Cesta de Natal deve ter o maior aumento dos últimos três anos
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Foto: © Freepik
Tradicionalmente, dezembro é o mês de mais faturamento dos supermercados por causa das festas, com aumento de cerca de 20% na comparação com outros meses. Mas, neste ano, o percentual pode mudar. Isso porque a previsão é que a cesta de Natal com a maior variação dos últimos três últimos.
Impulsionado principalmente pela inflação da carne bovina, além da desvalorização cambial e das alterações climáticas que afetaram algumas culturas, o combo deve ter 5,8% de aumento, ante os 4,5% do ano passado e os 2,3% de 2022. O levantamento é da Associação Paulista de Supermercados (Apas).
Felipe Queiroz, economista-chefe da associação, explica que o preço da carne subiu diante do aumento das exportações da proteína, já que neste ano não houve interrupção dos embarques como ocorreu em 2023 em consequência de um caso atípico de vaca louca no Pará. Também entra na conta do aumento da carne bovina a seca e as queimadas que atingiram muitos pastos este ano
Mesmo com a desaceleração em novembro, as exportações da carne bovina já somam 2,95 milhões de toneladas neste ano, um avanço de 30,84% na comparação com 2023, segundo dados da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo). O economista da Apas aposta em recorde de exportações de proteína animal este ano.
Na pesquisa da Apas, que abrange os supermercados da capital e do interior paulista, cortes como pernil com osso e lombo com osso tiveram alta de 17,6% e 16,4%, respectivamente. Frango (8,6%) e peru (9,15%), componentes da cesta, também estão com preços mais salgados. Na comparação, o bacalhau, prato também tradicional nas festas natalinas, apresenta um aumento de apenas 1,5%.
“Embora seja importado, é bom lembrar que as compras de bacalhau pelos supermercados são antecipadas e foram feitas há cerca de seis meses, o que elimina o peso da desvalorização cambial.”
Outros produtos com aumento acima dos dois dígitos muito procurados no Natal são o leite (25,1%), azeite de oliva (24,9%), azeitona (19,2%), queijo mussarela (16,8%), óleo (11,8%), chocolate (11,4%) e arroz (11%).
Entre as frutas, o limão se destaca com uma alta fora da curva: 100,9%. A maçã vem na sequência, com aumento de 18,9%. “Este ano é melhor trocar o mousse de limão por um pudim ou mousse de maracujá”, brinca o economista, lembrando que os citros tiveram quebra de safra em razão da seca prolongada. Já o preço do maracujá caiu 28,7% e o do abacaxi, 11,7%.
As vendas não param
Mesmo com o aumento dos preços da cesta de Natal, a associação espera um crescimento nas vendas de final de ano de 4,8% na comparação com dezembro de 2023.
“Apesar da inflação forte, o mercado de trabalho está mais aquecido e deve resultar em crescimento real das vendas. Temos o maior volume da série histórica de pessoas trabalhando e isso leva ao consumo.”
Para a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a alta no consumo no país deve ser maior: 12%. Em levantamento realizado na última semana de novembro, a associação nacional estimou em 8% o aumento da cesta de produtos natalinos.
Composta por dez produtos (aves natalinas, azeite, caixa de bombom, espumante, lombo, panetone, pernil, peru, sidra e tender), a cesta foi calculado em R$ 345,83 ou R$ 24,70 a mais do que os R$ 321,13 de 2023.
O aumento da Taxa Selic de 1 ponto percentual pelo Banco Central na última quarta-feira (11/12), segundo Queiroz, também não será um problema para as compras de final de ano. O resultado visto no próximo ano, com menos crédito e desestímulo ao consumo e investimentos ao longo de 2025.
“O Banco Central tem muitos instrumentos à disposição, mas infelizmente adota única e exclusivamente o aumento da taxa Selic, o que perpetua os gargalos estruturais e macroeconômicos do país. Esse 1 ponto de aumento nos juros já fez o pacote de corte de gastos anunciado pelo governo na semana passada não valer mais nada.”
Na próxima semana, a Apas e a Abras devem lançar outras pesquisas de cesta de Natal.
Por Globo Rural