Saúde & Beleza

Tem gordura no fígado? Veja os alimentos recomendados e os que devem ser evitados

Tem gordura no fígado? Veja os alimentos recomendados e os que devem ser evitados

A doença hepática gordurosa, ou esteatose hepática, tornou-se uma das doenças do fígado mais comuns em todo o mundo nos últimos anos. O aumento de sua incidência está intimamente ligado ao crescimento da obesidade, do diabetes tipo 2, da resistência à insulina e da síndrome metabólica.

Especialistas alertam que, por ser uma patologia que geralmente não apresenta sintomas em seus estágios iniciais, muitas vezes passa despercebida, o que aumenta o risco de a condição evoluir silenciosamente para problemas graves, como inflamação do fígado, fibrose ou cirrose. 

Para lidar com essa condição, a comunidade médica concorda que a estratégia principal não se baseia em medicamentos, mas sim em uma profunda mudança de estilo de vida. Os principais objetivos incluem regular a atividade física, controlar doenças metabólicas preexistentes e alcançar uma perda de peso moderada, estimada entre 7% e 10% do peso corporal total, por meio de diretrizes nutricionais bem estruturadas.

 

Alimentos ultraprocessados ​​e gorduras que aceleram os danos ao fígado

A alimentação desempenha um papel crucial tanto no desenvolvimento quanto no agravamento da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA). Uma pesquisa publicada na revista científica Frontiers in Nutrition, que avaliou mais de 500.000 pessoas, demonstrou que o consumo diário de alimentos ultraprocessados ​​— como refrigerantes, biscoitos industrializados, cereais açucarados, salsichas, sopas instantâneas e fast food — aumenta o risco de desenvolver essa doença em 22%.

Esses produtos fornecem níveis excessivos de açúcares adicionados, gorduras saturadas e aditivos que sobrecarregam a função hepática 

De acordo com as recomendações da nutricionista Natalia Antar e as diretrizes da Universidade de Harvard, existem componentes específicos que devem ser eliminados ou estritamente restringidos:

  • Gorduras saturadas e trans: presentes em salsichas, frios, produtos de panificação industrializados e alimentos fritos, que promovem inflamação e disfunção celular no fígado.
  • Açúcares simples (frutose): o xarope de milho rico em frutose, comum em bebidas e salgadinhos açucarados, acelera a síntese de gordura no fígado. É aconselhável verificar os rótulos para identificar açúcares adicionados sob nomes como dextrose, mel ou agave.
  • Álcool: instituições médicas apontam que não existe uma quantidade segura de álcool para pacientes com fígado gorduroso, visto que mesmo o consumo social ou pequenas doses agravam consideravelmente os danos aos tecidos.
  • Farinhas refinadas: pães brancos, massas não integrais e biscoitos comerciais elevam abruptamente os níveis de glicose e insulina no sangue, estimulando o armazenamento de lipídios nas células do fígado.

 

 

A dieta mediterrânea como plano de recuperação ideal

Em contraste com produtos nocivos, a dieta mediterrânea se apresenta como a opção ideal para retardar ou interromper a inflamação do coração. A gastroenterologista e hepatologista Sobia Laique, da Cleveland Clinic, explica que esse padrão alimentar saudável para o coração não só retarda a progressão da doença, como também reduz significativamente o risco cardiovascular associado.

Este modelo nutricional baseia-se no consumo diário de vegetais, frutas frescas, leguminosas e cereais integrais ricos em fibras (como aveia integral, arroz integral e pão integral), ajustado às necessidades calóricas do paciente.

Também promove a substituição de gorduras animais por gorduras monoinsaturadas e poliinsaturadas. O azeite extra virgem deve ser a principal fonte de gordura na dieta, complementado pela ingestão de oleaginosas (nozes, amêndoas) e sementes (linhaça, gergelim, girassol).

 

Componentes hepatoprotetores: ômega-3, café e mitos sobre ovos

A inclusão de ácidos graxos ômega-3, encontrados em peixes oleosos como salmão e cavala, contribui diretamente para a redução dos triglicerídeos hepáticos e da inflamação geral no organismo. Além disso, o consumo de café preto demonstrou ter propriedades hepatoprotetoras. Estudos clínicos indicam que o consumo de duas a três xícaras de café por dia (com ou sem cafeína), sem açúcar, adoçantes ou creme, está associado a menor acúmulo de gordura e menor risco de desenvolvimento de fibrose hepática.

Finalmente, especialistas desmentiram os mitos em torno do impacto dos ovos na saúde do fígado. As evidências científicas atuais indicam que o consumo de um ovo por dia é seguro e benéfico como parte de uma dieta equilibrada. Os ovos são uma rica fonte de colina, um nutriente essencial para o metabolismo adequado das gorduras no fígado; portanto, longe de serem prejudiciais, desempenham um papel protetor no tecido hepático.

 

 

 

POr - O Globo