folhas em cada planta para favorecer a ação do fungo e contribuir para a eficiência do controle, além de evitar o estresse na planta.
O produto deve ser aplicado duas vezes por ano, novembro e fevereiro, e pode ser encontrado em casas agropecuárias. “Novembro é o mês de maior urgência para o controle pois é o momento de evitar a reprodução da broca. Já fevereiro, é um pouco antes do período em que as fêmeas começam a fazer a postura”, observa Susete.
Ataque pode causar a morte das árvores
As larvas da broca-da-erva-mate constroem galerias no tronco que impedem a circulação normal da seiva, prejudicando o desenvolvimento e resultando no broqueamento das plantas. A planta fica debilitada e perde produtividade, ocorrendo seca de galhos e perda de folhas. Quando o ataque é muito intenso, pode causar a morte das árvores.
Durante o processo de broqueamento, a larva faz um orifício no tronco e a serragem é expelida para fora da planta, o que denuncia a presença da praga. O inseto adulto é um besouro que mede, aproximadamente, 2,5 centímetros, com o corpo de coloração preta e partes cobertas por pelos brancos – por isso é popularmente conhecido como besouro corintiano. Estão presentes nos ervais, em maior número, entre os meses de novembro e abril. Segundo a Embrapa Florestas, é possível encontrar até 50 mil adultos em uma área.
Setor ervateiro do PR investe em tecnologia e exportações
O Paraná é o maior produtor de erva-mate do Brasil. Na última década, registrou crescimento de 2% ao ano, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). Em 2020, a cultura paranaense ultrapassou R$ 750 milhões em Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP). Apesar dos números positivos, ainda existe potencial para o setor alcançar novos patamares em produtividade e qualidade do produto.
Segundo Ives Goulart, pesquisador da Embrapa Florestas, por ser uma cultura nativa da região Sul, cuja colheita extrativista perdurou por muitos anos, o setor não apresenta alto nível de aporte tecnológico em comparação com outras culturas. “Implantar tecnologia não se refere somente a insumos caríssimos e equipamentos de última geração. O Paraná está despertando para essa questão, tanto que nos últimos anos, houve bastante organização do setor e várias iniciativas surgiram”, aponta.
Na Embrapa Florestas, a necessidade de organizar tecnologias voltadas para a erva-mate em um sistema de produção culminou no Sistema Erva 20, um conjunto de práticas em ervais plantados que visam o aumento da eficiência produtiva e sustentabilidade da cultura. “Quanto mais capacitação e assistência técnica disponíveis, maior será o nível tecnológico desses produtores, resultando em mais qualidade e produtividade. O SENAR-PR, um dos nossos parceiros, é fundamental nesse processo de capilarização das tecnologias e cria um ambiente propicio à inovação no âmbito das propriedades. Isso vai se refletir em resultados concretos nos próximos cinco anos”, avalia Goulart, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do Erva 20.
Segundo o pesquisador, produtores que adotam as oito principais tecnologias apresentadas pelo Sistema Erva 20 têm produtividade pelo menos três vezes maior que a média nacional. “É um processo contínuo, lento e gradual, mas calcado em bases científicas, e que vai ao encontro da missão da Embrapa no desenvolvimento de tecnologias”, afirma.
Na opinião do produtor Naldo Vaz, é possível observar o aumento da procura por capacitação técnica e melhoria na gestão das propriedades. Na Associação Biturunense da Erva Mate (Abem), onde ocupa o cargo de presidente, o Erva 20 já é conhecido entre os produtores e, segundo Vaz, a busca por informação não para. “O interesse do produtor por inovação está aumentando. O trabalho do SENAR-PR está ótimo, com cursos sensacionais e com uma frequência que não acontecia antigamente”, complementa.
O impacto ambiental também é uma das preocupações do setor. Ou seja, a adoção de tecnologias e o aumento da produtividade devem acompanhar a sustentabilidade. Além de beneficiar o cultivo da erva-mate, o fator ambiental aumenta o valor agregado do produto, principalmente para exportações.
“A erva-mate paranaense é um produto especial no mercado e existe por causa desse ecossistema que nós mantemos. Aos poucos, o Brasil está aumentando sua participação no mercado internacional. Muitas marcas têm apostado em linhas de bebidas e produtos com erva-mate, principalmente por suas propriedades estimulantes, o que vem sendo uma alternativa aos outros produtos com cafeína. As perspectivas são boas. É hora de aproveitar essa demanda”, constata.
O produtor Nei Kukla
O produtor Nei Kukla, de União da Vitória, na região Sudeste, ratifica o potencial da erva-mate paranaense nas vendas para o exterior. Além de produtor, Kukla atua como engenheiro agrônomo em uma agroindústria que fica localizada no município de Cruz Machado. Com capacidade de processamento de 2 mil toneladas de erva-mate por ano, cerca de 90% da produção da agroindústria é destinada para exportação.
“O produto paranaense possui um padrão de qualidade diferente. Além da qualidade superior, nós ainda conseguimos agregar valor ao nosso produto por ser de produção orgânica e sustentável. Além do selo de orgânicos, temos o selo Fair for Life, uma certificação de comércio justo. Esse é o diferencial do setor: produção economicamente viável com responsabilidade socioambiental”, finaliza.
Por - FAEP














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