Os possíveis prejuízos do trabalho remoto à saúde

Quando Cat, de 30 anos, recebeu a oferta de um trabalho totalmente remoto em 2021, aceitou sem pensar duas vezes.

Na ocasião, Cat — que mora em Londres e trabalha em serviços ambientais — já havia trabalhado remotamente devido à pandemia de covid. Achou, portanto, que trabalhar de casa não seria um grande problema.

Mas, nos últimos meses, mudou de opinião.

"Trabalhar sozinha dia após dia é difícil, especialmente quando meu marido está no escritório", afirma ela. "Às vezes, não vejo ninguém todo o dia, o que pode ser muito solitário. Descobri que, em vez de fazer intervalos para conversar com as pessoas no escritório, pego meu telefone. Esse aumento do tempo de tela com certeza prejudica meu bem-estar."

O trabalho remoto vem sendo defendido como a solução de alguns dos problemas do nosso estilo de vida acelerado pré-pandemia. Para muitos, ele ofereceu a oportunidade de passar mais tempo com os filhos ou de usar o tempo que antes era desperdiçado no transporte para buscar hobbies mais gratificantes.

Mas novas pesquisas sobre a relação entre o trabalho remoto e a saúde mental apresentaram resultados divergentes.

 

No relatório New Future of Work ("O novo futuro do trabalho", em tradução livre), publicado pela Microsoft em 2022, os pesquisadores indicaram que, embora o trabalho remoto possa aumentar a satisfação profissional, ele pode também fazer com que os funcionários se sintam "socialmente isolados, culpados e tentem fazer compensações".

Os efeitos negativos podem ter sido uma surpresa para alguns profissionais, que agora estão sentindo a pressão e percebendo que o trabalho remoto não é necessariamente a panaceia para a saúde mental, como vinha sendo anunciado. Ao contrário da narrativa corrente de uma demanda em massa pelo trabalho remoto, alguns funcionários, na verdade, estão preferindo assumir cargos com turnos parciais no escritório.

Mas, para muitos, essas desvantagens valem muito a pena. Para grupos que enfrentaram a vida de trabalho no escritório antes da pandemia, os problemas causados por trabalhar em casa são um pequeno preço a pagar.

 

'Crise de saúde mental em rápido crescimento'

As pessoas podem ter imaginado que trabalhar em casa seria uma utopia que incluiria fazer exercício nos intervalos de trabalho, preparar almoços saudáveis em casa e poder estudar facilmente. Mas, para muitos, a realidade é muito diferente.

Pesquisas indicam que os trabalhadores remotos trabalham por mais tempo e que até 80% dos profissionais britânicos sentem que trabalhar de casa prejudicou sua saúde mental.

Nicola Hemmings é cientista dos ambientes de trabalho na empresa americana de assistência à saúde mental Koa Health. Ela afirma que a falta de contato pessoal enfrentada por Cat é uma queixa comum.

Hemmings indica que a pandemia causou uma "crise de saúde mental em rápido crescimento" e que até as pessoas que abraçaram por completo a mudança para o trabalho remoto podem estar sujeitas a ela.

"Durante o trabalho remoto, nós perdemos as indicações sociais do escritório movimentado e das interações sociais, que são muito necessárias — conversar no corredor, beber algo na cozinha cumprimentando alguém e perguntando sobre o fim de semana", diz ela. "Esses momentos aparentemente sem importância, coletivamente, podem ter grande impacto sobre o nosso bem-estar."

O isolamento não é o único problema causado pelo trabalho remoto. Cat afirma que, além do sentimento de solidão, também percebeu que lidar com uma grande quantidade de chamadas de vídeo fez com que ela se sentisse "insegura". Ver constantemente seu próprio rosto na tela despertou em Cat o desejo de retomar as reuniões presenciais.

"Preferiria ter a opção de ir ao escritório algumas vezes por semana, para ter algum contato pessoal", conta.

Além disso, os profissionais de grupos específicos estão sentindo mais os efeitos negativos. Cat é da geração millennial e não tem filhos — um grupo muito propenso a ser afetado pelas dificuldades que ela descreve.

Uma sondagem demonstrou que 81% das pessoas com menos de 35 anos de idade se sentiram solitárias trabalhando em casa por longos períodos e estudos mostraram maiores níveis de estresse e ansiedade entre profissionais jovens desde a mudança para o trabalho remoto.

Hemmings afirma que circunstâncias específicas, mais frequentemente associadas aos profissionais jovens (millennials e da geração Z), como sua entrada recente no mercado de trabalho ou a falta de um espaço de trabalho calmo e exclusivo, podem ter forte impacto sobre sua saúde mental.

 

'Não tenho mais a síndrome do domingo à noite'

Mas, para algumas pessoas, o trabalho remoto durante a pandemia foi um divisor de águas positivo para superar as dificuldades.

Esse é especialmente o caso de profissionais com deficiências ou que têm responsabilidades de assistência a outras pessoas. Hemmings afirma que essas pessoas vivenciaram mudanças positivas na sua saúde mental.

Para elas, o trabalho no escritório pode ser extremamente prejudicial para o seu bem-estar, pois elas enfrentam longos deslocamentos com intensa agenda de compromissos pessoais, além da exaustão física e mental por lidarem com o estresse de ir e voltar de um local de trabalho inadequado para suas necessidades.

Lauren, de 28 anos, conta que trabalhar em casa certamente melhorou sua saúde mental. Mãe de uma criança e moradora no Estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, ela ressalta que existem algumas desvantagens, como nunca se sentir totalmente desligada, mas os benefícios superam em muito os pontos negativos.

Ela diz que agora consegue trabalhar no mesmo cômodo enquanto seu marido brinca com sua filha ou ir a consultas médicas para ela ou sua filha no horário mais adequado.

"Pela primeira vez na vida, não tenho mais a síndrome do domingo à noite", afirma Lauren, que trabalha no setor de tecnologia.

"Tenho horários flexíveis, o que ajuda muito quando você tem uma criança. Com certeza, quero continuar com o trabalho remoto, pelo menos até minha filha entrar na escola."

Para Lauren, as desvantagens do trabalho remoto compensam a maior conveniência e mais tempo com sua filha. Kevin Rockman, professor de Administração da Escola de Negócios da Universidade George Mason, nos Estados Unidos, salienta que, embora haja questões inegáveis relativas à saúde mental, o saldo de benefícios para pessoas como Lauren é imenso.

"Não há dúvida de que o bem-estar é maior com o trabalho remoto", afirma ele. "Trocar o tempo de deslocamento por saúde pessoal, família ou recreação é quase uma garantia de benefícios positivos."

 

Em busca do equilíbrio

A mudança para o trabalho remoto não foi simples e, agora, muitas empresas estão enfrentando o problema de como projetar um modelo que funcione para todos.

As indicações disponíveis no momento mostram que as preferências e circunstâncias pessoais de cada um são um fator fundamental para saber se o trabalho remoto traz algum benefício — e, em caso positivo, se o valor desses benefícios supera as desvantagens, como o isolamento e a solidão.

"Implementar o trabalho remoto realmente é uma questão de reimaginar o que estar no trabalho significa para cada pessoa", afirma Rockman.

"Os empregadores precisam equilibrar a flexibilidade, fornecendo às pessoas as ferramentas necessárias para que elas permaneçam produtivas e [atender] as necessidades sociais dos funcionários. A forma desse equilíbrio ideal será diferente para cada empresa."

Rockman indica que diferentes grupos de pessoas terão experiências diferentes com o trabalho remoto.

Estudos mostram que jovens mães são mais propensas a ter benefícios com o trabalho em casa e que alguém que more com um parceiro e tenha uma rede social na sua região provavelmente sofrerá menos impactos negativos sobre o seu bem-estar que alguém que mora sozinho e tenha se mudado de cidade recentemente, por exemplo.

Também é possível que os funcionários desejem que o seu local de trabalho possa mudar ao longo do tempo. Um profissional da geração Z nos primeiros passos da carreira, por exemplo, pode valorizar o contato social do escritório e suas necessidades podem ser muito diferentes de uma mãe que trabalha ou de uma pessoa que cuida de um pai idoso.

O que funciona melhor não é necessariamente uma solução ideal para todos — e provavelmente estará também em mutação, dependendo das necessidades específicas de cada indivíduo ao longo do tempo.

Cat não está procurando um novo emprego no momento, mas conta que, quando o fizer, espera encontrar um que equilibre a rotina presencial e remota.

Ela tem enfrentado dificuldades com sua saúde mental trabalhando em casa, mas ainda não gostaria de voltar a passar cinco dias por semana no escritório — um sinal de como são complexos os sentimentos de muitas pessoas sobre as reais condições do "home office".

Quanto a Lauren, ela se imagina mudando para um sistema híbrido assim que sua filha entrar na escola, mas apenas se o trabalho for suficientemente flexível para que ela ainda possa sair ao meio-dia para ver a pequena em um evento na escola ou ir a uma consulta médica.

"Se não for assim, trabalhar em casa para sempre não parece muito ruim para mim", diz.

 

 

 

 

 

 

 

 

Por - BBC News

Covid: em que situações devo fazer check-up após infecção?

Mais que uma simples infecção respiratória, a covid pode ter uma série de repercussões no resto do corpo — e algumas dessas complicações, que afetam o coração, os pulmões e até o cérebro, podem acontecer mesmo depois de os primeiros sintomas da infecção melhorarem.

 Diante desse risco, em quais situações é indicado fazer o popular check-up, aquele conjunto de exames que avalia diversos parâmetros e sinaliza uma doença nos seus estágios iniciais?

Médicos ouvidos pela BBC News Brasil indicam que, em linhas gerais, passar por essa bateria de testes laboratoriais não é algo recomendado para todo mundo que teve covid. Nesse sentido, não existe uma "receita de bolo", ou uma recomendação geral que sirva para a enorme quantidade de pessoas que teve diagnóstico positivo para a doença nos últimos meses.

No entanto, existem ao menos três grupos de pacientes que podem necessitar de uma avaliação mais aprofundada pós-covid: primeiro, aqueles que tiveram quadros graves da infecção; segundo, portadores de doenças crônicas, como hipertensão ou diabetes; terceiro, indivíduos que estão sentindo algum incômodo atípico por um tempo prolongado.

Entenda a seguir por que esses grupos precisam de uma atenção especial e quais exames são mais indicados nessas situações.

Uma doença, várias repercussões

A partir do momento em que o coronavírus entra no nosso corpo e começa a usar as células para criar novas cópias de si mesmo, ele dispara uma série de reações do sistema imunológico.

Porém, na tentativa de conter a infecção, as células de defesa podem acabar lesando os próprios órgãos.

Isso acontece em grande parte porque o sistema imune libera uma série de substâncias que, em alguns pacientes, gera uma inflamação descontrolada, como detalha um artigo publicado em abril de 2021 no periódico científico Nature Reviews Rheumatology.

Essa inflamação, por sua vez, chega a provocar lesões e atrapalhar o funcionamento de diversas estruturas do organismo.

Em veias e artérias, por exemplo, esse estado de crise inflamatória pode desestabilizar placas de gordura, que se soltam e podem bloquear a passagem do sangue.

Isso leva a quadros de trombose venosa, embolia pulmonar e até infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

Embora todos os mecanismos por trás dessa relação não sejam completamente conhecidos, os efeitos da covid também podem se estender por pâncreas, rins, bexiga, tireoide e cérebro.

Vale lembrar que, felizmente, quadros como esses são raros — e se tornaram ainda menos comuns a partir da chegada da vacinação.

Eles costumam acontecer com uma frequência relativamente maior em indivíduos que já reuniam algumas condições, como doenças crônicas ou idade avançada.

Mas será que é possível detectar essas complicações logo de cara, antes que elas evoluam para desfechos mais complicados?

A resposta é sim, por meio dos exames.

Para quem é o check-up pós-covid

O primeiro grupo que se beneficiaria de uma bateria de testes, como exames de sangue ou de imagem, são justamente aqueles que tiveram covid grave.

Muitas vezes, no próprio hospital, durante a internação, a equipe de profissionais de saúde já realiza algumas análises clínicas para detectar alterações precoces e evitar as complicações mais temidas, como um quadro de trombose ou AVC.

Nesse contexto, também são prescritos medicamentos específicos, que ajudam a controlar a inflamação.

"Os exames devem ser indicados de acordo com o risco individual", esclarece o infectologista Evaldo Stanislau de Araújo, do Hospital das Clínicas de São Paulo.

"Num paciente que teve insuficiência respiratória, é idoso, sofre de problemas imunes ou já foi diagnosticado com doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, faz mais sentido fazer um acompanhamento", complementa o médico, que também integra a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI).

Agora, numa pessoa jovem e saudável que teve diagnóstico positivo para o vírus, só teve sintomas leves e está se sentindo bem depois de alguns dias, passar por um check-up tão intenso não faz tanto sentido assim.

Mas mesmo a covid leve e moderada pode exigir uma avaliação mais aprofundada em pessoas que já tinham enfermidades crônicas, como hipertensão e diabetes.

"Muitas vezes, a infecção pelo coronavírus pode descompensar as demais doenças", explica a infectologista Valéria Paes, do Hospital Sírio-Libanês em Brasília.

"Nesses casos, pode ser necessário fazer alguns exames e até ajustar temporariamente a medicação para controlar novamente índices como a pressão arterial e a glicemia", complementa.

Uma consulta com o clínico geral, o médico de família, o cardiologista ou o endocrinologista ajudam a fazer esse acompanhamento.

Além de pacientes com covid grave e portadores de doenças crônicas, o terceiro grupo que pode precisar de exames complementares são aqueles que estão sentindo algum incômodo atípico depois de se recuperarem da infecção inicial.

"Há gente que chega aos nossos consultórios com queixas de cansaço, como se não conseguissem mais fazer as coisas como antes da covid", conta o médico Agnaldo Piscopo, diretor do Centro de Treinamento em Emergências Cardiovasculares da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

"Outro dia, um paciente reclamou dizendo que antes corria 6 km numa boa e atualmente já se sente cansado depois de 3 km de caminhada", exemplifica.

Nessas situações, exames de imagem (como a ressonância magnética ou a tomografia) e de sangue, além de testes de esforço, ajudam a detectar eventuais problemas no coração ou nos vasos sanguíneos

Além da fadiga, o Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido aponta que no pós-covid algumas pessoas também sentem dificuldades para respirar, dor no peito, problemas de memória e concentração, dificuldade para dormir, palpitações, náusea, dor nas articulações, depressão, ansiedade, dor de ouvido, perda de apetite, perda de olfato ou paladar e vermelhidão na pele.

Essa longa lista pode estar relacionada (ou não) com o coronavírus e a inflamação exacerbada.

Se algum desses sintomas persistir por algumas semanas, é importante buscar ajuda de um profissional de saúde que, com base no relato e na avaliação no consultório, vai indicar a realização de exames específicos para cada situação e prescrever o melhor tratamento disponível.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por - BBC News

Entenda como funciona a doação de medula óssea no país

Dados do Registro Nacional de Medula Óssea (Redome) mostram que, no Brasil, cerca de 650 pessoas aguardam na fila por uma doação de medula de um doador que não seja um parente. 

A boa notícia é que o número de doadores voluntários cadastrados tem aumentado expressivamente nos últimos anos. Em 2000, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), eram 12 mil inscritos e, dos transplantes de medula realizados, apenas 10% dos doadores eram cadastrados no Redome. 

Hoje, com mais de 5,5 milhões de doadores inscritos, o Brasil tem o terceiro maior banco de dados do gênero no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da Alemanha. “A chance de se identificar um doador compatível, no Brasil, na fase preliminar da busca, é de até 88%, e ao final do processo, 64% dos pacientes têm um doador compatível confirmado”, explicou o instituto.

A medula, conhecida popularmente como tutano, é um tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos. Nela, são produzidos os componentes do sangue: hemácias (glóbulos vermelhos), leucócitos (glóbulos brancos) e plaquetas. Pelas hemácias, o oxigênio é transportado dos pulmões para as células de todo o organismo e o gás carbônico é levado destas para os pulmões, a fim de ser expirado. Já os leucócitos são os agentes mais importantes do sistema de defesa do organismo, combatendo infecções. Por fim, as plaquetas compõem o sistema de coagulação do sangue.

Como doar

Para ser um doador no Brasil, basta procurar o hemocentro do estado e agendar uma consulta de esclarecimento sobre a doação de medula óssea. O voluntário precisa ter entre 18 e 55 anos de idade e gozar de boa saúde. Ele vai assinar um termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) e preencher uma ficha com informações pessoais. Será retirada uma pequena quantidade de sangue - 10 mililitros (ml) - do candidato a doador. É necessário apresentar o documento de identidade.

A partir daí, o sangue é analisado por exame de histocompatibilidade (HLA), um teste de laboratório que identifica características genéticas a serem cruzadas com os dados de pacientes que necessitam de transplantes para determinar a compatibilidade. Em seguida, os dados pessoais e o tipo de HLA são incluídos no Redome. O Inca alerta para a importância de manter os dados sempre atualizados, tendo em vista que, quando houver um paciente com possível compatibilidade, o voluntário será consultado para decidir quanto à doação. Para seguir com o processo, são necessários outros exames que confirmem a compatibilidade, além de uma avaliação clínica de saúde. Somente ao final dessas etapas o doador poderá ser considerado é apto.

Há riscos?

Segundo o Inca, relatos médicos de problemas graves ocorridos a doadores durante e após o procedimento são raros e limitados a intercorrências controláveis. Por isso, o estado físico de saúde do doador é checado. “Em alguns casos, é relatada pequena dor no local da punção, dor de cabeça e cansaço. Por volta de 15 dias, a medula óssea do doador estará inteiramente recuperada”, acrescentou o instituto.

Pacientes

No transplante de medula, a rejeição é relativamente rara, mas pode acontecer. Por isso, existe a preocupação com a seleção do doador adequado e o preparo do paciente. O sucesso do transplante depende de fatores como o estágio da doença, o estado geral e as boas condições nutricionais e clínicas do paciente e do doador.

“Os principais riscos se relacionam às infecções e às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento. Com a recuperação da medula, as novas células crescem com uma nova 'memória' e, por serem células da defesa do organismo, podem reconhecer alguns dos seus órgãos como estranhos. Essa complicação, chamada de doença do enxerto contra hospedeiro, é relativamente comum, de intensidade variável e pode ser controlada com medicamentos adequados”, garante o institut.

Procedimento

A doação de medula óssea é um procedimento que se faz em centro cirúrgico, sob anestesia peridural ou geral. O procedimento dura cerca de 90 minutos e requer internação por um período de 24 horas. Nos primeiros três dias após a doação, pode haver desconforto localizado, de leve a moderado, que pode ser amenizado com o uso de analgésicos e medidas simples de controle da dor. Normalmente, os doadores retornam às suas atividades habituais depois da primeira semana após a doação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

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Homens x mulheres: demanda por atendimento no SUS segue desequilibrada

A demanda entre homens e mulheres por atendimento médico no Sistema Único de Saúde (SUS) permanece desequilibrada, embora a distância entre os gêneros venha se reduzindo ao longo dos anos.

Levantamento inédito da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), com dados do Sistema de Informação Ambulatorial do Ministério da Saúde, indica que, enquanto mais de 312 milhões de homens já foram atendidos em 2022, as mulheres ultrapassam 370 milhões. No ano passado, foram mais de 725 milhões de homens contra mais de 860 milhões de mulheres.

Para o coordenador do Departamento de Andrologia, Reprodução e Sexualidade da SBU, Eduardo Miranda, por uma questão cultural, o homem vai menos ao médico que as mulheres.

“Ainda há um certo tabu, muitas vezes, [eles] não têm a cultura do autocuidado e ir ao médico é visto como sinal de fraqueza. Há também a questão cultural. A menina é levada pela mãe ao ginecologista desde a primeira menstruação, enquanto o homem não vai ao médico depois que ele não precisa mais de acompanhamento regular com pediatra. Esse é um processo que precisamos trabalhar ao longo de gerações e espero que possamos ver um aumento da ida dos homens [aos consultórios] para fazer acompanhamento de rotina com o urologista”, afirmou.

A diferença na demanda entre homens e mulheres fica bem evidente nos atendimentos específicos. Neste ano, houve mais de 1,2 milhão de atendimentos femininos por ginecologistas, mas a procura dos homens por urologistas ficou em 200 mil atendimentos.

“As mulheres estão mais habituadas a realizar exames preventivos anuais e se preocupam mais com a saúde. Elas geralmente marcam as consultas para seus maridos. Mas os homens têm procurado mais o urologista por uma maior conscientização por meio de campanhas, por exemplo”, destacou o supervisor da disciplina de câncer de bexiga da SBU, Felipe Lott.

Para o presidente da SBU, Alfredo Canalini, as principais causas que afastam o homem das consultas médicas são o medo e a desinformação. “Mas as campanhas que a SBU promove ano após ano indicam uma mudança de comportamento, e já sentimos uma diferença significativa com a procura espontânea, principalmente para a avaliação da próstata”, argumentou.

A diretora de Comunicação da SBU, Karin Anzolch, ponderou, no entanto, que, apesar de os homens se mostrarem mais conscientes com relação aos cuidados com a saúde, estudos desse tipo mostram que ainda há um longo caminho a trilhar. A médica acrescentou que, por atuar em problemas extremamente impactantes na qualidade de vida e sobrevida dos homens, a Urologia apoia a causa.

Alerta

Com base nos dados e aproveitando o Dia do Homem, comemorado hoje (15), a SBU alerta para a importância do cuidado com a saúde masculina, especialmente para a prevenção do câncer de bexiga, que, de acordo com a entidade, é o segundo tumor urológico mais incidente nessa população. Em primeiro lugar é o câncer de próstata.

“Neste mês, a SBU também alerta sobre o câncer de bexiga, que acomete três vezes mais os homens do que as mulheres, e é o segundo tumor mais frequente na urologia, somente atrás do câncer de próstata, sabendo que muitos ainda desconhecem os fatores de risco e os sinais de alerta para essa doença, que pode ser muito grave e devastadora”, relatou Karin.

A SBU informou, também, que, estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), apontam que, em 2022, serão identificados 7.590 novos casos entre os homens e 3.050 entre as mulheres. Os números do Inca indicam, ainda, que, em 2020, houve 4.595 óbitos causados por tumor na bexiga. Entre eles, 3.097 em homens e 1.498 em mulheres.

Segundo o coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU, Ubirajara Ferreira, em 80% dos casos o sintoma inicial é sangue na urina, que, ao ser notado, deve ser realizado na sequência um exame de imagem, de preferência tomografia de abdômen. “O prognóstico depende da extensão de invasão da parede vesical. Se acometer somente a superfície interna da bexiga, chega a 90% de sobrevida em cinco anos. Caso invada toda a parede, pode cair a 40% em cinco anos”, explicou.

O principal fator de risco para a doença é o tabagismo, relacionado a 50% a 70% dos casos. “Outros fatores também podem influenciar, como a exposição a compostos químicos como aminas aromáticas, ácido aristolóquico (suplementos dietéticos), pioglitazona (medicamento para diabetes), arsênico na água potável, baixo consumo de líquidos, irritações crônicas, infecções, fatores genéticos, quimioterápicos, radioterapia”, afirmou Felipe Lott.

Com o avanço da idade, as doenças da próstata e as disfunções sexuais estão entre as principais enfermidades que acometem o homem. Na adolescência e na fase adulta são as infecções sexualmente transmissíveis. Segundo Eduardo Miranda, há outras doenças que são mais prevalentes, como hipertensão, doença cardíaca, diabetes e obesidade. O motivo que leva o homem ao médico depende da faixa etária.

“Na infância, geralmente são alterações do trato geniturinário, fimose, hérnia. Na adolescência, a maioria não frequenta o ambulatório, e isso é uma coisa que a SBU vem tentando mudar. Nos adultos jovens, geralmente é dificuldade de fertilidade, cálculos renais. A partir dos 40 anos, temos a ida rotineira para prevenção do câncer de próstata e já começam a aparecer o crescimento benigno da próstata e sintomas urinários. A partir dos 50 anos, são comuns queixas de disfunção erétil e os sintomas urinários vão aumentando progressivamente”, observou Eduardo Miranda.

Outras doenças

Nas outras enfermidades que atingem os homens, 5% do total de casos de câncer correspondem ao de testículo. Para o câncer de próstata a estimativa é de mais de 65 mil novos casos. Em 2021, houve 1.791 casos de câncer de pênis.

Já a hiperplasia prostática benigna atinge cerca de 50% dos indivíduos acima de 50 anos e, após os 40 anos, a disfunção erétil é a prevalência no Brasil em cerca de 50%, algo em torno de 16 milhões de homens.

Campanhas

Além da campanha do Dia do Homem, a SBU desenvolve a Novembro Azul e, também, a #VemProUro, que, em setembro, já estará em sua quinta edição. “[Elas] pretendem estimular que os homens conheçam mais sobre a saúde e mantenham uma rotina regular de cuidados, entendendo que hábitos se criam desde cedo, e o acompanhamento preventivo auxilia a introjetar esses valores, proporcionar aprendizados e a guiar para atitudes que farão a diferença mais adiante. Assim sendo, a urologia é parceira da saúde masculina em todo o seu ciclo de vida”, finalizou Karin Anzolch.

 

 

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

Anvisa revoga recolhimento do medicamento losartana

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai publicar resoluções para revogar o recolhimento, a interdição e a proibição da comercialização de lotes de medicamentos contendo o princípio ativo losartana, anti-hipertensivo e um dos remédios para insuficiência cardíaca mais utilizados no Brasil. 

A decisão ocorre após o recebimento de novos dados científicos referentes à impureza detectada no princípio ativo da substância. Lotes da losartana haviam sido recolhidos entre setembro e outubro do ano passado, depois de encontrada presença de um tipo de impureza do tipo azido no produto. Em junho desse ano, outra determinação da Anvisa voltou a recolher o medicamento das prateleiras

"As evidências demonstraram, a partir de novos testes realizados, que a impureza azido não possui a toxicidade inicialmente identificada. Assim, com os novos dados apresentados, os limites de segurança foram recalculados, indicando que os lotes do medicamento que foram recolhidos ou interditados não ultrapassam os limites de segurança", informou a agência. 

Ainda de acordo com a Anvisa, a impureza azido pode surgir durante o processo de fabricação do insumo farmacêutico ativo losartana. Inicialmente, essa impureza foi considerada como de potencial mutagênico, ou seja, como possível causadora de alterações capazes de provocar danos às células humanas. Diante de estudos adicionais realizados, a impureza foi reclassificada para "não mutagênica".

Os documentos contendo os novos dados científicos foram solicitados pela Anvisa de forma proativa e recebidos no âmbito do acordo de confidencialidade firmado com a European Medicines Agency (EMA), após divulgação pelo Coordination Group for Mutual Recognition and DecentralisedProceduresHuman (CMDh), órgão vinculado à EMA, de novas informações sobre a impureza azido no losartana.

 

 

 

 

 

Por - Agência Brasil

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Existe hora certa para comer? Por que é importante seguir o ritmo do relógio biológico para fazer as refeiçõe

Na busca por uma vida mais saudável, a alimentação ocupa um papel central.

Mas, enquanto muito se fala sobre o que comer, existe uma outra pergunta que vem crescendo: existe hora certa? Sim e o questionamento impulsionou o interesse sobre a chamada crononutrição, um conceito que parte da premissa de que a hora escolhida para cada refeição impacta o corpo de formas diferentes. E essas estratégias, que buscam adequar a alimentação com base no horário do dia, podem não apenas melhorar a qualidade de vida, como prevenir problemas de saúde e ajudar no tratamento de doenças, explicam os especialistas.

 

— A questão maior é que o nosso corpo não é uma linha reta ao longo das 24 horas do dia, ele altera o comportamento, e dentro dessas variáveis estão aquelas relacionadas à alimentação. Ele recebe o alimento de forma diferente, a capacidade digestória, a quantidade de enzimas que a gente secreta, tudo isso muda. Então se baseia muito na ideia de que nós temos melhores e piores horários para comer — explica a nutricionista Cibelle Crispim, professora e coordenadora do Grupos de Estudos em Cronobiologia Nutricional da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

É uma área nova, afirmam os especialistas, mas que ganha cada vez mais relevância na comunidade científica. Ela é derivada de um campo ainda maior, chamado de cronobiologia, que investiga os ritmos biológicos e os impactos no corpo de modo mais amplo. Já a crononutrição é parecida, mas observa essas variações do ritmo pelo ângulo da refeição e da metabolização dos alimentos.

— É realmente um tema emergente, que passou a ocupar um espaço mais forte a partir de 2014 e recentemente ganhou esse nome. O desenvolvimento do campo começou com estudos de trabalhadores em turnos diferentes, que mostraram que eles tinham variações negativas nos padrões de consumo alimentar e tinham uma propensão maior a desenvolver algumas alterações metabólicas e obesidade por conta disso — afirma o médico endocrinologista e nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

 

Como funciona o ciclo circadiano

A nutricionista Priscilla Primi, colunista do GLOBO e mestre pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) explica que esse ciclo, e as suas variações, é comandado pela secreção de hormônios durante o dia. Por isso, entender quais deles estão mais ativos em quais horários, e como eles impactam na alimentação, é parte crucial da crononutrição.

— Nós temos uma secreção de hormônios diferente na parte da manhã e da noite, o que impacta diretamente no funcionamento do metabolismo, na resposta glicêmica, na absorção dos nutrientes. As pesquisas dizem que temos uma melhor resposta na absorção dos nutrientes durante o dia, até meados da tarde. Isso porque o cortisol, que é o nosso hormônio de vigília, de alerta, e a insulina, que regula a glicose, têm o pico pela manhã. Enquanto isso, a melatonina, hormônio do sono, que reduz essa atividade, tem o pico na madrugada — afirma Priscilla.

 

Em resumo, isso quer dizer que o corpo tem um comportamento natural que prepara o organismo para receber e metabolizar alimentos pela manhã e pela tarde, enquanto não tem a mesma eficiência para absorver as refeições à noite.

— Quando você acaba invertendo esse ciclo, fazendo jejum de manhã, que é quando o corpo metaboliza melhor os carboidratos, ou fazendo refeições maiores à noite, isso é prejudicial. Porque à noite esses hormônios não são bem secretados, e aí na hora que você deveria fazer essa digestão e gastar essas calorias, você está dormindo — complementa a nutricionista.

 

Especialistas destacam o papel importante do sono na regulação desse ciclo, uma vez que é ele um dos responsáveis por estabelecer um padrão. Isso porque é por influência da exposição à luz e da hora de dormir que o corpo determina a liberação dos hormônios.

— É difícil desatrelar a crononutrição do sono. Porque nosso corpo tem um relógio, que nos dá o sinal de que é dia ou noite. São células no cérebro que recebem um sinal que é escuro, por exemplo, e transmite para os órgãos que é hora de dormir. Aí o próprio cérebro começa a secretar os hormônios ligados à noite. Da mesma forma, o claro da manhã é um sinal para estimular essas mesmas células para avisar ao corpo que é dia, e secretar os hormônios da manhã — explica Cibelle.

 

Além disso, a falta de um sono adequado influencia comportamentos que levam a um excesso de alimentos durante a noite – momento em que o corpo não está preparado para absorvê-los. Um estudo da Universidade Northumbria, na Inglaterra, publicado na revista científica Advances in Nutrition, constatou que pessoas que dormem mais tarde têm mais tendência a dietas não saudáveis, consumir mais álcool, açúcar, bebidas cafeinadas e ricas em gordura.

Porém, a proposta da crononutrição não são mudanças radicais que levem a um jejum completo ao anoitecer, por exemplo, e sim um cuidado maior com refeições mais pesadas no período da noite.

— A questão não é deixar de comer, mas comer menos, de forma mais saudável e leve, e olhar para o ritmo do funcionamento do corpo de forma geral, então priorizar os horários pela manhã — orienta Cibelle.

 

Prevenção e controle de doenças

Embora muitos acreditem que os riscos do desalinhamento na hora de comer estão relacionados apenas a um maior ganho de peso, os especialistas esclarecem que os principais objetivos da crononutrição são na verdade oferecer uma melhora na qualidade de vida e, principalmente, ajudar na prevenção de doenças ligadas a uma má metabolização dos alimentos.

Uma análise de diversos estudos da área, conduzida por pesquisadores da King's College de Londres, no Reino Unido, e publicado na revista científica Proceedings of the Nutrition Society, encontrou uma ligação entre comer de forma irregular com o relógio interno e um risco elevado para hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e obesidade.

— Além disso, existe um corpo de evidências que mostra que o hábito de tomar café da manhã é considerado como um marcador de saúde. Então nós vemos que aqueles que sistematicamente tomam café da manhã são mais protegidos da obesidade. Isso, muito provavelmente, é porque o alimento pela manhã sacia mais, preenche melhor a necessidade calórica, torna as atividades físicas durante o dia mais fáceis de serem realizadas — explica Cibelle.

 

Dessa forma, os pesquisadores explicam que a crononutrição pode ser utilizada não apenas para reduzir o risco para essas doenças, como para melhorar a vida daqueles que já convivem com ela. Um estudo publicado na revista científica Nutrition & Diabetes, de pesquisadores de Cingapura, constatou que uma alimentação alinhada com base na crononutrição pode ajudar a manter os níveis de glicose dentro do adequado para pessoas com diabetes tipo 2.

Isso porque, entre outros fatores, consumir alimentos com baixo índice glicêmico pela manhã melhora a resposta à glicose com um efeito maior do que quando consumidos à noite, afirmam os cientistas.

— Quem tem doenças metabólicas, síndrome de ovário policístico, resistência à insulina, doenças cardiovasculares, são todas doenças que podem ser muito beneficiadas quando você usa a crononutrição como uma estratégia de intervenção para uma melhora na qualidade de vida — afirma Priscilla.

 

Cronotipos

Além das variações dos ciclos circadianos impostas por hábitos do dia a dia, como precisar trabalhar até mais tarde ou acordar mais cedo que o normal para estudar, há predisposições naturais relacionadas a classificações chamadas de cronotipos.

— Existem pessoas que acordam 6h da manhã felizes, outras acordam com mais dificuldade. Da mesma maneira, tem pessoas que viram a noite com facilidade, outras sentem sono mais cedo. Esses cronotipos variam de pessoa para pessoa, mas não tiram a natureza do ser humano de ser um animal diurno — explica Cibelle.

Os cronotipos são divididos em três. O matutino é atribuído àquelas pessoas que preferem começar e terminar o dia mais cedo. De acordo com a professora da UFU, essas pessoas têm uma tendência a se alimentarem melhor, a não deixarem de lado o café da manhã e, por estarem mais alinhadas ao ciclo circadiano, estão mais protegidas contra as doenças metabólicas.

 

Já o cronotipo vespertino é o contrário. São aqueles que, se puderem, escolhem dormir e acordar mais tarde. Cibelle explica que esse cronotipo oferece mais riscos, uma vez que leva a comportamentos mais nocivos como comer mais à noite e ter um sono reduzido.

— A boa notícia é que, na população, temos por volta de 10% a 15% em cada um desses extremos, mas uma parcela maior de pessoas são do cronotipo que chamamos de intermediário ou indiferente. É aquela pessoa que transita bem nos dois lados. Ela não vai até muito tarde, mas também não acorda tão cedo, costuma seguir aquele padrão de acordar 7h e dormir 22h30. É um cronotipo mais perto do matutino, que tende a padrões de comportamento melhores — complementa a especialista.

Para ela, é importante entender o cronotipo da pessoa pois isso influencia nas estratégias que podem ser adotadas para uma melhora na qualidade de vida com base na crononutrição. Isso porque não é efetivo, por exemplo, falar sobre um café da manhã reforçado com alguém do cronotipo vespertino. A orientação, segundo a nutricionista, precisa ser direcionada a evitar os excessos, especialmente da alimentação noturna.

 

 

 

 

 

 

Por - O Globo

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