O percentual de mulheres que declararam ter medo de sofrer um estupro cresceu em uma pesquisa realizada pelo Instituto Patricia Galvão e pelo Instituto Locomotiva, que teve novos dados antecipados com exclusividade nesta segunda-feira (2) à Agência Brasil.

Em 2020, 78% das mulheres ouvidas pelos pesquisadores disseram ter "muito medo de ser vítimas de um estupro". Esse percentual cresceu para 80%, em 2022, e chegou a 82% segundo os dados obtidos em 2025.
Além das que declararam ter muito medo, 15% disseram ter "um pouco de medo", o que significa um total de 97% de mulheres que vivem com algum grau de temor da violência sexual.
Em dois grupos, a proporção das que sentem "muito medo" é ainda maior, chegando a 87% no caso das jovens, entre 16 e 24 anos, e 88% entre as mulheres negras.
A diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão, Marisa Sanematsu, ressalta que além de o medo ser constante, nenhum espaço é considerado, de fato, seguro.
"O medo assombra as mulheres brasileiras o tempo todo, desde pequenas e em todos os lugares: a casa é insegura, assim como sair e voltar, esperar o transporte, enfrentar a condução lotada ou pedir um carro por aplicativo", disse.
"Esse medo constante faz com que elas desenvolvam suas próprias estratégias de proteção: evitam sair à noite ou usar alguns tipos de roupas e acessórios, procuram estar sempre acompanhadas e até escolhem trajetos mais longos para se sentirem um pouco mais seguras".
Violência dentro de casa
Os institutos divulgam, nesta segunda-feira (2), a segunda onda de dados da pesquisa de 2025. A primeira onda, publicada em setembro de 2025, já havia mostrado que 15% das entrevistadas eram sobreviventes de estupro, e oito em cada dez vítimas sofreu a violência com 13 anos ou menos.
Os dados divulgados hoje acrescentam que, entre as vítimas com até 13 anos, 72% foram violentadas dentro da própria casa. Em metade dos casos, o abusador foi um familiar e, em um terço dos relatos, foi um amigo ou conhecido da família.
No total, 84% dos estupros foram cometidos por um homem do círculo social da vítima.
Essa porcentagem diminui no caso das mulheres violentadas com 14 anos ou mais, porém os conhecidos ou membros da família se mantêm como a maioria: 76% dos abusadores eram pessoas conhecidas, incluindo amigos, parceiros íntimos, familiares e ex-companheiros. Além disso, 59% sofreram a violência dentro de casa.
Apoio às vítimas
A pesquisa Percepções sobre direitos de meninas e mulheres grávidas pós-estupro teve a participação de 1,2 mil pessoas, homens e mulheres, de todas as regiões do país.
Além de perguntar para as mulheres sobre suas próprias experiências com a violência sexual, as entrevistas também ouviram a percepção geral dos entrevistados sobre o assunto.
Nas respostas, foi praticamente unânime o entendimento de que as mulheres têm medo de estupro: 99% dos entrevistados concordam.
Apesar disso, 80% das pessoas acreditam que as vítimas nunca, ou quase nunca, revelam para outras pessoas a violência sofrida, principalmente por sofrer ameaças do agressor, por terem medo de não serem ouvidas ou por sentirem vergonha.
Os resultados gerais se assemelham ao que foi dito pelas entrevistadas que relataram ter sido vítimas, conforme a primeira divulgação da pesquisa.
Cerca de 60% das mulheres que foram vítimas antes dos 14 anos não contaram para ninguém sobre o abuso. Além disso, apenas 15% foram levadas a uma delegacia, e 9%, a uma unidade de saúde.
O apoio a políticas de apoio às vítimas também foi amplo: 93% concordam que o Estado deve fornecer acompanhamento psicológico imediato para meninas e mulheres vítimas de estupro, e a mesma porcentagem acredita que as prefeituras e governos devem aumentar a divulgação de serviços de saúde que atendem vítimas.
Depoimentos
Além dos percentuais obtidos com as respostas, os institutos também divulgam nesta segunda-feira depoimentos de mulheres que sofreram violência sexual.
Uma mulher parda, moradora do Sudeste, com idade entre 25 e 44 anos, contou:
“Comecei a ser abusada criança, com 6 anos, sem nem entender o que acontecia, e o abusador me fazia acreditar que eu era culpada e que, se eu contasse para alguém, ninguém acreditaria em mim. Meu abusador era o meu pai.”
Já outra vítima, uma mulher preta, moradora da região Sudeste, com 45 anos ou mais, até tentou pedir socorro mas não foi acolhida.
“Eu tinha apenas 11 anos, foi horrível, não entendia direito o que estava acontecendo. Tentei falar com a minha mãe, mas ela não acreditava em mim, dizia que eu queria acabar com o casamento dela. Ainda bem que minha avó percebeu algo estranho e me trouxe de volta pra casa dela".
A gravidez e a falta de suporte para o abortamento adequado também aparecem nos depoimentos, como o de uma jovem parda, moradora da região Sudeste, com idade entre 16 e 24 anos.
“Eu sofri um abuso e engravidei por causa desse ato. Eu, com 13 anos, não poderia ser mãe e ia interromper minha vida, eu estava estudando, então, eu decidi não contar para os meus pais e pedir ajuda de uma amiga próxima minha. Então, ela me levou a um aborto clandestino e lá eu fiz o procedimento".
Acolhimento é garantido em lei
A diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão explica que o atendimento imediato e integral às vítimas de violência sexual em todos os hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), sem exigência de boletim de ocorrência, é garantido por lei no Brasil desde 2013.
"É fundamental que o Estado, em todos os níveis de governo, invista na divulgação de informações sobre os direitos da vítima de estupro e de como ela pode acessá-los para proteger sua saúde física e mental, para que essas meninas e mulheres possam retomar suas vidas após o trauma da violência", complementa Marisa Sanematsu.
A ampla maioria também foi favorável aos serviços que realizam a interrupção da gravidez nos casos previstos em lei, como o estupro. Nove em cada dez entrevistados concordam que todas as vítimas devem ser informadas, nas delegacias ou serviços médicos, sobre os protocolos para evitar infecções sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada.
Além disso, 86% acreditam que devem existir serviços públicos em todas as cidades para a interrupção da gestação em casos de estupro. No entanto, apenas metade dos entrevistados conhece algum serviço que promova esse atendimento.
De acordo com a diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, María Saruê Machado, a pesquisa evidencia a necessidade de ampliar e preparar melhor os serviços de acolhimento.
"Existe amplo apoio da população para que vítimas de estupro tenham acesso aos direitos garantidos por lei, mas essas informações ainda não chegam a quem mais precisa".
"O estupro é uma violência próxima da realidade da maioria das mulheres, e romper o silêncio por meio da informação é um passo fundamental para garantir proteção e acesso a direitos a todas as mulheres”, defendeu.
Direitos em constante ameaça
De acordo com a comunicadora social e ativista Angela Freitas, co-diretora da campanha "Nem Presa Nem Morta", o cumprimento da legislação que prevê atendimento e proteção das vítimas ainda depende da disposição de gestores políticos.
"A maior parte dos municípios não dispõe desse serviço, as pessoas têm que viajar longas distâncias e nem todo mundo pode fazer isso. É uma carência muito grande. O Brasil passou por um processo de democratização, fez a sua Constituinte, criou o Sistema Único de Saúde, o Sistema Único de Assistência Social, criou políticas públicas, mas todos esses avanços vivem ameaças constantes de retrocesso. Eles ainda não se consolidaram como direitos que são dados e que ninguém contesta".
Angela Freitas também foi uma das articuladoras da campanha "Criança não é mãe", contra o projeto de lei que pretendia equiparar o aborto ao crime de homicídio, mesmo nos casos previstos por lei. Ela acrescenta que essas carências são particularmente danosas para as crianças e adolescentes que engravidam após a violência
"Em grande parte, esses episódios não são revelados de imediato. Até porque elas não são preparadas para entender que o corpo delas deve ser respeitado, inclusive por pessoas da convivência familiar e comunitária. Há uma falta de diálogo e de informação e uma condescendência muito grande com essas situações".
"Com isso, muitas vezes, a gravidez não é percebida pela criança nem pelos familiares que estão em volta. Ela só vai ser percebida muito tarde e, quando essas meninas chegam ao serviço de saúde para buscar atendimento, e o direito de interromper aquela gravidez, elas encontram dificuldades dentro do próprio sistema".
Por - Agência Brasil
A confirmação da morte do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, repercutiu neste domingo (1°) entre aliados e adversários do país persa, além de grupos políticos do Oriente Médio e organizações internacionais. Khamenei e outras autoridades iranianas estão entre os mortos nos bombardeios iniciados no sábado (28) por Estados Unidos e Israel.

Rússia
O presidente russo, Vladimir Putin, condenou neste domingo (1º) os assassinatos de Khamenei, de 86 anos, e de membros de sua família. Putin classificou como “uma violação cínica de todas as normas da moral humana e do direito internacional”.
“Khamenei será lembrado como um estadista proeminente, que deu uma enorme contribuição pessoal ao desenvolvimento das relações amistosas entre a Rússia e o Irã, elevando-as ao nível de uma parceria estratégica abrangente”, o presidente russo na rede social X.
O Kremlin expressou condolências aos familiares e amigos do líder supremo, ao governo do Irã e a todo o povo do país persa.
China
O governo da China disse, também em seu perfil na rede social X, que o ataque e o assassinato do líder supremo do Irã constituem uma grave violação da soberania e segurança do país, atropelam os propósitos e princípios da Carta da Organização das Nações Unidas (ONU) e as normas básicas das relações internacionais.
“A China se opõe firmemente e condena veementemente esse ato. Exigimos a interrupção imediata das operações militares, o fim da escalada da tensão e um esforço conjunto para manter a paz e a estabilidade no Oriente Médio e no mundo em geral.”
Israel e EUA
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, descreveu a magnitude das operações em curso contra o Irã e sinalizou que o poder de fogo de Israel será direcionado para desmantelar a infraestrutura do governo iraniano.
"Nos próximos dias, atacaremos milhares de alvos do regime terrorista", afirmou o premiê, justificando que a ação militar visa não apenas a defesa estratégica, mas a criação de um cenário político novo na região. "Criaremos as condições para que o bravo povo do Irã se liberte das correntes da tirania."
Netanyahu instou os iranianos a aproveitarem o vácuo de poder gerado pelos ataques para derrubar o sistema clerical que governa o país desde 1979.
“Chegou a hora de vocês irem às ruas, irem às ruas aos milhões para terminar o trabalho, para derrubar o regime de terror que tornou suas vidas miseráveis. Seu sofrimento e sacrifício não serão em vão. A ajuda que vocês estavam esperando chegou. Agora é hora de nos unirmos para uma missão histórica.”
Diante de ameaças de retaliação do Irã, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que o país ampliaria os ataques.
“É melhor que não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, disse Trump.
Grupos do Oriente Médio
O grupo islâmico xiita Hezbollah, o Hamas [Movimento de Resistência Islâmica], a Jihad Islâmica e o movimento Huthis, do Iêmen, condenaram a morte de Khamenei e juraram vingança, segundo informações da agência de notícias RTP.
O Hamas classificou como “crime hediondo” o ataque que matou o aiatolá do Irã, que apoiava o movimento islamita palestino.
O Hezbollah prometeu enfrentar a agressão israelense e norte-americana a Khamenei, segundo comunicado do líder do movimento libanês pró-iraniano, Naim Qassem.
“Cumpriremos o nosso dever enfrentando a agressão”, assegurou o chefe do Hezbollah no comunicado, acrescentando que “quaisquer que sejam os sacrifícios, não abandonaremos […] o campo da resistência”.
O grupo armado Jihad Islâmica, aliado do Hamas durante os dois anos de guerra contra Israel na Faixa de Gaza, classificou a morte de Ali Khamenei como um “crime de guerra” cometido pelos Estados Unidos e por Israel, em um “ataque traiçoeiro e mal-intencionado”.
Os Huthis chamaram a figura política e religiosa do Irã assassinada de mártir e disseram que o legado de Ali Khamenei inspirará “uma resistência contínua contra os Estados Unidos e Israel”. Para eles, o ataque foi um “crime atroz” e uma “violação flagrante de todas as leis e normas internacionais”.
“Com profundo pesar e dor, o Conselho Político Supremo [dos huthis] recebeu a notícia do martírio do líder da Revolução Islâmica no Irã. Travou uma longa luta de jihad [guerra santa] contra os inimigos da nação islâmica, os sionistas e os norte-americanos, e concluiu a sua vida com o martírio às mãos dos inimigos de Deus e assassinos de profetas”, declarou.
O Irã anunciou, neste domingo, o Conselho de Liderança Temporária, que assume de forma imediata as atribuições do líder supremo, como o comando das Forças Armadas, além de decisões de segurança e de política externa.
O anúncio tem o objetivo de garantir a continuidade e estabilidade do regime durante a crise. O conselho é composto por três autoridades: o atual presidente do Irã, Masoud Pezeshkian; o chefe do judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei; e o jurista do Conselho dos Guardiães, aiatolá Alireza Arafi.
As funções são provisórias até que a Assembleia de Especialistas, com 88 clérigos, eleja o sucessor permanente.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou neste domingo (1º) que a morte do líder supremo Ali Khamenei é uma "declaração de guerra contra os muçulmanos" e falou em "vingança legítima" contra os Estados Unidos e Israel.
Brasil
O governo do Brasil ainda não se manifestou sobre a morte do aiatolá Ali Khamenei até o fechamento desta reportagem. No sábado (28), em nota à imprensa, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) declarou que o governo do Brasil tem profunda preocupação com a escalada de hostilidades na região do Golfo, que representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais, com potenciais impactos humanitários e econômicos de amplo alcance.
O Brasil ainda se solidarizou com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia – alvos de ataques retaliatórios do Irã, neste sábado (28).
Vaticano
O Papa Leão XIV apelou, neste domingo, pelo fim da "espiral de violência" no Oriente Médio, após os ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que respondeu com ataques aéreos.
"Acompanho com profunda preocupação tudo o que está a acontecer no Oriente Médio e no Irã nestas horas dramáticas. A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças recíprocas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte", disse o papa norte-americano.
Organismos Internacionais
O Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, condenou o uso da força, afirmando que a escalada militar representa uma "grave ameaça à paz e à segurança internacionais". Ele convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança e apela pelo fim imediato das hostilidades.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou a situação como "profundamente preocupante". Já a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, pediu "máxima contenção" e reforçou o compromisso com a estabilidade regional.
Pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o diretor-geral, Tedros Adhanom, expressou preocupação com os graves riscos à saúde das pessoas, decorrentes do conflito que se alastra pelo Oriente Médio. “A paz, como sempre, é o melhor remédio.”
A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que monitora de perto as instalações durante os desdobramentos no Oriente Médio e cobra moderação para evitar quaisquer riscos à segurança nuclear das pessoas na região.
“A AIEA mantém contato permanente com os países da região e, até o momento, não há evidências de qualquer impacto radiológico. A Agência continuará monitorando a situação”, relatou.
Por Agência Brasil
A cebola é um dos pilares das culinárias do mundo — presente em molhos, guarnições, refogados e mais. Porém, seu preparo pode resultar em um ritual desconfortável: os olhos lacrimejando, os cílios borrados, uma sensação de irritação que interrompe a fluidez na cozinha. Felizmente, esse momento pode se tornar muito mais tranquilo e sem lágrimas.
O que causa as lágrimas
Ao cortar uma cebola, você rompe as suas células. Isso desencadeia uma reação química que libera compostos de enxofre — notadamente o syn-propanethial-S-oxide. Quando esse gás sobe e encontra a umidade dos olhos, forma ácido suave, provocando ardência e a resposta de lágrimas naturais para neutralizar a irritação.
Truques que realmente funcionam
Aqui estão técnicas testadas por chefs, cientistas e entusiastas da gastronomia para facilitar a tarefa:
1. Resfrie a cebola antes de cortar
Guarde a cebola na geladeira por cerca de 30 minutos a 1 hora (ou 10–15 minutos no congelador, com cuidado) antes de cortar. O frio desacelera a ação das enzimas que geram os compostos que irritam os olhos.
2. Use uma faca extremamente afiada
Uma lâmina bem afiada faz cortes mais limpos, reduzindo a ruptura excessiva das células da cebola e, consequentemente, a liberação de gases que fazem você chorar.
3. Aproveite a ventilação
Cortar a cebola sob um exaustor ligado ou com uma janela aberta ajuda a dissipar os vapores irritantes antes que alcancem seus olhos.
4. Corte estrategicamente
Deixar a base (raiz) da cebola intacta até o fim também limita a liberação de compostos irritantes — essa parte concentra mais enxofre do que o resto da cebola.
5. Barreira física ou água
Para quem busca proteção extra, óculos de cozinha ou até cortar a cebola sob água corrente pode ajudar a reduzir o contato direto dos vapores com os olhos.
Seja preparando um mirepoix perfeito ou apenas dando início a um jantar especial, pequenas técnicas como essas elevam a rotina e preservam — literalmente — seus olhos e foco para o que realmente importa à mesa.
POr - Casa Vogue
Tanto as bases de pesquisa do Reino Unido quanto as dos Estados Unidos na Antártida estão recrutando uma nova leva de profissionais para "ir para o sul".
Não é preciso ser cientista. Há vagas que vão de carpinteiros e eletricistas a chefs e até cabeleireiros. Mas você suportaria o frio e o isolamento?
Desde que deixou sua cidade natal, Wigan, no norte da Inglaterra, aos 19 anos, Dan McKenzie trabalhou em diversos lugares remotos ao redor do mundo.
Hoje, aos 38, o ex-engenheiro naval ocupa o que descreve como o posto mais isolado e desafiador de sua trajetória: é chefe da estação Halley VI, na Antártida.
A base é uma das cinco administradas pelo British Antarctic Survey (BAS), o instituto britânico de pesquisa polar.
"Eu sempre fui aventureiro e interessado em encontrar os lugares mais selvagens", disse McKenzie à BBC, em entrevista por videochamada via satélite. "Eu era marinheiro e não queria continuar em navios; mas buscava fazer algo semelhante. Achei que isso combinava bem com as habilidades que tenho."
Enquanto McKenzie descreve o seu trabalho, é um dia de verão antártico, com temperatura de -15°C. Do lado de fora de sua janela, se vê uma imensidão branca que se estende até onde a vista alcança, sob um céu igualmente vasto e azul.
"Essa temperatura é até boa aqui, de verdade", afirma. "Menos cinco é o máximo que se chega. Pode cair até os -40°C, mas a média fica em torno de -20°C".
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McKenzie precisa mediar os desentendimentos entre funcionários que ocorrem em qualquer ambiente de trabalho — Foto: Dan McKenzie
McKenzie é responsável por uma equipe de 40 pessoas na Halley VI durante a temporada de verão na Antártida, que vai de novembro até meados de fevereiro.
As estações do BAS monitoram diferentes aspectos da fauna e do ambiente. A Halley VI se dedica à coleta de dados espaciais e atmosféricos, no estudo da plataforma de gelo Brunt (uma extensa massa de gelo que se desprendeu do continente e flutua no oceano a um ritmo de 400 metros por ano), onde a base está instalada, próxima à costa, e no monitoramento do buraco na camada de ozônio da Terra.
Além do frio extremo, o verão antártico impõe outro desafio: a luz do dia ininterrupta, que só termina com um pôr do sol que pode durar semanas.
McKenzie chegou ao cargo de chefe de estação após concluir seu primeiro contrato "no gelo", em 2019. Ele começou como engenheiro de manutenção mecânica na Estação de Pesquisa Rothera, do BAS, a cerca de 1.600 km da Halley VI.
Como líder da base, é responsável pela gestão de suprimentos, pelos protocolos de saúde e segurança e pelo treinamento da equipe. Ele também precisa oferecer apoio emocional quando o isolamento ou os conflitos interpessoais, em um ambiente de convivência intensa, se tornam difíceis de administrar.
"As pessoas entram no seu escritório e dizem que não estão tendo um dia muito bom, ou que algo aconteceu em casa, e você precisa tentar ver como pode apoiá-las. É um trabalho bastante variado."
McKenzie integra o grupo de 120 funcionários do BAS que estiveram na Antártida durante a temporada de verão, agora em fase de encerramento. A maioria, incluindo ele, retornará ao Reino Unido até o fim de maio. Cerca de 50 permanecerão durante o inverno, quando o continente mergulha na escuridão.
No restante do ano, McKenzie ficará baseado na sede do BAS, em Cambridge (Reino Unido). Ele já passou um inverno completo na Antártida. "Quando o inverno chega, você sente uma incrível sensação de liberdade, porque a maioria das pessoas vai embora", afirma.
"Você se sente a pessoa mais livre do mundo. Você tem esse pequeno grupo muito unido, todos realmente se importam uns com os outros — vira uma pequena família. Todos cuidam de todos."
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A maioria dos funcionários britânicos na Antártida vai para lá durante o verão do continente — Foto: BAS
O BAS recruta até 150 novos profissionais por ano para atuar na Antártida. Embora as funções científicas e de engenharia especializadas formem a espinha dorsal das equipes, cerca de 70% das vagas são operacionais, essenciais para manter as estações em funcionamento.
Além de eletricistas e chefs, o quadro inclui paramédicos, médicos e encanadores. Os salários começam em £ 31.244 por ano (cerca de R$ 218.000), com viagem, hospedagem, alimentação e equipamentos adequados às temperaturas extremas custeados pela instituição.
No total, cerca de 5 mil pessoas trabalham na Antártida durante os meses de verão, distribuídas por 80 estações de pesquisa operadas por aproximadamente 30 países.
Tanto o BAS quanto seu equivalente americano, o United States Antarctic Program, divulgam vagas na internet. O BAS também promove um dia aberto ao público em março.
Quem se sente atraído pelo apelo da aventura, porém, deve ter clareza sobre as condições: alimentos frescos são escassos, o consumo de álcool é limitado e a acomodação nas bases do BAS é feita em dormitórios compartilhados. As equipes trabalham em escala de sete dias.
O processo seletivo do BAS inclui testes para avaliar a capacidade de lidar com conflitos e resolver problemas, seguidos de treinamento prévio rigoroso para os candidatos aprovados.
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A estação de pesquisa Halley VI parece saída de um filme de ficção científica — Foto: BAS
Ainda assim, mais do que os desafios físicos e o frio, é a convivência constante com colegas e a rotina estruturada que costumam gerar mais dificuldades, afirma Mariella Giancola, diretora de Recursos Humanos do BAS. Ela compara a experiência a "voltar para a universidade".
"Muita gente diz: 'Não tenho problema em lidar com pessoas'. E depois percebe que não se sente confortável dividindo espaços com outras pessoas."
"É preciso estar bem com o fato de que você não terá privacidade, porque as pessoas estão o tempo todo ao seu redor. Você sai da liberdade que tem em casa e passa a seguir as regras e os regulamentos definidos pelo chefe da estação. Um pequeno número de pessoas tem dificuldade com isso."
O psicólogo clínico Duncan Precious exerceu essa função nas Forças Armadas britânicas e australianas entre 2013 e 2020. Atualmente, é diretor clínico e consultor de resiliência na CDS Defence & Security, empresa de consultoria na área de defesa.
Embora o potencial de riscos físicos na Antártida seja elevado, Precious afirma que a dinâmica social pode se mostrar ainda mais problemática. Quando as relações se desgastam, as consequências podem ser difíceis de reparar e de controlar, diz.
No entanto, observa que o perfil de quem se sente atraído por viver e trabalhar na Antártida tende a prosperar sob o que chama de "estresse positivo" — de modo semelhante ao que ocorre com pessoas que optam pela carreira militar.
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Mapa Antártida — Foto: BBC
Apesar das exigências físicas e emocionais do trabalho, McKenzie, da BAS, afirma que nada supera as experiências vividas, nem a satisfação de contribuir para a pesquisa ambiental.
"Quando cheguei aqui pela primeira vez, foi difícil dividir quarto com outras pessoas, e o tempo estava bastante desagradável. No primeiro mês, pensei: 'Talvez isso não seja para mim'", reconhece.
"Mas então você começa a sair, vê baleias, focas e ilhas em passeios de barco, faz pequenos voos em aeronaves leves e pensa: 'Isso é extraordinário'. Este ano, tive a sorte de ver uma colônia de pinguins-imperadores. É como algo saído de um documentário de David Attenborough (apresentador, locutor e naturalista britânico)."
Por - G1
Pela primeira vez em 800 anos, restos mortais de São Francisco de Assis são expostos ao público
Em um evento descrito como único por fiéis e autoridades religiosas, os restos mortais de São Francisco de Assis foram expostos ao público geral neste domingo (22). A exibição marca o 8º centenário de morte do santo padroeiro da Itália e deve atrair multidões à Basílica de São Francisco de Assis até o dia 22 de março.
O esqueleto do santo, que faleceu em 1226, está repousado sobre um pano de seda branca dentro de um relicário de vidro transparente e à prova de balas. Esta é a primeira vez que o público pode ver o corpo de forma prolongada; anteriormente, os ossos haviam sido exibidos por apenas um dia em 1978.
Para garantir a integridade dos restos mortais, a vitrine de acrílico foi selada para evitar o contato com o ar externo, mantendo as mesmas condições de conservação do túmulo original. Além disso, câmeras de vigilância monitoram o local 24 horas por dia para organizar o fluxo que pode chegar a 19 mil visitantes aos finais de semana.
O limite para perder a carteira agora varia conforme a gravidade das infrações; motoristas profissionais possuem regras diferenciadas.
Com as recentes alterações no Código de Trânsito Brasileiro, o sistema de pontuação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) tornou-se mais dinâmico. Agora, o teto de pontos para a suspensão do direito de dirigir não é fixo para todos os condutores, dependendo diretamente do histórico de infrações gravíssimas nos últimos 12 meses.
Como funciona o novo limite de pontos?
O limite de 40 pontos é condicional. Veja como fica o teto:
- 40 Pontos: Para quem não cometeu nenhuma infração gravíssima (7 pontos) no último ano.
- 30 Pontos: Para quem cometeu apenas uma infração gravíssima no período.
- 20 Pontos: Para quem cometeu duas ou mais infrações gravíssimas.
Exceção para Profissionais: Motoristas que exercem atividade remunerada (EAR), como caminhoneiros e motoristas de aplicativo, têm o limite fixado em 40 pontos, independentemente da gravidade das infrações. Ao atingirem 30 pontos, eles podem realizar um curso de reciclagem preventivo para "limpar" a pontuação.
Valores e Pesos das Infrações
Além da pontuação, o motorista deve estar atento aos custos financeiros:
- Leve (3 pontos): R$ 88,38 (Ex: parar na calçada).
- Média (4 pontos): R$ 130,16 (Ex: excesso de velocidade até 20%).
- Grave (5 pontos): R$ 195,23 (Ex: não usar cinto de segurança).
- Gravíssima (7 pontos): R$ 293,47 (Ex: dirigir sob efeito de álcool ou estacionar em vaga de idoso).
As "Autossuspensivas"
Algumas infrações ignoram a contagem de pontos e geram a suspensão imediata da CNH. Entre elas estão:
- Dirigir embriagado (multa pode chegar a quase R$ 3 mil);
- Participar de "rachas" ou manobras perigosas;
- Exceder a velocidade máxima da via em mais de 50%.
Como Recorrer?
Caso receba uma autuação, o condutor tem direito à ampla defesa em três etapas:
- Defesa Prévia: 30 dias para apontar erros formais ou indicar o real condutor.
- 1ª Instância (JARI): Recurso após a aplicação da penalidade.
- 2ª Instância (CETRAN): Última etapa administrativa caso o recurso anterior seja negado.
A validade de cada ponto é de 12 meses a partir da data da infração. Você pode consultar sua pontuação atualizada pelo aplicativo da Carteira Digital de Trânsito ou pelo site do Detran.




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