Fevereiro de 2023 foi marcado por muita chuva em todo o Paraná, com média estadual de precipitação de 256,4 mm, sendo que a média histórica é 167,7 mm no mês, informa o Boletim Agrometeorológico do Instituto de Desenvolvimento Rural-Iapar-Emater (IDR-PR), divulgado nesta segunda-feira (06).
Dados do Setor de Agrometeorologia do Instituto mostram que a precipitação registrada em Guaíra chegou a 460,6 mm. Somente em locais pontuais no Estado, como em Curitiba e Paranaguá, ela ficou abaixo da média histórica. As temperaturas, consequentemente, foram mais amenas.
As culturas agrícolas tiveram um bom desenvolvimento, exceto nas regiões Oeste e Sudoeste, onde se registrou muito calor e precipitações escassas e irregulares. Na soja, de uma forma geral, a persistência e ininterrupção de chuvas longo do mês impediram que fossem realizados tratos culturais como controle fitossanitário e colheita em muitas áreas do Estado. A colheita do milho primeira safra foi bastante lenta devido às chuvas contínuas. Já o milho da segunda safra teve condições de germinação excelente. As chuvas contínuas prejudicaram as colheitas de algumas frutas, como a uva e laranja.
VOLUMES - As regiões Oeste, Norte e Noroeste do Paraná destacaram-se com quantitativos de chuva muito acima da média histórica. Isso ocorreu devido às intensas e constantes atuações da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e Sistemas de Baixa Pressão que se formam no Paraguai e Argentina ao longo do mês. Tais sistemas ingressam e avançam pelo Paraná pelas regiões Oeste, Noroeste e Norte.
Além do alto quantitativo pluviométrico no Estado, observou-se chuvas constantes ao longo do mês. Em Paranaguá, por exemplo, foram apenas dois dias sem chuva. O máximo de dias sem chuva ocorreu em Foz do Iguaçu (16 dias). Em média, o Paraná ficou apenas nove dias sem registrar precipitação, o que corresponde a 19 dias com chuva.
TEMPERATURA - Em decorrência das chuvas constantes e abundantes, as temperaturas de fevereiro foram bastante amenas, especialmente as máximas, com valores abaixo das médias em todo o Estado. Em Paranavaí, por exemplo, a média histórica da temperatura máxima do segundo mês do ano é 31,9°C e em fevereiro de 2023 registrou 29°C, ficando 2,9°C abaixo do esperado para o mês. Na média, a temperatura máxima do mês de fevereiro no Paraná foi 28,2°C, enquanto que a média histórica é 30°C.
Quanto às temperaturas mínimas, na grande maioria dos munícipios registrou-se valores abaixo da normal climatológica. Em Foz do Iguaçu a média da mínima registrada em fevereiro foi 19,1°C, permanecendo 2,4°C abaixo do esperado, que é 21,5°C. Na média, a temperatura mínima do mês de fevereiro no Paraná foi 18,1°C, enquanto que a média histórica é 19,1°C, permanecendo 1°C abaixo da normal climatológica.
Confira os efeitos do clima de fevereiro sobre as principais culturas:
SOJA – As chuvas no início do mês favoreceram a cultura, no entanto a persistência e ininterrupção das precipitações ao longo do mês impediu que fossem realizados tratos culturais como controle fitossanitário e colheita em muitas áreas do Estado. Assim, algumas lavouras poderão ter redução no potencial produtivo e qualidade dos grãos. Porém, no final do mês a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SEAB) classificou as lavouras do Paraná com 85% apresentando boas condições de desenvolvimento, 12% média e 3% ruim. Até o final do mês tinha sido colhida 17% da safra do Estado.
MILHO 1ª SAFRA – A colheita do milho primeira safra foi bastante lenta devido às chuvas contínuas. De acordo com a SEAB, estima-se que 83% apresentaram boas condições de desenvolvimento, 16% média e 1% ruim. Até o final do mês havia sido colhida 26% da safra do Paraná.
MILHO 2ª SAFRA – Deu-se continuidade na semeadura do milho segunda safra e, de maneira geral, as condições de germinação e desenvolvimento inicial da cultura foram excelentes. No entanto, o avanço da semeadura foi muito lento devido às chuvas contínuas. Grande parte dos produtores não conseguiu realizar o plantio, mesmo porque as chuvas impediram a colheita da soja. No final do mês 26% da safra do Paraná tinha sido semeada.
FEIJÃO 1ª SAFRA – Até o final do mês 95% da safra do Paraná haviam sido colhidos. De acordo com a SEAB, 69% das áreas cultivadas com feijão 1ª safra estavam em boa condição e 31% em condição média. Assim, a grande maioria dos grãos apresentaram boa qualidade e produtividade, com destaque para as lavouras mais tardias, implantadas a partir da segunda quinzena de outubro, devido à ocorrência de um clima mais propício à cultura do feijão.
FEIJÃO 2ª SAFRA – Houve prosseguimento na semeadura do feijão 2ª safra e até o final de fevereiro, 70% da cultura foi semeada no Paraná, segundo a SEAB. A germinação e o desenvolvimento vegetativo foram excelentes devido às precipitações abundantes.
FRUTICULTURA – As chuvas contínuas prejudicaram as colheitas de algumas frutas, como a uva e laranja.
CAFÉ – Os cafeeiros em geral apresentaram bom desenvolvimento e foram beneficiados pelas condições climáticas. Durante o mês de fevereiro a grande maioria estava na fase de frutificação.
OLERÍCOLAS – As hortaliças folhosas cultivadas em céu aberto sofreram com o excesso de chuva registrado em fevereiro.
PASTAGENS – As chuvas abundantes favoreceram as pastagens, as quais apresentaram um excelente desenvolvimento vegetativo.
MANANCIAIS HÍDRICOS– Os rios, represas e córregos registraram níveis acima da normalidade.
Por - AEN
A colheita da soja pode trazer um sério problema para produtores de hortaliças. Sem alimento, os insetos migram da soja para áreas vizinhas, causando prejuízo, sobretudo nos plantios de folhosas e morango.
Os especialistas do IDR-PR afirmam que a implantação de barreiras vegetais nas áreas com hortaliças pode evitar os danos. Também é possível combater o inseto com produtos químicos ou biológicos. Mas é importante que o agricultor monitore o cultivo para saber o momento certo de fazer o controle e qual o melhor produto a ser usado.
De acordo com Raphael Branco de Araújo, engenheiro agrônomo do IDR-Paraná, a vaquinha verde-amarela, ou Diabrotica speciosa, é recorrente nas lavouras de soja e feijão. “É uma praga secundária que se alimenta das folhas, restos vegetais, além de as larvas atacarem as raízes das culturas. A vaquinha causa um dano pequeno na soja porque a planta já produziu e está no fim de ciclo. No feijão o prejuízo é um pouco maior. Porém, para as hortaliças é terrível”, explica.
Segundo o agrônomo, a vaquinha ataca as folhas, comprometendo o valor de comercialização das olerícolas. Já no morango, se alimenta das folhas, diminuindo a capacidade de fotossíntese da planta, reduzindo o tamanho e o sabor dos frutos.
Araújo orienta que os produtores de hortaliças que têm áreas vizinhas a cultivos de soja, devem ficar alertas com o início da colheita do grão. Ele acredita que este ano o ataque da vaquinha pode ser menor em decorrência de fatores climáticos. No entanto, em outros anos foi necessário intensificar a aplicação de inseticida para combater a praga.
Em todos os municípios do Estado, os extensionistas do IDR-Paraná podem dar a orientação necessária para que o agricultor faça o controle das pragas das hortaliças de forma racional, evitando gastos desnecessários e prejuízos para o meio ambiente.
BARREIRAS VEGETAIS – Além do uso de produtos químicos, de forma bem orientada e controlada, Araújo indica outras formas de enfrentar a vaquinha. Segundo ele, o agricultor pode usar alguns artifícios técnicos, como construir uma barreira vegetal com plantas que impeça a entrada da vaquinha ou tenha a função de repelir o inseto. “Existem várias espécies que podem ser usadas para esse fim, como o vetiver, o girassol mexicano, o capim-elefante, o cedrinho, o capim kurumi ou o capim citronela”, informa o agrônomo.
Araújo lembra que essa barreira raramente é implantada nos plantios convencionais, mas é comum nos cultivos orgânicos. A densidade de plantas para formar a barreira vai depender da espécie escolhida. “O ideal é que esse cordão vegetado impeça a visão da lavoura de hortaliças e se estenda por toda a divisa com a área vizinha onde está a soja”, observa.
Nas propriedades onde não foi possível instalar a barreira, o extensionista recomenda, primeiramente, que o agricultor faça o monitoramento do plantio. Ele explica que é preciso verificar regularmente a presença da praga nos canteiros que fazem fronteira com a área de soja. Para isso, é necessário usar armadilhas com cola entomológica, que capturam os insetos. Essa vistoria deve ser feita duas vezes por semana para identificar o momento correto de combater a praga.
CONTROLE QUÍMICO – O controle da vaquinha pode ser feito com produtos químicos disponíveis no mercado. Araújo ressalta que é preciso usar o inseticida permitido pela legislação, cuja bula indica a aplicação para o combate da vaquinha. Além disso, ele acrescenta que hoje existem diversos produtos de menor impacto no meio ambiente.
“O mercado oferece óleos e extratos vegetais que podem ser usados no combate da vaquinha, como o Sophora Flavescens e o Óleo de Neen. Existem também alguns fungos que atacam os insetos, como o Beauveria bassiana e o Metarhizium anisopliae. Esses fungos agem sobre a praga de duas formas: por ingestão ou contato. Ao atingir o inseto, o fungo germina e paralisa seus órgãos internos”, completa.
Araújo alerta que o produtor precisa identificar exatamente qual a praga que está atacando a lavoura, antes de fazer qualquer aplicação. Ele afirma que muita gente confunde a joaninha com a vaquinha. “A joaninha é um inimigo natural da vaquinha e de outras pragas, como ácaros, pulgões e larvas diversas. Ela é um inseto benéfico para o agricultor e deve ser preservada. Além de coloração diferente, a joaninha tem antenas bem menores que as da vaquinha”, conclui o agrônomo.
Por - AEn
Depois de muitos naufrágios e idas e vindas de uma vida difícil, Denise Aparecida dos Santos, de 52 anos, encontrou paz em Prudentópolis, no Centro-Sul do Estado, com o apoio do programa Nossa Gente Paraná, do Governo do Estado. Ela se fixou em terra firme para realizar os seus sonhos e ter um lar para chamar de seu.
“Não fosse esse programa, não sei onde eu estaria hoje”, conta a Denise, que vive há cerca de um ano com o filho caçula, de 11 anos, na casa própria. “Quando ficamos indo e voltando, não sabemos o que pode acontecer no meio do caminho. A gente fica sem rumo e sem proteção. Isso aqui é uma proteção para mim, foi minha oportunidade de construir raízes”.
A metáfora do naufrágio não vem à toa na história de Denise. Em uma das dinâmicas no CRAS de Prudentópolis, ela se enxergou na personagem da história "Naufrágio", apresentada pelas assistentes sociais e cujo o enredo fala de uma menina que sobrevive a vários afundamentos, sempre se reinventando após os insucessos.
Foi o que fez com que ela refletisse sobre seus próprios naufrágios: nascida em Prudentópolis, foi entregue ainda bebê a uma família da cidade vizinha de Imbituva, onde foi criada. Com os percalços da vida, esse círculo se manteve, e Denise, que teve seis filhos, também precisou deixar as crianças com os parentes por algum período.
Segundo ela, a convivência com os pais adotivos não foi boa, e teve que passar a infância cuidando dos outros filhos do casal. Já adulta, viveu por sete anos em Foz do Iguaçu e mais 11 anos em Curitiba, onde, afirma, “as coisas não foram nada fáceis”. Na Capital, trabalhou em duas ONGs, que atendiam moradores de rua, prostitutas e usuários de drogas.
Há seis anos retornou a Prudentópolis, onde a filha mais velha morava, e se reaproximou da família biológica. “Eu não queria vir de jeito nenhum, só voltei porque não tive outro jeito. Assim que cheguei e comecei a construir minha casa, logo fui colocada no projeto de habitação. Se tivesse chegado um mês depois, que era meu plano, eu teria perdido essa oportunidade”.
Denise foi incluída no programa Nossa Gente, passou a ser uma das beneficiadas na ação de Requalificação Urbana e ganhou um lar, onde vive hoje com o filho Ícaro. “Na época eu não queria ter me mudado para cá, vim contra a minha vontade, mas foi o que mudou a minha vida. Eu precisei vir para ganhar a minha casa que eu sonhei ter a vida inteira”, afirma.
Graças aos atendimentos do Nossa Gente, ela também cumpriu outros objetivos de vida. No mesmo dia em que se identificou com a história da menina náufraga, Denise colocou no papel outros dois sonhos: escrever um livro e fundar uma ONG. Um deles acabou de ser cumprido. O e-book sobre o que aprendeu na vida, com relatos de histórias de mulheres que ela conheceu, foi lançado no mês passado, mas a ideia é também publicá-lo no formato físico.
A transformação na vida de Denise é uma entre outras 60 mil famílias do Paraná atendidas pelo programa que envolve o Estado e os municípios, em uma atuação intersetorial, para resolver questões relacionados à moradia, saúde, educação, segurança alimentar, empregabilidade e geração de renda. Ele acontece no campo e na cidade.
“O programa foi um divisor de águas na vida dela porque permitiu superar uma dificuldade. É muito bonito ver ela e outras mulheres realizando os seus sonhos e tendo suas vidas transformadas”, afirma Aline Fernandes, assistente social do CRAS de Prudentópolis que ajudou o processo de Denise em nível local.
REFERÊNCIA NACIONAL – Com uma metodologia própria para atender pessoas em situação de vulnerabilidade social, programa é gerido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social e Família, com a participação de outras pastas e órgãos estaduais e municipais, e se tornou referência nacional no atendimento integral de famílias mais vulneráveis. Atualmente, 30 mil são acompanhadas. O Nossa Gente é mais um exemplo da série "Paraná, o Brasil que dá certo".
O programa ficou entre os três primeiros lugares do Brasil no Prêmio Estratégia ODS Brasil 2022, da Rede Estratégia ODS; foi vencedor por duas vezes do Prêmio Sesi ODS, em 2019 e em 2021, e finalista, em 2016, do Prêmio Rosani Cunha de Desenvolvimento Social, do então Ministério do Desenvolvimento Social. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que financiou o programa, destacou em diferentes publicações a metodologia inovadora que identifica, acompanha e guia as famílias rumo à reintegração social.
“O trabalho executado pelos técnicos do Nossa Gente é louvável, por levar emancipação às famílias mais vulneráveis do Paraná. Histórias como a da Denise nos dão ânimo para que possamos melhorar esse atendimento cada vez mais”, afirma o secretário estadual do Desenvolvimento Social e Família, Rogério Carboni. “O trabalho multissetorial é um diferencial, pois garante um desenvolvimento global das famílias acompanhadas”.
A estrutura do Nossa Gente também permitiu que o Paraná atendesse com mais agilidade as famílias afetadas pela pandemia de Covid-19, como apontou o especialista sênior da Divisão de Saúde e Proteção Social do BID, Francisco Ochoa. O banco de dados do programa foi utilizado como base, por exemplo, para a execução emergencial do Cartão Comida Boa, que também se tornou política de Estado para auxiliar as famílias vulneráveis.
Além disso, desde o seu lançamento, em 2012, diversos estados e municípios procuraram o Paraná em busca de referências para o desenvolvimento de iniciativas e programas próprios de acompanhamento familiar. O trabalho que vem sendo desenvolvido pelo governo federal no aprimoramento metodológico do serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), também inclui o programa como referência.
ACOMPANHAMENTO INTEGRAL – As ações intersetoriais do programa buscam o atendimento integral dos beneficiários, para que eles superem a situação de vulnerabilidade. Para isso, são feitos encaminhamentos individualizados das famílias para atendimento de saúde e educação, por exemplo, além de transformações mais profundas, com a melhoria das condições de moradia e acesso ao mercado de trabalho.
“Vulnerabilidade social não é apenas a limitação de renda, mas também limitação no acesso a direitos básicos nas áreas de saúde, educação, habitação, trabalho e qualificação profissional”, explica Everton de Oliveira, assessor técnico do Nossa Gente. “Com esse programa, há uma interação entre as diversas áreas de governo, com participação dos municípios, para oferecer um pacote de ações para que essas famílias superem suas vulnerabilidades”.
O primeiro passo é identificar aquelas que estão em maior vulnerabilidade. Para isso, o programa conta com um indicador que avalia as informações contidas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). O Índice de Vulnerabilidade das Famílias (IVF) foi elaborado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) especificamente para o programa. O indicador é aplicado em um sistema próprio da Secretaria do Desenvolvimento Social e Família, que além de identificar as famílias mais necessitadas, permite acompanhar o avanço na superação.
A partir daí entram em cena as equipes dos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) dos municípios, que fazem uma busca ativa para convencê-las a participar do programa. Atualmente, 385 das 399 cidades paranaenses aderiram ao Nossa Gente. Eles contam com um comitê local, formado por funcionários do CRAS, CREAS, unidades de saúde, escolas, Agências do Trabalhador e outros serviços públicos.
“As equipes fazem então um diagnóstico das famílias, para conhecer suas vulnerabilidades e demandas, mas também suas potencialidades, sonhos, os vínculos com o território e a comunidade”, explica Oliveira. “Em cima desse diagnóstico é elaborado um plano de ação para o acompanhamento ao longo de dois anos, que é feito tanto de forma individual como coletiva. A ideia é que, após esse período, as condições mínimas de vulnerabilidade sejam superadas”.
Segundo ele, alguns problemas podem persistir após esse período, mas as condições mínimas são sempre atendidas, para que sejam superados problemas como crianças fora da escola, sem vacinação, pessoas sem documento civil, sem acesso à água ou a presença de trabalho infantil.
“O diferencial de todas essas ações é que não é simplesmente repassar o recurso para as famílias, mas colocá-las em uma lógica de acompanhamento. Ela está sendo olhada e analisada em todas as suas dimensões, por isso a importância do comitê local com a intersetorialidade, porque os profissionais estão sempre próximos de quem é atendido”, destaca Oliveira.
EXEMPLO DE GRAZI – Na cidade de Flórida, no Noroeste, vive outra família que teve a vida transformada pelo Nossa Gente. Grazielly Fernandes Rodrigues, de 34 anos, é mãe solo de duas filhas. Em 2021, ela também recebeu uma casa pelo programa. Até então vivia de aluguel e a renda que tinha atendia apenas as necessidades básicas. “Não tinha muita perspectiva com o que eu ganhava. Tinha uma rotina muito cansativa, não tinha como conseguir uma moradia, não tinha sonhos e projetos”, conta.
Ao participar do programa e com a conquista da casa própria, tudo isso mudou. “Fui muito bem acolhida pela equipe do CRAS e pude ter outra visão. O acolhimento foi tão grande, com palestras, conversas com psicólogo, que aquele sonho foi nascendo de novo, melhorei minha autoestima e pensei em outras possibilidades de vida”, afirma.
Agora Grazielly tem um emprego formal, melhorou a renda e começou a estudar Serviço Social com o objetivo de ajudar outras famílias a transformarem sua história. “Tivemos uma palestra sobre planejamento financeiro que me ajudou a começar me organizar. Assim consegui juntar dinheiro, melhorei minha casa e com o que gastava com aluguel, passei a pagar parte da faculdade, já que recebi uma bolsa de 50%. Foi uma virada total na minha vida”, complementa.
Rosinara Ciavolela, assistente social do CRAS de Flórida, comemorou essa conquista. “A gente já tinha vínculo com essas famílias, mas com o programa criamos uma ligação mais forte. Eram famílias em situação de vulnerabilidade muito grande, mas que puderam ter novos sonhos”, afirma.
FAMÍLIAS DO CAMPO – Além do acompanhamento pelas equipes do CRAS e dos comitês intersetoriais, algumas famílias são inseridas nos projetos vinculados ao programa, desenvolvidos por secretarias e órgãos parceiros.
Junto à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento e ao Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar/Emater (IDR-Paraná), por exemplo, são desenvolvidos dois projetos, o Renda Agricultor Familiar e o Inclusão Produtiva Solidária, de atendimento a famílias do campo.
Desde o início do programa Nossa Gente, o Renda Agricultor Familiar beneficiou 8.078 famílias, das quais 71 quilombolas, 311 indígenas e 6.948 chefiadas por mulheres, alcançando 27.533 pessoas. A proposta busca melhorar a situação de segurança alimentar, além de desenvolver atividades de geração de renda e promover o acesso a políticas públicas de proteção social.
Os agricultores familiares são acompanhados por um extensionista do IDR-Paraná, que constrói junto com a família um projeto de estruturação da propriedade, que pode abranger as áreas de saneamento básico, produção para o autoconsumo e apoio a processos produtivos.
Eles recebem um auxílio financeiro de R$ 3 mil para executar essas ações, que incluem a construção ou melhoria das instalações sanitárias, a proteção de fontes de água, a plantação de uma roça ou criação de animais e a geração de renda por meio de atividades agrícolas ou não-agrícolas.
Iniciado em 2021, o Inclusão Produtiva Solidária atendeu até agora 560 famílias rurais, 14 quilombolas, 78 indígenas e 508 delas chefiadas por mulheres, beneficiando quase 2 mil pessoas. A ação atende grupos de famílias, que são orientadas a elaborar um projeto de produção coletiva, com assistência técnica dos extensionistas do IDR-Paraná.
Podem ser desenvolvidas atividades agrícolas – hortas, pomares e pequenas unidades de transformação, como panificados, massas e conservas; e não-agrícolas, como salão de beleza, artesanato, costura e outros interesses do grupo. Cada família recebe um auxílio de R$ 4 mil para realizar essas atividades.
HABITAÇÃO – Para garantir uma moradia digna aos beneficiados, a Cohapar desenvolve, no âmbito do Nossa Gente, os projetos de requalificação urbana e de redução do deficit habitacional. Os projetos são construídos nas regiões incluídas como prioritárias no Plano Estadual de Habitação de Interesse Social (PEHIS).
O projeto de requalificação atende comunidades que vivem em áreas de risco ou ocupações irregulares. As famílias são retiradas dessas regiões por um período e recebem um aluguel social. Enquanto isso, a Cohapar requalifica todo o local, com a construção de novas casas, pavimentação, implantação de esgoto e iluminação pública.
Para a redução do déficit habitacional dos municípios, as famílias atendidas recebem uma casa sem custos, já que a construção dessas unidades é financiada pelo BID. As duas modalidades do programa recebem investimentos de cerca de R$ 120 milhões e abrangem 41 municípios. Até o momento, 1.017 moradias já foram entregues e outras 345 estão em construção.
CAIXA D’ÁGUA BOA – Em parceria com Sanepar, o programa também promove o projeto Caixa d’Água Boa, em que as famílias recebem uma caixa d’água e um kit instalação, além de R$ 1 mil de auxílio, para que elas façam a instalação na sua casa, o que permite a qualidade e garantia no abastecimento de água, principalmente em períodos de interrupção de fornecimento.
Entre 2017 e 2022, 5.500 famílias que não tinham o equipamento em sua residência foram atendidas, beneficiando aproximadamente 17,7 mil pessoas. Neste ano o projeto entra em uma nova fase, com a previsão de atender 2 mil moradias.
SÉRIE – “Paraná, o Brasil que dá certo” é uma série de reportagens da Agência Estadual de Notícias. São apresentadas iniciativas da administração pública estadual que são referência para o Brasil em suas áreas.
Por - AEN
O mês de fevereiro foi cheio para o CastraPet Paraná – Programa de Esterilização de Cães e Gatos. O programa atendeu 29 municípios percorrendo diversas regiões do Estado, começando em Sulina e encerrando em Curitiba. Nesse mês, 4.766 animais foram atendidos.
Os outros municípios contemplados foram Coronel Vivida; Foz do Jordão; Cantagalo; Paranavaí; São Carlos do Ivaí; São Tomé; Cidade Gaúcha; Guairaçá; Terra Rica; Porecatu; Nova Londrina; Cambé; Umuarama; Sertanópolis; Pérola; Formosa do Oeste; Ubiratã; Corbélia; Ibema; Goioxim; Guaraniaçu; Laranjal; Santa Maria do Oeste; Manoel Ribas; Cândido de Abreu; Reserva; e Tibagi.
O CastraPet é um programa do Governo do Paraná, executado pelo Instituto Água e Terra (IAT), vinculado à Secretaria estadual do Desenvolvimento Sustentável (Sedest). Os recursos são de emendas parlamentares e do Tesouro do Estado e o suporte logístico é dos municípios que realizam o cadastramento dos tutores e disponibilizam o espaço para a estrutura.
Desde o início do programa até o final de fevereiro já foram atendidos 65.999 animais em 210 municípios.
O secretário do Desenvolvimento Sustentável, Valdemar Bernardo Jorge, reforça as ações educativas do programa. “Os tutores dos cães e gatos recebem orientações sobre a importância da vacinação, da vermifugação e das visitas periódicas ao veterinário. Os municípios também têm a contrapartida de realizar ações educativas sobre o bom cuidado com os animais, o que ajuda muito a combater o abandono e os maus tratos”, afirmou.
A castração de cães e gatos evita as crias indesejadas, além de doenças como câncer de útero e mamas nas fêmeas, e reduz bastante a incidência do câncer de próstata nos machos, além de zoonoses – doenças infecciosas que podem ser transmitidas para o homem.
O programa está inserido no contexto da saúde única, uma abordagem tripla que preza a associação da saúde humana com a animal e o meio ambiente. Essa abordagem reconhece que a saúde de humanos, animais domésticos e selvagens, plantas e o meio ambiente (incluindo ecossistemas) estão intimamente ligados e são interdependentes.
Protetora voluntária de animais há 10 anos em São Carlos do Ivaí, no Noroeste, Josiane Bonetti ressaltou o valor que o programa tem para os municípios. “Esse programa é imprescindível para os municípios pequenos porque muitas pessoas têm mais de um animal e o custo de castração é muito alto”, disse. Foram castrados 99 animais nesta etapa na cidade.
O CastraPet Paraná encerrou as ações em Curitiba com cerca de 800 animais atendidos. Sônia Gomes Cunha, moradora do bairro Sítio Cercado e cuidadora voluntária de animais, disse que o programa ajuda muito a população dos bairros. “A população acolhe muitos animais de ruas porque as ONGs e a prefeitura não conseguem acolher todos, e o trabalho do CastraPet é muito importante para proporcionar essa castração gratuita”, afirmou.
A agenda de março já está aberta e encerra a terceira etapa do programa. A ação foi iniciada em Ipiranga, nos Campos Gerais, nos dias 2 e 3. Para ser atendido, é necessário se cadastrar na prefeitura de cada município.
Até o dia 15, o programa passará por mais seis municípios: Irati (04 e 06), Prudentópolis (07 e 08), Carambeí (09), Ponta Grossa (10 e 11), Balsa Nova (13 e 14) e Campo do Tenente (15).
Por - AEN
As agências do Trabalhador do Paraná e postos avançados de atendimento iniciam a semana com 11.773 vagas de emprego ofertadas com carteira assinada.
A maior parte é para auxiliar de linha de produção, com 2.350 oportunidades em todo o Estado. Na sequência, alimentador de linha de produção, com 554; magarefe, com 436; e safrista, com 338.
O maior volume está na Região Metropolitana de Curitiba (2.009), com vagas para operador de telemarketing receptivo (329), operador de telemarketing ativo e receptivo (283), auxiliar de linha de produção (212) e auxiliar de cozinha (70). Para preenchimento imediato de postos de trabalho na Capital são oferecidas oportunidades para as funções de vendedor interno (50), fiscal de loja (20), manobrista (10), farmacêutico em farmácia veterinária (02) e nutricionista (01).
Em segundo lugar está a regional de Toledo, com 1.996 vagas. Auxiliar de linha de produção é a função com mais postos de trabalho abertos (482), seguida de operador de processo de produção (155); abatedor de porco (150); e abatedor de aves (123)
São destaques na oferta de postos de trabalho as regionais de Cascavel , com 1.070 oportunidades de trabalho, Maringá (938), Londrina (775) e Pato Branco (723). Em Cascavel, as funções que lideram são auxiliar de linha de produção, com 350 empregos disponíveis; magarefe, com 200; técnico em fibras óticas, com 50; e desossador, com 40.
Em Maringá, são oferecidas vagas para alimentador de linha de produção (247), auxiliar de linha de produção (216), magarefe (96) e cabista (50)
Também estão disponíveis 243 vagas para alimentador de linha de produção em Londrina; 176 para auxiliar de linha de produção; 77 para safrista; e 20 para tratorista agrícola na região. Em Pato Branco são 199 vagas para auxiliar de linha de produção, 69 para safrista, 54 para operador de processo de produção e 30 para servente de obras.
MULHERES - Mês de março terá mutirões de emprego para mulheres em toda a Rede Sine estadual. No dia 08, ações simultâneas de empregabilidades para mulheres, como mutirões do emprego, acontecem em toda a Rede Sine estadual. No decorrer do mês de março as Agências do Trabalhador e postos de atendimento oferecem atividades em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres.
ATENDIMENTO – Os interessados em ocupar as vagas devem buscar orientações Junto à unidade da Agência do Trabalhador de seu município. O agendamento deve ser feito AQUI.
Confira as principais vagas por regionais.
Por - AEN
O Instituto Água e Terra (IAT), por meio do escritório regional de Umuarama, no Noroeste, finalizou neste domingo (05) uma operação de combate à pesca ilegal. Foram três dias de ações, concentradas em aproximadamente 260 quilômetros do Rio Paraná, na região do Parque Nacional de Ilha Grande.
Os fiscais do IAT recolheram durante a operação cerca de 500 metros de redes de malhas diversas; 30 anzóis de galho e 200 metros de espinhéis, entre outros itens proibidos. Foram efetuadas ainda três notificações que culminaram com a lavratura de autos de infração. As multas, somadas, chegaram R$ 3,6 mil.
“Ficamos surpresos com a quantidade de material aprendido, quase 500 metros só de redes. Essas práticas ilegais impactam negativamente nas relações socioambientais, colocando em risco as espécies que vivem nos nossos rios”, afirmou o chefe da regional do IAT em Umuarama, Luís Carlos Borges Cardoso.
“É importante ressaltar que seguiremos atentos, realizando com frequência fiscalizações deste tipo”, completou.
PIRACEMA – O Governo do Estado publicou na quinta-feira (02) o balanço das ações de fiscalização da Piracema. O IAT e o Batalhão de Polícia Ambiental-Força Verde (BPAmb-FV) realizaram cinco forças-tarefas no período de 120 dias de proibição, entre 1º de novembro do ano passado e a terça-feira (28/02).
Foram lavrados 126 autos de infração, com multas que totalizaram R$ 446,5 mil. Vinte e três pessoas acabaram encaminhadas em flagrante pela polícia e outros 16 casos foram repassados para o Ministério Público.
A restrição é determinada pelo IAT há mais de 15 anos, em cumprimento à Instrução Normativa nº 25/2009 do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
O IAT é um órgão vinculado à Secretaria do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), responsável, também, pela fiscalização do cumprimento das regras na pesca.
Por - AEN



























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