Número de mortos no desastre no Himalaia se aproxima de 800

Equipes de resgate no Nepal e na China correram no domingo para localizar milhares de pessoas desaparecidas depois que o colapso de uma geleira provocou um deslizamento de terra catastrófico no Himalaia, enquanto enfrentavam condições climáticas adversas e o aumento do nível das águas.

As autoridades informaram que o número de mortos subiu para quase 800 neste domingo, com mais de 3.000 pessoas desaparecidas em ambos os lados da fronteira entre o Nepal e a China, depois que uma torrente de gelo, rochas, lama e detritos varreu vales montanhosos e rios na quarta-feira, causando devastação generalizada.

A Cruz Vermelha estimou que mais de 90 mil pessoas devem ter sido afetadas pelo desastre, que a China atribuiu aos efeitos das mudanças climáticas.

O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse a seu homólogo nepalês durante uma ligação telefônica no sábado que o deslizamento de terra foi o “desastre transfronteiriço mais grave” dos últimos anos e que as operações de resgate atingiram um nível sem precedentes de dificuldade e complexidade, informou a emissora estatal CCTV.

A autoridade de desastres do Nepal informou que 781 pessoas morreram e 2.502 estão desaparecidas. Do lado chinês, as autoridades informaram que 16 pessoas morreram no condado de Gyirong e 546 estão desaparecidas.

Pequim informou que 261 estrangeiros de 23 países estavam desaparecidos no Tibete, próximo a um importante ponto de passagem de fronteira com o Nepal.

A magnitude do desastre complicou os esforços de resgate no acidentado terreno do Himalaia.

A polícia local no Nepal informou à Reuters que moradores e equipes de resgate se deslocaram para terrenos mais elevados depois que o nível do rio Trishuli subiu nas últimas horas, devido a novas chuvas, aumentando o temor de novas inundações.

As operações de resgate foram suspensas várias vezes desde sexta-feira devido ao mau tempo e à preocupação de que um lago formado na fronteira entre o Nepal e a China pelo desastre pudesse provocar novas inundações depois que começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, no Nepal.

A CCTV informou que o lago que ameaçava as áreas a jusante havia sido amplamente drenado até a noite de sábado. No entanto, drones detectaram, no final da tarde de sábado, um deslizamento de terra a 2,8 quilômetros a jusante do lago, formando uma nova barragem e um novo espelho d’água.

No Nepal, os esforços de resgate têm se concentrado cada vez mais em cinco projetos hidrelétricos inundados pelas enchentes, incluindo o complexo Upper Trishuli, onde as autoridades informaram na sexta-feira ter recebido informações de que cerca de 350 pessoas poderiam estar presas dentro de um túnel. Cerca de 10.000 soldados nepaleses foram mobilizados, juntamente com equipes especializadas da China e da Índia.

As Forças Armadas do Nepal transportaram por via aérea máquinas pesadas para o local remoto neste domingo, e as equipes de resgate chegaram à entrada de um túnel, começando a remover os escombros que bloqueavam o acesso. As autoridades afirmaram que equipes munidas de suprimentos de oxigênio e câmeras entrariam assim que o acesso fosse considerado seguro.

“É muito difícil porque há muitos escombros e não podemos usar explosivos para abrir caminho”, disse Dharam Raj Uprety, chefe da autoridade nacional de gestão de desastres do Nepal.

Lok Bahadur Chhetri, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Nepal, disse que o país precisa de assistência internacional em áreas especializadas, incluindo operações de resgate em túneis, testes de DNA, armazenamento refrigerado de corpos e identificação forense de restos mortais em decomposição.

 

 

 

 

 

Por Agência Brasil

 

 

Laser íntimo: saiba por que mulheres têm recorrido ao procedimento

Carol Nakamura chamou atenção nas redes sociais ao mostrar que realizou um procedimento com laser de CO2 voltado para a região íntima.

Em um vídeo, a atriz falou sobre o tratamento e aproveitou para abordar um assunto que ainda costuma ser cercado de constrangimento: queixas relacionadas à saúde íntima feminina. A publicação também reacendeu a discussão sobre quais alterações podem ser tratadas e em quais situações procedimentos são, de fato, indicados.

"Vou sair daqui rejuvenescida. Cheguei com 40 e vou reduzir a quilometragem para 18", disse Carol. Na sequência, ela comentou sobre o tabu que ainda envolve o tema. "Existe um tabu muito grande em relação aos cuidados com essa parte íntima. Algumas pessoas enfrentam problemas que dificultam até a relação sexual, mas não procuram um profissional por vergonha. Precisamos cuidar não apenas do rosto e do corpo, mas também da nossa região íntima", acrescentou.

 
Carol Nakamura faz laser íntimo: entenda para que serve o procedimento — Foto: Reprodução Instagram
Carol Nakamura faz laser íntimo: entenda para que serve o procedimento — Foto: Reprodução Instagram

O laser de CO2 é uma das tecnologias utilizadas em tratamentos que passaram a ser associados à chamada ginecologia regenerativa. O termo reúne diferentes abordagens voltadas a queixas funcionais e, em alguns casos, estéticas da região genital. Segundo a ginecologista Patricia Magier, a escolha do tratamento depende dos sintomas apresentados por cada paciente.

"Esse é um braço da Ginecologia. A ideia é melhorar a função e a estética íntima feminina. Para isso, podemos usar tecnologias, aplicação de ácido hialurônico, e uso de hormônios locais ou cremes para lubrificação", explica.

Existe um padrão para a região íntima?

Quando a questão é estética, um dos primeiros pontos a considerar é que não existe um formato único ou considerado ideal para a vulva. A anatomia varia naturalmente entre as mulheres, tanto em tamanho quanto em formato, cor e simetria.

Por isso, a avaliação médica deve partir de uma queixa concreta, e não da tentativa de adequar a região a um padrão. O ginecologista Igor Padovesi ressalta que alterações anatômicas só devem ser tratadas como um problema quando provocam desconforto ou interferem na vida da paciente.

"É considerado anormal o que causa constrangimento, desconforto, vergonha ou piora da autoestima", afirma.

Quais procedimentos podem ser indicados?

Não existe um único tratamento para as queixas relacionadas à região íntima. A indicação depende da causa, dos sintomas e das condições de saúde de cada mulher. Em alguns casos, mudanças hormonais, por exemplo, podem estar por trás de ressecamento, alterações na elasticidade ou desconforto durante as relações.

Entre as opções estão tratamentos não invasivos que utilizam tecnologias como laser, ultrassom microfocado e radiofrequência. De acordo com Patricia, esses recursos podem ser utilizados com diferentes objetivos, como estimular a produção de colágeno, melhorar a vascularização e tratar determinadas alterações do tecido.

"Podemos usar um laser de CO2, um ultrassom microfocado ou uma radiofrequência. A tecnologia é escolhida de acordo com a queixa daquela paciente, mas sempre na tentativa de regenerar, de recuperar aquele tecido, melhorar a sensibilidade ao orgasmo e tratar toda a pele da região. Em pacientes com queixas de infecção de repetição, conseguimos atuar nesse tecido melhorando a imunidade local", diz.

A médica também cita os injetáveis entre as possibilidades existentes, como bioestimuladores de colágeno e preenchedores à base de ácido hialurônico. Esses recursos têm indicações específicas e não devem ser encarados como procedimentos necessários para a manutenção da saúde íntima.

Quando uma cirurgia pode ser necessária?

Há situações em que a queixa está relacionada à anatomia ou a alterações provocadas pelo parto e pelo envelhecimento. Nesses casos, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados após avaliação médica.

A perineoplastia, por exemplo, pode ser indicada para mulheres que apresentam alterações nos músculos e tecidos do períneo, região localizada entre a vagina e o ânus. O quadro pode ocorrer após partos vaginais e provocar sintomas como sensação de flacidez, alterações na sensibilidade ou desconforto durante as relações.

"Essa é a cirurgia recomendada para ‘apertar’ o canal vaginal. Na maioria das vezes, é indicada para mulheres que tiveram partos vaginais e relatam que a vagina ficou mais afrouxada ou com menos sensibilidade depois do nascimento dos filhos. Isso acontece porque os músculos do períneo, localizados entre a vagina e o ânus, podem sofrer lesões, estiramentos ou lacerações que comprometem sua função. Para algumas mulheres, as fibras musculares não voltam para o lugar após a distensão abrupta no momento de nascimento do bebê", detalha.

O especialista ressalta que a repercussão dessas alterações não é necessariamente apenas estética.

"Mais do que um incômodo estético, essas alterações podem afetar a vida sexual, autoestima e bem-estar emocional da mulher. Muitas relatam constrangimento com o parceiro ou perda de prazer nas relações. Nesses casos, a perineoplastia pode ser uma ferramenta importante de reabilitação íntima", esclarece.

Outra cirurgia é a ninfoplastia, também conhecida como labioplastia, indicada em casos específicos de aumento dos pequenos lábios que provoque desconforto físico ou sofrimento para a paciente.

"O objetivo da ninfoplastia é remover o excesso de pele dos pequenos lábios, deixando-os para dentro dos grandes lábios. O procedimento pode ser realizado com laser e/ou com bisturi elétrico de alta frequência. Antes realizada como uma cirurgia hospitalar tradicional, com a evolução das técnicas cirúrgicas, atualmente no Brasil e no mundo a ninfoplastia tem sido realizada como uma cirurgia ambulatorial", observa Igor.

E quando a queixa é flacidez ou perda urinária?

O ultrassom microfocado também aparece entre as tecnologias utilizadas em tratamentos da região íntima. A ginecologista Daniella Curi explica que o recurso pode ter aplicações diferentes, de acordo com a área tratada e o objetivo definido na avaliação médica.

"Ele foi desenvolvido para o tratamento do canal vaginal e pode ser usado também para tratar gordura e flacidez", conta.

Segundo a médica, o procedimento pode estimular a produção de colágeno em determinadas camadas dos tecidos. Na região vaginal, a proposta pode estar relacionada a queixas como frouxidão e, em alguns casos, à sustentação da uretra.

"O ultrassom microfocado vai na profundidade que selecionamos de acordo com o cartucho e atinge camadas do canal vaginal, onde estimula o colágeno e promove uma contração desse canal. É por isso que ele ajuda na melhora da frouxidão vaginal e também age sustentando melhor a uretra, que está logo acima do canal vaginal", descreve.

O tratamento também pode ser direcionado aos grandes lábios ou ao monte pubiano, dependendo da indicação. Nesses casos, a tecnologia e os parâmetros utilizados variam conforme o objetivo.

O assoalho pélvico também precisa ser avaliado

Nem todas as queixas íntimas estão relacionadas à pele ou à aparência da região. Os músculos do assoalho pélvico têm papel importante na sustentação dos órgãos da pelve e no controle urinário. Quando essa musculatura está enfraquecida, pode haver sintomas como perda involuntária de urina.

A atividade física e os exercícios específicos para o assoalho pélvico fazem parte das estratégias de cuidado. Em algumas situações, recursos utilizados em consultório também podem ser considerados.

"Esse trabalho é fundamental, pois é o assoalho que ajuda a sustentar todas as estruturas da região. Muito importante, sempre que possível, associar os procedimentos do canal vaginal com a melhora da sustentação do assoalho pélvico. O campo eletromagnético faz um estímulo destes músculos, os deixando mais fortalecidos", pontua Daniella.

Tratamentos hormonais podem fazer parte do cuidado

Outra possibilidade é a reposição hormonal, especialmente quando os sintomas estão relacionados à queda dos níveis de hormônios femininos. Ressecamento, desconforto durante as relações e outras alterações podem aparecer em diferentes fases da vida, sobretudo durante o climatério e a menopausa.

Por isso, a investigação da causa é fundamental antes da escolha de qualquer procedimento. Igor ressalta que o tratamento hormonal precisa ser individualizado e acompanhado por um médico.

"Como muitos dos sintomas têm causas hormonais, tratá-los sem a terapia de reposição hormonal pode ser como enxugar gelo. Nessa terapia, são usados normalmente estrogênios, em diversas vias de aplicação, variando da forma oral, gel na pele ou na região da vulva e vagina e adesivos transdérmicos, além de implantes hormonais. Toda essa terapia visa manter os níveis de hormônios femininos em valores próximos aos encontrados durante a vida reprodutiva da mulher. São tratamentos bastante seguros, desde que monitorados por um médico regularmente", finaliza.

 
 

 

 

 

 

 

POr - O Globo

Cruzeiro vence Flamengo e Palmeiras agradece no Brasileirão

Na Libertadores deu Flamengo, mas neste sábado (22) o Cruzeiro deu o troco e derrotou a equipe carioca por 2 a 1 pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro, no Mineirão. O resultado, conquistado de virada, impediu que o Rubro-Negro assumisse a ponta da tabela, mesmo que de forma provisória, já que um triunfo do Flamengo o colocaria com a mesma pontuação e saldo de gols melhor que o do Palmeiras, que ainda joga na rodada.

No entanto, o time de Leonardo Jardim segue em segundo, com 45 pontos. A Raposa, em recuperação, já aparece em quinto, com 39.

Diante de mais de 34 mil pessoas no Mineirão, o Cruzeiro tentava dar uma resposta à torcida depois da eliminação nas oitavas de final da Libertadores para o mesmo adversário, no entanto, sofreu um baque ainda no primeiro tempo.

Aos 22, Pedro recebeu na entrada da área e chutou rasteiro para vencer o goleiro Otávio, abrindo o placar para o Flamengo.

A virada começou a ser construída no início do segundo tempo. Aos 10, Arroyo fez bela jogada pela direita e chutou colocado com a perna esquerda, marcando um belo gol.

O lance decisivo foi também o derradeiro. Já aos 50 minutos, após bola levantada pela direita, Matheus Pereira chutou com a perna esquerda já praticamente na pequena área, a bola desviou na zaga e entrou lentamente na meta defendida por Rossi.

O próximo compromisso do Cruzeiro é no próximo sábado, diante do Vasco, em São Januário, enquanto o Flamengo faz o clássico com o Botafogo no dia seguinte, no Maracanã.

No outro duelo da noite de sábado, Internacional e Atlético-MG ficaram no 0 a 0, no Beira-Rio. O Galo ocupa momentaneamente a sétima colocação, com 33 pontos, enquanto o Colorado está à beira da zona de rebaixamento, com 25 pontos, em 16º.

 

 

 

 

Por Agência Brasil

 

 

Morar na França: salários, custo de vida e as regras de imigração no país, que atrai estudantes com bolsas de até R$ 10 mil

Com um dos melhores sistemas de saúde do mundo, qualidade de vida reconhecida globalmente e bolsas de estudo voltadas a estrangeiros, a França reúne atrativos que a mantêm entre os destinos europeus mais desejados. O custo de vida em Paris, porém, está entre os mais altos do continente e o francês é essencial para a integração, dentro e fora do mercado.

Apesar do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) de 0,92, considerado muito alto, o país figura na 99ª posição no Global Peace Index 2026, uma das piores entre os europeus, devido a riscos de manifestações civis e ameaças de terrorismo.

O sistema de saúde funciona em um modelo de reembolso. Paga-se a consulta integralmente no momento do atendimento e depois é reembolsado. A Assurance Maladie (seguro público) cobre 70% do valor de referência de uma consulta com o médico de família (Médecin Traitant). Os 30% restantes ficam por conta do paciente ou da Mutuelle, o seguro complementar privado que a maioria dos franceses contrata para cobrir essa diferença e outros gastos com saúde.

 

 

Ensino de excelência e bolsas

A França atrai o mundo inteiro pelo seu ensino de excelência e fortemente subsidiado pelo Estado. O Ministério das Relações Exteriores, por exemplo, administra a Eiffel Excellence Scholarship, que oferece € 1.181 (R$ 7.000) mensais para estudantes de mestrado e de € 1.700 (R$ 10.250) mensais para doutorado. O mestrado na França, no entanto, não funciona como no Brasil. Existe o Master Professionnel, voltado para a especialização profissional, e o Master Recherche, dedicado a pesquisa acadêmica e mais próximo de um mestrado brasileiro. 

Sem os incentivos, no entanto, os estudantes internacionais de fora da União Europeia estão sujeitos a tarifas mais altas nas universidades públicas. A anuidade para estrangeiros não europeus está estipulada entre € 2.770 e € 2.895 por ano.

O engenheiro carioca Rafael Siqueira emigrou para a França com apoio da universidade em 2022. Beneficiado pela bolsa Eiffel Excellence Scholarship, concluiu os estudos e hoje atua no país em sua área de formação.

— Foi conforme as minhas notas na UFRJ que eu consegui a bolsa. Fui indicado pela faculdade e ela me permitiu vir pra cá com tudo pago, com bolsa, passagem, seguro de saúde. Foi realmente muito bom e me deu uma boa base financeira — disse o engenheiro em entrevista ao GLOBO.

Custo vida varia por cidade, sendo mais alto na capital

O custo de vida varia significativamente entre Paris e o interior. Estima-se que uma pessoa sozinha precise de 1.300 € a 1.500 € (cerca de R$ 8 mil) para viver, chegando a 2.000 € (quase R$ 12 mil) na capital. Lá, o aluguel de um estúdio pequeno pode custar entre 700 € e 1.200 € (entre R$ 4 mil e R$ 7.300), com o metro quadrado médio em torno de 30 € (R$ 180). Outras Cidades, como Lyon, Bordeaux e Toulouse, o valor do m² cai para cerca de 12 € a 16 € (de R$ 70 a R$ 100). 

O salário mínimo é de aproximadamente 1.823 € (mais de R$ 11 mil). Já o salário médio anual, segundo dados ajustados pela Paridade de Poder de Compra (PPC), é de $ 52 mil, e o mensal é de $ 4.300. Os órgãos internacionais (Banco Mundial, FMI, OIT e OCDE) que calculam o salário médio utilizam a PPC para garantir uma comparação justa do custo de vida. Em vez de usar o câmbio comercial flutuante, a PPC ajusta o salário à realidade local de cada país. Na prática, o número revela o seu verdadeiro padrão de consumo, mostrando o equivalente ao que essa renda conseguiria comprar nos Estados Unidos.

A França possui um sistema de transporte público eficiente e integrado. O passe mensal, conhecido como Navigo (todas as zonas de Paris), custa cerca de 90,80 € (aproximadamente R$ 540), enquanto o passe semanal gira em torno de 31,60 € (R$ 190). 

— O transporte público é seguro e muito eficiente, as linhas de metrô e os ônibus cumprem horários tabelados e são abrangentes. As pessoas de maior poder econômico raramente têm um carro e vão trabalhar usando o transporte público, porque sabem que é eficiente, prático e mais ecológico — acrescentou o brasileiro. 

No mercado, uma pessoa gasta, em média, entre € 200 e € 320 mensais (cerca de € 50 a € 80 semanais).

País exige conhecimento de francês para residência permanente e naturalização

Para estadias acima de 90 dias, o país exige um visto de longa duração, solicitado pelo portal France-Visas antes da viagem e validado junto ao OFII, o serviço de imigração, nos três meses após a chegada. A rota principal para quem tem contrato é o visto de trabalho, em que muitas vezes o empregador precisa obter uma autorização de trabalho antes da contratação.

Para profissionais qualificados, pesquisadores, artistas e empreendedores, o caminho mais direto é o Passeport Talent, cuja Carte Talent já embute a permissão de trabalho, dispensando essa etapa extra, mas que exige contrato acima de 12 meses e salário anual superior a € 59.373. 

Há vias específicas por perfil. Jovens brasileiros de 18 a 30 anos têm o Programme Vacances-Travail (PVT), que permite morar, viajar e trabalhar por até 12 meses, mas é bastante concorrido, com apenas 500 vagas anuais, e não é renovável. Os estudantes entram com matrícula confirmada em instituição reconhecida e, ao se formar, podem permanecer um ano para buscar emprego ou abrir empresa sem voltar ao Brasil.

O francês não é exigido para o visto, mas passa a ser cobrado nas etapas de fixação: nível A2 para a residência permanente (Carte de Résident), obtida após cinco anos, e B1 para a naturalização.

— Eu recomendo muito a França para imigrar. Eu acho que é um país muito estável, tem oportunidade de emprego para muitas áreas. É um país muito moderno, que não cansa de se desenvolver e que é relativamente muito aberto aos estrangeiros. Eu sinto que tem gente vindo pra cá de muitos lugares e eu indico principalmente pra quem é estudante, porque aqui tem muitos benefícios, muitas oportunidades de estudos e de continuar a vida aqui — completou o engenheiro.

 

 

 

 

 

Por - O Globo

Quarenta anos após Chernobyl, animais vivem com mutações e alterações provocadas pela radiação; entenda

Quarenta anos depois do acidente nuclear de Chernobyl, a região ao redor da usina continua marcada pela radiação, mas também pela presença de uma fauna que voltou a ocupar áreas abandonadas pelos seres humanos.

Lobos, ursos, bisões, linces, cavalos-de-Przewalski e cerca de 200 variedades de aves estão entre os animais registrados na zona de exclusão criada após a tragédia de 1986.

A coexistência entre a biodiversidade e a contaminação radioativa, porém, ainda levanta uma questão central entre os pesquisadores: os animais estão prosperando principalmente porque a presença humana desapareceu ou continuam sofrendo efeitos provocados pela radiação? Os estudos apontam para as duas situações, com diferenças de acordo com a espécie e o nível de exposição.

 

A região que ficou sem moradores

A explosão na usina Vladimir Ilich Lenin ocorreu em 26 de abril de 1986, no norte da Ucrânia. O acidente provocou diretamente a morte de 31 pessoas e levou à realocação de cerca de 116 mil moradores.

Entre eles estavam os 48 mil habitantes de Pripyat, cidade localizada a apenas três quilômetros da usina e hoje deserta. A retirada da população criou uma área de 2.590 quilômetros, que passou a ser conhecida como zona de exclusão.

A evacuação também teve consequências para os animais domésticos. Muitos moradores deixaram cães e gatos para trás porque acreditavam que retornariam depois. Integrantes do Exército soviético receberam a ordem de matar os animais que permanecessem na região, considerados possíveis vetores de contaminação.

Apesar disso, atualmente estima-se que entre 600 e 800 cães e gatos abandonados ainda circulem pela zona de exclusão, segundo as organizações Clean Futures Fund (CFF) e SPCA International.

 

Menos pessoas, mais espaço para a vida selvagem

Com a ausência de cidades, agricultura e grande parte da atividade humana, diferentes espécies passaram a ocupar a área. Germán Orizaola, doutor em Biologia e pesquisador da região, registrou a presença de grandes mamíferos e de centenas de espécies de aves.

A aparente recuperação da fauna, no entanto, não significa que a radiação deixou de representar um problema. Segundo os estudos citados, alguns animais apresentam alterações relacionadas à exposição, enquanto outros parecem ter desenvolvido respostas adaptativas.

O debate entre os cientistas se concentra justamente nessa combinação. A ausência de seres humanos reduz ameaças como caça, pesca e poluição urbana, mas a contaminação radioativa permanece no ambiente.

 

Rãs mais escuras e insetos afetados

Entre as respostas adaptativas observadas estão mudanças na coloração das rãs. Orizaola afirmou ter identificado rãs da zona de exclusão mais escuras.

— Também encontramos algum indício de respostas adaptativas à radiação, como mudanças na coloração das rãs. As rãs da zona de exclusão são mais escuras, o que poderia protegê-las da radiação.

Ao mesmo tempo, alguns insetos apresentam menor expectativa de vida ou maior vulnerabilidade a parasitas, especialmente nas áreas de maior radioatividade. O estudo também menciona alterações na aparência de determinadas espécies.

As aves apresentam efeitos adversos como falhas no sistema imunológico, aumento do albinismo e variações genéticas. Essas alterações, porém, não impedem o ciclo reprodutivo dos grupos citados.

 

Teias de aranha e alterações de comportamento

Uma produção da National Geographic, apresentada pelo ator Will Smith, registrou aranhas construindo teias irregulares e assimétricas próximas a algumas casas das aldeias.

— Muitas das teias que foram construídas próximas a algumas das casas das aldeias eram extremamente incomuns.

As imagens mostraram estruturas com aberturas e sem a simetria normalmente associada às teias. A produção concluiu:

— As aranhas tinham problemas para tecer uma teia normal.

O comportamento das aranhas foi apresentado como outro possível efeito da exposição à radiação.

 

Vacas que passaram a viver como animais selvagens

Pesquisadores da Reserva de Radiação e Biosfera Ecológica de Chernobyl acompanharam vacas da região durante três anos. Em relatórios divulgados em 2021, observaram que os animais haviam formado manadas e já apresentavam um comportamento diferente daquele esperado de animais domésticos ou de criação.

As vacas passaram a agir de maneira semelhante à de animais em estado selvagem.

Os estudos apontam que espécies menores, como roedores e aves, estão entre as mais afetadas. Foram registradas sequelas de saúde associadas à radiação, incluindo tumores e cataratas.

A adaptação gradual e as mutações observadas em algumas espécies não significam que a contaminação tenha desaparecido. Ainda existem altas concentrações de césio na região, incluindo césio-137 presente nos organismos.

A presença desses materiais também não impede que alguns animais morram em consequência da exposição à radiação.

 

Radiação ou ausência de humanos?

Os dados alimentam uma discussão mais ampla sobre o impacto real da radiação sobre a fauna. Alguns pesquisadores questionam se determinados efeitos foram superestimados quando comparados às consequências da atividade humana.

Caça, pesca e poluição urbana podem representar ameaças maiores para determinados grupos, especialmente mamíferos, no médio prazo. Sem essas pressões, a região se tornou um espaço ocupado por animais que, em condições normais, disputariam território com cidades, estradas e atividades agrícolas.

Isso ajuda a explicar o paradoxo de Chernobyl: uma das áreas mais conhecidas por sua contaminação nuclear também se tornou um dos lugares onde a presença humana foi drasticamente reduzida.

 

O que mudou em 40 anos

Quatro décadas depois da explosão, a zona de exclusão reúne uma fauna diversificada, mas não é um ambiente livre das consequências do desastre. Pesquisas registram animais que vivem, se reproduzem e ocupam a região, ao mesmo tempo em que identificam alterações na saúde, na aparência e no comportamento de algumas espécies.

A paisagem de Chernobyl, portanto, combina duas marcas da tragédia: a contaminação que permanece no ambiente e o retorno de uma vida selvagem que encontrou, na ausência das pessoas, espaço para ocupar uma região transformada pelo maior desastre nuclear de sua história.

 

 

 

 

 

 

Por - O Globo