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Laser íntimo: saiba por que mulheres têm recorrido ao procedimento

Laser íntimo: saiba por que mulheres têm recorrido ao procedimento

Carol Nakamura chamou atenção nas redes sociais ao mostrar que realizou um procedimento com laser de CO2 voltado para a região íntima.

Em um vídeo, a atriz falou sobre o tratamento e aproveitou para abordar um assunto que ainda costuma ser cercado de constrangimento: queixas relacionadas à saúde íntima feminina. A publicação também reacendeu a discussão sobre quais alterações podem ser tratadas e em quais situações procedimentos são, de fato, indicados.

"Vou sair daqui rejuvenescida. Cheguei com 40 e vou reduzir a quilometragem para 18", disse Carol. Na sequência, ela comentou sobre o tabu que ainda envolve o tema. "Existe um tabu muito grande em relação aos cuidados com essa parte íntima. Algumas pessoas enfrentam problemas que dificultam até a relação sexual, mas não procuram um profissional por vergonha. Precisamos cuidar não apenas do rosto e do corpo, mas também da nossa região íntima", acrescentou.

 
Carol Nakamura faz laser íntimo: entenda para que serve o procedimento — Foto: Reprodução Instagram
Carol Nakamura faz laser íntimo: entenda para que serve o procedimento — Foto: Reprodução Instagram

O laser de CO2 é uma das tecnologias utilizadas em tratamentos que passaram a ser associados à chamada ginecologia regenerativa. O termo reúne diferentes abordagens voltadas a queixas funcionais e, em alguns casos, estéticas da região genital. Segundo a ginecologista Patricia Magier, a escolha do tratamento depende dos sintomas apresentados por cada paciente.

"Esse é um braço da Ginecologia. A ideia é melhorar a função e a estética íntima feminina. Para isso, podemos usar tecnologias, aplicação de ácido hialurônico, e uso de hormônios locais ou cremes para lubrificação", explica.

Existe um padrão para a região íntima?

Quando a questão é estética, um dos primeiros pontos a considerar é que não existe um formato único ou considerado ideal para a vulva. A anatomia varia naturalmente entre as mulheres, tanto em tamanho quanto em formato, cor e simetria.

Por isso, a avaliação médica deve partir de uma queixa concreta, e não da tentativa de adequar a região a um padrão. O ginecologista Igor Padovesi ressalta que alterações anatômicas só devem ser tratadas como um problema quando provocam desconforto ou interferem na vida da paciente.

"É considerado anormal o que causa constrangimento, desconforto, vergonha ou piora da autoestima", afirma.

Quais procedimentos podem ser indicados?

Não existe um único tratamento para as queixas relacionadas à região íntima. A indicação depende da causa, dos sintomas e das condições de saúde de cada mulher. Em alguns casos, mudanças hormonais, por exemplo, podem estar por trás de ressecamento, alterações na elasticidade ou desconforto durante as relações.

Entre as opções estão tratamentos não invasivos que utilizam tecnologias como laser, ultrassom microfocado e radiofrequência. De acordo com Patricia, esses recursos podem ser utilizados com diferentes objetivos, como estimular a produção de colágeno, melhorar a vascularização e tratar determinadas alterações do tecido.

"Podemos usar um laser de CO2, um ultrassom microfocado ou uma radiofrequência. A tecnologia é escolhida de acordo com a queixa daquela paciente, mas sempre na tentativa de regenerar, de recuperar aquele tecido, melhorar a sensibilidade ao orgasmo e tratar toda a pele da região. Em pacientes com queixas de infecção de repetição, conseguimos atuar nesse tecido melhorando a imunidade local", diz.

A médica também cita os injetáveis entre as possibilidades existentes, como bioestimuladores de colágeno e preenchedores à base de ácido hialurônico. Esses recursos têm indicações específicas e não devem ser encarados como procedimentos necessários para a manutenção da saúde íntima.

Quando uma cirurgia pode ser necessária?

Há situações em que a queixa está relacionada à anatomia ou a alterações provocadas pelo parto e pelo envelhecimento. Nesses casos, procedimentos cirúrgicos podem ser considerados após avaliação médica.

A perineoplastia, por exemplo, pode ser indicada para mulheres que apresentam alterações nos músculos e tecidos do períneo, região localizada entre a vagina e o ânus. O quadro pode ocorrer após partos vaginais e provocar sintomas como sensação de flacidez, alterações na sensibilidade ou desconforto durante as relações.

"Essa é a cirurgia recomendada para ‘apertar’ o canal vaginal. Na maioria das vezes, é indicada para mulheres que tiveram partos vaginais e relatam que a vagina ficou mais afrouxada ou com menos sensibilidade depois do nascimento dos filhos. Isso acontece porque os músculos do períneo, localizados entre a vagina e o ânus, podem sofrer lesões, estiramentos ou lacerações que comprometem sua função. Para algumas mulheres, as fibras musculares não voltam para o lugar após a distensão abrupta no momento de nascimento do bebê", detalha.

O especialista ressalta que a repercussão dessas alterações não é necessariamente apenas estética.

"Mais do que um incômodo estético, essas alterações podem afetar a vida sexual, autoestima e bem-estar emocional da mulher. Muitas relatam constrangimento com o parceiro ou perda de prazer nas relações. Nesses casos, a perineoplastia pode ser uma ferramenta importante de reabilitação íntima", esclarece.

Outra cirurgia é a ninfoplastia, também conhecida como labioplastia, indicada em casos específicos de aumento dos pequenos lábios que provoque desconforto físico ou sofrimento para a paciente.

"O objetivo da ninfoplastia é remover o excesso de pele dos pequenos lábios, deixando-os para dentro dos grandes lábios. O procedimento pode ser realizado com laser e/ou com bisturi elétrico de alta frequência. Antes realizada como uma cirurgia hospitalar tradicional, com a evolução das técnicas cirúrgicas, atualmente no Brasil e no mundo a ninfoplastia tem sido realizada como uma cirurgia ambulatorial", observa Igor.

E quando a queixa é flacidez ou perda urinária?

O ultrassom microfocado também aparece entre as tecnologias utilizadas em tratamentos da região íntima. A ginecologista Daniella Curi explica que o recurso pode ter aplicações diferentes, de acordo com a área tratada e o objetivo definido na avaliação médica.

"Ele foi desenvolvido para o tratamento do canal vaginal e pode ser usado também para tratar gordura e flacidez", conta.

Segundo a médica, o procedimento pode estimular a produção de colágeno em determinadas camadas dos tecidos. Na região vaginal, a proposta pode estar relacionada a queixas como frouxidão e, em alguns casos, à sustentação da uretra.

"O ultrassom microfocado vai na profundidade que selecionamos de acordo com o cartucho e atinge camadas do canal vaginal, onde estimula o colágeno e promove uma contração desse canal. É por isso que ele ajuda na melhora da frouxidão vaginal e também age sustentando melhor a uretra, que está logo acima do canal vaginal", descreve.

O tratamento também pode ser direcionado aos grandes lábios ou ao monte pubiano, dependendo da indicação. Nesses casos, a tecnologia e os parâmetros utilizados variam conforme o objetivo.

O assoalho pélvico também precisa ser avaliado

Nem todas as queixas íntimas estão relacionadas à pele ou à aparência da região. Os músculos do assoalho pélvico têm papel importante na sustentação dos órgãos da pelve e no controle urinário. Quando essa musculatura está enfraquecida, pode haver sintomas como perda involuntária de urina.

A atividade física e os exercícios específicos para o assoalho pélvico fazem parte das estratégias de cuidado. Em algumas situações, recursos utilizados em consultório também podem ser considerados.

"Esse trabalho é fundamental, pois é o assoalho que ajuda a sustentar todas as estruturas da região. Muito importante, sempre que possível, associar os procedimentos do canal vaginal com a melhora da sustentação do assoalho pélvico. O campo eletromagnético faz um estímulo destes músculos, os deixando mais fortalecidos", pontua Daniella.

Tratamentos hormonais podem fazer parte do cuidado

Outra possibilidade é a reposição hormonal, especialmente quando os sintomas estão relacionados à queda dos níveis de hormônios femininos. Ressecamento, desconforto durante as relações e outras alterações podem aparecer em diferentes fases da vida, sobretudo durante o climatério e a menopausa.

Por isso, a investigação da causa é fundamental antes da escolha de qualquer procedimento. Igor ressalta que o tratamento hormonal precisa ser individualizado e acompanhado por um médico.

"Como muitos dos sintomas têm causas hormonais, tratá-los sem a terapia de reposição hormonal pode ser como enxugar gelo. Nessa terapia, são usados normalmente estrogênios, em diversas vias de aplicação, variando da forma oral, gel na pele ou na região da vulva e vagina e adesivos transdérmicos, além de implantes hormonais. Toda essa terapia visa manter os níveis de hormônios femininos em valores próximos aos encontrados durante a vida reprodutiva da mulher. São tratamentos bastante seguros, desde que monitorados por um médico regularmente", finaliza.

 
 

 

 

 

 

 

POr - O Globo

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