O governador Carlos Massa Ratinho Junior decretou nesta terça dia (23) luto oficial de três dias em todo o território estadual em respeito aos 15 mil paranaenses mortos pela Covid-19. O novo boletim da Secretaria da Saúde apontou um total de 15.166 mortes em decorrência da doença desde o início da pandemia, em março de 2020.
“Presto a minha solidariedade a todas as famílias que perderam entes e amigos queridos em consequência do coronavírus. Meus sentimentos a cada pessoa vítima desta tragédia pela qual estamos passando”, afirmou Ratinho Junior.
O governador destacou que o Estado está enfrentando o pior momento e que o Governo não mede esforços para atender os paranaenses com dignidade, com oferta de leitos e medidas restritivas para diminuir o contágio. “Estamos passando pelo período mais grave da pandemia no Estado, com as novas variantes, e por isso é hora de nos resguardar. Precisamos agir coletivamente para impedir que o coronavírus continue circulando”, pontuou.
Ratinho Junior ainda agradeceu os profissionais de saúde e todos aqueles que trabalham imensamente para conter os efeitos da pandemia. “Quero manifestar o imenso respeito que o Paraná tem com os seus profissionais de saúde e todos aqueles que estão enfrentando essa doença na linha de frente. Vocês são a nossa força”, arrematou.
O secretário estadual de Saúde, Beto Preto, lembrou que pelo menos uma centena de municípios do Paraná nem sequer tem 15 mil habitantes e que o número exige reflexão. “Estamos trabalhando de todas as maneiras possíveis para que os casos e óbitos desacelerem. As saídas são a vacina e a colaboração de toda a população. Estamos passando por um período gravíssimo e estamos de luto por todas as vidas perdidas para esta doença terrível”, reforçou.
A estimativa da Universidade Johns Hopkins é que, até esta terça-feira, 2.726.513 pessoas morreram de Covid-19 em todo o mundo. São mais de 123 milhões de pessoas infectadas. No Brasil, 295.425 pessoas perderam a vida para a doença.
Veja o decreto nº 7168.
O Corpo de Bombeiro de Prudentópolis foi acionado para atender uma ocorrência em que dois homens e uma criança caíram dentro de um poço nesta terça dia (23).
Conforme o Portal Nossa Gente, o atendimento ocorreu na rua Lécia Ucrainka.
A criança de dois anos teria caído primeiro, e o pai de 41 anos e o tio, 48 anos, entraram em seguida para salvá-lo.
Os dois homens acabaram ficando presos e precisaram de resgate dos bombeiros.
De acordo com o 3º Sargento, Mario, a primeira informação era sobre a criança. “A gente deslocou as guarnições até o local e constatou que eram três pessoas dentro do poço. Tivemos que armar um sistema de força rápida, já que as pessoas estavam dentro da água”. O poço tinha aproximadamente cinco metros e o responsável pela retirada das vítimas foi o soldado Lara. “Ele ficou ancorado na corda e retirou vítima por vítima, ocorreram três salvamentos. Com uma mão ele se sustentava, e com a outra ele segurava a criança”.
O tio disse que escutou gritos, mas que não entendeu o que estava acontecendo. “Daí eu vi que era uma criança que tinha caído no poço. A primeira coisa que eu pensei foi em me jogar e pegá-la até o Corpo de Bombeiros chegar”.
Os bombeiros orientaram que as pessoas que tem poços em casa façam uma tampa, pois essa medida evita uma tragédia. (Com Portal Nossa Gente).
A média móvel de casos e mortes pela Covid-19 diminuiu na última semana no Paraná, em comparação com a anterior, mostram os dados da Secretaria de Estado da Saúde. Na 11a semana epidemiológica, que encerrou no sábado (20), o Estado registrou 27.166 casos, 16,07% a menos que na semana epidemiológica 10, quando 32.369 pessoas foram infectadas pelo novo coronavírus. A redução no número de óbitos foi de 21,2%, passando 1.019 óbitos para 803 de uma semana para outra.
Os números, porém, ainda são muito altos. Isso porque a 10a semana epidemiológica, que compreende o período de 7 a 13 de março, foi a que registrou o recorde de mortes durante toda a pandemia no Estado. Ela refletiu o número de casos da semana anterior, quando 35.879 pessoas foram contaminadas, o pico de diagnósticos positivos neste ano.
A taxa de letalidade naquela semana também ficou maior que a média estadual. Cerca de 2% das pessoas diagnosticadas com a doença neste um ano de pandemia morreram. Na semana epidemiológica 10, porém, essa taxa ficou em 3,15%. Já na semana 11, o índice reduziu para 2,96%.
Para se ter ideia, em novembro do ano passado, quando houve uma remissão da pandemia no Estado, a taxa de letalidade chegou a 0,85%.
Para o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, a pequena queda ainda não é motivo para descuidar das medidas para conter a disseminação do novo coronavírus, como o distanciamento social, o uso de máscaras e a higiene das mãos. “Temos visto uma redução na taxa de contágio, provavelmente influenciada pelas medidas adotadas pelo Estado, mas a porcentagem de testes que tem dado positivo está alta, com cerca de 40% de diagnósticos positivos”, afirmou.
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Outra preocupação é com a disponibilidade de leitos no Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo com a abertura de novas estruturas exclusivas para atender pacientes com a Covid-19, em todas as macrorregiões do Estado a taxa de ocupação das Unidades de Terapia Intensiva (UTI) supera os 90%, com uma média de 95% das UTIs adulto exclusivas ocupadas. Nas macrorregiões Leste e Oeste, a taxa de ocupação é de 96%, na Noroeste é 94% e na Norte é 91%. Na macro Oeste todos os leitos pediátricos para a Covid-19, clínicos e de UTI, estão 100% cheios.
INCIDÊNCIA – Até esta segunda-feira (22) o Paraná concentrava 794.608 casos confirmados e 14.885 mortes pela doença. Com isso, a taxa de incidência no Estado chegou a 6.899,53 por 100 mil habitantes, ou 6,9% da população paranaense. O coeficiente de mortalidade no Paraná é de 129 óbitos por 100 mil habitantes, abaixo da média nacional, de 138,9/100 mil.
Na macrorregião Oeste, que congrega as Regionais de Saúde de Cascavel (10ª), Foz do Iguaçu (9ª), Francisco Beltrão (8ª), Pato Branco (7ª) e Toledo (20ª), 8,5% da população foi diagnosticada com a Covid-19, com um coeficiente de mortalidade de 135,1 mortos por 100 mil habitantes, maior que a média estadual.
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Na macrorregião Leste, onde estão as Regionais de Saúde Metropolitna (2ª), Irati (4ª), Guarapuava (5ª), Paranaguá (1ª), Ponta Grossa (3ª), Telêmaco Borba (21ª) e União da Vitória (6ª), o coeficiente de mortalidade também é mais alto que no Estado, com 134,5 óbitos por 100 mil habitantes. O coeficiente de incidência é de 6.584 casos por 100 mil habitantes, menor que a taxa estadual.
Na macrorregião Norte, que conta com as Regionais de Saúde de Apucarana (16ª), Cornélio Procópio (18ª), Ivaiporã (22ª), Jacarezinho (19ª) e Londrina (17ª), o coeficiente de incidência é de 6.416,4/100 mil e o de óbitos é 128,8/100 mil.
Já na macrorregião Noroeste, que concentra as Regionais de Saúde de Campo Mourão (11ª), Cianorte (13ª), Maringá (15ª), Paranavaí (14ª) e Umuarama (12ª), o índice de incidência está em 6.603,6 casos por 100 mil habitantes e o coeficiente de mortalidade é de 106,4/100 mil, menor taxa do Paraná. (Com AEN)
Os furtos e roubos caíram em todas as regiões no Paraná entre os anos de 2019 e 2020. A redução foi de 10,1% na modalidade criminosa praticada sem violência (de 155.070 para 139.284) e de 31,8% em roubos (de 48.734 para 33.238), segundo balanço divulgado nesta terça-feira (23) pela Secretaria de Estado da Segurança Pública.
Os dados foram consolidados pelo Centro de Análise, Planejamento e Estatística (CAPE) a partir dos registros dos boletins de ocorrências das polícias Militar e Civil. Eles abrangem análises dos 399 municípios do Paraná a partir das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP).
Este resultado é fruto da preparação das forças policiais mesmo em um ano de inúmeras dificuldades provocadas pela pandemia do novo coronavírus. “A redução destes crimes no Estado é reflexo de um trabalho de planejamento contínuo, com mais viaturas nas ruas e policiais mais bem preparados”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Romulo Marinho Soares. “A nossa preocupação maior, além da redução dos números, é trazer mais segurança para os paranaenses”.
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Para o comandante-geral da PM, coronel Hudson Leôncio Teixeira, o trabalho de planejamento e integração com as demais forças de segurança foram preponderantes para a diminuição dos índices criminais. “Este resultado é fiel ao planejamento que os batalhões têm feito. Nos pautamos nas estatísticas fornecidas pela Secretaria e pela própria PMPR, ou seja, as viaturas e as forças são aplicadas nos horários e locais com maior incidência. Com essas operações e patrulhamentos, houve a redução significativa”, destacou.
O delegado-geral da Polícia Civil, Silvio Jacob Rockembach, acrescentou que o profissionalismo e a dedicação dos policiais resultam em investigações qualificadas. “Isso coíbe a prática de crimes. Somada a isso, a integração com outras forças de segurança contribui para a melhoria da segurança pública em todo o Estado. Outro fator importante para a redução é a atuação sistêmica de todas as unidades da Polícia Civil, a integração e a troca de informações permanente”, ressaltou.
ROUBOS – Foram 15.496 roubos a menos no Paraná em 2020. As áreas que registraram as maiores quedas foram a 8ª AISP de Laranjeiras do Sul (-43,2%), a 13ª AISP de Toledo (-37,4%), a 21ª AISP de Cornélio Procópio (-36,6%), a 7ª AISP de Guarapuava (-35,9%), a 1ª AISP de Curitiba (-34,8%), a 17ª AISP de Maringá (-33,9%), a 19ª AISP de Rolândia (-33,2%), a 4ª AISP de Ponta Grossa (-32,3%) e a 2ª AISP de São José dos Pinhais (-32,3%).
A área de Laranjeiras do Sul, que contempla Cantagalo, Goioxim, Laranjal, Laranjeiras do Sul, Marquinho, Nova Laranjeiras, Palmital, Porto Barreiro, Rio Bonito do Iguaçu e Virmond, viu o índice cair de 111 casos (2019) para 63 (2020).
A queda mais tímida nesta modalidade foi na 22ª AISP de Telêmaco Borba (-12,8%), de 811 para 707 casos. Essa área contempla dez cidades: Cândido de Abreu, Curiúva, Figueira, Imbaú, Ortigueira, Reserva, Sapopema, Tibagi, Ventania e Telêmaco Borba.
O levantamento apontou que os meses de janeiro e fevereiro foram os que tiveram o maior número de ocorrências de roubos em 2020, com 3.803 e 3.909, respectivamente. Ainda assim, o número foi inferior aos mesmos meses de 2019, com 4.022 em janeiro e 4.091 em fevereiro. Agosto (2.262) e dezembro (2.203) apresentaram os melhores resultados.
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FURTOS – O balanço mostra que a 14ª AISP (Campo Mourão), que contempla 27 cidades, foi a que teve a maior queda nesta modalidade criminal (-25,8%). Houve diminuição em 21 regiões e um pequeno aumento na 2ª AISP (São José dos Pinhais), na casa de 3%. Em todo o Estado foram 15.786 ocorrências a menos do que em 2019.
Sete áreas ficaram abaixo da variação média do Paraná: a 16ª AISP de Paranavaí (-8,8%), a 4ª AISP de Ponta Grossa (-8,5%), a 17ª AISP de Maringá (-8,3%), a 20ª AISP de Londrina (-5,2%), a 1ª AISP de Curitiba (-5,2%) e a 21ª AISP de Cornélio Procópio (-2,07%).
Também neste caso janeiro e fevereiro registraram a maior quantidade de ocorrências de furtos, com 14.347 e 13.746, respetivamente. A partir do mês de março de 2020, os números passaram a cair. Junho (10.359) e agosto (9.933) foram os meses que tiveram o menor número de ocorrências.
CAPITAL – Curitiba, cidade mais populosa da 1ª AISP, também apresentou redução nas ocorrências de furtos e roubos em 2020 no comparativo com o ano anterior. A queda foi de 34,8% nas ocorrências de roubo e de 5,2% no crime de furto.
CATEGORIAS – A redução mais expressiva categorizada foi relacionada a furtos e roubos em ambientes públicos. Em 2019 foram 33,9 mil ocorrências de furto, 35,3% a mais que as 21,9 mil registradas no ano passado. Em relação a roubos a diminuição foi de 35,2%, de 34,2 mil (2019) para 22,1 mil (2020).
Nessa categoria, a 12ª AISP, que compreende Foz do Iguaçu e os municípios da região Oeste, foi a que apresentou maior redução nos roubos. Foram 857 ocorrências em 2020, contra 1,4 mil em 2019, diferença de 39%.
Também foram registradas 14,3 mil situações de furtos a residências a menos no Estado em 2020. No ano passado houve 30,4 mil ocorrências, contra 44,7 mil em 2019, redução de 31,9 %. Já as ocorrências de roubo a residências tiveram queda de 16,3%, de 3,7 mil (2019) para 3,1 mil (2020).
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Houve redução, ainda, em furtos e roubos no comércio. A redução nas ocorrências de furtos foi de 26,6% (de 20,9 mil em 2019 para 15,4 mil no ano passado). Em relação a roubos, a diferença foi de 24,4% (de 6.661 ocorrências para 5.230).
O Paraná teve queda expressiva também no número de furtos e roubos de veículos. A redução na primeira modalidade foi de 24,7% e na segunda de 22,9%. A AISP de Foz do Iguaçu foi que apresentou maior redução de furtos: 496 veículos em 2020 e 832 em 2019, redução de 40,3%. Com relação a roubo de veículos, a maior queda foi na 13ª AISPs de Toledo (-47,8%), de 228 para 119. (Com AEN)
A taxa de transmissão da Covid-19 caiu um pouco no Paraná nos últimos dias. O Estado tem um Rt médio de 0,77, o que significa que cada 100 pessoas com Covid-19 podem contaminar outras 77, como mostram os dados atualizados no domingo (21) pelo sistema Loft, que analisa como está a transmissão do coronavírus no Brasil. Neste momento, o Paraná tem a menor taxa de reprodução (Rt) entre os estados brasileiros.
“De forma simples, o Rt indica a média de pessoas que serão infectadas pelo Sars-CoV-2 a partir de uma pessoa doente. Quando o Rt for igual a 1, a doença está estável, quando é maior, temos o crescimento do número de casos. Com essa taxa, abaixo de 1, há uma remissão no contágio”, explica a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde, Acácia Nasr. “A variação dessa taxa considera as mudanças no comportamento da população, como a quarentena, uso de máscaras e teletrabalho”.
A média de transmissão no País é de 1,04, sendo que o Estado com o maior índice de reprodução é o Ceará, com o Rt de 1,2. Somente em outros quatro essa média é igual ou inferior a 1: Amazonas (0,89), Rio Grande do Norte (0,89), Bahia (0,98) e Rio de Janeiro (1).
Desde o início da pandemia, há um ano, é a quarta vez em que há uma remissão na transmissão do vírus no Paraná, o que ocorre desde a última quarta-feira (17). O Rt chegou a um pico de 1,88 entre março e abril do ano passado e teve algumas variações, sempre superior a 1, até o início de setembro. A média oscilou entre 0,97 e 1 até o início de novembro, quando voltou a subir.
Entre 26 de dezembro e 7 de janeiro também houve uma queda da taxa de transmissão, que depois de uma leve alta voltaria a cair pelo período de um mês, entre 18 de janeiro e 18 de fevereiro de 2021. A transmissão, então, voltou a crescer até atingir um pico de 1,58 em 11 de março – naquela data, cada 100 pessoas infectadas contaminavam outras 158.
SEM DESCUIDOS – Para o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, a queda na taxa de reprodução mostra um acerto das medidas adotas pelo Governo do Estado para conter a disseminação do novo coronavírus, mas não deve haver descuidos porque a situação nos hospitais é preocupante.
Ele ressalta que a população não pode relaxar nas medidas de isolamento, e que deve evitar viagens e aglomerações durante o feriado de Páscoa. “Reiteramos que não adianta adotar as medidas de contenção e chegar no feriado com toda aquela movimentação de viagens, visitas aos parentes, um final de semana na praia. Isso tudo ajuda a ampliar a velocidade de contágio”, afirma.
"Nosso Rt baixou um pouco, mas os testes mostram que o coronavírus circula muito facilmente, de maneira comunitária, em todo o Estado, principalmente em Curitiba, na Região Metropolitana e na região Oeste. Por isso, quem pode precisa ficar em casa para não fazer o vírus circular”, reforça.
TESTES – De acordo com Beto Preto, cerca de 40% dos testes feitos atualmente dão positivo, um sinal de que o contágio ainda está alto no Estado. “O grau de positividade está muito alto e a testagem diminuiu um pouco nos últimos dois meses. A taxa de transmissão está sofrendo alguns revezes, e eu quero chamar atenção para isso. O Paraná é o Estado que mais testa no Brasil, e se há número alto de resultados positivos, significa que ainda há muita circulação do coronavírus no Estado”, ressalva o secretário. (Com AEN)
O Paraná está consolidando uma estrutura para avançar nos estudos genéticos, o que pode trazer repostas mais sofisticadas e acertadas no tratamento de doenças, focando na necessidade de cada indivíduo. Em julho do ano passado, o Estado implantou a Rede Paranaense de Pesquisa Genômica, que faz parte do Novo Arranjo de Pesquisa e Inovação Genômica (Napi Genômica). No início deste mês, o grupo passou a compor a Rede Corona-ômica Brasil, uma rede nacional que permite o compartilhamento de análises genéticas de pacientes infectados pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2).
Na quinta-feira passada (18), foi dado início ao Vale do Genoma, um ecossistema de inovação que será instalado em Guarapuava, no Centro do Estado, voltado diretamente à pesquisa genômica e à inteligência artificial aplicadas à área da saúde, mas com foco também na agricultura e na pecuária. O projeto conta com a participação do Governo do Estado, por meio da Superintendência Geral de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior e da Fundação Araucária, da academia e da iniciativa privada.
Um dos principais nomes da área no Estado é o médico e professor David Livingstone Figueiredo, chefe do Departamento de Medicina da Universidade Estadual do Centro-Oeste do Paraná (Unicentro), coordenador da Rede de Pesquisas Genômicas e diretor-presidente do Instituto de Pesquisa do Câncer de Guarapuava (Ipec), além de ser um dos idealizadores do Vale do Genoma.
Nesta entrevista, Livingstone destaca que os estudos genéticos são o grande avanço da medicina, que irá tratar, no futuro, cada paciente individualmente, de acordo com suas características genéticas. Da mesma forma, esse tipo de estudo também ajuda a entender, no presente, o desenvolvimento do novo coronavírus, as variantes do SARS-CoV-2 e quais respostas podem ser aplicadas a elas.
Outro campo de aplicação é na agropecuária, com a melhoria genética de plantas e animais que ajudam a evitar pragas e doenças, melhoram a produtividade e garantem processos mais avançados na criação de rebanhos, com as características que vão ao encontro do interesse do produtor.
O Paraná foi um dos primeiros estados a formatar uma Rede de Pesquisa Genômica com foco na Covid-19. O que se espera com esses estudos?
Napi Genômica conta com a participação das sete universidades estaduais, da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e de algumas instituições de ensino superior privadas, como a PUCPR e as Faculdades Pequeno Príncipe. São 17 instituições, além de parceiros como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Faculdade de Medicina de Marília. Temos vários projetos desenhados nessa área, começando pelo Napi Genômica, que congrega mais de 200 pesquisadores do Estado. O projeto está focado atualmente no estudo da Covid-19 e o sequenciamento genético do SARS-CoV-2 e do exoma, a fração do genoma que codifica os genes dos pacientes. Estudos interessantes devem sair em breve com esse foco e, para meados de abril, vamos lançar mais de 30 propostas de projetos envolvendo as diferentes áreas de conhecimento da genômica: saúde, agricultura e pecuária. Queremos construir um modelo muito rico, com a participação da iniciativa privada para investir nesses projetos. Nossa intenção é desenvolver pesquisas que tenham uma aplicação fora da academia, que virem produtos e tragam benefício para a população.
Como a participação na rede nacional vai ajudar a fomentar esses estudos, principalmente no que diz respeito ao novo coronavírus?
Quando o Napi Genômica foi idealizado, o foco não era a Covid-19, mas tudo que envolvesse a pesquisa genômica. Porém, com o advento da pandemia, percebemos que tínhamos como contribuir para entender o desenvolvimento da doença e hoje somos um dos poucos centros do Brasil que estão sequenciando o vírus. Com o apoio da Seti e da Fundação Araucária, conseguimos um recurso interessante para sequenciar 300 amostras do coronavírus e 300 exomas de pacientes. Vamos olhar para mais de 25 mil genes de pacientes e associar às gravidades da doença e, mais do que isso, para também entender a importância do aspecto epidemiológico com o sequenciamento genético de mais de mil amostras do coronavírus. Isso vai ajudar a descobrir quais cepas estão realmente circulando no Estado, com uma amostra significativa, proporcional e bem desenhada, de todo o Paraná. Daqui um tempo, vamos fazer de novo sequenciamento para ver como a Covid-19está evoluindo. É um estudo de muita importância para entender a gravidade da doença, as respostas à vacina e tudo mais.
O que se conseguiu apurar até agora com o sequenciamento genético do SARS-CoV-2?
Nós já temos dados de que a cepa P2, a segunda variante identificada no Brasil, descrita pela primeira vez em janeiro deste ano no Rio de Janeiro, já estava circulando no Paraná desde o outubro do ano passado. Provavelmente, com o novo sequenciamento que vamos fazer, que colocará o Paraná como um dos estados que mais vai sequenciar amostras, vamos achar muitas coisas interessantes, que vão refletir em aprendizados que vão ajudar o Estado a lidar com a pandemia mais para frente.
Além da Rede Genômica, seu novo projeto é a implantação do Vale do Genoma. O que esse ecossistema vai representar para essa área de pesquisa?
O Vale do Genoma é um projeto maior nessa área porque consegue reunir a iniciativa privada, a academia e o governo de maneira bem clara, desde a assinatura do Memorando de Entedimento até a execução do projeto. O que será construído em Guarapuava é algo inédito e único no País, um ambiente com recurso privado, que não depende só do setor público, mas o tem como parceiro. Temos iniciativas de inovação no Brasil que acabam ficando muito restritas, ou é um parque que incuba algumas empresas, ou um parque que faz algumas pesquisas. Aqui teremos isso tudo, desde a pesquisa inicial, a avaliação se ela é economicamente viável, a aplicação e o desenvolvimento dos projetos por meio das startups, até chegar ao escalonamento desses produtos, sua produção em larga escala. Queremos criar um ambiente que não existe no Brasil, um completo ecossistema de inovação e referência na pesquisa genômica, nos mesmos moldes do Vale do Silício, nos Estados Unidos.
Mais do que promover a pesquisa genômica, a ideia é criar um ambiente de negócios nesta área?
Sim, são negócios nos dois pontos de vista, tanto no financeiro como na prática, para trazer respostas à sociedade. Primeiro precisamos de dinheiro para produzir pesquisa e fazer girar a economia. Com isso, podemos trazer uma resposta prática a partir dos estudos genômicos. Se encontrarmos marcadores para certas doenças, isso é uma resposta prática. Se conseguirmos melhorar a produção de soja com a pesquisa genômica, é um resultado prático que reflete na questão econômica, mas também na melhoria de qualidade de vida. Essa é a ideia. Somos muito bons em fazer pesquisa no Brasil, mas ainda não conseguimos aplicá-las à realidade, elas acabam virando papers (artigos científicos apresentados em congressos ou eventos de determinadas áreas), mas não projetos práticos. Por isso precisamos mudar o conceito e dar esse direcionamento às pesquisas que realmente importam para a humanidade.
Que tipo de resultado a pesquisa genômica traz no enfrentamento a doenças? Se fala muito do câncer, mas quais outros tipos de doença podem ser abordadas neste tipo de pesquisa?
Todas as doenças humanas podem ser e serão abordadas a partir da genômica, especialmente as doenças crônicas. Usamos agora o sequenciamento genético para entender a Covid-19, mas também poderemos usar para tratar hipertensão, diabetes, doenças endócrinas, todas elas. O câncer é muito estudado atualmente porque será uma das principais causas de morte na próxima década, mas todas elas podem ser abordadas, inclusive as doenças mentais. Estamos tocando agora um projeto para o diagnóstico genético da deficiência mental idiopática (aquela que ocorre por causas naturais). Hoje, 70% das crianças com doenças mentais não têm diagnóstico, o que é um absurdo. Vamos criar um modelo de diagnóstico, desde a clínica até a abordagem genômica. Todas as doenças podem ser abordadas, e elas serão cada vez mais abordadas segundo essa análise. Não vamos tratar no futuro o paciente com diabetes como qualquer paciente, vamos tratar individualmente, de acordo com o perfil de expressão gênica, de acordo com o seu gene. Isso é medicina personalizada, que é o que queremos fazer no Vale do Genoma. Isso só pode ser feito reunindo duas coisas, genômica e inteligência artificial.
A ideia é tornar o Vale do Genoma uma referência?
Nossa expectativa é grande. A Rede Genômica já é uma referência nacional, já temos esse reconhecimento, tanto que fomos convidados para entrar na Rede Corona-ômica. Não tenho dúvidas de que, se continuarmos com esse propósito de fazer as coisas bem-feitas, em breve seremos referência para o mundo como ecossistema de inovação, de ter um ambiente que traga respostas práticas a tantas dúvidas que temos. O Vale do Genoma é uma superestrutura, um conjunto de infraestruturas públicas e privadas como o grupo Jacto, o Ipec, a Fundação Araucária e a Seti, sendo que cada uma dessas instituições tem seu próprio CNPJ, mas trabalham em um sistema de coopetição, que une a cooperação à competição, como é no Vale do Silício. Teremos aqui diferentes comitês, utilizando vários espaços. Será um ambiente para estimular a inovação.
E além da área da saúde, como esses estudos podem ser aplicados na agropecuária?
Tem um campo vasto para aplicação da pesquisa genômica na agricultura e na pecuária, tanto que a fundação de pesquisa da Cooperativa Agrária, de Guarapuava, já tem um convênio conosco. Com estudos genéticos poderemos evitar novas pragas, tornar a produção mais prática. Na pecuária, a seleção por fenotipagem, aquela que busca selecionar as características físicas dos animais, é limitada, então quando conseguimos ter marcadores genéticos fica mais fácil para selecionar a característica que queremos para aquele animal. Eu não olho mais para a cara dele, olho para o gene. (Com AEN)








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