Mudança radical de anitta acende debate: há limites para ‘comprar’ um novo rosto?

Para desespero dos fãs, Anitta ficou dois meses fora da internet. A cantora de 32 anos disse ter contraído uma infecção bacteriana e reapareceu, no último dia 29, em fotos ao lado de Sofia Vergara, Ricky Martin e Naomi Campbell, na Itália.

O semblante era outro. Sobrancelhas levantadas, nariz arrebitado, lábios mais volumosos e maxilar afinado. Afinal, o que Anitta fez? “A ponta nasal parece mais elevada e as narinas modificadas, indicando alterações estruturais que transformam o equilíbrio facial”, aposta o dermatologista Alessandro Alarcão. Para o cirurgião plástico Antonio Pitanguy, há sinais claros de intervenções na parte superior do rosto e um discreto “lip lift”, aumentando a eversão (curvatura) do lábio superior. “Além de uma blefaroplastia superior para remover excesso de pele das pálpebras”, deduz.

Com um histórico de transformações que começou com uma rinoplastia em 2013, Anitta já somaria em torno de 50 procedimentos estéticos e, há duas semanas, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou ter feito mais um deles, sem dar detalhes. Além da cantora, o clã das Kardashian (em especial Kylie Jenner e sua mãe Kris Jenner) também demonstra não ter grilos em alterar consideravelmente os traços com os quais nasceram. “As pessoas sempre usaram artifícios para moldar os corpos. Mas as transformações tomaram outra proporção, porque nos vemos mais com o celular”, analisa a jornalista e consultora de conteúdo Maria Prata. “Antigamente, quando alguém fazia uma rinoplastia, era porque tinha um nariz fora do padrão. Hoje, é porque pensa ‘acho que ficaria melhor se fosse mais arrebitado’.” Embora pontue o quanto essa influência pode ser nociva para novas gerações, Maria a encara como o sinal dos tempos. “Quanto mais acessível isso for, mais as pessoas mudarão rosto e corpo”, diz.

Em um vídeo postado no Instagram, a influenciadora Camila Coutinho diz que a exposição das celebridades é tão intensa que um rosto refeito se torna o “oficial”. “Ninguém mais lembra como era a Kylie Jenner. É como se fosse um avatar: eu escolho esse. É essa a imagem que assumo nas redes sociais.” 

Embora a condição financeira seja, sem dúvida, um facilitador, algumas situações beiram a dismorfia. “Quando há mudanças bruscas na aparência, sem um preparo emocional, a mente não acompanha na mesma velocidade, criando um descompasso”, explica a psicóloga Marcela Fortunato. Assim, há dificuldades de se reconhecer ao olhar no espelho. “É como se o corpo falasse ‘sou outra’ e a mente respondesse ‘não sei quem sou’. Isso gera ansiedade e angústia. É preciso entender de onde vem esse desejo por mudanças.”

Com dinheiro, tempo e bons médicos à disposição, é possível fazer um “avatar” de si mesma, ao gosto do freguês. No entanto, há limites. Mesmo que sejam apenas financeiros. “Pacientes com orçamento fechado tendem a ser mais cuidadosos nas escolhas e na frequência do que é feito”, esclarece o dermatologista Alessandro Alarcão.

Afinal, ninguém é de brinquedo.

 

 

 

 

 

 

Por - O GLobo

 Política brasileira não enxerga ciência como solução, diz pesquisadora

A linha de crescimento econômico dos países do Brics se assemelha bastante à trajetória de crescimento científico. Em 2024, pesquisadores do bloco produziram 41% das publicações científicas do mundo, superando a proporção dos países do G7.

Apesar disso, a presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, teme que o Brasil esteja ficando para trás, em comparação com os outros países do bloco, especialmente os asiáticos.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, após a realização do Fórum de Academias de Ciências do BRICS, a biomédica e professora universitária defendeu maiores investimentos em ciência e tecnologia e maior cooperação entre os Brasil e os países do grupo.

Agência Brasil: Na sua fala aos participantes do encontro, a senhora disse que é preciso agir e não apenas assinar mais um documento. Como fazer isso?

Helena Nader: O problema é que a maioria dos países dos Brics, tirando a China e a Índia, que têm um investimento pesado na área de ciência, ainda não acordaram pra essa realidade. A gente já mudou muito, já melhorou muito a condição de vida no Brasil. E isso foi pela ciência, muita ciência... Mas a sociedade ainda não percebeu isso. E o governo também não percebeu isso. Nós vamos entregar o nosso comunicado aos chefes de Estado dos países do Brics, vai ter a reunião dos Brics aqui no Rio de Janeiro, os governos vão assinar mais um acordo e depois vão fazer o que com esse acordo? É isso que eu me pergunto.

Agência Brasil: A senhora também disse que os países do Brics estão vivendo uma oportunidade única pela geopolítica...

Helena Nader: Sim. Eu estive na China durante quase 20 dias, percorrendo o país, e o que o presidente da China, Xi Jinping, tem feito? Eles têm um programa a cada 5 anos, e a ciência é o eixo central. Não é à toa que, na primeira vez em que eu fui para a China, em Pequim, não dava pra enxergar o céu, era tudo preto de fumaça, e hoje o céu é azul! Eu queria que São Paulo e o Rio fossem assim. E o Brasil pode decidir fazer isso. A gente tem que olhar com quem a gente está colaborando.

Agência Brasil: E o que falta para o Brasil tomar essa decisão?

Helena Nader: O Brasil não acredita em ciência. A política brasileira não acredita em ciência... Ela fala que isso que é importante, mas não acredita. Quando o Senado Federal colocou que o Ministério de Ciência e Tecnologia e todos os projetos de ciência nos outros ministérios não entrariam no arcabouço fiscal, a Câmara derrubou. Então, isso é a prova de que nós somos diferentes da China. Ela disse: "Eu quero ser o senhor do mundo, e, para isso, eu preciso de educação e ciência". Eles já tinham uma tradição em educação, e agora eles têm laboratórios nacionais espalhados por toda a China, que é um país gigante. Aqui, está tudo concentrado no Rio de Janeiro e em São Paulo. Sabe quantos criomicroscópios tem na China? Mais de 120. Sabe quantos tem no Brasil? Funcionando, dois. E um terceiro vai ser instalado. Então, são opções.

Agência Brasil: Há um problema de financiamento também?

Helena Nader: Não tem financiamento científico. O único financiamento nosso é FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico], mas o que sobra dele para a ciência, de fato, é uma microfatia. Então, nós não temos um projeto. O Brasil não quer ser grande. Eu já falei isso no Congresso Nacional e insisto. Independentemente de quem é o governo, todos os ministros da fazenda, da economia, o nome que você quiser dar, a única ocupação é pagar a dívida.

Eu não esqueço uma frase do então ministro da economia do governo Bolsonaro [Paulo Guedes], que disse que o Brasil não precisa de ciência, porque, quando precisar, é só comprar a tecnologia. Agora, olha os países asiáticos. Eles acreditam em ciência. Olha a Coreia o que fez. Olha a produção científica da Malásia hoje! A academia deles foi criada em 1995. Vai ver o Vietnã como está. O Vietnã saiu de uma guerra, gente. Agora, no Brasil, a política brasileira não está enxergando que a ciência é a solução. Fui eu quem falou pela primeira vez essa frase, repeti várias vezes, tanto que todo mundo incorporou: "Ciência não é gasto, é investimento". Mas no Brasil é visto como gasto, porque investimento é colocar dinheiro na bolsa de valores.

Agência Brasil: E em qual patamar a Ciência brasileira está hoje?

Helena Nader: A ciência brasileira é muito boa, mas a produção está caindo. E isso não só por falta de investimento, mas por falta de respeito. A carreira de docente acabou. Eu sou professora titular, aposentei por idade, com 75 anos. Fui pró-reitora de graduação, trabalhei a vida inteira com drogas químicas pesadas e radioativas. Na hora que eu me aposentei, tiraram tudo isso. Então, a carreira não é estimulante. Mas dizem que tem que encolher o Estado brasileiro. Quem é o estudante que vai querer se tornar pesquisador, com dedicação exclusiva, pra ganhar uma bolsa de R$2,1 mil reais?

Agência Brasil: E qual a expectativa de vocês a partir do encontro do Brics?

Helena Nader: O que a gente propõe é que os governos, as instituições multilaterais e organizações e os stakeholders da sociedade trabalhem juntos com a comunidade científica, para garantir que conhecimento, inovação e cooperação se tornem os pilares de um sul global revitalizado.

No ano passado, que nós sediamos o G20, eu vibrei, porque muitos pontos das nossas recomendações foram incorporados ao comunicado final dos chefes de Estado. Só que documentos não vão mudar a geopolitica. Documentos não vão melhorar a economia. O que vai melhorar a economia é educação e ciência. E, infelizmente, alguns países perceberam isso, mas outros não. Se você olhar a própria Arábia Saudita, que não quis assinar o documento, está investindo pesado em alternativas energéticas, em colaboração com a China, com a Rússia. O Brasil não pode ficar isolado.

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Real Madrid e PSG passam às semifinais da Copa do Mundo de Clubes

Os últimos semifinalistas da Copa do Mundo de Clubes da Federação Internacional de Futebol (Fifa), nos Estados Unidos, foram conhecidos neste sábado (5). Em Nova Jersey, no Metlife Stadium, o Real Madrid, da Espanha, derrotou o Borussia Dortmund, da Alemanha, por 3 a 2. Já no Mercedez-Benz Stadium, em Atlanta, o Paris Saint-Germain, da França, superou o Bayern de Munique, da Alemanha, por 2 a 0.

Espanhóis e franceses medirão forças na quarta-feira (9), às 16h (horário de Brasília), em Nova Jersey. Um dia antes, no mesmo horário e local, o Fluminense enfrenta o Chelsea, da Inglaterra, na outra semifinal. A decisão está marcada para o domingo que vem, dia 13, às 16h, também no Metlife Stadium.

O primeiro a se classificar neste sábado foi o PSG. Aos 32 minutos do segundo tempo, Désiré Doué recebeu de Achraf Hakimi e finalizou de fora da área, no canto de Manuel Neuer, abrindo o placar. Quatro minutos depois, Willian Pacho foi expulso, deixando o time francês com um a menos.

Os atuais vencedores da Liga dos Campeões da Europa ainda perderam Lucas Hernández, também expulso, nos acréscimos. Mesmo assim, aos 50 minutos, após grande jogada de Hakimi, Ousmane Dembélé concluiu para liquidar o confronto, que teve gosto de revanche para o PSG, superado pelo Bayern na final europeia de 2020.

O Real Madrid não demorou a abrir vantagem sobre o Borussia. Foram dois gols em 19 minutos, marcados por Gonzalo García e Fran García, completando cruzamentos de Arda Güler e Trent Alexandre-Arnold, respectivamente. Mas os alemães conseguiram descontar aos 46 minutos do segundo tempo, com Maximilian Beier.

 

Pênalti

Os acréscimos foram emocionantes. Aos 48, Kylian Mbappé, após cruzamento de Güler, marcou, de voleio, o terceiro do Real Madrid. Aos 50, Dean Huijsen cometeu pênalti em Serhou Guirassy e foi expulso, deixando o time espanhol com um a menos. O próprio Guirassy cobrou e fez o segundo do Borussia.

Na sequência, Marcel Sabitzer recebeu cruzamento de Yan Couto na área, finalizou e obrigou Thibaut Courtois a uma defesa heroica, garantindo a classificação.

 

 

 

 

 

Por Agência Brasil

 

 

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Como se defender de ataques de pitbulls e outros cães, segundo especialistas

O ataque de dois Pitbulls ao professor de Muay Thai, em Ponta Porã (MS), levantou dúvidas de como se proteger em casos de ataques de cachorros. Uma das dicas mais prática é se fingir de morto, segundo especialistas.

Ernesto Chaves, de 33 anos, lutador de Muay Thai há 13 anos, conseguiu se defender com técnicas de Muay Thai e Jiu Jitsu. O g1 conversou com o adestrador Alexandre Kawano, que deu dicas para como uma pessoa comum deve se proteger. Veja as principais recomendações:

 
  • 🏃🚫Não corra!
  • 🧎🧎Se finja de morto!
  • 👂👃Proteja órgãos vitais!

Como se proteger de ataque de cães, segundo adestrador

O adestrador explica que a pessoa deve manter a calma em situações como a que o lutador de Ponta Porã enfrentou. Os ataques de cães são momentos em que o lado predatório dos bichos é estimulado.

Caso a pessoa não consiga encontrar um local alto para subir e fugir do ataque, a orientação é se jogar no chão, fingir-se de morto e proteger os órgãos vitais.

“A melhor forma de você se defender, é se jogar no chão, tampar as orelhas, o seu rosto com as mãos, com a barriga para baixo, com o ventre colado no chão. Dessa forma protege as suas orelhas porque a cartilagem ser muito fácil de arrancar. Além disso, protege o rosto e suas vísceras, sendo órgãos vitais para a vida”, detalha.

Kawano explicou ainda que ficar quieto, imóvel no chão, faz com que o cão desista mais facilmente do ataque. Se o cão for muito agressivo, ele ainda vai morder, porém, vai soltar e ir embora porque percebe que a pessoa não ofereceu resistência, de acordo com o especialista.

“No reino animal, enquanto o outro animal oferece resistência, ainda luta, se mexe, o agressor continua mordendo. Mas se você ficar quieto, não tem luta, não tem resistência, ele acaba indo embora. Só de você ficar parado, muitas vezes, resolve”.

Se a pessoa tiver tempo hábil, é subir em algo como árvore ou carro, como ocorreu no caso dos adolescentes e crianças em Jaboticabal (SP).

“Aquele vídeo das crianças que subiram no carro, foi uma forma também inteligente. Se tiver tempo hábil, com certeza, se tiver uma árvore, um carro para subir, pode subir. Se não der tempo, se joga no chão”, afirma.

O especialista lembra que apesar de muitos casos ocorrerem com animais da raça pitbull, esses ataques não se limitam a eles. “Outras raças também, rottweiler, pastor alemão, tem vira-lata grande, médio, porte médio que pode gerar um estrago grande, né? Já vi já acontecer isso”.

 

Foi mordido e agora?

O médico veterinário Bruno de Sá explica que, em casos de ataques, é importante verificar se o animal tem tutor ou se vive nas ruas. Após um ataque, órgãos como o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) avaliam a saúde do animal, verificando se ele está vacinado contra a raiva e outras doenças.

“Normalmente esse animal fica em quarentena, em observação, mesmo tendo tomado todas as vacinas, para ver se o animal, por algum motivo, apresenta algum sintoma clínico que deva ser considerado”.

A pessoa atacada deve procurar uma unidade de saúde, onde o ferimento será limpo, a gravidade avaliada e, se necessário, aplicada a vacina contra a raiva. O veterinário orienta que os tutores mantenham os animais dentro de casa ou do quintal, mas ressalta que é importante levá-los para passear.

“Se a pessoa tem um animal de porte grande, de repente, pode ter o comportamento pouco mais agressivo, a primeira conduta que você deveria ter é retornar para casa. Não tem como saber exatamente o que o animal vai responder no seu comportamento. É como se fosse da direção defensiva. Tem que prevenir. Já animais de médio ou grande, mas com temperamento que o dono já conhece, o correto é andar de focinheira”.

 

 

Mordidas podem transmitir raiva

A raiva é uma doença viral grave que atinge mamíferos, incluindo seres humanos. A transmissão acontece, principalmente, pelo contato com a saliva de animais infectados, por meio de mordidas. Também pode ocorrer por arranhões ou lambidas em feridas abertas.

A raiva tem quase 100% de letalidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 95% dos casos em humanos são causados por mordidas de cães infectados.

A vacinação é a principal forma de controle da raiva em animais domésticos e ajuda a proteger também os seres humanos.

 

 

 

 

 

Por- G1

 OMS: uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão

Relatório da Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, com impactos significativos na saúde e no bem-estar. A solidão está associada a cerca de 100 mortes a cada hora - mais de 871 mil mortes todos os anos – diz a pesquisa.

A OMS define conexão social como maneiras pelas quais as pessoas se relacionam e interagem entre si. Já a solidão é descrita como sentimento doloroso que surge da lacuna entre as conexões sociais desejadas e as reais, enquanto o isolamento social se refere à falta objetiva de conexões sociais suficientes e, neste caso, em nada se relaciona à prática preventiva recomendada durante a pandemia da covid-19.

“Nesta era em que as possibilidades de conexão são infinitas, cada vez mais pessoas se sentem isoladas e solitárias”, diz o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Além do impacto que causam em indivíduos, famílias e comunidades, se não forem enfrentados, a solidão e o isolamento social continuarão a custar bilhões à sociedade em termos de saúde, educação e emprego”, acrescenta.

Mais solitários

De acordo com o relatório, a solidão afeta, sobretudo, jovens e pessoas que vivem em países de baixa e média renda. Entre 17% e 21% dos jovens de 13 a 29 anos relataram se sentir solitários, com as taxas mais altas entre adolescentes. O índice chega a 24% entre pessoas de países de baixa renda - mais que o dobro da taxa registrada em países de alta renda (11%).

Embora os dados sobre isolamento social sejam mais limitados, a estimativa é que a condição afete uma em cada três pessoas idosas e um em cada quatro adolescentes. Grupos com pessoas com deficiência, refugiados, LGBTQ+ [lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, queer, intersexo, assexuais e o +] indígenas e minorias étnicas podem enfrentar discriminação e outras barreiras que também dificultam a conexão social.

Causas

A solidão e o isolamento social, segundo a OMS, têm múltiplas causas, incluindo saúde precária, baixa renda, baixa escolaridade, viver só, políticas públicas ausentes ou ineficazes e infraestrutura comunitária inadequadas, além da influência de tecnologias digitais. O relatório alerta, por exemplo, para a necessidade de vigilância quanto aos efeitos do tempo excessivo de tela ou de interações online negativas sobre a saúde mental e o bem-estar dos jovens.

Impactos

O documento destaca, também, que a conexão social pode proteger a saúde ao longo da vida, reduzindo inflamações, diminuindo o risco de problemas graves de saúde, promovendo saúde mental e prevenindo a morte precoce, além de contribuir para tornar as comunidades mais saudáveis, seguras e prósperas.

Ao mesmo tempo, a solidão e o isolamento social aumentam o risco de acidente vascular cerebral (AVC), doenças cardíacas, diabetes, declínio cognitivo e morte prematura e também afetam a saúde mental – pessoas solitárias têm o dobro de probabilidade de desenvolver depressão.

“A solidão também pode levar à ansiedade e a pensamentos de automutilação ou suicídio”, ressaltou a OMS.

Os impactos se estendem ainda à aprendizagem e ao emprego. Adolescentes que se sentem solitários têm 22% mais chances de obter notas ou qualificações mais baixas, enquanto adultos solitários podem ter mais dificuldade para encontrar ou manter um emprego e ganhar menos ao longo do tempo.

“Em nível comunitário, a solidão prejudica a coesão social e custa bilhões em perda de produtividade e atenção à saúde. Comunidades com fortes laços sociais tendem a ser mais seguras, saudáveis ​​e resilientes, inclusive em resposta a desastres”, acrescenta a OMS.

Soluções

O relatório descreve uma espécie de roteiro para ações globais com foco em cinco áreas: política, pesquisa, intervenções, medição aprimorada (incluindo o desenvolvimento de um índice de conexão social global) e engajamento público para mudar normas sociais e reforçar um movimento mundial de conexão social.

“Soluções para reduzir a solidão e o isolamento social existem em vários níveis – nacional, comunitário e individual – e variam desde a conscientização e a mudança de políticas nacionais até o fortalecimento da infraestrutura social (por exemplo, parques, bibliotecas, cafés) e o fornecimento de intervenções psicológicas”, destacou a OMS.

“A maioria das pessoas sabe como é se sentir sozinha. E cada pessoa pode fazer a diferença com ações simples e cotidianas — como entrar em contato com um amigo necessitado, deixar o celular de lado para estar totalmente presente na conversa, cumprimentar um vizinho, participar de um grupo local ou se voluntariar. Se o problema for mais sério, é importante descobrir apoio e serviços disponíveis para pessoas que se sentem sozinhas”, concluiu.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

 Ao menos 11,4 milhões de brasileiros já usaram cocaína ou crack

Levantamento divulgado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estimou que cerca de 11,4 milhões de brasileiros, considerando os maiores de 14 anos, já usaram cocaína ou crack alguma vez na vida, o que representa 6,60% da população. A proporção de 2,20% relatou ter feito uso recente - últimos 12 meses - das substâncias, o que equivale a cerca de 3,8 milhões de pessoas.

O resultado é do terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), realizado com financiamento da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A coleta dos dados ocorreu em 2023, com 16.608 participantes de 300 municípios do país e não inclui pessoas em situação de rua.

Na comparação com o levantamento anterior (LENAD II), realizado em 2012, os pesquisadores indicam que houve um aumento estatisticamente significativo na prevalência de pessoas que já usaram cocaína ou crack ao longo da vida. Isso porque, na ocasião, esse percentual era de 4,43%. Também com base em 2012, 2,00% das pessoas relataram o uso das substâncias ao longo do ano anterior, o que indicaria estabilidade.

“A estabilidade do consumo recente, combinada ao aumento observado nas estimativas de uso ao longo da vida, sugere a possibilidade de um crescimento histórico na experimentação da substância, sem que isso tenha se traduzido, necessariamente, em um aumento proporcional nos padrões de uso continuado”, diz trecho do estudo.

As prevalências de uso ao longo da vida e no último ano são mais elevadas entre pessoas do sexo masculino e no grupo de 25 a 49 anos. Em relação à cor, amarela e indígena tiveram maiores proporções. Do ponto de vista conjugal, os maiores índices são observados entre pessoas divorciadas ou separadas.

Considerando escolaridade e renda, os índices mais altos de consumo estão entre pessoas com menor escolaridade e entre aquelas com renda mensal domiciliar de até dois salários mínimos. A parcela que declara ter usado alguma vez na vida alcançou 12,77% entre a população sem nenhum estudo, 8% entre aqueles que não chegaram até o ensino médio, e uso recente de 1,88% e 3%, respectivamente.

“O uso atual de cocaína e crack no Brasil não parece ter piorado nos últimos 10 anos. A discrepância entre o aumento do consumo na vida e estabilização do consumo recente indica que variações no contingente de usuários podem ter ocorrido durante o longo período entre as duas edições do estudo sem que tenham sido detectadas”, divulgou, em nota, a Unifesp.

Os pesquisadores alertam, no entanto, que é preciso cuidado para análise de tendências. Um dos motivos é que o intervalo de 11 anos entre os levantamentos é suficientemente longo para que flutuações importantes - elevações ou quedas  - tenham ocorrido sem serem captadas pelas medições disponíveis.

Segundo nota da instituição, “qualquer comparação entre 2012 e 2023 deve ser interpretada como a descrição de diferenças pontuais entre dois momentos distintos, sem que seja possível inferir com segurança se tais variações correspondem a um crescimento, declínio ou estabilização contínuos”. A Unifesp alertou, no entanto, que “o uso permanece elevado entre populações vulneráveis, com perfis marcados por desigualdade social, exclusão e baixa escolaridade”.

Além disso, pela primeira vez, o estudo incorporou um módulo sobre percepção comunitária do tráfico de drogas. “Cerca de metade da população brasileira [43,8%] afirma perceber o tráfico como frequente (soma das respostas “acontece muito” e “acontece”) em seu bairro, com destaque para as regiões Sudeste [51,6%] e Norte [47,5%], e para os grandes centros urbanos”, informou a Unifesp.

Cocaína

Considerando apenas o recorte de uso da cocaína, o estudo estimou o consumo ao longo da vida por cerca de 9,3 milhões de brasileiros, o que representa 5,38% da população. No Lenad II, em 2012, 3,88% dos brasileiros relataram ter usado cocaína alguma vez na vida. Para os pesquisadores, o resultado representa variação estatisticamente significativa na proporção.

Em relação ao uso de cocaína no último ano, tendo como referência 2023, o percentual ficou em 1,78%, o que corresponde a pouco mais de 3 milhões de pessoas. Em 2012, 1,77% das pessoas tinham usado a substância ao longo do ano anterior.

De acordo com a publicação, esse resultado pode refletir diferentes fenômenos como “maior dispersão histórica do consumo ao longo da década, sem aumento na taxa de continuidade, ou ainda o abandono da substância por parte de indivíduos que experimentaram no passado”.

Entre os usuários de cocaína, aqueles que consumiram no último ano, quase metade (43,6%) relatou uso frequente, definido como consumo diário ou mais de duas vezes por semana. O estudo aponta que esse é um padrão associado a maior risco de complicações agudas e problemas relacionados ao uso.

O levantamento estimou que a prevalência de dependência de cocaína - transtorno aditivo - na população é de 0,72%, o que representa aproximadamente 1,19 milhão de brasileiros com 14 anos ou mais. Com base apenas entre os usuários com consumo no último ano, essa prevalência de dependência é de 74,8%.

Crack

O levantamento estimou que 1,39% da população brasileira maior de 14 anos relatou ter usado crack pelo menos uma vez na vida, o que representa cerca de 2,32 milhões de pessoas. O uso no último ano foi relatado por 0,5%, ou seja, cerca de 829 mil pessoas.

De acordo com os pesquisadores, as estimativas de 2023 são próximas às observadas em 2012, o que sugere estabilidade. Em 2012, a proporção de pessoas que relataram uso de crack foi de 1,44% para uso em algum momento da vida e de 0,64% para uso no último ano.

Em relação à dependência, o estudo aponta que a amostra de indivíduos que declararam uso de crack nos últimos 12 meses não foi numericamente suficiente para permitir “a estimativa precisa e estatisticamente robusta da prevalência de Transtorno por Uso de Substâncias (TUS) associado exclusivamente a essa substância”.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil