Paraná

Homem é condenado a 60 anos de prisão por matar avó e neta de 11 anos com facadas

Homem é condenado a 60 anos de prisão por matar avó e neta de 11 anos com facadas

João Vitor Rodrigues foi condenado a 60 anos de reclusão pelo Tribunal do Júri por matar Marley Gomes de Almeida, de 53 anos, e a neta dela, Ana Carolina Almeida Anacleto, de 11 anos, em Jataizinho, no norte do Paraná. A sentença, proferida pela juíza Camila Covolo de Carvalho no dia 31 de janeiro e divulgada na última sexta-feira (10), também fixou cinco meses de detenção e 820 dias-multa. O réu foi condenado por duplo latrocínio e fraude processual, e optou por não recorrer da decisão.

Os crimes ocorreram na madrugada do dia 22 de março de 2025. Segundo as investigações, João Vitor pulou a janela da residência de Marley e, após furtar aproximadamente R$ 100 de sua bolsa, percorreu outros cômodos da casa em busca de objetos de valor. No quarto, encontrou a avó e a neta dormindo.

Conforme consta na sentença, ele imobilizou as duas vítimas, amarrando-as de costas. Levou Ana Carolina ao banheiro e matou Marley com duas facadas no pescoço. Em seguida, buscou a criança e a assassinou da mesma forma, colocando-a sentada no chão do quarto. Após os crimes, limpou toda a casa e os corpos para apagar impressões digitais, fugiu pelo mesmo muro e levou a faca e o dinheiro. Toda a ação durou cerca de duas horas.

Os corpos foram encontrados pelo filho de Marley, que foi até a residência fazer uma visita. Avó e neta estavam deitadas na cama, cobertas por um edredom, com lenços amarrados no pescoço. Na parede, ao lado dos corpos, havia uma mensagem escrita com sangue: "Deculpa mae". De acordo com o delegado responsável pelo caso, Vitor Dutra, o recado era direcionado à mãe do autor e ao filho de Marley, com quem João Vitor tinha amizade.

A Polícia Civil colheu 37 depoimentos ao longo da investigação. João Vitor passou a ser investigado por ter histórico criminal e residir próximo à casa das vítimas. Na época do crime, ele cumpria pena por tráfico de drogas na Cadeia Pública de Assaí e havia sido liberado temporariamente.

Ao retornar ao presídio, ligou para a mãe e confessou os assassinatos, dizendo não aguentar o peso do que havia feito. A mãe o denunciou à polícia. Ele foi preso em maio de 2025 e, posteriormente, confessou formalmente o crime na delegacia. Desde então, está recolhido na cadeia pública de Londrina.

Antes da confissão de João Vitor, outro homem, de 42 anos, havia sido preso temporariamente por aparecer em imagens de câmeras de segurança próximo à residência das vítimas no dia do crime. Ele chegou a ser espancado por moradores do bairro após as imagens circularem nas redes sociais. Ficou detido por 43 dias até que as investigações confirmassem sua inocência, após a confissão do real autor. Foi solto no dia 9 de maio de 2025.

A advogada Bruna Cirilo informou que João Vitor está ciente da condenação e optou conscientemente por não interpor recurso, assumindo as consequências jurídicas de seus atos. Em nota, a defesa destacou que sua atuação foi pautada na legalidade e na garantia dos direitos constitucionais do réu, e manifestou respeito à dor dos familiares das vítimas.

 

 

SICREDI 02