A vacina chinesa contra o novo coronavírus, chamada de CoronaVac, começará a ser testada em voluntários brasileiros a partir de amanhã dia 21. A vacina será aplicada em 890 voluntários da área da saúde do Hospital das Clínicas, na capital paulista.
A vacina é aplicada em duas doses. A primeira delas começa a ser aplicada amanhã. A outra dose será aplicada após 14 dias. Os pesquisadores do Hospital das Clínicas vão analisar os voluntários em consultas que são agendadas a cada duas semanas. A estimativa é concluir todo o estudo da fase 3 de testes em até 90 dias.
Ao todo, os testes com a CoronaVac serão realizados em nove mil voluntários em centros de pesquisas de seis estados brasileiros: São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná. A pesquisa clínica será coordenada pelo Instituto Butantan e o custo da testagem é de R$ 85 milhões, custeados pelo governo.
Os testes serão acompanhados por uma comissão de pesquisadores internacionais, que terão acesso à plataforma científica para observar o andamento e garantir transparência em todo o processo.
Caso seja comprovado o sucesso da vacina, ela começará a ser produzida pelo Instituto Butantan a partir do início do ano que vem, com mais de 120 milhões de doses, o suficiente para vacinar cerca de 60 milhões de brasileiros.
“A partir do fechamento do estudo, que deve acontecer em setembro, entramos na fase de acompanhamento, que é muito contínua. A qualquer momento, a partir daí, poderemos ter a abertura parcial do estudo que indique a sua eficácia. Se esse estudo for concluído antes do final deste ano – e essa é uma expectativa real – poderemos ter essa vacina disponível para a população brasileira já no início do próximo ano”, disse Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan.
Segundo o governador de São Paulo, João Doria, a vacina, caso seja aprovada, será destinada a todos os brasileiros. "Isso será feito através do Sistema Único de Saúde, universal e gratuito a todos os brasileiros. O Instituto Butantan terá todo o domínio da tecnologia. É isto que prevê o acordo com o laboratório Sinovac."
As doses da vacina chegaram nesta madrugada no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Esta vacina contra o coronavírus é desenvolvida pela Sinovac, sediada na China, e tem parceria com o Instituto Butantan. A carga inicial com 20 mil doses da vacina está aguardando liberação pela alfândega. Depois disso, o medicamento será inspecionado na sede do instituto. Em seguida, será distribuída aos 12 centros de pesquisa que serão responsáveis pelo recrutamento, aplicação e acompanhamento dos voluntários.
“Hoje é um momento histórico para a ciência brasileira. Chegaram em São Paulo, nesta madrugada, 20 mil doses da vacina CoronaVac, e agora elas seguem para a sede do Instituto Butantan. E a partir de amanhã, começam a ser testadas”, falou Doria.
CoronaVac
A CoronaVac é uma das vacinas contra o novo coronavírus em fase mais adiantada de testes. Ela já está na terceira etapa, chamada de “etapa clínica”, onde é feita a testagem em humanos. O laboratório chinês já realizou testes do produto em cerca de mil voluntários na China nas fases 1 e 2. Antes, o modelo experimental aplicado em macacos apresentou resultados expressivos em termos de resposta imune contra as proteínas do vírus.
A vacina é inativada, ou seja, contém apenas fragmentos inofensivos do vírus. Com a aplicação da dose, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus. No teste, metade das pessoas receberão a vacina e metade receberá placebo, uma substância inócua e sem efeitos químicos. Os voluntários não saberão o que vão receber. Esse método de testagem é chamado de “testagem cega”, e permite saber se há realmente efeitos físicos e químicos no uso da medicação ou se a melhora acontece simplesmente por ação do organismo.
O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, está bastante otimista com o sucesso da CoronaVac. “Podemos ter aqui no Brasil a primeira vacina a ser usada em massa. E em termos temporais, isso é muito favorável. Estamos no meio de uma epidemia, temos muitos casos e esse é o cenário ideal para testarmos essa vacina”, afirmou.
Aplicação da vacina
Os voluntários para o teste começaram a ser recrutados na semana passada, com o lançamento de uma plataforma pelo governo paulista onde eles puderam se inscrever. Apenas profissionais da saúde que ainda não tiveram a doença e que atuam com pacientes diagnosticados com covid-19 poderão participar. Para atender aos critérios, esses profissionais da saúde não poderão ter outras doenças e nem estar em fase de testes para outras vacinas. As voluntárias também não poderão estar grávidas.
Segundo o governo paulista, mais de 1 milhão de pessoas se inscreveram na plataforma para participar dos testes. (Com Agência Brasil).
A fase 2 da vacina do Instituto de Biotecnologia de Pequim contra o coronavírus também foi capaz de criar uma resposta imune nos participantes da pesquisa, segundo estudo divulgado nesta segunda dia 20.
A divulgação acontece no mesmo dia da publicação dos dados das fases 1 e 2 da vacina da Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, que também foi capaz de produzir uma resposta imune contra o vírus.
O estudo chinês, publicado na revista científica The Lancet, foi randômico, duplo-cego (quando nem os médicos nem os voluntários sabe qual medicamento está sendo administrado), com grupo de controle (que tomou uma versão placebo da vacina) e foi feito com cerca de 500 pessoas saudáveis em Wuhan, província chinesa onde a covid-19 pode ter começado.
A fase 2 da vacina do Instituto de Biotecnologia de Pequim contra o coronavírus também foi capaz de criar uma resposta imune nos participantes da pesquisa, segundo estudo divulgado nesta segunda-feira (20). A divulgação acontece no mesmo dia da publicação dos dados das fases 1 e 2 da vacina da Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, que também foi capaz de produzir uma resposta imune contra o vírus.
O estudo chinês, publicado na revista científica The Lancet, foi randômico, duplo-cego (quando nem os médicos nem os voluntários sabe qual medicamento está sendo administrado), com grupo de controle (que tomou uma versão placebo da vacina) e foi feito com cerca de 500 pessoas saudáveis em Wuhan, província chinesa onde a covid-19 pode ter começado.
Os resultados da pesquisa apontam, também, que a vacina é segura, mas os autores afirmam que nenhum dos participantes foi exposto ao vírus após a vacinação, o que não “pode determinar se a proteção é realmente eficaz contra as infeccções”. A vacina, assim como a da universidade britânica, também faz uso do adenovírus (versão enfraquecida de doenças respiratórias, como resfriados).
Dos 508 participantes, 253 receberam uma dose alta da vacina, 129 uma dose menor e 126 receberam placebo. A maioria tinha entre 18 e 44 anos, 26% tinham entre 44 e 54 e 13% eram mais velhos do que 55 anos. Os pesquisadores afirmam que nenhum efeito colateral foi considerado grave.
95% dos participantes que receberam uma versão mais intensa da vacina demostraram a produção das células T ou de respostas imunes 28 dias após a vacinação. Em 59% das pessoas, a vacina induziu a criação de anticorpos neutralizantes.
Os autores também afirmam que diferentes taxas de imunidade devem ser consideradas pelos países. Não há informação sobre a duração da prevenção no estudo.
A vacina é desenvolvida em parceria com a empresa CanSino Biologics.
Quais são as fases de uma vacina?
Para uma vacina ou medicação ser aprovada e distribuída, ela precisa passar por três fases de testes. A fase 1 é a inicial, quando as empresas tentam comprovar a segurança de seus medicamentos em seres humanos; a segunda é a fase que tenta estabelecer que a vacina ou o remédio produz, sim, imunidade contra um vírus, já a fase 3 é a última fase do estudo e tenta demonstrar a eficácia da droga. Uma vacina é finalmente disponibilizada para a população quando essa fase é finalizada e a proteção recebe um registro sanitário. Por fim, na fase 4, a vacina ou o remédio é disponibilizado para a população.
As outras que também estão na na fase três de testes são as versões da americana Moderna e a da chinesa Sinovac, que também será testada no Brasil.
Para a OMS, a vacina britânica é a opção mais avançada no mundo em termos de testagem.
Na última semana, a reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Soraia Smaili, em entrevista à GloboNews, afirmou que a vacina de Oxford pode ser distribuída no Brasil em junho de 2021, assim que o registro emergencial dela for aprovado.
A AstraZeneca e Oxford testarão sua vacina em mais de 50.000 pessoas no mundo todo. No Brasil, serão 5.000 voluntários testados em São Paulo, na Bahia e no Rio de Janeiro.
Em junho, o governo brasileiro anunciou uma parceria com Oxford para a produção de 100 milhões de doses quando a aprovação acontecer.
Antes a previsão da empresa anglo-sueca era que a vacina ficaria pronta já neste ano.
A corrida pela cura
Nunca antes foi feito um esforço tão grande para a produção de uma vacina em um prazo tão curto — algumas empresas prometem que até o final do ano ou no máximo no início de 2021 já serão capazes de entregá-la para os países. A vacina do Ebola, considerada uma das mais rápidas em termos de produção, demorou cinco anos para ficar pronta e foi aprovada para uso nos Estados Unidos, por exemplo, somente no ano passado.
Uma pesquisa aponta que as chances de prováveis candidatas para uma vacina dar certo é de 6 a cada 100 e a produção pode levar até 10,7 anos. Para a covid-19, as farmacêuticas e companhias em geral estão literalmente correndo atrás de uma solução rápida.
Nenhum medicamento ou vacina contra a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais. (Com Exame.com )
A vacina da Universidade de Oxford em parceria com a biofarmacêutica anglo-sueca AstraZeneca teve bons resultados contra o novo coronavírus, segundo um estudo publicado nesta segunda dia 20, na revista científica The Lancet. O estudo foi do tipo randômico, com grupo de controle (que recebeu uma vacina de meningite) e cego (no qual os voluntários não sabem qual medicamento foi administrado), e realizado com cerca de 1.077 pessoas saudáveis.
Os resultados são das fases 1 e 2 da vacina.
A vacina desenvolvida pela universidade britânica, uma das três opções que estão na versão da fase 3 de testes segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), de acordo com o estudo, pode ser ainda mais efetiva quando uma segunda dose é administrada. A resposta imune chamada de célula T é produzida 14 dias após uma primeira dose e os anticorpos apareceram depois de 28 dias.
Os efeitos colaterais, de acordo com a divulgação, foram pequenos e puderam ser reduzidos quando os pacientes tomaram paracetamol. Entre eles estava fadiga (70% dos que tomaram a vacina contra covid-19), 68% tiveram dores de cabeça. Outros efeitos foram dor no local da injeção, dores musculares, calafrios, estado febril e temperaturas altas.
Outros estudos ainda devem ser feitos, inclusive em idosos, para garantir a segurança da vacina. Apesar de conseguir criar uma resposta imune ao vírus, ainda é preciso descobrir se a vacina pode proteger efetivamente as pessoas de uma infecção.
Os pesquisadores acreditam que uma vacina ideal contra o vírus deve ser efetiva após uma ou duas doses, trabalhar em grupos de risco, como adultos e pessoas com condições pré-existentes, garantir uma proteção de, no mínimo, seis meses e reduzir a infecção pelo SARS-CoV-2.
O estudo ainda é muito preliminar para saber se a vacina preenche todos os requisitos, mas as fases dois (que ainda estão ocorrendo no Reino Unido) e três de testes (acontecendo no Reino Unido, Brasil e África do Sul) devem garantir a eficácia completa dela.
Os dados foram coletados entre os dias 23 de abril e 29 de maio e os testes ainda estão acontecendo. Essa foi a primeira divulgação dos dados relacionados à vacina de Oxford.
A divulgação dos dados acontece após a AstraZeneca ser fortemente pressionada por seus investidores a mostrar resultados positivos. Na quarta passada, quando a empresa anunciou que teria um estudo publicado nesta segunda e a mídia britânica afirmou que a vacina teria obtido sucesso, as ações subiram em 5,2%, o que adicionou cerca de 7,4 bilhões de dólares no valor de mercado da biofarmacêutica. As ações, no entanto, caíram 0,7% em Londres já na quinta-feira.
Quais são as fases de uma vacina?
Para uma vacina ou medicação ser aprovada e distribuída, ela precisa passar por três fases de testes. A fase 1 é a inicial, quando as empresas tentam comprovar a segurança de seus medicamentos em seres humanos; a segunda é a fase que tenta estabelecer que a vacina ou o remédio produz, sim, imunidade contra um vírus, já a fase 3 é a última fase do estudo e tenta demonstrar a eficácia da droga. Uma vacina é finalmente disponibilizada para a população quando essa fase é finalizada e a proteção recebe um registro sanitário. Por fim, na fase 4, a vacina ou o remédio é disponibilizado para a população.
As outras que também estão na na fase três de testes são as versões da americana Moderna e a da chinesa Sinovac, que também será testada no Brasil.
Para a OMS, a vacina britânica é a opção mais avançada no mundo em termos de testagem.
Na última semana, a reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Soraia Smaili, em entrevista à GloboNews, afirmou que a vacina de Oxford pode ser distribuída no Brasil em junho de 2021, assim que o registro emergencial dela for aprovado.
A AstraZeneca e Oxford testarão sua vacina em mais de 50.000 pessoas no mundo todo. No Brasil, serão 5.000 voluntários testados em São Paulo, na Bahia e no Rio de Janeiro.
Em junho, o governo brasileiro anunciou uma parceria com Oxford para a produção de 100 milhões de doses quando a aprovação acontecer.
Antes a previsão da empresa anglo-sueca era que a vacina ficaria pronta já neste ano.
A corrida pela cura
Nunca antes foi feito um esforço tão grande para a produção de uma vacina em um prazo tão curto — algumas empresas prometem que até o final do ano ou no máximo no início de 2021 já serão capazes de entregá-la para os países. A vacina do Ebola, considerada uma das mais rápidas em termos de produção, demorou cinco anos para ficar pronta e foi aprovada para uso nos Estados Unidos, por exemplo, somente no ano passado.
Uma pesquisa aponta que as chances de prováveis candidatas para uma vacina dar certo é de 6 a cada 100 e a produção pode levar até 10,7 anos. Para a covid-19, as farmacêuticas e companhias em geral estão literalmente correndo atrás de uma solução rápida.
Nenhum medicamento ou vacina contra a covid-19 foi aprovado até o momento para uso regular, de modo que todos os tratamentos são considerados experimentais. (Com Exame.com)
A nuvem de gafanhotos que se movimenta pela fronteira entre Brasil e Argentina há algumas semanas tem uma nova localização, informou o Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentaria (Senasa).
Segundo o serviço argentino, a nuvem se moveu 33 quilômetros ao sul e está em Sauce, a 122 quilômetros da cidade gaúcha de Barra do Quaraí. De acordo com o fiscal estadual agropecuário do Rio Grande do Sul Juliano Ritter, o Brasil continua acompanhando a movimentação dos insetos.
As equipes do Senasa realizaram tratamento fitossanitário para diminuir a densidade populacional da nuvem de gafanhotos. A entidade está acompanhando de perto o deslocamento dos insetos e alerta que o Serviço Meteorológico Nacional (SMN) de Argentina previu aumento das temperaturas e ventos soprando de norte, o que ocasionou esse deslocamento para o sul.
Nuvem paraguaia
A segunda nuvem de gafanhotos que deixou o Brasil em alerta se movimentou nesta sexta-feira, 17. De acordo com o Serviço de Qualidade e Sanidade Vegetal (Senave), os insetos, que estavam em áreas de Madrejón e 4 de Mayio, no
Paraguai, seguiram para o sudeste, em direção a Teniente Pico, no departamento de Boquerón, também no país.
Segundo o órgão paraguaio, equipes técnicas permanecem na área e indicam que os insetos continuam em constante movimento. “Esse monitoramento permanente é realizado para localizá-los e poder aplicar os controles
fitossanitários correspondentes”, diz. (Com Canal Rural)
O Plenário do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) recomendou, ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que fixe o limite máximo a ser concedido para operações com cartões de crédito em 1,6 vez o valor da renda mensal do benefício previdenciário. A recomendação está em resolução publicada na edição de hoje dia 20, do Diário Oficial da União.
O texto também recomenda que, durante o estado de calamidade pública decorrente do novo coronavírus (covid-19), o INSS autorize operações de empréstimo consignados um prazo de carência de até 90 dias para que o desconto da primeira parcela seja feito. Esse prazo de carência, no entanto, não pode ser considerado no cômputo dos 84 meses previstos para a liquidação do contrato.
Uma outra recomendação é que o beneficiário ou seu representante legal possa autorizar o desbloqueio dos benefícios após 30 dias, contados da data de despacho do benefício para a realização de operações de crédito consignado. (Com Agência Brasil)
Pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP), em parceria com cientistas das universidades de Harvard e de Buenos Aires, conseguiram desvendar e bloquear a ação do vírus zika em camundongos, evitando a microcefalia em seus fetos. O trabalho, que contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicado na revista Nature Neuroscience.
Em 2016, pesquisadores do mesmo ICB-USP e da Plataforma Pasteur-USP, liderados pelo professor Jean Pierre Schatzmann Peron, conseguiram comprovar, a partir do estudo em camundongos, que o zika era o causador da microcefalia e defeitos congênitos em fetos de fêmeas contaminadas com o vírus.
Agora, uma nova pesquisa da mesma equipe desvendou os mecanismos usados pelo zika para driblar o sistema de defesa imunológica dos camundongos – que possibilitam que o vírus atravesse a placenta, aloje-se no cérebro dos fetos e se multiplique desenfreadamente em seus neurônios, causando microcefalia.
Segundo o estudo, o zika age estimulando uma proteína, o receptor aril hidrocarboneto, ou AHR. Uma vez ativado, o AHR limita a defesa imunológica do organismo, coibindo a produção de interferon tipo 1 – de enorme importância na imunidade antiviral inata de camundongos e humanos – e a proteína PML, que inibe a replicação do vírus.
“O trabalho tem duas grandes mensagens, uma de que o vírus usa essa molécula chamada AHR para suprimir a resposta imune. Então, ele se dá bem porque inibindo isso, lógico, ele consegue se replicar. E o segundo, é de que o AHR se torna um braço terapêutico”, disse o professor Jean Pierre Schatzmann Peron.
A partir da descoberta, os pesquisadores passaram a testar nos camundongos uma droga que inibe a ação da proteína AHR. A substância já estava sendo testada em humanos, mas com outra finalidade.
“Descobrimos uma droga que ainda se encontra em estágio de desenvolvimento, mas que foi capaz de inibir a ativação do AHR induzida pelo Zika”, ressaltou Peron. Os pesquisadores administraram a droga em fêmeas prenhes de camundongos infectados com zika e puderam perceber a melhora nas lesões por todo o corpo. No caso dos neurônios no cérebro, o remédio bloqueou em 100% a ação do vírus.
“Os fetos tratados com a droga voltaram a nascer com peso normal. O comprimento total dos animais também melhorou. Na placenta e no cérebro, pudemos observar que a remissão do vírus foi total,” disse o pesquisador.
De acordo com o cientista, agora que a droga experimental mostrou resultados excelentes nos camundongos, o próximo passo seria algum laboratório se interessar em fazer a mesma pesquisa com macacos, que é um estágio preliminar obrigatório antes do início dos testes clínicos em humanos.
“O que precisa agora é comprovar em outras espécies, como em macacos, por exemplo, que a droga é eficaz e o fenômeno se reproduz. E depois repetir isso para o ser humano. Mas, primeiro, como se trata de estudo em grávidas, precisamos saber se a droga é tóxica ou não na gravidez”, ponderou.
De acordo com o Ministério da Saúde, o vírus zika é um arbovírus, transmitido por picadas de insetos, especialmente mosquitos. A doença causada pelo zika apresenta risco superior a outras arboviroses, como dengue, febre amarela e chikungunya. Uma das principais complicações é a microcefalia em fetos. A doença começa com manchas vermelhas em todo o corpo da mãe, olho vermelho, pode causar febre baixa, dores pelo corpo e nas juntas, também de pequena intensidade.
No caso de o feto ser infectado durante a gestação, pode desenvolver lesões cerebrais irreversíveis e ter comprometida, definitivamente, toda a sua estrutura em formação. O comprometimento nesses casos é tão importante que algumas crianças, ao nascer, têm uma deformação dos ossos da cabeça, sinal do não crescimento adequado do cérebro. (Com Agência Brasil)
























