Jovens e mulheres: os novos protagonistas do cooperativismo na Primato

Comitês criados em 2023 já reúnem 72 participantes e mostram que o futuro do cooperativismo passa pela renovação de lideranças e pela ampliação da voz feminina no campo
O Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado em 4 de julho, é uma data que convida à reflexão sobre os valores que sustentam esse modelo de negócio: democracia, participação e solidariedade. Na Primato Cooperativa, essa reflexão ganha corpo em dois grupos que, desde meados de 2023, vêm transformando a relação entre pessoas e cooperativa a partir de dentro: o Comitê Jovem e o Comitê Mulher Primato.
O que começou com dez integrantes em cada frente hoje já soma 28 jovens e 44 mulheres, reunidos mensalmente em salas de aula, viagens técnicas e imersões ao longo do ano. Mais do que espaços de capacitação, os comitês se consolidaram como territórios de escuta, pertencimento e formação de lideranças — pilares essenciais para a continuidade do cooperativismo nas próximas gerações.
Na voz do presidente da Primato, Anderson Léo Sabadin, os comitês, em especial o das mulheres e dos jovens, fortalecem os princípios da cooperativa, preparam a sucessão e constroem o futuro. “Nosso maior legado é capacitar as próximas gerações com conhecimento e sabedoria para aculturar às nossas comunidades”, pontua.
Um lugar para ser ouvido
Para Adriel Rossetto, coordenador do Comitê Jovem Primato, o principal ganho do grupo está na forma como ele aproxima os jovens da cooperativa em sua totalidade. Segundo ele, o comitê "nos mostra a cooperativa de forma mais abrangente, todos os seus segmentos, oportunidades e vantagens de fazer parte dela", gerando acolhimento e, sobretudo, a sensação de serem ouvidos.
Voltado a jovens cooperados, filhos de cooperados e colaboradores com idades entre 15 e 35 anos, o Comitê Jovem nasceu com um propósito claro: atrair, desenvolver e fortalecer a participação dessa geração na Primato, por meio de ações educativas e de desenvolvimento pessoal e profissional.
Um dos temas mais sensíveis ao agronegócio, a sucessão familiar, ocupa lugar central nas atividades do grupo. Rossetto conta que o comitê promove cursos, palestras e eventos que aproximam gerações: "incluindo a geração atuante no campo há mais tempo, nossos pais, juntamente conosco, jovens que vão ou já estão assumindo as propriedades rurais". A lógica se estende também à governança da cooperativa, já que os encontros colocam os jovens em contato direto com atuais representantes, que compartilham suas experiências acumuladas ao longo dos anos.
Entre as competências que o comitê busca desenvolver, o coordenador cita liderança, protagonismo, comunicação assertiva e visão estratégica, sempre ancoradas em valores como pertencimento, responsabilidade, senso de justiça e solidariedade. "Entendemos que uma cooperativa precisa de pessoas, e elas precisam ser cada vez mais unidas para fortalecer ainda mais a Primato e, consequentemente, cada um dos cooperados e colaboradores", resume.
Aos jovens que ainda não integram o grupo, Rossetto faz um convite: "que participem, se permitam viver essa experiência transformadora, que só vem a agregar e abrir portas para oportunidades de sucesso".
Vez, voz e voto
Se o Comitê Jovem trabalha a sucessão e a renovação, o Comitê Mulher Primato dá corpo a outro princípio fundamental do cooperativismo: a gestão democrática. Formado por cooperadas, esposas ou filhas de cooperados, esposas de diretores e colaboradoras, o grupo tem como coordenadora Eliane Hoffmann, desde fevereiro de 2026.
Para ela, a participação feminina é parte estrutural do modelo cooperativista. "A Primato é uma cooperativa que se preocupa com as mulheres, que sabe que a opinião das mulheres é necessária", afirma, destacando que a coordenação do comitê sempre consulta as integrantes antes de qualquer decisão. Na definição da coordenadora, a lógica é simples: "temos voz, temos vez e temos voto, e é dessa forma que colaboramos como cooperadas, como comitê".
A diversidade de realidades dentro do grupo é, segundo ela, um dos aspectos mais reveladores do trabalho. "Viemos de mundos totalmente diferentes, cada casa, cada família tem uma visão diferente", observa. Muitas mulheres que atuam diretamente nas propriedades rurais, conta Eliane, sequer conheciam o funcionamento da cooperativa antes de ingressar no comitê. É nesse ponto que o grupo cumpre um papel decisivo: oferecer experiências, conhecimento e incentivo por meio de cursos, viagens e eventos. Uma frente de apoio que, na avaliação da coordenadora, já reflete em mudanças concretas dentro das propriedades.
Essa mudança de postura também passa por enfrentar barreiras ainda presentes em muitas famílias rurais. Eliane relata que, em algumas situações, "o homem não permite que a mulher colabore com ideias e tenha uma participação ativa no que diz respeito às decisões nas propriedades rurais". É justamente aí que o comitê atua com mais força, reforçando que a voz das mulheres precisa ser ouvida e mostrando a elas o quanto são capazes.
Acompanhando o grupo desde o primeiro encontro, a atual coordenadora garante que os efeitos das capacitações vão muito além da vida cooperativista. "Há momentos em que trabalhamos o emocional, o cooperativismo, ou até mesmo a saúde da mulher", explica, destacando que essa diversidade de temas, sempre com foco na mulher, contribui para melhorar diferentes esferas da vida das participantes.
Ao encerrar, Eliane resume o espírito que move o Comitê Mulher Primato em forma de convite: "precisamos dizer: vem cá, faça parte, venha junto com a gente que tudo vai dar certo".
Ao aproximar jovens e mulheres do dia a dia da Primato os dois comitês potencializam o espírito celebrado no Dia Internacional do Cooperativismo: um modelo de negócio construído coletivamente, que só se fortalece quando cada cooperado, independentemente da idade ou do gênero, encontra espaço para participar, opinar e liderar.
“Nossa força está nas pessoas e na união. Os cooperados entenderam que são os donos da cooperativa e que devem agir dessa forma. Ao fazer todos os seus negócios com a Primato e Primato Credi, vão muito além do relacionamento”, reforça Sabadin.
Entre cursos, viagens, imersões e conversas francas, jovens e mulheres da Primato têm mostrado que o futuro do cooperativismo já está sendo escrito no presente.
POr - Assessoria



















