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No Paraná, mortes relacionadas à depressão crescem 355% em 21 anos

No Paraná, mortes relacionadas à depressão crescem 355% em 21 anos

Não é à toa que a depressão é conhecida como o mal do século XXI. Em todo o mundo, mais de 320 milhões de pessoas são afetadas pela doença, sendo que 11,5 milhões são brasileiros (o equivalente a 5,8% da população). E nos últimos anos o problema vem batendo recorde de mortes. Em todo o Brasil, houve uma alta de 681,82% no número de mortes decorrentesde episódios depressivos entre 1996 e 2017, último ano com dados disponíveis. Só no Paraná, o aumento verificado nesse mesmo período foi de 354,55%.

 

O levantamento foi feito pelo Bem Paraná com base nos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. Estão incluídos na estatística casos que aparecem na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) como ‘transtornos do humor (afetivos)’, o que inclui episódios depressivos e trantorno depressivo recorrente, entre outras doenças.

 

Os dados mostram que, no Brasil, haviam sido registradas, em 1996, um total de 77 mortes relacionadas à transtornos do humor, com onze vítimas oriundas do Paraná. Já em 2017, vinte e um anos depois, o número de falecimentos disparou, alcançando 602 – só no estado foram 50 mortes relacionadas à esses transtornos

 

Considerando-se todo o período analisado, 7.572 pessoas faleceram entre 1996 e 2017 em decorrência de transtornos do humor no país, com a média de 361 mortes ao ano. Só no Paraná, foram 724 óbitos, com média de 35 óbitos anuais. Se observados os dados mais recentes (de 2017), nota-se que a tendência é de crescimento.

 

Suicídios


O número de suicídios também vem crescendo significativamente no Brasil e no Paraná ao longo das últimas décadas. No país, haviam sido registradas, em 1996, 6.743 mortes por lesões autoprovocadas intencionalmente. Já em 2017, foram 13.097 registros, o que aponta para um crescimento de 92,04%. Mais assustador ainda: no Brasil, uma pessoa dá cabo à própria vida a cada 40 minutos.

 

Considerando-se apenas os dados do Paraná, o aumento verificado foi de 32,69%. Em 1996, foram registrados 621 suicídios no estado. Vinte e um anos depois, já foram 824 registros. Importante destacar que tanto os dados nacionais como o estadual apontam para um recorde histórico (considerando os números absolutos) de pessoas se suicidando num só ano

 

Por fim, cabe ainda destacar que as taxas de suicídio são muito superiores às mortes associadas à depressão porque, na maioria dos casos, o atestado de óbito não traz a doença como causa associada.

 

As causas da “epidemia”

 

Segundo especialistas, são dois os possíveis motivos para o aumento das notificações de mortes relacionadas à depressão e ao suicídio. O primeiro seria um aumento real no número de suicídios. Outro seria um registro mais fidedigno dos casos ocorridos, nas declarações de óbito.

 

Segundo a psicóloga Claudia Cristina Basso, as mudanças pelas quais a sociedade passou ao longo dos últimos anos ajudam a explicar esse aumento nos índices de óbitos. “(Esse aumento) É reflexo do desenvolvimento próprio da vida. Desenvolvimento da tecnologia, aceleração do mundo, mais famílias desestruturadas, dependentes químicos. Entre os adultos há muitos que passaram por experiência de abuso sexual, violência doméstica”, aponta Claudia. “A fragilidade emocional diante dessas situações geram muitas frustrações. A pessoa não quer se matar para morrer, ela quer se matar para tirar a dor dela. Ela não sabe controlar essa dor”, complementa.

 

Primeiro passo é conversar

 

A depressão tem tratamento. E o primeiro passo para superar a doença, que afeta pessoas de todas as idades e estilos de vida, é conversar sobre o assunto. Contudo, a dificuldade ainda existe porque há estigmas e pouca compreensão da sociedade, dando margem, com frequência, a visões que carregam preconceito.

 

“Faltam redes humanas de apoio, as pessoas vivem mudanças na configuração dos relacionamentos e tudo isso pode criar uma sensação de que você vive aquele sofrimento sozinho. Por isso, uma das apostas que fazemos em nosso atendimento preventivo é na expressão. Até para que se possa falar também das coisas ruins. Nas redes sociais, em geral, as pessoas falam das coisas maravilhosas. E é importante falar mais amplamente sobre os sentimentos”, diz a psicóloga Laura Quadros, chefe do Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

 

Setembro Amarelo

 

Agosto se aproxima do fim e no próximo domingo começa setembro, o mês mundial de prevenção do suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. Iniciado em 2015 e promovido pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Setembro Amarelo tem a proposta de associar à cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro). A ideia é pintar, iluminar e estampar o amarelo nas mais diversas resoluções, garantindo mais visibilidade à causa e também conscientizando e sensibilizando a população sobre a questão, que aos poucos vem deixando de ser um tabu, o que favorece aqueles que precisam a procurar ajuda. (Com Bem Paraná)

 

 

 

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