Quando a queda de cabelo deixa de ser normal? Veja os sinais de alerta

Encontrar alguns fios no travesseiro ao acordar, na escova depois de pentear o cabelo ou no ralo do banho faz parte da rotina.
O cabelo está constantemente passando por diferentes fases de crescimento, repouso e queda, e perder fios diariamente é esperado. O que merece atenção é quando esse padrão muda: o volume diminui de maneira perceptível, o couro cabeludo começa a ficar mais aparente ou surgem áreas de falha.
Não é preciso, no entanto, transformar a rotina em uma contagem diária de fios. Segundo a dermatologista e tricologista Tamara Vanzela, a referência de 50 a 100 fios por dia é apenas uma estimativa. Mais importante é observar o que é habitual para cada pessoa.
"Existem pacientes que perdem muito menos do que 50 fios diariamente. Por isso, orientamos observar o padrão individual. Se você estava acostumado a perder determinada quantidade e, de repente, percebe um aumento, essa mudança já deve ser considerada um sinal de alerta", explica.
Algumas alterações podem ser percebidas de maneira bastante simples. O cabelo preso pode parecer menos volumoso, o elástico pode precisar de mais voltas para segurá-lo e as pontas podem ficar mais finas. Também é possível notar maior exposição do couro cabeludo, principalmente quando os fios estão molhados ou sob determinada iluminação.
"Quando a pessoa percebe que o elástico começa a dar mais voltas para prender o cabelo, que as pontas estão mais ralas ou que o couro cabeludo fica mais aparente quando os fios estão molhados ou sob a luz, temos sinais que precisam ser investigados", diz Tamara.
A situação merece ainda mais atenção quando a mudança vem acompanhada de coceira, descamação, dor ou vermelhidão. Uma redução progressiva da densidade também deve ser avaliada, principalmente quando não há uma explicação evidente para o que está acontecendo.
O que pode provocar a queda?
Há diferentes causas para a perda dos fios, e elas nem sempre são fáceis de identificar sem uma avaliação médica. Uma das mais comuns é o eflúvio telógeno, alteração temporária do ciclo capilar que pode aparecer depois de infecções, cirurgias, emagrecimento, mudanças hormonais, deficiências nutricionais ou períodos de estresse.
É justamente por isso que uma queda percebida hoje pode ter relação com algo que aconteceu meses antes. "Quando o paciente apresenta queda, é importante olhar para o que aconteceu cerca de três meses antes. Um período de estresse pode alterar o ciclo capilar e fazer com que essa queda apareça posteriormente", ressalta a dermatologista.
Também estão entre as possibilidades a alopecia androgenética, conhecida popularmente como calvície, que tem influência genética, e a alopecia areata, uma doença autoimune que pode provocar áreas bem delimitadas sem cabelo.
Falhas localizadas merecem atenção especial. Áreas arredondadas podem estar relacionadas à alopecia areata, mas outras doenças autoimunes e inflamatórias, além de algumas infecções, também podem provocar perda dos fios em regiões específicas. "Quando existe uma falha em uma região específica, é muito importante fazer uma avaliação, porque pode haver uma condição que necessite de tratamento especializado", alerta Tamara.
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E a queda no fim do verão?
Existe a percepção de que os fios caem mais no fim do verão e no início do outono. Embora alguns estudos apontem uma possível variação sazonal no ciclo capilar, esse efeito não é tão definido nos seres humanos. Alimentação, estresse, doenças, infecções e alterações hormonais, entre outros fatores, podem ter uma influência muito maior sobre o que acontece com os fios.
Por isso, uma mudança percebida nessa época do ano não deve ser automaticamente atribuída à estação. O contexto dos meses anteriores também importa.
Quando procurar ajuda?
Diante de uma queda acima do habitual, a tentação de tentar resolver o problema em casa pode ser grande. Shampoos antiqueda, suplementos e polivitamínicos aparecem com frequência como primeiras alternativas, mas não necessariamente atuam sobre a origem do problema.
Além disso, tratar apenas o sintoma pode atrasar a identificação de uma doença. "Quando a pessoa trata por conta própria, pode postergar o diagnóstico e a resolução da queda. Em casos de algumas doenças cicatriciais, por exemplo, podemos perder folículos que não voltarão a produzir cabelo", alerta Tamara.
A investigação, portanto, é importante não apenas para conter a perda, mas para entender por que ela está acontecendo. "O mais importante é identificar a causa, que pode ser genética, inflamatória, nutricional ou uma alteração do próprio ciclo capilar, para então indicar o tratamento correto", conclui.
Por - O Globo















