Paraná lança nova etapa de fortalecimento da cadeia produtiva da erva-mate
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O programa Vocações Regionais Sustentáveis (VRS), da Invest Paraná, agência de promoção de investimentos do Governo do Estado, em parceria com o Núcleo Interdisciplinar de Gestão Pública da UEL (NIGEP), lançou o Meta 3, nova etapa do trabalho voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva da erva-mate.
O evento “Mercados para a Erva-Mate: Promoção, Mercados Públicos e Exportação”, realizado em União da Vitória, quinta-feira (26), teve ampla participação de empresários do setor e representantes municipais ligados às compras públicas.
A iniciativa dá sequência ao projeto que une pesquisa científica, mercado e políticas públicas para fortalecer toda a cadeia da erva-mate no Paraná, iniciado com o programa VRS Lab+ e que segue sendo desenvolvido com parcerias entre universidades, órgãos estaduais e entidades ligadas ao setor produtivo.
O projeto conta com apoio da Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (SETI) e financiamento do Fundo Paraná. Na primeira etapa, foram estruturados instrumentos como rastreabilidade e identidade territorial, que agora entram na fase de operacionalização.
O Meta 3 consolida, portanto, a etapa de execução após o ciclo de estudos preliminares e devolutivas aos produtores participantes do VRS. As ações do Meta 3 estão organizadas em três frentes: rastreabilidade; conexão e integração da cadeia; e marketing e valorização do produto.
Segundo o gerente de Desenvolvimento Econômico da Invest Paraná, Bruno Banzato, os eixos foram definidos a partir das demandas apresentadas pelo próprio setor, com a intenção de gerar mais renda e impacto positivo para a cadeia produtiva, elevando o padrão da erva-mate paranaense e ampliando seu reconhecimento no mercado nacional.
“Nossa meta é dobrar o valor da erva-mate de qualidade, sombreada, que é produzida historicamente pelo Paraná, e acaba abastecendo ervateiras de outros estados, e que, por muitas vezes, não reconhece o trabalho desses produtores envolvidos”, destaca.
A professora Daniele Ukan, da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), que integra a equipe responsável pelo desenvolvimento científico e tecnológico, ressalta que, com base nos diagnósticos feitos até agora, o projeto tem as informações necessárias para iniciar um modelo de identificação do mate paranaense. “O Meta 3 vai contemplar a rastreabilidade. Avaliar quais informações devem acompanhar o produto, se isso é uma demanda de mercado ou uma estratégia de diferenciação", explicou.
"Também vamos trabalhar as boas práticas de manejo e verificar, com os produtores e com as indústrias, quais são as práticas que mais impactam na qualidade da folha, além de atuar na padronização para garantir o controle de qualidade”, explica a professora.
MARCA - Além de um sistema de rastreabilidade, uma marca de autenticidade do mate paranaense deve ser desenvolvida pelo projeto. Segundo Daniele, não se trata de uma marca coletiva, mas de um selo do Paraná. "Será avaliado o que diferencia essa marca, se existe espaço para essa segmentação e quais são os desafios para comunicar essa qualidade tanto nacional quanto internacionalmente”, esclarece.
CAPACITAÇÃO PARA PRODUTORES E MUNICÍPIOS - Além do lançamento do projeto Meta 3, o encontro também promoveu palestras visando a ampliação do acesso ao mercado institucional por meio de compras públicas, consideradas um importante instrumento de desenvolvimento local. A ideia de incluir erva-mate ou seus derivados na merenda escolar no Paraná já foi discutida e avançou nos últimos anos.
Ainda que não seja algo consolidado em todo o Estado, está previsto o uso da erva-mate como chá ou em receitas preparadas para os alunos. A nutricionista Victoria Aline Balan, uma das responsáveis por políticas públicas e chamadas para compras da alimentação escolar no Instituto Fundepar, apresentou aos participantes do evento o funcionamento das chamadas públicas, com o objetivo de orientar e incentivar agricultores familiares e cooperativas a acessarem esse mercado.
“No ano de 2025, o Fundepar, por meio de chamadas públicas, investiu cerca de R$190 milhões na compra de alimentos da agricultura familiar para a alimentação escolar e também a erva mate passou a integrar o grupo de compra no último ano. Por ser recente a adição da erva-mate, a gente ainda não teve uma grande oferta, mas a expectativa é que com a divulgação e aproximação com os produtores esse número aumente gradativamente”, analisa.
Complementando esse olhar para as compras públicas, também palestrou o professor
Saulo Fabiano Amâncio-Vieira, da NIGEP - UEL. Para professor, esse momento de diálogo e instrução para os produtos e representantes municipais é um incentivo às compras locais, e uma forma promover o desenvolvimento econômico.
"É uma forma de promover o desenvolvimento apoiando pequenas empresas locais, a sustentabilidade ambiental, a geração de renda e oportunidades para agricultores familiares, estimulando uma maior inclusão social, e também garantindo maior qualidade no consumo de produtos, como por exemplo, produtos da agricultura familiar, que são entregues às crianças."
A partir de agora, os produtores e empresários participantes do evento e do programa VRS passam a integrar grupos de trabalho de cada uma das três metas. Eles passarão por
capacitações e treinamentos quanto à padronização de qualidade dos produtos, adequações de marca para o mercado nacional e internacional, e também poderão contribuir para a estruturação de uma marca identificadora do mate paranaense e do sistema de rastreamento.
Por AEN


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