Paraná

Número de aprendizes no Paraná cresceu 37% no 1º semestre de 2019, diz Ciee

Número de aprendizes no Paraná cresceu 37% no 1º semestre de 2019, diz Ciee

O número de aprendizes encaminhados pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) às empresas do Paraná cresceu 37% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado.

 

O aumento é ainda mais significativo do que o verificado em todo o país: no Brasil, o avanço foi de 13,6%, com o número de aprendizes em todo o país somando 247.679 de janeiro a junho. De acordo com Simone Paulin, gerente da Divisão de Capacitação e Cidadania do Ciee Paraná, o crescimento da aprendizagem no Paraná já vinha sendo verificado em anos anteriores.

 

“Mas este ano, realmente, a aprendizagem teve um crescimento muito considerável. Atribuímos esse crescimento a uma conscientização maior por parte das empresas”, afirma Simone. “A lei que obriga contratação de aprendizes é do ano 2000 e de lá para cá vêm sendo feitas campanhas frequentes para que essa ação (contratação de aprendizes) fique mais efetiva”.

 


A gerente ainda explica que a aprendizagem é um programa de inclusão social do adolescenteno mercado de trabalho, sendo a única forma de trabalho legal no Brasil para jovens com idade entre 14 e 16 anos. A idade da aprendizagem, entretanto, vai dos 14 aos 24 anos, com exceção das pessoas com deficiência,que daí não tem idade máxima. Ao final da aprendizagem, o jovem ainda ganha um certificado de conclusão de um curso profissionalizante.

 

“O programa é de cunho social, para inclusão de adolescentes e jovens no mercado de trabalho. É aquele adolescente mais vulnerável, tanto na parte econômica como no aspecto social. Esse preparo faz com que o jovem se mantenha na escola regular, tenha a prática profissional na empresa e também tenha a parte teórica no Ciee, a instituição formadora. São três frentes de atuação”, esclarece Simone.
Apesar do avanço nas contratações, contudo, o número de jovens aguardando por uma oportunidade ainda é grande. Segundo o CIEE, hoje são quase 27 mil jovens cadastrados no Paraná que aguardando por uma oportunidade de aprendizagem.

 

“Mesmo com o crescimento (nas contratações), é importante destacar que temos um número de pessoas procurando muito maior do que o de vagas. Por isso, apelamos para que as empresas cumpram suas cotas. Têm empresas com possibilidade (de contratar), mas que por não conhecer a lei, não contratam. Então apelamos para que procurem saber sobre o programa de aprendizagem, estamos inteiros à disposição e temos muitos jovens esperando uma oportunidade”, apela Simone.


A chamada Lei da Aprendizagem (Lei 10.097, de 2000), junto com o Decreto 5.598/2005, determina cotas para as empresas na contratação de trabalhadores como jovens aprendizes, cujo contrato de trabalho pode durar até dois anos. As empresas de médio porte devem possuir o equivalente a 5% de jovens aprendizes, enquanto para as de grande porte a cota sobe para 15%.

 

Ainda segundo a legislação, no setor de comércio e serviços, são consideradas empresas de médio porte as que tem entre 50 e 99 empregados. Já na indústria, são as que possuem entre 100 e 499 contratados. No caso das empresas de grande porte, no setor de comércio e serviços são as com mais de 100 funcionários; e no setor industrial, as com mais de 500 empregados.

 

Serviços administrativos e comércio são os que mais contratam

 

Simone Paulin, gerente da Divisão de Capacitação e Cidadania do CIEE Paraná, comenta ainda que a área de serviços administrativos é a que mais demanda aprendizes, seguida pelo comércio e varejo, supermercados e telemarketing (no caso deste último e de outras áreas, como produção industrial, só é permitido aprendizes a partir dos 18 anos).

 

Em Curitiba, o jovem David William Zavorize, de 18 anos, conseguiu uma colocação como aprendiz dentro do próprio CIEE, há 10 meses. Ele começou a atuar como aprendiz, contudo, há quatro anos, em busca de uma colocação que se encaixasse melhor ao seu perfil.


“Estava procurando (uma vaga) há algum tempinho. Minha aprendizagem anterior havia sido em 2016”, conta o jovem. “Trabalhar aqui vai mudar minha vida para sempre. Quando termina o contrato, ganha um certificado com carga horária e isso já me ajuda muito para conseguir outro emprego quando sair, além de me ajudar na vida profissional, já que estou aprendendo a me portar perante as pessoas, como manter a tranquilidade em situações de estresse, como ajudar quem está perido”, relata o jovem, que pretende começar a cursar em breve Psicologia.

 

Emocional ainda é a grande dificuldade para o jovem trabalhador

 

Para os jovens que estão entrando agora no mercado de trabalho, tanto para aprendizagem como para o estágio, a grande dificuldade reside em lidar com os aspectos emocionais inerentes à função exercida, explica a gerente do CIEE Paraná, Simone Paulin.

 

“(As maiores dificuldades) São sempre as questões mais pessoais: resiliência, proatividade, tudo aquilo que compõem o profissional para além da parte técnica, que daí ele vai ter na escola, na faculdade, no curso de aprendizagem”, afirma a gerente. “Trabalho em equipe é fundamental. Falar em público também, dependendo da profissão. Toda essa parte que tem de conhecimento é um fator importante de diferencial para ele. Quem se adapta melhor às exigência é um profissional mais bem preparado”, complementa.

 

O CIEE, inclusive, realiza todos osmeses cursos livres, abertos para qualquer pessoa da comunidade. A programação está sempre disponível no site da instituição. “São cursos que ajudam nesse aperfeiçoamento, nessa busca de conhecimento mais aprofundado em alguns itens que o mercado de trabalho exige e muitas vezes não compõem o currículo escolar, o currículo das universidades”, diz Simone.

 

Estágio 

 

Se o número de jovens aprendizes contratados avançou 37%, por outro lado o número de estagiários cresceu 8%, aponta o CIEE Paraná. Segundo Simone Paulin, esse crescimento teria relação com o aumento no número de alunos matriculados no Ensino Superior. “Na grande maioria dos cursos, o aluno, para se formar, precisa ter uma carga horária de estágio, para alitar a teoria da universidade com a prática. Então essa prática é que valida esse curso por conta da prática que vai exercer na futura profissão”, explica a gerente da Divisão de Capacitação e Cidadania do CIEE Paraná. “(O crescimento se explica) Pelo elevado número de pessoas no curso superior, o maior número de matrículas.” (Com Bem Paraná)

 

 

 

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