Paraná

Escola do Paraná produz uma tonelada de tilápia em projeto

Escola do Paraná produz uma tonelada de tilápia em projeto

Pioneira em implantar na prática a piscicultura na grade escolar da rede estadual de ensino agrícola do Paraná, uma escola de São Mateus do Sul, na região sudeste do Estado, produziu cerca de uma tonelada de tilápia em 2025. A estimativa, segundo a coordenação, é aumentar a produção em mais de 50% no próximo ciclo, previsto para finalizar em 2027. Trata-se do Centro Estadual de Educação Profissional Agrícola (Ceepa) São Mateus do Sul, que está transformando a criação de peixes em oportunidade de formação profissional e geração de receita.

Com a comercialização do primeiro lote do pescado produzido, a escola arrecadou aproximadamente R$ 10 mil. Os recursos, obtidos por meio da cooperativa escolar, estão sendo integralmente reinvestidos no próprio colégio, principalmente na compra de ração, implementos e equipamentos de proteção individual.

O aumento da produção esperado para o próximo ciclo está relacionado a condições climáticas mais favoráveis, adoção de novos tipos de ração e aperfeiçoamento das técnicas de manejo, segundo Thales Okonoski, diretor da Unidade Didático-Produtiva.

Criado em 2024, o colégio atende atualmente 83 estudantes do curso técnico em Agropecuária e mantém quatro tanques de criação de tilápia, cada um com capacidade para 675 mil litros de água. Juntos, eles comportam cerca de 2,7 milhões de litros. A estrutura permite que os estudantes acompanhem, dentro da própria escola, todas as etapas da atividade, da chegada dos alevinos até o manejo, o processamento e a comercialização do pescado.

Thales comenta que a experiência permite que os alunos compreendam não apenas as técnicas de criação, mas toda a lógica econômica e produtiva da atividade. “O estudante participa do ciclo completo. Nesse processo, aprende a tomar decisões com base em dados, controlar custos, avaliar a qualidade da água e entender como cada etapa interfere no resultado final”, diz.

Cerca de metade dos estudantes da unidade está em regime de internato, e 60% são mulheres. No final de 2026, o colégio terá a formatura da primeira turma. Karoline de Souza, de 17 anos, conta que, antes de estudar no Ceepa, não imaginava que a piscicultura envolvesse tantas etapas e exigisse tantos cuidados relacionados ao manejo e à segurança.

“Na prática, conseguimos acompanhar o desenvolvimento dos peixes, fazer a biometria, participar da despesca e até da filetagem. Esse contato direto ajuda muito a entender o que aprendemos em sala de aula e tornou a piscicultura uma das áreas de que mais gosto dentro da formação técnica”, comenta a aluna da 2ª série do Ensino Médio.

A experiência, conforme o diretor, também aproxima os estudantes de uma cadeia produtiva em expansão no Paraná, ampliando as possibilidades de atuação após a conclusão do curso. O técnico em Agropecuária pode trabalhar em propriedades rurais, frigoríficos, cooperativas e associações de produtores, empresas de consultoria e assistência técnica, indústrias de insumos, agências ambientais e outros segmentos relacionados à criação, ao processamento e à comercialização de pescado.

 

Ciclo produtivo

O processo começa com a chegada dos alevinos, peixes ainda em estágio inicial de desenvolvimento. Eles chegam ao colégio com aproximadamente 2 centímetros de comprimento e são adquiridos por meio de processo licitatório conduzido pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar).

O ciclo de criação dura aproximadamente um ano. Após serem colocados nos tanques, os peixes recebem alimentação diária, enquanto os estudantes acompanham o crescimento dos animais e as condições necessárias para o bom desenvolvimento da produção.

Um dos principais cuidados é o monitoramento da qualidade da água. Os alunos verificam parâmetros como oxigênio dissolvido, temperatura, pH e transparência. Também controlam a quantidade de ração fornecida e realizam periodicamente a biometria dos peixes, procedimento em que uma amostra do lote é medida e pesada para avaliar o desenvolvimento dos animais.

Quando as tilápias atingem cerca de 1,2 quilo, ocorre a despesca, etapa em que os peixes são retirados de forma planejada dos tanques para o início do processamento. Na sequência, os animais passam por lavagem, retirada das escamas e evisceração, procedimento para remoção das vísceras realizado sob cuidados de higiene e segurança sanitária. Depois, as carcaças são novamente higienizadas e seguem para a filetagem.

Os filés são congelados, armazenados e posteriormente comercializados pela cooperativa escolar. As etapas de produção e processamento são acompanhadas por uma médica-veterinária, responsável técnica pela atividade, pelo controle de qualidade e pelas condições sanitárias.

Por meio de um projeto pedagógico interdisciplinar, os estudantes aplicam conteúdos trabalhados em diferentes componentes da formação técnica em uma situação real de produção. Com a prática da piscicultura, são estudados conteúdos relacionados a disciplinas como Química, Matemática, Finanças, Meio Ambiente, entre outros. De acordo com o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda, a iniciativa amplia as possibilidades de formação profissional oferecidas pela rede estadual: “a educação profissional precisa acompanhar as vocações e as oportunidades de cada região”.

 

 

 

 

 

Por GR

 

 

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