O período do final de ano é marcado pelo aumento do fluxo de veículos e usuários circulando pelas rodovias federais para os mais diversos destinos. Atentos a esta situação, como parte das ações do Programa Rodovida 2021, policiais rodoviários federais reforçam trechos estratégicos nos mais de quatro mil quilômetros de malha viária que cortam o estado, priorizando ações preventivas para redução da violência no trânsito.
O objetivo da PRF é garantir aos usuários a segurança viária, o conforto e a fluidez do trânsito.
A fiscalização e o policiamento orientado são intensificados por meio de rondas ostensivas nas rodovias e do posicionamento estratégico das viaturas e policiais ao longo dos trechos mais movimentados e considerados pontos críticos, pelo alto índice de acidentes e pela elevada taxa de cometimento de infrações de trânsito.
Um levantamento da PRF demonstra que em 2021, assim como em outros anos, as colisões traseiras foram o tipo de acidente mais frequente nas rodovias federais do Paraná, correspondendo a mais de 20% do total de acidentes registrados até dezembro deste ano.
Esse tipo de acidente está intimamente relacionado ao comportamento imprudente do motorista de não guardar distância de segurança do veículo que transita a sua frente e também foi responsável pelo maior número de feridos em acidentes nas BRs do estado, correspondendo à 20% do total de feridos.
Apesar de não serem as colisões mais fatais, estão longe de serem apenas “batidinhas de para-choques”, como muitos acreditam. As colisões traseiras correspondem a mais de 10% das fatalidades, ficando atrás somente das colisões frontais, atropelamentos e saídas de pista, no número de mortos.
Deixar de guardar distância de segurança, além de ser uma infração de trânsito passível de multa, prejudica muito a fluidez do trânsito nas rodovias. Imprevistos podem acontecer e mesmo um motorista desatento é capaz de reagir em tempo a eles se mantiver uma distância segura do veículo da frente.
Além disso, não “andar colado” auxilia os veículos que tenham a intenção de realizar ultrapassagens e os veículos de socorro a intercalarem com agilidade e segurança os veículos que transitam a sua frente, diminuindo o risco de acidentes e melhorando a fluidez do trânsito.
REGRA DOS DOIS SEGUNDOS
Mantenha uma distância segura do veículo da frente. Uma boa distância permite que você tenha tempo de reagir e acionar os freios diante de uma situação de emergência e para que haja tempo também para que o veículo, uma vez freado, pare antes de colidir.
Uma regra simples que muitos não conhecem e que pode ajudar a evitar muitos acidentes e salvar vidas é a regra dos dois segundos. Em condições normais da pista e do clima, o tempo necessário para manter a distância segura é de, aproximadamente, dois segundos.
Essa distância, leva em consideração o trânsito dentro dos limites de velocidade estabelecidos, que é de 110 quilômetros por hora no máximo.
- Escolha um ponto fixo à margem da via;
- Quando o veículo que vai à sua frente passar pelo ponto fixo, comece a contar;
- Conte dois segundos pausadamente. Uma maneira fácil é contar seis palavras em sequência “cinquenta e um, cinquenta e dois”.
- A distância entre o seu veículo e o que vai à frente vai ser segura se o seu veículo passar pelo ponto fixo após a contagem de dois segundos.
- Caso contrário, reduza a velocidade e faça nova contagem. Repita até estabelecer a distância segura.
Para veículos com mais de 6 metros de comprimento ou sob condições adversas como chuva e neblina, aumente o tempo de contagem: “cinquenta e um, cinquenta e dois, cinquenta e três”.
FINAL DE FILA
Um dos imprevistos que podem ocorrer nos deslocamentos nas estradas é se deparar com uma equipe policial, ou da concessionária que presta serviço na rodovia, sinalizando um congestionamento ocorrido devido a algum acidente grave ou interdição na via.
Neste caso, mantenha os cuidados da direção defensiva. Assegure a distância do veículo a sua frente, reduza a velocidade gradativamente e sinalize eventuais manobras ou paradas completas. Desta forma você evita a ocorrência de novos acidentes.
Observe as orientações emanadas pelo agente. Não confunda esta situação com uma fiscalização de velocidade ou ‘blitz’. Conduza seu veículo conforme os sinais do agente. Como exemplo, o sinal de reduzir a velocidade ou a ordem de parada. Fique atento a objetos como cones e viaturas. Estes podem estar orientando mudança de faixa ou pista.
A Polícia Rodoviária Federal deseja um bom feriado a todos e reforça que o condutor deve manter atenção constante ao trânsito. Muitos são os fatores que podem contribuir para acidentes graves ou fatais. Um segundo de desatenção é o suficiente para acarretar graves consequências para condutores, passageiros e pedestres.
Assista aqui.
Por - PRF
As transferências feitas pelo Governo do Estado aos municípios paranaenses, por meio da secretaria estadual da Fazenda, ultrapassaram os R$ 9,1 bilhões de janeiro a novembro de 2021, segundo dados do Sistema Integrado de Acompanhamento Financeiro.
O volume transferido em 11 meses é 11% maior em relação ao total transferido no ano passado (em 12 meses), que foi de R$ 8,2 bilhões.
“Mantemos o compromisso de transferir todos os meses recursos arrecadados com os impostos que são revertidos para serviços públicos em estradas, rodovias, ruas, pontes, portos, aeroportos, ferrovias, entre outros”, afirma o secretário da Fazenda, Renê Garcia Junior.
O montante se refere a repasses de Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), Fundo de Exportação (FPEX) e royalties de petróleo.
Os repasses de janeiro a novembro de 2021, de cada um dos tributos, superam o total do ano de 2020 (janeiro a dezembro). O ICMS compôs a maior parte, chegando a R$ 6,9 bilhões em 11 meses. A maior parte vem do ICMS, chegando a R$ 6,9 milhões em 11 meses. Houve acréscimo de 812 milhões de sobre o total do ano passado, que foi de R$ 6,1 bilhões. Do montante do ICMS transferido neste ano já estão deduzidos 20% para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização aos Profissionais da Educação (Fundeb).
Já o repasse relativo ao IPVA chegou a R$ 2 bilhões – valor correspondente aos veículos licenciados em cada município. O volume também é maior sobre o repasse total de 2020, que foi de R$ 1,9 bilhão.
O Fundo de Exportação aumentou de R$ 100 milhões (total de 2020) para R$ 104 milhões de janeiro a novembro de 2021. Já os royalties de petróleo somaram R$ 2,2 milhões nos onze meses deste ano, enquanto que nos 12 meses de 2020 o total foi de R$ 1,4 milhão.
CONFIRA MONTANTE MÊS A MÊS:
Janeiro: R$ 1,3 bilhão
Fevereiro: R$ 823 milhões
Março: R$ 879 milhões
Abril: R$ 754 milhões
Maio: R$ 714 Milhões
Junho: R$ 872 milhões
Julho: R$ 675 milhões
Agosto: R$ 741 milhões
Setembro: R$ 758 milhões
Outubro: R$ 657 milhões
Novembro: R$ 872 milhões
Por - AEN
A política pública habitacional iniciada pelo do Estado em 2019, com foco em projetos para a população em situação de vulnerabilidade social, ganhou mais força nos últimos dois anos e deve culminar com um salto de investimentos a partir de 2022.
Além dos investimentos próprios oriundos do Fundo Estadual de Combate à Pobreza, novas fontes de recursos vão permitir que milhares de famílias paranaenses obtenham condições dignas de moradia com baixo ou nenhum custo.
Através do programa Nossa Gente, com coordenação conjunta entre a Cohapar e a Secretaria da Justiça, Família e Trabalho (Sejuf), mais 509 famílias que residiam em assentamentos precários receberem novas casas em todo o Estado em 2021, além de outros 345 imóveis que estão em fase avançada de construção.
As novas moradias são apenas parte do trabalho envolvido no programa, que também conta com obras de infraestrutura e urbanização, regularização fundiária das regiões impactadas e recuperação ambiental das áreas desocupadas.
Entre empreendimentos entregues e em obras, os projetos somam R$ 79 milhões de investimento em recursos obtidos pelo Governo em um financiamento junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
VIDA NOVA – Em 2020, o governo estadual lançou o programa Vida Nova, que é uma versão aprimorada do Nossa Gente. Um novo financiamento do BID ao Paraná, em fase final de negociação, também deverá intensificar as frentes de atuação do programa Vida Nova. A iniciativa já tem obras em andamento em Jandaia do Sul, onde acontece o projeto-piloto, em Floraí e Rio Azul, mas a perspectiva do Governo é chegar a dezenas de outros municípios com a liberação de aproximadamente R$ 1 bilhão do banco.
“O Vida Nova trata diretamente das pessoas que moram em áreas de ocupação, locais insalubres ou áreas de risco, que sofrem com riscos de enchente e desabamento, comumente chamadas de favelas”, explica o presidente da Cohapar, Jorge Lange. “Para isso, o Governo do Paraná está trabalhando junto com o Governo Federal e o BID para um empréstimo de mais de US$ 180 milhões, que serão utilizados para esse programa pra atender as pessoas mais vulneráveis”, completa.
Segundo o governador Carlos Massa Ratinho Junior, o aspecto social é um dos pilares da gestão estadual. “Nosso governo tem um olhar para as pessoas mais carentes que não tiveram condições de conquistar, nem através do aluguel, uma casa decente para cuidar de seus filhos”, afirma. “Queremos fazer um grande programa para tirá-las de áreas extremamente pobres ou de risco e dar-lhes um lugar decente, adequado para que possam viver”, afirma Ratinho Junior.
ÁREAS PRIORITÁRIAS – Por meio do Plano Estadual de Habitação de Interesse Social, em que as prefeituras incluem todas as informações sobre os problemas habitacionais dos municípios, a Cohapar identificou 879 assentamentos precários (favelas) em todo o Paraná. Entre estes, foram selecionadas 137 áreas prioritárias, que serão atendidas pelo Vida Nova.
A prioridade da companhia será o atendimento de pessoas residentes em assentamentos localizados em áreas públicas, em municípios cuja ação signifique a erradicação das favelas. O público-alvo do programa são pessoas com renda familiar mensal de até três salários-mínimos, residentes em áreas de ocupação irregular.
DIFERENCIAIS – De acordo com o presidente da Cohapar, Jorge Lange, um dos diferenciais do Vida Nova é o conceito de que os investimentos em habitação devem servir como porta de entrada a outros serviços públicos para a população em situação de vulnerabilidade social. Para chegar a esse resultado, o programa conta com a participação de 16 órgãos estaduais que trabalham do diagnóstico até a realização de ações sociais à comunidade no pós-ocupação das novas moradias.
Estão previstas, por exemplo, a realização de cursos de capacitação focados na geração da renda, bem como ações para a conscientização ambiental, educação e especialização, segurança e saúde básica, entre outros.
“O Vida Nova é um aperfeiçoamento do Nossa Gente, que pega essa experiência e traz para ela a valorização do cidadão, porque foca em melhores condições de vida, para que haja uma mudança comportamental e elas tenham uma mudança de fato e possam progredir na vida e ter a sua cidadania reconhecida”, declara Lange.
Por - AEN
Relatório de auditoria contratada pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER) aponta baixa qualidade na execução do pavimento de todos os lotes pedagiados.
O deputado Arilson Chiorato (PT) chama a atenção para o fato das informações serem divulgadas após o término dos contratos com as concessionárias. “Um mês após o fim dos contratos, auditoria aponta baixa qualidade do pavimento em todos os lotes pedagiados, ou seja, mais um abuso contra o povo paranaense”, alerta Arilson.
O parlamentar chama a atenção também para o período em que a auditoria foi feita e sobre a data de divulgação do relatório. “De acordo com os documentos divulgados pelo DER, a verificação do pavimento foi feita entre abril e setembro, ou seja, dois meses antes do fim do contrato, mas divulgado só agora”, observa.
Para o deputado Arilson, é nítida a falta de antecipação por parte do órgão do Governo do Estado que tinha por obrigação fiscalizar as obras realizadas pelo pedágio. “É de conhecimento público que agir no momento certo e com antecipação é fundamental para a eficácia da cobrança das obrigações destes grandes grupos econômicos. Agora, essa cobrança, que muito provavelmente será judicial, vai se arrastar durante anos na Justiça”, acredita.
Na avaliação do parlamentar, a auditoria é só mais um flagrante do descaso das concessionárias, que administravam as rodovias, com os usuários. “Por isso, já protocolei junto ao DER um pedido de informação para saber quando a empresa contratada para fazer a auditoria entregou esse relatório. Essa informação é crucial para saber se houve ou não omissão por parte das instituições responsáveis”, diz.
De acordo com a auditoria cerca de 18,7% das faixas de rolamento e acostamentos das rodovias do Anel de Integração não atendem aos requisitos mínimos de qualidade determinados em contrato. Ainda segundo o documento, em alguns trechos as falhas estão mais presentes, em outros menos. Por exemplo, no lote 1 (Econorte) 54% desse tipo de serviço foi realizado fora do padrão, no lote 2 (Viapar) 13%, no lote 3 (Ecocataratas) 8%, no lote 4 (Caminhos do Paraná) 18%, no lote 5 (Rodonorte) 12% e no lote 6 (Ecovia), 20%.
“É notório que o período entre setembro e novembro de 2021 foi crucial para diagnosticar e cobrar as responsabilidades contratuais das concessionárias Econorte, Viapar, Ecocataratas, Caminhos do Paraná, Rodonorte e Ecovia, o que não foi feito. E, agora, a consequência desse atraso poderá ser vista na deterioração precoce das rodovias, que colocará os usuários em risco. Além disso, demandará de maior investimento por parte do DER na manutenção das estradas, ou seja, é só prejuízo”, avalia.
“Por isso, mais uma vez, eu cobro sobre a importância de um contrato transparente e com mecanismos que incluam uma fiscalização séria. Não podemos passar por essa situação de novo”, comenta.
O pedido de informação foi protocolado no dia 24 de dezembro no site do DER e aguarda retorno no órgão.
Por - ALEP
A crise hídrica, o impacto do uso de agrotóxicos na agricultura e o programa Lixo Zero, entre outros temas, estiveram no foco dos debates da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e Proteção aos Animais da Assembleia Legislativa do Paraná neste 2021.
“Foi um ano muito importante, não apenas por aprovarmos projetos relevantes como a reconstituição da mata ciliar nos reservatórios do estado e o Plano Estadual de Resíduos Sólidos, que visa adotar políticas mais adequadas de tratamento do lixo, mas também pela realização da COP 26, com as discussões e encaminhamentos urgentes sobre o clima”, destaca o presidente do grupo, deputado Goura (PDT).
A Comissão analisou dezenas de projetos e promoveu 13 audiências públicas, diversas reuniões de trabalho e 13 visitas em reservatórios, áreas de conservação, comunidades do litoral, a quilombolas do vale do Ribeira; parques e municípios, com o objetivo, segundo Goura, de “apontar na direção de um Paraná mais sustentável com políticas públicas efetivas”
Entre os destaques das propostas analisadas em 2021, estão o projeto que instituiu o Fórum Paranaense de Mudanças Climáticas Globais, que veio do Poder Executivo e já se tornou lei no Paraná. O Fórum pretende sensibilizar e mobilizar a sociedade paranaense para a discussão e tomada de posição sobre o fenômeno das mudanças climáticas globais, subsidiando a elaboração e implementação de políticas públicas relacionadas ao tema, promover a articulação das ações de enfrentamento das mudanças climáticas em nível estadual com as praticadas nas esferas nacional e municipais, sejam públicas ou privadas. E ainda, facilitar a interação entre a sociedade e o Poder Público, com a participação de membros das Secretarias de Estado; das Superintendências do Poder Executivo; da Assembleia Legislativa do Paraná; Ministério Público; de órgãos como o Instituo Água e Terra, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná; além de Sanepar, Copel, Simepar, Adapar e Comec e representantes da sociedade.
Se em 2020, a preocupação dos deputados que compõem a Comissão de Meio Ambiente era a crise hídrica que continuou a afetar o Paraná e a Região Metropolitana de Curitiba, em 2021 não foi muito diferente. O tema também gerou debates. “Tudo que envolve o meio ambiente está ligado à crise hídrica, porque temos que lembrar que ela não ocorre apenas pela estiagem, mas é a consequência direta do desmatamento que o estado do Paraná sofreu nos últimos 70 anos. Antes disso, a nossa cobertura vegetal era gigante. A grande Floresta de Araucárias foi interrompida em sua extensão; hoje temos fragmentos de mata. Por isso as onças e os grandes felinos estão desaparecendo”, lamenta o deputado. Felinos que foram tema de outra audiência pública da Comissão, que aconteceu no mês de novembro. “Eles não vivem em lugares que não sejam matas. Sem a floresta em pé, nossos mananciais, nossas nascentes secam e os animais não sobrevivem”, acrescenta.
Outra discussão do grupo de deputados ao longo do ano foi a implantação das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), que, na opinião de Goura, “de pequenas não têm nada”. Os parlamentares veem com preocupação a liberação desses empreendimentos, que, para eles, têm grandes impactos ambientais. Eles prometem fiscalizar as ações do Governo nesse sentido. “Quando necessário, vamos sim acionar a Polícia Ambiental e o Ministério Público”, indica Goura.
Um ano intenso
Renovação da licença do Parque Nacional do Iguaçu; Fórum Regional de Municípios Lixo Zero; discussão das travessias de fauna nas estradas nos novos contratos de pedágios; rios Urbanos nos Campos Gerais e a privatização da Eletrobrás em parceria com o SENGE também foram assuntos debatidos em audiências, encontros e visitas in loco feitas por integrantes da Comissão. Mas a maioria do trabalho ficou mesmo no campo virtual. “Não imaginávamos que ficaríamos tanto tempo nesse modelo de discussão, que avalio: tem prós e contras. Os prós é que muito mais gente pôde participar. O contra é que ficamos restritos a essa interface digital. Sinto falta da presença das pessoas. O modo remoto precisa continuar, porque ajuda muito. Não substitui, mas foi importante sim. Mas a política se faz nesse encontro de pessoas”, destaca o presidente da Comissão de Ecologia, Meio Ambiente e proteção aos Animais.
Para 2022, os parlamentares encaram o próximo ano como um período de muitos desafios e prometem investir pesado na fiscalização dos atos do Poder Executivo, olhando com preocupação a futura engorda da faixa de areia de Matinhos; a faixa de infraestrutura em Pontal do Paraná e projetos de porto privado no município; a discussão sobre a pavimentação da PR-405, que liga Antonina a Guaraqueçaba; a situação dos quilombolas, caiçaras e indígenas do litoral e de todo o Paraná. “Queremos estar mais presentes nessas comunidades. Já visitamos várias unidades de conservação com todos os cuidados e agora, graças à vacina, queremos voltar às visitas. O objetivo é continuar a fiscalizar tudo. Essa Comissão está de portas abertas. Ela é do povo do Paraná. Se a população tiver denúncias, encaminharemos, ou ideias de projetos de leis, que nos envie. Se depender de nós, teremos muito trabalho para que possamos cuidar das presentes e futuras gerações”, conclui Goura.
Além de Goura, fazem parte da Comissão os deputados Evandro Araújo (PSC), Ademir Bier (PSD), Alexandre Curi (PSB), Gugu Bueno (PL), Ricardo Arruda (PSL) e Tadeu Veneri (PT).
Por - ALEP
O produtor rural Gelson Sbardelotto, de 35 anos, precisava quitar algumas parcelas do financiamento de custeio de plantio do grupo agropecuário da família, em Dois Vizinhos, na região Sudoeste do Paraná. Em meados de julho, o preço da soja estava bom, mas como o mercado está aquecido, o agricultor ponderou que a tendência era de que o produto continuasse se valorizando.
Ele optou, então, por uma estratégia: vendeu 2 mil sacas no mercado físico, pagou as dívidas e, paralelamente, fez contratos de venda no mercado futuro de soja, que estavam com cotação de US$ 13,40 por bushel. Em agosto, 20 dias depois, as cotações alcançavam US$ 13,70 por bushel. Ou seja, a operação permitiu que ele quitasse as parcelas do financiamento (com a venda física) e, ao mesmo tempo, participasse das altas no mercado.
“Já tivemos um lucrinho. Essas operações são um ótimo instrumento para o produtor rural. Se preciso de dinheiro para custeio, vendo [a soja ou o milho] no mercado físico e vou para o mercado futuro”, exemplifica Sbardelotto.
Há dez anos o produtor utiliza dos instrumentais do mercado financeiro para se valer de oscilações de preço: tanto para se proteger de quedas, quanto para aproveitar de altas. Assim como ele, cada vez mais as aplicações em bolsa têm feito parte da rotina de agricultores, como estratégia para garantir renda.
Na prática
Pode parecer um pouco complexo a um primeiro olhar, mas, na prática, o bicho não é tão feio quanto parece. Operando em bolsa (no Brasil, na B3), o mercado futuro corresponde a negociações em que alguém se compromete a comprar ou vender um ativo (uma commodity, por exemplo) em uma data posterior, a preço pré-determinado. Os contratos são padronizados pela bolsa (ou seja, cada lote tem um volume específico, por exemplo) e as cotações oscilam conforme a dinâmica do mercado. Nessa modalidade, o produtor não precisa fazer a entrega física do produto: a liquidação é financeira, ou seja, o investidor paga ou recebe de acordo com as cotações na data do encerramento do contrato.
“O produtor tem que enxergar esse mercado como mais uma ferramenta de gestão da propriedade. Precisa ficar atento aos movimentos de bolsa e ao seu custo de produção. Dessa forma, ele consegue proteger o seu negócio e garantir rentabilidade”, diz Luiz Eliezer Ferreira, do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema FAEP/SENAR-PR.
Como fez Sbardelotto, o produtor pode recorrer ao mercado futuro quando tem elementos para crer que os preços de determinada commodity vão subir, valendo-se das altas das cotações. Por outro lado, o agropecuarista também pode usar esse instrumento para se proteger de quedas, fazendo contratos de venda futura, por um preço que cubra seus custos de produção e lhe garanta certa margem – fazendo o chamado hedge.
Ainda parece difícil? Vamos a um exemplo. Imagine um produtor de milho que, na época do plantio, tem custo de produção de R$ 64 por saca. Para garantir renda, ele vai à bolsa e faz contrato de compra de milho para dali a seis meses, a R$ 85 por saca. Se na data de liquidação do contrato a cotação estiver abaixo deste valor – a R$ 80, por exemplo –, ele se protegeu da queda, travando posição em R$ 85. Se o mercado subir, no entanto, ele não participa da variação positiva. Na prática, a estratégia funciona como uma espécie de seguro de queda. “Como a liquidação do contrato é financeira, o produtor pega esse dinheiro na mão e vende sua produção no mercado físico”, observa Ferreira.
Cotações
Para ficar de olho no mercado, o produtor pode acompanhar o sobe e desce das commodities em tempo real no site da B3 (www.b3.com.br). Desde agosto, o Sistema FAEP/SENAR-PR disponibiliza as cotações em seu site e em seu aplicativo. A variação dos preços aferida ao fim de cada pregão, seja de crédito ou de débito, devem ser liquidadas diariamente – o chamado ajuste diário. Dessa forma, para operar na bolsa, o investidor deve abrir uma conta com o equivalente a 30% do valor integral do contrato. Assim, se o ativo que ele detém tiver valorização naquele dia, o dinheiro entra na conta. Se a ação se desvalorizar, esse fundo é usado para cobrir a diferença.
Outro ponto é que, como os contratos são padronizados, partem de volumes pré-definidos. No caso do milho e da soja, por exemplo, cada contrato – ou lote – corresponde a 450 sacas de 60 quilos. Para o café, cada contrato equivale a 100 sacas de 60 quilos, e para o açúcar, 508 sacas de 50 quilos. Já o boi gordo tem cada contrato fixado em 330 arrobas. Apesar de serem volumes consideráveis, esses pontos de partida permitem que mesmo produtores médios ou ainda de pequeno porte possam utilizar esses instrumentais como estratégia de negócio.
Sbardelotto, mesmo, começou aos poucos, até para entender os mecanismos das aplicações. Ele ressalta que o produtor que recorrer ao mercado futuro deve estar sempre ligado às movimentações das cotações, mas que a prática pode muito bem ser conciliada com as atividades de gestão da propriedade. “Quando comecei, eu assisti a uma palestra e fiquei interessado. Comecei movimentando pouco: um lotinho, dois lotinhos. Depois, conforme fui entendendo, ganhando confiança e aumentando as operações”, relembra o produtor. “Falando, parece difícil. Mas na prática o produtor vê que não é um bicho de sete cabeças”, acrescenta.
Mercado de opções
Outra alternativa que pode ser usada pelo produtor tanto para proteção quanto para garantir renda é o mercado de opções. Nessa modalidade, o investidor compra uma espécie de título que lhe dá o direito de comprar ou de vender determinado ativo no futuro, a um preço pré-determinado.
Por exemplo, se o produtor rural quer garantir que vai vender seu milho a R$ 99 a saca em janeiro de 2022, ele adquire uma put (direito de venda) estabelecendo esse preço. Quando chegar o vencimento do contrato, ele garante esse valor, ainda que a cotação caia abaixo desse patamar. Vale ressaltar que é uma opção, não uma obrigatoriedade. Assim, se a saca de milho estiver acima dos R$ 99, ele não precisa exercer o direito de venda pelo preço pré-determinado.
Por outro lado, se um pecuarista, por exemplo, quiser se proteger de altas no preço do milho, ele pode fazer uma call (direito de compra).
Vamos a um caso prático: para manter seu custo de produção em um nível razoável, um bovinocultor precisa adquirir a saca milho a R$ 92, em janeiro de 2022. Ele estabelece esse valor no contrato da call. No vencimento, ele tem o direito de comprar o produto a esse preço, ainda que as cotações no mercado físico estejam mais elevadas.
Assim como no mercado futuro, as opções não envolvem entrega física de mercadoria. Ou seja, os contratos são liquidados financeiramente. Além disso, o mercado de opções oferece tanto a possibilidade de investimento em bolsa (com contratos padronizados), quanto em negociações de balcão (sem padronização).
Mercado em expansão exige conhecimento prévio
Para que o produtor rural comece a lançar mão desses instrumentais, o ideal é procurar uma corretora especializada. E na visão de quem atua nessas modalidades de operação financeiras, cada vez mais os mercados futuro e de opções têm sido usados por agropecuaristas como forma de ampliar rendimentos e/ou se precaver de oscilações. Analista de mercado e sócio da Granoeste Investimentos, Robson Polotto atribui o aumento da procura à maior difusão de informações, às perspectivas positivas em que essas aplicações implicam e à mudança gradativa do perfil dos produtores rurais, que estão cada vez mais afinados às novas tecnologias.
“É um mercado que tem crescido ano a ano. Hoje, o agricultor e o pecuarista estão mais tecnificados, usando as informações a seu favor. Com o celular na mão, têm acesso a esse mercado. E quando o produtor entende, ele percebe que pode aproveitar a correlação entre a bolsa e o mercado físico e usar isso a seu favor”, diz Polotto.
Hoje, a Granoeste tem como clientes produtores rurais do Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Santa Catarina. Segundo Polotto, as estratégias de operação são traçadas de forma conjunta, entre o cliente e a agência. “Na maioria dos casos, o cliente já sabe o que precisa: quer se proteger contra baixas ou contra altas. A gente senta com eles e monta uma estratégia. Aí, ele só precisa ter uma conta em um banco oficial”, conta.
Polotto ressalta que o mercado é acessível não só a grandes produtores, mas a agropecuaristas que conduzam propriedades de pequeno ou médio porte. Mesmo com os preços dos grãos e da arroba nas alturas, o especialista destaca que é imprescindível que o homem do campo fique de olho no vai e vem das cotações. “Quem acha que não precisa fazer nada porque o mercado está bom, pode se surpreender. O agropecuarista tem que usar as ferramentas para garantir um preço mínimo, para garantir seus custos e continuar produzindo com sustentabilidade financeira. Aumentar seus lucros não faz mal para ninguém”, afirma.
Luiz Eliezer Ferreira, do DTE do Sistema FAEP/ SENAR-PR, no entanto, destaca que o produtor deve procurar conhecer bem os mecanismos do mercado, antes de começar a operar. Ele recomenda que o investidor comece aplicando volumes pequenos, com cautela, para aprender os meandros de cada modalidade. “São instrumentos muito interessantes, mas que não admite aventureiros. Antes de entrar, o produtor deve buscar informações, conversar com um corretor especializado. Como todo produto financeiro, tem um risco”, orientou.
Mercado futuro
Os contratos negociados no mercado futuro estabelecem uma obrigatoriedade de comprar ou vender certa quantidade de um ativo a um preço pré-estabelecido, com liquidação em data futura. Todos os contratos são padronizados e operacionalizados em bolsa (no caso do Brasil, na B3).
Exemplo:
A saca de milho está em R$ 100 no mercado físico.
Um agricultor quer garantir que vai obter esse preço em janeiro de 2022, quando ele for colher a safra.
Ele emite contratos de venda para janeiro de 2022, a R$ 100 – valor que ele vai receber quando o contrato for liquidado.
Se o preço cair, ele se protegeu da queda – ou seja, faz o chamado hedge. Mas se o preço subir, ele não participa da alta.
Características:
CAFÉ – Volume do contrato: 100 sacas; Cotação: US$/saca
BOI GORDO – Volume do contrato: 330 arrobas; Cotação: R$/arroba
SOJA – Volume do contrato: 450 sacas; Cotação: US$/bushel
AÇÚCAR – Volume do contrato: 508 sacas; Cotação: R$/saca
MILHO – Volume do contrato: 450 sacas; Cotação: R$/saca
ETANOL – Volume do contrato: 30 mil litros; Cotação: R$/m³
Mercado de opções
O investidor compra o direito de comprar ou de vender suas ações no futuro, pelo mesmo preço inscrito no mercado no momento da aquisição. Modalidades:
É o direito de compra
O investidor que adquire uma call tem o direito de comprar determinada ação pelo preço de contrato inscrito no momento da aquisição. Assim, até o prazo de vencimento do contrato, ele pode exercer a compra pelo preço previsto, se protegendo de altas.
É o direito de venda
Dá ao proprietário a opção de vender suas ações pelo preço estipulado durante a assinatura do contrato. Assim, o detentor da put pode vender seus papéis, ainda que eles se desvalorizem, se protegendo de quedas.
Características:
PRODUTOS NEGOCIADOS – Quaisquer. Negociados em bolsa ou em balcão
AQUISIÇÃO – Quem compra a opção (call ou put) paga um prêmio ao lançador dos papéis
CONTRATOS NÃO PADRONIZADOS – Negociantes estabelecem os parâmetros (volume e preço)
LIQUIDAÇÃO FINANCEIRA – O produtor não precisa fazer entrega física do produto
Por - FAEP





















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