A Caixa Econômica Federal paga nesta segunda-feira (18) a parcela de setembro do novo Bolsa Família.
Os primeiros beneficiários a receber o benefício são os de Número de Inscrição Social (NIS) de final 1. Os demais participantes receberão no decorrer dos próximos dias, de acordo com o dígito final do NIS. Os pagamentos se encerram dia 29.

O programa é voltado para famílias com renda per capita mensal inferior a R$ 218 e disponibiliza mensalmente o valor mínimo de R$ 600 por família. Além disso, também é concedido adicional de R$ 150 por criança de até 6 anos de idade. O Bolsa Família também paga o valor adicional de R$ 50 por pessoa da família que esteja gestante. Ainda recebem esse adicional as crianças e adolescentes de sete até 18 anos de idade incompletos.
Os pagamentos são realizados nos últimos 10 dias úteis de cada mês, sendo a data de pagamento vinculada ao final de NIS. Para saber se já chegou a sua vez de receber, o beneficiário pode acessar o aplicativo Bolsa Família ou Caixa Tem.
O benefício é creditado na conta Poupança Fácil ou na conta no Caixa Tem. Quem tem conta no Caixa Tem pode fazer transferências, pagar contas e fazer até PIX direto no aplicativo do celular. Ele pode ainda ser movimentado utilizando o cartão de débito da conta nos comércios ou ainda nas unidades lotéricas, correspondentes Caixa Aqui, terminais de autoatendimento e em agências da Caixa.
Reestruturação
Desde o início do ano, o programa social voltou a chamar-se Bolsa Família. O valor mínimo de R$ 600 foi garantido após a aprovação da Emenda Constitucional da Transição, que permitiu o gasto de até R$ 145 bilhões fora do teto de gastos neste ano, dos quais R$ 70 bilhões estão destinados a custear o benefício.
O pagamento do adicional de R$ 150 começou em março, após o governo fazer um pente-fino no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) visando eliminar fraudes. Segundo o balanço mais recente, divulgado em abril, cerca de 3 milhões de indivíduos com inconsistências no cadastro tiveram o benefício cortado.
No modelo tradicional do Bolsa Família, o pagamento ocorre nos últimos 10 dias úteis de cada mês. O beneficiário poderá consultar informações sobre as datas de pagamento, o valor do benefício e a composição das parcelas no aplicativo Caixa Tem, usado para acompanhar as contas poupança digitais do banco.
Por - Agência Brasil
A edição deste ano dos Jogos da Juventude terminou no último sábado (16). O trabalho sobre a competição, realizada em Ribeirão Preto (SP), ainda não parou.
Para os profissionais do Centro de Avaliação e Monitoramento, que passaram as duas semanas do evento coletando dados dos cerca de 4 mil participantes, ele está apenas iniciando. Afinal, é agora que as informações serão analisadas e comparadas, servindo de base para estudos sobre as novas gerações do esporte brasileiro.

A estrutura foi montada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) no Centro de Eventos Taiwan, onde esteve instalada a área de convivência dos atletas. As análises levaram em conta antropometria (estudo de medidas e dimensões corporais), potência de membros superiores e inferiores, agilidade e corrida. Os avaliadores foram os mesmos que realizam testes com esportistas olímpicos e de seleções de base no Centro de Treinamento do Time Brasil, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro.
"O Centro de Avaliação e Monitoramento é uma iniciativa que vem desde 2019 nos Jogos da Juventude. A gente coleta informações para criar um grande banco de dados, que sirva de referência para os professores compararem seus atletas com aqueles que são os melhores deste ano no Brasil, em idade escolar", explicou o supervisor de Ciência e Tecnologia Esportiva do COB, Felipe Lucero.
"Nosso conceito principal é que esses testes possam ser reproduzidos nas escolas. O COB trouxe para cá a estrutura do CT, com materiais de ponta, para ganharmos tempo e precisão, mas utilizamos protocolos válidos universalmente e facilmente encontrados na literatura. Os professores podem fazer [as avaliações] na escola com materiais simples e baratos", completou o profissional.
De 2019 para cá, as informações sobre mais de 10 mil jovens que participaram dos Jogos da Juventude foram compiladas. Alguns atletas, inclusive, participaram de mais de uma edição do evento e foram analisados em momentos diferentes. Segundo Lucero, o estudo terá cortes por idade, sexo, modalidade, região e estado. A ideia é que os primeiros trabalhos com base nos dados sejam apresentados no início de 2024.
"Muitas vezes, na escola, o professor tem uma percepção empírica distorcida do atleta, porque o compara com seu próprio grupo. Quando ele tiver a referência dos melhores atletas em idade escolar, poderá ampliar essa visão. Perceber, por exemplo, que tem um atleta muito ágil, veloz e potente comparado ao seu grupo, mas que está longe daqueles que chegaram aqui [aos Jogos da Juventude]. Ou, pelo contrário, que esse atleta está muito próximo do grupo de elite e merece um olhar mais atento, para um desenvolvimento mais efetivo", afirmou o supervisor do COB.
Em longo prazo, o objetivo da coleta de dados é ter a compreensão de como esses meninos e meninas, se alcançarem o nível de atletas olímpicos, chegaram lá. A história dos Jogos da Juventude mostra que o evento fez parte da caminhada de muitos deles. Medalhista de ouro na Olimpíada de Londres, na Grã-Bretanha, em 2012, a ex-judoca Sarah Menezes é um exemplo. Nomes de peso do esporte brasileiro, como Darlan Romani (arremesso do peso), Hugo Calderano (tênis de mesa) ou Etiene Medeiros (natação) também passaram pela competição de jovens.
"Esse tipo de estudo permite que a gente possa olhar para trás, ver como era esse atleta olímpico com 15, 16 ou 17 anos e entender quando ele começou a sair da curva, a se destacar. Pode ser que os resultados já sejam uma referência para demonstrar que outros atletas, na mesma idade e função, estão fora da curva, com potencial enorme", disse Lucero.
"O caminho até uma olimpíada é muito longo, multifatorial. Com dados isolados, a gente não consegue cravar [que um jovem atingirá o nível olímpico], mas são indícios muito fortes que a gente pode usar no futuro, como referência. No Brasil, não tem nada parecido com isso. A gente pretende ter uma base de dados cada vez maior. [Esse trabalho] Vai se repetir a cada edição [dos Jogos]", concluiu o profissional.
No ano que vem, os Jogos da Juventude serão realizados em Blumenau (SC). Em 2025, o evento vai para Brasília.
Por - Agência Brasil
Portaria publicada nesta segunda-feira (18) no Diário Oficial da União cria o Observatório Nacional de Direitos Humanos (ObservaDH), que estabelece metas e objetivos da nova plataforma.
A ferramenta digital reunirá informações e fará análise dos dados, que servirão de base para o planejamento e a avaliação das políticas públicas do setor.

De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o ObservaDH terá como base de dados várias fontes como censos, pesquisas e amostras disponibilizadas por instituições como o disque 100, da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH), o Judiciário e o sistema de segurança pública. São dados sobre públicos considerados prioritários para as ações do governo, como crianças e adolescentes, idosos, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, pessoas em situação de rua e privadas de liberdade.
Os indicadores e informações deverão ser compilados de forma que possam embasar ações e estimular a produção de pesquisas orientadas para investigar questões relevantes à promoção dos direitos humanos. Os dados também servirão para a elaboração de material educativo a ser utilizado na formação de cidadãos e de agentes públicos, com foco na promoção da diversidade e da equidade.
“Nosso objetivo é que essa plataforma gere frutos também para a educação e a cultura em direitos humanos, desde a mídia até as escolas”, disse a secretária executiva do ministério, Rita Oliveira.
A ferramenta será coordenada pela secretaria executiva do MDHC, que também promoverá articulação e parcerias institucionais para acesso à base de dados e a troca de informações necessárias à construção dos indicadores. A gestão do conteúdo será exercida pela recém-criada Coordenação-Geral de Indicadores e Evidências em Direitos Humanos
Cooperação
A criação do ObservaDH é parte de um plano de ação do governo federal que busca governança e políticas públicas baseadas em evidências. Para isso, também foi firmado, na última sexta-feira (15), acordo de cooperação técnica com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para a realização de estudos sobre a execução de políticas de direitos humanos e cidadania.
O acordo terá duração de três anos, que poderão ser prorrogados, e funcionará nos moldes do que já ocorre desde 2022, na gestão da Plataforma de Recursos Pró-equidade em Políticas Públicas (Inclua).
Por - Agência Brasil
A nova fase do Desenrola Brasil, programa de renegociação de débitos lançado pelo governo, terá início nas próximas semanas. Desta etapa, poderão participar pessoas com renda de até 2 salários mínimos, ou que sejam inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com dívidas até R$ 5 mil.
Para participar, os interessados devem obrigatoriamente se inscrever no gov.br. Sem esse cadastro, não é possível acessar o sistema para realizar a renegociação.
A conta gov.br é gratuita e permite comprovar a identidade do cidadão. No caso do Desenrola, os devedores terão de habilitar contas de nível Prata ou Ouro.
Passo a passo
Veja o passo a passo para fazer a conta no gov.br
- acessar o portal www.gov.br
- selecionar "Entrar com gov.br”
- digitar o CPF e clicar em “Continuar” – nessa etapa é possível criar ou alterar a conta
- preencher formulário com dados pessoais.
Alcançar o nível Prata pode ser feito de três maneiras. Através da:
- validação facial pelo aplicativo GOV.BR para conferência da foto junto à Carteira de Habilitação (CNH)
- validação dos dados pessoais via internet banking de um banco credenciado. As instituições financeiras credenciadas são: Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Banco de Brasília, Caixa Econômica, Sicoob, Santander, Itaú, Agibank, Sicredi e Mercantil do Brasil, ou
- validação dos dados com usuário e senha do Sistema de Gestão de Acesso (SIGEPE), caso seja um servidor público federal.
O nível Ouro é obtido por meio da:
- validação facial pelo aplicativo GOV.BR para conferência da sua foto nas bases da Justiça Eleitoral, ou
- pela validação dos seus dados com Certificado Digital compatível com ICP-Brasil.
Próximas etapas do Desenrola
No último dia 12, terminou o prazo para bancos, varejistas, companhias de água, saneamento e energia, entre outros, aderirem ao programa Desenrola e informarem as dívidas que desejam renegociar. De acordo com o Ministério da Fazenda, 924 empresas se inscreveram no Desenrola.
Agora, as dívidas inscritas pelas empresas serão filtradas para checar se são débitos que podem ser incluídos no Desenrola.
No final da próxima semana, segundo o Ministério da Fazenda, se iniciará a fase de leilões. Aqui as empresas vão informar quanto de desconto estão dispostas a conceder para cada consumidor e quem oferecer os maiores descontos terão a garantia do programa.
A abertura da plataforma para a renegociação está prevista para o fim do mês, quando o público que tem renda de até R$ 2.640 (dois salários mínimos), ou está inscrito no CadÚnico, e tem dívidas de até R$ 5 mil negativadas até 31 de dezembro de 2022 poderá escolher a melhor oferta de desconto.
Por - G1
Pela quarta semana seguida, a previsão do mercado financeiro para o crescimento da economia brasileira este ano subiu, passando de 2,64% para 2,89%.
A estimativa está no boletim Focus de hoje (18), pesquisa divulgada semanalmente pelo Banco Central (BC) com a projeção para os principais indicadores econômicos.

Para o próximo ano, a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB - a soma dos bens e serviços produzidos no país) é de crescimento de 1,5%. Para 2025 e 2026, o mercado financeiro projeta expansão do PIB em 1,95% e 2%, respectivamente.
Superando as projeções, no segundo trimestre do ano a economia brasileira cresceu 0,9%, na comparação com os primeiros três meses de 2023, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, a economia brasileira avançou 3,4%.
O PIB acumula alta de 3,2% no período de 12 meses. No semestre, a alta acumulada foi de 3,7%.
Inflação
A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - considerada a inflação oficial do país – teve queda de 4,93% para 4,86%. Para 2024, a estimativa de inflação ficou em 3,86%. Para 2025 e 2026, as previsões são de 3,5% para os dois anos.
A estimativa para este ano está acima do teto da meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3,25% para 2023, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,75% e o superior 4,75%.
Segundo o BC, no último Relatório de Inflação a chance de o índice oficial superar o teto da meta em 2023 é de 61%.
A projeção do mercado para a inflação de 2024 também está acima do centro da meta prevista, fixada em 3%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Em agosto, influenciado pelo aumento do custo da energia elétrica, o IPCA foi de 0,23%, segundo o IBGE. O índice é superior ao registrado em agosto do ano passado, quando havia sido observada deflação (queda de preços) de 0,36%.
O IPCA acumula taxa de 3,23% no ano. Em 12 meses, a taxa acumulada é de 4,61%.
Taxa de juros
Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros - a Selic - definida em 13,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Diante da forte queda da inflação, o Copom iniciou, no mês passado, um ciclo de redução da Selic.
A última vez em que o Banco Central tinha diminuído a Selic foi em agosto de 2020, quando a taxa caiu de 2,25% para 2% ao ano, em meio à contração econômica gerada pela pandemia de covid-19. Depois disso, o Copom elevou a Selic por 12 vezes consecutivas, num ciclo que começou em março de 2021, em meio à alta dos preços de alimentos, de energia e de combustíveis. A partir de agosto do ano passado, manteve a taxa em 13,75% ao ano por sete vezes seguidas.
Nesta terça (19) e quarta-feira (20), ocorre a sexta reunião do ano do Copom para a definição da Selic. A expectativa do mercado é que a taxa básica seja reduzida para 12,75% ao ano. Na ata do último encontro, os membros do colegiado já previam cortes de 0,5 ponto nas próximas reuniões. Segundo o documento, o órgão avalia que esse será o ritmo adequado para manter a política monetária contracionista (juros que desestimulam a economia) necessária para controlar a inflação.
Para o mercado financeiro, a Selic deve encerrar 2023 em 11,75% ao ano. Para o fim de 2024, a estimativa é que a taxa básica caia para 9% ao ano. Para o fim de 2025 e de 2026, a previsão é de Selic em 8,5% ao ano para os dois anos.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia.
Quando o Copom diminui a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle sobre a inflação e estimulando a atividade econômica.
Por fim, a previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar está em R$ 4,95 para o fim deste ano. Para o fim de 2024, a previsão é de que a moeda americana fique em R$ 5.
Por - Agência Brasil
Há sete anos, uma simples ida ao mercado já não é a mesma para Maria Lúcia de Araújo, de 54 anos.
Seja na área de laticínios ou na de produtos de limpeza, ela não consegue evitar falar sobre vacinas, consultas médicas ou exames que precisam ser agendados. A moradora de Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, é agente comunitária de saúde e mora na região que percorre diariamente para levar a capilaridade do Sistema Único de Saúde (SUS) à casa dos pacientes. Referência na rua, na padaria, ou no supermercado, Maria Lúcia está sempre tirando dúvidas.

“Eu gosto muito, porque é um modo de estar junto da população e das pessoas que realmente estão precisando de um suporte e de uma ajuda. Você adquire muito conhecimento e consegue entender certas coisas que, quando você está fora da área da saúde, você não entende”, conta ela, que é responsável por visitar e acompanhar o andamento de tratamentos de quase 800 pessoas.
Uma parte importante do seu trabalho é, mensalmente, conferir por que uma criança que deveria ter sido vacinada não foi levada à Clínica da Família Pedro Fernandes Filho para receber a imunização. Quando o sistema indica que falta alguma dose, Maria Lúcia vai a campo em busca de explicações e, principalmente, de proteger a criança contra as doenças imunopreveníveis.
“A gente acompanha desde a barriga, no pré-natal, e depois e vamos acompanhando até os 7 anos. E a gente tem que ter o cuidado de saber se a mãe está dando vacina, se está indo às consultas. E, quando ela falta, a gente vai atrás para saber o que está acontecendo. Como já tem esse vínculo, elas não ficam melindradas e contam para gente por que não vieram. É um vínculo que a gente cria com as mães desde a gravidez.”
O trabalho de busca ativa de vacinação, que significa resgatar quem não se vacinou, é considerado uma das estratégias mais importantes na recuperação das coberturas vacinais do Programa Nacional de Imunizações (PNI), que completa 50 anos em 2023. E quem arregaça as mangas e gasta as solas em busca dessas crianças, adultos e idosos são os 295 mil agentes comunitários de saúde do país e os 193 mil enfermeiros e técnicos de enfermagem envolvidos com a imunização nas unidades de saúde, que também aplicam os imunizantes na casa das pessoas que não consegue chegar até a sala de vacina mais próxima.
A enfermeira Mayra Moura, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, trabalha com ações de capacitação para profissionais da ponta, e destaca que o papel de agentes comunitários como Maria Lúcia é essencial para que as vacinas cheguem a todos, inclusive em regiões em que famílias podem ter dificuldades de se deslocar até uma unidade de saúde ou sala de vacina.
“O agente comunitário de saúde é imprescindível. É ele que consegue dar capilaridade ao programa. É ele que tem o acesso a cada casa, de cada pessoa. Ele é uma pessoa muito vista pela comunidade, então, ele é uma referência. Esse trabalho do agente que está na ponta, que conhece as famílias, é muito importante para a adesão dessas famílias”, sublinha.
“O sucesso do programa, primeiro, é porque a gente consegue essa capilaridade que vem com os agentes, as estratégias de saúde da família, e também porque a equipe dentro da sala de vacina vai a campo também fazer as vacinações. Eles são os profissionais de referência da população.”
Quando Maria Lúcia entra em contato com uma família que não vacinou a criança no momento recomendado e fica constatado que aqueles responsáveis não vão conseguir levá-la à sala de vacina, o técnico de enfermagem João Victor Pinho, de 23 anos, carrega sua caixa térmica com as doses necessárias e a acompanha para colocar em dia mais uma caderneta de vacinação. O técnico conta que é preciso informar devidamente cada responsável antes de aplicar as vacinas, principalmente em tempos de fake news.
“Os pais são informados de quais são as vacinas, contra o que elas protegem e quais são as reações que podem acontecer. Isso é importante principalmente depois dos períodos que passamos, em que foi tão falado que vacinas fariam mal. As pessoas estão com mais desconfiança”, conta ele.
“Ver as crianças desde a primeira vacina e fazer esse acompanhamento é muito gratificante. Esse sistema de busca ativa que nós realizamos, com essa importância de irmos atrás, é porque reconhecemos que há uma necessidade, mas muitas vezes não há uma disponibilidade dos pais e responsáveis. É uma experiência única acompanhar a trajetória das crianças que vem aqui se vacinar”, completa.
Uma das visitas de Maria Lúcia e João Victor foi à casa dos trabalhadores autônomos Danielly Martins, de 23 anos, e Patrick Rodrigues Viana, de 26. O casal tem dois filhos, e o mais novo, Murillo Luiz Martins, de 7 meses, acabou perdendo a terceira dose da vacina pentavalente, que previne contra tétano, difteria, coqueluche, hepatite B e contra o vírus Haemophilus influenzae B, causador de meningites e pneumonias. Para quem está na informalidade, perder um dia de trabalho muitas vezes não é uma opção, conta Danielly, que também aproveitou a visita para discutir métodos contraceptivos com Maria Lúcia.
“Só de eu não ter que ir na clínica, com o tanto de coisa para fazer no meu trabalho e em casa, já me ajudou bastante”, conta Danielly, que estava incomodada com o atraso da vacinação, mas não conseguia reservar um horário entre a rotina de trabalhar e levar a filha mais velha para a creche.
“Sempre tento deixar todas [vacinas] em dia. Eu sempre vejo fake news, mas eu não acredito. Eu quero o bem para os meus filhos. Tem que estar vacinado e ponto. Eu acredito no SUS e acabou”, acrescenta ela.
Na visita, João Victor conferiu a caderneta de vacinação de Murillo e aproveitou a oportunidade para aplicar a terceira dose da vacina inativada contra a poliomielite, que também é recomendada para o sexto mês de vida.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) Mayra Moura destaca que a capacitação dos profissionais da ponta é fundamental para que eles tenham clareza na hora de informar, segurança para vacinar e também saibam reconhecer oportunidades como essa quando a criança está disponível para ser imunizada.
“Se não têm a capacitação, esses profissionais não vão ter a segurança para fazer tudo isso. Se o agente de saúde não tem uma capacitação específica para vacina, ele não vai conseguir avaliar uma carteira de vacinação, pelo menos para identificar o que possivelmente está faltando, ou se existe alguma vacina indicada para um adulto, idoso ou adolescente”, diz Mayra Moura, que acrescenta. “E o profissional de enfermagem na sala de vacinação também precisa ter muito treinamento, informação e segurança, porque a gente sabe que tem muito profissional de saúde que acaba tendo até questões relacionadas à vacina, porque não tem certeza, ouviu dizer alguma coisa e também fica inseguro. E, se um paciente questionar, ele não tem segurança para responder. Ter esse profissional bem informado e seguro é fundamental para conseguir a adesão do paciente.”
Integrante da coordenação de epidemiologia da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Maria Rita Donalisio alerta que, apesar da crescente complexidade dos calendários de vacinação e do aumento da desconfiança das famílias em relação às vacinas, o cenário atual no Brasil é de contratos de trabalho precarizados nas salas de vacina e nas estratégias de saúde da família, com baixos salários, terceirização e alta rotatividade.
“É preciso reforçar essas equipes locais de saúde da família, da atenção primária, porque é na atenção primária que a gente garante a integralidade do cuidado”, afirma. “É preciso investimento em carreira, estabilidade, concursos, para que esses profissionais possam ser treinados e não ter tanta rotatividade, e adquirirem cada vez mais experiência na vacinação. Investir nos concursos e nas carreiras, com remuneração justa, é investir no SUS e no PNI.”
Capacitar, valorizar e manter profissionais como o agente comunitário de saúde, defende Maria Rita Donalisio, é estratégico para a recuperação das coberturas vacinais: “A gente precisa resgatar no território essas pessoas que, muitas vezes, estão desinformadas. E o agente comunitário conhece por nome essas pessoas, ele é do território e têm passagem livre. E tudo isso pensando que o atendimento tem que ser integral. E não só a criança. O idoso, o hipertenso, o diabético precisam ser incentivados a tomar vacinas.”
Coordenadora e fundadora da organização não governamental (ONG) Criola, a assistente social e ativista dos direitos das mulheres negras Lúcia Xavier também vê como primordial a atuação desses profissionais na mobilização da comunidade em prol do sucesso da vacinação. Ela lembra que as grandes campanhas de vacinação da década de 1980 contaram com forte participação social, e isso também foi resultado da articulação dos profissionais da ponta.
"Os 50 anos de bons resultados de PNI vão ao encontro não só da experiência, do esforço e da atuação política desses profissionais, mas também da própria comunidade, que é convidada a apoiar as campanhas de imunização", afirma ela.
"A presença desses profissionais no campo, trazendo a responsabilidade, mas também o compromisso do servidor público com o cuidado à saúde faz muita diferença para a população. Traz a ideia do cuidado, da participação e da confiança no serviço público. Isso quem passa para a população é o profissional de saúde.
Resultados
O trabalho de ir à casa das famílias é caro e mobiliza profissionais que têm outros afazeres na unidade de saúde, mas dá resultado. No Rio de Janeiro, as ações de Maria Lúcia e João Victor são parte do programa Geovacina, que começou em maio para fortalecer a busca ativa. Desde então, o número de unidades com cobertura vacinal de seus pacientes menor que 80% caiu de 134 para 44. Já as que tinham entre 80% e 95% de cobertura passaram de 100 para 173. Por fim, as que que já tinham batido a meta de pelo menos 95% de cobertura aumentaram de duas para 20.
O programa usa como referência a cobertura da vacina pentavalente, que deve ser aplicada aos 2, 4 e 6 meses e estava em atraso no caso do Murillo Luiz. Os técnicos e agentes comunitários de saúde, ao procurarem as famílias que perderam o prazo, conferem toda a caderneta de vacinação, o que também tem elevado a cobertura de outras vacinas.
A imunização contra a poliomielite, por exemplo, saltou de uma cobertura de 66,8%, em 2022, para 97,9%, em 2023, alcançando, no Rio de Janeiro, a meta de 95% definida pelo Programa Nacional de Imunizações. A vacina meningocócica C também apresenta melhora, de 67,2% para 86,3%, embora ainda esteja abaixo da meta. Já a pentavalente avançou de 66,1% para 80,5%.
O secretário municipal de Saúde do Rio de Janeiro, Daniel Soranz, destaca que a busca ativa também precisa vir acompanhada do fortalecimento da estratégia de saúde da família, já que essas equipes aplicam a imensa maioria das vacinas do Programa Nacional de Imunizações. No Centro de Inteligência Epidemiológica do Rio de Janeiro, um telão do Geovacina mostra em tempo real todas as crianças em idade de se vacinar como pontos que marcam seus endereços na cidade. As que estão em dia com a pentavalente são pontos verdes, e as que estão em atraso são pontos vermelhos.
“Com o Geovacina, consigo ver quais crianças que estão no Sistema Nacional de Nascidos Vivos que já poderiam ter tomado a primeira dose, e as que já tomaram a primeira dose e que não tomaram a segunda ou a terceira dose, e buscá-las no mapa. Cada pontinho é uma criança”, explica o secretário, que acrescenta que o sistema informa a clínica da família e a equipe de saúde da família que será responsável por buscá-la.
“O Programa Nacional de Imunizações avançou muito com a tecnologia em tempo real. Hoje, a gente consegue saber quem tomou vacina ou não tomou, online e em tempo real”, destaca Soranz.
Para retomar as coberturas vacinais, a prefeitura do Rio de Janeiro tem adotado uma série de estratégias previstas no leque de ações de microplanejamento para vacinação disponibilizado pelo Ministério da Saúde, como a vacinação nas escolas, a vacinação extramuros em locais de grande circulação, pontos de vacinação com horário estendido e a própria busca ativa.
Segundo Soranz, a busca pelas famílias tem mostrado que os principais motivos para o atraso na vacinação nas crianças são esquecimento, falta de tempo ou algum adoecimento no momento em que a vacina estava prevista. “Um percentual muito pequeno é de famílias que não acreditam ou têm medo da vacinação. Felizmente, no Rio de Janeiro, essa é uma exceção.”
Criada no condomínio em que hoje confere cadernetas de vacinação e orienta famílias, a agente comunitária de saúde Bruna Maluf, de 28 anos, trabalha na mesma clínica da família que João Victor e Maria Lúcia, que conta ter visto a colega de trabalho crescer.
Na função há um ano, Bruna diz que o contato com os vizinhos e outros usuários do SUS tem ensinado lições importantes sobre como funciona a saúde pública, quais dúvidas precisam ser esclarecidas e que fatores influenciam nas decisões de cada família.
“Eu moro no meu território desde os 4 anos, então, isso me facilita muito. Quando nós andamos pela rua, minha mãe brinca que é como se eu tivesse virado política, porque estou andando na rua e dando tchau para todo mundo. Quando alguém não me conhece e desconfia, eu falo que pode ficar tranquilo, que eu moro aqui”, conta, ela, que está se formando técnica de enfermagem e aprendeu a entender melhor que tipo de dúvidas são mais frequentes e como respondê-las. “O trabalho me ajuda muito no curso, e o curso me ajuda muito no trabalho.”
Por - Agência Brasil














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