Conquista da primeira medalha de ouro do Brasil em Olimpíadas de Inverno
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O dia 14 de fevereiro de 2026 não será esquecido pelo esporte brasileiro.
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Sob uma neve persistente e temperatura de 3°C, na desafiadora pista de Stelvio, nos Alpes italianos, Lucas Pinheiro Braathen escreveu seu nome na história ao conquistar a primeira medalha de ouro do Brasil em uma Olimpíada de Inverno. E fez questão de fazê-lo com estilo: largou na frente e jamais deixou a liderança escapar.
O esquiador de 25 anos completou as duas descidas do slalom gigante com o tempo total de 2min25s00, superando por 58 centésimos o suíço Marco Odermatt, campeão olímpico em 2022, que ficou com a prata. O bronze também foi para a Suíça, com Loic Meillard. Com o resultado, Lucas se tornou o primeiro atleta da América Latina e o terceiro de todo o Hemisfério Sul — depois de Austrália e Nova Zelândia — a subir no lugar mais alto do pódio em Jogos de Inverno.
"É inexplicável. Eu não sei como colocar as minhas sensações em palavras. Só queria compartilhar com todo mundo que está me assistindo no Brasil. Vim com o coração e a força brasileira para levar essa bandeira para cima do pódio. É do Brasil!", celebrou o atleta, em entrevista, ainda com lágrimas nos olhos após se jogar na neve no momento em que a vitória foi confirmada.
A construção do ouro
Primeiro a entrar na pista na largada inicial, Lucas aproveitou as condições ideais da neve ainda intacta e cravou 1min13s92 na primeira descida, abrindo 95 centésimos de vantagem sobre Odermatt. Consciente de que a segunda bateria seria mais desafiadora — com a neve "quebrada" pela passagem dos atletas e a nevasca se intensificando —, o brasileiro administrou a diferença com maestria.
"Foi uma guerra. Eu estava puxando, sempre tentando achar velocidade para descer num ritmo bem rápido. A neve fica completamente diferente entre as descidas. É preciso ajustar, e eu consegui isso, encontrar um equilíbrio", explicou.
Na descida final, Lucas registrou 1min11s08 — apenas o 11º melhor tempo da segunda bateria, mas suficiente para garantir o ouro. Ao cruzar a linha de chegada e constatar o feito inédito, a emoção tomou conta. Para coroar a conquista, a organização dos Jogos de Milão-Cortina embalou a celebração com o "Tema da Vitória", eternizado nas conquistas de Ayrton Senna na Fórmula 1.
Trajetória de superação
Nascido em Oslo, na Noruega, Lucas é filho de mãe brasileira e defendeu o país nórdico até 2023, quando anunciou uma precoce aposentadoria. Em 2024, decidiu retornar às pistas, mas agora sob a bandeira verde-amarela — a terra natal de sua mãe. Desde então, acumulou pódios históricos em etapas da Copa do Mundo, chegando aos Jogos de Milão-Cortina como vice-líder do ranking mundial no slalom e segundo colocado na classificação geral da temporada.
O ouro deste sábado supera com folga o melhor resultado do Brasil na história das Olimpíadas de Inverno, que era o nono lugar de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006. Outro brasileiro em ação na prova, Giovanni Ongaro — também filho de mãe brasileira, mas nascido na Itália — terminou na 31ª colocação, com 2min34s15, em sua primeira participação olímpica.
Brasil pode ter mais emoções pela frente
A medalha histórica pode não ser a única do país em Milão-Cortina. Na próxima segunda-feira (16), a partir das 6h (horário de Brasília), Lucas volta às pistas para a disputa do slalom, prova ainda mais técnica, com portas separadas por aproximadamente 13 metros. Além dele e de Giovanni Ongaro, o Brasil será representado pelo carioca Christian Soevik, outro atleta de ascendência norueguesa.
"Vou me reconectar com o meu coração, com minha equipe, e fazer as modificações necessárias. Sei como fazer isso muito bem", afirmou Lucas, já projetando o próximo desafio.
Por ora, o Brasil celebra. Celebra um ouro que parecia impossível, um herói improvável vindo dos fiordes noruegueses, e uma data que, a partir de agora, está gravada em letras douradas na história do esporte nacional.


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